domingo, 31 de agosto de 2008

GERIR CONFLITOS

"Perito é aquele que não comete os erros mais comuns da sua profissão."
Michel Crozier
Conflitos são divergências vividas sob a forma de oposição de interesses, sentimentos ou pontos de vista.
Porque são Inevitáveis
Os conflitos são inevitáveis e perpétuos. As equipas não podem fugir a três das condições que estão na sua origem:
Recursos insuficientes para satisfazer todos;
Uma rede de comunicação interpessoal;
Acesso desigual aos recursos devido às diferenças de poder.
As divergências dão origem a conflitos quando são vividas como disputa de interesses antagónicos. É fundamental os treinadores saberem enfrentar bem as situações de conflito porque:
A deficiente resolução dos conflitos fragiliza o rendimento da equipa e pode pôr em causa a sua unidade;
Se bem resolvidos os conflitos criam de novo a confiança nas pessoas, estreitam as relações, criam condições funcionais para manter/aumentar os "bons resultados".
De que são Sintoma
Os conflitos não são bons, nem maus. Os conflitos são sintomas de insatisfação e/ ou de ignorância sobre o que é melhor para as partes. Os conflitos criam oportunidades de aprendizagem colectiva sobre como se pode:
Retirar mais prazer de trabalhar em conjunto/equipa;
Organizar melhor as actividades para aumentar os "bons resultados".
Os conflitos solicitam a criação de condições para serem geridos com facilidade. Como princípio orientador são desejáveis "mais conflitos pequenos e parciais de abordagem imediata e regular".
Evitar conflitos grandes e globais de abordagem adiada e ocasional.
Negociar o Conflito
A abordagem negocial dos conflitos pode ser feita através de três estratégias:
Distributiva ou de competição, em que os ganhos de uma parte e fazem à custa das perdas das outras, podendo perder todas as partes;
Integrativa ou de conciliação de interesses, em que todas as partes obtêm aquilo que pretendem, mesmo que umas ganhem mais que as outras;
Mistas ou cruzadas, em que, num primeiro momento, se pratica uma das estratégias anteriores, desejavelmente a integrativa, e, num segundo momento se evolui para a outra estratégia.
Não dê realce a discordâncias irrelevantes para a vida da equipa.
Fonte: Adaptado de Ficha Técnica PRONACI “Chegar ao Acordo - A oportunidade de ter conflitos” Camilo Valverde e Rui LourençoPRONACI - Programa Nacional de Formação de Chefias Intermédias AEP - Associação Empresarial de Portugal - Janeiro de 2000

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O CONHECIMENTO DO ATLETA

Na perspectiva de obter um melhor conhecimento do atleta é necessário conhecer, a seguir à sua "história", o seu "perfil psicológico".
Para o conseguir é necessária a colaboração de técnicos de psicologia, ou o treinador (equipa técnica) possuir conhecimentos para tal.
O "Perfil" compõe-se de um conjunto de testes e de provas (uma "bateria") destinados a avaliar algumas características psicológicas com maior importância ou influência na prática desportiva.
A escolha dos testes e provas pode variar segundo países, as linhas de investigação e estudo ou os meios disponíveis. No nosso país, desde 1978, o perfil estudado tem-se mantido o mesmo (ver ponto A).
O treinador e o psicólogo colaboram. O psicólogo interpreta os resultados e comunica-os ao treinador.
A confidencialidade deve ser total. Os resultados servem para o treinador conhecer e compreender melhor o atleta, adoptando assim o seu trabalho, visando um melhor rendimento, melhor equilíbrio e bem-estar.
A - As provas normalmente utilizadas são as seguintes:
  • Teste Raven PM 38 (factor G) - que permite obter o conhecimento de factores e capacidades intelectuais importantes.
  • B.A.T.P. de Toulouse-Pieron - que permite avaliar as capacidades de atenção, de concentração e complementarmente da resistência à fadiga nestes factores.
  • Teste de percepção visual (THURSTONE) - que avalia a velocidade da percepção visual.
  • Teste de memória auditiva A e B.
  • Teste de memória visual.
  • Teste de personalidade, (CATTELL 16 P.F.) - que permite conhecer os principais traços da personalidade.

A este conjunto (ou "bateria") podem ainda juntar-se provas laboratoriais psicomotoras ou de controle emocional, consoante os objectivos e o equipamento disponível. No seu conjunto, estas provas podem realizar-se num laboratório de psicologia e são de aplicação colectiva, ou seja, uma equipa pode realizá-las simultaneamente.
No nosso país muitas equipas e selecções de elevado nível têm sido estudadas através deste "PERFIL".

B - Observação

Um complemento muito útil para o conhecimento psicológico do atleta é a observação do seu comportamento nos treinos e nas competições. A observação é complexa e requer um especialista, uma vez que o treinador não pode orientar o treino e observar com rigor ao mesmo tempo.
Por isso, podemos recorrer a formas simplificadas, com base em "listas" de atitudes e comportamentos, de notação simples, acrescentando outros itens ou factores que a experiência do treinador julga serem importantes, exemplo relativamente ao treino:

Pontualidade - sim/não
Equipamento correcto - sim/não
Atenção constante - sim/não
Boa compreensão da informação - sim/não
Execução rápida - sim/não
Execução correcta - sim/não
Energia/Dinamismo - sim/não
Cooperação com os colegas - sim/não
Aceitação de críticas - sim/não
Capacidade para treinar só................. etc.

Ao anotar estas "listas" simples, podemos conhecer objectivamente o comportamento dos atletas, compará-los entre si e, sobretudo, conhecer os pontos a melhorar. Podemos também verificar, pela repetição das observações com a mesma lista e o mesmo atleta, quais as melhorias verificadas.
A observação pode ainda ser feita de muitas outras formas. Uma dessas formas e talvez uma das mais utilizadas é através do video e visualização da imagens captadas...
Depois de tudo o que foi exposto, nós treinadores temos os mínimos para fazer o exame crítico aos nossos atletas e caracterizar cada um deles, ponto por ponto.

Fonte: António Paula Brito, in "Revista Training n.º 9"

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

CORRIDA DE RESISTÊNCIA - ALGUNS EXERCÍCIOS

EXERCÍCIO N.º 1
Colocar várias bolas junto à linha de fundo do campo. Ao sinal do treinador, os três atletas saem a correr até às bolas, apanham uma de cada vez, colocando-as sobre a linha de partida. Vence quem conseguir apanhar mais bolas. Duração: 5 vezes cada atleta.
EXERCÍCIO N.º 2
Divide-se a equipa em dois grupos e enquanto um grupo corre o máximo de voltas ao campo delimitado durante 10 minutos, o outro grupo realiza salto à corda (Salta 1 minuto à corda na máxima velocidade e faz 1 minuto de recuperação/descanso). Após 10 minutos os grupos trocam de funções.

EXERCÍCIO N.º 3

Divide-se a equipa em quatro grupos. Os grupos correm lentamente à volta do campo, excepto um grupo. O grupo 1 corre rápido até ao grupo 2 e abranda a passada, seguidamente o grupo 2 faz o mesmo até encontrar o grupo 3 e assim sucessivamente. Duração: 15 minutos.

EXERCÍCIO N.º 4

À volta de um campo de atletismo, ou de um campo de futebol, ou de um campo bem delimitado pelo treinador, os atletas tentam dar o maior número possível de voltas ao mesmo, num período de 12 minutos.

EXERCÍCIO N.º 5

Os altetas deverão correr durante 15 minutos à volta do campo. A cada três minutos o treinador determina que os atletas deverão aumentar a velocidade durante 10 segundos (sprint).


FONTE: Pedro Antonio da Silva, in 3000 Exercícios e Jogos para Educação Física, Edições Sprint, Vol. 3 , 2003

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

AS RESPONSABILIDADES DO TREINADOR DE JOVENS

As crianças e jovens encontram-se, à face da lei, integrados na escolaridade obrigatória pressupondo-se, portanto, que seja esta a sua actividade social dominante. Por isso, a sua participação na prática desportiva não pode deixar de regular-se por objectivos de ordem educativa e formativa que contribuam para o seu desenvolvimento físico, motor, social e emocional e em que se promova, também, a aquisição dos valores e comportamentos caracterizadores do "saber ser" (auto-disciplina, auto-controlo, perseverança, humildade) e do "saber estar" (civismo, companheirismo, respeito mútuo, lealdade). Por outro lado a Especialização e o Alto Rendimento carecem de alicerces consistentes cuja construção, a longo prazo, começa na etapa da Iniciação Desportiva sendo, neste sentido, essencial que o Treinador:
- proporcione às crianças e jovens a vivência de experiências agradáveis e entusiasmantes que, desenvolvendo o gosto pela prática, influenciem a sua adesão e futura permanência no desporto;
- utilize, no desporto infantil e juvenil, modelos de preparação que valorizem a preparação geral e multilateral, orientada para a aquisição de um vocabulário motor alargado, para a formação das capacidades motoras e para o ensino das técnicas básicas de uma ou várias modalidades;
- compreenda que a continuidade dos jovens praticantes no Sistema Desportivo depende, em grande parte, da natureza e tipo da exercitação seleccionada, da organização e direcção do processo de ensino e do estilo de intervenção e relacionamento desenvolvidos no treino e na competição.
O Treinador de jovens desempenha assim um papel central na promoção de uma maior adesão e de um menor abandono dos praticantes, assumindo a responsabilidade de, desde o início, desenvolver nestes o gosto pela aprendizagem e pelo aperfeiçoamento, factores determinantes, a longo prazo, do progresso qualitativo. Ao mesmo tempo cabe-lhe a obrigação de assumir e pôr em prática uma ideia fundamental: que o Desporto, enquanto instrumento de valorização das crianças e jovens que nele participam, deve harmonizar-se com as outras actividades do seu quotidiano, nomeadamente a actividade escolar e os compromissos familiares. E recai, ainda, sobre o Treinador de jovens a responsabilidade, pela forma como organiza e supervisiona as actividades e interage com os praticantes, de concretizar o elevado potencial formativo e educativo que, reconhecidamente, a prática desportiva encerra.
O Treinador, pela sua conduta e exemplo, exerce sobre as crianças e jovens uma forte influência, quer do ponto de vista do seu desenvolvimento pessoal quer da formação desportiva propriamente dita, sendo que muitas das atitudes e comportamentos que no futuro irão manifestar quer como praticantes, técnicos ou dirigentes, quer ainda como simples cidadãos, resultam do tipo de vivências e aprendizagens que experimentaram nas etapas de Iniciação e Orientação desportivas.
Neste contexto, o Treinador não pode deixar de ser um agente promotor de valores e atitudes dignificadoras do praticante e da prática desportiva fomentando neles as normas essenciais do espírito desportivo:
- respeitar e cumprir os regulamentos e as decisões dos juízes;- reconhecer com naturalidade a superioridade dos opositores e aceitar os resultados das competições;
- ser comedido nas suas manifestações, no caso de vitória, evitando humilhar ou diminuir os adversários. Estes, essenciais à realização da competição, em caso algum podem ser vistos como "inimigos";
- cultivar a honestidade e lealdade nos treinos e competições.
Enquanto exemplo e modelo o Treinador deve ainda transmitir, porque as pratica, as atitudes e comportamentos essenciais à aprendizagem e ao progresso:
- assiduidade e pontualidade;
- gosto de aprender, saber fazer e fazer bem;
- participação disciplinada nos treinos e competições;
- empenho e persistência.
Ao Treinador de jovens cabe, num sentido amplo, desde as primeiras sessões de preparação, proporcionar as condições de formação e progresso dos praticantes:
- contribuindo para promover o desenvolvimento e formação geral das crianças e jovens em todas as suas dimensões, com particular destaque para o desenvolvimento físico e corporal equilibrado e harmonioso;
- despertando o gosto e entusiasmo pela actividade física, pelo desporto em geral e por uma modalidade em particular, que não só potencie uma eventual carreira desportiva, mas que também promova, nas crianças e jovens que não venham a ser atletas, o hábito do exercício e dos estilos de vida activos e saudáveis;
- promovendo a aprendizagem e o aperfeiçoamento das técnicas básicas de uma ou várias modalidades.
A assunção destas responsabilidades objectivam-se principalmente nas opções metodológicas e no estilo de intervenção e relacionamento estabelecidos pelo treinador. No que respeita às opções metodológicas estas, para serem adequadas ao desporto infantil e juvenil, devem garantir que o treino e a competição se integram numa perspectiva de preparação a longo prazo e que a preparação geral e multilateral e a indispensável ênfase no ensino e aperfeiçoamento das técnicas fundamentais são devidamente consideradas, desviando-se, deste modo, da tendência para a especialização precoce. Quanto ao estilo de intervenção e relacionamento, o Treinador de jovens deve exibir uma atitude serena e paciente face aos erros e dificuldades de aprendizagem dos praticantes. Estes procedimentos dependem, obviamente, do conhecimento dos argumentos que os justificam, mas a sua aplicação depende, em elevado grau, das convicções do treinador, a que pais e dirigentes não devem ser personagens alheias.
Neste sentido, uma atitude correcta do Treinador de Jovens deve construir-se em torno de três vertentes:
- evitar que a participação nas competições se transforme numa questão de afirmação pessoal, colocando os seus interesses à frente dos interesses e necessidades dos praticantes;
- valorizar, em convergência com os grandes objectivos do Desporto Juvenil, a aprendizagem e o desenvolvimento dos praticantes, relativizando a importância do resultado das competições;
- ter presente que as dificuldades de aprendizagem e os percursos diferenciados dos praticantes têm, em geral, justificação nas características do processo de desenvolvimento biológico.
Em resumo ser Treinador de jovens não se reduz apenas a intervir no ensino e aperfeiçoamento dos aspectos técnicos, tácticos, físicos e regulamentares de uma modalidade desportiva, mas envolve também, obrigatoriamente, a transmissão de atitudes, hábitos de trabalho e regras de comportamento e convivência que valorizem o jovem não só como praticante mas, simultâneamente, como indivíduo e cidadão. E importa destacar que as responsabilidades do Treinador de jovens não se esgotam nas suas intervenções junto dos praticantes, no treino e na competição, mas também é indispensável que se projectem para os pais, os dirigentes e demais intervenientes no Desporto infanto/juvenil.
FONTE: Jovens no Desporto, Um pódio para todos, Edição do Insituto do Desporto de Portugal, Novembro de 2005, n.º 6, tiragem quadrimestral.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

terça-feira, 19 de agosto de 2008

BEM-VINDOS AO "THP" - TREINADORES DE HÓQUEI EM PATINS

Bem-Vindo(a),
Este blog surge apenas para continuar o projecto do blog hptreinadores (http://hptreinadores.blogspot.com).
Apenas mudamos a nossa morada com o propósito único de ter um blog com mais funcionalidades, visto tal não ser possível com o anterior blog.
tinhamos esta ideia em mente há já alguns meses, mas optámos por esta alteração nesta altura, de forma a coincidir com o início desta nova temporada desportiva.
O treinadoreshp continuará as suas postagens dentro dos mesmos parâmetros que o fazia em hptreinadores, apostando sempre na qualidade e não na quantidade e tal como sempre continua aberto a todas as opiniões.
O treinadoreshp surge agora também com um fórum on-line, mas desde já ressalvamos que o mesmo estará em período experimental e que se não existirem comentários, ou se os mesmos forem ofensivos e sem educação, uma vez que há pessoas capazes de tudo, prontamente será eliminado o fórum. Ele apenas deve servir para debates sobre hóquei em patins, para opiniões, para sugestões e para criticas fundamentadas e se possível construtivas.
Damos também a possibilidade aos leitores de descarregarem on-line alguns documentos iremos tendo na box do nosso blog.
Temos também um espaço destinado aos treinadores de hóquei em patins sem clube, onde podem enviarem-nos os dados pessoais e depois de validados serão postados no blog.
O nosso anterior grupo do hi5 "blogue hptreinadores" já foi alterado e a partir de hoje passa a ser "blog treinadoreshp", mantendo todos os anteriores membros e à espera de muitos mais novos membros. Esperamos que se juntem a nós com o objectivo de na presente época conseguir levar de 22 para 100 o número de membros do nosso grupo no hi5.
Esperamos que seja do agrado de todos esta alteração e que possamos ainda ter mais leitores do que até então.
Desde já pedimos também a colaboração de todos para que nos ajudem a divulgar este novo espaço.
Bem-Haja a todos,
Administrador treinadoreshp