FADIGAÉ incapacidade de manter determinada intensidade do exercício, impondo a diminuição da capacidade de rendimento.A fadiga é um potente factor de mobilização das reservas funcionais e neste sentido um potente factor de adaptação. Contudo é limitadora do volume de trabalho no treino e da frequência de participação nas actividade de competição.
Fadiga Evidente: manifesta-se pela redução da capacidade de trabalho e pela incapacidade de suportar o regime de treino num determinado nível.
Fadiga Latente: corresponde à manutenção da capacidade de trabalho por apelo cada vez mais forte das reservas dos sistemas funcionais solicitados.
Causas da fadiga muscular
Causas Periféricas: (originadas no tecido muscular):
- perda da homeostase celular;
- falência da actividade da actomiosina ATPase;
- excesso de lactato.. Causas Centrais: (originadas no tecido nervoso):
- diminuição da acetil-colina libertada na placa motora;
- diminuição da excitabilidade dos motoneurónios.
Factores condicionantes do aparecimento da fadiga:
- Intensidade do exercício;
- Temperatura elevada;
- Grau de humidade;
- Pressão parcial de oxigénio atmosférico (rarefacção);
- Nível de treino;- Tipo de alimentação (hipoglicémica);
- Ingestão de medicamentos;
- Condições psicológicas (estado de depressão, ansiedade…).
Indicadores de manifestação da fadiga:
- Declínio da velocidade máxima;
- Redução dos valores máximos de força;
- Aparecimento de tremores musculares;
- Abaixamento da eficácia de regulação das funções.
- Aumento do nº de erros por perturbações na coordenação motora;
- Incapacidade de criar e assimilar novos automatismos;
RECUPERAÇÃO
Após uma carga, o organismo reage em 4 etapas:
1) Diminuição das capacidades;
2) Restauração das capacidades;
3) Supercompensação;
4) Estabilização num nível próximo do inicial.
As reacções dos sistemas funcionais a uma carga processam-se em 2 fases:
1) Fase de retorno à homeostasia (repouso e alimentação);
2) Fase construtiva (organizam-se alterações funcionais e estruturais ao nível dos tecidos e dos sistemas funcionais solicitados).
O período de recuperação pode ser:
- Passivo: repouso absoluto.
- Activo: actividades de baixa intensidade (ex: corrida contínua).
Meios auxiliares da recuperação
Meios médico-biológicos: recorre-se sobretudo a fármacos (creatina, cafeína, antioxidantes… Existem ainda outros meios nomeadamente sauna, crioterapia, oxigenoterapia, massagens, raios ultravioleta…
Meios de ordem mental: técnicas de relaxação para a tensão psíquica e muscular…
Meios de ordem organizacional: tem a ver com a planificação do trabalho e organização dos treinos e dos exercícios (horários, alternância de conteúdos, repouso activo…).
Repouso.
Nutrição: dietas ricas em hidratos de carbono e hidratação. Cada sistema funcional possui uma velocidade de recuperação própria (heterocronismo da recuperação). A recuperação processa-se de forma temporalmente distinta.
ADAPTAÇÃO
A adaptação é a reacção natural do organismo quando as cargas de treino são aplicadas regular, metódica e sistematicamente.Cria-se um novo estado de equilíbrio qualitativamente superior, com as condições favoráveis ao aumento do rendimento desportivo dos praticantes e das equipas.
Adaptação Rápida (Aguda)
É a adaptação que se gera no organismo imediatamente após a aplicação de umacarga. As reacções são do tipo:
- Aumento da FC;
- Aumento do débito ventilatório;
- Aumento do lactato no plasma sanguíneo.
Adaptação a Longo Termo (Crónica)
Caracteriza-se pelas modificações estruturais dos orgãos e sistemas, como também pelo aumento da eficácia dos sistemas funcionais e pela sua coordenação.
Resulta de sucessivos momentos de adaptação aguda (efeito acumulado das cargas) e é condição para a elevação da capacidade de rendimento.
As reacções são do tipo:
- Diminuição da FC e débito ventilatório em repouso;
- Aumento das reservas de glicogénio e do nº de mitocôndrias;
- Hipertrofia muscular;
- Prolongamento do stedy-state.
As reacções de Adaptação Rápida dependem:
- da duração e intensidade da carga;
- das características do indivíduo;
- do grau de treino do indivíduo.
Fases da Adaptação Rápida:
1) Activação dos sistemas funcionais (aumento da FC, do débito ventilatório, consumo de O2, da concentração de lactato…);
2) Estabilidade na actividade dos sistemas funcionais, mantendo-se a níveis constantes;
3) Desaparecimento progressivo do equilíbrio entre as necessidades ligadas à actividade e a capacidade do organismo em satisfaze-las (fadiga do SNC, esgotamento das reservas energéticas…).
Fases da Adaptação a Longo Termo:
1) Repetição das cargas, que se destinam a solicitar continuamente os mecanismos de adaptação aguda;
2) Repetição planificada das cargas e seu aumento progressivo, determina a adaptação dos orgãos e sistemas às novas condições de funcionamento;
3) Estabilização, o que implica uma boa coordenação entre os sistemas de execução e os orgãos funcionais que lhes servem de suporte, assegurando o aumento das reservas funcionais;
4) Surge quando o treino é demasiado forte e conduzido de forma não racional, desrespeitando os períodos de recuperação (Estado Sobretreino). A manutenção da capacidade de trabalho requer determinada quantidade de estímulos (carga). O doseamento dessa carga é fundamental na dinâmica da adaptação:
- o abaixamento da carga abaixo de certos limites conduz à diminuição da cap. funcional ->
Processo de Desadaptação - o incremento racional da carga conduz a aumento progressivos da cap. funcional ->
Processo de Adaptação Positiva - o incremento exagerado da carga conduz a situações de insuficiência funcional relativa ->
Processo de Transadaptação A dinâmica da adaptação também depende das reservas funcionais. Estas quantificam-se através da relação entre o nível de actividade mensurada em repouso e o seu nível maximal em determinado momento.
Fonte: Mestre Luís Miguel Oliveira, in Curso de Educação Física, Saúde e Desporto "TEORIA DO TREINO DESPORTIVO", Instituto Superior de Ciências da Saúde do NORTE, 2005/2006.