quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

BLOQUEIO E CONTINUAÇÃO - PARTE 3/3






Fonte: “José Tavares - Pick and Roll, Évora – 2008 - TREINADORES – ARTIGOS PICK AND ROLL – www.planetabasket.pt” - Adaptado por Rui Sousa – 10/11/2010

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BLOQUEIO E CONTINUAÇÃO - PARTE 2/3







Fonte:  “José Tavares - Pick and Roll, Évora – 2008 - TREINADORES – ARTIGOS PICK AND ROLL – www.planetabasket.pt” - Adaptado por Rui Sousa – 10/11/2010

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

BLOQUEIO E CONTINUAÇÃO - PARTE 1

O Bloqueio e Continuação (BC) é uma combinação táctica ofensiva extremamente eficaz que permite de forma imediata criar situações de vantagem numérica e/ou posicional. Com esta combinação táctica pretendemos transformar uma situação de 2x2, numa situação de 2x1 e posteriormente de 1x0. Na pior das hipóteses, procuramos uma situação de 1x1 com vantagem posicional.


Devido à eficácia do BC, todos os treinadores dotam as suas equipas a condicionar a realização desta manobra ofensiva. Assim, existem inúmeras soluções defensivas para defender o BC. Por isso, nós treinadores, temos de apetrechar os jogadores com argumentos técnico-tácticos para superar o tipo de oposição com que se possam deparar em jogo. As opções para defender o BC dependem:

- das convicções do treinador;

- das características dos jogadores envolvidos na sua defesa;

- das características dos jogadores que o executam;

- do tempo de ataque; e

- das próprias circunstâncias do jogo.


É comum observarmos que, no mesmo jogo, por vezes, os mesmos jogadores, defendem de forma diferente. Tal como já referimos, temos de apetrechar muito bem os jogadores com argumentos técnico-tácticos de modo a que não sejam surpreendidos pela defesa.


Objectivamente, o que pretendemos com o BC é criar uma situação de vantagem e aproveitá-la de imediato. Para isso, temos de dotar os nossos jogadores, para além de uma grande capacidade técnica, também de uma grande capacidade de leitura e interpretação das múltiplas situações de jogo. Neste âmbito, o tempo e o espaço de realização assumem uma importância fundamental. Em nossa opinião, os espaços mais adequados para realizar Bloqueio Directo, são os seguintes:

- Frontal na linha baliza-baliza;

- Frontal à direita, à esquerda ou em ambos os lados;

- Á esquerda sobre a linha de “3 pontos do basquete”;

- Á direita sobre a linha de “3 pontos do basquete” e no prolongamento da linha de lance livre;


Para que o BC seja uma combinação táctica eficaz, isto é, que permita ganhar de imediato uma situação de vantagem, os jogadores envolvidos têm de ser muito ofensivos. Normalmente, utilizamos o jogador 01,defesa e o 05, médio/avançado, sendo este o bloqueador.


A eficácia desta opção táctica depende das características destes dois jogadores. Assim, o jogador 01 (é o portador da bola e aquele que vai usufruir do bloqueio), deve ter as seguintes características:

- bom rematador;

- bom penetrador;

- bom passador;

- muito ofensivo e com grande sentido baliza;

- ter boa visão de jogo; boa capacidade de leitura e interpretação das situações de jogo.

O jogador 05 é o bloqueador e deverá ter as seguintes características:

- bom bloqueador,

- bom rematador;

- capacidade para realizar fintas (de remate, arranque em drible e passe)

- capacidade para associar diferentes técnicas (drible/paragem/remate);

- boa capacidade de leitura e interpretação das situações de jogo.



Por princípio, mais do que uma "manobra de diversão", pretendemos criar uma situação que nos permita realizar um remate sem oposição. Assim, vamos analisar algumas hipóteses que poderão ocorrer a partir desta combinação táctica ofensiva realizada pelos jogadores 01 e 05.







Fonte:  “José Tavares - Pick and Roll, Évora – 2008 - TREINADORES – ARTIGOS PICK AND ROLL – www.planetabasket.pt” - Adaptado por Rui Sousa – 10/11/2010

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Percepção dos treinadores sobre as competências profissionais em função da sua formação e experiência

Resumo

O objectivo deste estudo consistiu na análise da valorização percebida de competências profissionais em função da experiência profissional e da formação académica de treinadores. A amostra foi constituída por 343 treinadores portugueses, oriundos de diferentes modalidades. A recolha dos dados foi garantida pela aplicação de um questionário após validação de construção e de conteúdo. Como procedimentos estatísticos, recorreu-se à análise factorial exploratória e à análise inferencial através do teste one-way ANOVA. Da análise das competências percebidas como importantes, resultaram 5 factores: planeamento; liderança e formação de treinadores; planeamento e orientação das competições; aspectos pessoais; e orientação do treino. Apesar de todas terem sido consideradas, no mínimo, com importância razoável, as relacionadas com o contexto da competição destacaram-se como as mais valorizadas. A experiência profissional e a formação académica apresentaram-se como factores diferenciadores da valorização atribuída às competências. Os treinadores com mais experiência concederam mais importância às competências relacionadas com o planeamento, à orientação do treino, à liderança e à formação de treinadores em relação aos treinadores pouco experientes. Os treinadores com formação superior valorizaram mais as competências de planeamento, liderança e formação de treinadores, orientação do treino e competências pessoais do que os treinadores com o 2º grau completo.

INTRODUÇÃO

Dada a proeminência do papel social do desporto na sociedade actual, tem-se vindo a verificar um incremento na importância atribuída ao papel do treinador, aos seus conhecimentos e suas competências. Da investigação orientada para o estudo do comportamento dos treinadores, prevalecente nas décadas de 1970 e 1980, a agenda da investigação direccionou-se, gradativamente, para os aspectos cognitivos que sustentam as atitudes dos treinadores, examinando as crenças e conhecimentos destes.

Dai, tem-se o resultado que a intervenção do treinador no processo de treino e de competição e multifacetada e desenvolvida em múltiplos contextos de pratica, requerendo, assim, o domínio de um largo e exigente leque de conhecimentos e competências.

Nesta conformidade, as competências profissionais, face a exigências do contexto de prática, tem vindo a ser alvo da atenção da investigação.

Não raramente, os conceitos de conhecimento e competência são referidos como sinónimos, sendo estudados de forma não sistemática e diferenciada.

Apesar do conceito de conhecimento possuir diversas definições, a literatura e unânime em considerar que se trata da representação de um domínio de conceitos ou princípios teóricos, que são aprendidos, lembrados ou reproduzidos5,9. Porem, o conceito não inclui uma conotação de aplicação, sendo necessária uma mudança de paradigma na investigação, evoluindo das questões relativas aquilo que os treinadores devem saber para a habilidade de aplicar aquilo que sabem4, sendo crucial a competência o facto de ser especifica relativamente as circunstancias nas quais se desenrola.

A literatura refere um alargado leque de competências de base, reportado aos contextos do treino, da competição e da organização. Nomeadamente, os programas de formação de treinadores previstos pelo projecto europeu AEHESIS13 e pelo programa canadiano BIS4 indicam que o treinador devera ser capaz de realizar tarefas como organizar, implementar, avaliar e ajustar um planeamento e orientar os atletas durante o treino e a competição.

Por outro lado, as tarefas desempenhadas pelos treinadores exigem que estes se assumam como líderes de programas de formação e de desenvolvimento desportivo, pelo que a liderança e a gestão adquirem um importante papel no desempenho do treinador.

Finalmente, na base da intervenção do treinador, situam-se as competências pessoais, nomeadamente, a capacidade de comunicação, de reflexão e de responsabilidade pessoal13, que sustentam a sua interacção e relacionamento com todos os intervenientes no desporto.

Assim, existe uma panóplia de competências a serem adquiridas pelos treinadores, pelo que se torna importante perceber aquelas que os treinadores mais valorizam na sua intervenção profissional. De facto, entre os factores concorrentes da competência profissional, a competência percebida e considerada como nuclear na competência efectiva, sendo de grande importância o seu estudo para se intentar compreender a complexidade do processo de treino e, concomitantemente, indicar novas orientações para a formação de treinadores.

O estudo das concepções dos treinadores ganha então pertinência, nomeadamente, na informação que faculta ao desenvolvimento de programas de formação, através de um entendimento mais profundo do processo de treino e, ainda mais, quando associado a variáveis afectas as características dos treinadores, como sejam a formação academica4 e a experiencia profissional. Enquanto a experiencia profissional tem sido indicada como promotora de aprendizagem e de evolução dos treinadores em direcção a expertise, dado o suporte pedagógico e didáctico fornecido nos cursos de Educação Física e Desporto a formação académica tem mostrado ser qualificadora da intervenção profissional.

Perante este enquadramento teórico, o presente estudo pretende responder a duas grandes questões de pesquisa: Quais são as competências profissionais que os treinadores mais valorizam para exercer a sua actividade? Será que a valorização destas competências varia em função da experiencia profissional e da formação académica dos treinadores? O objectivo deste estudo consistiu em analisar a valorização percebida de competências profissionais, em função da experiencia profissional e da formação académica de treinadores.

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos demonstraram a valorização de um alargado leque de competências profissionais relacionadas com o planeamento, a liderança e a formação de outros treinadores, o planeamento e a orientação das competições, aspectos pessoais e a orientação do treino. Assim, sublinha-se o papel multidisciplinar e complexo da actividade de treinador, bem como a importância de uma completa e fundamentada formação profissional.

Apesar de todas as competências terem sido classificadas como, pelo menos, importantes, as competências relacionadas com o contexto da competição foram as mais valorizadas. A experiencia profissional demonstrou ser um factor diferenciador da valorização atribuída as competências, sendo que os treinadores mais experientes valorizaram mais as competências relacionadas com o planeamento, a orientação do treino, a liderança e a formação de treinadores do que os com menos experiencia.

Os treinadores com formação superior, quer em Educação Física e Desporto quer em outras áreas, valorizaram significativamente mais as competências relacionadas com o planeamento, a liderança e a formação de treinadores, a orientação do treino e as competências pessoais.

Sugere-se, então, que a experiencia profissional deva ser considerada na formação de treinadores, pelo recurso a treinadores experientes no desempenho de funções de tutoria e de supervisão.

Igualmente, a formação académica não pode ser esquecida, porquanto e relevante na qualificação profissional da actividade de treinador.

Finalmente, a investigação futura deve albergar o estudo detalhado das variáveis equacionadas no presente trabalho, recorrendo a análise qualitativa, como entrevistas e observação participativa, de forma a se obter um entendimento mais profundo, mais situado e mais ecológico das competências inerentes a função de treinador de Desporto.

Fonte: Artigo Original e Completo AQUI, Ana Sofia Figueiredo Marques dos Santos e  Isabel Maria Ribeiro Mesquita