sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O AQUECIMENTO... COMO FAZER? ORIENTAÇÕES...


Definição de Aquecimento: conjunto de medidas e operações preparatórias estabelecidas pelo treinador (médico) e utilizado pelos jogadores antes de efectuarem um certo tipo de esforço com vista à instalação do estado óptimo de trabalho do organismo, à resolução dos objectivos instrutivos estabelecidos, à mobilização das disponibilidades biológicas de alta competição e prevenção dos acontecimentos desagradáveis, como por exemplo: traumatismos, tensões, estados de inibição, etc.
O mais importante aspecto do aquecimento é a obtenção do estado óptimo de funcionalidade do organismo com vista à mobilização completa das disponibilidades biológicas de alta competição. Em essência, visa-se o alcance da temperatura corporal óptima (cerca de 38,5º – 39º C) que facilita o desencadeamento das reacções fisiológicas, favoráveis à plena manifestação do potencial motriz de alta competição: as reacções metabólicas, o débito sanguíneo dos tecidos musculares (contributo de O2), o crescimento do débito cardíaco e respiratório, o crescimento da massa sanguínea circulante, o crescimento da excitabilidade do SNC – Sistema Nervoso Central (Velocidade de reacção e de contracção), a reactividade dos fusos musculares, reactividade dos receptores, capacidade de coordenação, elasticidade da musculatura, dos ligamentos e dos tendões, tolerância às solicitações das articulações, aumento da quantidade do liquido sinovial (lubrificante das articulações), a regulação dos estados psicocomortamentais no caso da aparição dos estados de inibição e hiper-excitabilidade para os quais se recomenda um aquecimento intenso.
Todos estes efeitos do aquecimento devem ser regulados de maneira a não haver discrepância óbvia entre os fenómenos funcionais acima mencionados. Caso contrário surge uma série de manifestações (gerais, locais) negativas, entre as quais: cansaço imediato, aparição repentina do “ponto morto” (falta de contributo do O2), aparição temporária dos produtos metabólicos ácidos.
(…)

Antes e durante o jogo

O aquecimento passivo começa logo no balneário. Em essência, ele consta na aplicação de algumas manobras de massagem tonificante, ginástica terapêutica (exercícios passivos para traumatismos mais antigos), a utilização de unguentos, banhos quentes (para mãos e pés), duches quentes, procedimentos diatérmicos, etc., depois aplicam-se as ligaduras necessárias para a estabilidade das articulações fortemente solicitadas.
O aquecimento passivo tem efeitos benéficos sobre a circulação sanguínea periférica (vasodilatação cutânea), a excitabilidade do SNC (Sistema Nervoso Central) que facilita o aumento da velocidade de reacção e de execução, sobre a sensibilização dos receptores sensoriais e dos fusos musculares, e sobre a regulação dos estados psíquicos antes do jogo.
Duração: cerca de 3-10 min. Em casos especiais mais de 10 min.
Limites: não assegura o aquecimento de todo o organismo, não realiza a conexão óptima entre as funções orgânicas, não prepara os actos motrizes específicos ao jogo.

O aquecimento activo tem como objectivo o alcance do limiar óptimo de temperatura corporal (muscular, osteoarticular, dos órgãos internos, etc.) com vista à plena valorização das disponibilidades de alta competição existentes.

O aquecimento activo realiza-se através dos seguintes grupos de meios:

1- Stretching:
- Exercícios de stretching passivo: é prcedido de corrida ligeira (com mudança de passo, movimento de braços, etc.) em que se tenta relaxar os grandes grupos musculares; segue-se um complexo de exercícios efectuados de posições estáticas e focando os grupos musculares e as articulações implicadas nos actos motrizes específicos a cada modalidade. Normalmente utiliza-se o princípio “dos pés à cabeça”.

- Stretching dinâmico: assenta nas mesmas posições de trabalho que o stretching estático, só que a musculatura não é deixada estender-se sozinha, e sim por uma série de movimentos activos (arquear, balançar, torcer, etc.) com amplitude moderada (limitada). Deve ser utilizado com cuidado, porque pode produzir microtraumatismos musculares (distensões ou rupturas das fibras musculares).

2- Exercícios de preparação dos elementos de movimento no campo.
Normalmente, corridas com mudanças de ritmo, de direcção, arranques, saltos, etc.

3- Exercícios de preparação dos procedimentos técnicos e das acções tácticas com a bola.
Normalmente 1*GR, 1*1+GR, 2*1+GR, jogos reduzidos, etc.

O aquecimento mental faz-se antecipadamente e acompanha (reforça) os outros tipos de aquecimento atrás mencionados. Este tipo de aquecimento ajuda o atleta a projectar mentalmente a imagem do decorrer do jogo, das acções decisivas que vai empreender, das tarefas que deve cumprir, etc.

Notas finais:

- Quando termina o aquecimento e até ao inicio do jogo há normalmente um paragem de 10 minutos no mínimo, é necessário que os atletas continuem por iniciativa própria o seu aquecimento (3-5 min.). Tal paragem (que pode ser prolongada) pode ser prejudicial ao desempenho do atleta.

- O aquecimento deve ser orientado e controlado pelo treinador. Deve utilizar comandos breves e discretos. Às vezes palavras ou expressões simples de elogio, criticas, engraçadas, etc., têm um efeito benéfico para a moral do jogo e dos atletas. Podem dar confiança e ajudar a descontrair.

Fonte: Adaptado do livro “Jogos Desportivos Colectivos – Teoria e Metodologia”, de Ioan Bota e Dumitru Colibaba-Evulet, pp 338-343, Edições Piaget, 2001.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TREINAR PARA QUÊ?

"Basicamente podemos caracterizar o treino como uma forma de preparação, sistematicamente organizada, para atingirmos objectivos, claramente definidos, através da máxima rentabilidade dos conteúdos necessários para consumar essa pretensão.

O treino pode e deve ser um processo pedagogicamente estruturado em função da condução do desenvolvimento do atleta. Neste âmbito, depreendemos desde logo a particular importância na programação de cada uma das unidades de treino, para que, no seu conjunto, permita creditar um valor acrescentado, não só a cada atleta, mas sobretudo à consistência de uma componente colectiva entre todos os elementos.

Treinar para quê? - As respostas estão inevitavelmente em consonância com o nível para o qual queremos dirigir o treino. No entanto, independentemente da etapa de aprendizagem, a organização funcional e estrutural é um factor indispensável à criação de um bom clima de trabalho. A orientação/avaliação de um processo de treino exige um conhecimento e domínio das matérias que se pretende introduzir no ciclo evolutivo para o qual estamos a operar.

O treino, no seu global, deve obedecer ao principio da continuidade, perspectivando assim a conexão de conteúdos a desenvolver. O seguimento das matérias é factor decisivo no crescimento de um processo de desenvolvimento bem sustentado. O treino visa a preparação para uma execução competitiva real dos conteúdos abordados. Daí que, as acções que desenvolvemos no decurso dos treinos devam ser aproximadas da veracidade competitiva.

Responder à questão inicialmente colocada, obriga-nos à análise de cada um dos momentos nas correspondentes etapas de ensino/aprendizagem e, sem criar estorvos entre cada uma dessas etapas pois elas complementam-se, saber identifica-las pelas suas particularidades:


- Treinar Para a Iniciação: Criar prioridade sobre o trabalho dirigido para aspectos básicos de aprendizagem. As tarefas elementares assumem um particular significado, de complexidade reduzida e onde a velocidade de execução é baixa, com tendência para um aumento progressivo. Situações especificas de assimilação dos fundamentos inerentes, como sejam: manipulação do objecto de jogo; controlo do corpo e controlo do espaço. Pretende-se assim, que a matéria evolua no sentido das tarefas mais simples para as mais complexas. Os atletas são confrontados permanentemente com situações novas de aprendizagem, possibilitando com isto a solicitação da sua capacidade em responderem, por vezes de forma inesperada, de acordo com a tarefa apresentada. O treino para a iniciação tem como principal intuito captar o interesse, motivação e disponibilidade do atleta para um processo de desenvolvimento dirigido a uma determinada matéria.

- Treinar Para o Aperfeiçoamento: As acções a desenvolver são alvo de uma maior complexidade. Novas situações são criadas na perspectiva de aperfeiçoar conteúdos já abordados que, pela repetição persistente, conferem maior eficácia na sua execução e possibilitam a introdução de nova matéria. Os temas abordados na iniciação devem ser constantemente analisados e solicitados nesta fase. O seu sucesso depende da interpenetração com a fase seguinte. O domínio dos atletas, relativamente à matéria, permite inserir uma maior velocidade de execução pois, a garantia de alcançar objectivos depende da capacidade em executar tecnicamente correcto mas a uma velocidade cada vez maior: velocidade de execução do drible; do lançamento; do passe; dos deslocamentos (nas várias direcções); das acções combinadas; etc. A noção de auto-preparação deve ser introduzida. Os atletas devem ser esclarecidos sobre a importância em dedicarem tempo extra na preparação dos seus comportamentos motores e intelectuais. O aperfeiçoamento é uma atitude constante do querer dominar sobre o não querer ser dominado. Esta é uma fase onde os atletas sentem o valor de uma correcta iniciação ser correspondido pela vontade em desejarem entrar no treino da alta competição.

- Treinar Para a Alta Competição: Embora num nível nitidamente avançado, a componente formativa é uma realidade constante. A necessidade em solicitar aspectos básicos da formação é sistematicamente exigente. Tudo deve ser executado a uma velocidade substancialmente superior. O trabalho é dirigido para alcançar o sucesso (objectivos determinados) sendo para isso necessário uma selecção dos conteúdos e dos atletas para os executar. A selecção é feita basicamente de uma forma natural. Os atletas que evidenciarem capacidade em corresponder eficazmente ás tarefas exigidas serão obviamente os eleitos para competirem. todos os aspectos envolvidos na competição devem merecer uma atenção especial, uma cuidada preparação teórica e, sobretudo, que essa preparação seja feita através de uma repetida aplicação prática durante as unidades de treino. Maior incidência sobre a determinação das funções especificas para cada atleta. A auto-preparação assume um papel mais relevante, comparativamente ao outro nível e, deixa de ser uma solicitação do treinador passando a uma responsabilidade do atleta. O conhecimento das variáveis inerentes à competição devem ser do domínio dos elementos dispostos a competir. Neste âmbito, a preparação visa uma antecipação de acções que possam, de alguma forma, surpreender o adversário. O ataque e a defesa são entendidos numa ligação permanente e nunca por fases distintamente separadas. No treino para a alta competição o rendimento é a medida de avaliação.


É indubitável a ligação entre as várias etapas do treino. No seu conjunto é admissível perspectivarmos a garantia de uma eficácia competitiva. Qualquer que seja a matéria, esta, deve obedecer a princípios de desenvolvimento bem definidos que, pela sua flexibilidade, permitem adaptações de acordo com quem aprende e quem ensina.

Não é aceitável continuarmos a assistir a um vazio intelectual na forma como por vezes se aborda o processo de desenvolvimento do treino desportivo. O treino inteligentemente regrado, progressivo, adaptado às características individuais e colectivas, desenvolvendo etapa a etapa o valor e a resistência da sua capacidade, constitui a melhor protecção contra as exigências da complexidade competitiva.

Hoje, face aos interesses que proliferam em abundância à volta da actividade desportiva, podemos afirmar sem relutância que todos os intervenientes neste dinâmico processo deverão reconhecer a necessidade de uma especialização cada vez maior, face à exigência de um colectivo de trabalho responsável."
Fonte: Artigo de João Paulo Silva (JUCA), Madeira, 2002

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"NÃO É FÁCIL SER TREINADOR..." Jorge Araújo

Nos dias de hoje, não é fácil ser treinador. Exige saber estar e conseguir aglutinar ao seu redor um significativo número de especialistas, Fig. 1.

Conforme se pode verificar na Fig. 1, desde a equipa técnica que o apoia mais directamente, aos dirigentes que administrativamente enquadram a sua acção, o treinador requer saber estender a sua área de influência muito para além das técnicas e das tácticas. Especialistas vários, adeptos, órgãos de comunicação, patrocinadores, etc. Todos a solicitarem ao treinador atenção e preocupação para com as suas tarefas e responsabilidades. Retornos de informação que melhor os elucidem acerca da importância dos seus contributos.

A imagem pública do que é ser treinador, não está, de facto, na correspondência da importância do seu desempenho sócio desportivo.
Por questões de índole cultural, (secundarização de tudo o que diga respeito ao corpo e ao movimento, com inerente sobrevalorização do espírito e do intelectual), nem sempre os treinadores têm conseguido obstar a que a sociedade os dimensione como cidadãos de "segunda categoria".

No entanto as conclusões de estudos diversos e a observação da própria realidade desportiva nos dias de hoje, demonstram cabalmente que, ao contrário dessa tese pouco abonatória da pessoa e do profissional treinador, as características pessoais dos treinadores não diferem da dos professores, dos homens de negócios, etc. e a sua actuação profissional não tem a ver com aspectos pessoais, mas sim com o enquadramento sócio desportivo em que decorre a sua actividade.

O nosso desempenho profissional, apresenta de facto, relativamente às restantes profissões, uma enorme diferença, expressa pela constante exposição pública, pelas exigências permanentes de resultados positivos, pelo carácter imprevisível da competição desportiva e os as difíceis interacções relacionais com atletas, árbitros, jornalistas, dirigentes, etc.

Os dirigentes esperam de nós resultados. Os atletas pedem-nos compreensão para as suas necessidades de afirmação. Os jornalistas exigem-nos atenção e disponibilidade permanente. Os adeptos pretendem ser ouvidos e adulam ou antagonizam o nosso trabalho ao sabor das vitórias ou derrotas. Os patrocinadores não resistem a associar o poder do seu dinheiro à possibilidade de mandarem em tudo e em todos. Numa diversificada pressão que acaba, quase sempre, por influenciar de modo marcante a nossa acção.

É por isso que ser treinador, exige conhecimentos e requer experiências que ultrapassam as aquisições de uma carreira de atleta.
Um excelente atleta, nem sempre terá a garantia de possuir capacidade para ensinar e, muito menos, a de ser capaz de criar climas de trabalho próprios para a aprendizagem ou o treino.

A experiência do atleta, é importante, mas, para ser treinador, para além da lógica do jogo e dos seus elementos, torna-se fundamental que domine a lógica pedagógica do seu ensino.

A função de treinador implica a tomada de decisões, organizadas com base em indicadores e segundo critérios que obedecem a uma certa ordem e em diferentes domínios. Organização do treino, liderança, estilo e formas de comunicação com os jogadores, dirigentes, árbitros, jornalistas, etc., opções estratégicas e tácticas decorrentes da observação e análise do jogo, gestão das pressões contidas na competição, controle da capacidade de concentração e emoções, etc.

Para além dos imprescindíveis conhecimentos técnico tácticos e da possível capacidade de demonstrar correctamente as técnicas, ser treinador exige um conhecimento multidisciplinar e o desenvolvimento de um conjunto de habilidades próprias no âmbito das competências de ensino.

Mesmo quando a qualidade do candidato a treinador, revelam uma informação e formação acima da média, ele tem de ser capaz de provocar, através da sua acção, o interesse e motivação dos que aprendem e treinam, pois não há progresso nem êxitos possíveis sem a participação motivada dos atletas.

A profissão de treinador, tem de ser exercida de modo estimulante para a autonomia futura dos atletas sob a sua responsabilidade, acreditando nas capacidades daqueles que fazem parte do seu grupo de trabalho e devolvendo-lhes competências.

Cada treinador, deve actuar de acordo com as suas características e limitações, sem nunca esquecer a responsabilidade que lhe está atribuída quanto à formação social e emocional dos atletas com quem trabalha e à melhoria gradual destes, no âmbito dos conhecimentos relativos à modalidade a que se dedicam.

Os resultados provenientes da intervenção do treinador, têm profundos reflexos sociais pela influência educativa, (ou deseducativa!), que exercem nos jovens e nos adultos, quer sejam praticantes ou adeptos.

Logicamente, não existem treinadores ideias, tipo super-homem de banda desenhada, "que sabe tudo" e "nada o perturba", "homem sem defeitos" e comportamentos sociais e desportivos sempre irrepreensivelmente modelares. Tais modelos não passam de produtos imaginários, criados e alimentados por enquadramentos sócio desportivos alienatórios da realidade.

O treinador ideal, nem mesmo no domínio da utopia poderá ser descrito, não existindo um perfil único de treinador mas sim uma série infindável deles, consoante as circunstancias e suas respectivas necessidades de intervenção.

Várias foram, até à data, as investigações cujas conclusões comprovaram que o treinador é um ser humano sujeito aos problemas e dificuldades de qualquer cidadão.

Ao treinador dos dias de hoje, exige-se-lhe um desempenho, onde, mais do que actuar de modo autoritário, ele veja a sua autoridade reconhecida, conhecendo-se a si próprio e às necessidades de realização, auto estima e segurança social que, como qualquer outro cidadão, norteiam a sua actividade.

Desenvolvendo a sua acção com o objectivo natural de ter sucesso, (realização), "gostando de si próprio", (auto estima), necessitando, para isso, de pertencer a um grupo profissional socialmente dignificado.

Ao Treinador é exigido ser capaz de inspirar CONFIANÇA.

O que é que isso significa?
Saber ser COMPETENTE, (saber da modalidade, claro!), mas também e acima de tudo entender a importância da área comportamental. Temos de ser verdadeiros especialistas na arte de observar (de modo selectivo) as reacções comportamentais dos jogadores. As suas atitudes e comportamentos ao serviço da equipa. E, acima de tudo, termos a percepção que não os podemos enganar.

HONESTO nas palavras, (não mentir!), COERENTE nas acções, (WALK THE TALK), PREOCUPADO COM OS OUTROS. Só somos de facto treinadores quando nos desprendemos do nosso ego, nos libertamos do nosso umbigo.

Ser um BOM TREINADOR, não é a questão central que deve preocupar o treinador. Mas sim que os jogadores com quem trabalha sejam bons e as equipas que treina, ganhem.

Enquanto pensarmos mais em nós e nos nossos interesse e afirmação pessoal, que nos jogadores, não somos tão bons treinadores assim. Melhorar as competências dos jogadores é a nossa grande responsabilidade e esse deve ser o nosso objectivo principal. Respeitando as diferenças entre o significado de ganhar no Alto Rendimento desportivo ou no processo de formação de jogadores.

Que Modelo de Jogador devem os treinadores buscar?

Não basta que sejam excelentes atletas de um ponto de vista físico e atlético. Necessitam revelar capacidades de persistência, serem resistentes à frustração, à dor, ao erro, à fadiga, etc. Ambiciosos e com sentido de carreira, saberem onde querem chegar, quais os objectivos que perseguem.

Tal como aliás o definiu John Wooden em devido tempo.
Altos? A que ALTURA (ambição) PRETENDEM JOGAR!
Fortes? Com que AGRESSIVIDADE MENTAL são capazes de treinar e jogar!
Rápidos? Com que rapidez de TOMAM DECISÕES e conseguem “ler o jogo” e antecipar as respostas necessárias.

O treinador tem de ser UM COMUNICADOR.

Possuir empatia quanto baste para conseguir através do seu processo de comunicação com os outros, motivá-los, conduzi-los a uma superação constante.

Mais importante que aquilo que sabemos, é o que somos capazes de ensinar através da comunicação que estabelecemos com aqueles com quem trabalhamos.
Sem nunca esquecer as palavras sábias de Harvey Thomas, especialista de comunicação. “Se tu disseste e eles não te ouviram, foi porque tu não disseste”. É preciso garantir a compreensão daquilo que se diz. Saber ouvir. Utilizar mesmo por vezes o silêncio como forma de comunicar.

“Se a palavra que vais dizer não é mais bela que o silêncio, não a digas” parábola oriental. A psicolinguística do silêncio é tão rica como a da linguagem. Em todos os momentos que envolvem comunicação, a infinita variedade de silêncios revela-se plena de sentido.

O silêncio é de ouro, porque é verdadeira força activa.

Tal como a comunicação via linguagem corporal.

Deve o treinador tratar todos por igual?

“Fair, but not equal” dizem a esse propósito alguns treinadores norte americanos. Tratar todos com justiça, mas nunca todos por igual. E a razão é simples. Como tratar todos por igual, se uns se empenham e servem a equipa, são cumpridores das regras colectivas e se preocupam com os companheiros e outros não?

Tem que haver uma distinção e um reconhecimento daqueles que mais o merecem, comparativamente aos que procuram sistematicamente sobrepor os seus interesses individuais aos colectivos.

Autoridade reconhecida mais que imposta.

Disciplina assumida por parte dos jogadores, apelar à sua participação e responsabilização. Envolver os jogadores com os objectivos colectivos, compatibilizar as naturais ambições e expectativas individuais de cada um, com o interesse colectivo.

Incentivar a criatividade, lutar contra o medo de errar

Cumpre ao treinador incentivar a criatividade dos jogadores, dar-lhes espaço para errarem e reflectirem sobre os erros que cometem. Melhorar as suas competências por via de um aprender a fazer, fazendo. Nunca esquecendo que ser criativo não pode representar perda de eficácia, ou desrespeito pelos princípios e regras que devem nortear a vida colectiva das equipas.

Criatividade é acima de tudo ser capaz de inovar, mantendo a eficácia necessária para que hajam resultados e o rendimento esperado.
Fonte: Jorge Araújo, “Não é fácil ser treinador”, in Planeta do Basket, (www.planetabasket.pt), Dezembro de 2008
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Treinadores Jovens? Ou menos Jovens?

«Nos últimos anos, sobretudo nos últimos oito anos, em todas as modalidades e não só no hóquei em patins, temos lido e lidado com a seguinte expressão e mentalidade "é um treinador jovem, ambicioso e que nos dá garantias".
Quantas vezes é que também já não se ouviu esta expressão pela boca de muitos dirigentes, adeptos, comunicação social e até mesmo jogadores.De repente criou-se um certo mito "camuflado" de que quem é um treinador jovem é bom e sabe da coisa e quem já tem muita experiência ou uma idade avançada, está ultrapassado e desactualizado.
Aqui convém referir que em certa parte a comunicação social tem responsabilidades, porque deu asas a que esse tal mito "camuflado" se instalasse em certa medida.
Quer queiramos ou não, esse mito "camuflado" está criado e a tendência dos últimos anos foi mesmo essa, contratar treinadores jovens, porque segundo dizem são muito melhores.
Ninguém diz é que muitas vezes se contratam treinadores jovens, porque além de terem também eles competência, são muito mais baratos aos clubes e como estão em início de carreira ou porque precisam de enriquecer o currículum, estão mais sujeitos a certas coisas.Muitas também são as vezes em que ouvimos dizer "este treinador sim, tem métodos bons, inovadores e que motivam muito". Como quem diz que os treinadores com mais idade e mais experiência utilizam métodos ultrapassados e que já tiveram o tempo deles.
Desengane-se quem assim pense.
Pessoalmente penso e tenho a certeza que a idade não está ligada com a competência de um treinador.
O que faz um treinador ser bom ou melhor que outro é a sua competência, os seus jogadores, as condições que o clube lhe proporciona e um pouco de sorte como em tudo na vida.
Os treinadores devem ser avaliados ou "julgados" pela sua competência e entenda-se aqui que a palavra competência significa muitas coisas e nunca pela idade.
Pelo ponto de vista de que o treinador mais velho está ultrapassado, por exemplo, não teríamos visto a selecção de Espanha de futebol a ser campeã da Europa, porque à partida já estaria condenada ao insucesso por ter um treinador com sessenta e nove anos.
Penso que há bons e maus treinadores e há os mais competentes para e os menos competentes para. Tudo isto independentemente da idade do treinador e do seu método de trabalho.
Abordando também a questão do método de trabalho, nos últimos anos também se criaram certos mitos. Os tais mitos dos exercícios espectaculares, do treino integrado, de certas filosofias e do blá blá...Eu quando fui jogador tive treinadores que utilizavam os tais métodos ultrapassados, do género treinos com 2 horas de duração, onde 1 hora das quais era a subir de descer "montanhas" e repetíamos esta sequência no início da época, no Natal e na Páscoa e os restantes treinos era bola ao meio-campo e nada mais e conseguimos grandes vitórias e grandes feitos. Tudo isto sem os tais métodos inovadores.
Como também já tive o inverso, grandes métodos, excelentes exercícios a todos os níveis e resultados? Aquém das expectativas.
Cada treinador tem a sua forma de ser, de estar e de trabalhar. Sabemos que há coisas que realmente estão ultrapassadas e que não são vantajosas do nível do treino físico/técnico/táctico/psicológico, mas também sabemos que há estratégias ou métodos que com esta e aquela equipa funcionam e com outras não funcionam minimamente.
Tudo isto é um pouco subjectivo e dependente de muitas coisas.
Tipo aquela velha questão um treinador é despedido por causa de uma série de maus resultados, vem um novo treinador e a equipa faz de imediato não sei quantos jogos sem perder. As pessoas dizem logo "estás a ver, este treinador é que é bom, com o mesmo plantel, não perde e aplica cá uns exercícios espectaculares e um treinador com métodos fantásticos".
Sem questionar a qualidade do treinador que veio substituir será que alguém, sem ser treinador, já questionou alguma vez que os exercícios podem não ser assim tão espectaculares, que o método pode não ser assim tão fantástico e que pode é por exemplo o clube ter dado a este treinador que entrou agora de novo muitas melhores condições dos que as que teria o anterior treinador? É que isso também faz muita diferença e muitas vezes, sem nós que estamos por fora sabermos, faz-nos dizer este treinador é bom e aquele não, ou este já está ultrapassado.Poderíamos ficar aqui muito mais tempo a debater este tema. Todo ele está rodeado e recheado de muita subjectividade.
Apenas volto a frisar que os bons treinadores vêem-se pela sua competência e capacidades e não pela idade.Eu acredito tanto que há grandes treinadores de vinte e poucos anos como também os há com setenta ou oitenta e muitos anos. Não acredito que um treinador no activo com idade superior seja menos ambicioso que um treinador jovem.
Não acredito, porque não conheço nenhum treinador de nenhuma modalidade que dê e planeie treinos e defina estratégias para isto e para aquilo e que vá para o campo sem se importar se vai ganhar ou perder.
Todos os treinadores, jovens ou com idade avançada, querem apenas e somente uma coisa: GANHAR.
Outra coisa que quero frisar aqui é que os treinadores, sejam elas quais forem as suas opções tácticas, de convocatória, de substituições e por aí fora, todas essas opções também só têm uma finalidade: GANHAR.
Para mim GANHAR em certa parte jé é ser-se bem ambicioso.
Outra questão que quero aqui levantar é a seguinte: "Então a experiência não conta?" Imaginem só o quanto competente e "bom" poderá ser um treinador de idade avançada, que além ter continuado sempre a estudar a evolução da sua modalidade e dos seus próprios métodos, tem consigo a experiência acumulada de vários anos.
Na minha opinião a experiência acumulada de anos ajuda um treinador a ser competente. Mas com isto não estou em nada a querer afirmar que se for um treinador jovem com pouca experiência que já não é competente. Nada disso. O treinador jovem poderá não ter experiência acumulada, mas poderá ter outras qualidades que superem a falta da experiência acumulada.
Por tudo isto e não só, penso que devemos combater o mito "camuflado" que treinadores jovens são bons e ambiciosos e treinadores menos jovens estão ultrapassados e vice-versa, porque às vezes também se ouve "olha-me este puto que só anda nisto há dois dias e pensa que sabe" e o "problema" é que o treinador jovem muitas vezes pensa que sabe e sabe mesmo, mostra resultados e isso nem sempre "cai" bem aos tais que já andam nisto há mais tempo. Jovem ou não o que se quer é treinadores competentes, capazes, líderes, sabedores, bons ensinantes e que saibam lidar com todo o tipo de situações que possam surgir, quer sejam elas boas ou menos boas.
Não podemos é julgar e definir a competência dos treinadores pela sua idade e não nos esqueçamos também que quanto maior for a qualidade da equipa/plantel, muito provavelmente, menor poderá ser a qualidade do treino em todos os aspectos, porque umas coisas podem camuflar outras e tapar "muitos olhos". Quanto menor for a qualidade da equipa/plantel, ou mais limitações tiver, mais o treinador tem de "enriquecer" o treino...
Fonte: Opinião pessoal de Hélder Antunes

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

COMO FUNCIONA... UMA PROVA DE ESFORÇO


Inicialmente utilizada para prevenir e observar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a prova de esforço tornou-se uma ferramenta imprescindível para os desportistas, na medida em que fornece dados muito úteis para planificar o treino, advertindo além disso sobre problemas ou patologias que possam provocar, por exemplo, casos de morte súbita.
A prova de esforço deve ser realizada com a supervisão de um médico especialista, uma vez que o desportista chega a uma situação de esforço submáximo (próximo do máximo que o seu organismo é capaz) que permite realizar avaliações valiosas mas implica um risco. O instrumental para a obtenção dos valores requer normalmente que se realize num laboratório, apesar de já existirem dispositivos portáteis para realizar a prova em pista.
Existem diferentes protocolos mas todos coincidem com um início com uma carga suave que vai aumentando até chegar a uma intensidade a que o sujeito não consegue responder e se vê obrigado a parar.
Realiza-se um electrocardiograma antes da prova e visualiza-se se controla de forma contínua durante o exercício e pelo menos durante três ou cinco minutos durante a recuperação, o que fornece dados sobre a nossa frequência cardíaca e a nossa capacidade de recuperação. Também se realiza uma análise directa dos gases inspirados e expirados (oxigénio consumido e o dióxido de carbono eliminado), que permite fazer uma determinação exacta do consumo máximo de oxigénio e detectar de forma precisa os limiares aeróbio e anaeróbio. Também se mede a pressão arterial e o lactato antes da prova e durante as diferentes fases da recuperação.
Os dados recolhidos antes, durante a prova e na recuperação podem ser complementados com outros testes como a antropometria, espirometria, análises de sangue, etc, que permitem uma completa avaliação do estado de forma do desportista.
Fonte: www.desportoesaude.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

VÍDEOS: EXERCÍCIOS DE CORTINAS - LATERAIS

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Vídeo 1: Exercício n.º 1

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Vídeo 2: Exercício n.º 2

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Vídeo 3: Exercício n.º3

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Vídeo 4: Exercício n.º 4

Fonte: Exercícios de Nuno Carrão (treinador do HC Paço Rei), in 1ª Jornadas de Treino de Hóquei em Patins, H.C. Paço de Rei, 5 de Setembro de 2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um programa de trabalho em técnicas cognitivas para atletas de equipa

Introdução
Como apresenta Williams (1993), os dados mais consistentes disponíveis na literatura da psicologia desportiva científica apontam para uma correlação directa entre a auto-confiança e o sucesso na competição. Aquilo que os jogadores de uma equipa pensam ou verbalizam relativamente à competição é crítico, e afecta o seu rendimento a curto ou a longo prazo. Em virtude disto, um pensamento ou uma forma de pensar inadequada conduz a sentimentos negativos e a um rendimento desportivo pobre; pelo contrário, um pensamento apropriado ou positivo conduz a / proporciona sentimentos de valia e alto rendimento desportivo (Rosin e Nelson, 1983; Dorsel, 1988; Kendall, Hrycaiko, Martin e Kendall, 1990).
A chave para o controlo cognitivo - os pensamentos – é o auto-diálogo (Williams, 1993). A frequência e o conteúdo de dois pensamentos variam de uma pessoa para outra; mas podemos afirmar que cada vez que pensamos acerca de algo estamos a falar ou a dialogar com nós próprios. O auto-diálogo, quando é negativo, distrai da tarefa que há que realizar e interrompe as capacidades automáticas aprendidas. O auto-diálogo é especialmente destrutivo quando um jogador ou toda uma equipa se etiqueta de forma pejorativa (Ellis,1988).
Uma vez estabelecida a necessidade de conhecer e, caso necessário, modificar o diálogo interno do jogador como factor-chave que determina os nossos sentimentos (confiança, utilidade, valia…) e comportamentos (rendimento desportivo), faz sentido o artigo que desenvolveremos de seguida, o qual apresenta um programa de trabalho em técnicas cognitivas neste âmbito.
Objectivos do programa de treino em técnicas cognitivas
Os objectivos do programa de treino em técnicas cognitivas são (Gonzalo, 1997):
1. Tornar os jogadores conscientes do impacto que a sua actividade cognitiva (isto é, os seus pensamentos) tem nos seus sentimentos e no seu comportamento.
2. Identificar aquilo que os jogadores dizem a si próprios nas diferentes situações de prática desportiva - quando estão a perder, quando falham um remate, quando lhes roubam a bola, quando uma marcação é muito intensa, etc… - com o objectivo de conhecer quais situações e acontecimentos estão associados a determinados padrões cognitivos.
3. Modificar – caso seja negativo ou interfira com a execução desportiva – aquilo que os jogadores dizem a si mesmos em determinadas situações desportivas com o objectivo de tornar os seus sentimentos e comportamentos mais eficazes.
4. Ajudá-los a identificar e responder às distorções de pensamento pós-competição, substituindo estas por outros pensamentos alternativos mais ajustados à realidade.
Técnicas para cada objectivo e metodologia
Técnicas para o primeiro objectivo: Para tornar os jogadores mais conscientes do poderoso impacto que têm os pensamentos nos seus sentimentos e no seu comportamento em campo, utilizamos a retrospecção (Williams, 1993). Esta consiste em que os jogadores recordem um determinado jogo no qual, por exemplo, jogaram muito bem e tentem recriar os pensamentos que tiveram lugar antes e durante esse jogo. Muitos jogadores são capazes de identificar padrões de pensamento associados a boas e más actuações. Com isto conseguimos que os jogadores tomem consciência da situação específica que conduziu a este tipo de pensamento.
Técnicas para o segundo objectivo: Para identificar aquilo que os jogadores dizem a si mesmos nas diferentes situações desportivas de forma a averiguarmos que acontecimentos estão associados a determinadas formas de pensar, podemos utilizar, para além da retrospecção, o questionário “Sport Performance Feedback” (Williams, 1993) Este questionário pode ser administrado depois dos jogos e permite recolher, além de informação directa do auto-diálogo dos jogadores, outros dados referentes a variáveis relevantes na psicologia desportiva. Também se pode utilizar o vídeo: visionar vídeos de jogos ajuda o jogador a evocar estes pensamentos, podendo, simultaneamente, anotá-los num papel.
Técnicas para o terceiro objectivo: Para modificar aquilo que os jogadores dizem a si mesmos em determinadas situações - potencialmente geradoras de stress - utilizamos as auto-instruções (Meichenbaum, 1977). Estas são utilizadas quando aquilo que o jogador diz a si mesmo interfere na / é inadequado para a execução do comportamento desportivo (Ruiz Fernández, 1993). O psicólogo, junto com os jogadores, revê as situações stressantes do jogo que põem em marcha os pensamentos negativos; por exemplo, um jogador de andebol falha um remate numa excelente posição para marcar, sendo os seus pensamentos após este erro os seguintes: "Que mal eu estou, não acerto uma; acho que não podemos com eles!...".
Este auto diálogo interfere com a tarefa pois gera ansiedade e impede o jogador de se centrar na jogada seguinte ou naquilo que o treinador lhe disse. Isto ensina-o que neste caso, e em primeiro lugar, mediante a técnica chamada paragem de pensamento (Meyers e Scheleser, 1980) deve suspender a cadeia de pensamentos negativos dizendo a si mesmo "Basta!". Depois, é-lhe explicado que tem que utilizar nesta situação as auto-instruções previamente treinadas (frases curtas que dizemos a nós mesmos internamente para nos orientar com êxito em determinado comportamento). Entre psicólogo e jogadores determinam-se quais auto-instruções poderá utilizar nesse momento (por ex. "Se continuar a tentar, conseguirei marcar golo pois estamos a conseguir meter bolas na área do adversário!". Estas auto-instruções, como aponta Buceta (1991), servem para recordar que o que acontece é algo “possível” de acontecer, que é inerente ao jogo, que não é nada de mais, que os golos já aconteceram antes, que nesse momento é racional centrar-se naquilo que o treinador lhe indica e não no facto de ter falhado o tiro.
Outro momento em que se podem pôr em prática as auto-instruções é quando a equipa está a perder (em andebol ou basquetebol) por vários pontos de diferença. É muito provável que sejam aflorados sentimentos de desânimo, que os jogadores comecem a sentir alguma ansiedade e se precipitem na construção das jogadas. Além de poderem efectuar algumas inspirações profundas de forma a regularem o excessivo nível fisiológico que pode acompanhar esta situação, os jogadores têm que pôr em marcha auto-instruções – ensaiadas antes da competição – do seguinte tipo: "Temos tempo para recuperar; vamo-nos centrar em concretizar este ataque". As auto-instruções deverão ser curtas e congruentes com o estado de ânimo. Não se deve, neste sentido, dizer-se "não estou nervoso" quando na realidade se está. É melhor dizer-se: "Estou nervoso, mas sei o que tenho que fazer para o superar". De qualquer forma, é fundamental que o jogador perceba que o que se diz o ajuda a superar a situação stressante.
Resumindo, podemos utilizar as auto-instruções para (Gonzalo, 1997):
1. Analisar e prever aquilo que pode acontecer num determinado jogo (os inconvenientes que um jogo tem: estar a perder, falhar lances, perder bolas…), e recomendar aos jogadores, conjuntamente com o psicólogo e o treinador da equipa, auto-instruções curtas e claras que poderão ser utilizadas nesses momentos para que orientem o comportamento desportivo com eficácia, que demonstrem que há uma saída para a a situação.
2. Para motivar os jogadores, já que estas podem ser motivantes por si mesmas, isto é, que a sua utilização tão pouco se restringirá apenas às situações nas quais encontramos padrões negativos de pensamento.
Técnicas para o quarto objectivo: Especialmente quando se perde, ou quando não se jogou bem, ou quando as circunstâncias da derrota tenham sido particularmente dolorosas - como perder por lançamentos livres ou por penalti, no caso do futebol -, ou ainda quando se perde jogando bem mas “não se teve sorte”, devemos estar atentos às distorções cognitivas que podem afectar os jogadores. Gauron (1984) recolheu as distorções cognitivas que, comummente, mais afectam os jogadores:
1. A perfeição é necessária: Uma das ideias irracionais ou distorções cognitivas que afectam com mais frequência os atletas é a de que devem ser competentes e perfeitos em tudo o que tentam. Os atletas que pensam que devem ser perfeitos culpar-se-ão a si mesmos por qualquer erro que cometam. O seu auto-conceito será muito baixo quando se enganarem. Este tipo de distorção conduz, ainda, a que o jogador se sinta pressionado, não desfrute com o jogo e não tenha um desempenho óptimo.
2. Catastrofização: Acompanha normalmente as tendências perfeccionistas. Se o atleta acredita que qualquer falha é um desastre humilhante, há que actuar sobre esta distorção. Pensar que as derrotas são catástrofes não servirá de nada. O útil passará sim por corrigir defeitos e prever, dentro daquilo que é humanamente possível, acontecimentos futuros.
3. O valor pessoal depende do êxito: Há que ajudar os jogadores a valorizarem-se não só pelo êxito (ganhar, jogar como titular…) mas também pelo seu contributo geral na equipa (frequentemente maior do que normalmente é percebido pelo jogador) e pelo esforço pessoal que, como profissionais, efectuam para superar os desafios.
4. Culpa: Nada se ganha com desculpas ou com a atribuição dos erros aos outros. Da mesma maneira, nada se consegue com atribuir-se a si próprio todas as culpas da derrota. O psicólogo deve ajudar os jogadores e treinadores a efectuarem atribuições adequadas de responsabilidade sobre o seu desempenho e rendimento.
5. Pensamento polarizado: Trata-se da tendência para ver as coisas e as pessoas em termos de “tudo ou nada” (pensamento absolutista). O pensamento do “tudo ou nada” conduz o desportista a categorizar qualquer acontecimento como “com êxito” ou “sem êxito”, bom ou mau … Este pensamento também se apresenta frequentemente na forma de “etiquetas”: "Esta é uma equipa perdedora"; "não têm agressividade"; "são uma equipa faltosa …" Descrever algo ou alguém de forma avaliativa em duas ou três palavras estereotipadas é muito negativo já que os atletas tendem a introjectá-las, passando assim a formar parte do seu auto-conceito e influenciando as suas expectativas. As “etiquetas”, ainda, são muito difíceis de eliminar; convém, neste sentido, tentar evitar este tipo de linguagem categórica.
6. Sobre-generalizações: Trata-se de, a partir de algumas experiências, deduzir uma frase válida para todo o tipo de situações. É concluir sem ter suficientes dados empíricos para tal. Exemplo: a partir do facto de terem corrido mal dois jogos num determinado campo, afirmar que não se consegue realizar bons jogos ou mesmo ganhar naquele lugar.
7. Personalizar: Consiste em ver-se a si mesmo como a causa das derrotas e dos fracassos. Exemplo: "Perdemos o jogo porque eu falhei o lançamento no último minuto."
Depois dos jogos analisa-se objectivamente, com a ajuda de vídeo, a actuação da equipa. O psicólogo, os jogadores e o treinador tê que estar muito atentos a qualquer tipo de verbalização e avaliação que se faça acerca do que sucedeu em campo. Particularmente, há que identificar e modificar as distorções anteriormente descritas porque podem afectar o ânimo dos jogadores. Do que se trata, em suma, é de efectuar uma análise objectiva do sucedido no jogo, ou seja, analisar os factos de modo a que se ajustem o mais possível ao que aconteceu durante o jogo. Para isso, podemos servir-nos da reestruturação cognitiva, também utilizada em clínica. Esta consiste, basicamente, no seguinte: 1. O que os jogadores manifestam são hipóteses que devem ser comprovadas ou refutadas pela evidência empírica. 2. Há que procurar os dados que provem que o que se diz é efectivamente assim. 3. Discutir as opiniões à luz das evidências encontradas (Beck, 1984).
Para se efectuar uma reestruturação cognitiva com uma equipa de jogadores poder-se-á seguir o esquema que Andrés e Bas (1994) propõem para o âmbito clínico, e o qual pode ser transferido para a área desportiva sem problemas de maior.
Conclusões
Definitivamente, trata-se de que os jogadores e atletas percebam o psicólogo como um treinador, mas apenas no aspecto mental ou de mental training (Williams, 1993). Assim como um treino diário físico técnico e táctico leva a que os jogadores enfrentem a competição preparados nestas áreas, um treino (neste caso) cognitivo - o qual não exclui, evidentemente, que se possam utilizar outras técnicas para outros níveis dentro do triplo sistema de resposta – pode contribuir para que os jogadores possuam uma adequada preparação no aspecto psicológico.
FONTE: José Luis Gonzalo Marrodán 1998, in:

terça-feira, 3 de novembro de 2009

LOS PRIMEROS PASOS - ANTONIO SARIOL VILA


ANTONIO SARIOL VILA 2009

Entrenador de Hockey Patines y Programas para la Iniciación al Patinaje.

Autor : “INICIACIÓN AL HOCKEY PATINES 2001”

Programa para la enseñanza del Hockey patines partiendo de la Escuela de Iniciación (primeras etapas) y Hockey Base hasta 10/12 años .

“LA INICIACIÓN DEL PATINAJE ESCOLAR 2009”

Programa para la enseñanza del patinaje en los Centros de Enseñanza, herramienta para entrenadores, monitores y Profesores de Educación Física.

Es un placer para mi tener la oportunidad de utilizar este maravilloso e interesante block para promover la formación de técnicos para la práctica del Patinaje y el Hockey Patines.

En mi opinión, la FIRS debería regular una estructura base para la formación de entrenadores para las cinco modalidades, especialmente para la ESCUELA DE INICIACIÓN que puedan utilizar todos los países.

El patinaje en su fase inicial, debe ser común para cualquiera de las 5 modalidades existentes hoy en día, por consiguiente, en todos los Colegios del Mundo debería introducir la asignatura del PATINAJE.

Si tenemos una herramienta para que el PATINAJE pueda ser utilizado en forma de juegos de equilibrio, coordinación, expresión corporal, velocidad… que ayudan al niños a desarrollar su aspecto motriz.

El presente trabajo pretende marcar unas pautas para su integración e implantación en Programas de Educación Física para Centros de Enseñanza, mediante un programa específico de Patinaje” para Primaria y Secundaria.

Destinado a Profesores de Educación Física y Entrenadores de Clubes para sus Escuelas de Iniciación.

El patinaje es el arte de deslizarse con patines, existen dentro del patinaje 4 modalidades, Hockey Patines, Patinaje Artístico, Patinaje de Velocidad (carreras) y Hockey Línea, cada una de ellas precisa de una primera fase común para su iniciación incluida uan nueva modalidad “freestyle”.

Deberíamos intentar crear un proceso de formación de técnicos en las distintas modalidades, que en mi opinión, el orden podría ser el siguiente:

Nivel 1 (monitor iniciación)

A partir de haber desarrollado en el Colegio o bien en el propio Club la fase de INICIACIÓN, entraríamos en una segunda fase de formación especialización y para las 5 modalidades de forma distinta:

Nivel 2 entrenador Base Inferior hasta 10-12 años y para las 5 modalidades

Nivel 3 entrenador Base Superior hasta 13-18 años y para las 5 modalidades

Nivel 4 entrenador Superior para categorías Senior

Nivel 5 entrenador ALTA COMPETICIÓN.

En cada nivel entrarían a forma parte del ciclo, diferentes asignaturas comunes y otras específicas de cada modalidad.

Dicho esto, paso a desarrollar mis experiencias a lo largo de estos últimos 20 años dedicados en exclusiva a la investigación, formación y enseñanza del patinaje y Hockey patines para iniciados y el hockey Base en Barcelona-ESPAÑA.

Constará de 4 CAPITULOS que desarrollaremos durante los próximos meses en este block.

CAPITULO I

Noviembre de 2009

Estracto del libro : “LA INICIACIÓN DEL PATINAJE ESCOLAR 2009”

PRIMEROS PASOS.- (Unidad 1, Nivel - 0 ) Septiembre Los Grupos y Niveles, Familiarización, Asimilación y Equilibrio.

1- Factores que influyen en la seguridad,

GRUPOS y NIVELES establecer grupos y niveles por edades.

VESTUARIO DEPORTIVO utilización de ropa deportiva adecuada a la actividad.

APOYO a los alumnos que presentes mayor dificultad de asimilación.

LOS ALUMNOS DE SUPERIOR NIVEL deberán patinar con cabeza sin molestar a los de inferior nivel, estos tendrán siempre preferencia, intentar hacer dos grupos dentro del mismo grupo y en una misma sesión (por edades y niveles).

2- El Equipamiento Técnico:

LOS PATINES, distancia entre ejes apropiada al pié del niño, la bota bien sujeta a los tobillos.

Hay que enseñarle al niño su correcta colocación y sujeción, hacerlo siempre sentados.

El niño deberá utilizar durante el curso siempre los mismos patines.

LAS PROTECCIONES adecuadas a la edad del niño, rodilleras principalmente.

LA SUPERFICIE el estado del piso limpio, evitar piedras y agua, salientes y obstáculos caso de existir vallas.

JUEGOS Y EJERCICIOS programa de ejercicios y juegos con un contenido que evite riesgos de lesiones, sin obstáculos en la pista (porterías) utilizar conos y elementos de goma-espuma, no agarrase a nada ni a nadie, tampoco a las vallas protectoras, patinar por el centro de la pista.

MONITORES todos los monitores deberán utilizar los patines obligatoriamente.

3- Material pedagógico:

La selección del material pedagógico es muy importante para el desarrollo de las sesiones, algunos de los materiales y elementos aconsejados son:

Colchonetas, conos y elementos de espuma para circuitos, bolas y balones de distintos tamaños y texturas: tenis, baloncesto fútbol, balonmano, rugby, globos, pañuelos de colores para juegos…

REGLAS GENERALES.-

4- Seguridad y Asimilación Equilibrio:

ELECCIÓN DE LOS PATINES Lo que inicialmente tenemos que hacer es facilitar la toma de contacto con los patines, enseñar su elección y fijación, nunca utilizar patines más largos que el pié del niño.

COMO CAERSE tenemos que hacer varios ejercicios sobre las colchonetas con las manos y dedos completamente abiertos, si pierdes el equilibrio agacharse de cuclillas intentar volver a levantarse, en caso contrario caerse al suelo de forma lo más suave posible.

COMO LEVANTARSE tenemos que hacer varios ejercicios sobre las colchonetas, colocarse con las piernas estiradas (como gateando), doblar una pierna y ponerse con una radilla en el suelo, ponerse de cuclillas sobre los patines y levantarse.

EQUILIBRIO ESTÁTICO una vez levantados colocar las ruedas traseras de un patín apoyando la parte trasera con el segundo patín (denominado pies de pato).

(Unidad 2 Nivel - 1 ) Octubre, Deslizamiento hacía adelante.

5- Acto motor del Patinaje:

Primero atar los patines correctamente sentados en un banco. Segundo una vez colocados deslizar los patines sobre la superficie sentados en el banco para familiarizarse. Tercero levantarse y andar sobre colchonetas levantando levemente los pies del suelo, correcta situación del cuerpo: ligeramente inclinado, cabeza mirando al frente, piernas separadas y flexionadas, brazos extendidos y manos con los dedos abiertos, hacer varios ejercicios de asimilación y equilibrio encima de las colchonetas y con los patines.

Cuarto paso será alternar andando sobre colchonetas y deslizamiento sobre la superficie. Quinto paso podemos colocar bolsas de plástico cubriendo los dos patines, y finalmente ya deslizarse sobre la superficie directamente con los patines, previo ejercicio de andar levantando los patines de forma exagerada.

Nadie deberá agarrase a nadie ni a nada, especialmente si existen vallas protectoras, mirada al frente, realizando solamente las acciones y contenidos específicos planificados por el entrenador.

6- Contacto con la modalidad, los primeros juegos y ejercicios sobre los patines:

Primero mantener el equilibrio sobre la superficie, con un pié, con los dos pies de cuclillas de forma estática, correr de cuclillas arrastrando un balón, también podemos hacerlos posteriormente de pié agachándose para empujar el balón con pequeños toques.

Jugando con globos trasladarlos a otro punto de la pista, con bolas de tenis o botando un pequeño balón de baloncesto
.
JUEGOS DE EQUILIBRIO y COORDINACIÓN: Inicialmente sin patines, carreras a la pata coja con un pié, la gran Cadena, Pilla-Pilla por parejas cogidos de las manos, La Araña, El gavilán, La Gran batalla de bolas…

Estos mismos juegos podrán ser utilizados posteriormente con patines.

(Unidad 2, Nivel - 1 ) Noviembre, Técnicas de Salida y Frenada.

7- Circuitos y juegos sobre los patines:

En esta unidad ya podremos trabajar ejercicios de mayor dificultad con los circuitos técnicos según el objetivo del mes, así como juegos por equipos.

(Unidad 2, Nivel - 1 ) Diciembre, Cruzado de piernas, Deslizamiento hacia atrás

8- Ganar confianza encima de unos patines:

En esta unidad ya podremos trabajar ejercicios de mayor dificultad con los circuitos técnicos según el objetivo del mes, así como juegos para conseguir el equilibrio y auto confianza.

Estracto del libro :
“LA INICIACIÓN DEL PATINAJE ESCOLAR 2009”

Clicando en el enlace encima de la portada “NOVO LIVRO” que esta en
http://www.treinadores.blogspot.com/ encontrarás información general sobre su contenido Y DONDE PODER ADQUIRIRLO.

Antonio SARIOL / Silvia NOHALES

Bracelona-ESPAÑA
cosarvi@hotmail.com