I JORNADAS DE TREINO DE HÓQUEI EM PATINS

“Nova Época… Novas Regras… Novos Desafios…”
Informam-se todos os agentes ligados directa e indirectamente à modalidade (treinadores, atletas, dirigentes, árbitros e simpatizantes), que o Hóquei Clube de Paço de Rei (V.N. Gaia), irá realizar ao longo do próximo dia 5 de Setembro de 2009, nas suas instalações as “I Jornadas de Treino de Hóquei em Patins”. A organização deste evento estará a cargo de uma comissão técnica constituída para o efeito, do coordenador técnico do H.C.P.R. e de colaboradores directos. O referido evento será constituído por breves suportes teóricos e maioritariamente por suportes práticos, onde de entre muitos objectivos estipulados, pretende-se acima de tudo contribuir para uma nova visão sobre as novas regras do Hóquei em Patins, como as mesmas poderão ser aplicadas na prática e que implicações terão ao nível de treino e de jogo (exercícios práticos de treino, situações práticas de jogo, etc.). Atempadamente será divulgado todo o programa do evento, bem como os seus convidados e o prazo de inscrições, uma vez que as referidas jornadas estarão limitadas a um número máximo de participantes.
O Blogue THP apoia este evento.

NOVO LIVRO "LA INICIACIÓN DEL PATINAJE ESCOLAR"

Antonio Sariol Vila e Silvia Nohales Becerra
ESTE LIBRO ESTÁ DIRIGIDO A TODAS AQUELLAS PERSONAS INTERESADAS EN LA ENSEÑANZA DEL PATINAJE, TRATA DE CONSTRUIR UNA IDEA, UNA APROXIMACIÓN TEÓRICO-PRÁCTICA A LA ENSEÑANZA DEL PATINAJE DE FORMA SIMPLE Y ORGANIZADA, EN ESPECIAL PARA LOS ESTUDIANTES Y PROFESORES DE EDUCACIÓN FÍSICA, ENTRENADORES DE CUALQUIERA DE LAS CUATRO MODALIDADES DEL PATINAJE. GRACIAS A ESTE PROYECTO LOS PROFESORES DE EDUCACIÓN FÍSICA Y LOS TÉCNICOS DE LAS DISTINTAS MODALIDADES DE PATINAJE, PODRÁN DISFRUTAR DE LA PRÁCTICA DE ESTE DEPORTE, ASÍ OBTENER DEFERENTES HERRAMIENTAS PARA LA MEJORA DE LOS MISMOS. CON EJERCICIOS Y TÉCNICAS QUE SE PUEDEN APLICAR TANTO A NIÑOS COMO EN ADULTOS, Y QUE NOS OFRECEN UNA GRAN ABANICO DE POSIBILIDADES PARA TRABAJAR TANTO A NIVEL ESCOLAR COMO EXTRAESCOLAR, COMO TAMBIÉN EN LOS PROPIOS CLUBES, EN CUALQUIERA DE LAS CUATRO MODALIDADES.
OFERTA DE LANÇAMENTO: 28€
PEDIDOS: cosarvi@hotmail.com - Telf. 660.278.556 / silvinohales@hotmail.com - Telf. 609.934.193

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

FÉRIAS 2009 - REGRESSO A 17-08-09


Após mais uma época desportiva, o blogue THP afirmou-se um pouco mais no seio da família do Hóquei em Patins neste grande mundo da "blogosfera". O número de visitas diárias aumentou, bem como chegamos a mais países. O nosso muito obrigado a todos.

Tais motivos, são alvo de satisfação para nós, bem como motivadores para continuarmos a levar a cabo este projecto.

Deparamo-nos ainda com muitos entraves. Muitas vezes o nosso trabalho poderia ser melhor e mais completo, mas a falta de vontade de algumas pessoas ligadas à modalidade fazem com que isso não suceda ao ritmo que nós desejariamos. No entanto, a nossa caminhada continuará e a nossa dedicação também, uma vez pensarmos ser este o caminho certo a percorrer. Contra a vontade alguns, mas com o apoio de muitos.

A próxima época será de algumas mudanças na modalidade e nós, blogue THP, tudo iremos fazer para ajudar e perceber algumas dessas mudanças. Esperamos que estas novas mudanças, tragam também novas mentalidades a muitas pessoas. Pessoalmente pensamos que estas mudanças nas regras da modalidade, independentemente de se concordar ou não com todas elas, já fizeram uma coisa importante, que foi colocar muitas "cabeças" a discutir a modalidade... Pensamos que isso poderá ser um pequeno grande passo na modalidade.

Para que o trabalho possa ser ainda melhor na próxima época, chegou a altura de recarregar baterias. Assim sendo, informamos todos os leitores e simpatizantes que o blogue THP entrará agora num período de férias e que regressará muito provavelmente no dia 17 de Agosto de 2009 às publicações.

Até lá, para além de desejarmos boas férias a todos, se for o caso disso, deixamos aqui umas ligações às nossas publicações, que certamente merecem ser recordadas ou lidas novamente:

Como Preparar um Jogo Importante/Decisivo?

Novas Regras do Hóquei em Patins. Que Implicações a Nível de Treino?

Dois Exercícios de 1*1+GR

H.P. Exercícios para Velocidade e Resistência

Exercício Simples e Dinâmico de 2*1+GR

Exercícios de Corrida de Velocidade

12 Exercícios de Treino Específico de GR

Psicologia do Desporto: 3 Estratégias de um Plano Mental e um Exemplo de Plano de Prova para um Atleta de Elite

Vésperas de um Jogo Importante? - Ansiedade? Stress?

Exemplo Simples de um Mesociclo de uma Equipa de Hóquei em Patins

O Número Ideal de Jogadores para um Plantel de Hóquei em Patins

O Estado de Ansiedade Pré-Competitiva e Autoconfiança

Aconselhamos ainda a visualizarem na nossa coluna do lado direito, trabalhos realizados por nós, entrevistas, exercícios práticos e os nossos vídeos.

O facto de estarmos de férias não significa em momento algum que deixe de continuar a visitar o nosso blogue.

O Administrador do Blogue THP, Helder Antunes.

Sábado, 11 de Julho de 2009

THP MARCA PRESENÇA NO CAMPEONATO DO MUNDO DE HÓQUEI EM PATINS EM VIGO



O blogue THP (Treinadores de Hóquei em Patins) marcou presença no Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins em Vigo (Espanha).

Desde já, fica aqui explanada a justificação do nosso blogue não ter sido actualizado com a frequência do costume.
Esta nossa presença em Vigo, para além de ter servido para acompanhar o respectivo campeonato do mundo, serviu também para partilharmos ideias, informações e conhecimentos com várias pessoas de vários países ligadas à modalidade.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

COMO PREPARAR UM JOGO DECISIVO/IMPORTANTE?

«Nós, treinadores sabemos muitas vezes que existe um jogo mais decisivo que outro ou até mesmo, jogos mais importantes que outros, quer se trate de um apuramento, de uma final, de um jogo a eliminar, ou de um simples dérbi.
Como tal, apresento um planeamento algo detalhado e que mostra de uma forma muito simples e resumida como foi preparado um jogo decisivo/importante, por mim enquanto treinador.
Desde já, informo que este planeamento é um resumo, uma vez que é meu princípio e dever enquanto treinador “proteger” informações, que somente dizem respeito à equipa e aos jogadores.
Esta planificação resume várias temáticas (penso que lhe posso chamar temáticas) abordadas ao longo das sessões de treino, entre as quais destaco o resumo da planificação técnica, táctica, psicológica, observação da equipa adversária e demais informação relevante.
Saliento também, que esta publicação se trata somente de contribuir para uma “nova mentalidade” que é preciso incutir sobretudo nos treinadores desta modalidade e como tal não chega falar, há que dar também o exemplo.
Convém também aqui enumerar alguns factores relevantes que influenciaram esta planificação. Entre eles destaco os seguintes:
- Planificação de uma equipa de Juvenis do clube XPTO, que iria disputar a final XX’S.
- Para preparar o jogo tivemos 12 dias.
- Como era final de época e tendo em conta todo o trabalho anteriormente desenvolvido, decidimos planear um microciclo com 7 sessões de treino, dando grande relevância ao trabalho psicológico e táctico.
- Quanto ao trabalho físico a desenvolver e tendo em conta os indicadores, resolvemos não dar grande importância, uma vez que a equipa se encontrava bem neste âmbito. Apenas treinar com o mesmo volume e intensidade de treino.
- Saliento ainda que nesta fase da época (fase terminal da época) a equipa estava treinar com baixos volumes de treino e intensidades médias e altas.
- As sessões de treino tiveram a duração mínima de 60 e máxima de 75 minutos.
1ª Sessão de Treino
- Visualização de pequenos vídeos da equipa adversária onde focamos a atenção dos atletas para os pontos fortes e mais vulneráveis da equipa adversária. Apenas 10 minutos de vídeos.
- Distribuição de uma folha a todos os atletas com pequenas informações sobre a forma da equipa adversária jogar. Esta folha tinha como objectivo frisar informações importantes e era para os atletas a colocarem na mesinha de cabeceira. O tamanho máximo era somente uma página com letra bem espaçada.
- Distribuição a todos os atletas em suporte digital de alguns vídeos da equipa adversária para que pudessem visualizar em casa e posteriormente dissipar quaisquer dúvidas com a equipa técnica.
- A nível psicológico começamos a passar a mensagem aos atletas que “já alguém disse que as finais são para ser ganhas, mas nosso caso, primeiro teríamos de ter a preocupação de querer jogar bem, para que o ganhar fosse uma consequência do jogar bem”. Ou seja, incidimos a preocupação dos jogadores para ter que jogar bem e saber o que fazer, para que depois o ganhar surgisse como consequência.
- A nível técnico, demos incidência ao trabalho de passe/recepção com finalização.
- A nível táctico, realizamos jogo treino com a equipa de iniciados, onde defensivamente trabalhamos a equipa numa marcação individual sem trocas, com pressing alto e a nível ofensivo trabalhamos o ataque organizado 2+2 a virar 1+2+1, procurando muitas situações de passe à zona da tabela e corte pelo meio defensivo.
- Nos últimos minutos de treino, realizamos um prolongamento de 5 minutos com golo de ouro. Esta final XX’S, poderia ter como cenário a decisão num prolongamento com golo de ouro, logo começamos a preparar a equipa para este possível cenário.
2ª Sessão de Treino
- Realizamos um diálogo com os atletas onde incidimos o discurso novamente sobre os pontos fortes e mais vulneráveis da equipa adversária e sobre a nossa forma de actuar.
- A nível psicológico reforçamos a ideia de “jogar bem” e treinar bem. A palavra “ganhar” não fez parte do discurso, bem como a palavra “perder”.
- A nível técnico, demos incidência ao trabalho de finalização tendo especial atenção que a equipa adversária poderia ter um guarda-redes esquerdino na equipa.
- A nível táctico, dividimos a sessão em duas partes. Na 1ª parte trabalhamos as transições ofensivas e defensivas, onde demos muita atenção às situações de 2*1+GR e de 3*2+GR. Na 2ª parte, realizamos jogo treino contra os Juniores do clube XPTO, onde defensivamente treinamos a defesa à zona 2+2 a vira 3+1 (quadrado a virar triângulo com um solto) e onde ofensivamente exploramos somente situações de contra-ataque e posse de bola 2+2.
- No final deste treino, todos os atletas realizaram uma sessão de marcação e 5 grandes penalidades. Precavendo a decisão da final XX’S através da marca de grandes penalidades, começamos a elaborar a lista dos marcadores, bem como a ordem de execução das mesmas.
3ª Sessão de Treino
- A nível psicológico, fazemos passar a mensagem que o mais difícil estava feito, que era chegar à final XX’S e que agora era somente desfrutar o jogo. Realçamos também que as equipas que melhor jogam, normalmente são as que vencem as finais.
- A nível técnico não demos especial atenção a nada.
- A nível táctico, voltamos a realizar jogo treino com os Iniciados do clube XPTO, onde demos muita importância às situações da marcação de faltas de várias zonas do campo (bolas paradas). Defensivamente treinamos a defesa à zona 2+2 a vira 3+1 (quadrado a virar triângulo com um solto) a virar a marcação individual com pressing alto e a nível ofensivo demos relevo à posse de bola 2+2 e às situações de contra-ataque (2*1+GR e 3*2+GR).
4ª Sessão de Treino
- A nível psicológico, relembramos novamente aos atletas o que tínhamos de fazer e como deveríamos encarar o jogo.
- A nível táctico, voltamos a realizar jogo treino com os Juniores do clube XPTO e colocamos em campo todas as situações treinadas até então. Dividimos o treino em duas partes mais uma vez. Na 1ª parte treinamos defensivamente a defesa à zona 2+2 a vira 3+1 (quadrado a virar triângulo com um solto) com saídas rápidas em contra-ataque e marcação de livres directos. Na 2ª parte, incidimos na marcação individual com pressing alto e posse de bola 2+2 a virar 2+1.
- No final do treino realizamos um prolongamento de 5 minutos com golo de ouro e marcação de grandes penalidades onde os jogadores executantes estiverem sujeitos a elevar os seus níveis de concentração aquando da execução, uma vez que os restantes colegas de equipa tinham como função destabilizar o jogador executante através de linguagem oral.
5ª Sessão de Treino
- Apenas perguntamos aos atletas se tinham dúvidas sobre o que fazer no jogo. Tiramos essas dúvidas e não mais falamos do jogo da final.
- A nível psicológico pouco ou nada falamos com os jogadores de forma a fazer libertar alguma ansiedade aos atletas.
- Esta sessão de treino incidiu na 1ª parte em realizar vários jogos lúdicos e numa 2ª parte em realizar jogo formal 5*5, onde colocamos no marcador electrónico do pavilhão vários scores de jogo, onde de 10 em 10 minutos “obrigávamos” os atletas a realizar diferentes abordagens ao jogo, desde a forma de defender, à forma de atacar. Ou seja, fazer os atletas perceberem que se estivéssemos a vencer por 1 golo, teríamos de abordar o jogo de uma forma, se estivéssemos a vencer por 2 ou mais golos, teríamos de abordar de outra forma, bem como se estivéssemos a perder por 1 golo, teríamos de abordar de outra forma.
6ª e 7ª Sessão de Treino
- Estas duas sessões foram muito semelhantes. Ambas foram realizadas fora no nosso “habitat” natural, ou seja, foram realizadas num pavilhão exactamente igual ao que íamos disputar a final XX’S.
- A nível psicológico reforçamos a ideia do jogar bem e de nos divertirmos seriamente com o jogo. Nesse contexto a parte inicial do treino incidiu em aspectos lúdicos que simultaneamente estava a obrigar os atletas a atingir determinados objectivos previamente estabelecidos, tais como adaptação ao piso e às dimensões da pista de jogo.
- A nível táctico realizamos jogo treino com a equipa de Juniores do clube XPTO nestas duas sessões e consolidamos todas as situações treinadas até então.
- Demos novamente destaque à marcação de grandes penalidades e livres directos.
- No final da 7ª sessão de treino, tivemos um diálogo com os atletas (trabalhar pela última vez o aspecto psicológico), onde dissemos aos jogadores que tudo tinha sido treinado, a lição estava estudada e que agora só restava colocar em prática no jogo da final XX’S. Reforçamos também a ideia/certeza que tudo o que havia ser feito e treinado para “ganhar” (1ª e última vez que utilizamos a palavra “ganhar”) o jogo, tendo em linha de conta as informações recolhidas e observadas na equipa adversária.
Dia do Jogo – Programa que os Atletas cumpriram
10h20 – Concentração no nosso Pavilhão.
10h30 – Saída do nosso Pavilhão em direcção a YYYY.
11h40 – Chegada a YYYY.
12h30 – Almoço em YYYY.
13h20 – Lazer: Torneio de Playstation2 (PES, WRC, NHL…), Cartas, Ténis de Mesa, Damas.
14h30 – Saída de YYYY em direcção ao Local do Jogo.
14h40 – Chegada ao Pavilhão.
15h00 – Recolha aos Balneários.
16h00 – Jogo da Final
Discurso do treinador no Inicio do Jogo (durou +/- 8 minutos)
O discurso incidiu em relembrar aspectos fortes e vulneráveis da equipa adversária e o que tínhamos de fazer para contrariar a equipa adversária. O discurso foi concluído com bastantes frases de incentivo/motivação.
Discurso do treinador no Intervalo do Jogo (durou +/- 7 minutos)
Tendo em conta o resultado do jogo (perdíamos por um diferencial de 2), a parte inicial do discurso foi “ríspida”, a parte fundamental do discurso foi chamar bem a atenção dos atletas para alterações tácticas que tínhamos de fazer (relembrando situações que tínhamos treinado durante as 7 sessões de treino) e a parte final foram palavras de incentivo e coragem e tom “alto”.
Discurso do treinador no Final do Jogo
Como a equipa de Juvenis do Clube XPTO venceu a final XX’S, o discurso foi quase inexistente uma vez que era tempo de comemorações e festejos.»
Fonte: Elaborado por Helder Antunes

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

“NOVAS REGRAS DO HÓQUEI EM PATINS. QUE IMPLICAÇÕES A NÍVEL DO TREINO?”

«Muito se tem falado das alterações das regras de jogo do hóquei em patins e porventura poucos reflectiram ainda sobre o que estas poderão trazer a nível de treino, uma vez que a nível de jogo já muitas pessoas se aperceberam do que essas alterações vêm produzir.
Normalmente, penso que quando há alterações importantes nas regras de jogo de uma modalidade, concordando ou não com as mesmas, é mais fácil visualizar o que vai acontecer em situação de jogo, aliás é o que todos nós (treinadores, jogadores, dirigentes, amantes, etc.) fazemos, mas nós treinadores, temos que ter uma visão mais alargada e começar por saber o que essas alterações podem trazer ou implicam a nível de treino. Penso que é neste ponto que nós treinadores nos devemos focar.
Enquanto treinador, estou bem mais preocupado em tentar perceber as implicâncias que as novas regras poderão trazer a nível de treino do que a nível de jogo. Assim sendo e depois de analisar bem as alterações que irão entrar em vigor, uma vez que já conheço estas alterações desde que elas eram simples propostas em 2007 e depois de assistir ao vivo e em suporte vídeo a jogos testes destas novas regras, não tenho qualquer dúvida que esta será uma fase importante para todos os treinadores que queiram evoluir com a modalidade.
Quer queiramos ou não, quer se concorde ou não, existirá uma evolução na modalidade com estas novas regras. Resta apenas é saber se as mesmas catapultarão a modalidade ou não.
Não vou aqui enumerar as principais alterações, mas sim, partilhar publicamente a minha visão enquanto treinador e perspectivando como deverá ser conduzido o processo de treino.
Porém, antes quero fazer aqui uma ressalva no sentido de que se os treinadores, ou grande parte dos treinadores não partilhar opiniões, não construir criticas e não fizer sugestões será muito difícil para todos, inclusive para a modalidade, evoluirmos de forma positiva. Pessoalmente não me custa nada partilhar o pouco que sei e de cada vez que tenho oportunidade de falar com vários treinadores de hóquei em patins, independentemente do clube onde estão e das funções que desempenham, mais certeza tenho que percebo pouco da “modalidade” e acabo a questionar-me a mim mesmo sobre o não perceber porque temos tantas pessoas competentes e apetrechadas de diversas sabedorias e somos uma classe (treinadores) dentro da modalidade muda, com poucas publicações e onde uma grande parte tem dificuldades em partilhar conhecimentos.
Posto isto, entro agora no tema desta publicação.
Penso que se ainda havia treinadores que planeavam muitos treinos somente na cabeça e do género aquecimento, bola ao meio e jogo 5*5, esses treinadores serão certamente os que terão maiores dificuldades.
O planeamento de uma sessão de treino ou de uma época é cada vez mais importante e necessário. Pode-se realizar treinos do género como referi anteriormente, aquecimento, bola ao meio e jogo 5*5, só que não nos esqueçamos que a partir de agora o jogo de hóquei em patins poderá não ser só 5*5…
Convém treinar situações até então nunca treinadas ou pouco treinadas, tipo 5*4, 5*3, 4*3, 5*5 onde 5 poderão ser todos jogadores de campo, 4*2, 4*4 e por aí fora…
A possibilidade de podermos jogar em inferioridade ou superioridade numérica assim me leva a ter que preparar a equipa. Seria mau, para não lhe dar outro nome, se por exemplo uma equipa fica em inferioridade numérica e não sabe como se dispor defensivamente em campo ou o contrário. A não ser que haja treinadores que partilhem da premissa que é durante o jogo, pedindo um desconto de tempo que irão resolver a situação que lhes apareça.
Eu não partilho dessa premissa, eu sou um fiel convicto que os jogos se ganham nos treinos e como tal vou ter de desenhar, planear e pôr em prática nos jogadores todas estas situações, para que em situação real de jogo, a equipa por mim orientada saiba imediatamente como se organizar em termos defensivos ou ofensivos e como fazer as suas transições (defesa – ataque e vice-versa) para que se possa discutir sempre o resultado do jogo em causa.
Outra situação que devemos ter em conta é quando começamos a pensar construir um plantel para uma nova época. Um pequeno grande aspecto que penso que temos de começar a ter em conta é o curriculum disciplinar de um jogador. É que agora, com o desaparecimento do cartão amarelo, um treinador, durante o jogo, não tem tempo para tirar um jogador seu que esteja iminente a sua suspensão e fazer entrar outro para o seu lugar. É que a partir de agora o jogador vê logo azul e coloca a sua equipa em inferioridade numérica.
Ainda sobre este mesmo item, a de construção de um plantel, é bom termos pelo menos um finalizador exímio em livres directos, sobretudo, bem como treinar bem esta situação. É que a partir da 10ª falta de equipa somos sancionados com um livre directo e depois é de 5 em 5, ou seja à 15ª falta, à 20ª e assim sucessivamente e ao intervalo do jogo esta contagem não volta a zero. Tendo em conta muitas estatísticas de jogos, facilmente concluo que um jogo de hóquei tem bem mais que 10 faltas por jogo para uma equipa, logo concluo também que o livre directo será uma falta sancionada praticamente em todos os jogos.
A nível táctico defensivo, quero crer que as defesas à zona poderão ser uma boa solução, quer se jogue 5*5 ou em inferioridade numérica. Penso que quando estivermos em inferioridade numérica, por exemplo com menos um jogador, o mais sensato será uma aplicar uma defesa à zona 2+1 ou 1+2. Se ficarmos em inferioridade numérica, por exemplo menos dois jogadores de campo, penso que o mais sensato será aplicar uma defesa à zona em linha vertical ou em linha horizontal e porque não provocar um auto-golo ou deixar a equipa adversária marcar um golo, uma vez que isso permite repor a igualdade numérica. Penso que algumas pessoas ficam incrédulas com esta possibilidade de se fazer um auto-golo ou de deixar a equipa adversária finalizar, mas é viável e provável, senão vejamos por exemplo as situações caricatas que tivemos na nossa modalidade ao longo destes últimos anos para se forçar um 3 azul de modo a cumprir um jogo de suspensão quando mais interessava.
Em caso de se estar a jogar 5*5 (normal) também vejo com bons olhos a possibilidade de se apostar em defesas à zona, tipo 2*2, ou 1+2+1, ou defesas mistas, uma vez que podem por exemplo provocar menos faltas de equipa. Temos de ter atenção para não sermos sancionados com uma falta de jogo passivo, uma vez que terá de existir sempre intenção de conquistar a posse de bola.
Ainda a nível táctico defensivo, penso que sempre que estivermos em situação de superioridade numérica faz todo o sentido colocarmos a nossa equipa a jogar com uma marcação individual com pressing alto e porque não sempre com dois jogadores a pressionar o jogador adversário que transporta ou possui a bola.
A nível táctico ofensivo, penso que, independentemente a forma de se jogar ou de se abordar o jogo (2+2, 1+3, 3+1, 1+2+1 etc.), a clareza que estas novas regras colocam sobre as tão famosas cortinas/bloqueios, permitirão um jogo com mais rupturas, mais aclaramentos e consequentemente com mais situações de perigo junto à baliza adversária e quiçá mais oportunidades de golo.
Independentemente de tudo isto, a forma como defendemos ou atacamos, tenho a certeza que o jogo será mais dinâmico, mais evolutivo a todos os níveis e onde a técnica é “privilegiada”.
Penso também que com estas alterações o treinador terá um papel muito mais importante e fulcral neste processo, uma vez que caberá a si ou a nós precaver e planear tudo isto, bem como realizar o chamado “jogo do gato e do rato” para com a equipa adversária de modo a atingirmos os nossos objectivos. Todos nós treinadores teremos mais margem ainda para dar largas “à nossa imaginação táctica” sobretudo de forma a estarmos preparados para tudo e de forma também a podermos surpreender a equipa adversária.
È necessário também de uma vez por todas, abrirmos mais algumas mentalidades nos treinadores de hóquei em patins e de não termos medo de “colocarmos cá fora” o que sabemos. É pena muitos treinadores saberem tanto sobre a modalidade e “morrerem” com o que sabem.
Todos ficamos a ganhar se existir mais partilha e mais ainda, podemos colocar a modalidade a evoluir mais rapidamente…
Esta minha publicação apenas expressa o meu ponto de vista sobre o que teremos nós treinadores que evoluir ao nível do processo de treino, tendo em conta estas novas alterações às regras de hóquei em patins.
Tenho pena de não ser um daqueles que muito percebe de hóquei em patins, para que pudesse publicar mais textos deste género ou sobre outros assuntos pertinentes.
Humildemente expressei o pouco que sei, na perspectiva de contribuir para algo...»


Opinião pessoal de Helder Antunes

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

GANCHO E CONTRA-GANCHO NO HÓQUEI EM PATINS

Introdução
O jogo de um para um no hóquei em patins, revela-se cada vez mais influente na forma de progressão para a baliza. Uma das acções individuais que possibilita a finta ao defensor é o gancho. Esta acção poderá ainda ser enriquecida, com a chamada de atenção para o movimento contrário, ou seja, o contra-gancho, onde poucos atletas o executam na sua perfeição.
O desenvolvimento e aperfeiçoamento destas duas técnicas irá sem dúvida, proporcionar ao atacante um maior repertório técnico para ultrapassar o defesa. O gancho parece ser a denominação mais ajustada para este movimento, dado que o atleta descreve um movimento com a bola, que muito se assemelha à descrição de um gancho.
Descrição do Gancho
Acção individual onde a bola em contacto com o stick (colada), rente ao piso, é transportada para o lado natural do jogador, ou seja, de um lado do corpo para o outro lado do corpo cuja mão faz a pega do stick em cima, descrevendo uma forma semelhante a um gancho.
A cabeça do gancho é inicialmente descrita com a bola junto ao stick e a acção termina com a descrição da cauda do gancho. É uma acção que visa ultrapassar o adversário e, executada normalmente dentro do raio de acção do opositor.
Durante este artigo surge a noção de face interna e externa da pá do stick. Ela é definida pela mão que agarra o stick em cima. Neste caso da figura é a mão direita que agarra em cima o stick e, a bola está do lado de fora do jogador, assim a bola encontra-se na face externa da pá do stick. E vice-versa.
Diferentes tipos de Gancho
Da análise do gesto podemos encontrar duas formas diferentes de execução do Gancho:
Gancho Externo: a bola inicia a execução da cabeça do gancho, pela face externa da pá do stick e a rotação inicial deste gesto é feita para fora do corpo .
Gancho Interno: a bola inicia a execução do movimento pela face interna da pá do stick e a rotação inicial é feita para dentro, para junto do corpo.
GANCHO EXTERNO
• O movimento inicia-se com a bola no lado do corpo pertencente à mão que agarra o stick em baixo.
• A execução da rotação inicial (a cabeça do gancho), é feita com o stick agarrado com as duas mãos. Esta rotação é um movimento rápido com a bola colada na face externa da pá do stick.
• Bola normalmente transportada de um lado para o outro, terminando o gancho no lado da mão, onde o jogador agarra o stick em cima.
• Durante a execução deste gesto e sensivelmente a meio, há uma mudança do contacto da bola pela pá do stick. Ou seja, a bola vai ser passada da face externa da pá do stick para a face interna da pá do stick. Pode-se terminar o gesto com o stick agarrado com as duas mãos, ou apenas com uma mão (a mão de cima).

GANCHO INTERNO
• O movimento inicia-se com a bola no lado do corpo pertencente à mão que agarra o stick em baixo. Este executa a cabeça do gancho pela face interna da pá do stick.
Início do gancho com as duas mãos no stick.

• A bola vai descrever um gancho mas para dentro do jogador (aproximando-se do corpo do jogador). O transporte para dentro e para fora irá colocar o cotovelo da mão de cima que pega o setique mais elevado.
• Menor contacto com a bola colada ao stick. A mão de apoio começa a largar o stick. A bola é transportada para o lado/trás do patim que se encontra perto, para protecção ao desarme.
• O movimento termina com a recepção da bola na face interna da pá do stick e apenas com a mão de cima a efectuar a pega.

Descrição do contra-gancho
Acção individual onde a bola em contacto com a pá do stick (colada), rente ao piso, é transportada do lado da mão onde o jogador agarra o stick em cima, para o outro lado do corpo do jogador, passando pela frente e, descrevendo uma forma semelhante a um gancho.
• O movimento inicia-se com a bola no lado do corpo pertencente à mão que agarra o stick em cima. O stick é agarrado normalmente com duas mãos mas, também poderá ser agarrado apenas coma mão de cima. A bola inicia o movimento, colada à face interna da pá do stick.

• Sensivelmente a meio do movimento, a bola começa a mudar para a face externa do stick, e aqui, começa a ser fundamental que o stick seja agarrado com duas mãos. A transposição é efectuada com a bola a passar muito próximo do patim do lado da mão que agarra o stick em baixo.

• A bola deverá ser trazida para fora, do lado do corpo contrário ao início do movimento.

Treino
O treino deste gesto, deverá ser trabalhado em todas as idades, contudo ele deverá ser implementado nas etapas iniciais da formação do jovem hoquista, em idades entre 8/9 anos e 11/12 anos.
Nestas idades o treino analítico do gesto e uma maior incidência de exercícios específicos para o gesto, parece ser o melhor momento de consolidação desta aptidão motora.
São muitos os exercícios que podemos utilizar para desenvolver esta acção. Irei descrever dois, mas cada treinador com a sua experiência poderá adoptar os exercícios que mais se ajustam aos seus atletas.
1 – Fila de jogadores com bola atrás do meio campo. O jogador conduz a bola e vai sempre com os patins pelo meio dos pinos. Ao passar junto aos pinos efectua o contra-gancho, passando a bola e a pá do stick pelo lado de fora do primeiro pino.
Depois executa o gancho, na mesma situação (terá que passar com a bola e a pá do stick pelo lado de fora do pino);
continua o deslizamento, e volta novamente a efectuar um contra-gancho e gancho e, depois coloca a bola na baliza (remata).
Os pinos terão de ser de dimensão reduzida, em altura.
2 – Recebe a bola em andamento pelo lado de fora, através da face interna da pá do stick (os direitos);
Quando recebe a bola já está junto ao pino. No pino faz o contra-gancho e logo de seguida coloca a bola na baliza.
Fonte: Artigo Temático, in Associação Nacional de Treinadores de Hóquei em Patins

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

A CLARIVIDÊNCIA E O PRAGMATISMO DA FILOSOFIA DO TREINADOR

A clarividência e o pragmatismo são apenas duas qualidades profissionais sem as quais não se pode obter êxito na actividade de treinador.
A clarividência pressupõe entendimento profundo do fenómeno (situação, acto, questão, objectivo, conjuntura, etc.), e a tomada da mais apropriada decisão (medida) para o melhoramento do mesmo futuro. O pragmatismo destaca-se pela capacidade de escolher sempre soluções úteis (vantajosas, eficientes ou de grande rendimento) para resolver todos os problemas que incubem ao treinador. Da multidão de ideias, convicções, preconceitos implementados na filosofia do treinador, este deve escolher, seleccionar, adaptar, reestruturar e sobretudo modelar aqueles que resolvem eficientemente uma certa situação concreta (real).
A resolução eficiente do trajecto: situação – solução pragmática – resultado final (o melhor possível) fundamenta o conceito de pensamento clarividente e pragmático.
O pragmatismo da filosofia do treinador pressupõe o conhecimento e a aplicação na prática dos factores catalisadores do desenvolvimento (progresso).
Dos vários aspectos genéricos de constituição (consolidação) duma filosofia clarividente pragmática, destacam-se os seguintes aspectos:
- A concepção é uma componente (subsistema) do modelo de jogo que se encontra numa correspondência biunívoca com o modelo de preparação;
- O circuito está aberto para a introdução de novidades (táctica, técnica, ideias e princípios de jogo, equipamento, regulamentação, estratégias e outras informações) e para a propagação da concepção de cima para baixo (internacional, nacional do treinador) e de baixo para cima.
Exemplo: o pressing (procedimento técnico que numa certa altura representava uma novidade), praticado com sucesso por uma equipa durante uma competição, é assumido e adaptado ao específico pelos parceiros de competição ou pelos técnicos presentes na respectiva competição.
No processo de adaptação às disponibilidades de cada equipa em parte, são necessários esforços de reestruturação, modelagem, criatividade, etc., que facilitam a aplicação de novas variantes de pressing nas competições internacionais (o feedback da operação de propagação).

I.A NÍVEL INTERNACIONAL
A concepção de jogo e preparação reúne e sintetiza todas as novidades e informações que surgem no plano internacional. Entre todas estas devem ser assumidas apenas aquelas que se constituem e consolidam em características e tendências de desenvolvimento do jogo em plano internacional. Por outras palavras, é preciso responder às seguintes perguntas:
- O que é novo no jogo e na preparação?
- Qual o comportamento competitivo da equipas e dos jogadores?
- Em que condições se realizam estas performances?
- Quais os “fenómenos-causa” que produzem “os fenómenos-efeito”?
- Quais tendências (características) que são acessíveis para serem extrapoladas na concepção unitária de jogo e preparação em plano nacional?


II.O PLANO NACIONAL
A concepção unitária de jogo e preparação
A elaboração de tal concepção é possível se os especialistas (treinadores, analistas, metodologistas, etc.) de cada jogo desportivo chegarem a uma unidade de pontos de vista relativamente à resposta de duas perguntas distintas, a saber:
Como deve jogar as nossas equipas?
Como se devem preparar as nossas equipas?
A primeira pergunta visa sintetizar um modelo de competição… A táctica de jogo… A concepção unitária de jogo… As características do jogo praticado pelas mais valiosas equipas do mundo… As tendências de desenvolvimento do jogo no plano mundial… A valorização das qualidades fora de série (talento) dos nossos desportistas.
A segunda pergunta tem o fim de estabelecer concretamente o que deve ser adquirido (objectivos de treino) e como devemos preparar os desportistas, as equipas (a estratégia de alcançar os objectivos) a fim de estes ser tornarem competitivos.
III.A CONCEPÇÃO DO TREINADOR
Nem tudo aquilo que um treinador sabe pode ser aplicado na prática. Neste sentido, a “concepção do treinador” será tanto mais eficiente quanto ele melhor souber discernir e escolher ideias de jogo que valorizassem ao máximo as disponibilidades do elemento humano que ele tem à sua disposição. Na aplicação das próprias ideias ele deverá tomar em conta obrigatoriamente as prescrições sugeridas pela federação da especialidade no que respeita a aplicação da concepção unitária de jogo.
O modelo de jogo para a própria equipa é construído (posteriormente corrigido) em função das performances alcançadas pelos jogadores no período anterior (na primeira e segunda mão da temporada).
Caso as circunstâncias e as condições concretas permitirem, o treinador pode visar performances mais altas do que as “esperadas” e estabelecidas mediante os modelos de jogo e preparação.
...
Fonte: Ioan Bota e Dumitru Colibaba-Evulet, “Jogos Desportivos Colectivos – Teoria e Metodologia”, pág.’s 36-41, Horizintes Pedagógicos, Instituto Piaget, 2001

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

O QUE É O JOGO? O QUE SÃO OS JOGOS DESPORTIVOS?

O que é o jogo?
Esta é uma pergunta para a qual não se encontrou resposta durante muito tempo. A maioria das definições considera que o jogo é uma actividade específica à infância ou ao processo de formação e desenvolvimento do ser humano.
Constatou-se que o Homem é um ser lúdico ao longo de toda a sua vida. Desde a infância até à velhice o Homem brinca permanentemente por várias razões (necessidades, propensões, precisões, etc…) interiores e ou exteriores (que impelem para acções diferentes). Neste estádio de conhecimento do fenómeno, numerosos especialistas tentaram responder à pergunta “O que é que é o jogo?”.
No livro “A Terminologia da Educação Física e do Desporto” (1973) as noções de jogo e de jogo desportivo são definidas da seguinte forma:
- O jogo é uma actividade complexa, preponderantemente motriz e emocional, desenvolvida espontaneamente segundo regras preestabelecidas, com fim recreativo, desportivo e ao mesmo tempo de adaptação à realidade social.
- O jogo desportivo é um conjunto de exercícios físicos praticados sob a forma de jogo com um certo objecto (bola, disco, etc.) de dimensões diferentes, mediante o qual duas equipas ou dois adversários competem entre eles sob certas regras de organização e desenvolvimento.

O que são os jogos desportivos?
- Definição:
Segundo E. Bayer (1987) a definição da noção de jogo desportivo tem em consideração 3 elementos distintos:
1 - Actividade do jogador;
2 - Ideia do jogo;
3 - Regulamento do jogo.
1 - A actividade do jogador pode ser apresentada, acompanhando com atenção “o que faz?” e “como se comporta” um desportista durante um jogo.
2 - Ideia do jogo e o conjunto de princípios (regras) subordinados precisam das mais racionais formas ou modalidades de acção dos jogadores (equipa), com vista à obtenção do melhor resultado possível. A ideia de jogo surge, primeiro, no momento da aparição do jogo e, depois, quando do encontro dos melhores procedimentos de realizar o objectivo que se propõe cada jogo.
3 - Regulamento do jogo é o acto normativo, elaborado oficialmente para cada modalidade desportiva. Ele estipula todos os pormenores necessários quanto à organização e desenrolar do jogo. Simultaneamente, ele é o documento através do qual se regulamenta o comportamento dos desportistas (equipa), dos treinadores e de todas as pessoas que ajudam ou participam no devido desenvolvimento da competição. A dependência de regras ou a observância das mesmas é já um fenómeno social que regulamenta a “liberdade” dos jogadores.
- Características:
Os jogos desportivos têm a sua origem nos exercícios de competição /em geral) e nos jogos de movimento (em particular) a que foi incutido um pronunciado carácter desportivo. Da lista das características dos jogos desportivos elaborada por L. Teodorescu (1975) as principais características são:
- Existência de um objecto de jogo;
- Carácter de competição completo;
- Regras de jogo unitárias;
- Arbitragem oficial neutra;
- Delimitação da duração de jogo;
- Estabelecimento dos critérios de avaliação;
- Standartização do inventário do jogo, aparelhagem e dimensões;
- Técnica e táctica características para cada jogo desportivo;
- Sistema competitivo bem determinado;
- Beleza do espectáculo desportivo;
- Estrutura motora particular para cada jogo desportivo;
- Gestão desportiva específica;
- Teoria e metodologia geral válidas para todos os jogos desportivos e específicas para cada jogo desportivo;
- Implementação da pesquisa científica;
- Utilização na actividade de lazer;
- Lançamento do conceito metódico de preparação pelo jogo ou “o método lúdico” que entram em correlação com os métodos clássicos de treino.
- Sistematização dos jogos desportivos segundo o critério da associação das regras de jogo: (H. Dobler tem em consideração 4 critérios)
1- Jogos desportivos com alvos; (Exemplo: Futebol, Andebol, etc…)1.1- Com contacto corporal admitido;
1.2- Sem contacto corporal;
2- Jogos com retorno; (Exemplo: Voleibol, Ténis, Badmington, etc…)
2.1- Individual e pares;
2.2- Por equipas de três.
3- Jogos com batida da bola; (Exemplo: Basebol, Basquetebol, etc…)
4- Jogos de envio da bola ao alvo por percursão, impulso e batida; (Exemplo: Bilhar, Criquete, Boccia, etc…)
Fonte: Ioan Bota e Dumitru Colibaba-Evulet, in "Jogos Desportivos Colectivos - Teoria e Metodologia", Edições Piaget, 2001

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

FADIGA, RECUPERAÇÃO E ADAPTAÇÃO

FADIGA
É incapacidade de manter determinada intensidade do exercício, impondo a diminuição da capacidade de rendimento.A fadiga é um potente factor de mobilização das reservas funcionais e neste sentido um potente factor de adaptação. Contudo é limitadora do volume de trabalho no treino e da frequência de participação nas actividade de competição.
Fadiga Evidente: manifesta-se pela redução da capacidade de trabalho e pela incapacidade de suportar o regime de treino num determinado nível.
Fadiga Latente: corresponde à manutenção da capacidade de trabalho por apelo cada vez mais forte das reservas dos sistemas funcionais solicitados.
Causas da fadiga muscular
Causas Periféricas: (originadas no tecido muscular):
- perda da homeostase celular;
- falência da actividade da actomiosina ATPase;
- excesso de lactato.. Causas Centrais: (originadas no tecido nervoso):
- diminuição da acetil-colina libertada na placa motora;
- diminuição da excitabilidade dos motoneurónios.
Factores condicionantes do aparecimento da fadiga:
- Intensidade do exercício;
- Temperatura elevada;
- Grau de humidade;
- Pressão parcial de oxigénio atmosférico (rarefacção);
- Nível de treino;- Tipo de alimentação (hipoglicémica);
- Ingestão de medicamentos;
- Condições psicológicas (estado de depressão, ansiedade…).
Indicadores de manifestação da fadiga:
- Declínio da velocidade máxima;
- Redução dos valores máximos de força;
- Aparecimento de tremores musculares;
- Abaixamento da eficácia de regulação das funções.
- Aumento do nº de erros por perturbações na coordenação motora;
- Incapacidade de criar e assimilar novos automatismos;
RECUPERAÇÃO
Após uma carga, o organismo reage em 4 etapas:
1) Diminuição das capacidades;
2) Restauração das capacidades;
3) Supercompensação;
4) Estabilização num nível próximo do inicial.
As reacções dos sistemas funcionais a uma carga processam-se em 2 fases:
1) Fase de retorno à homeostasia (repouso e alimentação);
2) Fase construtiva (organizam-se alterações funcionais e estruturais ao nível dos tecidos e dos sistemas funcionais solicitados).
O período de recuperação pode ser:
- Passivo: repouso absoluto.
- Activo: actividades de baixa intensidade (ex: corrida contínua).
Meios auxiliares da recuperação
Meios médico-biológicos: recorre-se sobretudo a fármacos (creatina, cafeína, antioxidantes… Existem ainda outros meios nomeadamente sauna, crioterapia, oxigenoterapia, massagens, raios ultravioleta…
Meios de ordem mental: técnicas de relaxação para a tensão psíquica e muscular…
Meios de ordem organizacional: tem a ver com a planificação do trabalho e organização dos treinos e dos exercícios (horários, alternância de conteúdos, repouso activo…).
Repouso.
Nutrição: dietas ricas em hidratos de carbono e hidratação. Cada sistema funcional possui uma velocidade de recuperação própria (heterocronismo da recuperação). A recuperação processa-se de forma temporalmente distinta.
ADAPTAÇÃO
A adaptação é a reacção natural do organismo quando as cargas de treino são aplicadas regular, metódica e sistematicamente.Cria-se um novo estado de equilíbrio qualitativamente superior, com as condições favoráveis ao aumento do rendimento desportivo dos praticantes e das equipas.
Adaptação Rápida (Aguda)
É a adaptação que se gera no organismo imediatamente após a aplicação de umacarga. As reacções são do tipo:
- Aumento da FC;
- Aumento do débito ventilatório;
- Aumento do lactato no plasma sanguíneo.
Adaptação a Longo Termo (Crónica)
Caracteriza-se pelas modificações estruturais dos orgãos e sistemas, como também pelo aumento da eficácia dos sistemas funcionais e pela sua coordenação.
Resulta de sucessivos momentos de adaptação aguda (efeito acumulado das cargas) e é condição para a elevação da capacidade de rendimento.
As reacções são do tipo:
- Diminuição da FC e débito ventilatório em repouso;
- Aumento das reservas de glicogénio e do nº de mitocôndrias;
- Hipertrofia muscular;
- Prolongamento do stedy-state.
As reacções de Adaptação Rápida dependem:
- da duração e intensidade da carga;
- das características do indivíduo;
- do grau de treino do indivíduo.
Fases da Adaptação Rápida:
1) Activação dos sistemas funcionais (aumento da FC, do débito ventilatório, consumo de O2, da concentração de lactato…);
2) Estabilidade na actividade dos sistemas funcionais, mantendo-se a níveis constantes;
3) Desaparecimento progressivo do equilíbrio entre as necessidades ligadas à actividade e a capacidade do organismo em satisfaze-las (fadiga do SNC, esgotamento das reservas energéticas…).
Fases da Adaptação a Longo Termo:
1) Repetição das cargas, que se destinam a solicitar continuamente os mecanismos de adaptação aguda;
2) Repetição planificada das cargas e seu aumento progressivo, determina a adaptação dos orgãos e sistemas às novas condições de funcionamento;
3) Estabilização, o que implica uma boa coordenação entre os sistemas de execução e os orgãos funcionais que lhes servem de suporte, assegurando o aumento das reservas funcionais;
4) Surge quando o treino é demasiado forte e conduzido de forma não racional, desrespeitando os períodos de recuperação (Estado Sobretreino).
A manutenção da capacidade de trabalho requer determinada quantidade de estímulos (carga). O doseamento dessa carga é fundamental na dinâmica da adaptação:
- o abaixamento da carga abaixo de certos limites conduz à diminuição da cap. funcional ->Processo de Desadaptação
- o incremento racional da carga conduz a aumento progressivos da cap. funcional ->Processo de Adaptação Positiva
- o incremento exagerado da carga conduz a situações de insuficiência funcional relativa -> Processo de Transadaptação
A dinâmica da adaptação também depende das reservas funcionais. Estas quantificam-se através da relação entre o nível de actividade mensurada em repouso e o seu nível maximal em determinado momento.
Fonte: Mestre Luís Miguel Oliveira, in Curso de Educação Física, Saúde e Desporto "TEORIA DO TREINO DESPORTIVO", Instituto Superior de Ciências da Saúde do NORTE, 2005/2006.