quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

CONTRA-ATAQUE: SITUAÇÃO DE 3*2+GR - VÍDEO 3 E 4

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Vídeo 3 - Situação "tradicional"

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Vídeo 4- Situação com "corte" lateral

Visualize os vídeos e deixe-nos ficar os seus comentários acerca dos mesmos, bem como outras possibilidades de execução da situação de 3*2+GR. Brevemente publicaremos mais.

Fonte: Excertos de jogos de hóquei em patins transmitidos na RTP2.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

CONTRA-ATAQUE: SITUAÇÃO DE 3*2+GR - VÍDEO 1 E 2

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Vídeo 1 - Situação com solução pela zona central.

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Vídeo 2 - Situação de 3*2+GR a "virar" 2*1+GR

Visualize os vídeos e deixe-nos ficar os seus comentários acerca dos mesmos, bem como outras possibilidades de execução da situação de 3*2+GR. Brevemente publicaremos mais.

Fonte: Excertos de jogos de hóquei em patins transmitidos na RTP2.

sábado, 24 de janeiro de 2009

O CONHECIMENTO DO ATLETA

Na perspectiva de obter um melhor conhecimento do atleta é necessário conhecer, a seguir à sua "história", o seu "perfil psicológico".
Para o conseguir é necessária a colaboração de técnicos de psicologia, ou o treinador (equipa técnica) possuir conhecimentos para tal.
O "Perfil" compõe-se de um conjunto de testes e de provas (uma "bateria") destinados a avaliar algumas características psicológicas com maior importância ou influência na prática desportiva.
A escolha dos testes e provas pode variar segundo países, as linhas de investigação e estudo ou os meios disponíveis. No nosso país, desde 1978, o perfil estudado tem-se mantido o mesmo (ver ponto A).
O treinador e o psicólogo colaboram. O psicólogo interpreta os resultados e comunica-os ao treinador.
A confidencialidade deve ser total. Os resultados servem para o treinador conhecer e compreender melhor o atleta, adoptando assim o seu trabalho, visando um melhor rendimento, melhor equilíbrio e bem-estar.

A - As provas normalmente utilizadas são as seguintes:

  • Teste Raven PM 38 (factor G) - que permite obter o conhecimento de factores e capacidades intelectuais importantes.
  • B.A.T.P. de Toulouse-Pieron - que permite avaliar as capacidades de atenção, de concentração e complementarmente da resistência à fadiga nestes factores.
  • Teste de percepção visual (THURSTONE) - que avalia a velocidade da percepção visual.
  • Teste de memória auditiva A e B.
  • Teste de memória visual.
  • Teste de personalidade, (CATTELL 16 P.F.) - que permite conhecer os principais traços da personalidade.

A este conjunto (ou "bateria") podem ainda juntar-se provas laboratoriais psicomotoras ou de controle emocional, consoante os objectivos e o equipamento disponível. No seu conjunto, estas provas podem realizar-se num laboratório de psicologia e são de aplicação colectiva, ou seja, uma equipa pode realizá-las simultaneamente.

No nosso país muitas equipas e selecções de elevado nível têm sido estudadas através deste "PERFIL".

B - Observação

Um complemento muito útil para o conhecimento psicológico do atleta é a observação do seu comportamento nos treinos e nas competições. A observação é complexa e requer um especialista, uma vez que o treinador não pode orientar o treino e observar com rigor ao mesmo tempo.
Por isso, podemos recorrer a formas simplificadas, com base em "listas" de atitudes e comportamentos, de notação simples, acrescentando outros itens ou factores que a experiência do treinador julga serem importantes, exemplo:

RELATIVAMENTE AO TREINO

  • Pontualidade - sim/não
  • Equipamento correcto - sim/não
  • Atenção constante - sim/não
  • Boa compreensão da informação - sim/não
  • Execução rápida - sim/não
  • Execução correcta - sim/não
  • Energia/Dinamismo - sim/não
  • Cooperação com os colegas - sim/não
  • Aceitação de críticas - sim/não
  • Capacidade para treinar só................. etc.

Ao anotar estas "listas" simples, podemos conhecer objectivamente o comportamento dos atletas, compará-los entre si e, sobretudo, conhecer os pontos a melhorar. Podemos também verificar, pela repetição das observações com a mesma lista e o mesmo atleta, quais as melhorias verificadas.
A Observação pode ainda ser feita de muitas outras formas. Uma dessas formas e talvez uma das mais utilizadas é através do video e visualização da imagens captadas...
Depois de tudo o que foi exposto, nós treinadores temos os mínimos para fazer o exame crítico aos nossos atletas e caracterizar cada um deles, ponto por ponto.

Fonte: António Paula Brito, in "Revista Training n.º 9"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

AS RESPONSABILIDADES DO TREINADOR DE JOVENS

As crianças e jovens encontram-se, à face da lei, integrados na escolaridade obrigatória pressupondo-se, portanto, que seja esta a sua actividade social dominante. Por isso, a sua participação na prática desportiva não pode deixar de regular-se por objectivos de ordem educativa e formativa que contribuam para o seu desenvolvimento físico, motor, social e emocional e em que se promova, também, a aquisição dos valores e comportamentos caracterizadores do "saber ser" (auto-disciplina, auto-controlo, perseverança, humildade) e do "saber estar" (civismo, companheirismo, respeito mútuo, lealdade). Por outro lado a Especialização e o Alto Rendimento carecem de alicerces consistentes cuja construção, a longo prazo, começa na etapa da Iniciação Desportiva sendo, neste sentido, essencial que o Treinador:
- proporcione às crianças e jovens a vivência de experiências agradáveis e entusiasmantes que, desenvolvendo o gosto pela prática, influenciem a sua adesão e futura permanência no desporto.
- utilize, no desporto infantil e juvenil, modelos de preparação que valorizem a preparação geral e multilateral, orientada para a aquisição de um vocabulário motor alargado, para a formação das capacidades motoras e para o ensino das técnicas básicas de uma ou várias modalidades.
- compreenda que a continuidade dos jovens praticantes no Sistema Desportivo depende, em grande parte, da natureza e tipo da exercitação seleccionada, da organização e direcção do processo de ensino e do estilo de intervenção e relacionamento desenvolvidos no treino e na competição.
O Treinador de jovens desempenha assim um papel central na promoção de uma maior adesão e de um menor abandono dos praticantes, assumindo a responsabilidade de, desde o início, desenvolver nestes o gosto pela aprendizagem e pelo aperfeiçoamento, factores determinantes, a longo prazo, do progresso qualitativo. Ao mesmo tempo cabe-lhe a obrigação de assumir e pôr em prática uma ideia fundamental: que o Desporto, enquanto instrumento de valorização das crianças e jovens que nele participam, deve harmonizar-se com as outras actividades do seu quotidiano, nomeadamente a actividade escolar e os compromissos familiares. E recai, ainda, sobre o Treinador de jovens a responsabilidade, pela forma como organiza e supervisiona as actividades e interage com os praticantes, de concretizar o elevado potencial formativo e educativo que, reconhecidamente, a prática desportiva encerra.
O Treinador, pela sua conduta e exemplo, exerce sobre as crianças e jovens uma forte influência, quer do ponto de vista do seu desenvolvimento pessoal quer da formação desportiva propriamente dita, sendo que muitas das atitudes e comportamentos que no futuro irão manifestar quer como praticantes, técnicos ou dirigentes, quer ainda como simples cidadãos, resultam do tipo de vivências e aprendizagens que experimentaram nas etapas de Iniciação e Orientação desportivas.
Neste contexto, o Treinador não pode deixar de ser um agente promotor de valores e atitudes dignificadoras do praticante e da prática desportiva fomentando neles as normas essenciais do espírito desportivo:
- respeitar e cumprir os regulamentos e as decisões dos juízes;
- reconhecer com naturalidade a superioridade dos opositores e aceitar os resultados das competições;
- ser comedido nas suas manifestações, no caso de vitória, evitando humilhar ou diminuir os adversários. Estes, essenciais à realização da competição, em caso algum podem ser vistos como "inimigos";
- cultivar a honestidade e lealdade nos treinos e competições.

Enquanto exemplo e modelo o Treinador deve ainda transmitir, porque as pratica, as atitudes e comportamentos essenciais à aprendizagem e ao progresso:
- assiduidade e pontualidade;
- gosto de aprender, saber fazer e fazer bem;
- participação disciplinada nos treinos e competições;
- empenho e persistência.
Ao Treinador de jovens cabe, num sentido amplo, desde as primeiras sessões de preparação, proporcionar as condições de formação e progresso dos praticantes:
- contribuindo para promover o desenvolvimento e formação geral das crianças e jovens em todas as suas dimensões, com particular destaque para o desenvolvimento físico e corporal equilibrado e harmonioso;
- despertando o gosto e entusiasmo pela actividade física, pelo desporto em geral e por uma modalidade em particular, que não só potencie uma eventual carreira desportiva, mas que também promova, nas crianças e jovens que não venham a ser atletas, o hábito do exercício e dos estilos de vida activos e saudáveis;
- promovendo a aprendizagem e o aperfeiçoamento das técnicas básicas de uma ou várias modalidades.
A assunção destas responsabilidades objectivam-se principalmente nas opções metodológicas e no estilo de intervenção e relacionamento estabelecidos pelo treinador. No que respeita às opções metodológicas estas, para serem adequadas ao desporto infantil e juvenil, devem garantir que o treino e a competição se integram numa perspectiva de preparação a longo prazo e que a preparação geral e multilateral e a indispensável ênfase no ensino e aperfeiçoamento das técnicas fundamentais são devidamente consideradas, desviando-se, deste modo, da tendência para a especialização precoce. Quanto ao estilo de intervenção e relacionamento, o Treinador de jovens deve exibir uma atitude serena e paciente face aos erros e dificuldades de aprendizagem dos praticantes. Estes procedimentos dependem, obviamente, do conhecimento dos argumentos que os justificam, mas a sua aplicação depende, em elevado grau, das convicções do treinador, a que pais e dirigentes não devem ser personagens alheias.
Neste sentido, uma atitude correcta do Treinador de Jovens deve construir-se em torno de três vertentes:
- evitar que a participação nas competições se transforme numa questão de afirmação pessoal, colocando os seus interesses à frente dos interesses e necessidades dos praticantes;
- valorizar, em convergência com os grandes objectivos do Desporto Juvenil, a aprendizagem e o desenvolvimento dos praticantes, relativizando a importância do resultado das competições;
- ter presente que as dificuldades de aprendizagem e os percursos diferenciados dos praticantes têm, em geral, justificação nas características do processo de desenvolvimento biológico.
Em resumo ser Treinador de jovens não se reduz apenas a intervir no ensino e aperfeiçoamento dos aspectos técnicos, tácticos, físicos e regulamentares de uma modalidade desportiva, mas envolve também, obrigatoriamente, a transmissão de atitudes, hábitos de trabalho e regras de comportamento e convivência que valorizem o jovem não só como praticante mas, simultâneamente, como indivíduo e cidadão. E importa destacar que as responsabilidades do Treinador de jovens não se esgotam nas suas intervenções junto dos praticantes, no treino e na competição, mas também é indispensável que se projectem para os pais, os dirigentes e demais intervenientes no Desporto infanto-juvenil.
FONTE: Jovens no Desporto, Um pódio para todos, Edição do Insituto do Desporto de Portugal, Novembro de 2005, n.º 6, tiragem quadrimestral.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

VÉSPERAS DE UM JOGO IMPORTANTE? - ANSIEDADE? STRESS?

Sempre que se aproxima um jogo importante, ou seja, um daqueles jogos em que se decide uma época em alguns minutos, normalmente na semana que antecede esse mesmo jogo é normal os jogadores começarem a sentir o chamado “nó na barriga”, que muitas vezes se traduz na prática em ansiedade e/ou stress.Por vezes nós treinadores ajudamos a aumentar esses níveis elevados de stress e ansiedade sem nos apercebermos.
Deste modo, vou deixar aqui algumas dicas para os treinadores poderem prepararem-se melhor quando esses jogos se avizinham. Saliento ainda que estas dicas não são carácter científico uma vez que se trata apenas da minha experiência pessoal como treinador…
Dicas para a semana de treino que antecede o jogo “decisivo”:
1- Nunca estipular como objectivo máximo para o jogo o GANHAR, mas sim, por exemplo: “jogar bem e sem medo”;
2- Colocar vários objectivos à equipa, para tentar fazer os atletas de abstraírem do “ter que vencer”, tais como:
- Fazer uma grande exibição;
- Não levar cartões;
- Ter muita posse de bola;
- Procurar um golo em que a bola passe por todos os jogadores da equipa;
- Fazer jogadas ao 1º toque;
- …
3- “Obrigar” os atletas a treinarem a ritmos elevados de intensidade para que sintam “no corpo” que o jogo vai ser “rasgadinho” e simultaneamente vão “esquecer” psicologicamente “o ter que ganhar” porque irão estar concentrados na tarefa;
4- Não alterar as rotinas de treino, nem acrescentar mais treinos à semana, porque senão já estamos a dizer aos atletas que o jogo é mesmo importante;
5- Simular situações bastantes reais de jogo ao nível do treino, tais como:
- Treinar a marcação de um penalti com alguém a “pressionar” esse jogador para que se prepare para a situação real de jogo e se esse momento chegar, o jogador esteja preparado para concretizar;
- Treinar ao som de música barulhenta, ou com pessoas na bancada a fazer barulho, de modo a que os atletas treinem de modo a estarem sempre empenhados na tarefa de treino e psicologicamente prepararem-se para a situação real de jogo;
6- Ouvir os atletas é também muito importante. Não chega ser só o treinador a falar. Temos de saber e sentir o ponto de vista dos nossos atletas. Eles é que vão jogar, nós treinadores só orientamos;
7- Não deixar que a direcção ou particulares prometam grandes prémios ao jogadores, porque acima de tudo este “tal jogo decisivo” continua a ser apenas mais um jogo e no dia seguinte o sol continuará a aparecer;
8- Transmitir ao longo da semana as seguintes palavras-chaves aos jogadores:
confiança na equipa;
acreditar;
lutar;
atitude;
disciplina;
serenidade;
muita humildade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

FACTORES PSICOLÓGICOS DO DESEMPENHO DESPORTIVO

Factores Intrínsecos ao Atleta
Funções cognitivas - atenção/concentração, percepção, memória e inteligência.
Processos emocionais - estados de ansiedade, estados de humor, auto-confiança.
Características associadas à personalidade - introversão/extroversão, sociabilidade, agressividade.
Atitudes, valores e crenças - comportamento quantos aos fins e aos meios enquanto cidadão.
Projectos pessoais na vida e no desporto.
Aspectos referentes à motivação.
Factores Extrínsecos ao Atleta - A Tarefa
Tipo de concentração.
Decisão regulada por factores externos ou internos ao atleta.
Tempo disponível para a tomada de decisão:
• Complexidade de elementos a processar.
Nível de activação psicofisiológica.
Com interacção ou sem interacção.
Factores Extrínsecos ao Atleta - A Situação
Tipo de recinto e contexto físico.
Tipo e dimensão da assistência.
Nível de impacto mediático.
Contexto de treino ou de competição.
Grau de importância da competição em que se insere.
Grau de conhecimento sobre envolvimento físico e social específico.
Pressão temporal.
Pressão do resultado.
Fonte: Mestre Pedro Passos, in curso de Treinadores de Hóquei em Patins Nível 2- Porto - 2004

domingo, 4 de janeiro de 2009

1ª PUBLICAÇÃO DE 2009 - "SER UM TREINADOR DE SUCESSO COM CRIANÇAS"


Pedro Teques
Departamento de Psicologia e Comunicação da APEF
No desporto, como em muitas outras actividades, os adultos podem ajudar as crianças e jovens a desenvolverem os seus interesses e a optimizar as suas capacidades pessoais. O treinador de jovens apresenta-se como um excelente exemplo em como poderemos maximizar essas oportunidades.
As crianças, de uma forma geral, querem ser bem sucedidas na actividade desportiva que escolheram para praticar. Se regredirmos à nossa infância, e colocarmo-nos nessa posição de ser criança no desporto, facilmente nos lembramos dos sonhos de glória – fazer o tal golo no último minuto. Cada movimento, cada remate, cada execução que é realizada num treino ou jogo, é um marco que pontificará na memória.
Quando se desenvolve uma actividade desportiva com crianças, os adultos significativos (e.g. treinadores, pais) têm a oportunidade de auxiliá-las perante aquilo em que elas são mais vulneráveis – a competitividade precoce. Isto é, os treinadores, os pais, os dirigentes ou os juízes, podem desenvolver a competição sob a perspectiva de fomentar auto-percepções positivas e a auto-aceitação nas crianças. Estes adultos significativos são responsáveis pelo desenvolvimento do divertimento e do carácter, e rejeitar os abandonos precoces da prática desportiva. Idealizando a figura do treinador neste sentido, ser treinador de crianças e jovens não se circunda, unicamente, sob a perspectiva metodológica do treino. Ser treinador de jovens é muito mais do que isso! Implica ter conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança, compreender o seu pensamento e a sua cognição. Saber que as crianças e jovens que dirige e auxilia no desporto percepcionam-no como um modelo social a seguir e a respeitar.
Geralmente, os treinadores de crianças querem fazer bons trabalhos, isto é, desenvolver talentos, optimizar capacidades técnicas, fazer a equipa jogar bem, etc. Em muitos casos,alguns desses treinadores são voluntários, que tiveram um passado na prática do futebol, que gostam do treino e do clube. Mas, um mau delineamento dos desígnios pedagógicos e didácticos no treino pode causar graves danos no futuro das crianças e jovens. O que, hoje em dia, de uma forma sucessiva tem vindo a acontecer, é o abandono precoce da prática desportiva. Os treinadores são a figura principal no processo de formação desportiva da criança. A sua má conduta leva ao decréscimo da confiança e da motivação, criando uma barreira entre a criança e a prática desportiva que tanto gostava de praticar. Se foi fácil para um treinador esquecer o jovem atleta que abandonou a equipa a meio da época porque não jogava o suficiente, ou porque, não se divertia, talvez esse mesmo treinador veja, somente, o desporto a partir da vitória e da derrota, e das medidas para alcançar o sucesso rápido na formação.
A formação dos treinadores de crianças e jovens em futebol é uma necessidade premente. Apesar de se verificar na bibliografia e na prática corrente, tentativas de suporte nesse sentido, a intervenção ainda é parca, face o evidente crescimento de instituições desportivas e, concomitantemente, de praticantes nelas envolvidos. O aumento da taxa de abandono desportivo precoce, por parte de crianças e jovens no futebol de formação, tem sido um sinal de sobreaviso para os responsáveis da formação desportiva, em especial, na modalidade do futebol.
As seguintes linhas pretendem promover a reflexão no delineamento pedagógico dos processos de ensino/aprendizagem em futebol juvenil. Talvez se deva salientar aqui, que a competição desportiva, por si só, poderá ter vantagens (apesar de estar longe de ser o principal motivo, a competição tem alguma representatividade no padrão motivacional dos jovens),mas igualmente desvantagens. À competitividade, normalmente, estão associados o desapontamento, a “pressão” por parte de pais e treinadores, e a frustração. Possivelmente se ela for encarada do ponto de vista da formação perante aqueles que nela estão envolvidos, ela será vantajosa se promover a maximização da aquisição de conhecimentos e de capacidades, passando a ser desvantajosa se impedir ou perturbar o normal processo de aprendizagem.
No sentido de promover os benefícios da prática e do treino em futebol para as crianças e jovens, é importante ter em consideração as seguintes directrizes:
- Distinga as diferenças do desenvolvimento da criança.
As crianças diferem dos adultos nas capacidades fisiológicas, motoras, cognitivas e emocionais. Neste sentido, o treinador antevendo o crescimento e desenvolvimento da criança, deverá considerar como efectua a sua comunicação e como delineia as formas didácticas do treino. Por exemplo, quando observamos crianças de 6 ou 7 anos de idade a jogar futebol, facilmente é identificável a forma descoordenada como as crianças se posicionam em relação aos seus colegas e em relação á bola. A bola é o centro das acções. O pensamento da criança nesta idade não apresenta um desenvolvimento suficiente, no que concerne ao domínio espacial e dedutivo. É comum, observar-se em várias actividades os treinadores de crianças com estas idades: “Organizem-se!”, “Passa a bola!”, “Marca o jogador”, “Posiciona-te na defesa”.
- Utilize a comunicação positiva.
A utilização do reforço positivo apresenta-se como fundamental no ensino e prática de qualquer actividade com crianças. A comunicação é uma das áreas que o treinador, em qualquer nível competitivo, deverá saber dominar. As investigações demonstram que, no ensino e aprendizagem desportiva, a utilização do feedback positivo por parte dos treinadores resultam no incremento da motivação, auto-estima e do divertimento nas experiências desportivas de crianças e jovens.
- Crie situações que desenvolvam a tomada de decisão.
Devem ser providenciadas situações para que os jovens atletas tomem as suas próprias decisões em contexto de treino e de jogo. A investigação afirma que a intervenção do treinador em jogo não deve ser contínua.Nesta circunstância, o treinador deve alternar entre a instrução técnica correctiva (não de forma sucessiva) e o reforço positivo (contingente a uma boa execução). Não raras vezes, observa-se que os treinadores de crianças enviam, constantemente, instruções para o campo, na tentativa de corrigir erros técnicos ou tácticos de jogo – “Joga na direita!”, “Joga na esquerda!”, “Marcação ao homem!”, “Toda a gente atrás da linha da bola” – de uma forma quase contínua. Acontece que, a mensagem enviada pelo treinador, gradualmente, deixa de ter relevância. E, se tivermos em consideração, que as crianças têm, de uma forma natural, uma reduzida focalização da atenção, este tipo de comunicação por parte do treinador apresenta-se como ineficaz. Os treinadores deverão criar um ambiente que encoraje as crianças a tomarem decisões por si próprias. Terão que ver as decisões erradas como uma oportunidade para aprender.
- Identifique e persiga os verdadeiros valores da formação desportiva de crianças.
Tipicamente, os treinadores mais jovens iniciam a sua actividade com boas intenções. Querem que as crianças, sobretudo, se divirtam, desenvolvam novas capacidades e competências, e saibam avaliar a vitória e a derrota através do esforço dispendido para o jogo. Estes são, alguns dos valores, que se identificam como ideais para a formação e desenvolvimento biológico, psicológico e social no desporto. No entanto, o fascínio da vitória, por vezes, eclipsa estes objectivos primordiais da formação desportiva. Os sinais são imediatos: menor rotatividade das crianças nos jogos; de uma forma sucessiva, vê-se as crianças a chorarem por terem perdido o jogo; comportamentos mais agressivos nos treinos; pais descontentes; entre outros. Crie objectivos no início da época, e reveja-os durante a temporada. Para qualquer criança, o divertimento é jogar. Se questionar uma criança se pretende jogar na equipa que perde ou ficar no banco de suplentes da equipa que ganha, a maioria responderá que prefere jogar. Seja crítico para com o seu próprio comportamento. Reserve algum momento de reflexão após os jogos e após os treinos. Reveja o planeamento do treino. Verifique se os próprios objectivos formativos estão a ser cumpridos. As informações que retirará daqui mantê-lo-ão no caminho do alvo que formulou previamente.
- Procure receber feedback do seu comportamento em treino.
Para evoluirmos em alguma actividade, é importante termos recursos que nos informem acerca do nosso rendimento. Após os treinos ou jogos, questione os seus adjuntos acerca da sua prestação e da equipa, do clima, da coesão de grupo, etc. Encoraje-os a serem específicos, a darem exemplos práticos e concretos. Questione os pais acerca do que os filhos dizem dos treinos e dos jogos.Os pais são um aliado para a formação desportiva! Verifique o sentimento das crianças durante a época. Se eles estiverem hesitantes em falar, faça-os responder a alguns questionários anónimos. Podem incluir questões como, “Se pudesses mudar uma coisa nos treinos para torná-los mais divertidos, o que seria?”, “Qual é o melhor e o pior comportamento que o treinador tem durante os treinos?”, “Onde achas que a equipa poderá melhorar?”. Não se esqueça, a motivação é o motor da prática desportiva.
- Aceite a espontaneidade e o caos que caracterizam as actividades com crianças.
A espontaneidade e os comportamentos inesperados das crianças podem provocar frustração e um grande desânimo se o treinador se render à ilusão do controlo de todas as situações de treino. A realidade é que cada criança é única e, todos os dias, nos presenteará com um comportamento e uma expressão nova. E, cada criança tem um desenvolvimento e uma maturação distinta. È importante ter em consideração que o plano de treino traçado no início da época, não raras vezes, tenha que ser alterado no momento, e necessite de constante revisão. Considere um determinado nível de desordem como inevitável em actividades com crianças.
Treinar crianças e jovens providencia uma excelente oportunidade para os influenciar, positivamente, nas suas vidas. Este facto, é extremamente importante, quando o treinador compreende o desenvolvimento das crianças em relação ás suas capacidades desportivas, vê as crianças como únicas e individuais, e interessa-se, constantemente, pela evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Finalmente, ser um treinador de sucesso com crianças é continuar a aprender em cada treino e com cada criança, tornando-se cada dia, num treinador melhor.
Fonte: ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCOLAS DE FUTEBOL - APEF
http://www.omeuclube.org/ramalhal/documentos/ramalhal1753221964187.pdf