quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DO FUTEBOL PARA O HÓQUEI EM PATINS

Artigo de opinião sobre a modalidade de futebol que em nosso entender em tudo se pode adaptar ao hóquei em patins. Transcrevemos a íntegra o artigo de opinião sobre futebol. Caberá a cada um de nós, transpor para o hóquei em patins.

«Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

Estes treinadores devem ser os que têm mais conhecimentos e experiencia, porque é nas idades mais baixas que os jogadores aprender melhor os conhecimentos que vão ser importantes para o futuro.

Com esta mudança no pensamento da formação, os clubes podem começar a alimentar as suas equipas seniores com os jovens ali formados, e essencialmente da zona do clube.

Para isto acontece, todo o clube deve estar ligado e deve haver comunicação desde as equipas técnicas dos Traquinas aos Seniores. Porque se cada treinador seguir as próprias ideias, que nada têm a ver com a ideia e modelo do clube, não será possível colher os melhores resultados. Se a escolha do treinador dos Seniores não tiver em conta a filosofia do clube e não respeitar o que se faz na base do clube, todo o trabalho de muitos anos de formação de um jogador, pode ser completamente ignorado e deitado ao lixo.

Mas esta ideia de colocar os melhores treinadores na formação dos clubes é praticamente utópica. Cada vez mais os treinadores que trabalham com jovens querem mostrar todo seu conhecimento a um grupo de miúdos. Mas se esse conhecimento não for o adequado para um grupo daquela idade, apenas estaremos a deformar. Todas as teorias e metodologias que se aplicam nos seniores e que vemos nos treinadores de referencia da alta competição não serão as melhores para um grupo de jogadores que ainda estão a iniciar a pratica desportiva.

Geralmente, muitos destes treinadores utilizam estes escalões de formação para ganhar e para dar nas vistas para que alguém os convide para as equipas seniores. Porque os treinadores da base raramente são reconhecidos pelo seu trabalho, são mal renumerados e normalmente têm de resolver todo o tipo de situações com os pais e familiares dos jovens.

Faça o que fizer, o treinador de formação é quase sempre criticado. Porque os pais entendem que os filhos são os melhores e não jogam tanto como os outros, porque entendem que o treino não é o adequado, porque viram na TV um treino de uma equipa sénior e não era nada daquilo que eles faziam, porque o treinador não fala ou grita muito durante os jogos, etc. 

Mas a principal crítica é de não ganhar jogos.


Há uns treinadores melhores do que outros. Uns com verdadeiro espírito de formadores e outros mais focados nos resultados. Todos eles têm valor. Não podem ser todos formadores. Mas quem trabalha na formação deve deixar os êxitos e as vitorias imediatas para trás. Em vez de se pensar apenas em vencer, o pensamento devia ser como vencer. Vejo jogos de equipas de formação onde há eternos titulares e eternos suplentes, jogam quase sempre os mesmos. Aqueles que são considerados os melhores. Mas com os devidos estímulos os que jogam menos não poderão chegar ao nível dos outros? Devem os treinadores destes escalões reclamar e insultar árbitros e adversários? São estes os formadores que os pais querem para os seus filhos? Evidentemente que não!

A formação do treinador é fundamental. Tem de estar preparado para educar e orientar. Tem de estar preparado para perceber que todas as crianças são diferentes. O porquê de uma criança não evoluir, o porquê de certas reações e comportamentos…

O importante é indicar e orientar o caminho para a vitória. Não gritar com um jogador por causa de um erro, ajuda-lo a resolver os problemas que o jogo vai colocando em vez de dar a resposta. A vitória, nestes escalões, não é apenas o que diz o marcador no final. Devemos valorizar mais a evolução técnica e a conduta dos jogadores.

O futebol jovem cria a base dos jovens jogadores, é a base do conhecimento do jogo e do desportivismo, ajuda a eliminar e afastar vícios, ajuda no rendimento escolar, em resumo ajuda a ser melhor pessoa.
Porque nem todos os jovens jogadores irão jogar nas equipas seniores. Muitos vão desistir ao longo dos anos, outros vão escolher outro desporto, etc… Mas certamente que nos anos em que jogaram futebol se tornaram melhores pessoas, o que os irá ajudar na sua vida futura.

Um treinador de base trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador. É um educador. E deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e serio, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens, manter a confiança com os jovens… Mas um bom profissional também ajudar e passar a sua experiencia e conhecimentos aos outros. Só assim haverá evolução. O fator X nos treinadores de formação é a capacidade de transmitir conhecimentos, com a finalidade que eles sejam aquilo que podem ser e não aquilo que nós queremos que eles sejam.»

FONTE: Tiago Botelho. AQUI  

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: MISTER O QUE TU DIZES É MUITO IMPORTANTE!



Às vezes damos por nós a defender causas e crenças sem compreender muito bem o alcance das mesmas e o impacto que podem provocar. O discurso e o conteúdo de um treinador – já para não abordar a postura durante a comunicação – são importantes e é fácil encontrarmos treinadores, atletas e dirigentes a defender a importância de o treinador ter uma boa capacidade de explanar as suas ideias, ser claro, conciso, concreto e empático.

Mas para lá da necessidade de passar a mensagem, e é através desses simples gestos que o treinador consegue transmitir o seu conhecimento, existe ainda outro fator muitas vezes esquecido ou ainda desconhecido: é através da comunicação e da intervenção, do tipo de palavras que se diz, o tom, o momento, o tempo que se dá para que seja um diálogo e não um monólogo, que se produz também inteligência no atleta!

Inteligência como? Porque transmitimos conhecimento? Não. Porque o diálogo, se as palavras forem mais positivas e interrogativas do que negativas e impositivas, permite que o atleta processe a informação e o tal conhecimento que o treinador transmite. Porque o diálogo após um exercício, questionando o que o atleta compreendeu do exercício ou ouvindo sugestões dos próprios atletas, permite que estes se debrucem sobre o conhecimento que têm na sua posse e «joguem» com ele. Cruzando informação, vendo mais além e alinhando com os objetivos do treino, do exercício ou da equipa.

Quando filmamos, gravamos e contabilizamos as intervenções do treinador o que podemos também captar é isto. O relacionamento entre um treinador e o atleta é das ações que mais impacto têm na predisposição para que o atleta dê mais de si. Esse discurso pode até ser num tom muito suave ou até simpático, mas pode ao mesmo tempo ser castrador da capacidade do atleta perceber o que faz, levando-o a apenas o fazer porque alguém ordena, manda, decide. Ao contrário, se for um discurso de questionamento e descoberta através do atleta com o treinador e não apenas ‘porque sim’ ou ‘porque não’, criamos no atleta uma capacidade de pensar mais.

E sim, o treino neste momento está formatado mais para fazer do que pensar. Ao contrário do jogo, que tem um misto de pensar e fazer bastante equilibrado. Então, se queremos jogar como treinamos ou treinar como queremos jogar, há aqui algo que não bate certo. E cabe a cada treinador perceber se prefere um atleta que execute apenas com um conjunto limitado de decisões que está capacitado para tomar ou criar aos poucos no atleta um ser pensante daquilo que faz e, com isso, compreender e decidir melhor.


FONTE: Rui Lança, in MaisFutebol

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: SE EU ESCOLHESSE O MEU TREINADOR DE FORMAÇÃO.


Seguimos a tendência de outros espaços e realizamos uma publicação no âmbito dos treinadores de formação. A nossa publicação de carácter meramente opinativo é direcionada para treinadores de jovens equipas de formação já inseridas num modelo de competição (se é que assim podemos denominar) de hóquei em patins.
Colocamo-nos na “personagem” de se eu fosse dirigente de um clube com funções de “contratar” um treinador de uma equipa de formação com competição, em vez de nos colocarmos na “personagem” de eu ser treinador.
Assim sendo, quando tivesse de traçar um perfil ou uma série de qualidades a ter em conta, “o meu treinador”, ou o treinador que eu escolheria teria de possuir as seguintes características:

- Ser um treinador que realize apenas planeamento para o treino seguinte.
Quem “dita” o planeamento são os atletas. Não poderá ser um treinador que planeie a médio e longo prazo. Assim, salvaguarda-se a assimilação de diferentes aquisições que os atletas devem possuir consoante a faixa etária. Uns precisarão de mais tempo e outros de menos. Deixemos que sejam os atletas a marcar o andamento do planeamento. Devem é existir objetivos a médio e a longo prazo em vez de planeamentos. Logo mesociclos e macrociclos não interessam para já nesta fase.

- Ser um treinador feliz e interventivo.

- Um treinador conhecedor das técnicas bases de ensinamentos do hóquei em patins.
Alguém que não perca muito tempo com questões táticas. Alguém conhecedor, mas que alie ao conhecimento uma boa transmissão desses conhecimentos (boa comunicação).

- Um treinador que tenha como premissa de resultados a serem obtidos os da evolução individual dos atletas e da equipa.
Resultados de jogos não interessam comparativamente com a alegria dos atletas e da equipa.

- Um treinador que não use quadro tático nestas fases.

- Um treinador que imponha liderança sem castigos e gritos.
Nada mais importante do que ver os atletas satisfeitos, sem choros ou sem vontade de treinar.

- Um treinador criativo na forma de orientar os treinos e HUMANO na forma de orientar os jogos.

- Um treinador que não perceba nada de preparação física.
Caso tenha conhecimentos de preparação física, então que os saiba não aplicar esses conhecimentos.

- Um treinador que use patins e stick nos treinos, por mais confortáveis que sejam os apoios da tabela do recinto do jogo.

- Um treinador que NÃO estude as equipas adversárias.
Foco apenas na sua equipa e nos seus atletas. Nada de distrações com os outros.

- Um treinador que dê preferência ao ensino da técnica da patinagem com stick juntamente com domínio de bola.

- Um treinador que aplauda as diversas tentativas de erros dos seus atletas ao tentarem execuções técnicas mais elaboradas.

- Um treinador que explique a importância dos guarda redes nas equipas.

- Um treinador eu use o apito quando necessário e não por uma questão de imposição ou afirmação.

- Um treinador que incentive os seus atletas a terem ídolos do hóquei em patins e a verem esses ídolos in loco ou via televisão.

- Um treinador que não exija aos atletas mais que aquilo que eles podem dar a cada momento da sua evolução.

- Um treinador que identifique alterações de comportamento no atletas.

- Um treinador que seja amigos dos atletas sem deixar de ser o treinador.

O treinador com todas estas características seria o treinador que eu procuraria. Parece difícil encontrar treinadores com este perfil no hóquei em patins, mas a verdade é que há muitos treinadores (felizmente) na nossa modalidade com este “perfil”.Também não é menos verdade que há muitos treinadores na nossa modalidade que não deveria estar a orientar equipas de formação em competição.


FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: TREINADOR DE JOVENS NOS DIAS DE HOJE


SER TREINADOR DE JOVENS

Ser treinador de jovens significa ter grandes responsabilidades na formação pessoal destes. Através da sua atuação perante eles, o treinador tem influência sobre o seu desenvolvimento desportivo e ainda no seu desenvolvimento pessoal. O treinador tem que desempenhar vários papéis: dirigir, orientar, ensinar, demonstrar, corrigir, aprovar, estimular, motivar e ainda ser sensível às realidades de cada jovem. Não basta desenvolver os jovens desportivamente. É, sim, fundamental desenvolver as capacidades e qualidades inerentes a um ser humano.

O treinador deve estar sempre atento ao comportamento, ao desenvolvimento das tais capacidades e qualidades, à formação de carácter, ao estado de espírito e ao ambiente envolvente de cada jovem. 

Estes aspetos a meu ver, são os mais importantes que um treinador deve ter em conta quando pensa em lidar com jovens. O treinador deve ser sensível a cada um deles pois eles são todos diferentes, requerem diferentes atenções e não podemos deixar ninguém de parte. 

Ao trabalhar com estas idades não podemos encarar o sucesso desportivo da mesma maneira que se encara com adultos. Ao trabalharmos com estas idades o nosso sucesso depende daquilo que conseguimos atingir com cada jogador individualmente.

O treinador não deve dar importância a se ganham ou perdem jogos. Deve sim valorizar seu trabalho, ao ver que conseguiu que os seus jogadores evoluíssem, e reforçar esse mesmo trabalho, tanto na técnica individual e de equipa como nos valores sociais e morais. Cabe a este conseguir que eles ganhem esses conceitos de cooperação e amizade uns pelos outros, estando sempre disponíveis para se apoiarem. Conseguir um grupo estável, harmonioso e “feliz” deve ser um dos grandes objetivos do treinador em conjunto com a introdução dos conceitos básicos da modalidade.

OS JOVENS DOS DIAS DE HOJE

Vivemos numa sociedade em que as novas tecnologias predominam. Internet, consolas, computadores, um mundo sem fim de entretenimento a poucos segundos de nós. Quantos do nossos jovens não preferem ficar em casa a ver televisão ou a jogar computador em vez de irem dar um passeio com os pais ou até jogar à bola com os amigos?

É por vivermos nesta sociedade que é importante que, sempre que aparecem crianças novas nos nossos treinos, as acolhamos e as consigamos motivar a voltarem no próximo treino.

A grande dificuldade em hoje em dia lidarmos com esta geração é a grande disponibilidade e oferta de outros meios à diversão. Por exemplo: se uma criança que vai pela primeira vez a um treino em que o treinador, na ótica da criança, lhe está a exigir demasiado, ela no final vira as costas sem hesitar pois sabe que ao menos a jogar computador ninguém a chateia.

É preciso a tomada de consciência da nossa realidade. Há poucos jovens a quererem praticar desporto e se os assustamos logo no primeiro treino exigindo mundos e fundos ficamos sem nenhum!

Há que perceber também que nestas idades eles têm a mentalidade: “Eu vou para onde o meu amigo estiver.”, o que nos acresce à responsabilidade de conseguirmos motivar todos de igual forma mesmo que para isso tenhamos que utilizar “táticas” diferentes para cada jovem. A forma como se motiva um jovem com grandes capacidades técnicas e atléticas não pode ser igual à forma como se motiva alguém com dificuldades coordenativas e técnicas.

Os jovens devem sentir PRAZER na sua prática desportiva.


FONTE: Andreia Sofia Monteiro Teixeira, in curso de treinadores nível I de Basquetebol. Ligação

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: TREINO ESPECÍFICO DE GR - OUVIR E REFLETIR

Cómo me di cuenta que el EP integrado es el más efectivo




Cómo entrenar al portero sin ser un especialista


FONTE: OKPORTERS

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

HÓQUEI EM PATINS - ANSIEDADE / NERVOSISMO, SIM? NÃO? TALVEZ?


Muitos treinadores de hóquei em patins por diversas vezes afirmam que “trabalham” de tal forma o lado mental/psicológico dos seus atletas e equipas, que a determinada fase da época encaram qualquer jogo sem o mínimo de “ansiedade” ou “nervosismo”, independentemente da importância do jogo.
Respeitando esse tipo de afirmação e de trabalho, penso que poderá não ser assim tão benéfico quanto isso os atletas “terem ausência de ansiedade e de nervosismo”.
Passo a explicar a minha opinião, enquanto treinador de hóquei em patins, baseado na minha experiência neste âmbito e com alguns conhecimentos científicos adquiridos.
Primeiramente, não sei se é possível “eliminar” por completo os índices de ansiedade. Não é fácil ter indicadores valoráveis da ansiedade e podem também os atletas conseguirem ocultar esses mesmos valores e demonstrarem uma coisa que realmente não estão a sentir no seu interior.
Seguidamente, enquanto treinador “não gosto” de atletas que não sejam nervosos ou nervosas. Devem saber controlar esses índices, ou eu devo orientar o meu trabalho e planeamento para ajudar os atletas e a equipa nesse campo, mas nunca “eliminar” o nervosismo.
Sou apologista que a “ansiedade” e o “nervosismo” (aqui estou a separa-los, mas penso que até são a mesma coisa em muitas situações) fazem bem aos atletas e às equipas de hóquei em patins, porque os ajudam a elevar os índices de concentração, de perfeição e acima de tudo ajuda a que se superem para que todos possamos atingir os objetivos.
Para concluir, diz a minha experiência que se os atletas tiveram “lá a ansiedade/nervosismo”, conseguem-se melhor “resultados” no âmbito da elevação dos índices de concentração, motivação, auto controlo, visualização e auto confiança. Ajuda a que todos os intervenientes se mantenham mais empenhados na tarefa e no que é proposto. O medo de errar e/ou de perder também tem o seu lado positivo.

Tudo depende sempre do tipo de atletas que dispomos, desse mesmo grupo de atletas enquanto equipa de hóquei em patins e da forma como eu treinador trabalho e planeio a vertente psicológica.  

FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS - A QUESTÃO DO HÓQUEI EM PATINS FEMININO...


Em semana de campeonato do mundo feminino (a decorrer no Chile), a publicação do blog THP é sobre hóquei em patins feminino.
Desde 1997, que trabalho também com equipas de hóquei em patins femininas. Tendo já passado no hóquei em patins feminino por todos os escalões, todas as divisões, todas as fases do nacional e trabalho a nível de seleção distrital, penso que tenho direito a emitir opinião neste campo da modalidade.
 A “velha máxima” com a qual muitas vezes sou questionado é “treinar feminino é diferente?”. Sim, treinar feminino é diferente, tal como é diferente treinar um escalão sub-13 masculino é diferente de treinar um escalão sub-20 masculinos, tal como treinar uma equipa da masculina da 1ª divisão é diferente de treinar uma equipa da 3ª divisão, tal como treinar uma equipa localizada num meio rural é diferente de treinar uma equipa localizada num grande centro urbano e por aí adiante.
Essa tal “da velha máxima” que o feminino é diferente serve apenas para ludibriar todos aqueles que se acham com perfil, mas que afinal não têm perfil para treinar equipas de hóquei em patins feminino.
A verdade é essa. Nem todos ou nem muitos treinadores têm perfil para orientar equipas femininas. Essa é uma verdade relativamente absoluta.
O mais fácil é afirmar-se que treinar feminino é complicado, é isto e aquilo. A nossa visão sobre o hóquei patins feminino ainda é muito limitada e atrevo-me mesmo a dizer que em muitos locais a nossa modalidade é demasiado “machista” sem ângulo de abertura e oportunidade de igualdade de género.
Aos poucos tem existido uma ligeira mudança de paradigma, pois com a introdução das equipas “mistas”, muitas equipas são obrigadas a colmatar lacunas de plantel com oportunidade “às miúdas”, pois se assim não fosse, essas “mesmas miúdas” talvez não tivessem oportunidade de ter uma carreira no hóquei em patins.
A “miúdas” (embora não adiram tanto ao hóquei em patins como os “miúdos”), devem ter oportunidade em igual número. É uma questão de respeito e de direito. Talvez se existissem mais oportunidades para as “miúdas” treinarem, talvez existissem também mais miúdas a praticarem a modalidade. Uma situação é consequência da outra.
Outra “velha máxima” que me farto de ouvir é que as “miúdas” não conseguem praticar um hóquei tão evoluído e tão rápido e mais não sei o quê comparativamente aos “miúdos”. Sim eu sei que sim, todos deveriam saber que sim penso eu.
Até certa e determinada altura do percurso de formação não existem diferenças. A partir de determinada altura, as diferenças acentuam. Mas acentuam no hóquei em patins tal como acentuam em todas as outras modalidades. Ou pensam que é só no hóquei em patins que isso existe? Vamos é fazer o favor de estar preparados para isso.
Atrevo-me a ir mais longe e a dizer que na própria sociedade e no próprio dia a dia também existem essas diferenças! Claro que existem. A “miúdas” do hóquei em patins não são diferentes das outras “miúdas”.
Então onde está o cerne da questão? Está na capacidade e na competência de eu enquanto treinador ter ou não perfil para orientar equipas femininas. Esse é que é um ponto que muitos não querem abordar.
A questão vai mais além da pessoa do treinador. Mas isso seria tema para uma outra publicação. Se o problema do hóquei em patins feminino estivesse só no treinador…
E a nível técnico e tático e psicológico? Outras questões que muitas vezes me colocam.

Com base na minha experiência de hóquei em patins feminino de quase 19 anos, faço o seguinte resumo, a nível técnico aprendem e executam como os “miúdos” desde que lhes sejam dadas oportunidades e bagagem de aprendizagem. A nível tático enquanto treinador sinto que não tenho as mesmas opções táticas ao nível da variedade, mas ao nível da entrega na execução e na interpretação do que lhes é pedido, sinto mais “profissionalismo”. A nível psicológico são “trabalhadas” como uma equipa qualquer tendo sempre em conta as características individuais de cada uma e as características das atletas todas como um grupo, tal como se faz ou deveria trabalhar no masculino.

FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes 

domingo, 25 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS - TRANSMISSÃO TELEVISIVA! E OS TREINADORES?


A oportunidade que muitos ansiavam e até “reclamavam” para a nossa modalidade chegou. Estão asseguradas as transmissões televisivas do campeonato nacional da 1ª divisão para as próximas 4 épocas (para além das já habituais transmissões online). O boletim de jogo “na hora” também está aí. Parabéns a todos os que contribuíram para esta realidade.
O facto de começarmos um pouco mais tarde que outras modalidades não significa que não possamos estar mais avançados que outros.
Introduções à parte, o tema desta publicação parece que nada tem a ver com o conteúdo do blog THP, mas tem.
Sejamos inteligentes para agarrar esta oportunidade da transmissão televisiva e que se tomem todas as devidas precauções para que a mesma seja um sucesso. Falamos da introdução da figura “treinador” nos comentários que são produzidos ao longo dos variados jogos.
É importante não esquecer este ponto fulcral. É a imagem de toda uma modalidade que está em causa perante um país que irá ver hóquei em patins pela primeira vez em muitos casos. Outros irão retornar a ver e outros vêm frequentemente.
Em nossa opinião, este campeonato tem dos melhores (e não são poucos) jogadores do mundo, tem dos melhores (e não são poucos) treinadores do mundo e tem alguns dos melhores clubes do mundo. A qualidade está assegurada.
Logo, este campeonato terá de ter as melhores transmissões televisivas do mundo. A nível técnico e de imagem não podemos tecer comentários. Apenas dizer que a primeira impressão é positiva.
A outro nível, a nossa modalidade precisa de alguém e de várias pessoas que simultaneamente para além de perceberem e entenderem as regras atuais da modalidade, ajudem os telespectadores a entenderem o hóquei em patins desde o pormenor mais básico à questão mais técnico/tático.
Não chega relatar o que todos vêm pelo ecrã. Isso é a função da própria imagem.
Temos de cativar com sabedoria e prender à televisão todas as pessoas.
Temos de explicar a modalidade para que a mesma seja cativante desde um jovem que não conhece a modalidade até um adulto que a praticou dezenas de anos.
Temos de abordar o hóquei em patins para além daquilo que os olhos vêm.
Temos de tecer explicações objetivas e sucintas para as mais variadas situações do jogo de hóquei em patins.
Temos de dominar aqueles pequenos pormenores que nos ajudam a perceber grande coisas.
Temos de dominar o campo técnico, tático e do desenlace do próprio jogo.
Temos de conhecer o historial dos clubes e dos jogadores que estão em campo em cada jogo.
Temos ainda um caminho a percorrer neste âmbito.
Onde queremos chegar com isto?

Fácil. Somos da opinião que faz falta ver nas transmissões televisões grandes treinadores de hóquei em patins que andam por aí e que “vivem” esta modalidade com muita sabedoria. Grandes treinadores, profundos conhecedores da modalidade e com dom para a comunicação que certamente poderiam ajudar muito neste campo.

FONTE: Blog THP

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: “TREINOS UP/DOWN”


Deixamos um exemplo de uma possível distribuição semanal de treinos (sujeita a criticas e retificações). Partimos de dois pressupostos:

- Clube que tem todos os escalões de formação até seniores.
- Disponibilidade de pavilhão diária a partir das 18h.

Sabemos que a realidade de uma boa parte dos clubes de hóquei em patins não é esta, mas este exemplo serve para provar que os treinos “up/down” podem solucionar questões de espaço e de horários.
O que são treinos “up/down”? São treinos em que pelo menos uma vez por semana um determinado escalão treina com um escalão de idade inferior, que “serve para treinar” as questões mais ofensivas e uma outra vez treina com um escalão de idade superior, que “serve para treinar as questões mais defensivas. Depois do “up/down”, todos os escalões têm pelo menos um treino onde podem treinar focados no jogo do fim de semana.
Esta forma de planeamento é já aplicada em alguns clubes de hóquei em patins e os resultados têm sido satisfatórios. Noutras modalidades, este é já um “habitué” na forma de planear e organizar todos os treinos durante uma época inteira.

Exemplo:

2ªf
3ªf
4ªf
5ªf
6ªf
Sab.
Dom.
18h-20h15

Sub-10
18h-19h

Escolas de Patinagem
18h-19h

Escolas de Patinagem
18h-19h

Sub-10
18h-19h

Sub-10
10h-12h

Escolas de Patinagem
Jogo

Sub-15
19h-20h15

Sub-10 + Sub-13
19h-20h30

Sub-17 + Sub-20
19h-20h15

Sub-13 + Sub-15
19h-20h15

Sub-13
19h-20h15

Sub-15
Jogo

Sub-13
Jogo

Sub-20
20h15-21h30

Sub-15 + Sub-17
20h30-21h30

Feminino
20h15-21h30

Sub-20
20h15-21h30

Sub-17
20h15-21h30

Feminino
Jogo

Sub-17
Jogo

Sub-10
21h30-23h

Seniores + Sub-20
21h30-23h

Seniores
21h30-23h

Seniores
21h30-23h

Seniores
21h30-23h

Sub-20
Jogo

Seniores
Jogo

Feminino


20h-21h30

“Treino Físico” (Ginásio)
Feminino
20h-21h

“Treino Físico” (Ginásio)
Sub-20




Resumo do Volume Semanal de Treino (Volume de treino de acordo com o tempo de jogo):

Escolas de Patinagem: 4h
Sub-10: 3h15min
Sub-13: 3h30min
Sub-15: 3h30min
Sub-17: 4h
Sub-20: 5h30min
Seniores: 6h
Feminino: 3h45min

FONTE: Blog THP