quinta-feira, 20 de abril de 2017

NUNCA DEIXEM UM ATLETA DESORIENTADO EM CAMPO


Qualquer atleta de desportos coletivos tem várias características que o diferem dos seus colegas e adversários. A diferença entre a capacidade física, técnica, tática e psicológica de cada um atleta coloca-o em vantagem ou desvantagem com os colegas de profissão. Entretanto, mesmo que um atleta seja muito bom em todas essas características, quando é mal orientado pelo seu treinador, não rende o seu potencial máximo e acaba em muitos casos por render menos do que jogadores com características piores, mas bem orientados. Como foi visto na importância da antecipação nos jogadores de futebol, a decisão correta e rápida leva o jogador a fazer um bom resultado, o que acabará por influenciar toda a equipa.

(…)

 Dicas para que um jogador nunca seja surpreendido

Quando um jogador é surpreendido, é obrigado a tomar uma decisão muito rapidamente sem sequer ter tempo para avaliar a situação momentânea. E se adversário tomou uma decisão primeiro e já está em movimento, dificilmente o jogador alcançará o adversário a tempo de o impedir de realizar a ação que deseja. Isto quer dizer que um jogador que fica surpreso é um jogador que está com sarilhos. O treinador deve evitar isso nos jogadores:

- Ensinando-os taticamente:  qualquer jogador necessita de reconhecer o que se passa no jogo e saber tomar decisões corretas. Mesmo que o jogador não seja muito criativo, deve pelo menos cumprir a sua função com honra, assim como reconhecer qual é o seu papel no meio da equipa e o que pode falhar na forma de jogar dos seus colegas caso ele falhe também.

- Treinando-os taticamente:  a forma física de um jogador nunca o levará a tomar decisões que possam realmente ser importantes para a equipa. Afinal de contas, os músculos obedecem às ordens que a mente lhes envia. Neste sentido,  é necessário que o jogador seja bem treinado e seja sempre o primeiro a tomar uma decisão e a agir. O hábito de pensar bem e pensar rápido eleva a forma competitiva individual.

- Evoluindo-os taticamente:  não existe nenhum jogador que não possa continuar a evoluir, pelo menos enquanto o seu organismo o permitir jogar futebol. Sempre que o seu potencial máximo for atingido, o treinador deve procurar um novo limite para o atleta. Sem esquecer,  um atleta deve sempre treinar 110% daquilo que é capaz de fazer.

A diferença entre um jogador que procura uma solução e um jogador que toma decisões rapidamente

Precisamos simplificar a forma como funciona a nossa mente para fazer esta distinção. Podemos dividir em duas fases: quando a nossa mente aprende a realizar tarefas e quando a nossa mente pratica as tarefas que aprendeu. Inicialmente, quando estamos a aprender alguma coisa, levamos sempre um pouco de tempo para dar conta dos vários detalhes que essa tarefa compõe, e muitas vezes não conseguimos pensar em mais do que uma coisa de uma só vez. Por outro lado, quando já sabemos fazer essa tarefa, vamos praticá-la com mais eficiência, e é nesse momento que sentimos que estamos a aprender mais depressa. Acontece que em vez de uma decisão, tomamos várias decisões ao mesmo tempo, pois já temos bases fortes e já sabemos o que fazer. Para os jogadores, será muito importante ensinar-lhes a realizar cada uma das ações técnico-táticas, para depois atribuir objetivos às ações técnico-táticas.


Desta forma, compreendemos o quanto a tática do jogo é importante, mais importante que a forma física, embora precise desta para se manifestar. Ao mesmo tempo, necessita também da técnica e do fator psicológico para se manifestar com qualidade, uma vez que a forma física, a qualidade técnica e o fator psicológico são as características individuais que permitem o individual elevar o rendimento de todo o coletivo.

FONTE: Valter Correira, AQUI

segunda-feira, 3 de abril de 2017

COMO SER MAIS RESPEITADO ENQUANTO TREINADOR?



«Uma das dicas da moda refere que o treinador não pode ser amigo dos jogadores. Mas, porque não pode ser amigo, se é o líder do grupo, é o líder desses jogadores? Um líder não é amigo dos seus comandados, ou apenas os usa a seu belo favor? Ou, já que não é amigo, é inimigo do jogador? Alguma coisa não bate certo aqui, e precisamos perceber o quê, para melhorar a qualidade do nosso grupo. Tudo depende da forma como vemos a palavra amigo, e como tecemos as relações com os nossos comandados. 

Por opinião, não depende de ser amigo ou não dos jogadores, mas a quão próxima é a relação e como esta foi construída com o tempo. Existem relações que são muito próximas entre os treinadores e jogadores, onde ambos se respeitam mutualmente, e tudo o que fazem, é para servir o outro lado da relação. Existem outras relações mais afastadas, em que nem sempre podemos contar com os atletas, ou eles não podem contar com os treinadores, que resulta em tempo perdido para ambas as partes. Se ser amigo do jogador, corresponde a ensiná-lo, trabalhá-lo, protegê-lo e encaixá-lo na equipa, então, a palavra amigo adquire o significado correto no mundo do desporto. Por outro lado, se ser amigo é sair à noite, tratar as coisas da vida pessoal em conjunto, e fazer o que bem entender apenas por lucro próprio, o jogador e o treinador não só não estão a ser amigos dos seus colegas de equipa, como não estão a ser amigos de si mesmo.

(…)
Tenha consideração pelos jogadores
O sucesso pessoal do treinador nunca poderá estar acima dos jogadores, porque é através dos jogadores que o treinador ganhará títulos. Se a equipa está em baixo de forma, faça-os correr. Se a equipa está desmoralizada, dê-lhes forças, moralize-os. Se a equipa está desorganizada, organize-os, treine-os, mostre-lhes o que quer ver deles em campo e seja paciente com eles. Nunca diga "eu tenho uma reputação a defender", mas diga "nós temos uma reputação a defender".

Cumprimente todos os jogadores
Quando chega ao treino, não precisa ficar na conversa com os jogadores, para que estes não sejam demasiado próximos a si. Em vez disso, cumprimento-os um a um, com aperto de mão firme e olhe-os nos olhos, de forma franca e direta. Não aperte a mão da pessoa por mais de dois ou três segundos. Isso fica mal na postura de um líder. Há mais a fazer do que ficar ali especado a apertar a mão de uma pessoa. Depois, vá preparar o treino.

Use as palavras certas
A comunicação é a única forma de fazer uma equipa. Um líder que não comunica corretamente, não consegue fazer passar a mensagem daquilo que quer ver na equipa. Sempre que for falar aos jogadores, faça-o quando eles o ouvirem. Se estiverem a conversar enquanto alongam por exemplo, peça a atenção deles para o próximo exercício. Fale para os jogadores com voz ativa e cabeça levantada. Nunca diga "Preciso da vossa atenção se faz favor". Em vez disso, experimente "Atenção rapazes, atenção".

Aceite os jogadores
Nenhum jogador é 100% estúpido ou 100% inteligente, nem é 100% valioso nem 100% imprestável. Todos tem um papel no grupo e todos fazem falta. Aprenda o que cada um tem para oferecer ao grupo e o que é preciso proteger em cada jogador. Desenhe um modelo de jogo que esconda os pontos fracos dos jogadores e que mostre os pontos fortes deles. Eles não se aperceberão que o treinador fez isso, mas para eles, perceberá de futebol, e terá o respeito deles.

Aprenda com eles
O treinador, comanda o grupo, organiza as ideias do grupo, mas não é dono da verdade absoluta. Há coisas que não sabe e que pode aprender muito com eles. Nunca defenda a sua ideia, se sabe que você está errado e os jogadores estão certos. Isso pode acontecer em apenas uma situação, mas que é suficiente para que os jogadores nunca mais o respeitem como o respeitaram até ao momento.

Ninguém é diferente dos demais
Se puder aproximar-se o suficiente de um jogador para saber da sua vida pessoal, perceberá que ele tem objetivos, que lá no fundo, lhe quer agradar a si e aos colegas e desfrutar da vida. Você também.

Seja tolerante
Há por ai muitas pessoas vistas como más, possessivas, egocêntricas e/ou agressivas. Talvez não tenham quem os proteja ou os apoie, levando-os a agir dessa forma. Pode acontecer que um membro que acabou de entrar no grupo, que até agora era visto como grande jogador, esteja a fazer tudo mal. Talvez preciso de mais tempo para se adaptar, talvez tenha medo de falhar ou tenha problemas pessoais. Não faça caso disso. Apoie o jogador, seja tolerante e tenha paciência. Ele precisa de si.

Faça o trabalho de casa
Alguém me pode explicar como se resolvem as coisas à última da hora? A preparação, é fundamental. Organizar a equipa e evoluí-la segundo os conceitos em que acredita, só pode trazer bons resultados no campo. Não fazer nada ou fazer pouco no treino, e exigir alto rendimento aos jogadores no campo, não só não é uma atitude de um líder como equivale a fechar as portas ao sucesso no futebol.

Imponha limites desde cedo
Logo que um jogador lhe falte ao respeito, imponha-lhe um limite. Assim que um jogador lhe faltar ao respeito várias vezes, mais lhe seguirão. Não deixe que isso aconteça, para seu bem e para bem do grupo. Deixar que um jogador o desrespeite à primeira vez, é o único passo que precisa ser dado para que o treinador nunca seja respeitado.»

FONTE: Valter Correia, in http://www.teoriadofutebol.com/apps/blog/show/41973111-como-ser-mais-respeitado-enquanto-treinador-


segunda-feira, 27 de março de 2017

HÓQUEI EM PATINS: 6 DICAS PARA MOTIVAR OS JOGADORES


«Imensa gente procura ideias para motivar a sua equipa, seja esta de futebol ou de outra modalidade qualquer. Uma das perguntas mais frequentes que encontramos por ai é "como fazer um discurso motivador?". Um discurso motivador, apenas terá efeito nos jogadores, se estes já se encontrarem motivados. É como relembrá-los que são capazes de entrar em ação e fazer as coisas bem. Porém, mesmo o melhor discurso do mundo não terá motivação se o jogador foi mal treinado durante a semana. Experimente motivar um atleta que não jogou nem está preparado para jogar. Pode sentir-se motivado por algum tempo, mas é muito provável que não esteja realmente motivado, pois existe uma grande diferença entre estar motivado e sentir-se motivado. Através destas 6 dicas, vamos explorar algumas dessas "armas de motivação".

Primeira dica - Elogie imenso
O elogio é uma das mais fortes armas da motivação e da boa relação entre vários indivíduos. Elogiar os outros fará eles oferecerem um pouco mais daquilo que nós elogiamos. É um comando psicológico muito utilizado, que penetra no inconsciente do indivíduo, levando-o a reconhecer o que está certo ou errado. Por exemplo, vamos supor que vamos treinar dois jogadores em dois exercícios iguais. A um jogador, elogiámos sempre que ele faz algo bem. Ao outro jogador, não elogiamos nada. Pode ter a certeza que o jogador que elogiou evoluirá muito mais depressa que o outro jogador.

Segunda dica - Tenha uma forma de trabalhar
Não adianta pedir o esforço de ninguém se não mostrar primeiro como fazer. Não adianta pedir aos jogadores para jogar de determinada forma, se ainda não aprenderam a jogar dessa forma nem são orientados para jogar dessa forma. Se pretende ter os jogadores a jogar motivados, faça-os perceber como deseja que eles joguem e treine-os para isso. Apenas o treino por objetivos, fazendo-os evoluir e fazendo ver um objetivo na sua evolução pode ter sucesso na motivação dos atletas, pois os jogadores sempre fazem a pergunta "Para quê?". Se tiverem a resposta, estarão motivados, podem estar certos disso.

Terceira dica - Esqueça as frases dos outros vencedores
A não ser que saiba utilizar corretamente uma frase que encontrar por aí, nunca repita nenhuma frase de nenhum vencedor. Se disser uma ou outra vez, não faz mal algum, mas se repetir várias frases de vários vencedores quando está a tentar motivar os seus atletas, muitos deles reconhecerão essas frases, e verão o treinador como um sonhador e não como um lutador. A diferença é que um sonhador não vence. E nenhum liderado profissional pretende ter um líder que sonha um dia ganhar alguma coisa.

Quarta dica - Mantenha os pés firmes
Não estou a dizer para ser rabugento ou ignorante naquilo que os jogadores pedem. Deixe-os falar, e se não gostar da ideia apenas diga não e apresente uma razão muito simples para rejeitar a ideia. Desta forma, o jogador saberá que o treinador o ouviu (equivale a sentir-se valorizado) e reconhecerá quem é o líder do grupo (não passará dos limites). Muitas vezes parece que as pessoas nos testam naquilo que nós fazemos. Uma ideia, pode ser um desses testes, e se responder mal, perderá algum valor para essa pessoa. Ficar calado, por vezes não ajuda. Neste caso, se uma ideia é realmente um teste, rejeitar a ideia representa manter o comando do grupo, que significa passar no teste que o jogador lhe fez. Recordo, testes partem na grande maioria do inconsciente das pessoas

Quinta dica - Oiça música, obrigatoriamente
Não estou a brincar. (…)Descrição: http://ir-na.amazon-adsystem.com/e/ir?t=teoridofuteb-20&l=as2&o=1&a=B005NPC2YE. Aquilo que eu aconselho mesmo é gozar os seus momentos sozinho ao sim de uma boa música enquanto organiza a sua vida. Isso recarregará as suas energias e o fará ir para o treino com mais confiança. É esse o segredo.

Sexta dica - Não desperdice um minuto de trabalho
Um líder é um comandante de um grupo, e o grupo será construído à sua imagem. Se o líder é batalhador, o grupo também o será. Um treinador, se chegar mais cedo que os jogadores para preparar o treino, está a garantir que os jogadores, mal pisam o relvado, vão treinar, evitando desperdiçar energias e tempo a desenhar exercícios no campo por parte do treinador, assim como em brincadeiras por parte dos jogadores. É muito vantajoso ser bem organizado no trabalho, de forma a não perder minutos preciosos que podem ser utilizados a treinar os jogadores. E como sabemos, o tempo para os treinar já é pouco. Garanta que os jogadores, desde que entram no relvado até saírem, joguem à bola.»


FONTE: Valter Correia, in http://www.teoriadofutebol.com/apps/blog/show/32799422-aprenda-a-motivar-os-jogadores-com-6-dicas-especiais

quinta-feira, 16 de março de 2017

PORQUE RAZÃO AVALIAMOS TANTO O DISCURSO DOS TREINADORES

A liderança do treinador é um dos temas mais fascinantes do desporto, num ambiente geralmente competitivo onde o trabalho individual e coletivo estão interligados. E a liderança de uma equipa, pela complexidade e ambiguidade em que é exercida, continua a originar novas formas de a discutir, seja num gabinete de uma equipa profissional seja num café!
A verdade é que um treinador tem inúmeros desafios e em quase todos eles precisa de ter uma capacidade eficiente de exercer a sua liderança perante a sua equipa técnica ou os seus atletas, sabendo que o seu comportamento e a sua experiência são determinantes para o seu sucesso e o ambiente que cria através do seu relacionamento tem uma especial influência na entrega por parte do atleta.
Ao praticar a liderança o treinador socorre-se e envolve-se nas ações, tenta usar a parte motivacional e perceber a mente de cada atleta que faz parte da equipa. E é através da sua comunicação que alinha as suas ideias e as suas ações, para inspirar os atletas em prol dos objetivos. A narrativa por parte de um treinador para a sua equipa é composta geralmente por três elementos: a história do treinador, a história do «nós» e a história para ou sobre o contexto. E é na narrativa do treinador que compreendemos os seus valores, o que ele quer passar à equipa e como ele gere e potencia os desafios com aquela mescla de palavras e frases em várias direções.  
(…)
Alex Ferguson afirmava que para se ser campeão é necessário inspirar as pessoas a serem melhores, dar-lhes melhores competências técnicas, torná-las vencedoras e conseguir que eles entendam que estás a lutar por elas. E isto consegue-se através de um discurso que nem tem de ser inspirador, mas tem de cativar um a um. Se não for assim, até se podem vencer jogos, mas não se vencem campeonatos.
Numa observação sobre o clima na equipa nacional neozelandesa de rugby, abordou-se a questão essencial para o treinador que é conseguir construir uma ideia de si enquanto treinador e líder. E sem existir a capacidade de verbalizar essa mesma ideia concreta e o mais real possível para equipa, de pouco valem os conhecimentos. O treinador Mike Krzyzewski, o enorme Coach K, afirma algo como: «Tu tens de ser tu próprio. Isto é algo que tu tens de falar às tuas equipas, de ser e usar a tua personalidade e os teus valores para atingir a equipa.»

Tudo se altera em pouco tempo. E até podemos pensar que conseguimos acompanhar as mudanças, mas a nossa narrativa sofre sempre que tentamos ser algo que não somos. Lá bem no fundo, os atletas estão sempre à escuta, até podem não perceber o exercício x ou y, mas captam todos estes momentos de grande ou má performance comunicacional. E quando a bola não rola, também nós nos cafés ou nas redes sociais avaliamos isso. 
FONTE: Rui Lança, inhttp://www.maisfutebol.iol.pt/opiniao/rui-lanca/por-que-razao-avaliamos-tanto-o-discurso-dos-treinadores 

quinta-feira, 2 de março de 2017

REVOLUCIONÁRIO TREINO ESPECIFICO DE GUARDA REDES DE HÓQUEI EM PATINS – SÉCULO XXII

Foto retirada do Blog Cartão Azul

Sem qualquer tipo de ironia misturado à mistura na presente publicação, todos nós ligados à modalidade, nomeadamente os treinadores, sabemos e percebemos a dimensão da especificidade da posição do guarda redes na nossa modalidade, já para não mencionar a importância da mesma.
Sabemos também que é preciso trabalhar e desenvolver muitas habilidades/competências nos guarda redes desde "tenra" idade. Nesse sentido, visionamos o importante trabalho que deve ser realizado com os guarda redes, o qual expomos nesta publicação.
Provavelmente esta publicação será alvo de inúmeras críticas no presente, mas talvez no século XXII alguém dirá que já em 2017, um pequeno blog abordou esta temática. Fica o nosso registo.

Para trabalhar/desenvolver/melhorar:

Agilidade - "Roubar" laranjas ou cerejas ou outro fruto de árvore ao vizinho ou a outra pessoa e fugir saltando muros e vegetação picante/cortante. Não pode em momento algum o guarda redes usar quaisquer utensílios e deverá trazer quantidade suficiente para alimentar abundantemente um grupo de amigos. O guarda redes não pode ser avistado pelo dono das árvores.

Velocidade de Reação - Executar a tarefa descrita anteriormente em “Agilidade”, mas agora terá de ser visto pelo dono das árvores. O guarda redes não poderá ser apanhado pelo mesmo. Se o nível a trabalhar no guarda redes for um nível avançado, então será de arriscar o exercício com um dono que tenha uma espingarda de chumbos.

Força de Membros Superiores - Escolher alguém que viva especificamente em meio rural e que possibilite que o guarda redes execute tarefas como arrumar/carregar/descarregar lenha e materiais similares. O guarda redes só pode utilizar os membros superiores e convém ter indicações ao nível da postura corporal mais correta para cada movimento. Em alternativa poderão executar salto ao eixo sobre os amigos em fila indiana. O último da fila inicia o salto e quando chegar a primeiro baixa para os restantes colegas saltarem.

Velocidade de Movimentação entre Postes - Juntar um grupo de amigos e jogar ao rato e ao gato ou à apanhada/caçadinhas. Poderão começar num nível mais fácil com apenas um elemento a apanhar e sucessivamente ir aumentando o número de pessoas a apanhar os restantes elementos. Existir ou não "livras", fica ao critério de cada um.

Concentração versus Velocidade de Execução - Exercícios como apanhar grilos, jogar à cuca (escondidinhas), e o lencinho vai na mão, são boas escolhas.

Coordenação Óculo Manual - Jogar à malha é uma excelente opção. Em alternativa, o jogo do espeto na terra é um bom complemento.

Precisão com bola / Saber onde colocar a bola - Jogar ao berlinde em curtas e longas distâncias com berlindes de diferentes tamanhos são indicados nesta situação. Para um nível mais avançado, aconselha-se a realização de um jogo de ténis (singulares e pares) sendo as respetivas raquetes as próprias mãos dos guarda redes. Para um nível médio a opção de ténis de mesa (o antigo ping pong) com as próprias mãos também, em detrimento das raquetes, são excelentes opções.

Aptidão Cárdio Respiratória - Jogar futebol de rua, se possível em campo pedrado ou pelado, em formato de muda aos dois e acaba aos quatro. Saltar à corda individualmente ou em grupo parece indicada, são também excelentes complementos para este tipo de trabalho.

Velocidade / Força  - Saltar ao eixo em equipas, ou como se dizia no século XX, jogar “ao vai milho” ou "vai aço".

Força de Membros Inferiores - Jogo da "corda tola". Um elemento coloca-se no centro de um grupo de amigos que estão dispostos em circulo com uma corda. Esse elemento gira a corda em circulo partindo de uma velocidade baixa até uma velocidade alta e os restantes elementos devem saltar por cima da corda sem tocar na mesma. Quem for eliminado vai executando agachamentos até o jogo terminar. Em alternativa à corda sugere-se uma mangueira.

Defesas com o Capacete: Jogar ao jogo das "cabeçadas na bola de ténis" em formato baliza à baliza (mais ou menos 4 metros de distância entre balizas). Não utilizar o capacete neste exercício. Um elemento lança a bola, o outro cabeceia tentando fazer golo. Só se pode utilizar a cabeça para defender e previamente estabelece-se a altura mínima para que os golos sejam validados. Só se pode utilizar a mão nas jogadas iniciais ao lançar a bola para a cabeça do opositor.

Não será fácil a programação deste tipo de treinos e de exercícios nos tempos atuais, mas os guarda redes que tomarem esta opção de treino, terão mais probabilidade de chegar ao topo em nosso entender. 
Outras habilidades/competências ficaram por abordar, sendo estas as mais importantes em nosso entender. Fica aqui uma opinião THP. Aguardamos as vossas críticas construtivas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O PASSADO NO PRESENTE A PENSAR NO FUTURO – INICIAÇÃO AO HÓQUEI EM PATINS


Partilho hoje no blog THP uma história pessoal que começou há 2 anos. Faço-o como pai e como treinador.
«O meu filho mais velho, ainda com 4 meses de vida viu o primeiro jogo de hóquei em patins. Ficou calmo e sossegado, notando-se uma atenção especial com o “barulho” do jogo. Assistiu a um jogo do distrital de sub-15.
A partir desse momento não mais parou de seguir o hóquei em patins, quer fosse em casa quando o pai mudava o canal da televisão, nomeadamente do canal Panda para uma transmissão do hóquei, quer fosse visualizar ao vivo um jogo. Penso que esse foi o ponto de arranque para tomar “o bichicnho” da modalidade.
Rapidamente começou a dizer “Óq”. Foi assim que identificava a modalidade.
Com menos de 1 ano de idade já visualizava jogos da 1ª divisão in loco do clube que o pai representava na altura como treinador. Diga-se que se equipava a rigor para ir ver os jogos com o cachecol do clube e espelhava felicidade com o ambiente do pavilhão.
Tendo-lhe tomado o gosto, chega a altura de querer experimentar os patins por volta dos dois anos e pouco. A mãe ainda achando que talvez fosse um pouco cedo não queria muito, o pai treinador achou que estava no “time ideal”.
Por essa altura, experimenta os primeiros patins. “Patim de fivela” numa fase inicial e posteriormente “patim de bota” de iniciação. Existem muitas variedades de patins de iniciação, no entanto, apesar de todas as vantagens e comodidades que possam existir, decidi que começaria com o tradicional e antigo “patim de fivela”.
Poderia ter vivenciado esta experiência num piso rugoso, ou num tapete, ou num colchão, mas não… Experimentou e gostou, porque o fez em pleno terreno ervado e por vezes pelado, com jardim nas redondezas, onde se sujam as rodas e as mesmas não deslizam. Nesta fase convém ter também um bom detergente da roupa em casa.
Diga-se que a criança achou piada ao facto de não cair muitas vezes e de calmamente lá ir marchando. Com o passar dos dias, o equilíbrio estava praticamente adquirido, o medo de cair ultrapassado e a vontade de continuar aumentava.
Claro que nunca pegou no stick simultaneamente aos patins. Stick na mão e bola de ténis na outra, só com as sapatilhas pés. Fiz e ainda faço esta regra ser implementada. Assim brincou muito, ora a marchar, ora a manusear o stick e a bola sem patins.
Chegado o momento da transição de piso, foi promovido ao piso interior da casa. Primeiramente em cima de velhos tapetes e posteriormente e momentaneamente na tijoleira do chão da garagem.
É claro que o stick na mão e a bola de ténis na outra só de sapatilhas e nesta fase preferencialmente quando a mãe estava ausente.
Cada vez mais o consumo “de hóquei em patins” in loco e via tv aumentaram gradualmente, sem nunca pressionar a criança e deixando-a marcar esse ritmo.
Mal completa 3 anos (e não estava há espera que ele fizesse os 3 anos), chega “o time” de o inscrever nas escolas de patinagem de um clube.
Os treinos de patinagem são somente isso, treinos de patinagem. Feliz com a opção tomada e com a forma como os treinos são ministrados. O stick não entra nestas contas. Já sabe, stick na mão e bola de ténis na outra, tem de ter sapatilhas nos pés e é para brincar com os amigos ou atrás dos recintos de jogos nos pavilhões que proporcionam isso. Denota-se já uma pega e manuseamento do stick com relativa qualidade. Mas isso será para partilhar daqui a alguns anos.
Assim continua. Com 4 anos e meio a filosofia e a prática continua igual. Nesta fase, já desliza para frente, curva e começa a patinar de costas… Acima de tudo, demonstra alegria imensa quando e sempre calça os patins. Começa a ver colegas mais velhos nos treinos de iniciação ao hóquei e pede por vezes que quer jogar hóquei com os patins e o stick na mão, mas também diz que primeiro tem de saber patinar bem.
Se a opção tomada inicialmente foi a mais correta, não sei! Se o método, (se é que houve) foi o adequado não sei! Sei apenas que tudo isto data de 2014 em diante e a criança é o meu filho.
Fará a “transição” ou evolução para iniciação ao hóquei em patins quando ele (criança) decidir sob a forma das aprendizagens adquiridas. Não é o pai ou o treinador a decidir. Será sempre a criança/jovem praticante a marcar o seu ritmo de evolução, sem pressas e com muita vontade de assimilar todas essas fases de aprendizagem.»

Daqui por alguns anos daremos continuidade a esta publicação, para já fica aqui um testemunho em primeira mão.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

MANUAIS DE APOIO DIDÁTICO À FORMAÇÃO DE TREINADORES


«De acordo com as competências do Treinador definidas e perspetivadas no âmbito do modelo do Programa Nacional de Formação de Treinadores - PNFT, foram construídos os Referencias e os Conteúdos de Formação relativos à Componente Geral.
Estes Referenciais e respetivos Conteúdos de Formação estão organizados por Unidades de Formação previamente determinadas no estabelecimento dos diferentes Perfis e fazem referência ao conhecimento fundamentado e multifacetado desenvolvido no âmbito das Ciências do Desporto.
No cumprimento da metodologia assumida, o IPDJ, I.P. procedeu à construção dos Manuais atribuindo a sua elaboração e autoria a um grupo de especialistas com larga experiência nos âmbitos considerados.
Estes Manuais, constituem-se como um instrumento importante para todas as entidades formadoras de treinadores, em particular das Federações colmatando uma lacuna existente desde o lançamento do PNFT.


ESTRUTURA DOS MANUAIS

Cada um dos Manuais é apresentado num ficheiro independente, cada um de acordo com uma Unidades de Formação previstas na Formação de Treinadores – Componente de Formação Geral. Todos os manuais possuem as seguintes secções:
  • Índice (da subunidade)
  • Lista dos objetivos de aprendizagem 
  • Desenvolvimento dos conteúdos
  • Conclusões dos conteúdos
  • Teste de Autoavaliação
  • Recomendações de leituras para consulta dos formandos 
  • Glossário de conceitos chave 

NOTA IMPORTANTE: Os manuais publicados em formato digital (PDF), podem ser impressos e policopiados, desde que se destinem aos fins para os quais foram concebidos: a formação de treinadores.
Todos os direitos de edição e autorais deverão ser preservados de acordo com a legislação em vigor.



MANUAIS - COMPONENTE DE FORMAÇÃO GERAL GRAU I

  Índice














MANUAIS - COMPONENTE DE FORMAÇÃO GERAL GRAU II
 

  Índice



  Teoria e Metodologia do Treino - Modalidades Individuais (Brevemente disponível)










FONTE: IPDJ, http://www.idesporto.pt/conteudo.aspx?id=191&idMenu=53

domingo, 29 de janeiro de 2017

O QUE É O BOM LÍDER? JOSÉ NETO


“Não fazer o que deve ser feito ou fazê-lo de forma incorreta, são males do mesmo tamanho”

“Conhecimento é saber a resposta … sabedoria é saber o melhor momento para a dar” , Albert Einstein

Ao longo do tempo e em especial a partir do início do sec. XX a questão da liderança tem sido alvo de estudo mais elaborado por investigadores da área das ciências humanas e sem que exista uma absoluta forma de a definir, acabam por qualifica-la como um processo comportamental que consistia em influenciar as atividades de uma equipa ou determinado setor no alcançar dos seus objetivos, incidindo pela influência interpessoal da autoridade exercida, associando a arte de educar, orientar e estimular os atletas na procura dos melhores resultados perante um ambiente competitivo e os desafios, riscos e incerteza colocados.

A partir de várias investigações e modelos explicativos, foi-se verificando uma evolução de conceitos, quer centrando-se no estudo dos traços de personalidade, na observação dos comportamentos assumidos pelos líderes e nas variáveis situacionais que influenciavam a eficácia de liderança centrado no carisma e na capacidade transformacional do líder na relação com os seus colaboradores.  

A isto veem-se associados os atributos de personalidade, tendência para o domínio em relação com os demais, necessidade de influenciar as ideias dos outros, valorizando as motivações para o encorajamento do grupo, vendo no trabalho apelativo e estimulante uma promoção de sentimentos duma identidade coletiva.

Após um complexo e variado estudo do modelo multidimensional de liderança, diversos autores, nomeadamente Chelladurai, P. et al.; (1993), afirmam pela avaliação do modelo em causa que o rendimento ótimo e satisfação do grupo são atingidos quando os comportamentos exigidos reais e preferidos são congruentes.

Ainda referem que, á medida que os atletas vão evoluindo na idade e a sua experiência é um indicador a ter em conta, a preferência por comportamentos autocrática por parte do líder/treinador, utilizando o seu poder para influenciar, excluindo os liderados na tomada das suas decisões.

Numa fase de aprendizagem há uma preferência do estilo de liderança num clima de maior proximidade com o líder, proporcionando um clima de maior aconselhamento e apoio, vendo-se aumentados os níveis de confiança.
Em relação aos atletas masculinos e femininos parece haver um registo distinto de interesses, em que os atletas masculinos preferem um estilo mais autocrático e os femininos um estilo democrático, permitindo-lhes assim o poder participativo na tomada das decisões.

Os atletas com maior capacidade de serem bem sucedidos e com melhores níveis de rendimento, preferem comportamentos de instrução e treino, logo mais democrático por parte do treinador, sendo-lhes facultada a discussão perante os problemas, sugerindo alternativas e notável capacidade de cooperação.

Como nota importante em relação ao que foi referido, verifica-se que os atletas se sentem mais negativamente afetados ao nível da sua satisfação pessoal, quando o treinador não adota um estilo de orientação do treino e na competição que esteja desinserido daquele que é da sua preferência, podendo aqui ver considerado os casos de desportos individuais e coletivos e constituição do género, conforme definem e bem Weinberg e Gold (2001).

Deste modo torna-se fundamental elaborar uma avaliação de competências por parte dos jogadores no sentido de ver registado qual o estilo de treino mais congruente, preferido e percecionado.

Através duma escala de liderança, é possível elaborar uma disponibilidade compatível com a dinâmica a ser imprimida por parte do treinador no sentido de estudar as medidas de liderança, coesão e satisfação e constatar se os níveis de reforço e treino e instrução estão associados á coesão da tarefa e ao estilo de liderança do treinador pela capacidade influenciar ou não as condutas, sentimentos e competências nas tomadas da decisão em conjugação com o êxito obtido ou o inêxito referenciado, claramente julgado pela magna orientação do líder, que quantas vezes … “se veem a sacudir a água do capote”.

Há vantagens e desvantagens em qualquer dos estilos utilizados. O que determina se o estilo está mais ou menos apropriado são as características do grupo. Algumas posturas determinam a função para a qual se deve imprimir a dinâmica. Nesse sentido, volto a referir, torna-se imperioso caracterizar o grupo de forma categórica.

Os instrumentos mais utilizados para avaliar os comportamentos de liderança têm sido a E.L.D. (Escala de Liderança no Desporto), desenvolvido por Challadurai & Saleh, a partir do início da década de 1980 e é a partir daí que se poderá avançar com uma conduta extraordinariamente focada nos êxitos a alcançar.

A autoridade do treinador está consubstanciada à exigência de funções para quem submete às orientações técnicas, físicas, táticas, estratégicas, etc, o jovem ou menos jovem e o adulto na prática duma determinada modalidade. Por vezes a influência do treinador ultrapassa o contexto desportivo e passa a ser o conselheiro, o amigo mais próximo e por vezes, eles próprios não têm sequer consciência clara de como podem afetar os seus atletas.

Não existe um estilo padrão onde se possa processar a fundamentação para o êxito. O melhor líder é aquele que consegue o maior número de estilos e seja capaz de mudar de acordo com as circunstâncias existentes, com vista à melhoria e otimização da performance da equipa e da sua organização.

O bom líder sabe partilhar responsabilidades, divide com os seus colaboradores as decisões, dando-lhes liberdade de ação e sugestão. Por vezes, gerir comportamentos após os sucessos conseguidos, torna-se mais difícil que gerir inquietações após os inêxitos obtidos, estando a equipa mais disponível para alcançar as fontes para o sucesso por via das adversidades, convertendo-as em oportunidades.

Um bom líder consegue ultrapassar a barreira do “impossível” formulando objetivos de conquista difíceis e encorajadores, usando uma boa dinâmica comunicacional para a validação das suas competências.

Um bom líder é capaz de transpirar rigor e usar uma disciplina partilhada. Não usa as desculpas para esconder as suas fraquezas, nem os lamentos para afagar as suas ideias.

Um bom líder é aquele que não convence apenas pelo uso das palavras, mas aquele que é capaz de surpreender pelas atitudes.

Um bom líder é aquele que é capaz de reunir em cada gota de suor paixão, coerência, otimismo, empatia, consciência e razão.


FONTE: José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.- U.E.F.A.; Docente Universitário, in jornal Abola http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=653289