quarta-feira, 30 de junho de 2010

A PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA DE UMA EQUIPA DE HÓQUEI EM PATINS FEMININA


Brevemente iremos disponibilizar a todos os nossos leitores a totalidade do presente trabalho. Para já, ficam aqui algumas das conclusões do trabalho de Hélder Antunes, "A Preparação Psicológica de uma Equipa de Hóquei em Patins Feminino", Junho de 2010. Este trabalho será apresentado no próximo IVº Congresso Internacional Mujer e Hockey, nos dias 2 e 3 de Julho de 2010 em Gijón, Espanha.
(...)
- As reuniões de grupo são do agrado das jogadoras de hóquei em patins feminino, desde que as mesmas não sejam exaustivas e sejam objectivas. Isto aumenta a motivação das jogadoras para a competição.
- As reuniões semanais antes do primeiro treino, onde o objectivo principal é analisar o próximo adversário estimulam a autoconfiança das jogadoras e ajuda as mesmas a centrarem a sua atenção na tarefa que terão de realizar.
- Realizar observação da equipa adversária em suporte vídeo, não deve ter uma duração superior a 8 minutos. Se a informação for compactada para o essencial, aumenta a atenção das jogadoras.
- Realizar observação da equipa adversária em suporte papel deve conter uma informação curta e objectiva (pontos fortes e pontos vulneráveis do adversário). Pois aumenta a atenção das jogadoras e estimula positivamente a sua autoconfiança.
- Transmitir pensamentos positivos à equipa, independentemente do resultado obtido no jogo anterior, aumenta a motivação das jogadoras para o próximo jogo. Estes pensamentos positivos devem ser simultaneamente reais e contextualizados.
- As jogadoras não devem ser repreendidas ou chamadas “à atenção” na presença da sua equipa, mesmo que exista razão ou razões para tal. Esse tipo de situação diminui drasticamente a motivação da jogadora e consequentemente baixa os índices de autoconfiança da própria. Sempre que uma jogadora tiver de ser repreendida pelo treinador, deverá ser à parte da restante equipa.
(...)
- No decorrer de um treino que antecede um jogo importante, conversar de forma motivadora com uma jogadora que possa ser a jogadora com o papel mais importante na estratégia da equipa, motiva a jogadora e estimula a sua autoconfiança.
- As jogadoras de hóquei em patins feminino gostam que o treinador as escute, bem como dissipe algumas dúvidas referentes à equipa adversária ou à sua própria equipa. As jogadoras sentir-se-ão mais motivadas.
- O treinador pode criar situações ao longo da semana de treinos que antecede um jogo importante de modo a levar as atletas a acreditar que são capazes de superar as suas próprias capacidades.
- As três variáveis que mais contribuíram para o sucesso desportivo das jogadoras de hóquei em patins feminino foram a autoconfiança, a motivação e os pensamentos positivos.
Fonte: Hélder Antunes, "A Preparação Psicológica de uma Equipa de Hóquei em Patins Feminino", 2010.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

TREINADORES DE HÓQUEI EM PATINS - OPINIÃO PESSOAL DE HÉLDER ANTUNES

Muitas vezes ouvimos dizer que o hóquei em patins actual perdeu espectacularidade e que já não é o que era. Isso poderá ser verdade, dependendo do significado atribuído a espectacularidade.
Uns responsabilizam as regras, outros responsabilizam os dirigentes, outros responsabilizam a ausência dos órgãos de comunicação, outros responsabilizam os próprios treinadores e outros responsabilizam os jogadores. Penso é que todos “sacodem” responsabilidades e ninguém as assume.
Há que termos coragem de assumirmos responsabilidades, pois penso que todos somos responsáveis, embora uns mais do que outros.
No que diz respeito à”classe” dos treinadores penso claramente que nós treinadores temos a nossa quota-parte de responsabilidade neste âmbito.
Muitos treinadores, tal como eu, foram ou são jogadores da modalidade e nós que passamos pelos ringues, sabemos perfeitamente que o hóquei em patins há 15 anos atrás era diferente do actual em termos de espectacularidade, divulgação e afluência de público.
Se por um lado, nós treinadores somos responsáveis por hoje em dia apostarmos mais na nossa formação enquanto treinadores, no melhoramento táctico do jogo de hóquei em patins, na aplicação de conhecimentos científicos de várias vertentes na modalidade, também somos responsáveis pela diminuição do aparecimento de jogadores tecnicistas, pelo aumento de prendermos cada vez mais os jogadores a sistemas tácticos e a jogadas de “régua e esquadro” e ainda pelo endurecimento do jogo a nível físico.
Penso que nós treinadores trabalhamos muito melhor que à uns anos atrás, só que talvez estejamos a dar demasiada importância ao nível do treino aquilo que não devíamos dar.
Se prendermos as nossas equipas e os nossos atletas a sistemas rígidos tácticos, quer ofensivos, quer defensivos, estamos a esquecer de “dar liberdade” a alguns dos nossos jogadores que até podiam ser evoluídos tecnicamente e trazer mais espectáculo ao jogo.
O Hóquei em Patins também precisa de jogadores que peguem na bola e façam jogadas individuais e quiçá de baliza à baliza. Estas situações podem e devem ser treinadas também e são elas que fazem muitas vezes os pavilhões encherem e a modalidade ser divulgada.
Lembram-se certamente que há uns anos atrás as pessoas iam ver jogos de hóquei em patins, não somente para ver e torcer por uma equipa, mas sim para ver aquele jogador que fintava dois ou três, ou aquele jogador que levava a bola de baliza a baliza e fazia golo.
Hoje em dia, nós treinadores “prendemos” de tal forma os jogadores e queremos que a bola passe por todos e que tudo seja “matemático” e porventura estamos a contribuir para que o jogo em si perca espectacularidade.
É óbvio que a modalidade evoluiu a vários níveis e ainda bem, mas estamos a esquecermo-nos de alguma coisa.
Penso que devemos contribuir para a imprevisibilidade do hóquei em patins actual. Penso que isso está a fazer muita falta à modalidade.
Hoje em dia, todas as equipas conhecem bem todas as equipas e os jogadores, porque nós contribuímos para que a modalidade ficasse mais uma modalidade de rotinas em vez de ser uma modalidade de imprevisibilidade.
Os métodos de trabalharam evoluíram, as condições também, a formação dos treinadores é melhor que aquilo que era, logo deveríamos ter mais jogadores mais evoluídos tecnicamente e mais imprevisibilidade no jogo e não é isso que acontece na minha opinião.
Ninguém gosta de perder é certo, mas se contribuirmos para um Hóquei em Patins com menos rigidez táctica e com mais “abertura” e aposta na potencialização de alguns jogadores tecnicistas, porventura teremos jogos mais espectaculares e mais pessoas nos pavilhões e quiçá até mesmo mais interesse por parte das televisões e outros órgãos da comunicação social.
Temos de ter a humildade suficiente para reconhecer isso e a cada problema ver uma solução e não a cada solução ver um problema.
Outra coisa que nós treinadores não devemos ter medo é de “dizer e mostrar aquilo que sabemos”. Somos treinadores que sabemos tudo e todos nós temos a “varinha mágica” para todas as soluções, mas o certo é que quando nos encontramos em cursos, colóquios, simpósios e afins, nós treinadores portugueses, ou nem lá aparecemos porque já sabemos tudo ou não partilhamos tudo o que deveríamos partilhar com medo que os outros fiquem a saber tanto quanto nós.
Não podemos “viver” com esta mentalidade na nossa modalidade. Temos de ter mais abertura e perceber de uma vez por todas que se todos partilharmos, todos ficamos a ganhar e acima de tudo, ganha a modalidade.
Não podemos também ter medo de procurar e criar condições para que a bibliografia no hóquei em patins seja mais rica e vasta. Neste momento a modalidade carece de referências bibliográficas e ao contrário do que muitos pensam, se aumentarmos as referências bibliográficas na modalidade, estaremos a contribuir para a evolução da modalidade.
Outra temática onde nós treinadores não temos estado ao melhor nível na minha opinião, é ao nível da comunicação social. Nós temos de ter a consciência plena que podemos contribuir para a divulgação da modalidade através da comunicação social. Não podemos desperdiçar nenhuma oportunidade de falar ou escrever para os meios de comunicação social que ainda vão dando algum relevo à modalidade e por vezes de forma voluntária.
Não podemos falar à comunicação social somente quando vencemos, penso que temos de falar em todas as situações sejam elas favoráveis ou não. Lá por perdermos um jogo, não podemos virar costas à comunicação social e dizer que não falamos. Quem perde é a modalidade.
Cabe a nós aproveitar todas as oportunidades que nos são dadas a este nível e quantas mais vezes falarmos de hóquei em patins, melhor para todos.
Se somos convidados por rádios, blogues, sites e afins, devemos fazer o máximo de esforço para corresponder. Não tenhamos medo de colaborar.
Outro ponto onde penso que também estamos a “errar” é que nós treinadores após uns curtos anos de experiência ficamos com “receio” de treinar a formação, parece que temos vergonha de treinar os mais novos e deixamos muitas vezes a formação dos clubes entregue a qualquer um.
Curiosamente, aqueles que se colocam no patamar que não querem treinar a formação, porque já sabem muito e não é preciso transmitir isso aos mais novos, são aqueles mesmos treinadores que primeiramente se queixam que os jovens hoquistas chegam a juniores e a seniores com lacunas técnicas, com lacunas ao nível da patinagem, etc. Penso que esta correlação é um pouco estranha, uma vez que somos os primeiros a dizer não à formação e depois somos também os primeiros a dizer que os jovens hoquistas não são bem formados.
Penso que a nossa modalidade “é um ciclo um pouco fechado” e nós treinadores estamos também a contribuir para que esse ciclo se torne cada vez mais fechado…
Cabe a cada treinador reflectir sobre o que atrás mencionei. Esta apenas é a minha opinião e vale o que vale.
Opinião Pessoal de Hélder Antunes

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A OPINIÃO DOS NOSSOS LEITORES EM RELAÇÃO AO DESAFIO QUE LANÇAMOS


Desafiamos os nossos leitores a manifestarem a sua opinião.
O blogue THP lança 2 questões para esta semana e à medida que os nossos leitores se forem pronunciando, as suas opiniões serão publicadas no blogue THP.
Para participar basta apenas nos enviar a sua opinião para o nosso e-mail treinadoreshp@gmail.com ou deixar-nos um comentário.
Lembramos apenas que os e-mail's e/ou comentários devem estar identificados como o primeiro e último nome, localidade e país.
As duas questões que lançamos esta semana são:
1 - O que trouxeram de novo à modalidade as novas regras do hóquei em patins?
2 - Qual o perfil ideal de um jogador de Hóquei em Patins actualmente?
O blogue THP conta com a participação dos seus leitores...
PARTICIPE
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José Freire – Treinador nível 2
Vila Nova de Gaia – Portugal
O que trouxeram de novo à modalidade as novas regras de Hóquei em Patins?
Na minha opinião acho que os jogos estão a ser disputados com menos “violência”- virilidade, mas de certa forma acho que as novas regras acabaram por condicionar e muito o espectáculo, nomeadamente quando falamos das faltas e dos critérios de avaliação das mesmas.
Segundo as estatísticas marcaram-se mais golos esta época do que na anterior e isso é bom para o espectáculo, em contra-partida as equipas estão a ser penalizadas pelas arbitragens, não me refiro aos jogos da primeira divisão, mas na 2ª e 3ª divisões e escalões jovens tenho assitido a autênticas aberrações nas arbitragens fruto da promoção de árbitros a escalões superiores prematuramente e á formação de novos árbitros.
Em resumo acho que as novas regras acabaram por não trazer ao hóquei em patins aquilo que supostamente seria esperado por parte de quem as idealizou e também não entendo por que razão os “iluminados”portugueses que fizeram as novas regras se foram basear noutras modalidades quando a dinâmica do jogo de Hóquei em Patins é completamente diferente do Futsal, Andebol ou Basquet-ball.
O jogo na nossa modalidade tem contacto físico, velocidade e muita rapidez de execução o que forçosamente provoca as faltas de equipa e consequentes cartões azuis com expulsão temporária do jogo e a marcação de livres directos, acho que nesta parte as novas regras não vieram beneficiar o jogo.De uma forma geral acho que as novas regras só vieram cortar a virilidade do jogos, o resto continua na mesma mas com mais poder de interferência no jogo por parte dos senhores do apito.
Qual o perfil ideal de um jogador de Hóquei em Patins actualmente?
Quando definimos o perfil de um Hoquista pretendemos que o atleta possua as seguintes qualidades:
- Físicas (resistência física, força,velocidade);
- Psicológicas (psicologicamente forte, não se deixar impressionar pelos factores internos e externos);
- Técnico-tácticas (domínio exemplar da técnica e elevada cultura táctica);
- Deve prever e antecipar acções (experiência);
- Deve ver e entender o jogo (conhecimento);
- Deve alterar comportamentos a atitudes previstas ou iniciadas, adequando-as às respostas do adversário ou condições do jogo. (reportório rico, contextualizado – alternativa de escolhas);
- Deve dominar os príncipios do jogo (generoso no repartir das decisões e ter sentido colectivo);
- Deve ser um atleta disciplinado ( saber reagir em conformidade com as situações de jogo e de treino sem nunca perder o “norte” e manter uma personalidade forte).

terça-feira, 15 de junho de 2010

OBJECTIVOS E RENDIMENTO DESPORTIVO EM SENIORES


CONCLUSÕES
Um primeiro tipo de dados a analisar prendese com a observação do rendimento individual dos atletas em competição, ou seja, com a obtenção dos objectivos que cada um teve ao longo dos dois programas.
Tanto na época 2000/01 como na de 2001/02 o número de objectivos individuais atingidos subiu bastante da base-line para o final das 1.ª e 2.ª fases e os dados finais relativos aos guarda-redes também apontam no mesmo sentido.
Esta expressiva melhoria no total de objectivos alcançados, principalmente na 2.ª fase, deveu-se, em nossa opinião, à conjugação de dois factores.
Em primeiro lugar, promoveu-se um maior envolvimento dos atletas no processo de F.O. no final da 1.ª fase, estimulando-os a avaliar o seu rendimento individual até essa fase do campeonato e, com a experiência já adquirida no processo de F.O., eles puderam ajustar melhor os valores a obter às suas capacidades individuais e aos níveis de rendimento considerados realistas pela equipa técnica. De algum modo, estes dados confirmam a importância do maior envolvimento dos atletas no processo de F.O., ao ponto deste factor ser considerado uma das variáveis moderadoras mais importantes na relação entre o processo de F.O. e a melhoria da performance desportiva (ver Burton, 1993; Locke & Latham, 1990; Roberts, 1992; Weinberg, Butt, Knight, & Perritt, 2001).
Em segundo lugar, nas duas épocas competitivas ambas as equipas não conseguiram lugar nos play-off finais para apurar o campeão nacional devido à pontuação obtida, o que significa que na 2.ª fase disputaram jogos com equipas mais “acessíveis” e, portanto, mais próximas do nível de rendimento das equipas em que se aplicaram os P.F.O.. De facto, esta descida no grau de dificuldade dos objectivos aponta no sentido da melhoria no número de objectivos atingidos, indo assim de encontro a dados de outros estudos (ver Burton, 1989, 1993; Weinberg et al., 2000).
Um segundo nível de análise prende-se com o rendimento colectivo das duas equipas, ou seja, com os objectivos de grupo. Aqui os dados não são tão equivalentes aos anteriores, pois se na época 2000/01 a equipa (jogadores de campo) passou de 47% de objectivos globais alcançados no final da 1.ª fase e 82% no final da 2.ª fase, já na época seguinte os valores mantiveram-se exactamente iguais nas duas fases (47%). Embora tenhamos assistido a uma maior subida nos objectivos atingidos na época 2000/01, os resultados finais em termos classificativos foram completamente distintos.
Com efeito, na época 2000/01 a equipa infelizmente desceu de divisão, enquanto que na época seguinte a equipa conseguiu o seu objectivo de manutenção. A razão para esta situação pode ser encontrada em dois factores relacionados entre si.
Desde logo, o facto da classificação obtida por ambas as equipas no final da 1.ª fase do campeonato ter sido diferente, uma vez que na época 2000/01 a equipa começou a fase final em último lugar e com menos pontos, enquanto que na época seguinte (2001/02) a equipa partiu para esta fase em igualdade pontual com o primeiro classificado e com mais um ponto do que as outras duas equipas.
Paralelamente, convém referir a diferença de rendimento dos guarda-redes nas duas épocas. Assim, se na época 2000/01 os objectivos alcançados por estes atletas rondou os 10% no final da 1.ª fase, na época seguinte estes valores ultrapassaram os 36%, o que permitiu obter maior pontuação para a fase final da competição.
Em síntese, em termos dos objectivos individuais foi possível verificar uma progressiva melhoria do rendimento dos atletas da base-line para o final das fases iniciais e finais dos campeonatos (a percentagem de objectivos atingidos no final das duas fases dos campeonatos quase duplicou entre cada uma delas) e ao nível do rendimento colectivo também existiram melhorias nos rendimentos médios das equipas nos vários parâmetros de jogo (total de objectivos alcançados no final das duas fases dos campeonatos variou entre os 47% e os 82% de melhorias nos objectivos globais).
Estes dados acabam por demonstrar a eficácia da aplicação de P.F.O. na melhoria do rendimento individual e colectivo das equipas, ajustando-se estes resultados aos de outros estudos sobre a aplicação da F.O. em contextos desportivos (Costa, 1996, 1997; Costa & Cruz, 1997, 1998; Kingston & Hardy, 1997; Kyllo & Landers, 1995; Porém, Almeida & Cruz, 2001; Swain & Jones, 1995). No que diz respeito às avaliações dos atletas acerca dos P.F.O. foi possível verificar uma grande adesão às diferentes actividades que visavam implementar o sistema de F.O..
De facto, valores entre os seis e os sete pontos para as fichas de objectivos e para a apresentação de rankings e valores entre sete e oito pontos para as reuniões com treinadores e psicólogo para discutir o rendimento dos atletas e definir novos padrões de desempenho deixam transparecer a vontade dos atletas em poderem participar na construção do seu próprio percurso desportivo.
É neste sentido que fica claramente reforçada a necessidade e utilidade da implementação de P.F.O. junto de equipas e atletas de alto rendimento, constituindo mais uma técnica para promover o “máximo rendimento sob máxima pressão”, aceitando-se a ideia de que a eficácia não “nasce”, conquista-se, construindo…
Finalmente, e considerando o facto deste estudo ter tido apenas como preocupação a análise da importância dos programas de formulação de objectivos relativamente ao rendimento desportivo dos atletas e equipas, tal não invalida a necessidade de futuros trabalhos procurarem integrar outras variáveis que poderão constituir-se como moderadoras desta relação, tais como, a ansiedade, a percepção de competência, a auto-confiança a própria coesão existente entre os atletas e os estilos de liderança do treinador.
Este procedimento acabará por aumentar a compreensão dos factores que contribuem para os melhores níveis de rendimento em alta competição.
Descarregue AQUI todo o documento.
Fonte: Rui Gomes, Paulo Sá e Sara Sousa. "Os efeitos da formulação de objectivos
sobre o rendimento desportivo de duas equipas de andebol sénior". Análise Psicológica, 2004.
Trabalho gentilmente enviado por Andreia Barata (Jogadora de Hóquei em Patins "Os Lobinhos" e estudante Ensino Superior)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

4 Exercícios de Iniciação à Patinagem Escolar - Outubro

EXERCÍCIO N.º 5 - OUTUBRO
EXERCÍCIO N.º 6 - OUTUBRO

EXERCÍCIO N.º 7 - OUTUBRO

EXERCÍCIO N.º 8 - OUTUBRO

Estes e muitos outros exercícios mais no livro "La iniciación del patinaje escolar" de Antonio Sariol Vila e Silvia Nohales Becerra. Para adquirir o livro veja como na coluna do lado direito do nosso blogue
Fonte: VILA, Antonio Sariol e BECERRA, Silvia Nohales, "La iniciación del patinaje escolar", 2009

terça-feira, 8 de junho de 2010

4 Exercícios de Iniciação à Patinagem Escolar - Setembro

EXERCÍCIO N.º 1 - SETEMBRO
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EXERCÍCIO N.º 2 - SETEMBRO

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EXERCÍCIO N.º 3 - SETEMBRO

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EXERCÍCIO N.º 4 - SETEMBRO



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Estes e muitos outros exercícios mais no livro "La iniciación del patinaje escolar" de Antonio Sariol Vila e Silvia Nohales Becerra. Para adquirir o livro veja como na coluna do lado direito do nosso blogue

Fonte: VILA, Antonio Sariol e BECERRA, Silvia Nohales, "La iniciación del patinaje escolar", 2009

quinta-feira, 3 de junho de 2010

TREINO DESPORTIVO

"Todos os grandes teóricos do treino de D.HARRE a L.P.MATVEIEV, consideram o treino um processo pedagógico complexo.
O treino é constituído por numerosos elementos em interacção dinâmica e organizados em função de um objectivo..."
(CARVALHO‐1984).
"O treino desportivo constitui na sua forma típica e efectiva um processo pedagógico organizado, dado que possui todas as características inerentes ao processo de formação e educação (o papel condutor dos pedagogos e treinadores exteriorizado na orientação do treino ou na orientação geral da actividade do desportista, a organização do treino em concordância com os princípios pedagógicos, gerais e especiais, etc.)" (L.P.MATVEYEV‐1981).
"Podemos então definir TREINO DESPORTIVO como um processo pedagógico complexo conduzido sistematicamente que, servindo‐se de diversos conteúdos (exercícios), executados de acordo com os princípios gerais pedagógicos e os principais métodos de treino, utilizando determinados métodos e vários meios, visa alcançar objectivos previamente fixados." (CARVALHO‐1984).
Consideram‐se dois tipos de TEORIA DO TREINO:
- Teoria Geral do Treino
- Teoria Especial do Treino
Enquanto a primeira desenvolve e aprofunda os conhecimentos que dizem respeito a todas ou à generalidade das modalidades desportivas a segunda trata das questões específicas de cada modalidade, pelo que à partida poderemos considerar tantas teorias especiais quanto modalidades desportivas.
Segundo BAUERSFELD / SCHROTER (1979) ‐citados por CARVALHO, 1984 ‐ a TEORIA DO TREINO "postula e define as normas e a metodologia da formação desportiva sistemática e da condução pedagógica do processo de treino".
Para isso a Teoria do Treino serve‐se do conhecimento integrado de outras ciências ‐Biomecânica, Fisiologia Desportiva, Pedagogia Desportiva, Bioquímica, Biologia Desportiva, Sociologia Desportiva, etc. – e ainda, de conhecimentos transmitidos pelos treinadores de atletas de classe mundial, o que faz com que a Teoria do Treino seja uma "CIÊNCIA DE INTEGRAÇÃO".
Para conduzir o mais correctamente possível o processo de treino desportivo, o treinador deve conhecer os princípios e normas que o regem.
Vejamos como esta dialéctica se processa:
Para se situar, o treinador deverá elaborar um diagnóstico da situação, que deverá ser o mais pormenorizado e exaustivo possível acerca das capacidades e características dos indivíduos, bem como, situar-se a um nível macro do ponto de vista institucional, sociológico, material, etc. Após este
primeiro passo o treinador está em condições de definir os objectivos do treino, isto é, fazer uma prognose do que quer alcançar definindo metas. Os OBJECTIVOS DO TREINO representam assim aquilo que desejamos atingir através dele.Podemos considerá‐los a vários níveis de abstracção, desde os objectivos gerais que traduzem um elevado índice de subjectividade, até aos objectivos operacionais, estes mais concisos e exactos.
Neste momento em que o treinador já sabe o que deseja, é chegada a altura de organizar um conjunto de estratégias. O PLANEAMENTO DE TREINO indica o caminho a seguir para se alcançar os objectivos previamente definidos. Tal como sucedia com os objectivos, também os planos de treino apresentam vários níveis de abstracção. Assim os planos plurianuais (perspectiva a vários anos) tem um elevado grau de abstracção, enquanto os planos operacionais (microciclos e unidades de treino) devem apresentar exactamente todas as acções a desenvolver durante o treino.
Os CONTEÚDOS DE TREINO são todas as actividades (exercícios principalmente) que se executam durante o treino com o intuito de se alcançarem os objectivos anteriormente fixados.
Existem como é óbvio, um elevado número de conteúdos mas o treinador só deverá escolher aqueles que apresentam um elevado grau de pertinência (mais eficazes e eficientes), isto é, os que servirem melhor os objectivos. Classificam‐se geralmente em exercícios gerais, especiais e competitivos e são utilizados para treinar a vários níveis:
‐Condição Física ou capacidades motoras condicionais
‐Técnica ou capacidades motoras coordenativas
‐Táctica ou capacidades cognitivas tácticas
‐Capacidades cognitivas psíquicas

(GROSSER‐1981)
Como é evidente não chega escolher criteriosamente os conteúdos de treino.O treinador terá igualmente que organizar esses conteúdos de treino, escolhendo cuidadosamente os métodos que utilizará para a sua execução, tendo sempre presente os objectivos que pretende atingir. "MÉTODOS DE TREINO são arranjos sistemáticos de conteúdos de treino que tendo em conta as normas científicas do treino (nomeadamente as que dizem respeito à carga e suas componentes), visam alcançar objectivos previamente fixados"(LETZELTER‐1978).
Muitos exercícios pressupõem a existência de auxiliares (ex: barreiras para o barreirista, paralelas para o ginasta, etc.).
Os aparelhos são então os meios de treino. MEIOS DE TREINO são então todas as medidas e recursos que possibilitam e apoiam a execução do processo de treino, podendo apresentar um carácter informativo, organizativo ou instrumental (BERNHARDT).
Sendo o processo de treino um sistema composto por vários sub‐sistemas em interacção dinâmica e para que essa interacção seja o mais correcta possível torna‐se necessário o seguimento de normas
científicas reguladoras do planeamento e da execução do treino que constituem os PRÌNCIPIOS DO TREINO (ROTHIG‐1983).
Descrevemos de uma maneira muito elementar a organização do planeamento e execução do processo de treino. Para a sua correcta condução é importante um permanente e constante CONTROLO e AVALIAÇÃO DO TREINO, de forma a compararmos o que se vai passando, com os objectivos previamente definidos de forma a procedermos a reajustamentos caso necessário e se for caso disso, a uma reformulação do modelo de treino por nós construído/utilizado. A avaliação pode assumir um carácter subjectivo ou mais objectivo através da realização de TESTES de controlo motor, médico‐fisiológico, biomecânico ou psicológico, o que exige o registo e tratamento de tantos dados, quantos os possíveis de registar e analisar.
COMPONENTES DA CARGA DE TREINO
Para alcançar o objectivo final do treino, cria‐se um conjunto variável de situações de treino, condicionado segundo os princípios biológicos e pedagógicos, que visam provocar alterações no âmbito da adaptação do organismo (ser humano), nos planos morfológico, fisiológico, biológico, técnico, táctico e psicológico.
Este conjunto de adaptações são intencionalmente provocadas, utilizando estímulos de treino ‐ estímulos exteriores ‐ que perturbam a homeostase do indivíduo (estado de equilíbrio interno) que visam alcançar um nível qualitativo superior, reagindo adaptativamente à situação de desordem criada aquando da aplicação dos mesmos.
Quando a relação entre estímulo‐adaptação é correcta, encontramo‐nos no caminho certo, conducente a um maior nível de rendimento, isto é, conducente à evolução do atleta e por conseguinte ao alcançar das metas (objectivos) previamente fixados. Baseando‐se nesta relação estímulo‐adaptação, HARRE define carga de treino como sendo "...o esforço físico e nervoso realizado pelo organismo, provocado por estímulos motores, visando o desenvolvimento ou a manutenção do estado de treino".
No entanto, essa capacidade de adaptação do organismo aos estímulos externos tem como características mais importantes:
- reversibilidade (isto é, a perca dos seus efeitos caso venham a desaparecer significativamente, as causas que a originaram).
- existências de limites (existem limites mínimo e máximo para a adaptação ao estímulo, os quais se forem ultrapassados, não surge efeito algum ‐mínimo‐ ou poderá provocar danos ao indivíduo ‐ máximo).
- carácter dinâmico e temporal desses limites (os valores não poderão ser considerados como definitivos, nem máximos mas sim como temporários, na perspectiva da evolução para um nível superior de rendimento).
Um grupo de atletas que correm em conjunto 5 km a um andamento de 5 minutos/km estão sujeitos do ponto de vista externo a uma mesma carga de treino (mesma carga externa para todos os atletas). No entanto, dependendo de várias condicionantes (nível individual de treino, motivação, idade, etc...) cada indivíduo sofre alterações bem individualizadas adaptando‐se diferentemente. A expressão da carga interna manifesta‐se individualmente.
Segundo MATVEIEV carga interna representa "...o nível das modificações funcionais e orgânicas no âmbito biológico, bioquímico e psicológico que decorrem do trabalho realizado (carga externa)".
Para HARRE, para além das diferenças individuais ao nível das capacidades motoras a mesma carga externa pode provocar diferentes variações de carga interna devido a:
- condição psicológica do atleta
- nível de concentração
- complexidade da tarefa
- condições exteriores ambientais
- nível técnico do atleta
- altitude
Para aplicarmos uma determinada carga de treino, devemos dominar e conhecer muito bem as diversas componentes da carga de treino:
DURAÇÃO DA CARGA (Mensuração temporal da carga, isto é, o tempo que dura a aplicação do estímulo) [carga externa <=> carga interna]
VOLUME (Mensuração quantitativa do trabalho mecânico realizado, metros, kms, kgs, nº de repetições efectuadas, etc) [carga externa <=> carga interna]
INTENSIDADE (Definida como referente à realização de trabalho na unidade de tempo. P.ex: 5 km corridos a uma intensidade de 80% referente à velocidade máxima a que consegue correr durante 5 km, elevação de uma carga de 70% relativa à carga máxima possível de levantar, etc.)
DENSIDADE (Relação existente entre a duração dos períodos de realização efectiva de trabalho e a duração dos intervalos sem actividade)
COMPLEXIDADE (Corresponde ao "...grau de sofisticação de um exercício..." segundo BOMPA, e aumenta essencialmente o nível de solicitação do sistema nervoso central e não a solicitação energética).
Fonte: TAVARES, Fernando, "Treino Desportivo", Escola Secundária de Sampaio