quinta-feira, 29 de abril de 2010

ATITUDE COMPETITIVA E DEFINIÇÃO DE OBJECTIVOS - PARTE 2/2


2.10.1. Orientação Cognitiva

A investigação mais recente no domínio da motivação tem recorrido a uma abordagem sócio-cognitiva para pesquisar as relações existentes entre os objectivos de realização e outras variáveis motivacionais.
Esta abordagem assume a existência de dois objectivos de realização ou orientações cognitivas principais: Ego (quando uma pessoa se orienta fundamentalmente para demonstrar mais rendimento do que os outros) e Tarefa (quando uma pessoa se orienta fundamentalmente para aprender ou para executar uma tarefa com mestria) (Fonseca & Balangué, 1996).
A compreensão dos motivos da motivação e objectivos de realização para a prática desportiva teve um grande avanço com o desenvolvimento do “Questionário de Orientação Desportiva – QOD”, mais conhecido por SOQ-“Sport Orientation Questionnaire” desenvolvido por Gill e Deete (1988). Posteriormente, Duda e colaboradores (1989,1992) desenvolveram um “Questionário de Orientação Motivacional para o Desporto – QOMD” (mais conhecido por TEOSQ-“Task and Ego Orientation in Sport Questionnaire”). Foi posteriormente adaptado à realidade portuguesa por Fonseca e Biddle (1996). Este instrumento de avaliação é um dos mais usados, pretende avaliar a orientação motivacional para a tarefa e para o ego em contextos desportivos, tendo por base o modelo teórico motivacional de Nicholls (1989).
Os indivíduos com melhores resultados na Orientação para a tarefa percepcionam o seu nível de sucesso desportivo em termos de quantidade de esforço que dispendem e em termos de melhoria das suas competências, capacidades e rendimento. Por outro lado, os indivíduos com melhores resultados na Orientação para o ego avaliam o seu sucesso recorrendo a padrões normativos. Ou seja, sentem-se bem sucedidos só quando são capazes de demonstrar a sua superioridade técnica ou física, jogando melhor que os seus colegas ou tendo melhores rendimentos que os outros, sem se esforçarem tanto como eles. Para estes, o que define o sucesso é o resultado e a vitória, independentemente da forma como jogaram (Cruz,1996).
Segundo Raposo (1992), quando a definição de objectivos se alicerça na elaboração de uma estratégia ou planos de prova designam-se de objectivos para a prestação, enquanto os que se limitam, a definir um resultado a ser obtido recebem a designação de objectivos para o resultado.
Raposo (2002), concluiu que quando os atletas se preocupam exclusivamente com objectivos de resultado tendem a, frequentemente, sentirem-se em dúvida e, consequentemente, as suas esperanças em obter o êxito que projectaram alcançar são minimizadas. Pelo contrário, os objectivos de prestação mantêm os atletas motivados por períodos mais longos de tempo, mesmo sem vivenciarem situações de sucesso. Para estes, o simples facto de serem capazes de suster longos períodos de adversidade é, por si só, motivo para se sentirem confiantes e motivados. Assim, nem todos os tipos de objectivos são igualmente eficazes para a obtenção da prestação máxima.
O autor sugere que se devem estabelecer objectivos específicos concretos em termos comportamentais, pois tendem a ser mais eficazes no processo de mudança de comportamento e atitudes.
Os objectivos deverão estar orientados para a prestação e não para o resultado, pois estes tendem a favorecer algumas desvantagens, principalmente pelo facto do controlo das variáveis que determinam as prestações não estarem sobre o controlo directo dos competidores. Quando se estabelecem metas para o resultado a preocupação central é conseguir uma determinada classificação e não, necessariamente, uma melhoria de tempos. Assim, os atletas orientados para o resultado sentem-se frustrados nas situações em que apesar de terem melhorado os seus tempos não conseguiram o lugar a que aspiravam.
Os atletas orientados para a prestação (tarefa) focam os seus objectivos na aprendizagem e no melhoramento, não tendo preocupações com a capacidade dos outros. A comparação da sua capacidade relativamente a outros não é um elemento motivante para estes atletas. Eles estão particularmente interessados em criar uma capacidade percebida através da aprendizagem e do desenvolvimento de competências, construindo, assim, elevados níveis de motivação intrínseca.
Estes atletas demonstram índices similares de motivação quer para treinar como para competir. Atribuem o sucesso primeiramente ao seu esforço.
Estes atletas tendem a seleccionar objectivos de desafio ou difíceis, mesmo correndo o risco de cometerem erros, isto porque o objectivo principal é aumentar a sua competência. Evidenciam níveis elevados de esforço com vista a maximizarem oportunidades de aprendizagem e, consequentemente, poderem melhorar a sua prestação. Estes atletas tendem a confrontar o fracasso construtivamente, focando os seus esforços na tarefa e desenvolvendo estratégias de resolução dos problemas mais eficazes, demonstrando assim uma grande persistência e motivação para continuarem a continuar a tentar ser bem sucedidos.
Os atletas orientados para a tarefa, tendem a obter resultados mais consistentes que os atletas orientados para o resultado, porque ao definirem objectivos de desafio, despendem o máximo de esforço consistentemente, usam estratégias de resolução de problemas mais eficazes, o que lhes permite atingirem níveis de prestação superiores aos outros.
Segundo Raposo (1992), quando a definição de objectivos se alicerça na elaboração de uma estratégia ou planos de prova designam-se de objectivos para a prestação, enquanto os que se limitam, a definir um resultado a ser obtido recebem a designação de objectivos para o resultado.
Raposo (2002), concluiu que quando os atletas se preocupam exclusivamente com objectivos de resultado tendem a, frequentemente, sentirem-se em dúvida e, consequentemente, as suas esperanças em obter o êxito que projectaram alcançar são minimizadas. Pelo contrário, os objectivos de prestação mantêm os atletas motivados por períodos mais longos de tempo, mesmo sem vivenciarem situações de sucesso. Para estes, o simples facto de serem capazes de suster longos períodos de adversidade é, por si só, motivo para se sentirem confiantes e motivados. Assim, nem todos os tipos de objectivos são igualmente eficazes para a obtenção da prestação máxima.
O autor sugere que se devem estabelecer objectivos específicos concretos em termos comportamentais, pois tendem a ser mais eficazes no processo de mudança de comportamento e atitudes. Os objectivos deverão estar orientados para a prestação e não para o resultado, pois estes tendem a favorecer algumas desvantagens, principalmente pelo facto do controlo das variáveis que determinam as prestações não estarem sobre o controlo directo dos competidores. Quando se estabelecem metas para o resultado a preocupação central é conseguir uma determinada classificação e não, necessariamente, uma melhoria de tempos. Assim, os atletas orientados para o resultado sentem-se frustrados nas situações em que apesar de terem melhorado os seus tempos não conseguiram o lugar a que aspiravam.
Nos resultados da sua investigação Raposo (2002), evidencia que os indivíduos orientados para a tarefa tendem a praticar as suas habilidades com maior frequência e regularidade do que os orientados para o ego. Por sua vez os segundos tendem a tendem a ter mais dúvidas sobre as suas habilidades e, consequentemente, vivem maiores índices de ansiedade do que os outros o que associado a uma baixa percepção de competência produz resultados negativos a nível motivacional.
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

domingo, 25 de abril de 2010

ATITUDE COMPETITIVA E DEFINIÇÃO DE OBJECTIVOS - PARTE 1/2

2.9. Atitude Competitiva

Segundo Raposo (1993), um dos temas que mais tem fascinado os estudiosos do comportamento humano, é o das atitudes expressas nos sentimentos e comportamentos dos indivíduos.
A atitude de um atleta antes da competição, em relação a ela, estará relacionada com o seu desempenho real. Estar mentalmente preparado para competir, sugere um nível de prontidão ou estado de activação desejável para a execução de habilidades (Singer, 1977). Para este autor, não existe qualquer dúvida acerca da importância das atitudes no desempenho. Uma atitude do tipo “eu não me importo” é reflectida por um nível inferior ou desempenho apenas adequado.
Ligado à atitude mental está o estado de alerta ou motivação, assim como o objectivo do atleta. Frequentemente os atletas relatam que se sentem nervosos imediatamente antes da competição, o que indica o significado da actividade para eles.
2.10. Definição de Objectivos
As teorias de definição de objectivos enquadram-se no conjunto das teorias da motivação que, por sua vez, ao longo do último século sofreram acentuadas alterações (Raposo, 2002).
Segundo este, definição de objectivos, como teoria, alicerça-se filosoficamente na corrente objectivista e de uma forma muito particular num dos seus princípios: as pessoas são seres racionais que sobrevivem através do uso das suas mentes, possuem vontade própria e que as suas acções são reguladas pelo pensamento e pelas ideias conscientes e/ou inconscientes.
A definição de objectivos é uma estratégia motivacional que promove a melhoria da prestação através do foco da atenção em determinados aspectos que promovem o aumento da intensidade e da persistência (Raposo, 1994).
Raposo (2002), afirma que a definição de objectivos é um dos métodos mais eficazes para a preparação mental dos atletas.
Segundo este, deve entender-se o conceito de objectivo como a manifestação do desejo que o indivíduo tem em conseguir um determinado produto (resultado) e que requer ultrapassar alguns obstáculos. No processo de definição do produto é essencial tomar em consideração que este é específico a níveis de performance necessários para os conseguir, nomeadamente o trabalho exigido.
Como processos mentais, os objectivos são compostos, pelo menos, por dois atributos: conteúdo e intensidade.
O primeiro refere-se ao objecto ou ao resultado que se pretende.
Os conteúdos referem-se a algo que existe no mundo exterior que varia em grau, qualidade e quantidade.
Os objectivos podem ser finais ou intermédios. Os finais visam a concretização ou não do objectivo a longo prazo, os intermédios visam a consecução de um objectivo no fim de, por exemplo, um mesociclo ( ).
È necessário ter em consideração a dificuldade de objectivos e da tarefa. A dificuldade dos objectivos tem por base a especificidade da proficiência requerida para executar uma tarefa para a qual existe um padrão de referência. Quanto à dificuldade da tarefa, esta prende-se exclusivamente com a natureza do trabalho exigido para a executar com sucesso (Raposo, 2002).
A teoria de definição de objectivos propõe que há uma relação linear entre o grau de dificuldade do objectivo e a prestação. Assim, objectivos difíceis conduzem a um maior esforço e persistência por parte do indivíduo, ao contrário dos que são percepcionados como mais fáceis. Mas isto apenas se verifica quando os indivíduos aceitarem as metas como objectivos pessoais (Raposo, 2002).
Os indivíduos com elevados níveis de realização ou rendimento, seleccionam tarefas e actividades desafiadoras, de dificuldade moderada ou elevada e têm melhores rendimentos quando são avaliados por outros. Por outro lado os indivíduos com baixos níveis de rendimento e realização evitam as tarefas e actividades desportivas, evitam arriscar e situações desafiadoras e têm menores rendimentos quando são sujeitos a avaliação.
A prestação está associada àquilo que os indivíduos se propõem realizar e ao grau de confiança que depositam em si mesmos. Ao aceitarem a definição de objectivos, os indivíduos assumem essas metas como os padrões com que vão definir o seu sucesso ou não (Raposo, 2002).
Segundo o autor, os que aceitam metas mais difíceis só se sentirão satisfeitos quando essas forem atingidas e não antes. A definição de objectivos deverá ser planeada pelo atleta e treinador, de modo a que o grau de dificuldade se mantenha nos parâmetros do que realmente o primeiro é capaz de realizar.
O propósito da definição de objectivos é fazer com que os atletas assumam um maior auto-controlo sobre as tarefas a serem realizadas. Este sentimento de auto-controlo é algo que advém graças aos ganhos secundários que resultam de uma maior focagem de atenção, aumento de intensidade e, consequentemente, esforço, maior capacidade para desenvolverem novas estratégias na redução de problemas, assim como aumentar a persistência do atleta, especialmente quando confrontado com situações de insucesso (Raposo, 2002).
No modelo de definição de objectivos proposto por Raposo (2002), os objectivos deverão ser formulados em termos positivos e nunca negativos. É melhor definir o que queremos melhorar do que aquilo que não queremos fazer.
Desta forma, a formulação cognitiva do atleta é consistentemente reforçada por indicadores de sucesso sem a interferência de aspectos negativos.
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

segunda-feira, 19 de abril de 2010

MOTIVAÇÃO

2.8. Motivação

Ao olharmos com mais pormenor para o mundo do desporto, muitas vezes interrogamo-nos como é que há um número tão grande de atletas que se sujeitam sistematicamente durante tanto tempo, a longas horas de treinos e estágios rigorosos, para mais tarde poderem participar nas competições respectivas (Nunes, 1995).
Qualquer comportamento humano que persiga a consecução de um objectivo pode entender-se como guiado por uma causa interna a que alguns baptizaram com o nome de “Motivação”, a qual se pode definir como um conjunto de factores dinâmicos que determinam a conduta de um indivíduo. Na origem das nossas condutas não está só uma causa mas também um conjunto variado de factores (conscientes e inconscientes, fisiológicos, intelectuais, afectivos, sociais e culturais) que estão em interacção recíproca (Canduela, 2001).
A actividade atlética, especialmente quando se desenvolve em níveis de actividade primária, exige empenho, disponibilidade e sacrifícios que exigem uma motivação específica e dominante. A motivação está relacionada com o desempenho, as metas pessoais reflectem a motivação na realização da tarefa (Singer, 1977).
As motivações são as causas que determinam o comportamento, são uma interacção dinâmica entre os estímulos derivados das necessidades subjectivas e das solicitações do meio ambiente, são sinónimo de energia vital que alimenta e motiva a actuação do se humano a todos os níveis (Antonneli, 1978). Segundo este autor, o comportamento resulta de vários vectores motivacionais. Alguns são simples (instintos, tendências, hábitos) e de natureza biológica; outros são mais complexos e flexíveis, de natureza psicológica. O estudo das motivações no desporto é um capítulo da maior importância no contexto da psicologia desportiva.
O estudo da motivação no desporto procura responder, na opinião de Halliwell (1981) citado por Cruz (1996), a várias questões que têm a ver com três dimensões do comportamento dos atletas:
a) direcção (“porque é que certos atletas escolhem certos desportos para participarem?”);
b) intensidade (“porque é que certos atletas se esforçam mais ou jogam com mais intensidade que outros?”);
c) persistência (“ porque é que certos atletas continuam a prática desportiva e outros a abandonam?”).
Deci e Ryan, (1985), citado por Rego, (s/d), consideram que um comportamento motivado se define pela propensão do indivíduo para sentir competente e autodeterminado, supondo que as necessidades particulares iniciam a conduta e, ao mesmo tempo, que as percepções de competência e livre escolha as regulam. Quanto mais os desportistas sentem que as suas actuações são governadas por livres escolhas ou fornecem um sentido de competência, mais eles manterão o envolvimento nessa actividade, aumentarão a amplitude dos seus esforços ou melhorarão a qualidade das suas performances.
É necessário entender um comportamento motivado do atleta como uma interacção contínua entre ele e a situação em que se encontra de forma a facilitar e melhorar a qualidade de intervenção (Rego, s/d).
Na perspectiva de Singer (1977), a motivação é a insistência em caminhar em direcção a um objectivo. Existem ocasiões onde o nosso incentivo principal pode ser o alcance de uma recompensa, tal como ter o nosso nome impresso, ganhar um trofeu ou elogio. Em outras ocasiões o incentivo pode tomar a forma de um impulso interno para o sucesso, para provar ou conseguir algo para se auto-realizar. Sem a presença da motivação, um desportista não praticará ou, então, o fará mal. Sem o treino, altos níveis de aprendizagens não serão alcançados.
Segundo Braunreiter (s/d), a vantagem do indivíduo se encontrar motivado, diz respeito ao facto de este possuir dentro de si um “fogo”. No caso do atleta, quando se sente sem energia, sem expectativas, com preguiça, sem vontade e, não se sente capaz, pode, caso se consiga motivar, libertar o “fogo” que existe dentro de si e realizar as tarefas que lhe são propostas. Assim é capaz de realizar acções com grande eficácia utilizando todas as suas capacidades das quais nem sequer teria conhecimento. É capaz de revelar um desempenho elevado alcançando com todas as suas capacidades objectivos anteriormente impensáveis. Assim, o indivíduo motivado, deve ser capaz de dar tudo por tudo e nunca se sentir derrotado, deve procurar usufruir de todas as suas capacidades para se destacar no mundo exterior e demonstrar o seu valor.
As motivações para Antonelli (1978), são as causas que determinam o comportamento. São sinónimos de energia vital. O complexo motivacional coincide com o conceito de actividade: a energia que alimenta e motiva a actuação humana a todos os níveis. O comportamento resulta de vários vectores motivacionais. Alguns são simples, de natureza biológica (instintos, tendências, hábitos), outros são mais complexos e flexíveis, de natureza psicológica.
Podemos encontrar múltiplos motivos que se interligam, por um lado são determinados pelos aspectos específicos da própria prática desportiva e por outro pelos aspectos que talvez ultrapassem o próprio desporto. O desporto oferece condições favoráveis de estimulação que levam a pessoa à sua prática desportiva (Nunes, 1995).
Vários são os motivos que desempenham alguma influência sobre os praticantes e, muitas vezes são formados pela contribuição de acontecimentos passados e próximos, actuando de variadíssima forma. Os motivos causadores da boa participação do atleta modificam-se dia a dia, ou de época para época. As razões pelas quais os atletas actuam no desporto são extremamente variáveis e difíceis de serem reduzidas a conceitos rígidos. Não só as razões de cada atleta para ingressar numa equipa, são diferentes, mas também os motivos que o fazem actuar durante toda a época (Cratty, 1983, citado por Nunes, 1995).
No entender de Lawther (1978), parece ter maior êxito o desportista que se esforça em obter o que para ele é um alto nível de resultado ou performance. Uma pessoa motivada para o êxito obtém um desempenho melhor que a motivada para evitar o fracasso. Esta dedicação é essencial para obter o máximo rendimento. É certo que a preparação para um alto nível de performance implica um trabalho intenso e o teste final pode incluir o autocontrole, pois apesar da enorme fadiga e do autocastigo, parece que o prazer da experiência nunca desaparece de todo. O próprio nível de aspiração que se relaciona com o rendimento que o atleta se propõe alcançar está determinado em grande parte pelas experiências passadas.
Segundo o mesmo autor, o homem necessita de provar a sua capacidade máxima e às vezes chegar até ao limite do esforço humano. O prazer intenso não reside somente no recorde obtido mas também no máximo esforço físico.
Intimamente relacionada com a motivação está a distinção entre duas importantes fontes de motivação: intrínsecas e extrínsecas. Com as recompensas extrínsecas, a motivação vem de outras pessoas ou factores externos, sob a forma de reforços positivos e negativos. Por outro lado, os indivíduos também podem participar e competir desportivamente por razões intrínsecas. É o caso das pessoas que são intrinsecamente motivadas para serem competentes e para aprenderem novas competências, que gostam de competição, acção ou excitação e que querem também divertir-se e aprender o máximo que for capaz (Cruz, 1996).
Segundo o mesmo autor, no domínio da psicologia, diversos estudos têm evidenciado o papel central que as percepções de competência e capacidade pessoal parecem desempenhar na motivação. Os indivíduos que se percepcionam como mais competentes num determinado contexto de realização, são mais motivados intrinsecamente para permanecerem envolvidos e dedicarem esforço à actividade em questão e, além disso experienciam reacções afectivas mais positivas comparativamente aos indivíduos com fracas com fracas percepções de competência e controle pessoal.
Para Singer (1977), a competição serve como uma excelente fonte de motivação no desporto. Estudos feitos demonstram a efectividade das situações competitivas em produzir melhor desempenho que quando um indivíduo executa sozinho. O conhecimento dos resultados ou feedback, fornecido pelo treinador ao desportista, referente à qualidade do seu desempenho é outra fonte de motivação.
Ainda segundo este autor, as metas pessoais reflectem motivação. O nível de objectivos do desportista é afectado pelos seus sucessos e fracassos anteriores tanto quanto pela sua capacidade de avaliar realisticamente a situação presente. Por outro lado, os objectivos razoavelmente difíceis mas possíveis de serem atingidos influenciarão o desempenho.
Na perspectiva de Raposo (1990), a razoável hipótese de sucesso é também uma componente importante no nível óptimo de motivação. A motivação é sempre um compromisso entre dois objectivos opostos. Por um lado deseja competir com um adversário o mais difícil possível no sentido de aumentar o desafio; por outro lado deseja uma competição o mais fácil possível no sentido de assegurar a manutenção de altos sentimentos de estima. O melhor compromisso entre estes dois objectivos é seleccionar um desafio moderadamente difícil, isto é, ao seu nível actual de capacidade (nível de skill) ou ligeiramente acima dele. Será desafiado porque sabe que tem de competir ao seu melhor para ganhar, mantendo, ainda assim, uma probabilidade razoavelmente alta de sucesso.
A investigação no âmbito da fixação de objectivos deu lugar durante a década de setenta a várias conclusões. O efeito positivo e benéfico que a fixação de objectivos exerce sobre a actuação, é um dos resultados mais discutidos nos textos psicológicos, e vem explicado por quatro mecanismos de motivação: dirigir a acção, mobilizar o esforço, persistir nele através do tempo e gerar motivação a fim de desenvolver estratégias relevantes e alternativas para alcançar os objectivos. Obviamente necessitamos de contar com a nossa capacidade para alcançar a consecução dos objectivos, pois um esforço exagerado nunca dará lugar a resultados desejados se o fim perseguido não é realista para nós (Harris & Harris, 1987). Convém não esquecer que os objectivos parecem motivar a actuação com maior êxito quando se estabelecem em acções ou termos específicos e quantitativos em vez de tentar render 100%, concentrar-se melhor ou ter mais confiança. Os objectivos devem sempre basear-se na nossa própria capacidade de actuação. Devem ser realisticamente prescritos para a equipa e para o desportista individualmente. Atingir metas de forma razoavelmente frequente leva a um grau maior de aspiração (Singer, 1977).
Segundo Raposo (1990), uma das mais importantes habilidades mentais ou psicológicas que um atleta pode desenvolver é a capacidade de definir objectivos de performance eficazes. Aliás, a eficácia dos objectivos na melhoria da performance é uma das conclusões mais sólidas da literatura de Psicologia.
Segundo Harris & Harris, (1987), a fixação de objectivos considera-se antes de mais como um mecanismo para a motivação, que se utiliza para determinar o sentido em que se fixa o propósito, o esforço e a persistência da acção para alcançar o fim proposto. Basicamente, vai criar um centro de atenção e acção, que proporciona um propósito aos nossos esforços. Objectivos diferentes, requerem um volume de esforço também diferente, determinado pelas necessidades percebidas para os atingir. Resumindo, a fixação de objectivos facilita a estrutura para a motivação, a qual supõe orientar o esforço ao longo de um período de tempo.
Embora a motivação tenha um papel fundamental no desempenho, não é correcto afirmar que quanto maior for a motivação do desportista, melhor será o seu desempenho. Segundo Singer (1977), quando estamos motivados, tendemos a lutar por um objectivo de forma mais activa. Esforçamo-nos para nos sair bem quando motivados. Mas aceitar que um nível mais alto de motivação é necessário para todos os tipos de tarefas, para todas as pessoas, é um raciocínio falso.
Segundo o mesmo autor, obviamente, o aumento da motivação eleva a atenção, concentração e tensão. Para certos atletas e para certas actividades, não só poderá a motivação excessiva não ajudar como poderá ser desastrosa. Esforçar-se em demasia, pode produzir um efeito adverso no desempenho de quem se sacrifica. Entretanto existem ocasiões nas quais os níveis mais altos de motivação são desejáveis para o melhor desempenho. Segundo Yerkes-Dodson, citado por Singer (1977), existe um nível ideal de motivação para cada tarefa e para cada executor.
Os indivíduos que se percepcionem como mais competentes num determinado contexto de realização, são mais motivados intrinsecamente para permanecerem envolvidos e dedicarem esforço à actividade em questão. Assim, as percepções de competência de cada um, baseadas em rendimentos bem sucedidos, desempenham um papel fundamental na motivação desportiva (Cruz, 1996).
Assim, existe um nível ideal de motivação que deve estar presente em qualquer actividade e este nível depende da natureza da actividade, tanto quanto do desportista (Singer, 1977).
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

quinta-feira, 15 de abril de 2010

VISUALIZAÇÃO - PARTE 2/2


2.7.1. Vantagens da visualização
A visualização é uma das ferramentas mais úteis tanto na psicologia desportiva como noutros campos da psicologia (Potesta, s/d). O autor enumera algumas das utilidades mais comuns na psicologia desportiva:

1- Prática de destrezas: podem-se corrigir erros técnicos de execução fazendo com que o desportista imagine a destreza correctamente (para o qual pode-se utilizar um vídeo do movimento correctamente executado). Quando se domina o movimento mentalmente a sua correcção na execução real é muito mais rápida.
2- Prática de estratégias: podem-se imaginar distintas situações desportivas imaginando as estratégias mais adequadas para as confrontar correctamente. Trata-se de antecipar situações que podem ocorrer na realidade.
3- Aprendizagem de destrezas ou estratégias novas: quando o treinador quer introduzir um gesto técnico desconhecido pelo desportista ou uma estratégia diferente das aplicadas anteriormente, facilita a sua aquisição quando se realiza primeiro a nível mental e depois a nível físico.
4- Solução de problemas: Podem-se antecipar e planear para a sua solução mental para que o desportista se habitue a resolver situações conflituosas. Desta forma, quando se confronta com estas situações na realidade, durante a competição por exemplo, o desportista vai encontrar-se na melhor das disposições para as enfrentar.
5- Aumento da percepção: pode-se treinar o desportista para que integre, em ensaios mentais, aspectos que em situações reais lhe passam despercebidos. Desta forma pode conseguir-se ampliar a capacidade perceptiva do desportista para aqueles aspectos que podem ser relevantes durante a competição.
6- Controle de respostas emocionais face a situações stressantes: Esta é uma das aplicações mais utilizadas da visualização. Pode conseguir-se que o desportista controle o seu grau de ansiedade antes de uma competição ou durante uma prova (quando se cometem erros, etc.).
7- Recuperação após uma lesão: pode utilizar-se para controlar o medo que toda a lesão produz antes da execução de determinados movimentos. Durante a convalescência do desportista lesionado é muito recomendável aplicar esta ferramenta para que o lesionado não se desligue totalmente do treino e os vá realizando mediante a visualização. Deste modo reduzem-se as perdas produzidas pela inactividade e reduz-se o tempo de reabilitação desportiva.

Existem dois grupos de teorias que explicam o funcionamento da visualização: umas centram-se na teoria psico-neuro-muscular e outras na teoria da aprendizagem simbólica.
A teoria psico-neuro-muscular diz-nos que quando imaginamos um movimento desencadeiam-se os mesmos mecanismos que quando realizamos o dito movimento, ou seja, activam-se os mesmos grupos neuronais e musculares. A diferença seria portanto da intensidade da activação. Existe uma ampla evidência experimental de que quando imaginamos o movimento, o electromiógrafo registra a actividade muscular dos membros implicados nesse movimento.
A teoria da aprendizagem simbólica sustém que durante a imaginação se compreendem melhor os padrões de um movimento, ficando codificado no sistema nervoso central. Assim, os movimentos tornam-se mais familiares e ficam mais facilitados na hora da sua execução real.
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

segunda-feira, 12 de abril de 2010

VISUALIZAÇÃO - PARTE 1/2


2.7. Visualização

Qualquer acção técnico táctica pode realizar-se porque temos representada na memória toda a informação a que ela se refere, de forma a que quando nos predispomos a realizar uma acção, procuramos na nossa memória o programa motor que nos permite executá-la junto com uma análise de situações anteriores em que as condições iniciais eram similares com a que nos encontramos().
A técnica de visualização não é mais que a capacidade que qualquer pessoa tem para manejar a informação que possui na memória, capacidade que se pode utilizar para melhorar o rendimento como consequência da melhoria da representação mental e na capacidade de controlar as suas imagens, imaginá-las com clareza e oferecer diferentes soluções em função de cada situação.
Para Potesta (s/d), uma forma de definir a visualização seria: “representação interna de origem multissensorial”. Representação interna quando se realiza mentalmente e de origem multissensorial, quando as dimensões que vão utilizar numa correcta visualização têm a sua origem nos sentidos. Assim, uma boa visualização deve agrupar todos os sentidos, para que seja o mais realista possível. Desta definição depreende-se que seria mais apropriado utilizar o termo “imaginação” em vez de “visualização”.
A imaginação implica recordar detalhes informativos guardados na memória e provenientes de todo o tipo de experiências. Recordar experiências através de vários órgãos dos sentidos permite ver, saborear, ouvir sons assim como perceber texturas, a velocidade e outros estímulos sensoriais cinestésicamente (Harris & Harris, 1987).
Gastant, (1954), citado por Sarmento, (1984), demonstrou que uma actividade motora acompanha a evocação de imagens mentais e, a capacidade de representar o gesto evolui ao longo do processo de aprendizagem.
À medida que desenvolvemos as técnicas da imaginação, a visualização e a capacidade de produzir uma repetição instantânea de algo que nos ocorreu, descobrimos que podemos visualizar na totalidade a situação. Devemos então repetir situações em que não actuamos com a perfeição desejada. Ao visualizá-las, vemo-nos e sentimo-nos a cumprir o nosso papel igual ou melhor do que fizemos anteriormente.
Utilizando a imaginação, podemos substituir todas as memórias com um marco de referência melhor, na preparação para a próxima vez em que nos encontremos na dita situação (Harris & Harris, 1987).
Torna-se assim importante, que todos os programas de preparação devam incorporar alguns princípios psicológicos com a mesma ênfase que presta aos princípios fisiológicos e biomecânicos. A aquisição de conhecimentos e aprendizagem de estratégias psicológicas são necessários no controle da própria actuação desportiva e torna-se importante quando se pretende um rendimento uniforme (Harris & Harris, 1987).
Segundo Silva (1970), O atleta não é só cérebro, nervos e motricidade; é principalmente sensibilidade e emoção; assim quanto maior for o controle emocional, mais perfeita será a coordenação da vida sensorial, neurológica e motora.
Uma boa preparação psicológica, evidentemente não garante o êxito, mas a eliminação de um dos muitos factores podem impedi-lo (Antonelli, 1978).
Para Williams (1991), O treino implica o uso de todos os sentidos para recriar ou criar uma experiência na mente. O treino em imaginação deve envolver todos os sentidos. Mesmo que o treino em imaginação esteja limitado à imaginação ou “ a ver com os olhos da mente”, a visão não é o único sentido significativo. No desporto todos os sentidos são importantes, pois usando todos os sentidos de forma apropriada pode ajudar o atleta a criar imagens mais reais. Quanto mais real seja a imagem, mais efectiva será (Williams, 1991).
A visualização mental é bastante mais do que “ver mentalmente” um objecto, acontecimento ou um movimento. Pretende-se que o atleta experimente mentalmente uma gama de sensações visuais, auditivas, olfactivas e quinestésicas associadas a uma coisa real ou imaginária. Na medida em que o sujeito aprenda a introduzir imagens positivas e agradáveis com clareza e controlo, para que os estados de tensão física e mental possam ser atenuados. Desta forma, a visualização mental pode ser utilizada para bloquear ou substituir parcialmente imagens de ansiedade, auto-sugestionar o indivíduo, ou executar mentalmente determinadas tarefas motoras (Viana, 1989).
Segundo Potesta (s/d), as qualidades que devem reunir as imagens mentais podem resumir-se em quatro pontos:
1- Devem ser multissensoriais: é conveniente que estejam presentes todos os sentidos só mesmo tempo quando realizamos um exercício de visualização.
2- Podem ser internas, externas ou mistas: esta qualidade refere-se ao ponto de vista que adopte o desportista quando realiza um exercício visualizado. Será interna quando se visualiza a si mesmo na primeira pessoa a executar o exercício em questão. Externa é quando o desportista é um espectador do exercício que se está a realizar mentalmente. Neste sentido cabe diferenciar quando um desportista imagina outro a realizar o dito exercício (imagem externa na segunda pessoa) ou quando o desportista se vê como espectador de si mesmo a realizar o exercício (imagem externa na primeira pessoa). A imagem mista produz-se quando se imagina uma acção em ocasiões como interna e em outras ocasiões como externa, ou seja, quando se realiza uma execução desportiva visualizando, pode haver ocasiões em que seja mais fácil para o desportista ver um determinado movimento como espectador para passar a imaginar o resto da execução como se o realiza-se directamente na primeira pessoa.
3- Clareza: refere-se à clareza da imaginação. As imagens e situações devem recrear-se o mais vivamente possível. Para isso, há que ir treinando separadamente sentido por sentido, para depois ir agrupando todos os sentidos até os reunir todos durante a visualização.
4- Controlo: refere-se ao grau de controlo que exerce o desportista sobre aquilo que imagina. Quem realiza a visualização deve controlar certos aspectos seguindo a sua vontade, por exemplo deve poder fazer com que apareçam determinadas pessoas, deve poder controlar os movimento do seu corpo, etc..
Mediante a imaginação somos capazes de recriar, tanto como de criar experiências nas nossas mentes. A imaginação visual baseia-se na memória e experienciamo-la internamente mediante a reconstrução de eventos externos na nossa mente. Similarmente, podemos utilizar a imaginação para criar eventos novos na nossa mente. Assim, o cérebro é capaz de construir uma imagem de tudo aquilo que a memória eleja (Williams, 1991).
Schutz, (1977) citado por Sarmento, (1984), chegou a algumas conclusões sobre a aplicabilidade da solicitação mental, nomeadamente ao nível:
- da melhoria das capacidades sensório-motoras;
- uma maior eficácia no treino mental do que no treino por observação;
- de uma eficácia similar ao treino físico, o qual, em condições concretas, é mais eficaz quando alternado com o treino mental;
- da idade e da experiência dos movimentos;
- da sua utilização quando em caso da lesão ou de uma situação emocional difícil;
- da sua utilização na preparação das competições.

Para Williams (1991), na definição de imaginação, menciona-se a importância das sensações e das emoções na prática da imaginação e como a podemos utilizar para recriar experiências desportivas passadas, tanto como para criar experiências futuras. A prática da imaginação capacita os atletas para programar a técnica apropriada alcançar óptimas destrezas psicológicas e corrigir problemas e erros em vez de esperar que as coisas se solucionem por arte de magia.
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

terça-feira, 6 de abril de 2010

A ATENÇÃO

2.6. Atenção
É o termo usado em psicologia para descrever o processo que utilizamos para perceber o mundo externo. A nossa atenção pode estender-se a vários estímulos, ou pode estar concentrada sobre um ponto particular (Harris & Harris, 1987).
No âmbito do desporto, um bom rendimento está frequentemente ligado à capacidade de concentração na execução de uma acção desportiva (Samulsky, 1992). Este autor define atenção como um estado selectivo intensivo e dirigido da percepção.
Antonneli (1978), define atenção como um componente necessário da memória, sem o qual a experiência vivida não poderia fixar-se nem conservar-se. A atenção, é a atitude que sustenta a intenção de aprender e recordar. É também o aspecto activo e selectivo da percepção, que consiste em preparar e orientar o indivíduo para a percepção de um estímulo particular.
Niddefer (1976) citado por Canduela (2001), distingue duas dimensões principais da atenção:
a) Amplitude: refere-se à quantidade de informação específica a que uma pessoa atende num dado período de tempo, que pode ser focalizada para um estímulo em concreto ou ampliada a diversas situações em simultâneo.
b) Direcção: para onde o desportista dirige a atenção: a elementos externos ou internos a si mesmo.
A concentração é a capacidade psíquica através da qual o sujeito controla os seus processos de pensamento e de focalização (Canduela, 2001).
Para Potesta (s/d), a concentração é a capacidade de realizar uma tarefa mantendo toda a atenção centrada nela, ignorando os estímulos alheios à mesma.
Segundo Williams (1991), a maioria dos desportistas de êxito desenvolveram as suas próprias estratégias mentais de concentração como uma componente natural da capacidade desportiva. De facto não são inatas. Há destrezas que os desportistas adquirem mediante a prática regular do treino do controlo atencional, da mesma forma que aprendem qualquer outra destreza física difícil.
As exigências do desporto ou as exigências específicas de uma posição dada, alteram a dimensão da nossa concentração. Alguns atletas demonstram dificuldade em prestar atenção sobre o ponto em que se encontram os seus adversários ou os seus companheiros de equipa. Estes atletas não prestam a devida atenção ao jogo (Harris & Harris, 1987).
Segundo Williams (1991), auto-informação pode ajudar os atletas a controlar a sua atenção. É com facilidade que o atleta se pode distrair no decurso da prática e da competição. O controlo atencional é particularmente importante para ajudar os atletas a permanecer no presente. Apesar de tudo, o único ponto importante é o que está a ocorrer, o futuro não se pode controlar e os atletas não se devem permitir divagar no passado.
As diferentes situações desportivas requerem diferentes focos de atenção pelo desportista. Um dos maiores problemas no desporto seja com carácter competitivo ou de distracção, é a falta de concentração. A concentração, ou o prestar atenção ao que estamos a fazer e ao que está a acontecer, supõe uma técnica que se pode aprender e praticar com regularidade para manter um determinado nível de eficiência (Harris & Harris, 1987).
A capacidade para controlar os processos de pensamento para se concentrar numa tarefa, é sem dúvida a chave mais importante para uma actuação eficaz no desporto. O controlo mental é portanto um factor decisivo na competição seja em desportos individuais ou colectivos (Williams, 1991).
Concentração quer dizer focalização e, não forçar a atenção que se está a prestar a uma tarefa. A concentração é uma destreza aprendida de reagir passivamente e de não se distrair perante estímulos irrelevantes. Pode aprender-se a diminuir a atenção face a estímulos irrelevantes e a aumentá-la face a estímulos relevantes. Os desportistas necessitam treinar a concentração para não reagir a estímulos irrelevantes (Williams, 1991).
Segundo este autor, existem diferenças individuais no que respeita às capacidades atencionais. Algumas das diferenças são aprendidas, outras são biológicas e outras genéticas. Desta forma, diferentes desportistas, apresentam diferentes potencialidades e debilidades atencionais.
Quase todos os acontecimentos externos desencadeiam e uma mudança cognitiva e emocional no desportista. A capacidade para não se deixar distrair com estes factores, alcança-se quando os desportistas aprendem a controlar os seus sentimentos e a focalizar a sua atenção de maneira apropriada. Os profissionais de elite, tendem a não se distrair com factores externos. Segundo Potesta (s/d) os estímulos distractores podem ser de dois tipos, externos (que provém do envolvimento) ou internos (determinados pensamentos ou sensações físicas).
Para realizar uma execução desportiva de maneira óptima é importante que o desportista se centre unicamente naqueles estímulos que sejam relevantes para a tarefa e ignore todo o resto. Mas, esse “ignorar” deve ser uma qualidade automatizada, ou seja, o facto de perceber os distractores e tentar activamente centrar-se numa tarefa é um distractor em si mesmo. O treino da concentração tem como objectivo que o desportista se centre de forma automática nos estímulos relevantes e ignore os irrelevantes.
Quando um atleta comete um erro, ou chega a estar consciente da tensão e de focos de distracção atencionais, que provavelmente estão a interferir na sua actuação, deve adoptar uma estratégia de prevenção para reconhecer e reduzir a tensão física, através da melhoria da concentração (Williams, 1991).
Fonte: MARTINS, Celina (2002) Perfil Psicológico de Prestação e Orientação Cognitiva em Atletas com Deficiência Intelectual Ligeira FCDEF-UP

quinta-feira, 1 de abril de 2010

RESULTADO DA NOSSA SONDAGEM

O blogue THP agradece a todos os leitores que participaram na sondagem que levamos a efeito no mês passado. Obrigado a todos.
Estes resultados são sempre mais uma motivação para continuarmos este árduo trabalho. Como desta vez o blogue THP utilizou um identificador de IP ficamos com o registo das zonas geográficas de onde provenieram os votos desta sondagem e assim podemos dizer que tivemos participações de algumas partes do mundo como Suíça, França, Brasil, Angola, Argentina, Alemanha e Itália, bem como de várias zonas de Portugal.
Mais uma vez obrigado a todos.
Voltamos a informar que por motivos profissionais, durante o período da Páscoa ser-nos-á difícil manter as duas publicações semanais no blogue tal como até agora, mas assim que possível o blogue THP retomará a sua actividade normal.
Atenciosamente