segunda-feira, 29 de junho de 2009

GANCHO E CONTRA-GANCHO NO HÓQUEI EM PATINS

Introdução
O jogo de um para um no hóquei em patins, revela-se cada vez mais influente na forma de progressão para a baliza. Uma das acções individuais que possibilita a finta ao defensor é o gancho. Esta acção poderá ainda ser enriquecida, com a chamada de atenção para o movimento contrário, ou seja, o contra-gancho, onde poucos atletas o executam na sua perfeição.
O desenvolvimento e aperfeiçoamento destas duas técnicas irá sem dúvida, proporcionar ao atacante um maior repertório técnico para ultrapassar o defesa. O gancho parece ser a denominação mais ajustada para este movimento, dado que o atleta descreve um movimento com a bola, que muito se assemelha à descrição de um gancho.
Descrição do Gancho
Acção individual onde a bola em contacto com o stick (colada), rente ao piso, é transportada para o lado natural do jogador, ou seja, de um lado do corpo para o outro lado do corpo cuja mão faz a pega do stick em cima, descrevendo uma forma semelhante a um gancho.
A cabeça do gancho é inicialmente descrita com a bola junto ao stick e a acção termina com a descrição da cauda do gancho. É uma acção que visa ultrapassar o adversário e, executada normalmente dentro do raio de acção do opositor.
Durante este artigo surge a noção de face interna e externa da pá do stick. Ela é definida pela mão que agarra o stick em cima. Neste caso da figura é a mão direita que agarra em cima o stick e, a bola está do lado de fora do jogador, assim a bola encontra-se na face externa da pá do stick. E vice-versa.
Diferentes tipos de Gancho
Da análise do gesto podemos encontrar duas formas diferentes de execução do Gancho:
Gancho Externo: a bola inicia a execução da cabeça do gancho, pela face externa da pá do stick e a rotação inicial deste gesto é feita para fora do corpo .
Gancho Interno: a bola inicia a execução do movimento pela face interna da pá do stick e a rotação inicial é feita para dentro, para junto do corpo.
GANCHO EXTERNO
• O movimento inicia-se com a bola no lado do corpo pertencente à mão que agarra o stick em baixo.
• A execução da rotação inicial (a cabeça do gancho), é feita com o stick agarrado com as duas mãos. Esta rotação é um movimento rápido com a bola colada na face externa da pá do stick.
• Bola normalmente transportada de um lado para o outro, terminando o gancho no lado da mão, onde o jogador agarra o stick em cima.
• Durante a execução deste gesto e sensivelmente a meio, há uma mudança do contacto da bola pela pá do stick. Ou seja, a bola vai ser passada da face externa da pá do stick para a face interna da pá do stick. Pode-se terminar o gesto com o stick agarrado com as duas mãos, ou apenas com uma mão (a mão de cima).

GANCHO INTERNO
• O movimento inicia-se com a bola no lado do corpo pertencente à mão que agarra o stick em baixo. Este executa a cabeça do gancho pela face interna da pá do stick.
Início do gancho com as duas mãos no stick.

• A bola vai descrever um gancho mas para dentro do jogador (aproximando-se do corpo do jogador). O transporte para dentro e para fora irá colocar o cotovelo da mão de cima que pega o setique mais elevado.
• Menor contacto com a bola colada ao stick. A mão de apoio começa a largar o stick. A bola é transportada para o lado/trás do patim que se encontra perto, para protecção ao desarme.
• O movimento termina com a recepção da bola na face interna da pá do stick e apenas com a mão de cima a efectuar a pega.

Descrição do contra-gancho
Acção individual onde a bola em contacto com a pá do stick (colada), rente ao piso, é transportada do lado da mão onde o jogador agarra o stick em cima, para o outro lado do corpo do jogador, passando pela frente e, descrevendo uma forma semelhante a um gancho.
• O movimento inicia-se com a bola no lado do corpo pertencente à mão que agarra o stick em cima. O stick é agarrado normalmente com duas mãos mas, também poderá ser agarrado apenas coma mão de cima. A bola inicia o movimento, colada à face interna da pá do stick.

• Sensivelmente a meio do movimento, a bola começa a mudar para a face externa do stick, e aqui, começa a ser fundamental que o stick seja agarrado com duas mãos. A transposição é efectuada com a bola a passar muito próximo do patim do lado da mão que agarra o stick em baixo.

• A bola deverá ser trazida para fora, do lado do corpo contrário ao início do movimento.

Treino
O treino deste gesto, deverá ser trabalhado em todas as idades, contudo ele deverá ser implementado nas etapas iniciais da formação do jovem hoquista, em idades entre 8/9 anos e 11/12 anos.
Nestas idades o treino analítico do gesto e uma maior incidência de exercícios específicos para o gesto, parece ser o melhor momento de consolidação desta aptidão motora.
São muitos os exercícios que podemos utilizar para desenvolver esta acção. Irei descrever dois, mas cada treinador com a sua experiência poderá adoptar os exercícios que mais se ajustam aos seus atletas.
1 – Fila de jogadores com bola atrás do meio campo. O jogador conduz a bola e vai sempre com os patins pelo meio dos pinos. Ao passar junto aos pinos efectua o contra-gancho, passando a bola e a pá do stick pelo lado de fora do primeiro pino.
Depois executa o gancho, na mesma situação (terá que passar com a bola e a pá do stick pelo lado de fora do pino);
continua o deslizamento, e volta novamente a efectuar um contra-gancho e gancho e, depois coloca a bola na baliza (remata).
Os pinos terão de ser de dimensão reduzida, em altura.
2 – Recebe a bola em andamento pelo lado de fora, através da face interna da pá do stick (os direitos);
Quando recebe a bola já está junto ao pino. No pino faz o contra-gancho e logo de seguida coloca a bola na baliza.
Fonte: Artigo Temático, in Associação Nacional de Treinadores de Hóquei em Patins

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A CLARIVIDÊNCIA E O PRAGMATISMO DA FILOSOFIA DO TREINADOR

A clarividência e o pragmatismo são apenas duas qualidades profissionais sem as quais não se pode obter êxito na actividade de treinador.
A clarividência pressupõe entendimento profundo do fenómeno (situação, acto, questão, objectivo, conjuntura, etc.), e a tomada da mais apropriada decisão (medida) para o melhoramento do mesmo futuro. O pragmatismo destaca-se pela capacidade de escolher sempre soluções úteis (vantajosas, eficientes ou de grande rendimento) para resolver todos os problemas que incubem ao treinador. Da multidão de ideias, convicções, preconceitos implementados na filosofia do treinador, este deve escolher, seleccionar, adaptar, reestruturar e sobretudo modelar aqueles que resolvem eficientemente uma certa situação concreta (real).
A resolução eficiente do trajecto: situação – solução pragmática – resultado final (o melhor possível) fundamenta o conceito de pensamento clarividente e pragmático.
O pragmatismo da filosofia do treinador pressupõe o conhecimento e a aplicação na prática dos factores catalisadores do desenvolvimento (progresso).
Dos vários aspectos genéricos de constituição (consolidação) duma filosofia clarividente pragmática, destacam-se os seguintes aspectos:
- A concepção é uma componente (subsistema) do modelo de jogo que se encontra numa correspondência biunívoca com o modelo de preparação;
- O circuito está aberto para a introdução de novidades (táctica, técnica, ideias e princípios de jogo, equipamento, regulamentação, estratégias e outras informações) e para a propagação da concepção de cima para baixo (internacional, nacional do treinador) e de baixo para cima.
Exemplo: o pressing (procedimento técnico que numa certa altura representava uma novidade), praticado com sucesso por uma equipa durante uma competição, é assumido e adaptado ao específico pelos parceiros de competição ou pelos técnicos presentes na respectiva competição.
No processo de adaptação às disponibilidades de cada equipa em parte, são necessários esforços de reestruturação, modelagem, criatividade, etc., que facilitam a aplicação de novas variantes de pressing nas competições internacionais (o feedback da operação de propagação).

I.A NÍVEL INTERNACIONAL
A concepção de jogo e preparação reúne e sintetiza todas as novidades e informações que surgem no plano internacional. Entre todas estas devem ser assumidas apenas aquelas que se constituem e consolidam em características e tendências de desenvolvimento do jogo em plano internacional. Por outras palavras, é preciso responder às seguintes perguntas:
- O que é novo no jogo e na preparação?
- Qual o comportamento competitivo da equipas e dos jogadores?
- Em que condições se realizam estas performances?
- Quais os “fenómenos-causa” que produzem “os fenómenos-efeito”?
- Quais tendências (características) que são acessíveis para serem extrapoladas na concepção unitária de jogo e preparação em plano nacional?


II.O PLANO NACIONAL
A concepção unitária de jogo e preparação
A elaboração de tal concepção é possível se os especialistas (treinadores, analistas, metodologistas, etc.) de cada jogo desportivo chegarem a uma unidade de pontos de vista relativamente à resposta de duas perguntas distintas, a saber:
Como deve jogar as nossas equipas?
Como se devem preparar as nossas equipas?
A primeira pergunta visa sintetizar um modelo de competição… A táctica de jogo… A concepção unitária de jogo… As características do jogo praticado pelas mais valiosas equipas do mundo… As tendências de desenvolvimento do jogo no plano mundial… A valorização das qualidades fora de série (talento) dos nossos desportistas.
A segunda pergunta tem o fim de estabelecer concretamente o que deve ser adquirido (objectivos de treino) e como devemos preparar os desportistas, as equipas (a estratégia de alcançar os objectivos) a fim de estes ser tornarem competitivos.
III.A CONCEPÇÃO DO TREINADOR
Nem tudo aquilo que um treinador sabe pode ser aplicado na prática. Neste sentido, a “concepção do treinador” será tanto mais eficiente quanto ele melhor souber discernir e escolher ideias de jogo que valorizassem ao máximo as disponibilidades do elemento humano que ele tem à sua disposição. Na aplicação das próprias ideias ele deverá tomar em conta obrigatoriamente as prescrições sugeridas pela federação da especialidade no que respeita a aplicação da concepção unitária de jogo.
O modelo de jogo para a própria equipa é construído (posteriormente corrigido) em função das performances alcançadas pelos jogadores no período anterior (na primeira e segunda mão da temporada).
Caso as circunstâncias e as condições concretas permitirem, o treinador pode visar performances mais altas do que as “esperadas” e estabelecidas mediante os modelos de jogo e preparação.
...
Fonte: Ioan Bota e Dumitru Colibaba-Evulet, “Jogos Desportivos Colectivos – Teoria e Metodologia”, pág.’s 36-41, Horizintes Pedagógicos, Instituto Piaget, 2001

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O QUE É O JOGO? O QUE SÃO OS JOGOS DESPORTIVOS?

O que é o jogo?
Esta é uma pergunta para a qual não se encontrou resposta durante muito tempo. A maioria das definições considera que o jogo é uma actividade específica à infância ou ao processo de formação e desenvolvimento do ser humano.
Constatou-se que o Homem é um ser lúdico ao longo de toda a sua vida. Desde a infância até à velhice o Homem brinca permanentemente por várias razões (necessidades, propensões, precisões, etc…) interiores e ou exteriores (que impelem para acções diferentes). Neste estádio de conhecimento do fenómeno, numerosos especialistas tentaram responder à pergunta “O que é que é o jogo?”.
No livro “A Terminologia da Educação Física e do Desporto” (1973) as noções de jogo e de jogo desportivo são definidas da seguinte forma:
- O jogo é uma actividade complexa, preponderantemente motriz e emocional, desenvolvida espontaneamente segundo regras preestabelecidas, com fim recreativo, desportivo e ao mesmo tempo de adaptação à realidade social.
- O jogo desportivo é um conjunto de exercícios físicos praticados sob a forma de jogo com um certo objecto (bola, disco, etc.) de dimensões diferentes, mediante o qual duas equipas ou dois adversários competem entre eles sob certas regras de organização e desenvolvimento.

O que são os jogos desportivos?
- Definição:
Segundo E. Bayer (1987) a definição da noção de jogo desportivo tem em consideração 3 elementos distintos:
1 - Actividade do jogador;
2 - Ideia do jogo;
3 - Regulamento do jogo.
1 - A actividade do jogador pode ser apresentada, acompanhando com atenção “o que faz?” e “como se comporta” um desportista durante um jogo.
2 - Ideia do jogo e o conjunto de princípios (regras) subordinados precisam das mais racionais formas ou modalidades de acção dos jogadores (equipa), com vista à obtenção do melhor resultado possível. A ideia de jogo surge, primeiro, no momento da aparição do jogo e, depois, quando do encontro dos melhores procedimentos de realizar o objectivo que se propõe cada jogo.
3 - Regulamento do jogo é o acto normativo, elaborado oficialmente para cada modalidade desportiva. Ele estipula todos os pormenores necessários quanto à organização e desenrolar do jogo. Simultaneamente, ele é o documento através do qual se regulamenta o comportamento dos desportistas (equipa), dos treinadores e de todas as pessoas que ajudam ou participam no devido desenvolvimento da competição. A dependência de regras ou a observância das mesmas é já um fenómeno social que regulamenta a “liberdade” dos jogadores.
- Características:
Os jogos desportivos têm a sua origem nos exercícios de competição /em geral) e nos jogos de movimento (em particular) a que foi incutido um pronunciado carácter desportivo. Da lista das características dos jogos desportivos elaborada por L. Teodorescu (1975) as principais características são:
- Existência de um objecto de jogo;
- Carácter de competição completo;
- Regras de jogo unitárias;
- Arbitragem oficial neutra;
- Delimitação da duração de jogo;
- Estabelecimento dos critérios de avaliação;
- Standartização do inventário do jogo, aparelhagem e dimensões;
- Técnica e táctica características para cada jogo desportivo;
- Sistema competitivo bem determinado;
- Beleza do espectáculo desportivo;
- Estrutura motora particular para cada jogo desportivo;
- Gestão desportiva específica;
- Teoria e metodologia geral válidas para todos os jogos desportivos e específicas para cada jogo desportivo;
- Implementação da pesquisa científica;
- Utilização na actividade de lazer;
- Lançamento do conceito metódico de preparação pelo jogo ou “o método lúdico” que entram em correlação com os métodos clássicos de treino.
- Sistematização dos jogos desportivos segundo o critério da associação das regras de jogo: (H. Dobler tem em consideração 4 critérios)
1- Jogos desportivos com alvos; (Exemplo: Futebol, Andebol, etc…)1.1- Com contacto corporal admitido;
1.2- Sem contacto corporal;
2- Jogos com retorno; (Exemplo: Voleibol, Ténis, Badmington, etc…)
2.1- Individual e pares;
2.2- Por equipas de três.
3- Jogos com batida da bola; (Exemplo: Basebol, Basquetebol, etc…)
4- Jogos de envio da bola ao alvo por percursão, impulso e batida; (Exemplo: Bilhar, Criquete, Boccia, etc…)
Fonte: Ioan Bota e Dumitru Colibaba-Evulet, in "Jogos Desportivos Colectivos - Teoria e Metodologia", Edições Piaget, 2001

quinta-feira, 18 de junho de 2009

FADIGA, RECUPERAÇÃO E ADAPTAÇÃO

FADIGA
É incapacidade de manter determinada intensidade do exercício, impondo a diminuição da capacidade de rendimento.A fadiga é um potente factor de mobilização das reservas funcionais e neste sentido um potente factor de adaptação. Contudo é limitadora do volume de trabalho no treino e da frequência de participação nas actividade de competição.
Fadiga Evidente: manifesta-se pela redução da capacidade de trabalho e pela incapacidade de suportar o regime de treino num determinado nível.
Fadiga Latente: corresponde à manutenção da capacidade de trabalho por apelo cada vez mais forte das reservas dos sistemas funcionais solicitados.
Causas da fadiga muscular
Causas Periféricas: (originadas no tecido muscular):
- perda da homeostase celular;
- falência da actividade da actomiosina ATPase;
- excesso de lactato.. Causas Centrais: (originadas no tecido nervoso):
- diminuição da acetil-colina libertada na placa motora;
- diminuição da excitabilidade dos motoneurónios.
Factores condicionantes do aparecimento da fadiga:
- Intensidade do exercício;
- Temperatura elevada;
- Grau de humidade;
- Pressão parcial de oxigénio atmosférico (rarefacção);
- Nível de treino;- Tipo de alimentação (hipoglicémica);
- Ingestão de medicamentos;
- Condições psicológicas (estado de depressão, ansiedade…).
Indicadores de manifestação da fadiga:
- Declínio da velocidade máxima;
- Redução dos valores máximos de força;
- Aparecimento de tremores musculares;
- Abaixamento da eficácia de regulação das funções.
- Aumento do nº de erros por perturbações na coordenação motora;
- Incapacidade de criar e assimilar novos automatismos;
RECUPERAÇÃO
Após uma carga, o organismo reage em 4 etapas:
1) Diminuição das capacidades;
2) Restauração das capacidades;
3) Supercompensação;
4) Estabilização num nível próximo do inicial.
As reacções dos sistemas funcionais a uma carga processam-se em 2 fases:
1) Fase de retorno à homeostasia (repouso e alimentação);
2) Fase construtiva (organizam-se alterações funcionais e estruturais ao nível dos tecidos e dos sistemas funcionais solicitados).
O período de recuperação pode ser:
- Passivo: repouso absoluto.
- Activo: actividades de baixa intensidade (ex: corrida contínua).
Meios auxiliares da recuperação
Meios médico-biológicos: recorre-se sobretudo a fármacos (creatina, cafeína, antioxidantes… Existem ainda outros meios nomeadamente sauna, crioterapia, oxigenoterapia, massagens, raios ultravioleta…
Meios de ordem mental: técnicas de relaxação para a tensão psíquica e muscular…
Meios de ordem organizacional: tem a ver com a planificação do trabalho e organização dos treinos e dos exercícios (horários, alternância de conteúdos, repouso activo…).
Repouso.
Nutrição: dietas ricas em hidratos de carbono e hidratação. Cada sistema funcional possui uma velocidade de recuperação própria (heterocronismo da recuperação). A recuperação processa-se de forma temporalmente distinta.
ADAPTAÇÃO
A adaptação é a reacção natural do organismo quando as cargas de treino são aplicadas regular, metódica e sistematicamente.Cria-se um novo estado de equilíbrio qualitativamente superior, com as condições favoráveis ao aumento do rendimento desportivo dos praticantes e das equipas.
Adaptação Rápida (Aguda)
É a adaptação que se gera no organismo imediatamente após a aplicação de umacarga. As reacções são do tipo:
- Aumento da FC;
- Aumento do débito ventilatório;
- Aumento do lactato no plasma sanguíneo.
Adaptação a Longo Termo (Crónica)
Caracteriza-se pelas modificações estruturais dos orgãos e sistemas, como também pelo aumento da eficácia dos sistemas funcionais e pela sua coordenação.
Resulta de sucessivos momentos de adaptação aguda (efeito acumulado das cargas) e é condição para a elevação da capacidade de rendimento.
As reacções são do tipo:
- Diminuição da FC e débito ventilatório em repouso;
- Aumento das reservas de glicogénio e do nº de mitocôndrias;
- Hipertrofia muscular;
- Prolongamento do stedy-state.
As reacções de Adaptação Rápida dependem:
- da duração e intensidade da carga;
- das características do indivíduo;
- do grau de treino do indivíduo.
Fases da Adaptação Rápida:
1) Activação dos sistemas funcionais (aumento da FC, do débito ventilatório, consumo de O2, da concentração de lactato…);
2) Estabilidade na actividade dos sistemas funcionais, mantendo-se a níveis constantes;
3) Desaparecimento progressivo do equilíbrio entre as necessidades ligadas à actividade e a capacidade do organismo em satisfaze-las (fadiga do SNC, esgotamento das reservas energéticas…).
Fases da Adaptação a Longo Termo:
1) Repetição das cargas, que se destinam a solicitar continuamente os mecanismos de adaptação aguda;
2) Repetição planificada das cargas e seu aumento progressivo, determina a adaptação dos orgãos e sistemas às novas condições de funcionamento;
3) Estabilização, o que implica uma boa coordenação entre os sistemas de execução e os orgãos funcionais que lhes servem de suporte, assegurando o aumento das reservas funcionais;
4) Surge quando o treino é demasiado forte e conduzido de forma não racional, desrespeitando os períodos de recuperação (Estado Sobretreino).
A manutenção da capacidade de trabalho requer determinada quantidade de estímulos (carga). O doseamento dessa carga é fundamental na dinâmica da adaptação:
- o abaixamento da carga abaixo de certos limites conduz à diminuição da cap. funcional ->Processo de Desadaptação
- o incremento racional da carga conduz a aumento progressivos da cap. funcional ->Processo de Adaptação Positiva
- o incremento exagerado da carga conduz a situações de insuficiência funcional relativa -> Processo de Transadaptação
A dinâmica da adaptação também depende das reservas funcionais. Estas quantificam-se através da relação entre o nível de actividade mensurada em repouso e o seu nível maximal em determinado momento.
Fonte: Mestre Luís Miguel Oliveira, in Curso de Educação Física, Saúde e Desporto "TEORIA DO TREINO DESPORTIVO", Instituto Superior de Ciências da Saúde do NORTE, 2005/2006.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

EXEMPLO SIMPLES DE UM MESOCICLO DE UMA EQUIPA DE HÓQUEI EM PATINS

A preparação desportiva no hóquei em patins busca atender todo momento às exigências do exercício competitivo, desenvolvendo actividades que potencializam as habilidades individuais do atleta.
Nessa conduta é de salientar que a preparação física de um atleta é um processo multilateral, caracterizado por conteúdos e formas de organização específicos que o transformam em um conjunto também específico de acções sobre a personalidade, sobre o estado funcional e sobre a saúde do atleta, dirigido à sua formação multilateral e, em particular, à aquisição de uma ampla bagagem de conhecimentos, habilidades e capacidades especiais, ao aumento da capacidade de trabalho do seu organismo e a assimilação da técnica dos exercícios desportivos e da arte de competir.
Embora exista tarefas específicas para elevar o estado de treinabilidade do atleta, qualquer actividade que este realizar terá suas influências físio-psicológicas. Portanto, dividir os conteúdos do treino, em treino técnico/táctico e físico, pode-se induzir ao equívoco de não controlar as influências fisiológicas e intensidades dos exercícios de treino.
Na prática da preparação desportiva, a divisão deve ocorrer na orientação dos exercícios gerais e específicos. A prática de tais conteúdos, sobretudo no hóquei em patins é uma arte na elevação da performance desportiva, baseando-se no processo da actividade motora competitiva, seu aumento é determinado pelas possibilidades fisiológicas do organismo, ou seja, da capacidade de assimilação e reacção positiva dos estímulos promovidos pelas tarefas de treino e jogos.
O controle e graduação da carga de treino são indispensáveis para o melhoramento do nível amplo competitivo do desportista. Respeitando a orientação dos exercícios gerais e específicos, podemos ainda orientar o treino, considerando a estrutura funcional do Hóquei em Patins que utiliza actividades individuais e colectivas para a resolução das exigências tácticas de jogo.
Estas orientações correspondem a potencialização das capacidades e habilidades individuais, utilizando constantemente força, velocidade, resistência, flexibilidade e suas diferentes formas de manifestações; estas atribuídas como capacidades condicionantes. No entanto, as capacidades coordenativas também possuem um papel importante nas actividades competitivas do Hóquei em Patins, tanto no aspecto individual como colectivo.
Posto isto, estas sessões de treino são destinadas ao Período de Competitivo, em que se irá realizar um trabalho fundamentalmente aeróbio.
As sessões de treino, devem ser sempre precedidas de uma Parte Inicial (P.T.1), Parte Principal (P.T.2) e o Retorno à Calma (P.T.3).
A Parte Inicial, consiste sempre em fazer uma pequena introdução, passando posteriormente ao aquecimento, onde se realizará um aquecimento geral e um outro mais específico.
A Parte Principal, consiste na realização dos exercícios planificados previamente.
O Retorno à Calma, consiste na realização de exercícios de uma intensidade e volume baixo, para facilitar a recuperação, ou seja uma recuperação mais activa, tendo em vista a remoção do lactato acumulado.
EXEMPLO MESOCICLO

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EXEMPLO MICROCICLO

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EXEMPLO SESSÃO DE TREINO

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Fonte: Prof. Helder Antunes, 2007

sexta-feira, 12 de junho de 2009

PSICOLOGIA DO DESPORTO - TENDO EM CONTA O PRINCIPIO DE DEFINIÇÃO DE OBJECTIVOS "SMART", ELABOROU-SE UM EXERCÍCIO PARA UM ATLETA DE ELITE

Segundo o princípio de definição de objectivos SMART:
S = Específicos (concretos, claros e precisos);
M = Mensuráveis (associados a formas de medição);
A = Ambiciosos (difíceis de atingir, criando desafios, inovação e melhoria);
R = Realistas (possíveis de atingir);
T = Temporizados (Associados a períodos de tempos, prazos).
Exercício específico para um atleta de elite de hóquei em patins:
Descrição:
Equipa da 1ª Divisão Nacional Masculina (jogadores todos profissionais e de elite) vão disputar o último jogo da final do play-off (jogo que decide o título de campeão nacional).
Como nos jogos anteriores entre as duas equipas o jogo terminou sempre empatado no tempo regulamentar e foi sempre encontrado o vencedor do jogo através da marcação de grandes penalidades (e foi sempre encontrado o vencedor na marcação da 5ª grande penalidade), tudo indica que neste jogo decisivo a mesma situação se possa verificar, porque as equipas são muito equilibradas em muitos aspectos.
Após análise do adversário em situação de penálti, concluímos que o guarda-redes (GR) adversário é mais vulnerável nas bolas que são rematadas para o seu lado esquerdo.
Posto isto, prevendo este possível desenlace final do jogo, escolhemos o nosso melhor marcador de grandes penalidades e tapando a baliza (como se vê na imagem 1), excepto cantos superiores e inferiores, com as tábuas normalmente utilizadas em situação de treino, criamos o seguinte exercício específico para o nosso jogador:


Imagem 1 – Baliza com tábuas próprias para os jogadores treinarem a colocação específica da bola nos cantos inferiores e superiores da baliza.
S = Em 15 grandes penalidades à baliza (com as tábuas), tens de concretizar o maior número possível de golos;
M = Mas dos 15 remates, no mínimo 10 têm de ser golo;
A = E dos 10 que têm de ser golo, 6 devem entrar no canto superior direito (lado esquerdo do GR) e 4 no canto inferior direito (lado esquerdo do GR);
R = Apesar do grau de dificuldade é possível atingir a marca;
T = Tens de executar os 15 remates num período inferior a 3 minutos.
Helder Antunes, 2007

segunda-feira, 8 de junho de 2009

QUE CUIDADOS DEVEMOS TER APÓS UM TREINO INTENSO?

Após a realização de um treino intenso o organismo gasta muitas das suas reservas orgânicas de glicogénio, gorduras, vitaminas e sais minerais.
Por outro lado acumulam-se no organismo muitas substâncias tóxicas (ex: ácido láctico) resultantes do metabolismo.
Por conseguinte, importa termos certos cuidados após um treino intenso com o objectivo de aumentar as reservas orgânicas dos produtos atrás referidos e eliminar o mais rapidamente possível as substâncias tóxicas acumuladas.
1 - Aumentar a ingestão de água (estimula a produção de urina pelos rins e por consequência a excreção das substâncias tóxicas).
A água deve ser alcalina (Ph>7) e não hipossalina (Ex: Bela Vista, Vimeiro, Melgaço e Pedras Salgadas) contendo cerca de 60 gramas por litro de um glúcido (glucose, sacarose ou frutose) e uma porção de cloreto de sódio (sal) nos primeiros 30 a 40 minutos após o final do treino.
2 - A dieta alimentar após as primeiras 24 horas deve ser constituída por refeições hipocalóricas e hipoproteicas.
A carne e o peixe não ajudam a recuperar, muito pelo contrário, uma vez que são alimentos difíceis de digerir e pobres em glúcidos, que foram os nutrientes mais gastos durante o esforço físico. A ingestão de alimentos vegetais é desejável na medida em que são ricos em glúcidos e alcalinizantes.
3. Realizar exercícios de estiramento e relaxamento musculares.
As fibras musculares devem readquirir as suas propriedades habituais após a contracção muscular.
4. Realizar um banho de imersão em água quente (35 a 37º C) durante cinco minutos.
O objectivo é a activação da circulação sanguínea muscular através de uma vasodilatação provocada pelo calor e que facilita a eliminação dos produtos tóxicos do metabolismo.
5. Realizar um treino ligeiro nas 24 horas que se seguem à realização de um treino intenso.
O objectivo é também activar a circulação sanguínea muscular. A paragem total da actividade física após um treino intenso é maléfica, assim como a realização de outro treino intenso, pois retardam os mecanismos orgânicos de recuperação (Horta, 1996).
A TÍTULO DE EXEMPLO APRESENTA-SE A REFEIÇÃO IDEAL PARA INGERIR APÓS UM TREINO COM UMA CARGA DE TREINO INTENSA
Refeição após a 1ª ou 2ª horas depois do treino
· Sopa de legumes com uma dose de sal acrescida.
· Massas alimentícias (esparguete, macarrão, pizza), ou arroz ou batatas.
· Salada de vegetais temperada com limão e azeite ou óleo vegetal.
· Fruta (bananas, alperces, pêssegos, laranjas ou ananás, ricos em potássio).
· Água mineral alcalina ou leite magro ou meio gordo.(Horta, L.)
Nota: “está comprovado cientificamente que a incorporação da glucose nas reservas de glicogénio muscular é mais intensa e rápida durante a 1ª ou 2ª horas após o treino. Torna-se progressivamente mais lenta durante a 3ª e 4ª e é praticamente nula a partir da 6ª e 8ª horas” (Horta, 1996).
Bibliografia: Horta, L. (1996) – “Nutrição no Desporto” , Editorial Caminho, SA, Lisboa
Fonte:Paulo Bandurra, Licenciado em Educação Física, pelo Instituto Superior de Educação Física, Lisboa

quinta-feira, 4 de junho de 2009

PSICOLOGIA DO DESPORTO - 3 ESTRATÉGIAS DE UM PLANO MENTAL E UM EXEMPLO DE PLANO DE PROVA PARA UM ATLETA

3 Estratégias de Planeamento Mental:
- Desenvolver planos detalhados da competição;
- Aprender a controlar a ansiedade e o arousal;
- Utilização de ensaios mentais antes da competição.
Exemplo de um plano de prova para um atleta:
PROVA: Jogo das meias-finais da Taça de Portugal
- Na semana que antecede o jogo (durante os treinos), desenvolver o seguinte plano mental, tendo em vista a preparação do jogo;
- Realizar situações muito parecidas com as que provavelmente poderão acontecer no jogo, tais como:
Plano detalhado da competição
Simular um resultado de igualdade numérica de score e colocar no marcador electrónico 5 minutos para o término do jogo e obrigar o atletas a controlar a “pressão” inerente, obrigando-os a realizar uma boa circulação de bola e atacar a baliza adversária somente em situações de superioridade numérica;
Simular situações de “pressão” aos jogadores, aquando de uma vantagem numérica no resultado, ou desvantagem, utilizando para isso pessoas nas bancadas a fazer ruído (pressionar os atletas), ou até mesmo colocando gravações de claques no sistema sonoro do pavilhão.
Controlar a ansiedade e o arousal
Dar objectivos “extra” jogo e “extra” resultado ao atleta tais como: não ver qualquer cartão, realizar pelo menos 10 remates de longa distância e ganhar todas a bolas que disputa em situação de 1 para 1;
Ensinar o atleta a auto controlar-se emocionalmente e a estar somente focado nas suas tarefas. Este auto controlo deve ser preparado para a situação antes do jogo e durante o jogo, como por exemplo, realizar autonomamente respirações profundas (técnicas de respiração) que permitam fazer o atleta relaxar e/ou fechar os olhos e fazer imaginações da equipa a vencer o jogo e ele a ser o jogador decisivo;
Utilização ensaios mentais antes da competição
Colocar o atleta (sob pressão) na marcação de uma grande penalidade ou livre directo que possa eventualmente decidir o jogo e a eliminatória – focar a concentração do atleta para a concretização e fazê-lo que acreditar que consegue, mesmo que o ambiente seja adverso;
Provocar constantemente o atleta e obrigá-lo a responder a essas mesmas provocações com silêncio e um pequeno sorriso nos lábios.
Helder Antunes, 2007

segunda-feira, 1 de junho de 2009

2 EXERCÍCIOS DE 1*1+GR

EXERCÍCIO NÚMERO 1

Colocam-se dois jogadores na zona central da pista e fora do circulo central com uma bola. Os jogadores realizam passe/recepção numa posição estática. Em cada baliza encontram-se dois GR.


O treinador dá um sinal sonoro e a esse sinal o jogador que tiver posse da bola segue na direcção de umas das balizas e o jogador que ficar sem a posse da bola terá de rapidamente fazer oposição defensiva ao seu colega de modo a ganhar a posse da bola.
O jogador que fica com a posse da bola pode ainda simular que vai finalizar numa baliza e rapidamente ir para a baliza oposta.
EXERCÍCIO NÚMERO 2

Os dois atletas colocam-se junto à tabela lateral próximo da linha de meio-campo. Um dos atletas tem a posse de bola. Ao sinal do treinador o atleta que tem a posse de bola realiza um passe ao seu colega e um corte para o meio defensivo para ser opositor do seu colega.


O atleta que recebe a bola, desloca-se em velocidade com a mesma e o mais rapidamente possível deve ultrapassar o seu colega "adversário" e finalizar. O atleta que finaliza tem as seguintes opções de finalização:
Remate Batido
Remate Varrido
Gancho
Gancho e Contra Gancho
Finta com e sem simulação