sexta-feira, 26 de março de 2010

O PENSAMENTO

2.5. Pensamentos

Estamos constantemente em diálogo interno através dos nossos próprios pensamentos, os quais podem ser de índole negativa (dúvida, incapacidade, falta de controle) ou positiva (ânimo, segurança, eficácia). Diversas investigações provaram que a convicção de executar algo com êxito (expectativas de autoeficácia) produzem um efeito favorável sobre a execução, é por este motivo que se devem potenciar os pensamentos positivos, para que gerem a confiança no êxito e permitam ao desportista ter uma prestação em condições favoráveis (Canduela, 2001).
Para Williams (1991), a chave do controle cognitivo é a auto-informação. A frequência e conteúdo dos pensamentos variam de uma pessoa para outra, assim como de uma situação para outra. A auto-informação ou diálogo interno converte-se num recurso quando de alguma forma aperfeiçoa a execução.
Geralmente os atletas pensam tanto antes como no decorrer das suas execuções. Também pensam durante as sessões práticas como fora das mesmas. O seu pensamento afecta a sua auto-confiança, auto-conceito e conduta. Por esta razão é importante que os treinadores e psicólogos do desporto ensinem os seus atletas a reconhecer e controlar os seus pensamentos. Se os pensamentos forem utilizados apropriadamente, podem tornar-se um grande aliado para a execução e o desenvolvimento pessoal. A questão não é pensar, mas o quê, quando e como pensar.
Cada vez que o atleta actua, durante uma sessão de treino, ou durante uma competição, abriga certas esperanças acerca da sua actuação. Se actuação resulta num nível inferior ao esperado, então o atleta começa a preocupar-se. As esperanças são geradas por actuações passadas, que são o melhor elemento de predição do que irá acontecer no futuro. Por este motivo, o atleta pode experimentar maior ansiedade numa actuação que segue outra em que o atleta não obteve o seu nível usual e, começa a preocupar-se com a possibilidade de obter outra má actuação (Harris & Harris, 1987).
As emoções podem inspirar ou inibir a prestação desportiva. As emoções e os pensamentos positivos podem, muitas vezes, atirar o indivíduo para a senda de sucessos. Todavia quando toda essa excitação se transforma em ansiedade, ou muda de atitude agressiva para incontida, ele pode, provavelmente, começar a cometer erros (Loher (1986), citado por Frichknecht (1990).
Ainda segundo este autor, quando ansiosos, os atletas podem ficar muito oprimidos com o aparecimento de pensamentos e imagens não adaptadas e perturbadoras. Há tendência a focar todas as coisas que podem vir a correr mal, as inadaptações, incapacidades fraquezas que poderão ter na execução e as consequências duma possível performance inferior. Torna-se assim mais provável que a performance seja tão má como se receava que pudesse ser.
Segundo Williams (1991), a maioria dos atletas tem diferentes pensamentos no decurso de uma execução exitosa e de uma execução que conduz ao fracasso. A identificação dos pensamentos que tipicamente preparam os atletas para executar bem e fazer frente com êxito aos problemas que surgem, podem vir a constituir um conjunto de ferramentas cognitivas para a melhoria da execução.
À medida que as destrezas se vão dominando, o diálogo interno vai sendo mais curto, menos frequente e com mais probabilidade de se centrar em estratégias e sentimentos óptimos. Com a aprendizagem, a meta é reduzir o controlo consciente e promover a execução “automática” da destreza.
A execução exitosa pode ser “programada” mediante pensamentos e imagens positivas imediatamente antes da execução física.
Uma forma de auto-informação que evoca sentimentos e comportamentos positivos, é o uso de manifestações positivas. As afirmações são manifestações que reflectem atitudes ou pensamentos positivos sobre si mesmo. Estes pensamentos quando utilizados frequentemente promovem a confiança.
Um clima psicológico negativo, como por exemplo sentimentos de frustração, medo e preocupação, podem desencadear reacções negativas tais como a perda de concentração. Os pensamentos negativos ou auto-frustrantes produzem efeitos negativos na execução (Williams, 1991).
Segundo Raposo (s/d), o atleta sentir-se-á preocupado ou em stress sempre que acredite que não pode ter um desempenho suficientemente bom para atingir um objectivo importante. Quando o desafio que se estabelece é demasiado fácil ou demasiado difícil para o atleta é que a competição se torna portadora de stress. Quando o desafio é demasiado fácil para a sua capacidade, o atleta aborrecer-se-á e não se mentalizará o suficiente para manter uma performance ao mais alto nível. Quando o desafio é demasiado difícil, sentir-se-á preocupado com a obtenção de sucesso. A preocupação é causada pelo receio do possível falhanço e resulta num esforço em demasia (ou pressão) que impede o seu integrador de guiar automaticamente a performance. Assim, desde que seleccione um desafio similar ao seu nível de skill, sentirá menos stress.
Se um atleta conseguir evitar a atenção para pensamentos negativos, não sentirá tanta ansiedade e, terá maior probabilidade de executar a tarefa ao nível máximo das suas capacidades (Viana & Cruz,).
Os pensamentos afectam directamente os sentimentos e por sua vez as acções. Um pensamento pouco apropriado ou erróneo, com frequência, conduz a sentimentos negativos e a uma execução pobre, da mesma forma que um pensamento positivo conduz a sentimentos capacitadores e a uma boa execução (Willliams, 1991).
O desportista deverá aprender a centrar a sua mente em pensamentos positivos e a ser capaz de identificar e substituir os negativos por pensamentos alternativos e/ou diálogos internos positivos (Canduela, 2001).
O primeiro passo para que o atleta consiga o controle sob os seus pensamentos, é estar consciente sobre o que diz de si próprio. Surpreendentemente, a maioria das pessoas não estão conscientes dos seus pensamentos e, muito menos do seu poderoso impacto que estes têm sobre os seus sentimentos e condutas (Williams, 1991).
No decurso de uma actuação desafortunada, a maioria dos atletas descobre que a sua mente se programou face ao fracasso através de insegurança e de manifestações negativas. O corpo simplesmente executou o que a mente estava a pensar. As execuções futuras poderão melhorar quando os atletas consigam eliminar os pensamentos disfuncionais e auto-frustrantes que conduzem à angústia e a uma execução pobre. De facto, ao prestar muita atenção aos pensamentos negativos ou associados a uma execução pobre, pode causar um detrimento da execução já que influem negativamente no auto-conceito, na autoconfiança e na actuação do atleta (Williams, 1991).
Segundo o mesmo autor, a maioria dos pensamentos negativos ocorre quando o indivíduo está em situação de stress. Cada sujeito tem a capacidade de programar a sua mente para execuções exitosas. Alguns atletas fazem-no de forma natural; outros devem aprender a ser pensadores eficazes.
O primeiro passo para que o atleta ganhe o controle do seu pensamento é estar consciente de que classe de pensamentos o ajudam, que pensamentos estão a ocorrer que poderão ser prejudiciais e, que situações ou acontecimentos estão associados com o diálogo interno.
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

segunda-feira, 22 de março de 2010

O PERFIL PSICOLÓGICO PARA O ALTO RENDIMENTO E AUTOCONFIANÇA

2.3. O perfil psicológico para o alto rendimento
Para Williams (1991), torna-se importante conhecer se existe um estado psicológico óptimo para realizar execuções plenas. Em relação às fontes de dados ou à natureza do desporto, aparece um perfil psicológico que se põe em estrita relação com a execução plena. Apesar de existirem numerosas diferenças individuais, na maior parte dos casos, este perfil geral define-se pelas seguintes características:

Auto-regulação do nível de activação (enérgico, mas relaxado, não temeroso);
Alta confiança em si mesmo;
Melhor concentração (focalizada apropriadamente);
Estar sob controle, mas sem o forçar;
Preocupação positiva pelo desporto (imaginação e pensamento);
Determinação e compromisso.

Ken Ravizza (1977) citado por Williams (1991) intrevistou 20 atletas praticantes de uma grande variedade de níveis competitivos, que relataram as suas experiências em 12 modalidades diferentes. 80% dos atletas informarem terem sentido as seguintes percepções:

Perca de medo, não temer o fracasso;
Não pensar na execução;
Imersão absoluta na actividade;
Foco de atenção muito selectivo;
Execução sem esforço, não forçada;
Sentimento de controle absoluto;
Desorientação tempo-espacial;
Percepção integrada e unificada do universo;
Experiência única, temporal e involuntária.

Garfiel & Bennett, (1984) citados por Williams (1991), com intrevistas a centenas de atletas de elite, identificaram oito condições mentais e físicas que os atletas descreveram, como características das sensações que experimentavam naqueles momentos em que realizavam algo que era extraordinariamente bom:

1. Relaxado mentalmente. Era descrita pela maior parte dos atletas como um sentimento de paz interior, em que aumentava a concentração. A perda de concentração vinha associada a uma sensação de que tudo ocorria mais depressa e fora de controle.
2. Relaxado fisicamente. Sensação de que os músculos evolucionavam a base de movimentos fluidos e seguros.
3. Confiante/optimista. Uma atitude positiva, sentimentos de autoconfiança e optimismo. Sentir-se capaz de manter a confiança e sentimentos de força e controle.
4. Centrado no presente. Um sentimento de armonia que provém do corpo e da mente fazendo com que estes actuem como se fossem uma unidade. Não existem pensamentos sobre o passado ou futuro. O corpo trabalha automaticamente, sem consciência ou esforço mental deliberado.
5. Carregado de energia. Descreviam frequentemente um estado de alta energia, com sentimentos de diversão, intensidade e “carga” ou “calor”.
6. Consciência extraordinária. Um estado mental no qual os atletas estão extremamente conscientes dos seus próprios corpos e dos atletas que os rodeiam. Sentem uma estranha habilidade para saber como os outros atletas iam proceder, sabendo como responder em consequência. Também aparece uma sensação de estar em completa armonia com o meio.
7. Sob controle. Tanto o corpo como a mente pareciam realizar em cada momento o que era exactamente correcto, não fazia sentido impor ou exercer um controle.
8. Concentração. É a sensação de se encontrar dentro de um receptáculo completamente separado do ambiente externo e de qualquer distracção potencial. Os atletas são capazes de evitar a perda de concentração e encontram-se “acelerados” com os músculos tensos e com sensações fora de controle.

Williams (1991), afirma que estas características comuns, tomadas como qualidades psicológicas geraram numerosas investigações e práticas, antes de concluir que a presença de um clima emocional adequado ajuda a mobilizar as reacções psicológicas que são essenciais para uma execução brilhante, um clima psicológico negativo, como por exemplo, sentimentos de frustração, medo e preocupação, geram normalmente o contrário. Podemos assim assumir, que o nível de execução é um reflexo directo da forma como um indivíduo pensa e sente.
Uma execução plena, trata-se de um produto do corpo e da mente, e que não ocorre frequentemente, mas pode ser treinado. Se aumentarmos o número de tarefas físicas, as estratégias e as condições e, aprendermos a controlar a disponibilidade psicológica e o clima mental ideal, podemos aumentar a probabilidade de que a execução plena se dê.
2.4. Autoconfiança

Um dos factos mais consistentes na literatura sobre a execução desportiva é a correlação directa entre a autoconfiança e o êxito (Williams, 1991).
Qualquer treinador ou atleta sabe reconhecer a importância da autoconfiança como condição necessária para competir com êxito. O aspecto mais importante que determina a autoconfiança é a percepção por parte dos atletas de que são capazes de executar ou realizar as tarefas requeridas pela sua especialidade.
Assim, os atletas só poderão sentir-se confiantes se estiverem bem preparados sob o ponto de vista físico e técnico (Viana, 1989).
Vealey (1986) citado por Viana (1989), define autoconfiança como a convicção que os indivíduos têm das suas capacidades para serem bem sucedidos no desporto. No entanto, ser bem sucedido ou obter bons resultados, pode ter significados diferentes para o mesmo atleta em diferentes momentos da sua carreira desportiva, ou para diferentes atletas na mesma ocasião. Assim, a compreensão dos níveis de autoconfiança de um desportista passa também pelo conhecimento das metas e de objectivos que pretende alcançar através da competição desportiva.
A confiança é um factor dinâmico que varia de uma situação para outra e de um momento para outro, de acordo com a informação que o atleta tenha sobre a situação que o rodeia e das suas possibilidades face a ela, que influencia notavelmente as expectativas de êxito ou fracasso e consequentemente os níveis de autoconfiança (Canduela, 2001).
Quem ganha a si próprio e aos outros tem confiança nas suas próprias capacidades. Acredita que pode arriscar, acredita que é possível alcançar novos patamares de rendimento. A autoconfiança ajuda o atleta a sentir-se bem consigo próprio e a ultrapassar a ansiedade resultante das tarefas que tem de enfrentar. Possibilita ao atleta sentir-se e manter-se positivo mesmo nas situações que não decorrem conforme o previsto ou planeado (Adelino; Vieira & Coelho, 1999).
Os atletas que se evidenciam verdadeiramente, são autoconfiantes. A sua confiança desenvolveu-se durante muitos anos e, com frequência é o resultado do pensamento positivo e de frequentes experiências de êxito. Ao verificar a melhoria da destreza física é uma maneira óbvia de edificar a autoconfiança. Ao gerar uma história de experiências exitosas constroi-se tanto a confiança como expectativas de êxito futuras. O pensamento positivo dos atletas confiantes conduz com mais probabilidade a sentimentos capacitantes e a uma boa actuação, da mesma forma que o pensamento inapropriado e erróneo dos atletas sem confiança conduz provavelmente a sentimentos negativos e a uma execução pobre. A perda de confiança criada por sentimentos de fracasso faz com que o atleta duvide da sua própria capacidade. Se o atleta tiver grande autoconfiança, pode desafiar-se a si mesmo utilizando a frustração e fúria para se concentrar novamente na tarefa (Willliams, 1991).
A autoconfiança supõe a crença de que se está perfeitamente capacitado para enfrentar as exigências da situação. É evidente que falta de confiança em si mesmo é um obstáculo que afecta o rendimento desportivo, já que a pessoa com estas características duvidará constantemente na vez de actuar com decisão e pôr em prática as suas habilidades no momento adequado (Canduela, 2001).
Os atletas confiantes pensam que são capazes e assim o demonstram. Nunca se dão por vencidos. Imaginam-se a ganhar e a ter êxito. Estão em contacto com a realidade, são sabedores das suas capacidades, tanto como das suas limitações. Não é de estranhar que os atletas confiantes sejam ganhadores, pois a sua confiança programa uma execução exitosa. A forma como os atletas pensam sobre si mesmos, reflecte o grau de autoconfiança. Acreditar em si mesmo, é capacitante, já que dá liberdade para utilizar os seus talentos. Cada pessoa só é capaz de realizar aquilo que acredita que pode fazer (Willliams, 1991).
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

sexta-feira, 19 de março de 2010

IMPORTÂNCIA DA PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA PARA A COMPETIÇÃO


(...)
2.2. Importância da Preparação Psicológica para a Competição

O desporto visto como uma actividade humana específica, justifica a existência de uma “psicologia do desporto” que fundamentalmente, vai estudar o comportamento dos indivíduos na situação de prática desportiva e os fenómenos da vida consciente ligados a essa actividade específica:
- na aprendizagem, no treino, nos estágios, nas viagens, nas competições (antes, durante e depois), na vitória e na derrota, nas lesões, na fama e na glória, no infortúnio e no abandono;
- nas relações interpessoais, com colegas, adversários, treinadores, dirigentes, juízes...; estuda também o público, a comunicação social e as suas influências sobre os desportistas, assim como todo o conjunto de valores e símbolos, instituições e funções que compõem ou integram o mundo do desporto (Alves et al., 1996).

Samulski (1995) define a psicologia do desporto como uma das disciplinas da Ciência do desporto e constitui um campo de aplicação da psicologia.
A psicologia do desporto é uma ciência aplicada que estuda os processos psíquicos e a conduta do desportista na actividade desportiva. Procura conhecer e optimizar as operações internas do desportista de modo a maximizar a expressão do seu potencial físico, técnico e táctico adquirido no processo de preparação (Carbalido, 2001).
Desde o início dos anos 70 surgiram numerosos estudos a mostrarem, cada vez mais, a influência de factores psicológicos na prestação desportiva, quer de natureza afectivo-emocional, de concentração, de motivação de capacidade de organização perceptiva, ou de regulação psicomotora (Marques et al, 1997).
O sucesso no desporto é determinado por factores psicológicos, tanto quanto por factores sociológicos, fisiológicos, anatómicos e mecânicos. O estado atlético ou nível de treinamento, antigamente encarado apenas sob o ponto de vista físico também é visto hoje no que diz respeito à atitude mental, sob um ponto de vista de preparação psicológica para a acção (Singer, 1977).
O planeamento é, talvez, o aspecto mais importante do treino desportivo. O grau de complexidade do treino está bem patente no número elevado de factores que têm que ser tomados em consideração na preparação dos atletas. A psicologia, tal como outras disciplinas, procura contribuir, de forma relevante, para um planeamento e controlo do treino (Raposo, 1992).
No desporto os comportamentos (respostas) face às diferentes situações são visíveis por serem essencialmente motoras e, por vezes espectaculares. Porém, existem outros tipos de comportamentos (respostas) menos visíveis e que também se verificam nas situações específicas do desporto (Serpa, 1992).
Muitos acreditam que entre 40 a 90% do sucesso que se obtém em prestações desportivas é o resultado de factores psicológicos e que, quanto maior for o nível de prestação dos atletas, mais importantes estes factores se tornam (Williams, 1986).
Segundo Paulo Ribeiro (s/d), fica cada vez mais clara a participação dos processos psicológicos na vida de um desportista. A ciência dos desportos exige cada vez mais a participação dos processos cognitivos e de pensamentos dos atletas no seu rendimento.
Segundo Raposo (1993), para se atingirem bons níveis de consistência e, consequentemente de prestação, é necessário satisfazerem-se dois requisitos. O primeiro está intimamente ligado à biomecânica das tarefas em causa (a qualidade técnica) e o segundo, também ligado ao primeiro, é a habilidade mental de controlar todos os factores que influenciam a prestação de cada atleta.
Este autor afirma ainda, que são as características de carácter cognitivo aquelas que melhor parecem diferenciar os atletas de elite dos de não elite.
Para se obter melhor rendimento e favorecer o equilíbrio do atleta é necessário conhecê-lo o mais completamente possível. Assim, deve elaborar-se um dossier do atleta que poderá ajudar a estabelecer o seu perfil psicológico e comportamental. Para tal, existem questionários para avaliar aspectos do comportamento do atleta relacionados com o treino e a competição, que devem ser objecto de uma acção ou treino psicológico (Brito, 1993).
Segundo a mesma autora, o treino mental, onde todos os comportamentos treinados e previstos para se executarem na competição são mentalmente reproduzidos repetidamente na sua forma e sequência correctas para poderem funcionar como comandos motores conscientes e controlados.
Para Silva (1970), uma coisa parece incontestável: no treino, as capacidades neurofisiológicas do atleta podem medir-se e avaliar-se, mas as psicológicas não, porque só se manifestam nas competências e só nelas podem medir-se.
Na perspectiva de Singer (1977), um interessante fenómeno observável no desporto, é que existe uma variedade de características pessoais que contribuem para a excelência. Frequentemente os desportistas compensam aquelas que possuem em menor grau com aquelas que dominam. A compensação pode levar ao sucesso, a despeito de deficiências presentes. A implicações na análise da personalidade são de que pode haver níveis e interacções de traços mais desejáveis para um dado desportista para uma dada actividade; contudo, ele pode superar as suas deficiências com esforços superiores aos usuais.

O desportista deve participar activamente na consecução dos seus resultados-objectivos, “o trabalho mental ao acompanhar o trabalho físico, regulando-o, estrutura também as funções superiores do cérebro...”, e por isso as desenvolve e aperfeiçoa (Ucha, 1997).
O melhor treino físico e apuramento técnico do atleta são de reduzido valor se as preocupações e o stress o impedem de ter uma boa performance ao seu melhor nível. Na realidade, os factores psicológicos são tão poderosos que podem destruir em minutos milhares de horas de soberbo treino físico (Raposo, 1990).
Os campeões serão aqueles que consigam, através do factor psicológico reforçar as suas competências físicas e técnicas com que optimizarão os seus resultados (Serpa, s/d). O factor psicológico do processo de treino desportivo deverá portanto ser optimizado tal como os restantes, visando o controlo emocional, o rápido processamento da informação, o aumento da concentração, o controlo da atenção, da activação, do stress e ansiedade, da tensão muscular, bem como o reforço da autoconfiança. (Zaichkowsky, 1983 citado por Serpa, s/d).
Raposo (1993), ao estudar as diferenças entre atletas de nível mundial que integraram a equipa olímpica portuguesa para participar nos Jogos Olímpicos de Barcelona e outros que não se classificaram para essa mesma equipa, concluiu que dos factores físico-psico-sício-morais que observou, somente os factores psicológicos diferenciavam os três níveis de prestação (Campeões Mundiais, Nadadores de Elite Portugueses e Nadadores Portugueses). O que indica que a preparação mental dos atletas é um factor determinante da alta competição.
Considerando que o atleta é um ser humano bio-psico-social e tem o corpo como instrumento de trabalho, é preciso direccionar uma atenção especial aos aspectos ligados ao aumento da concentração, ao controle da ansiedade e stress, à motivação, à paciência, à responsabilidade, ao compromisso com os objectivos, à comunicação e autoconfiança, além da superação dos limites e capacidade de aprender com erros e críticas, Magina (s/d).
Segundo Franco (s/d), no contexto desportivo, os relacionamentos dos atletas e da comissão técnica tornam-se um eixo fundamental. Neste contexto, a relação atleta-atleta, atleta-técnico, atleta-público, etc. constitui o eixo principal para o desenvolvimento pleno do papel do atleta.
Para Ribeiro (s/d), a presença e o acompanhamento deste desportista por um psicólogo torna-se condição sine qua non para a sua performance. A ciência dos desportos exige cada vez mais a participação dos processos cognitivos e de pensamentos dos atletas no seu rendimento. O movimento cognitivo postula a mudança de atitudes através da mudança de pensamento, ou seja, é possível reverter acções então difíceis de serem executadas.
Cozac (s/d) afirma, que nos dias de hoje está a ser possível viabilizar uma nova “filosofia” organizacional, onde um dos itens mais importantes deveria ser o reconhecimento da necessidade de um psicólogo actuante e presente para garantir um rendimento positivo e estável das equipes. Segundo Raposo (1990), quando as capacidades se tornam bastante semelhantes, os factores psicológicos assumem importância capital no resultado final de uma prova.
Dar aos jogadores respaldo psicológico é tão importante quanto lhes dar uma alimentação balanceada, programada por nutricionistas. Afinal o corpo físico e o mental são duas faces de uma mesma unidade e merecem a igual atenção. Cuidar do corpo, significa também percebe-lo como um todo unificado, do qual fazem parte as emoções e as estruturas mentais. O papel do psicólogo responsável pela saúde psíquica de uma equipa desenvolve-se a partir de uma abordagem das emoções que os jogadores vivenciam na sua rotina de trabalho. A cada novo jogo, uma quantidade de sensações são mobilizadas e, quando não existe assistência psicológica, essas sensações não elaboradas tendem a acumular-se levando, em muitos casos, os jogadores a realizar actos impensados que podem prejudicar a si próprios e ao grupo do qual fazem parte Cozac (s/d).
(...)
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

terça-feira, 16 de março de 2010

3 PERGUNTAS A...



João Lapo

Treinador dos Iniciados do F.C. Porto e das selecções jovens da A.P. Porto


THP - Quais as principais vantagens e desvantagens que as novas regras do Hóquei em Patins, implementadas na presente época trouxeram ao Hóquei em Patins, em comparação com as regras anteriores?

JL - As principais vantagens são: hóquei menos agressivo, sem tanto contacto, protegendo os jogadores tecnicistas, tornado o hóquei mais veloz.
Permite ainda, uma variedade táctica maior, com mais soluções abrindo caminho à introdução de novos princípios ofensivos e consequentemente novas tácticas defensivas sendo o power-play uma novidade de jogo a explorar.
O papel dos bloqueios assume uma presença importante no sistema de jogo.
Na minha opinião torna o jogo melhor e visualmente mais interessante uma vez que a tendência do número de golos é para aumentar.
A principal desvantagem, na minha opinião é que a linha dos critérios de arbitragem, nas faltas de equipa, são subjectivas e de livre arbítrio.

THP - Qual o perfil ideal de um jogador de Hóquei em Patins da actualidade?

JL - Resumidamente, acho que o jogador actual deve possuir uma boa patinagem, técnica individual, evoluído tacticamente e disciplinado ao nível de faltas.
Deverá ser um atleta psicologicamente forte, que não acuse a pressão em situações de responsabilidade.

THP - Concorda com o actual quadro de competições nacionais? Sejam eles das diferentes divisões seniores ou dos escalões de formação. Porquê?

JL - Não, acho que o critério deveria ser uniforme, privilegiando o sistema de campeonato pois premeia a regularidade.

O blogue THP agradece a disponibilidade do Prof. João Lapo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

CONCLUSIONES: DIFERENCIAS DE ENTRENAMIENTO y COMPETICIÓN ENTRE MUJERES Y HOMBRES EN EL HOCKEY PATINES


Asociación Internacional de Hockey Patines Femenino
Asociación Española Entrenadores Hockey Patines
Club Patí Vilanova
Durante la V Copa de la Reina de hockey sobre patines femenino celebrada en Vilanova i la Geltrú los días 20 y 21 de febrero, tuvo lugar una Mesa Redonda sobre la perspectiva de género en el entrenamiento y competición en el hockey patines.

Los ponentes Xavi Claramunt, Leny López, Carlos Figueroa y Octavi Font compartieron sus conocimientos y experiencias como entrenadores/as con la sesentena de personas que acudieron al acto.
Algunas de las conclusiones…
Los entrenadores y entrenadoras deben adaptar la metodología de entrenamiento y competición según el colectivo al que se dirijan. Sólo así se podrá conseguir el máximo rendimiento de los jugadores y jugadoras.
Está comúnmente aceptado que hay que adaptar el entrenamiento y competición según la categoría del jugador/a (prebenjamín, benjamín, alevín…). Recientemente diferentes estudios e investigaciones señalan la necesidad de que los/as técnicos/as deportivos sean sensibles también a las diferencias de género.
Diferencias Sociales

Las mujeres tienen una serie de condicionantes y estereotipos sociales que limitan su práctica deportiva. Figueroa explica que “se trata de un problema social, no real (…) A las chicas desde muy pequeñas se les dice que tienen que jugar con muñecas, poco deporte… y esto va condicionando”. “Por costumbre social se hacen muchas cosas”, se explica desde el público. “Las mujeres tienen actitudes hacia el deporte por estereotipos sociales… que tienen que dedicarse sólo a la vida familiar, ser madres… y creen que hacer o no deporte de una determinada manera es una decisión estrictamente personal”.
Xavi Claramunt apuntó que “los inicios del hockey femenino fueron muy duros “la gente se reía de una jugadora de hockey, se reía cuando alguien las entrenaba”.
Por todo ello el hockey femenino se convierte en una lucha, explica al mismo Claramunt. La evolución del hockey femenino “no es sólo una cuestión de tiempo sino también de pelea”.
De forma unánime todos los ponentes coincidieron en subrayar los avances del hockey femenino en muy pocos años (en número de jugadoras, equipos, campeonatos, respeto, importancia…). “El nivel del hockey femenino está aumentando año tras año. Cada generación nueva supera a la anterior”.De forma unánime todos los ponentes coincidieron en subrayar los avances del hockey femenino en muy pocos años (en número de jugadoras, equipos, campeonatos, respeto, importancia…). “El nivel del hockey femenino está aumentando año tras año. Cada generación nueva supera a la anterior”, confirmó Claramunt. “La Ok Liga actual es una de las competiciones más competitivas del mundo, de mucho nivel”, siguió Claramunt, y “que provocará el trasvase de conocimientos”… entre distintos lugares, apuntó Figueroa.
Leny López explicó que los avances son importantes pero aún queda mucho por hacer, sobretodo en algunos lugares como Galicia, donde aún se viven de forma muy intensa los estereotipos, la distribución injusta de los recursos, la falta de voluntad política para crear equipos femeninos y/o mixtos,… “Hay que cambiar muchas cosas para llegar a la igualdad”, apuntó Leny. “Caminando estamos y no pararemos”, se añadió desde el público.
En esta misma línea de debate, López y el resto de ponentes concluyeron que a “nivel táctico y técnico no se encuentran prácticamente diferencias entre hombres y mujeres”. Ello depende mucho más de los “recursos, de la formación de los entrenadores/as, del tiempo de práctica deportiva,… de cada persona” que del sexo del practicante. No obstante, Font y López constataron a la par que muy a menudo son las mujeres las que cuentan con menos recursos (empiezan más tarde a jugar, falta de interés de los clubs y federaciones en buscar niñas, menos horas de entrenamiento, menor nivel de exigencia, de reconocimiento, falta de presupuesto para sus ligas, falta de remuneración, de médicos/as, fisioterapeutas…
En relación a la distribución de recursos, Octavi Font apunta que el femenino se merece tener a los mejores entrenadores y entrenadoras: “Que sea una elección para un club poner a un entrenador o entrenadora para el femenino”.

El poder no se da, el poder se coge. La llave la tienen las propias jugadoras. También se habló del poder de cambio que tienen las propias jugadoras. Octavi Font explica que “las jugadoras tienen mucho más poder de lo que realmente creen. A veces nos conformamos con lo que tenemos, con lo que nos dicen ante situaciones que son injustas (…) El año pasado vivimos situaciones de clubes que decían que no tenían dinero suficiente para la Ok Liga femenina a pesar de tener unos presupuestos propios muy elevados en comparación con los costes de la Ok Liga femenina (…) No se os trata por igual. Debemos plantarnos delante de nuestros directivos. El poder no se da, el poder se coge. La llave la tenéis vosotras”.
El hockey necesita mujeres dirigentes y mujeres entrenadoras para poder mejorar
Todos los ponentes coincidieron en señalar la falta de entrenadoras mujeres: “No hay ninguna entrenadora en la Ok Liga masculina ni en la Ok Liga femenina por ejemplo”, explica Octavi. “Hay pocas entrenadoras, y ellas pueden aportar mucho en el mundo del hockey y del entrenamiento, pueden dar un plus, connotaciones afectivas, relacionales, etc. (…) a mi parecer están mejor preparadas que los hombres para entrenar”, explica Figueroa.
Varias son las razones para esta falta de entrenadoras. Algunas deben buscarse en la juventud del hockey femenino: “cuando las generaciones actuales, las que son jugadoras ahora, vayan llegando, vayan cogiendo experiencia, competición… que ya lo están porque muchas entrenan a la base… empezarán a salir entrenadoras. (…) Es cuestión de tiempo”, analiza Figueroa.
(...)
Todos los ponentes concluyeron que la mujer tiene que llegar a la dirección de las Federaciones, Clubes, coordinación, entrenamiento… y ello hará mejorar el hockey: “no es que el hockey haga un favor a la mujer por dejarla entrenar, jugar, dirigir,… sino que es la mujer quien colabora con el hockey por estar ahí. Tiene mucho que aportar”, se explica desde el público.
Diferencias Físicas
López consideró que a nivel físico las principales diferencias entre hombres y mujeres estriban en la fuerza y velocidad (diferente masa muscular, sistema hormonal…) Estas características deben ser tenidas en cuenta para poder entrenar adecuadamente a hombres y mujeres.
En este sentido, Claramunt explica la necesidad de entrenar y trabajar más en las mujeres las capacidades de fuerza y velocidad (gimnasio, ejercicios con objetivos específicos,...)
Se apuntó también que la mujer deportista “no tiene que jugar o querer parecerse al hombre”. Hockey femenino y masculino son diferentes y “no hay comparación posible”. “Sin dejar de ser mujer, es el entrenador o entrenadora quien debe identificar las diferencias y adaptar su metodología de entrenamiento y competición”, argumenta Font. “Por ejemplo, la diferencia en la fuerza de chut es real pero quizás el entrenador o entrenadora podría crear patrones tácticos para poder finalizar más cerca de portería”.
En opinión de Carlos Figueroa, las experiencias con los equipos mixtos en el hockey sobre patines “han sido muy positivas” y por ello deberíamos continuar en esta línea. Font añade que en etapas de iniciación “no hay ningún tipo de diferencia física, táctica, técnica… ente niños y niñas”, y por lo tanto es recomendable formar equipos mixtos en las edades de formación. Los ponentes consideraron conveniente, por la aparición de las diferencias físicas, separar chicos y chicas a partir de juvenil (y siempre y cuando fuera posible porque hay suficiente cantidad de chicos y chicas y no quedara nadie sin poder jugar).
Font quiso desmontar uno de los tópicos existentes en referencia a los equipos mixtos: “Es usual que se diga que las niñas que entrenan con niños son mejores porque entrenan con niños”. Font explica que ello sucede no porque las niñas entrenen con niños sino porque han dispuesto de unos recursos, unas horas de entrenamiento, una competición, han entrenado con compañeros/as de edades similares,… que probablemente no hubieran tenido si se tratase de un equipo femenino.
Diferencias Psicológicas
En opinión de Carlos Figueroa debemos cambiar la mentalidad del hockey femenino y sus jugadoras hacia otra mentalidad más profesional. Debemos “inculcar y preparar psicológicamente a las deportistas mujeres para vivir el hockey de manera intensa, profesional, con un compromiso fuerte con los entrenamientos, competición…” (…) El hockey femenino a veces “se toma como un pasatiempo, para pasarlo bien”. “Esto me recuerda al hockey masculino de hace 40 años, cuando era casi todo amateur”. Figueroa entiende que ello viene originado por los condicionantes sociales y estereotipos hacia la mujer y el deporte: “se trata de un problema social, no real. Se dice a las chicas que deben jugar con muñecas, poco deporte… y esto les va condicionando”. “Esta mentalidad es la que aún nos diferencia respecto al masculino. Una vez tengamos esto estaremos preparados para trabajar y evolucionar mucho más tácticamente, técnicamente,…”. Figueroa cree que se trata de una evolución propia del hockey femenino a la que llegaremos en unos pocos años.
Una de las diferencias psicológicas más subrayadas durante la mesa redonda fue la emotividad con que funcionan las mujeres deportistas. Son “más sensibles, tienen un mundo interior más enriquecedor, complejo… la forma de relacionarse, transmitiendo sensaciones, amistad, frustraciones también…”, explica Figueroa. “Se guían más por las emociones”, añade Leny. “Los entrenadores y entrenadoras deben ser sensibles a esta característica” (en la manera de comunicar, de entrenar, etc.), continua Font.
Esta sensibilidad es una de las razones por las que Figueroa cree que las mujeres “están mejor preparadas para entrenar que los hombres, precisamente por este mundo interior, el de las relaciones, de poder entender mejor las dinámicas” (…) “La gente me preguntaba, se extrañaba de por qué entré en el femenino como si fuera un paso atrás (…) no se dan cuenta de que estoy aprendiendo muchísimo, el ser cercano, las relaciones…”. Otra de las características más repetidas durante la mesa redonda fue la “confianza, la fe ciega en el entrenador/a”, explican Claramunt y Font. Añaden también que “las mujeres tienen connotaciones afectivas hacia el entrenador/a, y los entrenadores y entrenadoras deben ser sensibles a esta connotación pero al mismo tiempo no perder la autoridad, la jerarquía”. “Hay que saber equilibrar la autoridad con ser cercano, y ello es complejo”, apunta López.
Los ponentes también señalan que ellas son por lo general “muy agradecidas” y “tienen muchas ganas de aprender, con una gran predisposición para el trabajo y para trabajar duro”, detalla Font. Tienen “mucha ilusión, ganas de aprender. Nadie está aquí por dinero”, añade Figueroa.
Así mismo, ante una critica o corrección, mujeres y hombres responden diferente. Font comenta que “las mujeres se resienten más que los hombres”. Por ello hay que prestar atención en la forma de decir las cosas, las correcciones. “Socialmente, por la educación transmitía, valores, etc. la mujer en general tiene menos confianza y autoestima en sus capacidades que el hombre”. Se trata de un problema social que debemos ir cambiando.
Otra característica apuntada durante la mesa redonda es que mujeres y hombres tenemos “maneras diferentes de solucionar los conflictos”. No obstante, hay el estereotipo social de que las “mujeres son más complicadas o difíciles de entrenar”. Pero “lo que falta son conocimientos para saber actuar… porque los entrenadores/as actuamos siempre desde el punto de vista masculino, como si todos fueran hombres”, aportan desde el público. “Hace falta analizar y conocer estas diferencias para actuar de la manera adecuada”, continua Font.

Font señaló también “la importancia de la cohesión de grupo para que la mujer deportista rinda”. Claramunt cree que un aspecto clave, tanto en equipos masculinos como femeninos, es que el entrenador o entrenadora conozca y “controle el vestuario y las relaciones”.
Para terminar, Leny López explicó cómo el primer entrenador de Popov ayudó a convertirlo en una de las figuras que más han brillado a lo largo de la historia de la natación consiguiendo varios oros olímpicos. Lo que convierte en extraordinaria esta historia su entrenador no caminaba sino que iba en silla de ruedas.
La capacidad de superación y transformación humana es inmensa. Y las posibilidades que se abren ante nosotr@ también. ¿Tendrá razón Carlos Figueroa cuando dice que con la ilusión se llega lejos? Nosotr@s tenemos mucha y con ella esperamos mejorar nuestro deporte y la sociedad.
Fonte: Carla Giudici Font y Marta Soler Balcells, "CONCLUSIONES: DIFERENCIAS DE ENTRENAMIENTO y COMPETICIÓN ENTRE MUJERES Y HOMBRES EN EL HOCKEY PATINES", Asociación Internacional de Hockey Patines Femenino, Asociación Española Entrenadores Hockey Patines e Club Patí Vilanova, 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

TABACO E O ATLETA

O tabagismo é sabidamente um factor de risco independente importante para o enfarto do miocárdio e age de modo sinergético com outros factores de risco, como a pressão arterial alta e os níveis elevados de colesterol sanguíneo…
A aterosclerose das artérias coronárias e da aorta é mais grave e extensa entre fumantes do que entre não fumantes, e o efeito relaciona-se com a dose de tabaco… factor de risco para aneurismas aórticos e arterioscleróticos… vaso espasmo coronário… acção farmacológica não controlada da nicotina, inalação de monóxido de carbono… fibrose e trombose de artéria e veia acompanhante do membro inferior.
O fumo dificulta o processo respiratório e essa dificuldade é tanto mais intensa na razão directa do número de cigarros por dia e do tempo em anos de tabagismo. Para qualquer atleta, é incompatível a associação do cigarro ao desporto. “O corpo não aguenta, não há resistência. O desempenho do atleta que fuma pode cair em mais de 30%, se comparado com quem não fuma. Então nesta perspectiva, vou 30% mais lento. Aqui temos uma desvantagem...
A redução da capacidade física pelo fumo é tão maléfica que está provado que o atleta que não fuma no dia de um jogo ou competição já tem uma melhoria no seu rendimento físico. “Até deixar de fumar nas duas horas que antecedem uma prática desportiva já representa uma pequena melhoria.
É sempre bom saber ainda que a nicotina destrói parte da vitamina C, que além de suas inúmeras funções, tem importância decisiva no rendimento desportivo. Por isso, os atletas fumantes devem fazer, obrigatoriamente, uma suplementação natural ou artificial de vitamina C. Mas não se esqueça que não se deve abusar de altas doses. A alimentação com frutas cítricas, verduras, pimentão e tomate fornece boas doses dessa vitamina. Desta forma tentem fazer um reforço de vitaminas.
Efeitos no Metabolismo:
O custo metabólico da respiração pode ser reduzido significativamente como resultado da abstinência. Observou-se uma redução de CO2 em apenas um dia de abstinência. Durante um exercício a 80% da Capacidade Aeróbica Máxima (VO2 máx), o custo da ventilação pulmonar representa 14% do consumo de O² em fumantes e de apenas 9% em não fumantes.
Atletas envolvidos em eventos que requerem resistência nunca fumam. Isto pode ser explicado pelo fato da fumaça do cigarro causar redução na função pulmonar e aumentar a quantidade de carboxiemoglobina, dificultando o transporte de O² do sangue.
Pesquisas apontaram uma melhoria no desempenho de nadadores, velocistas, ciclistas em geral, apenas pela abstinência ao fumo. E eles reportaram terem se sentido melhor exercitando-se em uma condição de não fumante.
Fonte: Retirado de http://aminhacorrida.blogspot.com/2009/03/tabaco-e-o-atleta.html

sexta-feira, 5 de março de 2010

LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO DE UMA EQUIPA

A Liderança e a Motivação são dois aspectos essenciais no alcance do sucesso das organizações.
Hoje em dia temos nas equipas bons gestores e por vezes maus lideres. Uma Liderança eficaz condiciona e é determinante para Motivar. Todavia, liderar eficazmente é complexo.
Não se nasce propriamente líder, ainda que a predisposição genética condicione e seja determinante.
Um bom líder aprende continuamente ao longo da sua vida e adapta-se ás circunstâncias.
Motivar equipas pressupõe liderar com eficácia e eficiência no sentido de as conduzir numa determinada direcção ou rumo e alcançar determinados objectivos previamente acordados e específicos. Trata-se pois de um processo de influência social, mobilizador e enérgico.
Um bom líder conhece profundamente as pessoas com quem trabalha, as suas motivações e aspirações. Reconhece também que uma equipa passa por diversas fases de evolução até atingir a sua maturidade e o seu pico de produtividade. Sabe também como intervir nessas fases, actuando como mecanismo regulador e catalisador dos processos comunicacionais.
Adapta-se às circunstâncias do meio, da tarefa e do grupo e sabe exercer o estilo de liderança adequada à situação.
Liderança e Visão caminham de mãos dadas sendo condição essencial para mobilizar pessoas nos processos de mudança e criar nestas confiança e determinação na conquista de objectivos e metas específicas. Criar sobretudo verdadeiros liderados sem os quais o líder também não teria expressão.
Estabelecer desafios, metas e colocar a “fasquia” alta parece estimular as equipas. O líder reconhece igualmente que o todo é maior que a soma das partes e aproveita as sinergias resultantes desta interacção no sentido da conquista de objectivos ambiciosos, que de outra forma não seria possível.
Entre outros, José Mourinho é um exemplo carismático que ilustra perfeitamente o que é liderar e manter os níveis de motivação elevados de uma equipa e dos seus associados. Não existem muitas pessoas com estas características.
A pressão é elevada, mas é esta também o que o motiva e que o faz motivar. É preciso agitar as “águas” e provocar estrategicamente, criando “inimigos” externos à equipa na óptica da construção de um espírito colectivo único e forte.
"Um líder sabe o que melhor fazer; um gestor sabe apenas a maneira de o fazer melhor" Ken Adelman
Fonte: Adaptado de José Guerra, Artigo de opinião em Liderança e Motivação de Equipas, em http://psicologia.com.pt/

terça-feira, 2 de março de 2010

RETORNO À CALMA


Se o aquecimento que precede uma sessão de treino ou competição é importante, funcionando como o "aperitivo", então o retorno à calma será como que a "sobremesa". Ambos são um meio importante para a prevenção de lesões e para retirar o máximo de rendimento do seu esforço.

Alguns corredores, pouco experientes, desconhecem as vantagens do retorno à calma no fim da actividade, parando, pura e simplesmente, no final do treino de corrida. Com esta atitude, as lesões e outras maleitas podem surgir com mais facilidade.
Vejamos agora as vantagens de um retorno à calma, bem conduzido. O retorno à calma, após o esforço, caracteriza-se por um regresso progressivo à normalidade tanto no plano cardio-vascular como respiratório. Os corredores que negligenciem a corrida calma após o esforço expõem-se a arritmias cardíacas e a uma má irrigação do músculo cardíaco.
Estes fenómenos provêem da elevação importante de duas hormonas, a noradrenalina e a adrenalina logo após uma paragem brusca do esforço. Bem longe de um retorno à calma, faseado, em que a excitação nervosa e o "stress" da sessão ou da competição "disparam" suavemente para uma sensação de bem-estar e de serenidade.
A tensão muscular desce, igualmente, ao seu nível mais baixo. É o período favorável para repor o débito de oxigénio. Desde a paragem do exercício, o músculo deverá fazer face ao débito de oxigénio do organismo, a degradação do ATP-ADP muscular aláctico e a produção de ácido láctico, que provocará a utilização anaeróbica do glicogénio. Este é o elemento mais utilizado, devido à necessidade de transportar ao organismo os açucares rápidos (frutos secos, mel, açucares brancos), desde o final do esforço. A perda de sais minerais através da sudação é, igualmente, considerável.
A hidratação é, também, um factor impor­tante de recuperação. Atente-se no facto de, em treinos longos e intensos, em condições climatéricas desfavoráveis (calor e humidade) a perda hídrica pode chegar a um valor maximal que varia de 1,5 a 1,8 l/h, provocando muitas perturbações. A compensação destas perdas hídricas e em electrólitos, particularmente em cloreto de sódio, efectuam-se no fim do esforço, por bebidas ricas em sais minerais. Enfim, num plano psicológico, será um momento propício para analisar a sessão ou o resultado da competição.


Retorno à calma após o treino


1. Após uma sessão a 85% de FCM (Frequência Cardíaca Máxima)
Deverá correr dez a 12 minutos em ritmo lento na fase final. Por vezes poderá ensaiar algumas acelerações, corridas com algum "soupless" sem alcançar, no entanto, a velocidade máxima. Estas acelerações deverão ser feitas depois dos estiramentos que se seguem a corrida e aos exercícios de reforço muscular.
2. Após um treino muito longo
Deverá correr muito lentamente nos últimos cinco a dez minutos da sua sessão.
3. Após uma sessão de treino fraccionado
O retorno à calma é primordial quando se corre em VMA (Velocidade Máxima Aeróbica). Correr lentamente dez a 15 minutos sobre a relva é especialmente indicado para eliminar cansaço e ácido láctico. A recuperação será mais fácil. Depois, a assimilação da sessão será optimizada. Estiramentos e exercícios de reforço abdominal devem ser executados após esse "jogging".
Nalguns casos, sempre que a sessão não é muito difícil, os treinadores gostam de prolongar o retorno à calma com mais acelerações. Mas, atenção, não force demais.
Em conclusão, não procure "standardizar" o retorno à calma após o esforço. É necessário ser capaz de ajuizar o seu estado de saúde e de forma: uma dor no tendão ou outro qualquer sinal debilitante deverá condicioná-lo a executar o retorno à calma, especialmente a parte da corrida.
Fonte: http://www.atletismo.carlos-fonseca.com/