terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CONCEITO DE TREINO DESPORTIVO E SEUS OBJECTIVOS

A noção de treino está, fundamentalmente, ligada a duas ideias principais:
- Ao trabalho a realizar num determinado campo de actividade para se conseguir um nível de eficácia elevado. Esta ideia aparece normalmente associada a uma prática de repetição de tarefas, muitas vezes apresentadas segundo sequências facilitadoras, organizadas de acordo com uma lógica de dificuldade crescente.
- Ao processo de preparação para um qualquer acontecimento que exija grande concentração por parte do indivíduo ou uma utilização dos recursos físicos e psíquicos de grande exigência.
O treino desportivo abarca estas duas ideias e subordina-as a um propósito principal: a obtenção do máximo desempenho desportivo.
Entende-se por desempenho desportivo, também conhecido pelo termo inglês “performance”, o resultado, obtido em competição, que expressa as possibilidades máximas individuais numa determinada disciplina desportiva, num determinado momento de desenvolvimento do atleta e da época de preparação.
O desempenho, especialmente em desportos baseados na locomoção, ou seja, na acção de translação do próprio corpo de um ponto no espaço para outro, pode ser, por exemplo, o tempo levado a percorrer uma dada distância (fazer 14 minutos aos 5000 m é um desempenho) ou a distância percorrida num determinado período de tempo (conseguir correr 24 km numa hora).
Se pensarmos na curva velocidade / tempo, o objectivo do treino será o de a desviar para a direita, ou seja, correr a mesma distância mais rápido ou correr mais tempo a uma mesma velocidade.
Quando se fala em treino desportivo, portanto, estamos sempre a colocar a questão de uma preparação óptima e sistemática para a competição. Não existe treino desportivo sem um quadro competitivo definido e regulamentado que enquadre, do ponto de vista das dinâmicas sociais, esta prática.
No entanto, a preparação para a competição desportiva, é um processo que tem que ser entendido a longo prazo, devendo desenrolar-se no máximo respeito pelas
características individuais, motivação e integridade do estado de saúde do praticante.
Daí que se considere que, se bem que não exista desporto, ou treino desportivo, sem a competição, também não se poderá falar em treino desportivo quando este não é firmemente orientado segundo uma perspectiva pedagógica e formativa tendo em vista o desenvolvimento pessoal de cada praticante.
Consideramos, então o treino desportivo como um processo pedagógico complexo, porque aquilo que o treinador tem que fazer, essencialmente, é, de um modo apropriado e bem adaptado às capacidades e fraquezas de cada um, ensinar novas destrezas e formas de obter sucesso na competição, desenvolvendo, simultaneamente, a capacidade de trabalho e de entrega do praticante, o espírito de equipa e a aptidão de cooperação, a vontade de superação.
O treino desportivo, conduzido adequadamente enquanto processo pedagógico é, também, um factor de enriquecimento cultural e um estímulo para o desenvolvimento intelectual e cognitivo.
A quantidade enorme de factores com que se lida no dia a dia do treino desportivo
fazem dele, também, um fenómeno complexo, que exige, para que seja bem sucedido, saber e experiência por parte do elemento orientador e condutor deste processo: o treinador.
Objectivos do treino desportivo
Um autor bem conhecido no âmbito do treino desportivo sistematiza do seguinte modo aquilo que considera serem os objectivos gerais desta actividade (Bompa, 1999):
1. Desenvolvimento específico das aptidões e capacidades
O treino está centrado na preparação para a competição. Neste sentido, ele procura, em primeira instância, optimizar as aptidões que mais influência terão nos resultados desportivos. Isto implica uma integração dos vários factores do treino, sendo o treino das qualidades físicas o suporte para um melhor aprofundamento das habilidades técnicas e uma melhor capacidade concretização dos procedimentos tácticos.
2. Desenvolvimento físico multilateral
Apesar do anterior, é reconhecida a necessidade de uma base alargada de adaptações orgânicas e de um repertório motor vasto e variado para melhor responder às necessidades da preparação especializada. Esta temática é nuclear no âmbito da formação desportiva inicial e relaciona-se, naturalmente, com a manutenção do estado de saúde do atleta e da prevenção de lesões.
3. Desenvolvimento psicológico
Neste campo fala-se muitas vezes das “qualidades volitivas”: disciplina de treino e de comportamentos em competição; confiança; coragem; vontade de vencer; gosto pela superação individual.
4. Espírito de equipa
Surge como necessidade em todos os desportos, sejam colectivos ou individuais. Tem a ver com a criação de uma cultura de grupo propiciadora de coesão interna e com amplas consequências no campo da motivação, portanto, influenciando grandemente a optimização dos resultados desportivos e a longevidade da carreira do atleta.
5. Estado de saúde do atleta
A manutenção em estado óptimo da saúde do atleta e prevenção cuidadosa de todos os factores de risco são preocupações centrais num programa de treino desportivo bem organizado e com impacte social. A consideração de factores como a recuperação física, a integridade dos equipamentos, a organização dos exercícios, e muitos outros, podem ser incluídos neste quadro.
6. Prevenção de lesões
Este objectivo, ligado ao anterior, reveste-se de um carácter mais restrito e detalhado, uma vez que diz respeito, muito especialmente à organização dos exercícios de treino e ao suporte articular e muscular envolvido, que deve estar plenamente assegurado. Pode ter uma importância especila no atleta jovem principalmente em disciplinas desportiva onde o impacto físico e o contacto entre oponentes é mais habitrual.
7. Bases teóricas
A actividade do treino deve ser acompanhada pela exposição e discussão sobre os procedimentos e seus fundamentos. Não é aceitável que um atleta não saiba distinguir um esforço de base aeróbia de um outro de velocidade e que não entenda quais os mecanismos subjacentes. Esta questão alarga-se aos domínios técnicos e tácticos, assim como à relevância de muitos factores psicológicos, entre eles o controlo da ansiedade pré-competitiva.
Fonte: http://www.fmh.utl.pt/

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