quinta-feira, 30 de abril de 2009

O NÚMERO IDEAL DE JOGADORES PARA UM PLANTEL DE HÓQUEI EM PATINS

Na minha opinião, alguns treinadores deparam-se com excesso de jogadores nos plantéis, outros deparam-se com a falta deles e outros pensam que 10 é o número ideal...
Penso que o tempo de ter apenas 10 jogadores no plantel ser o ideal está um pouco desactualizado ou descontextaluizado.
Ao longo dos últimos tempos, bem ou mal, a nossa modalidade sofreu alterações... A última das quais, no que diz respeito à suspensão de um jogo por acumulação de 3 cartões azuis directos.
Tudo isto obriga os treinadores a serem mais cuidadosos, embora possa não parecer!
Primeiramente há que analisar se treinamos uma equipa de formação, ou uma equipa de competição, ou uma equipa de competição preocupada em fazer formação.
Seguidamente há que definir os objectivos a curto e médio prazo para a equipa.
Por último e não menos importante a questão financeira.
Se treinamos uma equipa de formação:
Não deverá existir um número limite de jogadores (nem mínimo, nem máximo);
Deverá existir o número ideal de atletas que o treinador pensa que deve existir para levar a cabo o seu trabalho com rigor e seriedade;
Não poderão existir atletas em excesso, porque influenciam pela negativa a evolução técnico/táctica dos restantes atletas e o tempo de treino de cada um;
Cabe a cada treinador, mediante as condições de treino que dispõe no clube racionalizar os treinos.
Por exemplo se o grupo for enorme e tiver disponibilidade de pavilhão para treinos, pode dividir o plantel em grupos do mesmo nível técnico/táctico ao longo da semana.
Se treinamos uma equipa de competição preocupada em fazer formação:
Penso que o ideal será um plantel entre os 12 e os 13 elementos, dos quais 3 são guarda-redes;
Os treinos deverão ser de 90 minutos de forma a proporcionar pelo menos 60 minutos de tempo de empenhamento motor a cada atleta;
Cabe ao treinador "inovar" no planeamento do treino;
É importante neste tipo de plantel existirem jogadores com mais valia técnico/táctica que possam ser visualizados pelos de menor valia técnico/táctica.
Se treinamos uma equipa de competição:
Penso que o ideal são 11 atletas, dos quais 9 são jogadores de campo e 2 são guarda-redes, podendo perfeitamente aqui um dos 9 jogadores de campo ser por exemplo um atleta junior;
11 jogadores traz muito mais competitividade ao plantel e combate o comodismo que eventualmente possa existir;
Permite ao treinador ter mais soluções e gerir melhor a equipa no caso de lesões e castigos;
No caso de ser um junior facilita a integração no escalão senior, bem como poderá ser uma fonte motivadora para a equipa junior;
O risco de um jogador de campo adoecer ao longo da semana de treino, permite que a equipa possa trabalhar com normalidade. No caso de ser um dos guarda-redes a adoecer há que recorrer à equipa de juniores.
Notas
Em qualquer situação não vejo vantagens nenhumas em existirem plantéis com menos de 10 elementos.
Actualmente, compôr os plantéis apenas por 10 elementos é arriscado, quer em termos de gestão e soluções, quer em termos de "competitividade interna".
É óbvio que a qualidade de um plantel, bem como a questão financeira têm uma influência grande na decisão do n.º ideal de jogadores para um plantel.
Opinião pessoal de Helder Antunes
Qual é a sua opinião?
Deixe-nos um comentário.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Entrevista Técnica a José Mourinho

1- Utiliza um microciclo semanal tipo, no trabalho com a sua equipa?
JM - Sim, de uma forma global posso afirmar que existe um microciclo semanal tipo, no qual procuro englobar todos os fundamentos técnico-tácticos, e nunca dissociados do regime físico em que se realizam. Assim, cada microciclo utilizado é elaborado por todo o staff técnico que procura associar os objectivos físicos e técnico/tácticos que de uma forma geral asseguram o patamar de rendimento por nós considerado como o o ideal.
De acordo com a análise das necesseidades da equipa, quer pelas carências do jogo anterior quer pelas características do jogo seguinte, criámos um grupo de exercícios considerados suplementares ou específicos que nos ajudam a ir de encontro a essas mesmas necessidades.
2- Há diferenças nos microciclos tipo ao longo da época?
JM - Não na sua estrutura principal. Acredito firmemente na definição clara de objectivos e na elaboração de exercícios tipo. A análise científica dos índices físicos e a observação de oscilações nos comportamentos técnico-tácticos são também, para mim, dados influenciadores de modificações na estrutura do treino.
Assim, existem modificações que posso designar por microciclos de transição, na procura do equilíbrio ou da resolução de situações específicas.
3- Que objectivos fundamentais persegue em cada dia/sessão do microciclo semanal?
JM - Se sob o ponto de vista fisiológico o treino no dia seguinte à competição me parece fulcral, o dia livre após o stressante dia competitivo é para o jogador mais tradicional um momento apetecível. Daí, a nossa variação na escolha semanal do dia livre. Basicamente, estruturamos a semana da seguinte forma:
Dia 1: Recuperação activa e jogos de posição para os jogadores com mais de 55 min. de jogo. Trabalho de dominante física (resistência) e situações competitivas para os restantes;
Dia 2: (Manhã) Dominante força em regime de resistência e finalização. (Tarde) Dominante técnico/táctica - organização ofensiva;
Dia 3: Dominante técnico/táctica - combinações tácticas no ataque. Finalização em regime de velocidade;
Dia 4: Dominante técnico/táctica - sectores e organização colectiva (em relação ao próximo jogo);
Dia 5: Velocidade de reacção - jogos de posição. Bolas paradas (esquemas tácticos).
4- Considera que a utilização de exercícios da componente técnico/táctica deverá ocorrer desde o início da época? Ou considera que os exercícios de dominante física são mais importantes neste período?
JM - Absolutamente sim, desde o primeiro dia. O modelo de jogo é o mais importante, e para que seja predominante, o modelo de treino deve inicidir claramente na dominante técnico/táctica. As posições e o inerente conceito de posição-funções devem ser trabalhados desde o início e a íntima relação com os regimes físicos ou vice-versa é plenamente compatível. Porque não trabalho de dominante técnico/táctica, em que a componente seja, por exemplo, passe em contexto táctico, realizado em regime físico de resistência?
5- Qual a importância da análise do último jogo realizado, para a preparação do seguinte?
JM - Fundamental, não só a a nível individual, mas principalmente a nível colectivo. A detecção dos erros e dos pontos chave positivos são importantíssimos. A procura de soluções para o erro e a continuidade do reforço positivo são aspectos que considero chave e que sempre incluo na definição do microciclo semanal seguinte. Por exemplo, a cosntatação pela análise do jogo que a construção de jogo da minha equipa na suas duas primeiras fases precisava de ser aprimorada, levou-me a treinar de manhã com 11 jogadores e à tarde com outros 11 (durante 3 dias), na procura da sistematização das saídas a partir das diferentes posições do primeiro terço. Posso dispensar os jogadores de verem o vídeo, mas eu e o meu staff não o podemos dispensar, a análise e a discussão com todo o grupo também é fundamental. Ao conseguir que o grupo começasse a comunicar e a ter sentido crítico, promovemos o nosso próprio desenvolvimento.
Fonte: Revista Training n.º3 in "5 Perguntas a...", 2001. (Na altura o Professor José Mourinho era o treinador principal do Sport Lisboa e Benfica).
Fotos retiradas de jornais Britânicos com publicação on-line.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

COMO SE CONSTRÓI UMA EQUIPA - "BREVES CONCEITOS"

Prof. Fernando Luís
Seleccionador Nacional de Voleibol de 1986 a 1992;
Campeão da Taça Europeia - Top Teams Cup - pelo SC Espinho, em Voleibol;
Preparador Físico da Selecção Nacional de H. Patins de 2000 a 2002;
Preparador Físico do FC Porto - H. Patins - 2000 a 2003;
Professor de Educação Física;
Detentor de todos os títulos nacionais de H. Patins (FC Porto e OC Barcelos).
Entre muitas outras coisas mais.

Nunca é de mais aprendermos algo com alguém como quando se trata de uma pessoa como o Prof. Fernando Luís. Antes de entrar propriamente no tema, aproveito para agradecer publicamente ao Prof. Fernando Luís tudo o quanto me ensinou como professor, como treinador e acima de tudo como homem. Foi um prazer ser seu aluno. Esta não é só a minha opinião, tenho a certeza que todos os alunos do Prof. Fernando Luís partilham da mesma opinião.
Após esta breve introdução, vale a pena reflectirmos sobre as seguintes afirmações sobre como se costrói uma equipa:
"Se o potencial humano não for trabalhado e respeitado, de forma a que tudo se contabilize positivamente em jogo, tudo ruirá".
"É o comportamento e a atitude dos jogadores que fazem os bons treinos".
"Em cada contacto com a bola, os jogadores devem sempre dar o melhor da sua capacidade".
"A palavra treino engloba todos os elementos do desenvolvimento da equipa. Não se trata apenas da organização de exercícios".
"Se o treinador for desleixado, inconsistente ou indisciplinado, a acumulação de experiências negativas reflectir-se-á na flata de orgulho da equipa, fraca auto-imagem e prestações sem brilho".
"Se o treinador exige elevados padrões de qualidade no comportamento dos jogadores, então a acumulação de boas experiências aparecerá nos resultados".
"Disciplina igual a fazer o que deve ser feito, significa fazer não cinco minutos mais tarde nem duas jogadas depois, mas sim, naquele momento".
"A equipa é muito mais do que uma soma de jogadores de bom nível".
"Uma equipa personalizada implica uma equipa muito bem trabalhada e isso provocará um balneário fortíssimo, que será o verdadeiro antídoto contra todas as invejas exteriores".
"Para o treinador os interesses da equipa e a preservação do colectivismo, estão acima de qualquer individualidade, por mais representativa que ela seja".
"O treinador não pode ser um homem só".
"Definição de tarefas, aspecto a andar em frente".
"Quem está mal, muda-se".
"Ser exigente não é ser injusto".
"O treinador nunca deve hesitar na aplicação de regras, nem na tomada de decisões".
"Servir, mais do que servir-se, para ser respeitado".
"O treinador deve estabelecer regras e normas de conduta em treino".
"Motivar - eis um ponto fulcral e vital para os treinadores".
Fonte: Professor Fernando Luís, in "Os árduos caminhos para a vitória"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

TREINO DE JOVENS

Treinar crianças e jovens é uma actividade extremamente interessante, mas atribui a todos os que a acompanham, organizam e dirigem, em particular ao treinador uma grande responsabilidade, face à sociedade, mas essencialmente face ao próprio praticante pois treinar jovens poderá ser também um risco e, tanto maior é o risco quanto mais impreparados, os intervenientes no processo estiverem.
Tal como diz Tony Byrne "Em si mesmo o desporto não é bom nem mau. Os efeitos positivos e negativos associados ao desporto não resultam da participação em si, mas da natureza da experiência vivida. Frequentemente, chegamos à conclusão que um elemento importante da determinação da natureza daquela experiência é a qualidade da liderança dos adultos que a dirigem."
Parece-nos claro que nada se deve fazer sem um planeamento prévio, e este aspecto ganha ainda mais importância quando estamos a falar de jovens que ainda estão a ser educados/formados. Assim sendo, devemos elaborar um plano pedagógico e metodológico, devidamente estruturado, onde devemos definir, os meios, métodos e estratégias de actuação neste processo de ensino-aprendizagem.
Hoje em dia é claro, para a maioria das pessoas, que a formação, seja ela desportiva ou não, das crianças e jovens, deve ser, substancialmente diferente da dos adultos. Mais do que isto, é sabido que a formação e preparação da criança e do jovem deve respeitar as etapas de crescimento e maturação das estruturas e funções do indivíduo, ou seja, do seu desenvolvimento biológico. Desta forma é necessário que a prática desportiva estimule o processo de desenvolvimento, evitando as situações que o possam prejudicar.
Assim, a escolha dos treinadores adequados às necessidades dos jovens atletas, destaca-se como uma das primeiras preocupações que qualquer clube deve ter. Um bom treinador na área do treino de jovens, deve ter a clara noção que a sua actividade não se limitará a preparar e transmitir o treino. Ele desempenhará uma função de grande impacto social, educativo, formativo e desportivo, pois os jovens aprendem a maior parte dos seus comportamentos e atitudes, estruturando a sua personalidade sobretudo pela acção que os adultos lhes proporcionam. Neste contexto de treino de jovens, referindo-me em particular aos treinadores, parece-me essencial reunir, pelo menos, sete domínios importantes que irei passar a enumerar:
Bom senso.
Formação específica na modalidade.
Formação no terreno.
Formação académica.
Experiência e talento na condução de grupos.
Experiência de jogo como jogador.
Sentimentos de satisfação pela actividade desenvolvida.
O bom senso deve ser a base de trabalho, quer no futebol, quer em qualquer outra actividade a exercer. Qualquer pessoa tem noção que gerir o nosso dia-a-dia, requer uma boa dose de bom senso. Temos de saber "ver e ler" as situações e se necessário alterar o rumo dos acontecimentos sempre que se justifique.
Quanto à formação específica na modalidade, entendo que o estudo constante dos conteúdos específicos do futebol permite uma melhor adequação aos diversos contextos onde estamos inseridos. Temos de sentir a necessidade de alargar os nossos horizontes e aprender mais, porque é disso que necessitamos quando somos chamados a resolver problemas.
Quando falo de formação no terreno, estou a referir-me à capacidade de planear, executar, analisar, criticar e avaliar todo o processo de ensino-aprendizagem. O treinador deve questionar constantemente o seu trabalho, procurando sempre saber onde e como pode melhorar. Deve questionar constantemente a qualidade e os efeitos da sua intervenção, do conhecimento que tem da modalidade, verificando se esse conhecimento ainda se mantém válido e actualizado, avaliando igualmente as relações afectivas que se estabelecem.
Relativamente à formação académica, é importantíssimo ter sempre presente a percepção e domínio de todas as componentes inerentes à prática desportiva, ou seja, ter sempre presentes os conhecimentos adquiridos e actualizados sobre diversas áreas das quais destaco, a fisiologia do esforço, pedagogia do desporto, psicologia desportiva, metodologia do treino, entre outras.
Considero a experiência e o talento na condução de grupos como uma valência importante. O treinador deverá possuir traços de personalidade que lhe permitam exercer vários tipos de liderança, isto é, o técnico deve transformar, se necessário, a sua personalidade, adaptando-a a cada momento. O mais crucial é a gestão dos recursos humanos ao nosso dispor. É importante ter uma personalidade forte e tentar impô-la, sem, no entanto, criar medos nos jovens.
A experiência como jogador, não sendo de transcendente importância é, no meu entender, muito útil e rica no prever, identificar e antecipar de situações que podem ocorrer no treino e no jogo. É o chamado "feeling" que a vivência de inúmeras situações traz.
Se a tudo o que anteriormente foi referido, acrescentarmos os sentimentos de satisfação pela actividade desenvolvida com crianças e jovens, então teremos a garantia de sucesso.
Para finalizar, deixo a opinião de Marcelo Lippi, "Treinar jovens é uma missão. Pelo menos era como eu o sentia e é isso que quero dizer aos que treinam jovens futebolistas, treinar jovens não deve ser encarado como um ponto de passagem na carreira".
Fonte: Mister Ricardo Damas.
http://www.academia-de-talentos.com/

domingo, 19 de abril de 2009

SAIBA AQUI OS RESULTADOS DE MAIS UMA VOTAÇÃO LEVADA A CABO PELO BLOGUE THP


A opinião dos leitores do THP foi esclarecedora. Queremos agora que partilhe connosco o seguinte:
O que é preciso mudar nestes quadros competitivos?
O que se deve manter?
Que aspectos urge mudar rapidamente?
Qual será o formato ideal para este tipo de competições?
Deixe-nos aqui o seu comentário/opinião...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

H.P. - EXERCÍCIOS PARA VELOCIDADE E RESISTÊNCIA

TREINO DE VELOCIDADE
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TREINO DE RESISTÊNCIA

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Fonte: Carles Freixedes, 2007, in
http://www.rollertrainer.com/exercicis/prepfisi_ex.html

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A TÃO AMBICIONADA VITÓRIA...

A tão ambicionada Vitória é o que todos (atletas, treinadores, dirigentes, pais, sócios, simpatizantes, adeptos, etc.) querem e ambicionam.
Não conheço ninguém ligado ao desporto que não ambicione tal. A tal da Vitória. Por vezes não se olham a meios nem a fins para se chegar à tal da Vitória, mas será que esse meios valem mesmo a pena?
Será que no caso de estarmos por exemplo a falar de atletas em idade de formação, quer como atletas, quer como homens, que compensará "ultrapassarmos" barreiras no que diz respeito à formação para alcançarmos a tal ambicionada Vitória?
Será que os treinadores tudo o que fazem é quase sempre tudo mal feito quando perdem jogos? Eu por exemplo não conheço nem nunca conheci nenhum treinador que tudo o que fizesses (equipa inicial, substituições, tácticas, treinos, etc.) fosse para perder o jogo ou não procurar a tal da Vitória.
Será que é mais importante chegar à tal Vitória hoje e comprometer o futuro desportivo nomeadamente dos atletas do que "cimentar" bem no hoje uma boa evolução técnica/táctica, comportamentos e atitudes?
Mesmo na competição a sério, a tal da Vitória serve e vale a pena para disfarçar muito do mal que se trabalha e para disfarçar a casa que está prestes a ruir?
Será que a tal da Vitória é mais importante que tudo?
Será que a tal da Vitória aparece sem esforço, dedicação, treino, trabalho, espírito de sacrifício e humildade?
Será que a tal da Vitória só é contabilizada em termos de golos marcados e sofridos? É somente isso? Isso que todos querem e buscam é somente marcar mais golos do que aqueles que se sofre?
Como calculam não vou aqui dissertar as minhas respostas, apenas pretendo com esta publicação que se faça uma reflexão sobre o assunto e já agora que manifestem a vossa opinião, deixando os vossos comentários aqui no blogue. Para os que ainda não perceberam bem o cerne da questão eis que deixo ainda aqui algumas frases sobre o assunto que nos podem ajudar.
“Um bom general deve não apenas conhecer o modo de vencer, mas também saber quando a vitória é impossível.” Políbio

“Se não existe possibilidade de fracasso, então a vitória é insignificante.” Robert H. Schuller
“Para alcançar a vitória, deve colocar o seu talento no trabalho e o seu génio na sua vida.” Oscar Wilde
“Ou você se compromete com o objectivo da vitória, ou não.” Ayrton Senna
“Os problemas da vitória são mais agradáveis do aqueles da derrota, mas não são menos difíceis.” Sir Winston Churchill
“O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.” José Saramago
“O momento difícil não é a hora da luta, mas a da vitória.” Talleyrand
“O importante em cada vitória foi a emoção.” Ayrton Senna
“Nenhuma grande vitória é possível sem que tenha sido precedida de pequenas vitórias sobre nós mesmos.” L. M. Leonov
“Nenhum líder, por maior que seja, pode seguir liderando por muito tempo a não ser que conquiste vitórias.” Bernard Montgomery
"O primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer!” Mahatma Gandhi
“Cuidado para que as vitórias não carreguem a semente de futuras derrotas.” Ralph W. Sockman
“Aquele que sabe vencer-se na vitória é duas vezes vencedor.” Publílio Siro
“Aquele que obtém uma vitória sobre outros é forte, mas aquele que obtém uma vitória sobre si próprio é todo - poderoso.” Lao-Tsé
“A vitória tem mais de uma centena de pais - a derrota, por outro lado, essa, é órfã.” John F. Kennedy
“A vitória é mais doce quando se conheceu a derrota.” Malcolm Stevenson Forbes
“A primeira e melhor vitória é conquistar-se a si mesmo.” Platão

quinta-feira, 9 de abril de 2009

COMPARAÇÃO DA INSTRUÇÃO ENTRE UM TREINADOR DE JUNIORES E DE SENIORES NA MODALIDADE DE HÓQUEI EM PATINS NA SUA PRELECÇÃO - ESTUDO DO CASO

Nota: Do presente trabalho que se segue, apenas retiramos as conclusões do mesmo. Aconselhando desde já, todos os leitores do blogue a visualizarem o trabalho na sua totalidade AQUI.
CONCLUSÕES DA PRELECÇÃO DOS JOGOS DE JUNIORES
As conclusões, que de seguida passamos a apresentar, são sustentadas pelos resultados obtidos nesta investigação e apoiados pelas tabelas e pelos gráficos acima apresentados, que demonstram a soma de todos os valores obtidos ao longo dos quatro jogos.
I- A informação que o treinador debita ao longo das suas prelecções é essencialmente Prescritiva (51%), o que significa que prescreve atitudes e comportamentos para a obtenção de sucesso na competição.
II- O treinador, também utiliza com frequência informação de carácter Descritivo (34,4%), ou seja, descreve o gesto ou a atitude a tomar pelo atleta, de forma a ter êxito nas suas acções.
III- Ao analisar a soma dos resultados ao longo dos jogo, constatamos, que a % de Avaliação Positiva (AV+) e de Avaliação Negativa (AV-) são idênticas, (4,7% e 4,9% respectivamente), mas a verdade, é que os valores obtidos pela categoria AV-, aparecem num contexto especial, que como já foi relatado, resulta do facto de o treinador aproveitar a prelecção de um jogo, para criticar os seus atletas pelo seu desempenho no jogo do dia anterior. Como tal, com a excepção de um jogo analisado (jogo nº4), o treinador em estudo utiliza com muito mais frequência informação que contem AV+ do que AV-.
IV- Constatamos, ao abordar os resultados obtidos, que na sua prelecção, é um treinador pouco emotivo, proferindo pouca informação com Afectividade Positiva, aliás, tal só acontece aquando do grito de guerra e uma ausência total de informação que contem Afectividade Negativa.
V- A informação debitada é essencialmente dirigida à equipa (89,9%), não profere quase informação a grupos de atletas (1,5%). Para os atletas (8,5%), demonstra alguma preocupação, apesar de não ter uma % muito expressiva.
VI- A informação proferida é essencialmente de ordem Táctica (57,3%), contudo, o treinador também demonstra ter preocupações com a vertente Psicológica, detendo esta categoria, 24,1% da informação total que o treinador debitou. A categoria Equipa Adversária detém 10% do total da informação, o que demonstra, que apesar de não descurar na sua totalidade esta categoria, é provável que a aborde durante a semana de uma forma mais específica, tal como acontece com a categoria Técnica (5,6%).
VII- Neste escalão, constata-se que o objecto de estudo, descura na sua totalidade a informação de cariz Físico, algo que pode ter haver pelo facto das características físicas da sua equipa, pelo facto de tecnicamente a sua equipa ser superior às demais, independentemente da sua condição física, pode abordar essa questão durante a semana, ou então pelo facto de as equipa em competição terem atletas todos dentro do mesmo escalão etário.
Em suma, conclui-se:
Que o treinador estudado, neste escalão, não tem a tendência para encarar a sua prelecção com o discurso do tipo guerreiro, baseando-se apenas nos aspectos de emotividade e agressividade. Sobre este assunto, Valdano (2002), citado por Pacheco (2005) foi claro ao afirmar que “ …os treinadores que passam os dias a falar de luta, garra e coragem, são os que têm pouco ou nada para ensinar”.
A sua prelecção é essencialmente dirigida à equipa e centrada em aspectos que visam a melhoria das performances tácticas, de forma a anular as potencialidades e a aproveitar as dificuldades do adversário, assim como, potenciar o que a sua equipa tem de melhor para obter o êxito na competição, não descurando a necessária estabilização psicológica dos seus atletas.
CONCLUSÕES DA PRELECÇÃO DOS JOGOS DE SENIORES
As conclusões, que de seguida passamos a apresentar, são sustentadas pelos resultados obtidos nesta investigação e apoiados pelas tabelas e pelos gráficos acima apresentados, que demonstram a soma de todos os valores obtidos ao longo dos quatro jogos.
I – A maioria da informação emitida por este treinador ao longo dos quatro jogos, foi de cariz prescritivo (52%), tal facto, indica-nos, que o nosso objecto de estudo, tem por hábito, prescrever, ou seja, indicar ao seus atletas, durante a prelecção, o melhor caminho para obterem sucesso no jogo.
II – O nosso objecto de estudo, também utilizou com muita frequência, informação descritiva (43,6%), principalmente, quando desejava descrever comportamentos previsíveis dos seus adversários, ou atitudes que ele considerava importantes a tomar por parte dos seus atletas durante o jogo.
III – É um treinador, pouco dado nas suas prelecções, quer a elogios, quer a reprimendas aos seus atletas, pois a categoria Av +, apresenta a baixa % de 2,6% e a de Av – de 0,3%. Tais resultados, podem demonstrar, que por um lado não gosta de fazer muitos elogios à sua equipa antes de entrarem em ringue, pois não quer que os seus atletas se julguem os melhores do mundo, como por outro lado, também não realiza reprimendas antes dos jogos, de forma, a que os seus atletas não entrem para o jogo com a auto-estima em baixo, preferindo, dar os seus feedbacks, provavelmente ao intervalo, no final do jogo, ou durante a semana de trabalho.
IV – É um treinador, que realiza poucos questionamentos á sua equipa durante a prelecção (1,0%), talvez, de forma a aproveitar melhor o tempo, a prescrever ou descrever atitudes para os seus atletas repercutirem durante o jogo, ou então, o treinador pode ter a velha máxima defendida por muitos agentes desportivos que “ os treinadores treinam e os jogadores jogam”, como tal, ele é que tem que falar nas suas prelecções e não os jogadores.Ao longo das prelecções, através do seu discurso, foi perceptível que este treinador fala muito durante a semana com os seus jogadores, sendo muito provável, que durante a semana e aquando do visionamento do vídeo sobre o adversário, ou sobre o jogo passado da sua equipa, que questione, nessas alturas, os seus atletas sobre os aspectos que considere mais pertinentes.
V – É um treinador pouco emotivo nas suas prelecções, pois de Af+, apresenta um total de informação deste tipo de 0,5% e de Af – de 0,0%. De referir, que a maior parte da pouca informação proferida pelo treinador de Af +, foi aquando do “grito de guerra”.
VI – A informação debitada, é essencialmente, dirigida para toda a equipa (90,6%), assim como, também tem alguma preocupação na informação proferida a cada jogador, tendo a categoria “Atleta”, atingido ao longo dos quatro jogos a % total de 8,6%.A categoria “Grupo de Atletas”, é quase marginalizada ao longo dos quatro jogo (0,8%).
VII – A maioria da informação proferida, é essencialmente de ordem táctica (46%), sendo que também não negligencia informação de carácter psicológico (24%), e sobre a equipa adversária (21%).Sobre aspectos físicos, o treinador, apesar de não marginalizar, também não dá uma extrema importância a este aspecto na reunião que antecede ao jogo, pois da sua informação total, apenas 9,0% são sobre aspectos físico, e mesmo assim ao analisarmos este valor, devemos levar em linha de conta, que ao longo dos quatro jogos, o treinador debitou 69 unidades de registo sobre esta categoria, sendo que em dois jogos não debitou nenhum.Nos outros dois, num primeiro abordou este aspecto por 22 vezes e num segundo, abordou por 47 vezes, o tal jogo, no qual, os seus atletas realizaram cinco viagens de avião, acusando um natural desgaste, como tal, se esse infortúnio não tivesse sucedido, seria normal, esta categoria apresentar uma 5 mais baixa.
VIII – O nosso objecto de estudo, aquando das suas prelecções, ignorou, por completo a categoria técnica (0,0%), sendo normal, fazê-lo durante a semana, até pelo facto de a sua equipa treinar 2 vezes por dia, é natural, que alguns dos treinos da semana, estejam destinados a aspectos de aprumo técnico.
Conclui-se:
Que ao traçarmos o perfil das prelecções do nosso objecto de estudo, nos jogos realizados no escalão sénior, que é um treinador, que centra essencialmente a sua informação em aspectos prescritivos ou descritivos, fundamentalmente dirigidos à equipa e que têm o intuito de avisar os receptores dessa mesma mensagem, principalmente para aspectos de ordem táctica. Quando não são de ordem táctica, reparte essa mesma mensagem por conteúdos psicológicos ou sobre o adversário.
Para descarregar ou visualizar o trabalho completo:
http://fpp.pt/dtn/plano/
Fonte: Hugo Lourenço e Mestre Rui Alves, in Trabalho de Investigação, Pedagogia do Desporto 2, “Comparação da instrução entre um treinador de juniores e de Séniores na modalidade de Hóquei em Patins na sua prelecção – Estudo Caso” - ISCE - Instituto Superior de Ciências Educativas, 2006/2007, retirado do site da FPP

segunda-feira, 6 de abril de 2009

AS QUALIDADES/CAPACIDADES DO TREINADOR

Publicação de Opinião Pessoal
«Quando falamos no perfil de um treinador, normalmente falamos nas qualidades e capacidades que o mesmo deve possuir. Neste sentido enumeramos aqui algumas dessas capacidades.
CAPACIDADE DE CONHECIMENTO E ATITUDE
- Ter conhecimentos científicos da modalidade;
- Ter conhecimentos no domínio disciplinar;
- Ter conhecimentos no domínio do ensino;
- Procurar sempre estar actualizado;
- Estar em constante aperfeiçoamento.
CAPACIDADE PROFISSIONAL
- Dominar os conteúdos a ensinar (técnicos e tácticos);
- Dominar os instrumentos relativos ao processo de aprendizagem;
- Promover o sucesso da equipa adaptando as estratégias de ensino às condições concretas do clube;
- Ser capaz de fazer análise crítica;
- Ser capaz de elaborar autocrítica e heterocrítica;
- Pautar pelo comportamento pensativo, abertura e optimismo;
- Ter confiança no seu próprio trabalho e saber transmitir autoconfiança;
- Promover a cooperação;
- Saber lidar com as diferenças culturais.
CAPACIDADE DE GESTÃO
- Saber gerir o ensino na base da inter-relação clube-meio e teoria-prática;
- Articular os objectivos da equipa de acordo com os meios disponíveis (financeiros, logísticos e humanos);
- Definir estratégias reais para atingir os objectivos propostos;
- Saber gerir com eficiência todos os recursos disponíveis;
- Saber criar hábitos de trabalho;
- Desenvolver o espírito de responsabilidade e de autonomia;
- Superar situações imprevistas em todos os âmbitos;
- Conhecimento e identificação de factores perturbadores.
CAPACIDADE E ATITUDE SOCIAL
- Promover o espírito de solidariedade, inter-ajuda, afectividade e espírito de sacrifício, etc.;
- Saber "despir" a roupa de treinador e "vestir" a de amigo, pai, irmão, etc. de acordo com a exigência da situação;
- Trabalhar no sentido de criar as condições favoráveis ao nível da motivação, da entrega, da disciplina, da obediência, etc.
São alguns exemplos de qualidades do treinador que exprimem aspectos de ordem humana, intelectual e profissional. Sublinha-se que as mesmas não são inatas, mas podem ser adquiridas, constituídas, formadas, preparadas, graças a um processo formativo correctamente conduzido e também à medida que se adquire experiência no "terreno".»
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PETERSON, Pedro Domingos, "O Professor do Ensino Básico", Edições Piaget - Horizontes Pedagógicos, 2003

quinta-feira, 2 de abril de 2009

MELHORIA DA CAPACIDADE INSTRUCIONAL DO TREINADOR

"Ainda que poucas vezes reconhecido explicitamente pelos treinadores, os atletas são uma das fontes mais importantes de aprendizagem e desenvolvimento da capacidade instrucional do treinador.
São os atletas que fazem o treinador. São eles que lhe propiciam a experiência e lhe dão a matéria para reflectir e aperfeiçoar a sua prática.
Se as explicações são confusas, palavrosas, inconsistentes, contraditórias ou incorrectas, as respostas dos atletas vão dar conta disso.
Se os exercícios estão mal desenhados, mal calibrados em termos de dificuldade, de intensidade, de duração, as respostas vão-lhe começar por dar indícios disso até se tornarem mais que patentes.
S
e o treinador falha na colocação de exigências ou na responsabilização pelas exigências colocadas, a forma e a qualidade respostas dos alunos por certo vão revelar um grau de comprometimento com as tarefas de treino aquém do desejado.
É bom que se tenha presente que a experiência e até a reflexão sobre a experiência, sendo imprescindíveis, não induzem necessariamente a aprendizagem num sentido positivo, no sentido da melhoria da capacidade instrucional. Pode-se por exemplo aperfeiçoar um tipo de treino rotineiro, acomodado, pouco desafiador. Pode-se, pior ainda, desenvolver e refinar orientações, práticas e formas de relacionamento avessos a uma cultura desportiva saudável e eticamente referenciada.
Os treinadores melhoram a sua capacidade instrucional através da busca e selecção de exercícios para trabalhar os diversos conteúdos do treino.
A melhoria da capacidade instrucional é sem dúvida alguma o resultado de um esforço individual de estudo, de actualização de conhecimentos, de preparação cuidada, de monitorização e de reflexão sobre o treino e a competição, mas ficará sempre seriamente limitada se permanecer fechada sobre si, se não se abrir para um contexto de intercâmbio de ideias e de práticas e de procurar nesse intercâmbio os sinais de renovação e mudança no treino desportivo.
As modalidades constituem comunidades de prática, organizam competições que são um barómetro importante para cada treinador objectivar a evolução dos seus atletas, e a comunidade extrair ilações sobre o mérito e a consistência de atletas, treinadores e a sua capacidade instrucional. E na formação não são apenas os resultados que contam, é mais interessante perspectivar a partir dos resultados e da qualidade dos desempenhos e aquilo que eles deixam antever para resultados futuros.Uma modalidade que quer crescer e progredir tem que fomentar dentro de si mecanismos e processos de intercâmbio de conhecimento e experiências que estimulem a formação e o desenvolvimento da capacidade instrucional dos treinadores e das práticas de treino.
A instrução como interacção entre treinador , atletas e conteúdos do treino
Poderíamos ainda falar de outros factores de envolvimento que condicionam a capacidade instrucional. Porém, gostaria que olhássemos agora para o interior do processo instrucional propriamente dito.
A definição de instrução costuma ser restringida apenas à actividade do professor ou do treinador, e muito particularmente à sua actividade comunicativa relacionada com a transmissão de informação. Se adoptarmos, no entanto a perspectiva de Cohen et al. (2001), a instrução é entendida como um processo interactivo entre treinador, atletas e conteúdos num contexto social concreto.
No processo de instrução, os treinadores:
1. avaliam as necessidades, os interesses e as respostas dos atletas no treino e na competição, o que constitui um pressuposto essencial para a estruturação de qualquer programa, para o qual precisam depois de mobilizar os recursos disponíveis;
2. concebem, seleccionam e adaptam exercícios para concretizar os objectivos de treino, optimizando os recursos disponíveis e comunicando e interagindo com os restantes de forma a transmitir-lhes aquilo que pretende, o que é preciso valorizar no trabalho, conseguindo a sua mobilização na actividade entendendora como algo que lhes é útil e que contribui para o seu desenvolvimento;
3. apresentam as tarefas, dão explicações, comunicam expectativas e exigências sobre o que deve ser feito e como deve ser feito no treino e na competição;
4. supervisionam, orientam, regulam e apoiam a actividade dos atletas, o confronto dos atletas com as tarefas do treino e da competição, verificam a qualidade do participação, informam das correcções a introduzir.
Se ficássemos por aqui na definição de instrução, colocaríamos os atletas na posição de objecto da actividade dos treinadores, ainda que tivéssemos o cuidado de a configurar como uma actividade sensível às particularidades dos atletas e dos conteúdos.
O processo de instrução não resulta apenas da acção dos treinadores, mas antes da acção conjunta de treinadores e atletas sobre um conteúdo num dado envolvimento, ao longo do tempo. Devemos sempre recordar que estes atletas não se apresentem em branco no processo de aprendizagem que vão viver.
No processo de instrução, os atletas:
1. não são elementos passivos, no direccionamento ou no desenvolvimento das actividades do treino e da competição;
2. trazem consigo um passado, uma história, conhecimentos, capacidades e disposições, expectativas e motivações que condicionam o que se pode passar e o que efectivamente se passa no treino e na competição;
3. interpretam e respondem às intervenções e solicitações dos treinadores, às exigências das tarefas de um modo concreto que vai condicionar (de forma positiva ou negativa) a acção dos treinadores e a qualidade do treino;
4. são coautores do treino, que é uma construção conjunta de treinadores e atletas. Aquilo que de facto vai acontecer no treino é fruto do que o Treinador pensou, daquilo que o Treinador fez no treino, mas igualmente da resposta dada pelos atletas àquelas propostas e da influência que exercem sobre a orientação do treino.
Um treinador que quer optimizar a capacidade instrucional do seu programa de treino não centra em si apenas as responsabilidades do treino, dá espaço e estimula e releva outras fontes de ensino, nomeadamente, os atletas, proporcionando actividades de exploração e busca de soluções produtivas, fomentando o trabalho cooperativo de pequenos grupos, o trabalho de pares. Enfim criando um clima de trabalho no treino, responsabilizante, em que os atletas assumem os objectivos e as tarefas do treino e partilham experiências e conhecimentos entre si, não estão apenas dependentes de uma única fonte de informação, o treinador. Os atletas de nível mais elevado e mais experientes modelam comportamentos e habilidades e ampliam as fontes de fornecimento de feedback e de apoio à actividade de aprendizagem dos seus colegas.
Em suma, o treinador cumpre diferentes papéis de instrução e recorre a diferentes estratégias de instrução, em conformidade com as particularidades dos objectivos e conteúdos de treino e o nível de aquisição ou capacidade de resposta dos atletas.
Destacamos:
- o papel de transmissor, muitas vezes considerado o de maior importância, que valoriza a as estratégias de instrução directa: (apresentação clara e concisa dos conteúdos, demonstração do modelo correcto, progressão passo a passo das tarefas de exercitação, supervisão activa e feedback permanente do treinador).
- o papel de tutor, valorizando as estratégias de descoberta guiada, de desafio e provocação cognitiva, pois sendo o atleta um sujeito activo na sua própria aprendizagem, o atleta deve ser estimulado a pensar não apenas sobre o produto, mas também sobre a forma como ele é alcançado e construído. O treinador deve estimular o atleta a pensar sobre o processo, com recurso à descoberta guiada, interrogando, questionando, obrigando a reflectir;
- o papel de coach (em sentido abrangente, entendido como líder e catalizador de uma comunidade de prática), valorizando estratégias de aprendizagem cooperativa em torno de problemas reais oriundos da sua prática desportiva. O treinador envolve-se conjuntamente com os atletas na resolução de problemas, dá espaço e incentiva a exploração, busca e descoberta de soluções, estimula a entre-ajuda, mas também fornece informação, demonstra e corrige. Muitos dos problemas reais da prática desportiva aparecem sob a forma de questões cujas soluções não são únicas, nem podem ser predeterminadas.
No que diz respeito ao ensino de novos conteúdos, sejam eles conceitos, habilidades, ou estratégias, a sua aprendizagem é facilitada quando:
1. a introdução dos novos conteúdos preconiza que os atletas se envolvam na resolução de problemas reais da competição;
2. os novos conhecimentos se constroem sobre o reportório que os atletas já dominam;
3. os novos conteúdos são demonstrados aos atletas para que eles tenham a percepção daquilo que se lhes pede;
4. os atletas têm oportunidade de treinar e aplicar os novos conteúdos em contextos competitivos;
5. o novo conhecimento é integrado no desempenho competitivo.
Os treinadores e atletas trabalham sobre os conteúdos do treino fundamentalmente através dos exercícios e séries de exercitação, pelo que o sucesso do treino depende da qualidade e da eficácia do exercício (Queiroz, 1986). Escolher e organizar bons exercícios é um ingrediente fundamental da capacidade instrucional do treinador.
Da sua experiência como jogador, da observação do treino de outros treinadores, da consulta de dossiers ou conversas com outros treinadores da frequência de cursos, e Clinics , de livros, de revistas, de fontes electrónicas, os treinadores recolhem exercícios ou ideias para desenhar exercícios para arquitectar o seu programa de treino.
Porém, mesmo os exercícios mais ricos para trabalhar um determinado conteúdo e bem ordenados na lógica do programa de treino só surtem o efeito desejado se o treinador tiver conhecimento e o usar convenientemente para poder coordenar a instrução apoiar e corrigir a execução e, por outro lado se os atletas se mobilizarem para um confronto adequado com os objectivos da tarefa."
Fonte: Amândio Graça -
http://www.antvoleibol.org/