quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A MOTIVAÇÃO SUBJACENTE PARA A CONTINUIDADE DA MODALIDADE DESPORTIVA

NOTA INTRODUTÓRIA: A presente publicação, apesar de ser da autoria de um treinador de natação, em muito ou tudo se assemelha às outras modalidades em geral. Assim sendo, achamos pertinente a publicação deste trabalho e aconselhamos vivamente a sua leitura.
Por questões de espaço não nos é possível publicar o documento na íntegra, daí que fizemos um resumo.
O presente trabalho pode ser visualizado na íntegra AQUI.
Tivemos conhecimento deste trabalho através da jogadora de hóquei em patins, Andreia Barata, que gentilmente partilhou connosco este trabalho e tema pertinente. Obrigado Andreia.
A MOTIVAÇÃO SUBJACENTE PARA A CONTINUIDADE DA MODALIDADE DESPORTIVA
Sebastião Santos
Doutorando em Ciências do Desporto (UTAD – Portugal), Mestre em Psicologia do Desporto e do Exercício, Professor do Ensino Básico, Treinador de Natação
RESUMO
Numa sociedade cada vez mais exigente em que tudo também para fácil de obter, os intervenientes no contexto desportivo tem de tomar consciência e preocupar-se com a falta de actividade física e desportiva dos nossos jovens no seu dia-a-dia e, quando a praticam do seu abandono precoce.
O abandono precoce surge porquê? Concluímos pelos estudos em análise que os possíveis factores de abandono precoce desportivo serão os treinos monótonos, treinos demasiados agressivos, a estagnação e os maus resultados, a dificuldade de conciliar os estudos e o desporto, a envolvência de pares e familiares, finalmente a saturação do ritmo desportivo e competitivo.
A todos os intervenientes desportivos cabe uma introspecção sobre os factores de abandono, com uma orientação consciente e sustentada será possível inverter o abandono precoce do desporto pelos jovens.

Palavras-chave: Abandono precoce, motivação, autoconfiança
INTRODUÇÃO
O desporto valoriza socialmente o homem, proporciona uma melhoria do seu auto-conceito, e a aprendizagem de uma modalidade desportiva constitui uma das mais significativas experiências que o ser humano pode viver com o seu próprio corpo.
O desporto pode ser algo de muito benéfico na vida de qualquer ser humano, ajudando-o na sua educação e na sua formação pessoal. Numa sociedade cada vez mais exigente em que tudo também parece fácil de obter, os intervenientes do contexto desportivo têm de tomar consciência e preocupar-se com a falta de actividade física e desportiva dos nossos jovens no seu dia-a-dia, como também do seu abandono precoce quando têm uma actividade desportiva.

O abandono precoce surge porquê? Pela desilusão da modalidade e do desporto? Pela pressão exterior dos pais e dos técnicos? Do trabalho árduo exigido nos treinos? Por uma especialização demasiada precoce? Por outros desafios ou outros interesses que surgem na vida dos jovens?
(…)
Concluímos pelos estudos que os possíveis factores de abandono precoce desportivo serão os treinos monótonos, os treinos demasiado agressivos, a estagnação e os maus resultados, a dificuldade de conciliar os estudos e o desporto, a envolvência de pares e familiares, finalmente a saturação do ritmo desportivo e competitivo.
MOTIVAÇÃO
O estudo da motivação tem um papel determinante no conhecimento da formação e da educação dos jovens para a prática desportiva. Pois serão factores que conduzem a determinados comportamentos para atingir certos objectivos.
(…)
AUTOCONFIANÇA
Um constructo de grande importância para o ser humano é o da autoconfiança, pois revela a forma como estamos consciente e preparados para realizar algo. Um contexto orientado para a motivação da tarefa é positivo para a autoconfiança.
(…)
A autoconfiança por si só não irá transformar o indivíduo no melhor atleta do mundo, mas ajudá-lo-á a melhorar, pois a autoconfiança emerge como uma característica essencial dos atletas para se proteger de disfunções de pensamentos e de sentimentos negativos.
A boa forma física e a técnica de jovens reflecte-se nos bons níveis de autoconfiança que se adquirem com o empenho nas tarefas e nas actividades. Num desempenho com sucesso, numa tarefa orientada para a mestria espera-se um aumento da autoconfiança porque os indivíduos vão percebendo que as suas habilidades se vão reforçando e melhorando.
(…)
TREINADOR
No contexto do treino, o treinador não se limita ao seu papel de ensino, tem sido um poderoso agente social (Brito, 2001). Ele não só estrutura a prática ou as aprendizagens afectando os jovens nas suas percepções de competência, nas suas motivações, nos reforços que comprometem a informação ou a avaliação correspondendo ao desempenho específico realizado como a realizar a posteriori. O treinador é um elemento que maximiza de forma deliberada a prática, as aprendizagens e as habilidades dos seus atletas de forma a ser o melhor predictor do sucesso dos seus jovens, facultando-lhes as ferramentas e as fontes necessárias (Salmela, 1996). Cabe-lhe a ele preparar o contexto para potenciar o desempenho desportivo. Ele tem de compreender o modo de intervir e de ter a capacidade de transformar os seus conhecimentos num processo que culmina no produto final.
O treinador tem o papel de ser um “facilitador” de aprendizagens, tem de ser um “proporcionador” de ambiente para as aprendizagens, um “estruturador” das tarefas mais adequadas para a aquisição de conhecimentos, de ser um “formador” de atletas e de cidadãos.
CONCLUSÕES
“Cada homem deve inventar o seu caminho” (Sarte)
Neste contexto desportivo tão delicado como o desporto para jovens e crianças será de total importância os intervenientes desportivos estarem conscientes de toda uma complexidade de processos para manter os nadadores na actividade desportiva. Que a formação dos intervenientes desportivos não se fica pelo senso comum, mas sim para uma formação estrutural de forma a estarem sensibilizados às constantes mudanças comportamentais dos jovens. A importância da compreensão dos factores individuais, tal como a melhoria e a formação dos jovens como cidadãos e atletas. E que é possível aumentar a persistência dos indivíduos na modalidade, possibilitando a satisfação das suas necessidades.
As sugestões seguintes são pressupostos subjacentes para a melhoria e o combate ao abandono precoce das crianças e dos jovens desportistas:
- Proporcionar uma actividade física saudável:
- Privilegiar as aprendizagens das técnicas;
- Realização de exercícios multifacetados;
- Realizar uma prática divertida e estimulante;
- Direccionar principalmente o indivíduo para uma motivação intrínseca;
- A auto-estima deve ser estimulada;
- Dar maior ênfase e importância ao processo do que ao produto final;
- As atitudes devem ser constantes e valorizadas (ensino);
- Os valores associados à prática desportiva para que haja uma continuidade a longo prazo;
- Diversificar o treino;
- Definir objectivos por prova e por treino;
- Fornecer imediatamente os FB’s da prova e dos treinos;
- Criar um clima de confiança inter e intra equipa;
- Melhorar as “etiquetas” que facultamos aos nadadores;
- Elaborar actividades paralelas e extra-desportivas ao calendário competitivo.
FONTE: Sebastião Santos, A MOTIVAÇÃO SUBJACENTE PARA A CONTINUIDADE DA MODALIDADE DESPORTIVA, documento produzido em 25-07-2008 e publicado em www.psicologia.com.pt, com o link
Sebastião Santos:
Doutorando em Ciências do Desporto (UTAD – Portugal), Mestre em Psicologia do Desporto e do Exercício, Professor do Ensino Básico, Treinador de Natação

sábado, 22 de agosto de 2009

Iª JORNADAS DE TREINO DE HÓQUEI EM PATINS

ÚLTIMAS NOVIDADES
Confirmada também a presença de Rui Teixeira (Treinador do HC Braga)
Visualize mais abaixo os temas e os respectivos prelectores convidados
BLOGUE THP - BLOGUE OFICIAL DESTAS JORNADAS

Iª JORNADAS DE TREINO DE HÓQUEI EM PATINS - HC PAÇO REI

"Nova Época... Novas Regras... Novos Desafios..."

5 de Setembro de 2009, nas instalações do Hóquei Clube Paço de Rei, em Vila Nova de Gaia

Estas jornadas contarão com a presença de vários convidados ligados directamente à modalidade, bem como serão elucidativas do ponto de vista prático sobre vários conteúdos que as novas regras do hóquei em patins trarão à modalidade.
O facto destas jornadas serem maioritariamente práticas tornam-nas pioneiras sobre o ponto de vista da abordagem das novas regras do hóquei em patins e interessantes para todos os agentes ligados à modalidade, nomeadamente aos treinadores.
Todos os interessados poderão inscrever-se até ao dia 4 de Setembro ou solicitar quaisquer tipo de informações através do e-mail

jornadastreinohcpr@hotmail.com

ou para um destes contactos da Comissão Técnica Nuno Carrão: 919258296; Pedro Cabaços: 968982262; Helder Antunes: 919079184.

Ao longo das jornadas serão abordados os seguintes temas:

PowerPlay Defensivo – Teórico/Prático
RUI NETO (Ex-Treinador da Juventude de Viana)

PowerPlay Ofensivo – Teórico/Prático
RUI TEIXEIRA (Treinador do H.C. Braga)

Marcação de Faltas Indirectas – Situações Pré-Definidas – Teórico/Prático
PAULO FREITAS (Treinador da A.A. Espinho)

Bloqueios e Cortinas (Princípios) – Teórico/Prático
NUNO CARRÃO (Treinador do H.C. Paço de Rei)

O Guarda- Redes e as Novas Regras – Teórico/Prático
ANTÓNIO GOMES (Treinador do C.H. Carvalhos)

Arbitragem – Teórico/Prático

Jogo de Observação das Novas Regras – Prático

O final das jornadas de treino serão concluídas com um jantar entre todos os inscritos na mesma.

O preço de inscrição é de somente 15 €, onde já se inclui o jantar

BLOGUE THP - BLOGUE OFICIAL DESTAS JORNADAS

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

HÓQUEI EM PATINS - TENDÊNCIAS ACTUAIS AO MAIS ALTO NÍVEL - 2ª PARTE

Tendo em conta a caracterização anterior (anterior publicação no blogue THP), apresento agora uma evolução paralela das teorias do planeamento e a sua validade no Hóquei em Patins de alto rendimento.

Teorias de planeamento
Planeamento Fásico
Teoria dos Sistemas
Planeamento por Blocos
Teoria da Acção
Apresentamos aqui a evolução paralela das três principais teorias do planeamento:

Planeamento Fásico
- Obtenção da “forma desportiva” em 3 fases: construção – estabilização – regressão;
- Periodização por 3 períodos: preparatório, competitivo e de transição;
- Relação fundamental entre o volume e a intensidade da carga.
Teoria dos Sistemas
- Função: treino;
- Sistema: atleta em treino e competição;
- Resultados da função: rendimento na competição;
- Metodologia: repetição de cargas adaptadas à competição (especificas);
- Conceito chave: competir muito.
Planeamento por Blocos

- É justificado pelos efeitos retardados do treino;
- Cada bloco possui um objectivo principal;
- As cargas de treino dirigem-se também a outros objectivos secundários;
- Todos os blocos se inserem numa estrutura principal e estão interligados entre eles.
Dada a actual realidade do Hóquei em Patins de alto rendimento, das teorias atrás caracterizadas, na minha opinião, a que tem mais validade é a teoria do Planeamento por Blocos, embora haja quem "defenda" e utilize o Planeamento Fásico.
O Planeamento Fásico tem algumas fragilidades tais como: ciclos muitos longos para a obtenção da forma desportiva, dá muita importância à preparação geral e há ausência de individualização, etc.
No Planeamento por Blocos, é mais fácil e rápido a obtenção da forma desportiva e é muito mais fácil projectar “picos” de forma consoante a importância da época.
Neste planeamento os macrocilos podem ser anuais, bianuais ou tri-anuais, têm muitos itens, porque varia com o calendário competitivo e dá-nos muito mais informações quantitativas e qualitativas, para além de nos permitir uma maior variedade (quebra de rotinas e combate à monotonia) e uma utilização de exercícios mais eficazes.
Como no Hóquei em Patins as épocas são longas, torna-se necessário tratar bem da condição física a intervalos regulares (recuperação) sobretudo nas "fases decisivas do campeonato".
Neste planeamento, nos mesociclos ou blocos, as cargas de treino concentram-se em objectivos concretos e os mesmos são colocados de forma sequencial. Normalmente os mesociclos/blocos têm a duração média de 3/4 semanas.
Existem mesociclos/blocos de “arranque”, de “choque”, de treino e avaliação, de consolidação, pré-competitivos, competitivos e de recuperação.
Quanto aos microciclos, neste tipo de planeamento, os mesmos estão associados ao ritmo das competições (duração de 2 a 10 dias). Depende se só há jogo no fim-de-semana, ou se há a meio da semana.
Os microciclos podem ser de alta, média ou baixa intensidade, ou de recuperação e podem ser do tipo de acumulação/treino, de competição, pré-competitivos, de “choque” e de recuperação.
Fonte: Helder Antunes, in Curso de Treinadores de Hóquei em Patins Nível 3, Coimbra 2007.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

HÓQUEI EM PATINS - TENDÊNCIAS ACTUAIS AO MAIS ALTO NÍVEL - 1ª PARTE

De uma forma sucinta vou tentar descrever/caracterizar, segundo a minha opinião e experiência, as tendências actuais do Hóquei em Patins ao mais alto nível de rendimento, tendo em conta alguns aspectos relevantes e consequências dessa mesma caracterização efectuada para o treino dos atletas, da sequipas e para a preparação do treinador.
O rendimento no Hóquei em Patins ao mais alto nível traduz-se pelo nível de expressão das seguintes componentes em interacção:
Capacidades Motoras: força, resistência, velocidades, coordenação e as suas diferentes formas de manifestação.
Capacidades Técnicas: conjunto de gestos e habilidades individuais que permitem concretizar uma acção táctica.
Capacidades Tácticas: princípios de acção e relação com vista à resolução eficaz dos problemas que o jogo coloca (dimensão individual e colectiva).
Capacidades Psicológicas: autoconfiança, vontade, sacrifícios, preserverança, espírito de equipa, atitude e valor.
A melhoria ou não destas componentes, depende do treino, no entanto existem outros factores internos e externos que condicionam o rendimento do treino:
Adaptação
Relacionamento com atletas treinadores e dirigentes
Estabilidade emocional
No que respeita às componentes do rendimento (alto nível) no Hóquei em Patins, estas dependem de três componentes:
Factores Morfológicos
Qualidades Psicológicas
Qualidades Físicas
Esta caracterização irá caracterizar o treino por:
Dirigido
Pedagógico
Organizado
Sistemático
Terá como objectivo a melhoria do rendimento (dependendo das aprendizagens e das adaptações biológicas) e o grau dessa melhoria depende da quantidade (volume) e da qualidade (intensidade, conteúdos, métodos, etc.).
A consequência da caracterização efectuada para o treino dos atletas, são:
Modelos de execução individual (fundamentos)
Técnica
Técnica individual colectiva
Técnica individual ofensiva e defensiva
Táctica individual ofensiva e defensiva
A consequência da caracterização efectuada para o treino das equipas, são:
Modelos de execução colectiva (sistemas e princípios de jogo)
Táctica
Táctica individual colectiva
Técnica individual ofensiva e defensiva
Táctica individual ofensiva e defensiva
A consequência da caracterização efectuada para a preparação do treinador é:
- Deve estar dotado de competências e capacidades (conhecimento, capacidade de transmitir e capacidade de motivar) para ajudar nas tomadas de decisão.
- As suas tarefas fundamentais são:
1- Avaliação Diagnostica (estado preparação dos atletas e condições treino)
2- Estabelecimento de Objectivos (de preparação e de competição)
3- Planear o Treino (métodos, conteúdos, etc.)
4- Executar os Planos e Dirigir as Sessões
5- Avaliar e Controlar (planeamento, execução treino, etc.)
6- Estabelecer Estratégias de Competição (planear a competição)
Fonte: Helder Antunes, in Curso de Treinadores de Hóquei em Patins Nível 3, Coimbra 2007.