quinta-feira, 28 de maio de 2009

TREINAR NO VERÃO

Seja treino à séria ou um jogo de futebol com os amigos, a actividade física com temperaturas altas exige cuidados especiais. Os especialistas da Clínica Mayo (EUA) explicam-lhe quais.
Sabia que a temperatura exterior afecta o seu corpo enquanto treina?
O tempo quente sobrecarrega o sistema cardiovascular, exigindo-lhe um esforço extra. Para além do calor, o aquecimento proveniente do exercício aumenta a temperatura do corpo. Para dissipar o calor, uma maior quantidade de sangue é posta a circular na pele, retirando algum sangue dos músculos, o que eleva o batimento cardíaco. Se a humidade for elevada, o organismo enfrenta um duplo desafio, já que, como não evapora facilmente, a transpiração não consegue por si baixar a temperatura do corpo. Em condições normais, a pele, os vasos sanguíneos e os níveis de perspiração ajustam-se ajustam-se ao calor.
Expostos a temperaturas elevadas - muito elevadas ou durante muito tempo - estes processos de arrefecimento geralmente muito eficazes podem falhar, dando origem a doenças relacionadas com o calor, como cãibras, exaustão ou ataque de calor.
Recomendações práticas:
Vá com calma.
Se costuma treinar em recintos fechados ou em ambientes mais frescos, não abuse muito ao início. Aumente gradualmente a duração e a intensidade do exercício à medida que o seu corpo se adapta à temperatura. No caso de tomar medicamentos ou ter uma doença crónica grave, pergunte ao seu médico se necessita de tomar precauções extra.
Beba muitos líquidos.
A capacidade de transpirar e arrefecer estão dependentes de uma hidratação adequada. Mesmo que não tenha sede, beba bastantes líquidos enquanto faz exercício. Se o treino for superior a uma hora, prefira bebidas desportivas (que repõem o cálcio, o sódio e o potássio perdidos através da transpiração) e evite o café e o álcool (que aceleram a perda de líquidos).
Vista-se adequadamente.
Roupas leves e não muito apertadas promovem a evaporação do suor e o arrefecimento do corpo. Prefira roupas claras e escuras e não se esqueça do chapéu, para limitar a exposição ao sol, no caso do treino ser ao ar livre.
Evite o sol do meio-dia.
Já sabe que são as piores horas, seja para bronzear ou fazer exercício ou ar livre. Se possível, marque o treino para antes (até às 10h) ou depois (após as 18h). Se não, procure uma sombra ou treine numa piscina.
Use protector solar.
Use protector solar em treinos ao ar livre durante o dia. As queimaduras solares afectam a capacidade de arrefecimento do corpo.
Saiba parar.
Se sentir fraqueza, tonturas, dores-de-cabeça, cãibras, náuseas, vómitos ou arrepios, pare imediatamente de fazer exercício.
Procure uma sombra, beba muita água e tente arrefecer o corpo com uma ventoinha ou com água. Se detectar febre ou se não se sentir melhor nos 30 minutos seguintes, solicite ajuda médica.
Fonte: in,
http://www.performance.pt/html/fitness_desc.asp?id=210

quinta-feira, 21 de maio de 2009

"COMO VAI O HÓQUEI EM PATINS FEMININO EM PORTUGAL?"

METODOLOGIA
A metodologia utilizada procurou conhecer a opinião dos treinadores, das jogadoras e de “outros elementos” ligados ao Hóquei em Patins Feminino Nacional, sobre a sua actualidade e realidade.
OBJECTIVO
Verificar a opinião das pessoas sobre o estado actual do Hóquei em Patins Feminino em Portugal.
TÉCNICAS E INSTRUMENTOS UTILIZADOS
Aplicou-se o mesmo inquérito já aplicado em 2007, sendo o mesmo constituído por 15 questões e cujas respostas foram de carácter simples SIM ou Não. As questões e a recolha da opinião das pessoas foi realizada on-line através do blogue www.inqueritookfeminino.blogspot.com (criado para o efeito e posteriormente excluído).
TRATAMENTO DOS DADOS
Para a execução, representação gráfica e tratamento estatístico, trabalhámos numa folha de cálculo do programa Microsoft Excel 2007, utilizando para tal, um computador Portátil TOSHIBA Satellite, Processador Pentium Dual Core, em ambiente Windows Vista.
RESULTADOS OBTIDOS















CONCLUSÕES

Tendo em conta as respostas obtidos conclui-se:

Em 2007 concluímos que o actual formato das competições oficiais para o escalão de Seniores Femininos, nomeadamente Campeonato Nacional e Taça de Portugal não satisfaziam em termos competitivos quem nelas participavam. Em 2009 reforçamos as conclusões obtidas em 2007. Destacando que em 2009 foi maior o número percentual de pessoas a manifestar essa opinião.

Se em 2007 a participação de atletas com idade inferior a dezasseis anos no escalão de Seniores Femininos era benéfica para a evolução do hóquei em patins feminino, não sendo totalmente a solução ideal, em 2009 concluímos que essa mesma participação não é benéfica.

Tal como em 2007, em 2009 concluiu-se que para catapultar e fomentar as bases de formação a nível técnico/táctico é fulcral a organização de um campeonato para equipas cujas idades das atletas não ultrapassem os dezasseis anos. Salienta-se aqui o facto de 2009 ser o ano em que esse campeonato se iniciou a nível oficial.

A utilização de atletas do sexo feminino nas provas de competição dos escalões de formação masculinos (escalões inferiores) deve ser uma medida a manter. Foi esta uma conclusão obtida em 2007 e 2009.

A extinção da Segunda Divisão Nacional de Hóquei em Patins Feminino no
final da época 2005/2006, tal como em 2007, concluiu-se em 2009 que não foi e não é uma medida do agrado dos “intervenientes”.

Tal como em 2007, concluiu-se em 2009 que uma grande parte dos treinadores de equipas de Hóquei em Patins Feminino do sexo masculino não estão devidamente preparados para orientar e comandar essas mesmas equipas femininas. O aparecimento de mais pessoas do sexo feminino a assumirem as funções de treinador pode ser benéfica para a evolução do Hóquei em Patins Feminino em Portugal.

O Hóquei em Patins Feminino em Portugal continua a necessitar de mais divulgação a nível da comunicação social e/ou outros meios, apesar da opinião das pessoas ser mais favorável agora que em 2007, o que significa que existiu melhorias.

Os chamados “grandes clubes de Hóquei em Patins Masculino” de Portugal devem apostar no hóquei feminino, porque será uma aposta ganha e ajudarão a dar muito mais ênfase ao Hóquei em Patins Feminino. Esta foi uma conclusão obtida em 2007 e em 2009 apesar de se concluir o mesmo, nota-se, pelas percentagens das respostas que já não há assim tanta certeza como em 2007.

Em 2009 conclui-se de forma ainda mais esclarecedora que a entrada de jogadoras provenientes de outros países em Portugal para jogarem Hóquei em Patins foi benéfica para a evolução do Hóquei em Patins Feminino em Portugal.

Em 2009, continuasse a concluir que se os actuais padrões de competições se mantiverem, o Hóquei em Patins Feminino em Portugal poderá extinguir-se dentro de alguns anos. O desaparecimento de equipas de hóquei feminino como se tem verificado, tender-se-á a manter se a actual conjuntura de factores ou medidas não forem alteradas, ou devidamente enquadradas com a realidade do Hóquei em Patins Feminino.

Infelizmente, em 2007 concluímos que se corria o risco de se extinguirem alguns clubes e certo é que acertamos nessa conclusão. Esperamos agora, apesar dos resultados obtidos em 2009 não serem os mais animadores, que nos possamos equivocar nesta temática e que ao invés reapareçam mais clubes.

Desta feita, em 2009 e ao contrário do que se concluiu em 2007, conclui-se que o Hóquei em Patins Feminino é menos aliciante que o Hóquei em Patins Masculino, independentemente das diferenças que possam existir.
Apesar de muitas coisas terem sido feitas desde 2007 para cá ao nível do hóquei em patins feminino, conclui-se agora, tal como em 2007, que ainda urge fazer-se algo, bem como reformular outras situações pelo Hóquei em Patins Feminino em Portugal.
DEIXE-NOS O SEU COMENTÁRIO/OPINIÃO

Trabalho Elaborado por: Helder Antunes
Breve Curriculum de Helder Antunes
Professor de Educação Física
Treinador de Hóquei em Patins Nível III
Vencedor 5 Torneios de Infantis Feminino entre 96/97 e 99/00 pela A.C.D.C.P.V.B. Bispo;
Campeão Distrital Infantis Feminino 97/98 pela A.C.D.C.P.V.B. Bispo;
Medalha de Mérito Desportivo – Marco de Canaveses – 1998.
Vice-Campeão Distrital de Iniciados Masculinos 00/01, pelo HC Marco;
Vencedor do Torneio de Abertura em Seniores Feminino 02/03, pelo HC Marco;
Vice-Campeão Distrital em Seniores Feminino 01/02 e 03/04, pelo HC Marco;
Subida à 1ª Divisão Nacional em 03/04, em Seniores Feminino pelo HC Marco;
Presença na Fase Final do Campeonato Nacional Feminino 04/05 e 05/06, pelo HC Marco;
Presença na Fase Final do Campeonato Nacional Feminino 06/07 e 07/08, pelo CH Carvalhos;
Actualmente treinador dos Juvenis e Juniores do CH Carvalhos e treinador-adjunto dos Seniores do CH Carvalhos.
Se desejar receber este trabalho em formato pdf, envie-nos um e-mail para treinadoreshp@gmail.com

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O PORQUÊ DE TREINAR EM ALTITUDE?

O que acontece ao corpo?
Ao nível do mar, a atmosfera contém cerca de 21% de oxigénio. À medida que subimos de altitude, a percentagem de oxigénio diminui e o ar torna-se mais rarefeito. As primeiras alterações visíveis são o aumento do batimento cardíaco e do ritmo respiratório. O corpo, privado da concentração normal de oxigénio, ordena o aumento de produção de hemoglobina nos glóbulos vermelhos - a molécula responsável pelo transporte do oxigénio. Cada litro de sangue contém agora mais oxigénio do que em condições normais e a eficiência do organismo em transformá-lo em energia é maximizada. Para os mais de 13 milhões de pessoas que vivem permanentemente em altitude, estes factores não afectam a rotina diária. Todas as actividades anaeróbicas não requerem adaptação. Mas para atletas de competição que se dediquem a provas de resistência, as transformações resultantes da aclimatação podem ser determinantes.
Como é beneficiada a performance desportiva?
A hipoxia (deficiência de oxigénio) estimula a produção de eritopoetina (EPO) na medula óssea, a responsável pelo aumento de produção de glóbulos vermelhos e hemoglobina. Após o processo de adaptação à alta altitude e aos níveis de oxigénio reduzidos, o corpo como que refina os seus processos metabólicos, apresentando-se “optimizado”, com uma capacidade de oxigenação dos músculos mais eficaz e melhorada, o que se traduz em aumentos de performance na ordem dos 3%, de acordo com os últimos estudos apresentados. Foi esta observação que conduziu muitos atletas ao consumo de EPO exógena, substância proibida pela Agência Mundial Anti-Doping.
Existe um altitude ideal para teinar?
Define-se alta altitude como qualquer local situado entre os 1800 e os 6000 metros. A maior parte dos autores defende que a altitude média indicada para treino deve ser 2200 metros durante 4 semanas.
Qual o tempo de aclimatização à altitude?
Quanto mais alto o local, maior o período de aclimatação. A uma altura de 2000 a 2500 metros, o período de aclimatação dura cerca de duas semanas, período durante o qual se pode experienciar sensações de extremo cansaço ou fraqueza. O pico da produção de EPO atinge-se 2 a 3 dias após a exposição à hipoxia e parece desaparecer gradualmente ao final de 25-28 dias.No entanto, e por razões desconhecidas, nem todos os indivíduos respondem da mesma forma ao treino de altitude. Cientistas identificaram uma classe de “non-responders”, atletas que não parecem apresentar qualquer alteração de rendimento com a exposição à hipoxia.
Quem costuma treinar em altitude?
Como o método parece ser vantajoso em desportos de resistência, são os atletas deste tipo de modalidades os mais populares adeptos do treino em altitude. Real ou simulada. Em alta competição, muitos consideram-no já um pré-requisito. Os africanos têm a vantagem acrescida de terem crescido em altitude. Para fundistas como o americano de origem marroquina Khalid Khannouchi, ex-recordista mundial da maratona, e a britânica Paula Radcliffe, as tendas de altitude fazem parte do esquema habitual de treino. Como fizeram durante os sete anos consecutivos em que Lance Armstrong venceu o Tour de France. Melhor proeza só o norueguês Bjorn Daehlie, oito vezes campeão olímpico de ski de fundo, que utiliza tendas de altitude durante todo o ano.Na 8ª Conferência Internacional de Treino em Altitude, no Japão, na sequência dos JO de Atenas, a equipa japonesa de natação apresentou o relatório de uma das melhores presenças de sempre: 3 medalhas de ouro, 1 de prata e 4 de bronze. Seis dos atletas tinham realizado treinos de altitude antes de partirem para a cidade grega.
Onde se pode treinar em altitude?
Para estágios de média altitude (1500 a 2500 metros), os centros mais frequentados são na Serra Nevada, em Espanha, ilhas Canárias, e Font Romeu, em França e Davos, na Suiça. A pensar nos JO de Pequim, em 2008, o Japão criou um Centro de Alto Rendimento que inclui várias plataformas de treino (incluindo piscinas) e laboratórios de alta altitude. O AltiTrainer é o primeiro simulador de treino em altitude a funcionar em Portugal. Encontra-se no Centro de Alto Rendimento de Vila Real de Santo António e possibilita a simulação do treino para altitudes entre os 1200 e os 5500 metros.
O que é uma tenda de hipoxia?
Para atletas de competição, com planificações de treino, um estágio nas montanhas implica muitas vezes longas temporadas fora de casa, em condições climatéricas adversas. A solução é simular a altitude nas chamadas tendas de hipoxia. A ideia surgiu no início dos anos 90, na Finlândia, com as “casas de altitude”, bombeadas com nitrogénio para recriar o ar da montanha. Hoje, não há atleta de competição que não tenha ouvido falar nas tendas de altitude. São estruturas herméticas, com um compressor anexado, que diminui a concentração de ar de forma controlada. As tendas recriam as condições de oxigénio dos 1500 aos 4500 metros. É como dormir no Everest… numa tenda montada no próprio quarto. Pensadas para atletas que não se adaptam a uma temporada nas montanhas, as tendas permitem um complemento dos efeitos do treino de altitude quando se regressa ao nível do mar.Desvantagem: o preço. As tendas individuais de hipoxia custam, no mínimo, 5 mil euros, mas podem facilmente chegar aos 10 mil, dependendo do tamanho do compressor. Um investimento rentável – este valor equivale a 3 estágios de altitude -, mas um luxo para as bolsas de alguns atletas.
Altas polémicas
Apesar dos estudos e dos congressos científicos recentemente realizados sobre o tema, o treino em altitude ainda não é totalmente aceite por todos. No mundo do desporto há quem conteste a utilização das tendas de hipoxia, comparando-as ao uso de doping. As implicações físicas e éticas estão a ser estudadas pelo Comité Olímpico Internacional, com o apoio de seis universidades, mas nenhuma conclusão foi ainda apresentada. Os atletas não têm qualquer indicação da entidade sobre a legitimidade desta nova tecnologia, mas o certo é que as tendas foram banidas da aldeia olímpica durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City.
Nacional-altitude
Em Portugal, a Federação de Triatlo foi uma das entidades percursoras da utilização de tendas de altitude em Portugal. Actualmente possui duas tendas a funcionar no Centro de Alto Rendimento de Lisboa, a que recorrem rotativamente os seus atletas, com destaque para Vanessa Fernandes e Bruno Pais. Para Sérgio Santos, Director Técnico Nacional de Triatlo, as tendas são “óptimo complemento do treino de altitude, mas não o substitui. Permitem uma melhor adaptação antes de subir e depois de descer.” Para o técnico, o triatleta é particularmente beneficiado com as alterações fisiológicas promovidas pela hipoxia, pela forma como esta afecta todos o processo de transporte e captação de oxigénio. Utilizadas em regime de “live high, train low” (os atletas dormem nas tendas e fazem o treino habitual ao nível do mar), e reguladas para simular altitudes de 2000-2400 metros, as tendas da Federação são utilizadas em ciclos de, pelo menos, 20-30 dias, em períodos pré-competitivos.Joaquim Andrade, Campeão Nacional de Estrada, tem tido boas respostas ao treino em altitude, com os resultados a aparecerem com mais frequência desde que adoptou esta estratégia de treino. Este ano, no período de preparação para a Volta a Portugal, dormiu algumas noites numa tenda de altitude. Mas não guarda boas memórias. “O motor fazia muito barulho… Podia melhorar o meu rendimento, mas não me deixava dormir”.
Fonte: in
http://www.performance.pt/html/fitness_desc.asp?id=71
(Texto: Susana Barragán - Performance nº 47)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO TREINADOR - PARTE III - ÚLTIMA PARTE

Do Treinador com os Pais dos Atletas...

- Prestar a máxima atenção aos pais dos atletas quando eles falam dos problemas dos seus próprios filhos.
- É muito vantajoso definir bem o papel dos pais e do treinador. Neste sentido, e sempre que possível, evitar falar com os pais dos atletas sobre os problemas técnicos da modalidade .
- Quando se falar com um pai de um determinado atleta nunca criticar outros atletas.
- Tentar convencer os pais que as suas polémicas com os árbitros antes, durante e depois das competições, é mau exemplo para os filhos, para além de ser negativo para a equipa e para o clube.
- Evitar os comentários irónicos ou as atitudes de desaprovação feitas por um pai de um atleta sobre um companheiro do seu próprio filho.
- É quase sempre decisivo conhecer a situação familiar de cada atleta. Quanto melhor se conhecerem os pais, esposas ou namoradas, melhor se conhecem os próprios praticantes e assim, melhor poderá ser a ajuda que se lhes tem de prestar.
- Não deve existir qualquer favoritismo na relação com os pais dos praticantes, tal como não deve haver preferências face aos próprios atletas.
Do Treinador com os Atletas...
- Tentar estabelecer uma relação individual estreita com os atletas.
- Estudar e respeitar a individualidade de cada atleta.
- O treinador deve interessar-se sinceramente pelos problemas pessoais dos atletas, devendo fazê-lo de modo a que eles lhe possam falar com facilidade e franqueza, sempre nos limites do necessário respeito.
- Manter a disciplina sem "armar" um perfil de ditador. "Jogar" com o seu exemplo e a lealdade, mais do que com a ordem e o medo.
- Procurar desenvolver em todos os praticantes o mesmo sentido de responsabilidade.
- Ensinar e praticar a lealdade e honestidade e o respeito pelos outros.
- Considerar o colectivo sempre em primeiro lugar, sem nunca sacrificar a personalidade de cada atleta.
- A equipa é como uma corrente, não pode ser forte se um dos seus elos é fraco.
- Procurar isolar e banir o egoísmo, a inveja e o egocentrismo exagerado.
- Estimular nos atletas o empenho, a lealdade, o desejo de vitória, o espírito colectivo, a combatividade e a determinação.
- Fazer compreender aos praticantes desportivos que se o treinador o critica nos treinos é porque deseja aperfeiçoá-lo.
- Quando se querem obter bons resultados não há nada que substitua um plano de treinos cada vez mais intensos.
- Um válida auto-análise significa quase sempre melhoria.
- Transmitir aos jogadores que o importante é mostrar ao treinador, na competição e nos treinos, tudo aquilo de que são capazes. Não chega ficar-se só pelas palavras.
- Respeitar todos os adversários sem temor algum.
Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Os árduos caminhos para a vitória".

segunda-feira, 11 de maio de 2009

CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO TREINADOR - PARTE II



Do Treinador com os dirigentes
Das coisas que mais marcam o treinador tem a ver com a elaboração do plano de trabalho.
É verdade que deve ser o treinador a explanar todas as suas intenções, depois de ouvir as cúpulas.
No entanto, devem todos em conjunto, estudar, aferir e corrigir os aspectos da filosofia da equipa e, em campo, o treinador será o executor do que o colectivo aprovou.
Quando as cúpulas entregam na totalidade a responsabilidade ao treinador - dizendo que é com ele - o caso torna-se perigoso, porque aos primeiros desaires, todos recusam as responsabulidades e aparece o afastamento (rescisão do contrato).
Portanto, a coesão da equipa só será forte quando todos "puxarem" para o mesmo lado - contra tempestades, ventos e marés.
- Respeitar os compromissos estabelecidos com os clubes ou outras entidades: um contrato é como o empenhamento da própria palavra. Se quer ser respeitado deve respeitar também.
- Antes de estabelecer um contrato ou dar a palavra a um clube, fazer sempre primeiro uma profunda análise sobre a decisão que se vai tomar.
- Procurar recolher informações sobre a orientação e a filosofia que nele vigoram, podendo assim compreender melhor as razões que levaram a ter sido você o escolhido e antever aquilo que provavelmente pretendem de si.
- Colaborar sempre com o clube onde se exerce a actividade, sem abdicar dos princípio de coerência e honestidade defendidos; respeitar-se a si e ao próprio clube, sendo sempre leal para com aquele.
- Ter sempre presente que a equipa ou os atletas pertencem ao clube não sendo, como tal, propriedade pessoal do treinador.
Do Treinador com os órgãos de comunicação social
- Trabalhar sempre no sentido para obter a confiança dos jornalistas para desta maneira poder ser correspondido.
- Não entrar em polémicas com a comunicação social.
- Colaborar com os órgãos de comunicação social sem qualquer favoritismo.
- Nunca condenar a comunicação social como um todo, só porque algum dos seus membros traiu a confiança que nele depositava.
Do Treinador com os árbitros e outros agentes
- Durante as competições não ter atitudes irónicas ou teatrais, pois tal comportamento depressa se irá transmitir aos atletas. Não é por acaso que se diz que o comportamento dos atletas é o reflexo da atitude do seu treinador.
- No fim das competições, nas declarações prestadas aos órgãos de comunicação social, não se devem fazer afirmações tendenciosas ou subjectivas sobre o comportamento dos árbitros ou da mesa.
- Recordar que o árbitro procura fazer o seu trabalho da mesma maneira que o treinador tentar cumprir com o seu. Se os atletas e os treinadores pretendem vencer as competições, a mesa e os árbitros pretendem dirigi-los segundo as regras da modalidade.
- O papel do treinador é o de serenar os ânimos, em relação aos problemas que aparecem durante o jogo.
- Ter sempre presente que sem os árbitros e sem mesa, dificilmente as competições se conseguem realizar.
- Se um árbitro não corresponde ao nível da competição que se está a discutir, é preciso lembrar que a culpa não é sua, mas sim de quem o nomeou para tal.
- No interesse da modalidade e também, de algum modo, do próprio treinador, fazer o possível por garantir um ambiente tranquilo à volta do local da competição. Tudo isso favorece a existência de uma boa arbitragem.
- Ter um comportamento educado e disciplinado com todos e exigir idêntica atitude por parte dos atletas.
- Estudar e conhecer bem o regulamento da modalidade.
- Confrontar os seus conhecimentos sobre as regras da modalidade com outras pessoas, participando em discussões sobre o tema, sem desdenhar a obtenção de esclarecimento junto dos próprios árbitros ou mesa.
Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Os árduos caminhos para a vitória".

quinta-feira, 7 de maio de 2009

CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO TREINADOR - PARTE I



Do treinador consigo próprio:
Conhecer bem as matérias e procurar sempre aumentar a profundidade desse conhecimento;
Estimular em si próprio o desejo de aprender;
Melhorar a sua capacidade de ensinar;
Procurar transmitir sempre seriedade e entusiasmo no trabalho que realiza;
Esforçar-se por ser honesto, paciente e imparcial;
Tentar estimular em si o espírito combativo, o equilíbrio emocional, a atenção e a capacidade de iniciativa;
Respeitar-se a si próprio, respeitando os atletas;
Ser disciplinador e coerente na sua acção;
Ser sincero ;
Ter boas relações com os outros treinadores, dirigentes, membros da equipa técnica, orgãos de comunicação social, pais dos atletas, árbitros e, principalmente, com os atletas.
Do treinador com os outros treinadores:
Respeitar todos os treinadores, as suas ideias sobre a técnica, a táctica ou as metodologias, mesmo se forem contrárias às suas;
Emitir publicamente juízos positivos ou negativos sobre os outros treinadores;
Procurar ser membro de uma associação representante da classe, porque isso lhe vai oferecer um importante conjunto de referências para a actividade desenvolvida, constituindo ao mesmo tempo um lugar de encontro e troca de ideias, um modo de verificar e confrontar algumas teorias e posições que são para si defensáveis;
Não emitir falsos elogios - pois é muito difícil criar amigos, mas é preciso muito pouco para se criarem inimigos;
Nunca discutir com os outros treinadores, na presença dos atletas, sobre as suas concepções técnicas e tácticas, devendo procurar que isso se faça mas, em privado;
Nunca copiar um colega podendo, no entanto, adaptar alguma ideia de outro, ajustando-a às suas necessidades, às possibilidades do seu clube, da sua equipa ou dos seus atletas, não esquecendo nunca de referenciar a fonte de origem;
Ser estimado pelos outros treinadores é o maior cumprimento que alguém pode receber;
Acreditar que é sempre possível aprender alguma coisa com os outros treinadores, sejam eles quem forem.
Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Os árduos caminhos para a vitória".

segunda-feira, 4 de maio de 2009

VÉSPERAS DE UM JOGO IMPORTANTE? - ANSIEDADE? STRESS?



Sempre que se aproxima um jogo importante, ou seja, um daqueles jogos em que se decide uma época em alguns minutos, normalmente na semana que antecede esse mesmo jogo é normal os jogadores começarem a sentir o chamado “nó na barriga”, que muitas vezes se traduz na prática em ansiedade e/ou stress. Como todos sabemos, atletas em estado de ansiedade e/ou stress podem ficar "privados" de dar o seu melhor contributo à equipa e quiça prejudicar o rendimento desportivo da mesma.
Por vezes nós treinadores ajudamos a aumentar esses níveis elevados de stress e ansiedade sem nos apercebermos. A intenção de um treinador é sempre a melhor, mas quando estamos a preparar aquelas semanas de treino que antecedem jogos que ditam títulos, apuramentos ou descidas de divisão, temos de ter especial atenção a tudo. Para tal contributo "negativo", basta apenas dizermos uma frase a mais à equipa, ou uma frase a menos. Tudo deve ser preparado.
Deste modo, vou deixar aqui algumas dicas para os treinadores poderem prepararem-se melhor quando esses jogos se avizinham. Saliento ainda que estas dicas não são carácter científico, uma vez que se trata apenas da minha experiência pessoal como treinador…
Dicas para a semana de treino que antecede o jogo “decisivo”:
1- Nunca estipular como objectivo máximo para o jogo o GANHAR, mas sim, por exemplo: “jogar bem e sem medo”, "dar tudo em campo", etc;
2- Colocar vários objectivos à equipa, para tentar fazer os atletas de abstraírem do “ter que vencer”, tais como:
- Fazer uma grande exibição;
- Não levar cartões;
- Ter muita posse de bola;
- Procurar um golo em que a bola passe por todos os jogadores da equipa;
- Fazer jogadas ao 1º toque;
- Ter mais situações de contra-ataque que o adversário.
3- “Obrigar” os atletas a treinarem a ritmos elevados de intensidade para que sintam “no corpo” que o jogo vai ser “rasgadinho” e simultaneamente vão “esquecer” psicologicamente “o ter que ganhar” porque irão estar concentrados na tarefa;
4- Não alterar as rotinas/hábitos de treino;
5- Não acrescentar mais treinos à semana;
6- Simular situações bastantes reais de jogo ao nível do treino, tais como:
- Treinar a marcação de um penalti com alguém a “pressionar” esse jogador para que se prepare para a situação real de jogo e se esse momento chegar, o jogador esteja preparado para concretizar;
- Treinar ao som de música barulhenta, ou com pessoas na bancada a fazer barulho, de modo a que os atletas treinem de modo a estarem sempre empenhados na tarefa de treino e psicologicamente prepararem-se para a situação real de jogo, bem como se preparem para elevar os seus índices de concentração;
7- Ouvir os atletas é também muito importante. Não chega ser só o treinador a falar. Temos de saber e sentir o ponto de vista dos nossos atletas. Eles é que vão jogar, nós treinadores só orientamos;
8- Não deixar que a direcção ou particulares prometam grandes prémios ao jogadores, porque acima de tudo este “tal jogo decisivo” continua a ser apenas mais um jogo e no dia seguinte o sol continuará a aparecer;
9- Transmitir ao longo da semana as seguintes palavras-chaves aos jogadores: confiança na equipa, acreditar, lutar, atitude, disciplina, serenidade e muita humildade;
10- Preparar bem o jogo do ponto de vista táctico. Como? Por exemplo, visualizar vídeos com os atletas as principais características ofensivas e defensivas da equipa adversária, bem como rotinas dos jogadores adversários mais influentes. Estes vídeos não devem ter mais que 15 minutos. O ideal será compactá-los para vídeos entre os 8 a 10 minutos somente com o essencial. Muitas vezes visualizam-se jogos inteiros dos adversários e isso causa sonolência nos atletas, bem como falta de concentração em momentos chaves da visualização;
11- Se necessário distribuir a cada atleta um resumo (apenas uma página) das características mais fortes do adversário, bem como os seus pontos mais fracos, para que os atletas possam colocar essa folha na mesinha de cabeceira;
12- Preparar muito bem táctica e tecnicamente o jogo de modo a que nehum atleta leve dúvidas para o campo e saiba perfeitamente o que fazer mediante esta ou aquela situação.
Opinião pessoal de Helder Antunes
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