quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O PASSADO NO PRESENTE A PENSAR NO FUTURO – INICIAÇÃO AO HÓQUEI EM PATINS


Partilho hoje no blog THP uma história pessoal que começou há 2 anos. Faço-o como pai e como treinador.
«O meu filho mais velho, ainda com 4 meses de vida viu o primeiro jogo de hóquei em patins. Ficou calmo e sossegado, notando-se uma atenção especial com o “barulho” do jogo. Assistiu a um jogo do distrital de sub-15.
A partir desse momento não mais parou de seguir o hóquei em patins, quer fosse em casa quando o pai mudava o canal da televisão, nomeadamente do canal Panda para uma transmissão do hóquei, quer fosse visualizar ao vivo um jogo. Penso que esse foi o ponto de arranque para tomar “o bichicnho” da modalidade.
Rapidamente começou a dizer “Óq”. Foi assim que identificava a modalidade.
Com menos de 1 ano de idade já visualizava jogos da 1ª divisão in loco do clube que o pai representava na altura como treinador. Diga-se que se equipava a rigor para ir ver os jogos com o cachecol do clube e espelhava felicidade com o ambiente do pavilhão.
Tendo-lhe tomado o gosto, chega a altura de querer experimentar os patins por volta dos dois anos e pouco. A mãe ainda achando que talvez fosse um pouco cedo não queria muito, o pai treinador achou que estava no “time ideal”.
Por essa altura, experimenta os primeiros patins. “Patim de fivela” numa fase inicial e posteriormente “patim de bota” de iniciação. Existem muitas variedades de patins de iniciação, no entanto, apesar de todas as vantagens e comodidades que possam existir, decidi que começaria com o tradicional e antigo “patim de fivela”.
Poderia ter vivenciado esta experiência num piso rugoso, ou num tapete, ou num colchão, mas não… Experimentou e gostou, porque o fez em pleno terreno ervado e por vezes pelado, com jardim nas redondezas, onde se sujam as rodas e as mesmas não deslizam. Nesta fase convém ter também um bom detergente da roupa em casa.
Diga-se que a criança achou piada ao facto de não cair muitas vezes e de calmamente lá ir marchando. Com o passar dos dias, o equilíbrio estava praticamente adquirido, o medo de cair ultrapassado e a vontade de continuar aumentava.
Claro que nunca pegou no stick simultaneamente aos patins. Stick na mão e bola de ténis na outra, só com as sapatilhas pés. Fiz e ainda faço esta regra ser implementada. Assim brincou muito, ora a marchar, ora a manusear o stick e a bola sem patins.
Chegado o momento da transição de piso, foi promovido ao piso interior da casa. Primeiramente em cima de velhos tapetes e posteriormente e momentaneamente na tijoleira do chão da garagem.
É claro que o stick na mão e a bola de ténis na outra só de sapatilhas e nesta fase preferencialmente quando a mãe estava ausente.
Cada vez mais o consumo “de hóquei em patins” in loco e via tv aumentaram gradualmente, sem nunca pressionar a criança e deixando-a marcar esse ritmo.
Mal completa 3 anos (e não estava há espera que ele fizesse os 3 anos), chega “o time” de o inscrever nas escolas de patinagem de um clube.
Os treinos de patinagem são somente isso, treinos de patinagem. Feliz com a opção tomada e com a forma como os treinos são ministrados. O stick não entra nestas contas. Já sabe, stick na mão e bola de ténis na outra, tem de ter sapatilhas nos pés e é para brincar com os amigos ou atrás dos recintos de jogos nos pavilhões que proporcionam isso. Denota-se já uma pega e manuseamento do stick com relativa qualidade. Mas isso será para partilhar daqui a alguns anos.
Assim continua. Com 4 anos e meio a filosofia e a prática continua igual. Nesta fase, já desliza para frente, curva e começa a patinar de costas… Acima de tudo, demonstra alegria imensa quando e sempre calça os patins. Começa a ver colegas mais velhos nos treinos de iniciação ao hóquei e pede por vezes que quer jogar hóquei com os patins e o stick na mão, mas também diz que primeiro tem de saber patinar bem.
Se a opção tomada inicialmente foi a mais correta, não sei! Se o método, (se é que houve) foi o adequado não sei! Sei apenas que tudo isto data de 2014 em diante e a criança é o meu filho.
Fará a “transição” ou evolução para iniciação ao hóquei em patins quando ele (criança) decidir sob a forma das aprendizagens adquiridas. Não é o pai ou o treinador a decidir. Será sempre a criança/jovem praticante a marcar o seu ritmo de evolução, sem pressas e com muita vontade de assimilar todas essas fases de aprendizagem.»

Daqui por alguns anos daremos continuidade a esta publicação, para já fica aqui um testemunho em primeira mão.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

MANUAIS DE APOIO DIDÁTICO À FORMAÇÃO DE TREINADORES


«De acordo com as competências do Treinador definidas e perspetivadas no âmbito do modelo do Programa Nacional de Formação de Treinadores - PNFT, foram construídos os Referencias e os Conteúdos de Formação relativos à Componente Geral.
Estes Referenciais e respetivos Conteúdos de Formação estão organizados por Unidades de Formação previamente determinadas no estabelecimento dos diferentes Perfis e fazem referência ao conhecimento fundamentado e multifacetado desenvolvido no âmbito das Ciências do Desporto.
No cumprimento da metodologia assumida, o IPDJ, I.P. procedeu à construção dos Manuais atribuindo a sua elaboração e autoria a um grupo de especialistas com larga experiência nos âmbitos considerados.
Estes Manuais, constituem-se como um instrumento importante para todas as entidades formadoras de treinadores, em particular das Federações colmatando uma lacuna existente desde o lançamento do PNFT.


ESTRUTURA DOS MANUAIS

Cada um dos Manuais é apresentado num ficheiro independente, cada um de acordo com uma Unidades de Formação previstas na Formação de Treinadores – Componente de Formação Geral. Todos os manuais possuem as seguintes secções:
  • Índice (da subunidade)
  • Lista dos objetivos de aprendizagem 
  • Desenvolvimento dos conteúdos
  • Conclusões dos conteúdos
  • Teste de Autoavaliação
  • Recomendações de leituras para consulta dos formandos 
  • Glossário de conceitos chave 

NOTA IMPORTANTE: Os manuais publicados em formato digital (PDF), podem ser impressos e policopiados, desde que se destinem aos fins para os quais foram concebidos: a formação de treinadores.
Todos os direitos de edição e autorais deverão ser preservados de acordo com a legislação em vigor.



MANUAIS - COMPONENTE DE FORMAÇÃO GERAL GRAU I

  Índice














MANUAIS - COMPONENTE DE FORMAÇÃO GERAL GRAU II
 

  Índice



  Teoria e Metodologia do Treino - Modalidades Individuais (Brevemente disponível)










FONTE: IPDJ, http://www.idesporto.pt/conteudo.aspx?id=191&idMenu=53

domingo, 29 de janeiro de 2017

O QUE É O BOM LÍDER? JOSÉ NETO


“Não fazer o que deve ser feito ou fazê-lo de forma incorreta, são males do mesmo tamanho”

“Conhecimento é saber a resposta … sabedoria é saber o melhor momento para a dar” , Albert Einstein

Ao longo do tempo e em especial a partir do início do sec. XX a questão da liderança tem sido alvo de estudo mais elaborado por investigadores da área das ciências humanas e sem que exista uma absoluta forma de a definir, acabam por qualifica-la como um processo comportamental que consistia em influenciar as atividades de uma equipa ou determinado setor no alcançar dos seus objetivos, incidindo pela influência interpessoal da autoridade exercida, associando a arte de educar, orientar e estimular os atletas na procura dos melhores resultados perante um ambiente competitivo e os desafios, riscos e incerteza colocados.

A partir de várias investigações e modelos explicativos, foi-se verificando uma evolução de conceitos, quer centrando-se no estudo dos traços de personalidade, na observação dos comportamentos assumidos pelos líderes e nas variáveis situacionais que influenciavam a eficácia de liderança centrado no carisma e na capacidade transformacional do líder na relação com os seus colaboradores.  

A isto veem-se associados os atributos de personalidade, tendência para o domínio em relação com os demais, necessidade de influenciar as ideias dos outros, valorizando as motivações para o encorajamento do grupo, vendo no trabalho apelativo e estimulante uma promoção de sentimentos duma identidade coletiva.

Após um complexo e variado estudo do modelo multidimensional de liderança, diversos autores, nomeadamente Chelladurai, P. et al.; (1993), afirmam pela avaliação do modelo em causa que o rendimento ótimo e satisfação do grupo são atingidos quando os comportamentos exigidos reais e preferidos são congruentes.

Ainda referem que, á medida que os atletas vão evoluindo na idade e a sua experiência é um indicador a ter em conta, a preferência por comportamentos autocrática por parte do líder/treinador, utilizando o seu poder para influenciar, excluindo os liderados na tomada das suas decisões.

Numa fase de aprendizagem há uma preferência do estilo de liderança num clima de maior proximidade com o líder, proporcionando um clima de maior aconselhamento e apoio, vendo-se aumentados os níveis de confiança.
Em relação aos atletas masculinos e femininos parece haver um registo distinto de interesses, em que os atletas masculinos preferem um estilo mais autocrático e os femininos um estilo democrático, permitindo-lhes assim o poder participativo na tomada das decisões.

Os atletas com maior capacidade de serem bem sucedidos e com melhores níveis de rendimento, preferem comportamentos de instrução e treino, logo mais democrático por parte do treinador, sendo-lhes facultada a discussão perante os problemas, sugerindo alternativas e notável capacidade de cooperação.

Como nota importante em relação ao que foi referido, verifica-se que os atletas se sentem mais negativamente afetados ao nível da sua satisfação pessoal, quando o treinador não adota um estilo de orientação do treino e na competição que esteja desinserido daquele que é da sua preferência, podendo aqui ver considerado os casos de desportos individuais e coletivos e constituição do género, conforme definem e bem Weinberg e Gold (2001).

Deste modo torna-se fundamental elaborar uma avaliação de competências por parte dos jogadores no sentido de ver registado qual o estilo de treino mais congruente, preferido e percecionado.

Através duma escala de liderança, é possível elaborar uma disponibilidade compatível com a dinâmica a ser imprimida por parte do treinador no sentido de estudar as medidas de liderança, coesão e satisfação e constatar se os níveis de reforço e treino e instrução estão associados á coesão da tarefa e ao estilo de liderança do treinador pela capacidade influenciar ou não as condutas, sentimentos e competências nas tomadas da decisão em conjugação com o êxito obtido ou o inêxito referenciado, claramente julgado pela magna orientação do líder, que quantas vezes … “se veem a sacudir a água do capote”.

Há vantagens e desvantagens em qualquer dos estilos utilizados. O que determina se o estilo está mais ou menos apropriado são as características do grupo. Algumas posturas determinam a função para a qual se deve imprimir a dinâmica. Nesse sentido, volto a referir, torna-se imperioso caracterizar o grupo de forma categórica.

Os instrumentos mais utilizados para avaliar os comportamentos de liderança têm sido a E.L.D. (Escala de Liderança no Desporto), desenvolvido por Challadurai & Saleh, a partir do início da década de 1980 e é a partir daí que se poderá avançar com uma conduta extraordinariamente focada nos êxitos a alcançar.

A autoridade do treinador está consubstanciada à exigência de funções para quem submete às orientações técnicas, físicas, táticas, estratégicas, etc, o jovem ou menos jovem e o adulto na prática duma determinada modalidade. Por vezes a influência do treinador ultrapassa o contexto desportivo e passa a ser o conselheiro, o amigo mais próximo e por vezes, eles próprios não têm sequer consciência clara de como podem afetar os seus atletas.

Não existe um estilo padrão onde se possa processar a fundamentação para o êxito. O melhor líder é aquele que consegue o maior número de estilos e seja capaz de mudar de acordo com as circunstâncias existentes, com vista à melhoria e otimização da performance da equipa e da sua organização.

O bom líder sabe partilhar responsabilidades, divide com os seus colaboradores as decisões, dando-lhes liberdade de ação e sugestão. Por vezes, gerir comportamentos após os sucessos conseguidos, torna-se mais difícil que gerir inquietações após os inêxitos obtidos, estando a equipa mais disponível para alcançar as fontes para o sucesso por via das adversidades, convertendo-as em oportunidades.

Um bom líder consegue ultrapassar a barreira do “impossível” formulando objetivos de conquista difíceis e encorajadores, usando uma boa dinâmica comunicacional para a validação das suas competências.

Um bom líder é capaz de transpirar rigor e usar uma disciplina partilhada. Não usa as desculpas para esconder as suas fraquezas, nem os lamentos para afagar as suas ideias.

Um bom líder é aquele que não convence apenas pelo uso das palavras, mas aquele que é capaz de surpreender pelas atitudes.

Um bom líder é aquele que é capaz de reunir em cada gota de suor paixão, coerência, otimismo, empatia, consciência e razão.


FONTE: José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.- U.E.F.A.; Docente Universitário, in jornal Abola http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=653289

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A FORMULAÇÃO DE OBETIVOS COMO FOCO REGULADOR PARA A OBTENÇÃO DO ÊXITO


Para além disso, quando um atleta tem a capacidade de atingir objetivos reais e coerentes de conquista, a vontade de ganhar ultrapassa o medo de falhar e está mais disponível para vencer e nesse estado de confiança reside uma capacidade energética que emerge como fonte propulsora para a admissão do êxito.

Ainda a implicação pessoal de perseguir um compromisso ajuda a ultrapassar as dificuldades que se lhe possam apresentar e a obter uma regular satisfação pelo espírito de sacrifício experienciado.

Como referimos, os objetivos variam de equipa para equipa e desta mesma, de jogador para jogador. Um jogador que pretenda atingir o valor de internacional, tem de se preocupar em não ser apenas titular da sua equipa, mas apresentar as melhores prestações de forma continuada, jamais esquecendo que não poderá chegar ao topo sem passar pela base, sendo várias as etapas intermédias que podem ser decompostas no planeamento.

Em termos práticos, poderemos enunciar a avaliação do grau de eficácia duma equipa em termos de finalização, a percentagem do domínio de posse da bola, a valorização do resultado em situação de vantagem no marcador, a capacidade de neutralização de bola perante o adversário, etc, como em termos individuais, poderemos justificar tantos quantos os elementos necessários para constituir um ranking de sucesso na atribuição da sua prestação.

Verifica-se através de vários estudos já realizados, que uma grande parte de atletas bem - sucedidos, são mais capazes de atingir e controlar o sucesso em causas onde a estabilidade impera, o sentimento de orgulho e auto estima vigora e a experiência decorrente das participações efetuadas o regista, vendo-se aumentado o seu grau de comprometimento. Aliado a isto, a capacidade de envolvência de pessoas significativas que possuem uma identidade ganhadora, permite absorver um estado de referências positivas, pela imediata transferência de comportamentos por modelagem comportamental.

Seguindo as referências de (Hardy e Grace, 1989; Gould, 1993; Cruz 1997; Sequeira, 2007 e Neto, 2011, et al), anoto em termos práticos algumas valências ou princípios orientadores, suficientemente capazes para a consecução de objetivos de conquista:

- A dinâmica imprimida nos treinos deve sempre evidenciar sentimentos de competência de forma a promover ações tático-técnicas com base nos êxitos experimentados.

- Reforçar o apoio comunicacional, promovendo elogios verbais e não verbais onde se processe o encorajamento, apoios e outras estratégias assertivas de confronto.

- Formular objetivos de rendimento por oposição nos objetivos de resultado. O melhor jogo que termina numa derrota pode gerar satisfação se o padrão de rendimento foi elevado (esta derrota poderá ser mãe de muitas vitórias). Do mesmo modo quando um fraco rendimento termina com vitória, pode gerar insatisfação, podendo ser o pronuncio de sequentes derrotas.

- Estabelecer objetivos devidamente mensuráveis, usando fichas de avaliação capazes de obter uma classificação em termos de rankings descritivos de sucesso.

- Apurar datas bem definidas para a concretização dos objetivos, procurando uma definição clara dos mesmos, podendo e devendo ser difíceis e encorajadores, mas suficientemente realistas para serem atingidos.

- Estabelecer objetivos a curto, médio e longo prazo – época, mensais, semanais, diários, treino. A produção da eficácia está na possibilidade de transitar a conquista dum objetivo a curto prazo para a sequente evolução do comportamento. Exemplo: para efetuar um bom treino tenho de ter um bom descanso e alimentação adequada; um bom treino permite a convocatória para o jogo e um bom jogo permite a continuidade seletiva, podendo até obter a internacionalização.

- Formular objetivos positivos, de forma a selecionar o que se pretende atingir e esquecer situações para as quais devo evitar: passes positivos, remates com sucesso para o golo, jogadas padrão que conferiram o êxito, etc…

- Assegurar que os objetivos individuais não entrem em conflito com os objetivos da equipa, aditando o comprometimento pessoal na sua realização.

- Ser capaz de se auto avaliar, registando os índices de rendimento e as estratégias para os atingir. A imagem do atleta deve estar devidamente definida, isto é, transferir aquilo que é para aquilo que espera ser, revisitando o padrão pessoal de comportamento para a excelência.

A formulação de objetivos constitui sem dúvida um instrumento ou estratégia eficaz para quem pretenda ser bem sucedido, no sentido de clarificar expetativas e aumentar os índices motivacionais e ganhos de confiança, elevar as capacidades de atenção e concentração, vendo de forma mais concludente a transferência do rendimento em sucesso.



FONTE: José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.-U.E.F.A.; Docente Universitário, in Jornal Abola, http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=649197

sábado, 14 de janeiro de 2017

NOTA INFORMATIVA

Regressaremos na próxima semana, entre 16 e 20 de janeiro de 2017, às nossas habituais publicações semanais.
Motivos de força maior, levaram a um período maior de inatividade do blog THP. 
Agradecemos a vossa compreensão.

THP

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

ÍNDICES DE ATIVIDADE FÍSICA EM ALUNOS QUE PRATICAM PATINAGEM EM CONTEXTO ESCOLAR


Partes da discussão e conclusões de um estudo

Tudo indica que o Índice de Atividade Física (IAF) não varia significativamente em relação ao género. No entanto poderá existir uma tendência positiva, tendo em conta a significância de p = 0,079 ser um valor próximo de p < ou = 0,05 (significativo). Embora o sexo masculino apresente valores ligeiramente superiores aos do sexo feminino, estes resultados não são estatisticamente significativos.

Os resultados obtidos relativamente à idade indicam não existir qualquer influência significativa com o Índice de Atividade Física (IAF) dos Patinadores Escolares. Este estudo apresenta um intervalo de idades relativamente pequeno (entre 10 e 13 anos), obtendo um coeficiente de idade igual a -0,165 (negativo). Esta variável é numérica e as suas unidades são em anos, logo tudo indica que o aumento de 1 ano de idade supõe a diminuição (signo negativo) do Índice de Atividade Física Desportivo (IAFD) médio em 0,165 pontos, indicando que os patinadores escolares com mais idade têm registos inferiores de IAFD.

Os dados que temos não são suficientes para generalizar esta tendência, no entanto a explicação para esta ligeira diminuição do IAFD nos patinadores escolares com mais idade pode estar relacionada com as próprias alterações físicas e psicológicas da adolescência que podem começar a ser visíveis por volta dos 13 anos.

Quanto ao nível de escolaridade e ao ano de escolaridade não foram obtidos quaisquer resultados estatisticamente significativos com o Índice de Atividade Física dos Patinadores Escolares.

Quanto ao número de horas semanais que os patinadores escolares despendem para a prática de patinagem no âmbito do Desporto Escolar, não foram obtidos quaisquer resultados estatisticamente significativos com o Índice de Atividade Física.

O tempo de prática de patinagem escolar aumenta o Índice de Atividade Física, o que indica que quanto mais prolongada e contínua for a prática desta modalidade no âmbito do Desporto Escolar, maior é o Índice de Atividade Física dos seus praticantes.

A verificação do tempo de prática de Patinagem Escolar efetuou-se em meses e de acordo com os resultados obtidos tudo indica que o aumento de 1 mês ao tempo de prática de Patinagem Escolar, implica o aumento de 0,081 pontos no Índice de Atividade Física, logo, vai também de encontro à bibliografia analisada e existente que aponta para as vantagens da prática da Patinagem.

Tendo em consideração os benefícios da Atividade Física no aumento da qualidade de vida e as vantagens da prática de Patinagem sobre rodas, nomeadamente a sua enorme importância para a melhoria do equilíbrio e demais importantes capacidades na formação geral da criança e do adolescente, justifica-se plenamente a inserção da prática da Patinagem sobre rodas no plano de formação das crianças e adolescentes, nomeadamente no âmbito escolar.

Um dos problemas dos modos de vida da atualidade é a inatividade das nossas crianças e jovens. Children no longer ride their bikesprograms in the country are shifting to fitness based programs. Vários estudos têm mostrado that children who participate in regular physical activity are more likely to continue que as crianças que possuem Atividade Física regular são mais propensas a continuar or resume exercise as adults. a exercer os mesmos hábitos em adultos. Muitos destes hábitos irão durar uma vida inteira. A prática da Patinagem sobre rodas poderá ser uma forma de incentivar as crianças de jovens a adquirirem esses hábitos de Atividade FísicaFor these.

Pelos resultados deste estudo em que se verificou uma influência significativamente positiva entre o tempo de prática de Patinagem e os Índices de Atividade Física de alunos entre 10 e 13 anos de idade praticantes de Patinagem sobre rodas no âmbito do desporto escolar, indica-se a prática deste desporto como um excelentecomponent of the fitness based program. componente da base do programa desportivo de crianças e jovens. Inline skating is a highly effective method of aerobic activity.A Patinagem sobre rodas, para além de ser uma modalidade atractiva e que está na moda, é um método altamente eficaz de atividade aeróbica.

Resumidamente, explanamos de seguida as principais conclusões do nosso estudo:

(1) Os Patinadores Escolares no âmbito do Desporto Escolar possuem um IAF superior aos alunos que não praticam Patinagem, quando comparados com outros estudos;

(2) Os sujeitos do sexo masculino apresentam valores ligeiramente superiores ao sexo feminino no IAF, mas estes resultados não são estatisticamente significativos no nosso estudo;

(3) A idade dos Patinadores Escolares também não tem uma influência significativa no IAF;

(4) O nível de escolaridade, o ano de escolaridade, a prática desportiva extra-escola e as horas de prática semanal de patinagem escolar não influenciam o IAF;


(5) O tempo de prática dos Patinadores Escolares influencia significativamente o IAF. O aumento de 1 mês no tempo de prática de patinagem escolar aumenta em 0,081 pontos o IAF e em 0,045 pontos o IAFD.

FONTE: Tese de Mestrado de Hélder Antunes.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DO FUTEBOL PARA O HÓQUEI EM PATINS

Artigo de opinião sobre a modalidade de futebol que em nosso entender em tudo se pode adaptar ao hóquei em patins. Transcrevemos a íntegra o artigo de opinião sobre futebol. Caberá a cada um de nós, transpor para o hóquei em patins.

«Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

Estes treinadores devem ser os que têm mais conhecimentos e experiencia, porque é nas idades mais baixas que os jogadores aprender melhor os conhecimentos que vão ser importantes para o futuro.

Com esta mudança no pensamento da formação, os clubes podem começar a alimentar as suas equipas seniores com os jovens ali formados, e essencialmente da zona do clube.

Para isto acontece, todo o clube deve estar ligado e deve haver comunicação desde as equipas técnicas dos Traquinas aos Seniores. Porque se cada treinador seguir as próprias ideias, que nada têm a ver com a ideia e modelo do clube, não será possível colher os melhores resultados. Se a escolha do treinador dos Seniores não tiver em conta a filosofia do clube e não respeitar o que se faz na base do clube, todo o trabalho de muitos anos de formação de um jogador, pode ser completamente ignorado e deitado ao lixo.

Mas esta ideia de colocar os melhores treinadores na formação dos clubes é praticamente utópica. Cada vez mais os treinadores que trabalham com jovens querem mostrar todo seu conhecimento a um grupo de miúdos. Mas se esse conhecimento não for o adequado para um grupo daquela idade, apenas estaremos a deformar. Todas as teorias e metodologias que se aplicam nos seniores e que vemos nos treinadores de referencia da alta competição não serão as melhores para um grupo de jogadores que ainda estão a iniciar a pratica desportiva.

Geralmente, muitos destes treinadores utilizam estes escalões de formação para ganhar e para dar nas vistas para que alguém os convide para as equipas seniores. Porque os treinadores da base raramente são reconhecidos pelo seu trabalho, são mal renumerados e normalmente têm de resolver todo o tipo de situações com os pais e familiares dos jovens.

Faça o que fizer, o treinador de formação é quase sempre criticado. Porque os pais entendem que os filhos são os melhores e não jogam tanto como os outros, porque entendem que o treino não é o adequado, porque viram na TV um treino de uma equipa sénior e não era nada daquilo que eles faziam, porque o treinador não fala ou grita muito durante os jogos, etc. 

Mas a principal crítica é de não ganhar jogos.


Há uns treinadores melhores do que outros. Uns com verdadeiro espírito de formadores e outros mais focados nos resultados. Todos eles têm valor. Não podem ser todos formadores. Mas quem trabalha na formação deve deixar os êxitos e as vitorias imediatas para trás. Em vez de se pensar apenas em vencer, o pensamento devia ser como vencer. Vejo jogos de equipas de formação onde há eternos titulares e eternos suplentes, jogam quase sempre os mesmos. Aqueles que são considerados os melhores. Mas com os devidos estímulos os que jogam menos não poderão chegar ao nível dos outros? Devem os treinadores destes escalões reclamar e insultar árbitros e adversários? São estes os formadores que os pais querem para os seus filhos? Evidentemente que não!

A formação do treinador é fundamental. Tem de estar preparado para educar e orientar. Tem de estar preparado para perceber que todas as crianças são diferentes. O porquê de uma criança não evoluir, o porquê de certas reações e comportamentos…

O importante é indicar e orientar o caminho para a vitória. Não gritar com um jogador por causa de um erro, ajuda-lo a resolver os problemas que o jogo vai colocando em vez de dar a resposta. A vitória, nestes escalões, não é apenas o que diz o marcador no final. Devemos valorizar mais a evolução técnica e a conduta dos jogadores.

O futebol jovem cria a base dos jovens jogadores, é a base do conhecimento do jogo e do desportivismo, ajuda a eliminar e afastar vícios, ajuda no rendimento escolar, em resumo ajuda a ser melhor pessoa.
Porque nem todos os jovens jogadores irão jogar nas equipas seniores. Muitos vão desistir ao longo dos anos, outros vão escolher outro desporto, etc… Mas certamente que nos anos em que jogaram futebol se tornaram melhores pessoas, o que os irá ajudar na sua vida futura.

Um treinador de base trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador. É um educador. E deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e serio, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens, manter a confiança com os jovens… Mas um bom profissional também ajudar e passar a sua experiencia e conhecimentos aos outros. Só assim haverá evolução. O fator X nos treinadores de formação é a capacidade de transmitir conhecimentos, com a finalidade que eles sejam aquilo que podem ser e não aquilo que nós queremos que eles sejam.»

FONTE: Tiago Botelho. AQUI  

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: MISTER O QUE TU DIZES É MUITO IMPORTANTE!



Às vezes damos por nós a defender causas e crenças sem compreender muito bem o alcance das mesmas e o impacto que podem provocar. O discurso e o conteúdo de um treinador – já para não abordar a postura durante a comunicação – são importantes e é fácil encontrarmos treinadores, atletas e dirigentes a defender a importância de o treinador ter uma boa capacidade de explanar as suas ideias, ser claro, conciso, concreto e empático.

Mas para lá da necessidade de passar a mensagem, e é através desses simples gestos que o treinador consegue transmitir o seu conhecimento, existe ainda outro fator muitas vezes esquecido ou ainda desconhecido: é através da comunicação e da intervenção, do tipo de palavras que se diz, o tom, o momento, o tempo que se dá para que seja um diálogo e não um monólogo, que se produz também inteligência no atleta!

Inteligência como? Porque transmitimos conhecimento? Não. Porque o diálogo, se as palavras forem mais positivas e interrogativas do que negativas e impositivas, permite que o atleta processe a informação e o tal conhecimento que o treinador transmite. Porque o diálogo após um exercício, questionando o que o atleta compreendeu do exercício ou ouvindo sugestões dos próprios atletas, permite que estes se debrucem sobre o conhecimento que têm na sua posse e «joguem» com ele. Cruzando informação, vendo mais além e alinhando com os objetivos do treino, do exercício ou da equipa.

Quando filmamos, gravamos e contabilizamos as intervenções do treinador o que podemos também captar é isto. O relacionamento entre um treinador e o atleta é das ações que mais impacto têm na predisposição para que o atleta dê mais de si. Esse discurso pode até ser num tom muito suave ou até simpático, mas pode ao mesmo tempo ser castrador da capacidade do atleta perceber o que faz, levando-o a apenas o fazer porque alguém ordena, manda, decide. Ao contrário, se for um discurso de questionamento e descoberta através do atleta com o treinador e não apenas ‘porque sim’ ou ‘porque não’, criamos no atleta uma capacidade de pensar mais.

E sim, o treino neste momento está formatado mais para fazer do que pensar. Ao contrário do jogo, que tem um misto de pensar e fazer bastante equilibrado. Então, se queremos jogar como treinamos ou treinar como queremos jogar, há aqui algo que não bate certo. E cabe a cada treinador perceber se prefere um atleta que execute apenas com um conjunto limitado de decisões que está capacitado para tomar ou criar aos poucos no atleta um ser pensante daquilo que faz e, com isso, compreender e decidir melhor.


FONTE: Rui Lança, in MaisFutebol

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: SE EU ESCOLHESSE O MEU TREINADOR DE FORMAÇÃO.


Seguimos a tendência de outros espaços e realizamos uma publicação no âmbito dos treinadores de formação. A nossa publicação de carácter meramente opinativo é direcionada para treinadores de jovens equipas de formação já inseridas num modelo de competição (se é que assim podemos denominar) de hóquei em patins.
Colocamo-nos na “personagem” de se eu fosse dirigente de um clube com funções de “contratar” um treinador de uma equipa de formação com competição, em vez de nos colocarmos na “personagem” de eu ser treinador.
Assim sendo, quando tivesse de traçar um perfil ou uma série de qualidades a ter em conta, “o meu treinador”, ou o treinador que eu escolheria teria de possuir as seguintes características:

- Ser um treinador que realize apenas planeamento para o treino seguinte.
Quem “dita” o planeamento são os atletas. Não poderá ser um treinador que planeie a médio e longo prazo. Assim, salvaguarda-se a assimilação de diferentes aquisições que os atletas devem possuir consoante a faixa etária. Uns precisarão de mais tempo e outros de menos. Deixemos que sejam os atletas a marcar o andamento do planeamento. Devem é existir objetivos a médio e a longo prazo em vez de planeamentos. Logo mesociclos e macrociclos não interessam para já nesta fase.

- Ser um treinador feliz e interventivo.

- Um treinador conhecedor das técnicas bases de ensinamentos do hóquei em patins.
Alguém que não perca muito tempo com questões táticas. Alguém conhecedor, mas que alie ao conhecimento uma boa transmissão desses conhecimentos (boa comunicação).

- Um treinador que tenha como premissa de resultados a serem obtidos os da evolução individual dos atletas e da equipa.
Resultados de jogos não interessam comparativamente com a alegria dos atletas e da equipa.

- Um treinador que não use quadro tático nestas fases.

- Um treinador que imponha liderança sem castigos e gritos.
Nada mais importante do que ver os atletas satisfeitos, sem choros ou sem vontade de treinar.

- Um treinador criativo na forma de orientar os treinos e HUMANO na forma de orientar os jogos.

- Um treinador que não perceba nada de preparação física.
Caso tenha conhecimentos de preparação física, então que os saiba não aplicar esses conhecimentos.

- Um treinador que use patins e stick nos treinos, por mais confortáveis que sejam os apoios da tabela do recinto do jogo.

- Um treinador que NÃO estude as equipas adversárias.
Foco apenas na sua equipa e nos seus atletas. Nada de distrações com os outros.

- Um treinador que dê preferência ao ensino da técnica da patinagem com stick juntamente com domínio de bola.

- Um treinador que aplauda as diversas tentativas de erros dos seus atletas ao tentarem execuções técnicas mais elaboradas.

- Um treinador que explique a importância dos guarda redes nas equipas.

- Um treinador eu use o apito quando necessário e não por uma questão de imposição ou afirmação.

- Um treinador que incentive os seus atletas a terem ídolos do hóquei em patins e a verem esses ídolos in loco ou via televisão.

- Um treinador que não exija aos atletas mais que aquilo que eles podem dar a cada momento da sua evolução.

- Um treinador que identifique alterações de comportamento no atletas.

- Um treinador que seja amigos dos atletas sem deixar de ser o treinador.

O treinador com todas estas características seria o treinador que eu procuraria. Parece difícil encontrar treinadores com este perfil no hóquei em patins, mas a verdade é que há muitos treinadores (felizmente) na nossa modalidade com este “perfil”.Também não é menos verdade que há muitos treinadores na nossa modalidade que não deveria estar a orientar equipas de formação em competição.


FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes