terça-feira, 29 de setembro de 2009

O OUTRO LADO DAS NOVAS REGRAS

Artigo de Opinião de Hugo Gaidão - Treinador do Dramático de Cascais (2ª Divisão, Zona Sul)
Nova época, novos desafios, novas estratégias, novas metodologias e principalmente novas regras!

Tenho constatado ao longo de toda a minha vida pessoal e profissional, que toda e qualquer mudança requer cuidado, tempo e acima de tudo experimentação! Pois é…!!!
O ano que se inicia como que um abrir e fechar de olhos e já com as equipas a prepararem-se para uma nova era que ai vem, fazendo os seus primeiros jogos, quer em amigáveis, quer em torneios particulares ou ainda em torneios organizados pelas suas associações – atitude louvável de tais associações; reservou-nos num espaço de três meses, nada mais nada menos que 33 alterações nas regras, sem que houvesse qualquer opinião quer de jogadores, quer de treinadores quer de árbitros, e só me refiro a estes porque considero que estes são os principais intervenientes do jogo! Inacreditável mesmo…!!
Só mesmo no Hóquei em Patins se consegue estes verdadeiros “milagres” de alterar nos três meses de férias vários anos de metodologias e hábitos de trabalho!
Será por ser o Hóquei em Patins considerado um desporto de “Velocidade Supersónica”??!!
Muitas são as opiniões, mas uma delas me chama particularmente a atenção, talvez por ser a que mais oiço! “ Não vale a pena dizer-se que não se concorda, está aprovado só temos de aceitar.” E isto sinceramente e com toda a humildade recuso-me literalmente a fazer!

Em primeiro lugar havia que discutir, mas tão importante ou mais havia que experimentar! Repito EXPERIMENTAR!!!

Como é possível o Hóquei em Patins passar a ser uma modalidade de batotice grosseira no aproveitamento das faltas de equipa???

Como é possível o nosso Hóquei poder vir a ser uma modalidade em que a maioria dos jogos vão ser decididos por critérios não uniformes dos árbitros e por diferentes interpretações dos mesmos lances???

Será possível esta questão da Faltas de Equipa ir para a frente, quando o que de mais apaixonante há no nosso Hóquei é precisamente ser um jogo de velocidade e equilíbrio???? – Logo é inevitável haver contacto!!!

Como é possível existir uma regra que penaliza o jogo passivo ao fim de 45 segundos de uma equipa que está em vantagem no marcador??? Em primeiro lugar digam-me, o que é não ir à baliza? Então isso não faz parte do jogo de uma equipa que lutou para conseguir uma vantagem no marcador? Esta regra não penaliza uma equipa que conquistou golos ao invés da outra que não os conseguiu?? Golos não é o objectivo do jogo?? Então o porquê de uma punição a uma equipa que esta a ganhar o jogo, que faz as movimentações ofensivas e que esbarra numa eficaz acção táctica defensiva da equipa que está a perder??? Então o que deve fazer?? Rematar mesmo com oposição? Sem ângulo de remate? Põe em risco a sua vitoria que conquistou? Põe em risco todo o seu equilíbrio defensivo? – um dos princípios fundamentais de uma equipa. Desporto de competição não é ganhar???

E porque não se penaliza com jogo passivo uma equipa que a perder mantém uma postura defensiva passiva sem qualquer objectivo da conquista da bola??? Afinal quem esta a perder o jogo?? Ou é melhor ser a equipa que está em vantagem ter de ao fim de 45 segundos oferecer a bola ao adversário quando este não faz nada para a conquistar??? Não se estará aqui a confundir muitas vezes uma acção táctica ofensiva neutralizada por uma acção táctica defensiva??? Ridículo esta regra!!
Considero que há nesta lei uma dupla penalização, visto que obrigam a equipa que está em vantagem por mérito próprio perder todo o seu equilíbrio defensivo e controlo do jogo para beneficiar uma outra equipa que mesmo a perder nada faz para conquistar a bola!!!

Por falar em duplas penalizações! Quer erro crasso nestas novas regras!!

Como é possível uma equipa ser penalizada com Livre Directo ou Penalti e ainda com P.Play??? Isto é transfigurar o Hóquei em Patins! È dar poder e muita muita pressão aos árbitros! Mas porque razão é que um jogador que é rasteirado mas que ainda tem 3 adversários na sua frente e mais o G. Redes à sua frente, e pela acção disciplinar consequente ao jogador infractor, beneficie do castigo máximo e ainda do P. Play, quando a jogada não aparentava qualquer tipo de golo iminente ou perigo???...

Uma tristeza esta regra, e que não haja duvidas nenhumas vai oferecer muita polémica ao longo do ano de Norte a Sul!!

O que eu faria? Simplesmente aplicaria a acção disciplinar e respectivo P. Play. Mas nunca o L. Directo! Isso não é mais que castigar duas vezes a mesma equipa por uma infracção!!

Dez faltas de equipa acumuláveis de uma parte para a outra…??? Castigos máximos de 5 em 5 faltas a partir da décima falta…???

Por favor mudem esta regra rapidamente, se não querem que a nossa modalidade caia no descrédito que caiu o Ciclismo por causa da questão do Doping!!! No mínimo dez faltas em cada parte como limite mas não acumuláveis de uma parte para a outra.!

Mas afinal o que é o Hóquei em Patins?? È um jogo de equilíbrio, jogado a alta velocidade, onde no qual os jogadores patinam apoiados em cima de oito rodas, certo? Perante esta definição muito simples, o que estão a pedir é a mesma coisa que se peça aos pilotos de Fórmula 1 para não passarem dos 100KMS/H para que não haja acidentes durante os Grande Prémios..!!! Ridículo isto!!...

E afinal o que são faltas de equipa? Faltas que proíbam o contacto violento? Que impeçam uma jogada iminente de golo ou de perigo? Faltas que disciplinarmente não justifiquem um cartão azul?? Se sim….Plenamente de acordo!

Infelizmente esta não é a resposta, e digo isto perante o que tenho assistido neste primeiro mês de novas regras. O que tenho visto?

Faltas nos cantos; choques ocasionais; faltas de bloqueios mal tirados; stick nas caneleiras ou no stick quando o objectivo é apenas roubar a bola..!!!

Aberração completa estas regras! Aconteceu com a minha equipa….marcação de Falta de Equipa a um jogador meu sempre que aparecia no segundo poste para finalizar!!! Foras de jogo??? só pode!!! Ridículo!!! As pessoas riem se nas bancadas … Mas que desporto é este então? – Basquetebol com patins..???

Diria mais, concordo plenamente com o meu colega Sr. Paulo Batista na sua ultima entrevista, isto não é mais que um excesso de zelo – Teatro mesmo (Aliás perante este cenário penso que um bom treino semanal será o da arte de representação para aproveitar as Faltas de Equipa..);

Regras novas para proteger os artistas??? Mas afinal quem serão os artistas…’’’!!??Os que podem decidir jogos com diferentes formas de actuar nas mesmas situações??

Não vale a pena tapar o sol com a peneira.. como há bons e maus jogadores, bons e maus treinadores, claro que também existem muito bons e maus árbitros! Esta é a verdade!

Não quero com isto dizer que os árbitros são os maus da fita, claro que não!
Na minha opinião estes são tão ou mais vitimas do que nós treinadores e jogadores, pois são eles que terão de ajuizar algo novo e que não foi experimentado.
E mais, nós equipas treinamos diariamente, e os árbitros treinam com quem?? Será que alguém pensou que é difícil passar do papel á prática sem treinar sem experimentar….num espaço de 3 meses??

Toga a gente sabe que a pressão aos árbitros vai aumentar, ninguém duvide disso, e será que alguém se preocupou com isso?
Será que não se deveria dotar os árbitros de ajuda e de apoio nesse sentido? Na minha modesta opinião digo claramente que sim!
Aliás afirmo, que tal como os jogadores, os árbitros também deveriam ter o seu treino.

Também não vale a pena esconder, e toda a gente sabe o que se passa em alguns pavilhões, principalmente no intervalo dos jogos…!!
Estas regras tais como estão só irão agudizar esta situação, toda a gente já percebeu que vai haver muita mas mesmo muita pressão sobre os árbitros, em alguns corredores de porta fechada, onde curiosamente a cabine dos árbitros é mesmo ao lado do balneário da equipa da casa!!! E o porque da tal pressão?? Pelo ridículo que já falei das tais Faltas de Equipa…!

O Jogo vai enriquecer tacticamente com o aparecimento das cortinas e dos bloqueios…! Realmente é verdade, e se assim for realmente a nossa modalidade ficará mais rica, sem qualquer duvida.

Só há aqui um pormenor que me faz estar descrente em relação a esta regra!

Será que todos vão ter o mesmo critério na apreciação desta regra? Será que todos vão entender quem bloqueia quem?;, ou quando é que um jogador parado e que já conquistou o espaço físico nunca poderá ser penalizado quando um defesa vier na sua trajectória e o albarroar???

Penso que aqui vai haver muita confusão mesmo! Aliás passo a citar algumas conversas com árbitros que tive em alguns jogos treino que fiz.

Perguntei que critério iriam ter nestas situações?.... Respostas…

- “ Eu apito tudo falta atacante...não quero saber quem ganhou o espaço primeiro ou não...”

-“ Se houver contacto marco falta atacante…”

-“… Desde que respeite os 50cm…”

- “… Não é fácil mas há que perceber que tem o espaço ganho..vou ter isso em conta..”.

Reparem bem como quatro duplas diferentes têm formas diferentes de avaliar o mesmo lance!

Mas afinal em que ficamos?? Afinal o que podemos treinar, se uns penalizam e outros não??

Será que agora teremos de preparar a semana vs adversário e ainda consoante a critério da dupla que nos calhe por nomeação???

Sinceramente e em jeito de conclusão, penso que a todos os intervenientes foram despejadas regras no papel e agora amanhem-se dentro do campo!!

Treinadores, jogadores e árbitros são os mais lesados neste processo todo, pois são eles que vão ter de fazer a tal experimentação que não foi feita, mas nos jogos a doer!!

E muito sinceramente, é muito bonito ouvir-se que este ano é transição, vai haver erros..etc.. e a pergunta que eu faço é a seguinte.
Alguém se esqueceu, que este ano para os clubes é um ano igual aos outros, ou seja, há objectivos para cumprir? Que há treinadores que têm objectivos para cumprir??

Mas está tudo louco?? Então vamos experimentar..mas a sério!!??

Pergunto eu; vamos experimentar? Vai haver erros? E será que os clubes também foram ilibados de pagar transferências, taxas..etc??? Ou é só meio a brincar mas só para alguns???,…

Realmente acho que o jogo até fica mais limpo, mais fluido de forma geral. Todavia, há regras das quais já falei que são contra-natura!

Esta é só a minha opinião, formada depois de um mês de trabalho árduo.

E toga a gente sabe que ao começar a competição a sério, acabou-se as desculpas e as tolerâncias..as equipas ganham ou perdem esta é a verdade!

Se não houve experimentação antes, hoje e ao fim de um mês já se tem a perfeita noção do que vai acontecer. A tensão e a pressão vai aumentar
e muito!

Na minha opinião há coisas que nem deveriam começar, como já se aperceberam.

O meu pedido é o seguinte, por alguma razão somos o país com mais títulos mundias...logo…se os outros não mudam então mudemos nós e já antes de descrédito ser geral!!

Desejo a todos os maiores sucessos desportivos!
Hugo Gaidão
O bogue THP agradece ao treinador Hugo Gaidão a partilha da sua opinião pessoal. Obrigado.

sábado, 26 de setembro de 2009

Entrevista de Paulo Batista - Nota de Esclarecimento

Tendo em conta um comentário deixado na entrevista que o Treinador Paulo Batista concedeu ao blogue THP, para que não hajam equivocos e para que tudo fique claramente esclarecido, aqui fica a seguinte nota de esclarecimento.
Nota de Esclarecimento
"Peço-te que publiques esta resposta ao autor do 2º comentário, responsável pelo blog OKNOVASREGRAS, fora da janela de comentários pela razão que passo a explicar:
Face à responsabilidade que tenho no HP tenho como princípio não entrar em conversa com pessoas que não se identificam, embora reconheça mérito ao responsável pelo dito blogue, presumo que seja árbitro, e pessoa muito interessada na nossa modalidade e portanto temos objectivos comuns. Vou portanto abrir uma excepção e vou-lhe responder desta forma, com a tua colaboração, não deixando de lhe enviar o meu mail através do blogue OKNOVASREGRAS para, se o Sr. estiver interessado (devemos nos conhecer concerteza) podermos continuar este debate. Como compreendes e compreenderá, alimentar discussões que são sérias em janelas sujeitas a anónimos – muitos até dão bons contributos, mas a maioria quer discutir outras coisas - e que por isso revelam a sua limitação, é estar a tornar um debate importante numa caldeirada.

Por isso passo a esclarecer:

Meu caro,
Começo pelo seu último parágrafo, estamos todos de acordo que as regras vêm melhorar o jogo, sempre acreditei nisso ainda antes das reuniões terem começado. Reafirmo-lhe que na experiência italiana e espanhola isso foi logo visível – fundamentalmente pelo seguinte: Eliminação das linhas de anti-jogo, logo mais espaço para jogar. Havendo mais espaço a técnica hoquista aparece logo – patinagem hoquista, manobra de stick e a conjugação das duas.
Não há dúvidas aqui, julgo.
Referi fundamentalmente dois aspectos que foram erro de processo: devia ter havido mais experimentação de todo o pacote regulamentar e erro decorrente do processo de aprovação pela assembleia da FIRS.
Ao queremos proteger o jogo técnico – entramos no campo disciplinar que está sempre associado - discutindo-se teoricamente o conceito de FE e o nº limite delas. Necessitávamos aferir este conceito e o número. Por aquilo que vi e face ás consequências sobre o resultado afigurasse-me excessiva ser acumulativa da 1ª para a 2ª parte. Uma coisa é discussão teórica a outra é a experiência. Penso que percebe este ponto. Esta é a minha opinião no confronto FE – influência sobre o resultado. A experimentação que era um pressuposto fundamental não foi a suficiente.
Relativamente à aprovação penso que também fui explícito: foram introduzidas alterações que penso, ultrapassaram a comissão, levando a práticas impossíveis de serem aplicadas.
Com toda a honestidade, que garantia temos nós de controlar 45s de tempo de ataque, exactamente? Os árbitros olham para o cronómetro ou olham para o jogo?
Reafirmo-lhe que este ponto na comissão foi logo esclarecido – Não há tempo de ataque algum, pelo que só entendo esta alteração com resultado de pressão para o pacote de regras ser aprovado, por algum grupo de espertos que jogam HP 3 vezes por ano e que sujeitam-nos a isto com argumentos do género: o basket faz assim.

A minha pergunta, julgando que você conhece o jogo como eu: Não acha que são factores demasiado condicionantes daquilo que são os objectivos que levaram ao processo de alterações de regras. Eu quero um jogo mais simples, mais técnico, mais atractivo onde a componente técnica prevaleça, no entanto compliquei ao tentar controlar o jogo violento e é exactamente na tentativa de arranjarmos um equilíbrio que se devia ter ido mais devagar. Honestamente prevejo grandes dificuldades no controle do jogo por parte dos árbitros, mas espero me enganar, até porque nem todos os jogos são apitados por 2 mais o 3º árbitro e parece-me evidente que o domínio de todos estes factores por um árbitro será complicado.

Para terminar começo pelo principio do seu comentário: Não sei como é que você faz a pergunta acerca do divisionismo norte/sul!?
Não percebo como é que nas minhas respostas você viu isso.
Nem como entendeu as resposta como “a mandar abaixo”.
Desculpe mas não alcançou.

O que eu constatei in loco – Torneio Internacional do Porto e Torneio de Turquel – foi que as regras forma aplicadas de forma diferente, concretamente na questão dos 45s. O meu ponto é que os diferentes comités regionais de arbitragem ainda não conseguiram uniformizar a aplicação das novas regras – nem falo em critérios de apreciação das faltas porque é evidente que se isso para mim é fundamental. Essa é uma responsabilidade dos árbitros.
Aliás devo-lhe dizer e saberá concerteza, estou perfeitamente à vontade no que diz respeito a todos os árbitros, até porque considero a classe mais desprotegida do HP, sem qualquer demagogia.
Digo-lhe aliás que sempre senti o afastamento entre os árbitros e os outros agentes do HP, como mais um factor de a nossa modalidade ser minoritária, próprio de uma modalidade pouco desenvolvida.

Finalizando: As regras são iguais para todos – claro como água. Todos nos vamos adaptar de uma forma ou de outra.
Entendo que a experimentação devia ter sido mais extensa, pois julgo haver aspectos a melhorar para que o jogo, que se tentou melhorar com este processo de alterações, não corra o risco de se tornar mais polémico pelo próprio processo de alterações - passo a redundância.
Uma coisa lhe garanto: a classe de árbitros será determinante no sucesso que as alterações provocarem."
Ao dispôr
Paulo Batista
O blogue THP agradece ao Treinador Paulo Batista este esclarecimento público e esta excepção aberta, uma vez que o Blogue THP sabe que o Treinador Paulo Batista não tem por principio responder a comentários anónimos, que muitas das vezes não discutem o cerne das questões.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Entrevista a Paulo Batista - Novas Regras H. Patins

Paulo Batista
Treinador de Nível 3
Clube Actual: Candelária Sport Clube (1ª Divisão) e ex-Seleccionador Nacional de Portugal
Escalão que orienta: Séniores
THP- Qual a sua opinião acerca das Novas Regras em Geral? (O que não deveria ter sido alterado? O que foi bom alterar? Foi boa esta mudança? Etc.)
PB - Como sabem fui membro da comissão europeia (Portugal, Espanha e Itália) enquanto seleccionador nacional, tendo participado em grande parte das reuniões. As alterações vêm melhorar a espectacularidade do jogo em termos globais - o aumento do espaço de jogo e a valorização do tecnicismo através de uma maior penalização do jogo violento. Mas foram cometidos erros no processo de alteração das regras que já estão a levantar polémica. Passo a referi-los.
No início da discussão foi determinado um pressuposto importante – as alterações teriam de ser experimentadas antes de serem aprovadas pois previa-se uma grande mudança no jogo especialmente com o intuito de alargar a área do jogo e proteger o jogo técnico – Não podemos esquecer que os actuais jogadores sempre jogaram HP no quadro regulamentar anterior. Essa experiência era importante para aferirmos das implicações que as alterações discutidas teoricamente tinham no jogo e essa experiência falhou pois quer em Itália e em Espanha para além dos aspectos positivos que foram logo detectados foram incompletas, pois algumas alterações não foram aferidas tais como as faltas de equipa. Em Portugal – O jogo no Luso – foi um falhanço completo, há que assumi-lo: as equipas não estavam preparadas nem os árbitros, também porque a mensagem não foi bem passada pelos responsáveis.
Daqui resulta como mais grave na minha opinião o desajustamento do nº de faltas de equipa permitido, ou seja, revela-se inadequado ser 10 FE e a partir daqui de 5 em 5 em acumulação da 1ª parte para a 2ª, porquê? Porque por aquilo que já vi o jogo passa a ser de teatro – as equipas vão jogar em função das faltas das outras equipas para além da facilidade de critérios duplos, e o jogo vai inflamar bastante pois a o livre directo correspondente pode resolver o jogo. Não podemos pôr o jogo de HP um jogo de Teatro com todas as consequências para a estabilidade do jogo. É fácil prever a pressão a que os árbitros vão estar sujeitos.
Defendo as FE com os números actuais embora não acumulativos de uma parte para a outra, até porque as FE surgem porque no último terço, quarto do jogo, nas regras anteriores, as faltas aumentavam exponencialmente e as FE surgem para que o jogo não pare tanto. Como está actualmente, a decisão do árbitro a cumprir como que está estipulado vai ser sempre influenciado pelo teatro, porque os jogadores não são parvos.
Isto só poderia ser aferido depois de correctamente experimentado e a precipitação da aprovação deu nisto. Prevejo grandes inflamações especialmente em jogos onde não há 3º árbitro pois até a contabilização das FE vai ser problemática.
Outro aspecto que se está a revelar agora com os primeiros jogos e que já devia ter sido aferido através da experimentação que não foi feita, é o facto de se comprovar a dupla penalização que o Livre Directo dá, excepto quando surge pelas FE. Ou seja, sendo cometido uma falta merecedora de LD dando origem a expulsão, a equipa penalizada continua em caso de falhanço do LD em penalização pois fica em desvantagem (Power Play)- É uma dupla penalização. Devo dizer-lhe que na comissão foi completamente derrotado neste aspecto pois ninguém concordou comigo na separação entre Power Play e LD. Para mim LD implica iminência de golo, jogador que se pode isolar ou que está isolado, enquanto que Power Play implica castigo disciplinar devido a falta grave onde não há iminência de golo. Os meus argumentos não passaram e o que vê agora é uma dupla penalização que não obedece ao princípio de uma falta um castigo e não dois com está actualmente.
Vou-lhe concretizar: Um jogador atrás da baliza adversária perde a bola e vem a patinar atrás do adversário que lhe tirou a bola e ao tentar com o stick com engachamento ou não provoca a queda do adversário. Esta falta tem de ser penalizada disciplinarmente. É grave, no entanto ainda existiam 6 jogadores de pista à sua frente –não há eminência de golo. O jogador deve ser expulso e surge aí o Power Play sem Livre directo. No caso em que a situação seria com o jogador adversário isolado com iminência de golo seria assinalado LD e o jogador expulso podendo ser substituído pois a equipa adversária já beneficiaria do LD.
Confesso que a determinada altura na comissão quis retomar novamente a discussão dos cartões amarelos pois isso permitiria associar também o Power Play aos segundos cartões amarelos (azul por acumulação) e julgo eu que esse podia ser um factor importante para distinguir as penalizações e não associá-las como agora acontece caindo no erro da dupla penalização, mas não se foi por aí.
Enfim só a experimentação ajudaria a esclarecer. Como está agora a decisão do árbitro ao cumprir com o que está estipulado tem consequências grandes e, como disse o jogo passa a ser com muita mais probabilidade de teatro e de pressão sobre os árbitros.

Outro erro de processo foi o facto de após a elaboração do documento final pela comissão ao ser levada a aprovação pela assembleia da FIRS, sofreu alterações para ser aprovado pois nessa discussão entraram todos os países, que em termos de HP não têm nada a ver connosco. E aí surgem, se não se repetiram novamente os pontos de discussão, de gente que não tem o percurso que os países da comissão têm, apesar de outras Escolas também poderem ter dado contributos como a Argentina, a Suíça e a França (embora esta não tenha querido participar)
Chega-se assim a alterações extraordinárias da qual destaco os 45s para ir à baliza que é uma aberração ou pelo menos está ser mal interpretada pelos nossos árbitros – os do norte porque os do sul não estão a aplicar como os dos norte (este é um problema dos nossos árbitros).
Vou fazer a resenha histórica deste ponto: na 1ª reunião o tempo de ataque foi logo uma questão posta e todos os países concordaram que esse não seria uma alteração, não só pela história do próprio jogo como pela dificuldade logística que esse controle acarretava. Só entendo este ponto aparecer no documento final (Art.:8 ponto 6.2.2) na discussão da assembleia da FIRS ou então uma alteração posterior à minha saída na comissão, o que não acredito face à total concordância inicial.
Pergunto: Como é que é possível controlar objectivamente 45s o tempo de ataque?
Não Vão haver 45s longos e outros curtos?
As pessoas não têm noção que uma equipa pode ter iniciativas atacantes e não ter hipótese de rematar porque a acção defensiva é eficaz? A atitude pode ser ofensiva mas nem sempre se chega á baliza não deixando o jogo de ser dinâmico e emocionante.
Por outro lado a regra diz:
Art. 8 ponto 6.2.2 : Quando uma equipa não efectua – por um período superior a cerca de 45 (quarenta e cinco) segundos – qualquer tentativa reconhecível de ataque ou de remate à baliza do adversário.
Ignorando o erro da inclusão de um tempo de ataque, não deixa de se referir “qualquer tentativa reconhecível de ataque…” que elimina o factor remate, pois uma equipa ao fazer a sua circulação atacante pode não puder rematar, daí que não perceba porque é que no norte os nossos árbitros se estarem a guiar na aplicação do jogo passivo pela existência ou não do remate. Assisti a este ponto no torneio internacional do Porto. No sul os árbitros não estão a aplicar desta forma pelo que temos aqui também um problema.
Na minha perspectiva isto devia ser completamente ignorado, não só porque não há forma objectiva de controlar os 45s – daí chamar a esta questão uma aberração. Como é possível isto passar? – O não rematar não significa não ter uma atitude ofensiva, pois muitas vezes ele é travado.
Ainda relacionado com este aspecto, tenho informações, e aqui posso estar errado, que há árbitros que estão a contabilizar 5 vezes a bola passar o meio campo para assinalar jogo passivo. No entanto a regra é clara: têm de ser consecutivas – sucessivas – para ser considerado jogo passivo. O que isto significa é que se pode vir várias vezes atrás da meia pista desde que se tenha sempre iniciativas atacantes entre elas.
Art. 8º ponto 6.2.3
6.2.3 Quando uma equipa efectua - por 5 (cinco) vezes consecutivas – o envio intencional da bola para a sua
“ZONA DEFENSIVA”, seja através de um passe seja através da condução da bola, não executando qualquer
tentativa para atacar a baliza adversária.
Para terminar, reforço a falta de experimentação e consequente análise para aproximarmos o jogo ainda mais àqueles objectivos que foram o propósito das alterações – proteger a técnica e tornar o jogo mais espectacular pela procura da baliza – o que se conseguiu com a eliminação das linhas de anti-jogo e com uma maior penalização das faltas que não pode atingir as proporções actuais, pois têm-se duplas penalizações e as consequências da decisão dos árbitros influenciam mais o resultado pela excessiva penalização disciplinar. A manterem-se as coisas assim prevejo jogos muito inflamados e muita polémica.
THP - Que mudanças trouxeram as Novas Regras a nível de treino? (Se é que trouxeram algumas, o que mudou no treino?)
PB - Enriqueceram o treino pois as novas situações tácticas como o Power Play, a definição objectiva do bloco, os momentos decisivos como os livres directos e os penaltys obrigam a um treino com mais conteúdos, pois para além de os jogadores terem de dominar estas novas variantes vão ter de ser mais fortes mentalmente pois um livre directo e um penalty têm importância relativa maior.
THP - O “espectáculo” irá melhorar? Irão ser benéficas para a modalidade estas alterações?
PB - Sem contar com os aspectos que referi na 1ª pergunta relativos às faltas de equipa, aos Power Play e livres directos, assim como a aplicação do conceito de jogo passivo, o jogo com mais espaço e com maior protecção ao jogador torna-se mais técnico com mais sucessão de jogadas de superioridade numérica e logo mais espectacular pois o perigo vai rondar mais as balizas. Estou certo que o nível técnico global do jogador vai subir. Estou preocupado é pelo capítulo disciplinar que como procurei explicar vai tornar o jogo polémico pois os árbitros a aplicarem os regulamentos como estão, vão influenciar os resultados tornando-se objecto de pressões que vão inflamar o jogo. Estou mesmo a ver nos jogos a doer, porque estes ainda não têm o carácter decisivo dos do campeonato nacional, aquelas esperas ao intervalo, o teatro dos jogadores, enfim vida muito difícil para os árbitros.
THP - Se tivesse “poder” para tal, o que mudava ainda nas regras da modalidade e o que não mudava?
PB - Penso que já fui explícito na resposta á pergunta 1, no entanto ainda tornava o documento das regras mais simples, pois ainda mistura muito de regras de jogo com regulamentos de provas.
As regras de jogo não têm que ter a definição das categorias, não têm de ter os procedimentos para os protestos, isso não são regras são regulamentos de prova. Ou seja tornava o documento mais simples para ser mais acessível para além de criar regulamentos de prova para as várias provas nacionais e internacionais que englobassem aquilo que não é regra de jogo. Na comissão essa era uma preocupação – o documento anterior tinha perto de 80 artigos, por isso sempre houve confusão nas regras do hóquei. Mesmo assim o documento actual apesar de passar para 30 artigos ainda está pouco acessível pois tem muitos pontos e subpontos e eu entendo que todos os agentes incluindo adeptos, devem saber as regras e portanto estas têm de ser acessíveis.
Actuava sim, nos regulamentos de prova, nomeadamente com a introdução de mais regras que acabassem com aquilo que se passa em vários pavilhões onde as cabines dos árbitros são atribuídas mesmo ao lado da cabine da equipa da casa e ainda por cima põem uma porta a fechar esse corredor para que os árbitros sejam apertados. Não entendo como os árbitros permitem isto e não tomam uma posição. Não deve ser muito difícil regulamentar estes aspectos. Não deve interessar muito. Como estão as regras agora prevejo que vai valer tudo…
THP - Quem irá sentir mais dificuldades de adaptação? Árbitros? Treinadores? Jogadores? Público? Porquê?
PB - Acho que todos se vão adaptar de uma forma ou de outra. Para mim a questão não é essa. A questão para mim como penso que se percebeu, é o jogo que vamos ter: se vai ser um jogo decidido pela capacidade técnica dos jogadores e equipas ou por aspectos que não têm haver com a técnica hoquista.
Julgo que vai ser muito difícil ser árbitro e o objectivo primário destas alterações era tornar o jogo mais simples, mais técnico logo mais espectacular.

THP - Algo mais que queira acrescentar:
PB - Honestamente gostava que houvesse flexibilidade suficiente para se perceber que o jogo vai ficar muito inflamado e que houvesse a coragem também de nós fazermos as alterações necessárias, mesmo que isso fosse contra o documento oficial das regras. Estas alterações vêm afectadas de falta de experimentação e de um processo de aprovação que introduziu alterações inexequíveis pelo que compete-nos a nós países com mais Escola assumir a alteração, aliás esse foi exactamente o espírito que presidiu à comissão – os outros países é que se tinham que aproximar dos mais evoluídos e não o contrário.
O blogue THP agradece a disponibilidade do Treinador Paulo Batista, bem como fazemos votos sinceros para que o mesmo rapidamente ultrapasse os problemas de saúde que o têm afectado. Força aí...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

VÍDEOS: EXERCÍCIOS DE MARCAÇÃO DE FALTAS NOS CANTOS SUPERIORES DA ÁREA

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Vídeo 1: Marcação de faltas no Canto Superior da Área SEM Oposição Defensiva

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Vídeo 2: Marcação de faltas no Canto Superior da Área COM Oposição Defensiva

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Vídeo 3: Marcação de faltas no Canto Superior da Área COM Oposição Defensiva

Fonte: Exercícios de Paulo Freitas (treinador da AA Espinho), in 1ª Jornadas de Treino de Hóquei em Patins, H.C. Paço de Rei, 5 de Setembro de 2009.

domingo, 20 de setembro de 2009

IIº Simpósio Internacional de Hóquei em Patins

A FCDEF da Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Tomar estão a organizar o II Simpósio Internacional de Hóquei em Patins, nos dias 4 e 5 de Outubro de 2009, na Biblioteca Municipal de Tomar.
“Mudanças estratégicas no hóquei em patins”
O tema deste simpósio tem como referência a mudança de estratégias que as novas regras vão impor à modalidade e as soluções projectadas pelos agentes da modalidade no sentido de tornar o hóquei em patins mais atractivo. Partindo da exposição com base em estudos científicos, anexando uma vivência prática e repartindo conhecimentos através do debate com jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros será uma oportunidade de reflexão face às tendências evolutivas do hóquei em patins a nível nacional e internacional.
PROGRAMA:
1º DIA (Domingo - 04/Outubro/2009)
8.30/9.30 - Registo
9.30/10h - Cerimónia de Abertura
10h/11h - 1ª Conferência – Mesa José Pedro Ferreira(FCDEF-UC)
Tema: A preparação psicológica de uma equipa.
Convidados: Pedro Gaspar (FCDEF); Hélder Antunes (Treinador CHC)
11h/11.15 - Coffee Break
11.15/13h 2ª Conferência – Mesa: Carlos Eduardo Gonçalves (FCDEF-UC)
Tema: A acção do treinador na preparação do jogo.
Convidados: Alberto Areces (Corunha); Joaquim Pauls (Barcelona); Pedro Nunes (Treinador PA); Tó Neves (Treinador Oliveirense)
PAUSA PARA ALMOÇO [Livre]
14.30/15.45 3ª Conferência – Mesa: Miguel Fachada (FCDEF-UC)
Tema: Etapas de formação do jogador de hóquei em patins.
Convidados: João Valente (FCDEF); Vasco Vaz (FCDEF); João Simões (Treinador HCTurquel)
15.45/17.15 4ª Conferência – Mesa: Vasco Vaz (FCDEF-UC)
Tema: Modelo de jogo – estratégias face as novas regras.
Convidados; Joaquim Pauls (Barcelona); Alberto Areces (FD Corunha); Vitor Silva (Treinador); Paulo Freitas (Treinador)
17.30/18h - Coffee Break e apresentação de Posters
18h/19.30 5ª Conferência – Mesa: Luís Rama (FCDEF-UC)
Tema: Treino e avaliação da Condição Física no atleta de hóquei em patins face ás novas regras
Convidados: Amândio Santos (FCDEF-UC); José Pedro Martins (Professor) ; Óscar Viana Gonzallez (Preparador Físico do Liceu da Corunha).
20.00 h - Jantar seguido de noite social
2º DIA (Segunda-feira - 05/Outubro/2009)
9:30/11.00 1ª Mesa Redonda
As novas regras do ponto de vista dos treinadores
Moderador: João Campelo (ANTHP)
Convidados – Paulo Freitas (AAEspinho), Nuno Lopes (SCT), Miguel Cunha (ACR Santa Cita), Miguel Moreira (APDGPenafiel)
11h/11.15 h – Coffee Break
11:15/12.45 2ª Mesa Redonda
As novas regras do ponto de vista dos jogadores
Moderador: João Campelo (ANTHP)
Convidados – Gonçalo (SCT), Loic Ferreira (Gualdim Pais), Vitor Hugo (Oliveirense), André Luis (Turquel)
12.45/13h Encerramento do Simpósio
INSCRIÇÕES
Secretariado do IIº Simpósio Internacional de Tomar, Câmara Municipal de Tomar, Praça da República, 2300 Tomar
Valor das Inscrições (incluindo CD e jantar):
Apresentação de Poster Gratuito
Estudantes - 10 Euros
Sócios da ANTHP - 10 Euros
Outros interessados - 15 Euros
APRESENTAÇÃO DE POSTER: Entrega do abstract até 30 de Setembro (ver regras no site do simpósio e da FCDEF)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VÍDEOS: EXERCÍCIOS DE MARCAÇÃO DE FALTAS NOS CANTOS INFERIORES DA ÁREA

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Vídeo 1: Marcação de faltas no Canto Inferior da Área SEM Oposição Defensiva

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Vídeo 2: Marcação de faltas no Canto Inferior da Área COM Oposição Defensiva

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Vídeo 3: Marcação de faltas no Canto Inferior da Área COM Oposição Defensiva

Fonte: Exercícios de Paulo Freitas (treinador da AA Espinho), in 1ª Jornadas de Treino de Hóquei em Patins, H.C. Paço de Rei, 5 de Setembro de 2009.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PLANEAMENTO DA ÉPOCA (METODOLOGIA) - PARTE 4/4


CONCEITOS DE PONDERAÇÃO PRIORITÁRIA
O 2º DADO importante será um desenvolvimento das qualidades físicas.

Esta preparação, no princípio, visará um desenvolvimento geral e harmónico, e mais tarde deve prever uma evolução específica relacionada com as necessidades particulares do Hóquei em Patins.

É bastante claro, que o trabalho de desenvolvimento da preparação física geral não impede que se faça também um trabalho que incida sobre a técnica desde que, no contexto da preparação, se faça a aprendizagem de esquemas motores fundamentais e de soluções tácticas particulares (táctica individual).

O atletas de hóquei em patins deve ser treinado através de esquemas racionais sistemáticos, a fim de que desfrute de possibilidades de adaptação do seu organismo (funções e estruturas) para ELEVAR a sua capacidade individual de actuação, isto claro, se necessidade de descuidar (portanto, melhorar), através do treino colectivo, o rendimento de toda a equipa no âmbito técnico-táctico.

NOTA – Neste momento vêem-se ainda jogadores, fruto só de trabalho táctico (do treino de conjunto), que executam relativamente bem os fundamentais, mas não conseguem aplicá-los no momento táctico oportuno.
Outros são mais mexidos, mas não são capazes também de tomar uma decisão (psico-motora) num curto espaço de tempo.

Tudo se resume a uma planificação do treino que privilegie a táctica individual, ou seja, exercícios de coordenação entre sectores feitos durante muito tempo, até saírem bem, no treino de conjunto.
O treino incide, portanto, num conjunto de factores, substancialmente reduzidos a:

a) – Desenvolvimento das qualidades e capacidades individuais, quer no plano orgânico e muscular, que no plano técnico-táctico;
b) – Desenvolvimento da capacidade de equipa, para alcançar rendimento, através do aperfeiçoamento técnico-táctico colectivo (conjunto).


Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Árduos Caminhos para a Vitória" - Hóquei em Patins, página 36.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VÍDEOS: Marcação de Livres Directos - Novas Regras

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Livre Directo com condução de bola

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Livre Directo com Remate de Balanço

Fonte: Vídeos do Blogue THP, in 1ª Jornadas de Treino de Hóquei em Patins do HC Paço em Rei - 05-09-09

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

PLANEAMENTO DA ÉPOCA (METODOLOGIA) - PARTE 3/4


CONCEITOS DE PONDERAÇÃO PRIORITÁRIA
É importante saber que assuntos sobre preparação física são já bem conhecidos no mundo do desporto.

Embora as realizações neste capítulo sejam ainda muito desiguais, todavia, podemos dizer que os treinadores sabedores as aceitam e servem-se delas de acordo com as suas necessidades e os seus conhecimentos ou então entregam esta parte a um especialista, depois de estudarem juntos o plano de trabalho (preparador físico).

Sabemos também que existem muitas interrogações ainda sem resposta, mas o mundo desportiva encoraja vivamente todas as pesquisas científicas possíveis, neste sector.

O 1º DADO importante para uma boa condição física, que vise a obtenção de altas “performances”, consiste na determinação do estado físico do atleta e do controle médico-desportivo, feito com frequência e não, de vez em quando, como se faz no nosso país.

Conceito 4 – A experiência amadurecida ao longo destes anos demonstra-nos, de modo evidente, a que ponto uma assistência médio-desportiva é necessária no desporto de alta competição. De facto, é o médico desportivo aquele que estuda a problemática da actividade física e que pode avaliar a capacidade geral e específica do atleta.

O médico (medicina geral) ocupa-se de doenças já bastantes conhecidas e do seu diagnóstico. No campo médico-desportivo as referências patológicas representam somente um facto anómalo e excepcional, de modo que os estudos feitos devem, mais que tudo, tender para um estudo da função, ou seja, avaliação da eficiência genérica e específica dos vários órgãos e aparelhos.

No campo da medicina desportiva, a avaliação clínica é sempre realizada com o fim de averiguar a ausência de doença. O atleta deve poder fazer o seu treino nas melhores condições físicas e deve ser submetido a controles contínuos para avaliar a capacidade de resistir ao esforço.

Deve ser controlado pelo menos no inicio do período preparatório, a meio do campeonato e, algumas vezes, quando se observa um abaixamento de forma, a fim de tentar determinar a causa, não se devendo também esquecer o controle no fim do campeonato. Esse controle deve ser feito de tal modo que se consigam precisas indicações acerca da saúde e da condição de treino do atleta.

No caso de doença ou de algum infortúnio, é oportuno que o atleta, depois de cuidada recuperação, e antes de recomeçar a treinar, se submeta a um controle médico-desportivo para avaliar a eficiência física nesse momento.

Consideramos que, ao nível português, se torna difícil ou quase impossível esta maneira de considerar o controle físico e outros problemas aqui expostos.

No entanto, não podemos deixar de os focar com o fim de elucidar ou relembrar problemas que, juntos com outros, darão o somatório justo para as equipas que pretendam e possam trabalhar para a vitória.
Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Árduos Caminhos para a Vitória" - Hóquei em Patins, página 35.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PLANEAMENTO DA ÉPOCA (METODOLOGIA) - PARTE 2/4

CONCEITOS DE PONDERAÇÃO PRIORITÁRIA

Conceito 3
– Infelizmente existe uma tendência para considerar os problemas de carácter psicológico no mesmo capítulo dos problemas técnicos, alimentares… etc. Para as mulheres, isto é um autêntico sacrilégio, pois estes problemas podem condicionar totalmente o programa da sua preparação.
Na prática, a preparação psicológica deve diferenciar-se do indivíduo para indivíduo tendo em consideração que a mulher é um ser de uma delicadeza excepcional.
Entre os fins da psicologia desportiva não existe um que seja secundário; mas convém, entre todos dar saliência a um: ajudar o atleta a melhorar sempre mais e melhor a própria “performance”. A intervenção do psicólogo, no campo desportivo, é de uma utilidade indiscutível, embora no hóquei ainda se verifique muito pouco.

Hammet (s/d), citado por Luís (1989), escreve que as pesquisas de medicina psicossomática demonstraram que um prolongado estado emocional pode influenciar uma função orgânica, perturbando-a, e por vezes provocar modificações anátomo-patológicas.

Por isso, é lógico pensar que diferentes estados emocionais podem, entretanto, agir sobre a parte física, melhorando-lhe a eficiência.
O perigo maior para o atleta é a ansiedade em todas as suas formas. A ansiedade é um sentimento que reduz as possibilidades atléticas, quando muitas vezes não as anual; é uma perturbação que se “alimenta” por si só e que contagia os companheiros de equipa.
A ansiedade (ânsia) pode gerar o que se chama “bloco emotivo” (W. Reich) que tem sempre uma origem: frustrações infantis, dificuldade nas relações sociais e sexuais, nos problemas económicos, familiares e espirituais, etc.

O encontro com uma situação desportiva ansiosa pode originar “efeitos negativos” durante a competição.

Nesta circunstância nota-se que o peso de variados problemas existenciais comprimem aqueles que já pareciam estar resolvidos, mas que, na realidade, estavam somente juntos ou aglutinados. É necessário que se estabeleça com o atleta uma correcta relação prática, a fim de que ele possa oferecer uma completa disponibilidade na forma com irá defrontar os vários problemas de um trabalho aberto e rico de esclarecimentos.

Uma preparação psicológica bem conduzida, não é, obviamente, garantia de sucesso, mas favorece a eliminação de uns tantos factores que o possam impedir de actuar melhor. (…)

Recordemos que a situação agonística, especialmente na alta competição, é altamente “stressizante”. Até porque, na população desportiva, existem indivíduos que não têm estrutura personológica capaz, para suportar o stress em certo grau.
(…)
Corbitt acrescenta que os treinadores dão conta, frequentemente, de que a maior dificuldade é conseguir dar tudo de si mesmo. Também a barreira psicológica se levanta propriamente onde e quando o bom trabalho preparatório do atleta e do seu treinador, deveria estar acabado (Luís, 1989).

Há muitas maneiras de ajudar os atletas a superar esta barreira: uma das melhores é o treino autógeno de Schultz que é uma técnica psico-terapêutica simples, racional, facilmente acessível. Com o sistemático e preciso treino de exercícios indicados para esta técnica de relaxamento psíquico e somático (auto-relaxamento) é possível “amortecer”, resolver e eliminar sintomas perturbadores e também restituir automatismo aos movimentos, preservando-os dos estímulos e motivos do ambiente.
(...)
Atletas bem treinados conseguem chegar rapidamente à descontracção em qualquer situação, nem que seja sentados num banco qualquer. Praticamente, o treino autógeno serve para adquirir a capacidade de auto-relaxamento, isto é, libertação da excessiva tensão emotiva e, por consequência, da somatização da ansiedade (tensão muscular, tremores, sensação da diminuição funcional psico-física, etc.), ou vice-versa. Aqueles que não conseguem “sentir” devem concentrar-se o necessário para “se carregarem” como deve ser.
(…)
Tudo isto é muito útil e necessário para o atleta durante o treino e competições agonísticas caracterizadas pela sua extensão e fadiga (Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo, Campeonatos Nacionais, etc.).
É utilizável também a terapia farmacológica (excluindo, como é lógico, as substâncias dopantes), debaixo de cuidadoso controlo médico. Os neuro-sedativos existem, de facto, em larga escala na farmacopeia moderna, mas são diferentes entre si quanto à composição e, naturalmente, quanto a efeitos; por isso, podem ser úteis e não nocivos, mas só administrados por quem tem uma profunda consciência médica.

A psicologia, recorde-se, coincide muitas vezes com o bom senso, mas não é só isso. A psicologia é uma ciência que requer cultura específica, experiência directa, maturidade individual, precaução na intervenção, fervoroso respeito pela liberdade dos outros, capacidade introspectiva e elevada sensibilidade. Todas estas qualidades são, em parte, inatas mas que só se adquirem conscientemente se forem aperfeiçoadas pelo estudo.

Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Árduos Caminhos para a Vitória" - Hóquei em Patins, páginas 32,33 e 34.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

BALANÇO DAS 1ª JORNADAS DE TREINO - H.C. PAÇO DE REI


Como foi do conhecimento geral, realizou-se no passado dia 5 de Setembro as 1ª Jornadas Técnicas de Hóquei em Patins. As jornadas foram realizadas nas instalações do Hóquei Clube de Paço de Rei (V.N. Gaia), bem como a organização esteve a cabo do clube e contou com o apoio do blogue THP.

O balanço destas jornadas é francamente positivo. As jornadas contaram com a presença de vários treinadores convidados nas prelecções, sendo eles: António Gomes (Carvalhos), Paulo Freitas (A.A. Espinho), Rui Neto (Ex-Juv. Viana), Nuno Carrão (H.C.Paço Rei), Vítor Silva (Ex-O.C.Barcelos), Sr. Álvaro (Presidente da Comissão de Arbitragem) e o Sr. Teófilo (Árbitro).

As jornadas de treino foram enriquecedoras no sentido da partilha e do debate de ideias, quer técnicas, tácticas ou de regulamento. Estiveram presentes vários treinadores de várias zonas do país (desde a zona sul à zona norte), bem como treinadores de diferentes escalões e divisões. Estiveram também presentes vários atletas e vários árbitros da modalidade. As jornadas primaram por serem de carácter bastante prático e didáctico e no final foi notório que todos os participantes e intervenientes ficaram a lucrar com as mesmas.

O blogue THP teve a honra de ser o blogue oficial destas jornadas. Juntos pelo hóquei em patins.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

PLANEAMENTO DA ÉPOCA (METODOLOGIA) - PARTE 1/4


CONCEITOS DE PONDERAÇÃO PRIORITÁRIA


Nestes últimos anos a ciência sempre se dedicou bastante aos problemas do desporto e contribuiu para aperfeiçoar algumas características da actividade humana.
Este procedimento coloca-nos algumas interrogações complexas:

1ª - Como se consegue um bom resultado no campeonato?
2ª - E como se chega lá?


A primeira resposta é de natureza fisiológica, dando-se prioridade, sobretudo, ao aspecto orgânico e muscular.
Nota-se também que, depois de certos contactos internacionais e visualização de jogos na TV, induziram certos treinadores, das equipas masculinas e algumas femininas, a introduzirem nas suas equipas a velocidade de jogo, quer no que diz respeito à velocidade de execução individual, quer nas fintas e nas jogadas que executam colectivamente.

Esta escolha e outras considerações técnico-tácticas impõem ao treinador uma imprescindível condição:

- Adoptarem com os seus atletas, desde os primeiros tempos da sua actividade, uma certa preparação, para favorecerem e desenvolverem certas características psicomotoras, tantando assim melhorar a capacidade muscular e orgânica do atleta.

Assiste-se então, ao inicio do novo problema, aquele que dará resposta à 3ª interrogação – quais as competências que o treinador irá por em prática?

Com efeito, devemos alargar necessariamente a nossa concepção de preparação física, dando maior relevo à dimensão perceptivo-cinética e aumentar o nosso esforço no sector da preparação psicológica.

CONCEITO 1Pensando na mulher-hoquista, focamos que o nosso hóquei feminino teve um grande incremento graças à aposta de alguns treinadores sabedores e competentes.
Por isso, devem recordar-se algumas das características particulares referentes à sua estrutura em relação à do homem. Isso explica a diferença entre a actuação desportiva nos dois sexos, diferença que, obviamente, limita o valor da prestação feminina.
Notamos, de facto, que a estrutura esquelética é menos robusta e, só nos estado adulto, poderá suportar cargas estáticas e de dinâmica inferior. É também de menor intensidade e tracção que os músculos podem exercer. Por consequência, as articulações não mostram diferenças funcionais, mas apresentam superfícies de carga inferior e que estarão predispostas a sustentar cargas menores àqueles que o homem pode suportar.

No que diz respeito à eficiência da capacidade dos músculos pode dizer-se que a massa menor, nas mulheres, determina tensões inferiores em relação a qualquer músculo do homem. Com efeito, a massa muscular representa cerca de 40% de peso total do corpo, no homem e cerca de 30% na mulher.
Durante o período evolutivo, até à transformação da puberdade, não existem diferenças significativas entre os dois sexos, estes começam a evidenciarem-se e tornam-se mais significativos com o progresso da maturação sexual (força muscular em relação à actividade hormonal). Não existem variações notáveis nos sistemas respiratório e cárdio-circulatório. Além disso, as pulsações cardíacas geralmente são mais altas do que no homem e a recuperação demora também mais tempo a fazer.

CONCEITO 2 – Sabemos bem quanto è importante para o Hóquei em Patins, a rapidez de reacção e a velocidade de execução, qualidades que contribuem, sendo bem desfrutadas, para alcançar aquele tipo de habilidade (adresse) para formar um atleta de alto nível.

De facto, a “aprendizagem” das habilidades motoras é determinada pela experiência do atleta, que devemos antecipar com um trabalho específico precoce e, seguir um tipo de treino onde a táctica é sempre empregue.

Este tipo de treino técnico-táctico no nosso programa (feito para atletas já de um certo nível) será iniciado imediatamente durante o período de oito a dez dias e servirá para reautomatizar o gesto técnico do atleta, que se habituará rapidamente a satisfazer as exigências mutáveis que se verificam durante a competição.

Será, por exemplo, quando é necessário tomar uma decisão num espaço de tempo mínimo, como acontece muitas vezes em jogo. Só uma especifica exercitação técnica e táctica poderá contribuir, de maneira determinante, tendo em conta também as características inatas, para tornar mais capaz o nosso atleta. A melhoria da força e da resistência, obtidas com o treino, completam o grau de eficiência do atleta.

Quando se fala de aquisição de habilidades, será inútil prosseguir o treino se o atleta se desinteressar. Por exemplo, a duração máxima do treino dependerá do grau de interesse e da motivação. Quanto maior for a motivação (duração-tempo) melhor poderá fornecer (o atleta) o esforço necessário. A capacidade para manter a concentração varia de individuo para individuo.

Aqui se manifesta a validade de um sistema de treino e é a preparação do treinador que ajudará o atleta, suscitando-lhe novos interesses e motivações, talvez fornecendo-lhe objectivos superiores à sua capacidade de resolução actual, mas que estarão ao seu alcance dentro de pouco tempo (saber esperar).
Fonte: Prof. Fernando Luís, in "Árduos Caminhos para a Vitória" - Hóquei em Patins, páginas 31 e 32.