quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ENTREVISTA A FÁBIO NÉLSON PEREIRA

Nome: Fábio Nélson Pereira
Clube: Club Patín Alhambra Cájar – Espanha / Associação Desportiva de Oeiras
Idade: 27 anos
Funções no clube: Coordenador Técnico, treinador Juniores e Seniores
Naturalidade: Portuguesa
Treinador de Nível 1



"O que vejo aqui é que abrem escolas de patinagem e só posteriormente abordam o hóquei em patins. Na Catalunha, quase todos os clubes têm mais de duas equipas por cada categoria..."
THP - Certamente já estás a par das novas regras da modalidade. O que pensas sobre as novas regras do hóquei em patins? Há alguns pontos que não deveriam ser mudados? Ou que outras regras seriam preciso mudar?

FNP - Estive já a ler algumas coisas sobre as novas regras. A meu ver, a FIRS deveria dedicar-se mais a incentivar o crescimento do hóquei em termos mundiais. Tudo o que seja aumentar a espectacularidade da modalidade que por si só já é bela, parece-me bem. Há que aumentar o nível técnico dos praticantes fomentando o aparecimento de Livramentos e Panchitos, e parece-me que as novas regras procuram o “joga bonito” com a inclusão do Power Play, e dos livres directos à 10ª falta e depois a cada 5. Contudo, o mudar de regras não fazem sentido se não há um plano de acção global de marketing e publicidade para a modalidade.

THP - Quais são as grandes diferenças que notas entre o hóquei português e o hóquei espanhol?

FNP - Noto grandes diferenças entre o hóquei português e o espanhol, a vários níveis, não só a nível técnico-táctico mas também ao nível de mentalidade de jogo.
O hóquei espanhol é tacticamente muito mais rico que o nosso. Posso dizer que jogam mais com a cabeça e nós com o coração. Aqui em Espanha há uma consciência de equipa tanto atacando como defendendo. Buscam mais a posse de bola, “estudam”mais os adversários e os companheiros. Jogam a “observar” as situações de jogo buscando sempre a segurança e a tranquilidade na realização das demais acções. Zelam pelo ataque organizado. As sessões de treino são maioritariamente tácticas com o intuito de ensaiar jogadas, livres e movimentações em geral.


THP - E ao nível da formação? Achas que há grandes diferenças entre os dois países?

FNP - Ao nível da formação as diferenças são muito grandes, muito derivado à mentalidade que têm. Aqui são mais pró-activos em quase tudo que fazem, tornando mais fácil o que querem fazer. Atrevo-me a dizer que nós em Portugal “complicamos” um pouco porque hoje em dia ninguém quer treinar numa pista ao ar livre por exemplo, e aqui em Espanha sim (tal como acontece na Suiça e Itália onde treinam mesmo em dias de chuva). O que vejo aqui é que abrem escolas de patinagem e só posteriormente abordam o hóquei em patins. Na Catalunha, quase todos os clubes têm mais de duas equipas por cada categoria…
No entanto, estou a fazer um estudo exactamente sobre esta temática e espero poder publicá-lo já em 2009.

THP - Se pudesses tomar decisões, o que mudarias no hóquei em patins?

FNP - Na minha opinião, o hóquei em patins é uma modalidade desportiva espectacular que por si só chama a atenção das pessoas e principalmente das crianças e como tal, mais que mudar seria acrescentar. Não vejo que a mudança das regras seja uma medida imperativa visto que há coisas muito mais importantes que fazer. Na minha opinião, há que formar uma mentalidade mais dinâmica dos órgãos directivos e dos amantes para publicitar a modalidade. É de extrema importância que comecemos a mostrar o hóquei às pessoas, não só em termos televisivos mas também na prensa (como é no caso da Itália que o número de adeptos e simpatizantes está a aumentar muito devido à publicidade (RAI SPORT, Prensa em geral)). Levar o hóquei à rua, tomar medidas para que os pavilhões se encham, fomentar estudos sobre a modalidade, estimular o aparecimento de novos clubes (que a meu ver, isso seria uma consequência do aumento de adeptos), incentivar o hóquei nos demais países, etc.

THP - Ao nível do conhecimento e do relacionamento, achas que os treinadores espanhóis são diferentes dos portugueses, ou não? Quais as principais diferenças que apontas entre ambos?

FNP - Vejo diferenças entre os treinadores portugueses e espanhóis. Devo dizer que os espanhóis são mais pacientes e mais preocupados com os aspectos tácticos. Por outro lado, em Portugal preocupam-se mais como treino físico…

THP - Como está a Espanha organizada ao nível dos quadros competitivos nas várias divisões?

FNP - Nós em Portugal estamos melhor organizados (quiçá mais responsáveis) que aqui em Espanha. Os campeonatos espanhóis estão organizados da seguinte maneira:
2 divisões nacionais – Ok Liga e 1ªdivisión nacional (ou división de honor)
Várias divisões regionais – 1ª, 2ª e 3ª “Nacional Catalana”; 1ª, 2ª e 3ª Liga Norte(Galiza, Astúrias, Pais Vasco e Castela); Liga Sur (Andaluzia, Extremadura, Madrid, Múrcia e comunidade Valenciana). Porém, há equipas que muitas vezes não querem disputar estes campeonatos, normalmente por problemas económicos e como tal há uma liga interna de Madrid e outra de Valência e Alicante.

THP - Os guarda-redes espanhóis por norma são muito mais "trabalhados" que os nossos e quase sempre em todas as selecções a Espanha apresenta grandes guarda-redes. Concordas? Como é o trabalho dos guarda-redes em Espanha?

FNP - Os factos não me deixam discordar que Espanha forma guarda-redes de um nível extraordinário e efectivamente o guarda-redes não é um “jogador esquecido”. Desde pequenos que treinam aspectos como agilidade, posicionamento, técnica específica…

THP - Ao nível táctico, como notas que as equipas espanholas gostam mais de jogar, quer a nível defensivo, quer a nível ofensivo?

FNP - Nível defensivo: Sistema táctico defensivo com marcação individual com trocas
Nível ofensivo: Ataque organizado.

THP - É difícil a adaptação de um treinador ou de um jogador a Espanha? Como são vistos e tratados aí os treinadores e jogadores estrangeiros?

FNP - A adaptação de um jogador português aqui em Espanha não é nada fácil pois a maneira de jogar é muito diferente. Por norma, gostamos de jogar em velocidade e somos em geral “pouco pacientes”, e visto que é um jogo muito mais táctico (que eu costumo dizer, mastigado), torna-se mais aborrecido para um português. Qualquer jogador que venha para aqui tem que aprender com humildade a mudar sua mentalidade para poder adaptar-se.
Os jogadores estrangeiros são muito bem recebidos e por isso jogam muitos argentinos, chilenos, brasileiros…

THP - És leitor do nosso blogue? Qual a tua opinião acerca dele.

FNP - Com certeza que sou leitor do blogue ao qual acedo todos os dias.
THP - Obrigado Fábio pela tua entrevista e por nos dares a conhecer melhor como estão os Espanhóis organizados no hóquei em patins.

sábado, 22 de novembro de 2008

FLEXIBILIDADE





DEFINIÇÃO
É a capacidade de realizar movimentos de grande amplitude em torno de uma articulação, por intermédio de uma contracção muscular voluntária ou por acção de forças externas. (Harre, 1976 cit. Weineck, 1986).
IMPORTÂNCIA DO TREINO DA FLEXIBILIDADE (Alter, 1988)
. Prevenção de lesões e reabilitação;
. Melhoria da qualidade e economia de execução dos movimentos;
. Relaxamento da tensão e do stress (estados emocionais negativos);
. Relaxação e alívio das dores musculares;
. Auto-disciplina e auto-controlo (melhor conhecimento dos limites individuais);
. Melhoria da forma física (postura e simetria).
UM DEFICIENTE GRAU DE FLEXIBILIDADE (Harre, 1976)
. Dificulta ou impede a aprendizagem;
. Pode favorecer o aparecimento de lesões;
. Dificulta o desenvolvimento de outras capacidades;
. Limita a amplitude do movimento;
. Limita a velocidade de execução;
. Diminui a qualidade de execução.
FACTORES CONDICIONANTES DAFLEXIBILIDADE
Ao nível ósteo-articular
Toda a estrutura ósteo-articular adapta-se às condições mecânicas que lhe são impostas pela actividade muscular. A ausência de actividade devido à imobilização prolongada determina um bloqueio progressivo da articulação.
- Superfícies articulares: cada articulação tem características mecânicas específicas que determinam o maior ou menor grau de mobilidade (amplitude), a direcção e a trajectória do movimento (ex: articulação do cotovelo vs punho).
- Cartilagens: as cartilagens facilitam o funcionamento articular, permitindo um melhor ajustamento das superfícies de contacto e diminuindo as forças de atrito, impedindo o seu desgaste por fricção, simultaneamente amortece os choques sofridos ao nível da articulação.
- Cápsulas e ligamentos: sãos meios de união das articulações. A cápsula é constituída por tecido fibroso extensível oferecendo uma resistência passiva às forças que se exercem ao nível da articulação. Os ligamentos são geralmente pouco extensíveis, limitam a deslocação dos segmentos, mantendo as superfícies da articulação em contacto.
Ao nível muscular
As propriedades de extensibilidade e elasticidade muscular desempenham um papel determinante na flexibilidade.
- Extensibilidade muscular: a capacidade de extensão dos músculos é facilmente melhorável através do desenvolvimento da sua capacidade de relaxamento e diminuição do tónus muscular. É fundamental na protecção do músculo nas contracções bruscas do seu antagonista.
- Elasticidade muscular: a fibra muscular tem a capacidade de se deformar (alongar) por acção de uma força externa e retomar a forma inicial quando cessa essa força (Elasticidade). O treino contínuo de extensibilidade leva ao aumento da elasticidade muscular.
Ao nível neuromuscular
Qualquer mobilização segmentar é também condicionada pelas características do equipamento motor e sensorial do músculo.
- Fusos neuromusculares (FNM): são sensíveis ao alongamento. Quando o músculo se alonga o FNM também se alonga enviando impulsos de retorno à medula. De imediato, surge a ordem de contracção do músculo estirado (reflexo miotático) e impulsos inibidores (relaxação) para os antagonistas.
- Orgãos tendinosos de Golgi (OTG): estão localizados no tendão junto da terminação das fibras nervosas e são sensíveis ao estiramento (activo/passivo). São responsáveis pelo reflexo miotático inverso, i. é., em contracções fortes, os OTG enviam essa informação à medula, o que leva à inibição dos motoneurónios dos músculos agonistas e excitação dos motoneurónios dos músculos antagonistas
- Receptores articulares: são responsáveis pela informação relativa à posição das articulações, velocidade e amplitude do movimento. São de extrema importância na prevenção e protecção de eventuais lesões.
Outros factores condicionantes
- Factores externos: por exemplo, de manhã a flexibilidade está muito abaixo dos valores normais, sob o efeito do aquecimento atinge valores mais elevados.
- Idade: apesar de não haver muito consenso, supõe-se que os níveis de flexibilidade aumentam ao longo da escolaridade. Com a adolescência tendem a estabilizar para então começarem a diminuir. A treinabilidade varia com a idade e o período crítico para o seu desenvolvimento é entre os 7 – 11 anos, e os valores mais altos aparecem por volta dos 15 anos.
- Sexo: de uma forma geral a mulher apresenta níveis de flexibilidade superiores ao homem, devido a diferenças anatómicas (em especial ao nível da cintura pélvica) e hormonais (maior retenção de água; maior % de tecido adiposo; e menor quantidade de massa muscular o que torna os tecidos menos densos).
- Temperatura muscular: o aquecimento prévio determina uma melhor irrigação sanguínea das fibras musculares (aumento da temperatura) e como tal melhora a capacidade de alongamento das fibras musculares.
- Fadiga: aumenta a resistência ao alongamento, logo há um maior risco de lesão, essencialmente devido à alteração da sensibilidade dos FNM. A flexibilidade activa é extremamente comprometida com a fadiga.
- Estados emotivos: um estado depressivo tem um influência negativa nos níveis de flexibilidade em contraste com um estado emocional positivo. A competição, o envolvimento, a motivação, a concentração… condicionam o estado emocional do indivíduo e por sua vez a sua mobilidade.


MÉTODOS DE TREINO DA FLEXIBILIDADE
Desde já, haverá que diferenciar dois conceitos distintos:
Programa de treino de Flexibilidade: visa o aumento progressivo da amplitude dos movimentos de uma articulação ou grupo de articulações aplicado durante um certo período de tempo;
Estiramentos: realizados antes ou depois de uma actividade, visam aumentar a capacidade de execução do atleta ou diminuir o risco de lesão. Por si só não permitem o aumento da amplitude dos movimentos.
Meios de treino da Flexibilidade
Um estiramento pode ser classificado em quatro diferentes categorias quanto ao tipo de movimento:
- Estiramento passivo: o indivíduo não contribui para a acção, não efectua nenhuma contracção voluntária. O movimento é totalmente realizado por um agente (força externa) que é responsável pelo estiramento. No músculo promove o aumento do comprimento da porção elástica.
- Estiramento passivo – activo: a fase inicial do movimento é assegurada por uma força externa, depois o indivíduo tenta manter o segmento durante alguns segundos na posição alcançada através de uma contracção isométrica. Esta técnica permite aumentar simultaneamente a flexibilidade e a força muscular.
- Estiramento activo – assistido: é exactamente ao contrário. Inicialmente o segmento é conduzido até à amplitude máxima pelo próprio indivíduo (sem ajudas) e depois o movimento é completado pelo parceiro.
- Estiramento activo: o movimento é unicamente realizado através da acção muscular do próprio indivíduo. A amplitude total do movimento é a combinação entre as amplitudes passiva e activa.
A flexibilidade activa e passiva está dependente dos métodos de treino utilizados. Quanto maior a diferença entre a amplitude activa e passiva do movimento de uma articulação, maior é a probabilidade de haver lesão. O estiramento activo pode ser dinâmico ou estático.
A selecção de um outro meio varia de acordo com o seu objectivo:
. O estiramento passivo deve ser valorizado quando a elasticidade dos músculos que se pretendem estirar limita o nível de flexibilidade;
. Os exercícios activos devem ser utilizados quando a amplitude dos movimentos é condicionada por um baixo nível de força desses músculos.
Método Dinâmico versus Método Estático
Método Dinâmico
Vantagens:
. os atletas podem realizar os exercícios todos ao mesmo tempo;
. fácil de associar a um sentido rítmico;
. é mais específico, dado que a maior parte dos movimentos é de natureza balística;
. desenvolve a flexibilidade dinâmica;
. pode ser mais motivante;
. está demonstrado que é um método eficaz.
Desvantagens:
. adaptação dos tecidos (pouco tempo);
. adaptação neurológica (pouco tempo);
. risco de lesão (movimentos de grande amplitude pouco controlados);
. contracção reflexa (maior dificuldade no estiramento).
Método Estático
Vantagens:
. requer menor dispêndio de energia;
. provoca menor fadiga muscular;
. pode ser importante na recuperação do stress muscular;
. o desenvolvimento da flexibilidade estática só se consegue com o método estático.
Desvantagens:
. menos motivante,
. deve ser praticado de forma exclusiva, i. é., em prejuízo dos exercícios dinâmicos.
Método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF)
É um método de desenvolvimento da flexibilidade que apela ao mecanismo neuro muscular, através da estimulação dos proprioceptores. Actualmente, é considerado como dos métodos mais avançados para o desenvolvimento da flexibilidade.
Vantagens:
. está provado que é eficaz;
. também promove o aumento da força, o equilíbrio da força agonistas/antagonistas e a estabilidade articular;
. aumenta a resistência e a circulação sanguínea;
. melhora a coordenação e a cap. de relaxação muscular;
. existe uma maior facilidade na realização dos mov. passivos após o PNF.
Desvantagens:
. é desconfortável e até doloroso;
. requer muita motivação;
. é mais perigoso que o método estático pois promove maiores tensões musculares;
. requer maior monitorização, para minimizar os riscos;
. requer a colaboração de um parceiro experimentado na aplicação das técnicas;
. as contracções isométricas não devem ser realizadas em bloqueio respiratório.
O método de PNF baseia-se num conjunto de mecanismos neurofisiológicos importantes, como sejam a facilitação, a resistência, a irradiação, a indução sucessiva e a acção reflexa.
O método de PNF engloba várias técnicas e estratégias, resultantes de diferentes combinações das contracções isotónicas (concêntricas e excêntricas) e isométricas:
- Contracções repetidas;
- Ritmo de iniciação;
- Lenta inversão;
- Lenta inversão – manter;
- Estabilização do ritmo;
- Contracção relaxamento;
- Manter – relaxar;
- Lenta inversão – manter – relaxar;
- Inversão agonística.
Fonte: Vários Autores. Apontamentos da disciplina "Motricidade e Ergonomia das Actividades Físicas Desportivas " da Licenciatura em Educação Física do I. Piaget, 2003.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

ORIENTAÇÃO PARA TREINADOR

NOTA: Esta postagem apesar de ser directamente direccionada para a modalidade de Pólo Aquático, é perfeitamente adaptável a muitas outras modalidades, tais como o Hóquei em Patins por exemplo. A mesma encontra-se redigida em português do brasil, conforme o texto original.
ORIENTAÇÃO PARA TREINADOR
Paulo Rogério Moraes Rocha
Tanto o técnico novo como veterano devem observar uma série de normas bem definidas. Normas específicas que assegurem um mais amplo e eficiente ensinamento, a correta utilização do tempo e um desenvolvimento consistente do rendimento.
As seguintes "regras" são aplicadas em todos os níveis do polo aquático.
FILOSOFIA: que tipo de sistema ofensivo e defensivo você irá aplicar ? Não espere até o 1º treino para decidir se vai utilizar uma defesa de zona, pressão ou etc. Determine, tão logo que possa; assim você estará totalmente preparado quando chegar o 1º dia de treinamento.
O primeiro ano em um novo clube pode trazer um problema. Não conhecendo o elenco, você não pode conhecer suas aptidões. Depois do 1º ano você saberá como eles se amoldam dentro de sua filosofia.
Tão logo haja decidido seus sistemas de defesa e de ataque, insista neles. Não troque na metade do campeonato.Repentinas trocas causam incerteza e podem provocar a perda de confiança no que estão fazendo. Portanto, pode-se corrigir ou reformar alguns aspectos para partidas especiais, porém, uma vez que tenha resolvido seus sistemas, não mais os troque.
SEJA ORGANIZADO: você não pode ter êxito se não está bem organizado tanto para treinos como para jogos. Leve a cabo um cronograma de cada treinamento, dando um tempo específico a todas as fases que queira cobrir. Mantenha seu programa. Se você estipulou 20 minutos para um exercício defensivo não se exceda. Estará roubando tempo a outro aspecto igualmente importante. Se determinado exercício não é realizado a contento, programe-o com igual tempo para o próximo treino ou ainda mais, se outras fases do treinamento prosseguem satisfatoriamente. Dirija o treino ativamente, passando de uma fase para outra sem demora, o que manterá vivo o interesse e entusiasmo dos jogadores.
EXERCICIOS DE FUNDAMENTOS: faça-os executarem os exercícios apropriados e rapidamente. Advertência: rapidamente não quer dizer precipitadamente. Significa realizá-lo velozmente porém com eficiência. De nenhuma maneira se realiza exercícios somente para encher o tempo do treinamento. Decomponha o sistema de ataque e defesa em seus componentes e arme os exercícios com uma ou mais destas partes importantes.
Em resumo, sempre tenha os jogadores praticando os movimentos e chutes que lhes são comuns em um jogo.
É melhor treinar uns poucos e bons exercícios apropriado e energicamente que ter um grande sortimento deles somente pelo fato de ocupar tempo de treinamento.
JOGUE O JOGO COM SIMPLICIDADE: não complique as coisas. Explique tudo com precisão e simplicidade e assegure-se de que os jogadores o compreenderam. É melhor fazer bem poucas coisas que muitas mal.
CONDICIONAMENTO: crie a consciência em seus jogadores de que seu maior inimigo não é o adversário mas sim a fadiga, e que o único meio de manter este inimigo acorrentado é desenvolver e manter a condição física. A fadiga causa a perda de concentração e uma pronunciada redução da eficiência. Próximo ao fim de uma partida ou de um treino muito intenso, é fácil observar que os jogadores realizam esforços para se manterem concentrados à medida que começam a sentir-se cansados.
Esta classe de intensa concentração pode, via de regra, demorar por uns poucos minutos a chegada da fadiga e o custo que ela invariavelmente obriga. A má condição física traz problemas de fadiga e perda de concentração.
CONDUTA FORA DA PISCINA: o que o jogador faz fora da piscina é, via de regra, tão importante como o que faz dentro. Os maus hábitos podem destruir tudo o que se consegue no treinamento e o técnico deve tratar de exercer algum tipo de controle sobre os jogadores, particularmente com aqueles mais difíceis.
JOGO DE EQUIPE: uma permanente predisposição ao esforço dentro de uma dedicação total à equipe é o que realmente vale, não o individualismo. Enfatizar que o pólo aquático demanda cooperação e jogo de equipe e que sem isto acontece o caos. Ninguém deve entrar na piscina com a mente posta somente no ataque. Os jogadores e equipes importantes tem em conta ambos os aspectos do jogo (ataque e defesa).
A estrela individualista deve prazerosamente sublimar-se em proveito da equipe. Em sua função de técnico você deve fazer o impossível para incentivar o jogo de equipe. O jogador que faz 3 golos em uma partida não necessita de motivação. Pode-se estimular os outros jogadores fazendo-os jogarem dentro de algum sistema de pressão e estabelecendo algum tipo de prêmio para suas virtudes defensivas, recuperação de bola, etc.
É magnífico ter um grande artilheiro na equipe. Porém é muito melhor ter treze jogadores que joguem em conjunto e se sacrifiquem um pelo outro em beneficio da equipe, compensando freqüentemente as deficiências físicas.
Fonte: Paulo Rocha - Consulte o documento AQUI

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O TREINADOR DESPORTIVO - PERFIL E COMPETÊNCIAS

Artigo publicado no Sintrasport da autoria de João Silva (Simão) - Atleta Sénior do Mem Martins.
Vale a pena ler.
«Muito do êxito desportivo de uma equipa, seja esta de futebol ou de outro desporto qualquer, depende em muito do seu treinador. Depende da forma entusiasta ou não como este organiza, gere e idealiza todos os treinos e competições.

Um treinador tem de ser sobretudo um bom líder, transmintindo aos seus atletas os seus conhecimentos, fazendo estes aprofeiçoarem-se de modo a conseguirem corresponder às exigências da competição. Sobretudo, um treinador tem que ser um gestor de recursos humanos. Tem de saber como lídar com os seus atletas de forma a obter deles o seu máximo.

Para mim o melhor treinador é aquele treinador da tal “nova geração” ou lá o que queiram chamar-lhe. Tem de ser um treinador que se actualiza constantemente, que procura a todo o instante melhorar-se a si próprio de forma a puder-se autovalorizar desportivamente, pudendo melhorar por consequência o rendimento da sua equipa. Para mim o melhor exemplo português é o tão conhecido José Mourinho.

O treinador tem de ser a cara do grupo. Tem de deter um estatuto de autoridade. Sendo que cada treinador tem a sua forma de liderar. Temos treinadores que vivem na base da disciplina e da ordem. Neste caso o treinador caracteriza-se por ser aquele treinador rijido e fechado que não dá confianças aos jogadores, pouco se importando com as suas opiniões. Para estes treinadores só a opinião deles importa!

Temos outros treinadores que lideram de uma forma liberal. Este lídera o grupo de uma forma pouco adequada pois prefere não assumir a responsabilidade das decisões com “medo” de ser considerado autoritário . É caracterizado pela falta de organização e preparação de treinos. Faz a sua equipa perder espirito de grupo e a sua coesão pois não a consegue orientar de forma adequada pois não consegue sequer ser um líder. Este treinador na minha opinião nunca pode ser treinador pois não se faz sentir presente, não tem ideias, e mesmo que as tenha não as leva avante. Para mim nunca pode ser chamado verdadeiramente de treinador.

Ainda temos aqueles treinadores que usam uma liderança na base da participação, isto é, este treinador conta muito com a opinião dos seus atletas, fazendo deles seus ajudantes na busca de êxito desportivo. Este treinador é aquele que sabe falar, e sobretudo ouvir o que os jogadores também acham. Nunca se acha sempre o senhor da razão, e reconhece que também os jogadores podem ter a sua razão, aceitando criticas construtivas por parte destes, de forma a melhorar a performance da equipa.

· Pelo enquadramento pedagógico da sua acção;

· Pela sua dinâmica pessoal;

· Pelo estabelecimento das relações interindividuais assente na igualdade e justa repartição de responsabilidades;

· Pela criação de um clima de confiança, credibilidade e aceitação;

· Pelos exemplos que transmite aos praticantes/jogadores;

· Pelas convicções que exprime.
Um treinador deverá ter a capacidade de conseguir criar um grupo forte e unido de forma a criar um projecto coeso conseguindo mais facilmente atingir os objectivos propostos. Com um bom espirito de grupo, por vezes consegue-se ultrapassar barreiras quase impossiveis de ultrapassar. Dou o exemplo do Porto de José Mourinho. Este conseguiu construir uma equipa de jogadores que nunca tinham ganho nada, e com espiritio de sacrificio e com uma grande união conseguiram conquistar a Taça Uefa e a tão desejada Liga dos Campeões.

Um treinador deverá ter uma capacidade de imaginação muito grande, ter mente forte, ser ambicioso, ter um espirito combativo, ser firme, ser equilibrado emocionalmente (ter sentido de humor), ser sereno, saber tomar decisões, ser corajoso, saber reagir conforme as situações, ser um bom comunicador, ter a capacidade de moralizar os atletas (servir como um “pscicólogo”), saber falar e principalmente saber ouvir, ser uma pessoa atenta, saber reconhecer os seus erros.

Concluindo, um treinador além da sua capacidade como ser humano, tem de ser um bom gestor sendo também uma pessoa organizada. Tem de saber reagir conforme as mais diversas situações. Um bom treinador é aquele que nunca beneficia um certo jogador, mas sim aquele que beneficia o grupo no seu todo. Um bom treinador é um líder nato que sabe o que tem em mente e sabe transmitir as suas ideias a equipa.»
Fonte: Artigo publicado no Sintrasport da autoria de João Silva (Simão) - Atleta Sénior do Mem Martins e disponível AQUI

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

CONDUÇÃO DO PROCESSO DE TREINO

1) Analisar a situação – Onde estou ?
(Levantamento das condições humanas, materiais, físicas…)
– Caracterização dos atletas:
. Identificação
. Breve historial
. Características do processo de treino anterior
. Melhores Resultados
. Caracterização Morfológica
. Caracterização Física Fisiológica
. Caracterização Psicológica
. Outros
– Condições
. Instalações e equipamentos para o treino
. Logística
. Características da competição
. Viagens; estadias; treinos; adversários
. Apoio Científico
. Apoio Médico
– Condicionantes
. Condições básicas de vida
. Estabilidade emocional
. Reconhecimento social
. Perspectivas de futuro
2) Definir os objectivos de treino – Para onde quero ir?
Objectivos de Rendimento
– Definidos por escrito e claramente
– Com recurso a aspectos parciais do objectivo
– Preferencialmente definidos segundo factores que podemos controlar
– Podendo definir a probabilidade de alcançar o objectivo
Objectivos Gerais do Treino
– Em função do modelo definido
– Em função das épocas anteriores e das opções tomadas
– Elaborados para cada um dos Factores de Treino
3) Planear o treino – Como vou lá chegar?
a) Determinar os conteúdos do treino (exercícios gerais, especiais, competição)
- treinam as cap. motoras, técnica, táctica, cap. psicológicas.
b) Escolher os métodos de treino (metodologia de aplicação dos exercícios)
- natureza, grandeza e orientação da carga:
. 10x50m com 3 minutos recuperação – velocidade
. 30 minutos de corrida a intensidade média – resistência aeróbia
c) Meios de treino (instrumentos que auxiliam a execução dos exercícios)
- balizas, cones, aparelhos da ginástica, placas da natação…
d) Princípios de treino (normas científicas que regem o planeamento e execução treino)
- Gerais e Especiais
4) Analisar e controlar o processo de treino.
a) Avaliação subjectiva (observação sistemática);
b) Avaliação objectiva (testes físicos, motores, médicos, fisiológicos…);
Testes a realizar:
Factores do treino a controlar:
. Factor Físico
. Factor Técnico
Controlo Médico
Escolha dos testes : Testes de Laboratório versus Testes de Campo
5) Comparação com os objectivos.
a) Modificação/manutenção do planeamento;
b) Modificação/manutenção da execução do treino.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TREINADOR - QUEM DEVE PRATICAR ESTA PROFISSÃO?

Segundo Bota e Colibaba, 2001, "A profissão de treinador ganhou particular importância e apreço na vida social nos dias de hoje. Esta profissão está estreitamente ligada à edificação da capacidade desportiva de Alta Competição da nação, em qualquer ramo ou modalidade desportiva. Por outras palavras, quanto mais altos são os conhecimentos e os hábitos profissionais dos treinadores, mais altos serão os desempenhos desportivos da nação.
Esta aspiração é difícil de cumprir nas condições, nas quais são ignoradas as exigências da profissão de treinador. Presentemente nem todas as pessoas que desejam tornar-se treinadores têm o potencial para desempenhar esta tarefa.
Ao estabelecer «quais as aptidões necessárias a este papel», devemos perguntar-nos primeiro «Quem deve praticar esta profissão?»
- Aqueles que praticaram com abnegação o respectivo Desporto e que experienciaram eles próprios os rigores do treino e das competições. São preferidos os desportistas de Alto Rendimento (mestres do Desporto) cuja personalidade é apropriada à profissão de treinador;
- Aqueles que têm vocação (inclinação, talento) para esta profissão. Neste caso vocação significa um conjunto de traços da personalidade do qual não devem faltar:
  • a capacidade de incentivo - a capacidade de estimular, activar, impulsionar a equipa (os desportistas) e de solucionar qualquer problema, sejam quais forem a natureza e a dificuldade da mesma;
  • feitio de carácter - um alto nível de conduta moral, de paixão, vontade de ensinar aos outros, de perseverança, determinação, intransigência, espírito crítico incisivo, autocontrolo afectivo, sociabilidade, modéstia, respeito aos princípios, etc;
  • aptidões de educador - requerem a superação dos limites desportivo-práticos e o envolvimento noutros aspectos educacionais da personalidade: moral, estético, intelectual. Não devemos esquecer que o treino desportivo é, no entanto, um processo didáctico que necessita o conhecimento e a direcção de toda a actividade com base em princípios didácticos, com regras e estratégias bem definidas(...);
  • aptidões de psicólogo - sintetizadas na expressão «Faça com que acreditem». A confiança ilimitada ganha-se apenas quando os desportistas (equipa) notam que as decisões e as recomendações feitas pelo treinador são coroadas de êxito (...);
  • habilidades intelectuais - a inteligência verbal, espírito de observação, rapidez de pensamento, imaginação, memória, atenção distributiva, espírito pragmático e lógico;
  • aptidões de dirigente e organizador - qualquer treinador deve ter uma autoridade de competência profissional, e não só de cargo (por nomeação). Uma óptima direcção pressupõe, em primeiro lugar, uma preparação de especialidade rigorosa (conhecimentos teóricos, experiência prática, informação permanente, conhecimentos didácticos, psicológicos, biomecânicos, bioquímicos, sociológicos, etc.), e, em segundo lugar, uma preparação estritamente necessária no domínio da ciência da direcção (management) com aplicações na actividade desportiva específica (...);
  • Outras aptidões e capacidades - capacidade de intuição; capacidade de criação; capacidade de direcção autoritária; capacidade de decisão rápida; espírito de sacrifício.

A selecção das pessoas que se dedicam à profissão de treinador é, tal como já salientámos, uma condição «sine qua non» para a prosperidade da actividade desportiva de alto rendimento.

O valor dos treinadores não está ligado nem ao volume (às vezes imenso) do trabalho, nem à amplidão das actividades, nem à energia física e nervosa consumida, mas sim ao resultado desportivo obtido. Cada resultado desportivo em parte pode fazer subir ou descer uma pessoa na escala profissional. O homem-chave, que assume a responsabilidade em todas as circunstâncias, é o treinador. De modo especial, numa derrota, o «culpado» é sempre o treinador.

A profissão de treinador e mais do que uma profissão, é uma vocação, com tudo o que esta noção requer: fidelidade, paixão, entusiasmo, sacrifício. Mais ainda, esta vocação é exercida num mundo de incerteza e do acaso:

  • escolher jogadores e formá-los, sem saber antes o que vão realizar;
  • «lançá-los» na luta competitiva, e orientá-los para a obtenção de altas performances no momento decidido, por oportunidade, ou por certas condições favorecedoras;
  • lutar com toda a energia, sem grandes esperanças;
  • aguentar tudo, continuando a luta;
  • esperar e ver-se eliminado, sem pretender explicações e sem poder compreender;
  • subir muito para cima, e depois «cair»;
  • «caído», ver-se pisado por aqueles que, não há muito tempo, o idolatravam;
  • demonstrar sempre ser bom, e sendo bom, ser ignorado;
  • obter a vitória, na maioria dos casos para outros, ou suportar a derrota dos outros;
  • sentir a ilusão da vitória, e ao mesmo tempo lamentar ter vencido;
  • uma vez vencedor, ao consignar na agenda a vitória, saber que do outro lado há um vencido que consigna a sua derrota;
  • «...finalmente, ver-se sozinho, irremediavelmente sozinho, com os seus pensamentos, que nunca o deixam em paz, fora e dentro da casa;
  • ...e amanhã começa um novo calvário cm que já se habituou e de que nunca se pode livrar» (R. Busnel, 1981)."

Fonte: BOTA, Ioan e COLIBABA, Dumitru, "Jogos Desportivos Colectivos" - Teoria e Metodologia, (p. 25-28), Colecção Horizontes Pedagógicos, Edições Piaget - Instituto Piaget, Lisboa, 2001

sábado, 1 de novembro de 2008

TRABALHO DE FORÇA - EXERCÍCIOS - PARTE 3 (ÚLTIMA)

FASES DE DESENVOLVIMENTO DA MUSCULAÇÃO
ESQUEMA - TIPO
Utilizando todos os cuidados enunciados atrás, de forma a conseguir uma grande melhoria sobre o arranque do atleta sobre os patins, perspectivando-se depois, uma grande capacidade de domínio de todo o corpo, a alta velocidade.

Este esquema promove um trabalho dos grandes grupos musculares e aquele atleta interessado na sua duração como hoquista, pode trabalhar num dia os grupos musculares do tronco e noutro dia braços e pernas. Só que, os abdominais e os antagónicos respectivos, terão que ser trabalhados todos os dias, muito a sério.

INDICAÇÕES IMPORTANTES SOBRE OS ESQUEMAS DE TRABALHO FÍSICO
Estes esquemas podem ser utilizados em muitas ocasiões, mas será o preparador físico ou quem o represente, que fará as combinações que achar mais oportunas.
No entanto, as experiências já feitas demonstram que se for seguido o que apresentamos, eles poderão ser utilizados na pré-época com sapatilhas e depois com patins, com as necessárias adaptações metodológicas.
Todos os dias pode ser feito um esquema diferente, ou então durante uma semana ou duas a três semanas trabalhar um esquema, para que os estímulos produzam um efeito mais prolongado.
Alguns conselhos que tornam importante este tipo de trabalho:
- Cumprir sempre os "rituais" ensinados, de forma a evitar lesões arreliadoras e demoradas;
- Pequena corrida inicial de 2/3 minutos;
- Alongamentos de preparação para a corrida longa;
- Sempre que acabarem a corrida fazer uma pausa, dentro do conceito - até quase o coração repousar - isso significa 3/5 minutos de recuperação;
- Sempre que se muda de exercício fazer uma pausa ou (T/R) e também, entre cada série;
- Depois do trabalho realizado, obrigatoriamente os alongamentos devem fazer parte do processo de recuperação;
- Banho retemperador e uma boa massagem com a toalha, são também elementos do treino.
Respiração/oxigenação - Do estudo de todas as fontes energéticas que possibilitam a realização de qualquer exercício, tem que se dar uma grande importância à presença do oxigénio (O2) em todos os processos ou vias de obtenção de energia para um trabalho de longa duração.

Assim, o ensino da "arte de saber respirar" para utilizar em pleno treino e, sobretudo, durante o jogo, permite que o nosso organismo possa metabolizar a quantidade máxima de O2 e que resultará, como factor determinante, em relação à maior ou menor quantidade da resistência geral de um jogador em jogo (VO2 máximo). Para que o quadro em baixo seja compreendido, este parágrafo tem que ser bem aprendido.

Quadro - Fontes energéticas utilizadas pelo nosso organismo em relação à intensidade e duração do exercício.


Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Os árduos caminhos para a vitória".