domingo, 26 de junho de 2011

SER UM TREINADOR DE SUCESSO COM CRIANÇAS


Publicamos aqui no blogue THP um "artigo" de Pedro Teques (Departamento de Psicologia e Comunicação da APEF - Associação Portuguesa de Escolas de Futebol), sobre a modalidade de futebol, mas que vai e muito de encontro ao Hóquei em Patins. É um artigo de Leitura obrigatória para todos os treinadores.
Podem visualizar AQUI o documento original.


No desporto, como em muitas outras actividades, os adultos podem ajudar as crianças e jovens a desenvolverem os seus interesses e a optimizar as suas capacidades pessoais. O treinador de jovens apresenta-se como um excelente exemplo em como poderemos maximizar essas oportunidades.

As crianças, de uma forma geral, querem ser bem sucedidas na actividade desportiva que escolheram para praticar. Se regredirmos à nossa infância, e colocarmo-nos nessa posição de ser criança no desporto, facilmente nos lembramos dos sonhos de glória – fazer o tal golo no último minuto. Cada movimento, cada remate, cada execução que é realizada num treino ou jogo, é um marco que pontificará na memória.

Quando se desenvolve uma actividade desportiva com crianças, os adultos significativos (e.g. treinadores, pais) têm a oportunidade de auxiliá-las perante aquilo em que elas são mais vulneráveis – a competitividade precoce. Isto é, os treinadores, os pais, os dirigentes ou os juízes, podem desenvolver a competição sob a perspectiva de fomentar auto-percepções positivas e a auto-aceitação nas crianças. Estes adultos significativos são responsáveis pelo desenvolvimento do divertimento e do carácter, e rejeitar os abandonos precoces da prática desportiva. Idealizando a figura do treinador neste sentido, ser treinador de crianças e jovens não se circunda, unicamente, sob a perspectiva metodológica do treino. Ser treinador de jovens é muito mais do que isso! Implica ter conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança, compreender o seu pensamento e a sua cognição. Saber que as crianças e jovens que dirige e auxilia no desporto percepcionam-no como um modelo social a seguir e a respeitar.

Geralmente, os treinadores de crianças querem fazer bons trabalhos, isto é, desenvolver talentos, optimizar capacidades técnicas, fazer a equipa jogar bem, etc. Em muitos casos, alguns desses treinadores são voluntários, que tiveram um passado na prática do futebol, que gostam do treino e do clube. Mas, um mau delineamento dos desígnios pedagógicos e didácticos no treino pode causar graves danos no futuro das crianças e jovens. O que, hoje em dia, de uma forma sucessiva tem vindo a acontecer, é o abandono precoce da prática desportiva. Os treinadores são a figura principal no processo de formação desportiva da criança. A sua má conduta leva ao decréscimo da confiança e da motivação, criando uma barreira entre a criança e a prática desportiva que tanto gostava de praticar. Se foi fácil para um treinador esquecer o jovem atleta que abandonou a equipa a meio da época porque não jogava o suficiente, ou porque, não se divertia, talvez esse mesmo treinador veja, somente, o desporto a partir da vitória e da derrota, e das medidas para alcançar o sucesso rápido na formação.

A formação dos treinadores de crianças e jovens em futebol é uma necessidade premente. Apesar de se verificar na bibliografia e na prática corrente, tentativas de suporte nesse sentido, a intervenção ainda é parca, face o evidente crescimento de instituições desportivas e, concomitantemente, de praticantes nelas envolvidos. O aumento da taxa de abandono desportivo precoce, por parte de crianças e jovens no futebol de formação, tem sido um sinal de sobreaviso para os responsáveis da formação desportiva, em especial, na modalidade do futebol.

As seguintes linhas pretendem promover a reflexão no delineamento pedagógico dos processos de ensino/aprendizagem em futebol juvenil. Talvez se deva salientar aqui, que a competição desportiva, por si só, poderá ter vantagens (apesar de estar longe de ser o principal motivo, a competição tem alguma representatividade no padrão motivacional dos jovens), mas igualmente desvantagens. À competitividade, normalmente, estão associados o desapontamento, a “pressão” por parte de pais e treinadores, e a frustração. Possivelmente se ela for encarada do ponto de vista da formação perante aqueles que nela estão envolvidos, ela será vantajosa se promover a maximização da aquisição de conhecimentos e de capacidades, passando a ser desvantajosa se impedir ou perturbar o normal processo de aprendizagem. No sentido de promover os benefícios da prática e do treino em futebol para as crianças e jovens, é importante ter em consideração as seguintes directrizes:

- Distinga as diferenças do desenvolvimento da criança. As crianças diferem dos adultos nas capacidades fisiológicas, motoras, cognitivas e emocionais. Neste sentido, o treinador antevendo o crescimento e desenvolvimento da criança, deverá considerar como efectua a sua comunicação e como delineia as formas didácticas do treino. Por exemplo, quando observamos crianças de 6 ou 7 anos de idade a jogar futebol, facilmente é identificável a forma descoordenada como as crianças se posicionam em relação aos seus colegas e em relação á bola. A bola é o centro das acções. O pensamento da criança nesta idade não apresenta um desenvolvimento suficiente, no que concerne ao domínio espacial e dedutivo. É comum, observar-se em várias actividades os treinadores de crianças com estas idades: “Organizem-se!”, “Passa a bola!”, “Marca o jogador”, “Posiciona-te na defesa”.

- Utilize a comunicação positiva. A utilização do reforço positivo apresenta-se como fundamental no ensino e prática de qualquer actividade com crianças. A comunicação é uma das áreas que o treinador, em qualquer nível competitivo, deverá saber dominar. As investigações demonstram que, no ensino e aprendizagem desportiva, a utilização do feedback positivo por parte dos treinadores resultam no incremento da motivação, auto-estima e do divertimento nas experiências desportivas de crianças e jovens.

- Crie situações que desenvolvam a tomada de decisão. Devem ser providenciadas situações para que os jovens atletas tomem as suas próprias decisões em contexto de treino e de jogo. A investigação afirma que a intervenção do treinador em jogo não deve ser contínua. Nesta circunstância, o treinador deve alternar entre a instrução técnica correctiva (não de forma sucessiva) e o reforço positivo (contingente a uma boa execução). Não raras vezes, observa-se que os treinadores de crianças enviam, constantemente, instruções para o campo, na tentativa de corrigir erros técnicos ou tácticos de jogo – “Joga na direita!”, “Joga na esquerda!”, “Marcação ao homem!”, “Toda a gente atrás da linha da bola” – de uma forma quase contínua. Acontece que, a mensagem enviada pelo treinador, gradualmente, deixa de ter relevância. E, se tivermos em consideração, que as crianças têm, de uma forma natural, uma reduzida focalização da atenção, este tipo de comunicação por parte do treinador apresenta-se como ineficaz. Os treinadores deverão criar um ambiente que encoraje as crianças a tomarem decisões por si próprias. Terão que ver as decisões erradas como uma oportunidade para aprender.

- Identifique e persiga os verdadeiros valores da formação desportiva de crianças. Tipicamente, os treinadores mais jovens iniciam a sua actividade com boas intenções. Querem que as crianças, sobretudo, se divirtam, desenvolvam novas capacidades e competências, e saibam avaliar a vitória e a derrota através do esforço dispendido para o jogo. Estes são, alguns dos valores, que se identificam como ideais para a formação e desenvolvimento biológico, psicológico e social no desporto. No entanto, o fascínio da vitória, por vezes, eclipsa estes objectivos primordiais da formação desportiva. Os sinais são imediatos: menor rotatividade das crianças nos jogos; de uma forma sucessiva, vê-se as crianças a chorarem por terem perdido o jogo; comportamentos mais agressivos nos treinos; pais descontentes; entre outros. Crie objectivos no início da época, e reveja-os durante a temporada. Para qualquer criança, o divertimento é jogar. Se questionar uma criança se pretende jogar na equipa que perde ou ficar no banco de suplentes da equipa que ganha, a maioria responderá que prefere jogar. Seja crítico para com o seu próprio comportamento. Reserve algum momento de reflexão após os jogos e após os treinos. Reveja o planeamento do treino. Verifique se os próprios objectivos formativos estão a ser cumpridos. As informações que retirará daqui mantê-lo-ão no caminho do alvo que formulou previamente.

- Procure receber feedback do seu comportamento em treino. Para evoluirmos em alguma actividade, é importante termos recursos que nos informem acerca do nosso rendimento. Após os treinos ou jogos, questione os seus adjuntos acerca da sua prestação e da equipa, do clima, da coesão de grupo, etc. Encoraje-os a serem específicos, a darem exemplos práticos e concretos. Questione os pais acerca do que os filhos dizem dos treinos e dos jogos. Os pais são um aliado para a formação desportiva! Verifique o sentimento das crianças durante a época. Se eles estiverem hesitantes em falar, faça-os responder a alguns questionários anónimos. Podem incluir questões como, “Se pudesses mudar uma coisa nos treinos para torná-los mais divertidos, o que seria?”, “Qual é o melhor e o pior comportamento que o treinador tem durante os treinos?”, “Onde achas que a equipa poderá melhorar?”. Não se esqueça, a motivação é o motor da prática desportiva.

- Aceite a espontaneidade e o caos que caracterizam as actividades com crianças. A espontaneidade e os comportamentos inesperados das crianças podem provocar frustração e um grande desânimo se o treinador se render à ilusão do controlo de todas as situações de treino. A realidade é que cada criança é única e, todos os dias, nos presenteará com um comportamento e uma expressão nova. E, cada criança tem um desenvolvimento e uma maturação distinta. È importante ter em consideração que o plano de treino traçado no início da época, não raras vezes, tenha que ser alterado no momento, e necessite de constante revisão. Considere um determinado nível de desordem como inevitável em actividades com crianças.

Treinar crianças e jovens providencia uma excelente oportunidade para os influenciar, positivamente, nas suas vidas. Este facto, é extremamente importante, quando o treinador compreende o desenvolvimento das crianças em relação ás suas capacidades desportivas, vê as crianças como únicas e individuais, e interessa-se, constantemente, pela evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Finalmente, ser um treinador de sucesso com crianças é continuar a aprender em cada treino e com cada criança, tornando-se cada dia, num treinador melhor.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

REACÇÃO E VELOCIDADE - RUI SOUSA

Nome: Reacção e Velocidade

Exercício:

Com a ajuda do preparador físico, usamos alguns exercícios de velocidade e reacção usando a bola e acrescentando alguma competitividade para motivar. É necessário fazer um bom aquecimento, e vamos aumentando a intensidade progressivamente.

Dois jogadores, um a atacar outro a defender estão situados na linha de meio campo. J1 passa a bola a J2 e J2 ameaça de arranque e arranca para um dos cestos, o defesa reage e corre para a defesa (diagrama 1).

Opções:

- O mesmo exercício mas com passes entre os dois jogadores, ao apito o jogador com a bolaesta a atacar e o outro a defender.
- O mesmo exercício mas a começar na tabela de fundo (diagrama 2).

Um outro exercício é mostrado no diagrama 3, onde o treinador passa a bola a um dos dois jogadores ofensivos na tabela de fundo. O defensor do mesmo lado do passe toca na tabela de fundo e recupera para a defesa para ajudar o seu colega, que está a jogar 2x1.


José Vicente “Pepu” Hernandez começou a sua carreira de treinador em 1989 como treinador adjunto dos Estudiantes Madrid. Em 1994 chegou a treinador principal e levou a equipa os oito semi-finaisde “playoff”, uma final e uma Taça do Rei (em 2000). Em 2005 Hernandez tornou-se treinador da selecção nacional Espanhola masculina, ganhando em 2006 a medalha de ouro no mundial da FIBA, no Japão e em 2007 ganhou a prata no Eurobasket.

Em www.planetbasket.pt. 

Enviado por Rui Sousa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CONJUNTO DE IDEIAS IDIOTAS PODERÁ GERAR UM GRANDE IDEIA - PARTE 2



No seguimento da nossa publicação no blogue THP intitulada “Conjunto de ideias idiotas poderá gerar uma grande ideia” e das inúmeras opiniões que nos chegaram, eis que publicamos hoje a parte 2 desta publicação.

Salientamos mais uma vez que este conjunto de ideias idiotas é uma mera opinião pessoal formada na base da nossa experiência e de algumas sugestões que nos foram chegando.

Desafiamos também os leitores a “deixarem” outras opiniões que quiçá se no futuro uma destas ideias idiotas se torne uma grande ideia…

Assim sendo aqui ficam mais alguma ideias “idiotas”:

 

1-   Criar uma caderneta de cromos com os jogadores da 1ª divisão. A maior parte dos miúdos e pais gostam de cadernetas de cromos e esta poderá ser uma forma de dar a conhecer mais e melhor a modalidade.

2-   Diminuir as taxas de organização e/ou inscrição aos clubes mediante o número de inscrições de equipas de formação desses mesmos clubes. Ou seja, quantas mais equipas de formação num clube, menor a taxa de organização ou de inscrição para a equipa sénior. Ou até mesmo eliminar a taxa de organização.

3-   Estabelecer protocolos de colaboração com diversas marcas de material de Hóquei em Patins para a criação de kit’s de material barato para que esse material possa ser adquirido pelas escolas.

4-   Criar uma equipa de “estatística” e de divulgação on-line que possa fornecer dados dos diversos jogos de Hóquei em Patins em tempo real aos diversos órgãos de comunicação social, de modo a que os meios de comunicação social obtenham informação variada e diversa que ajude a divulgação da modalidade por todo o território nacional.

5-   Criar jornadas de Hóquei em Patins com a presença de jogadores, treinadores e/ou equipas, por uma rede pré-definida de escolas de Portugal.

6-   Realizar uma gala anual de Hóquei em Patins que premeie todos os jogadores, os treinadores, os árbitros, os clubes e os dirigentes em destaque, bem como atribuir prémios prestigio, prémios revelação, prémios jovem promessa, etc. Obviamente, não esquecer dos órgãos de comunicação social que mais divulgam a modalidade. Esta poderá ser uma forma de prestigiar todos os quantos acreditam no Hóquei em Patins.

7-   Alterar o significado de “Power Play” nos regulamentos de jogo. Esta denominação traduzida à letra significa “Poder do Jogo” e o regulamento oficial atribui esta designação à equipa que fica em inferioridade numérica, o que não faz sentido uma vez que quem fica com o “poder do jogo” é a equipa que mantém todos os seus jogadores em pista e não a que fica em inferioridade. 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

POSSÍVEIS "SISTEMAS NUMÉRICOS" OFENSIVOS NO HÓQUEI EM PATINS

Sistema 1+2+1

Sistema 1+3



Sistema 2+1+1


Sistema 2+2


Sistema 3+1

Existem outros mais possíveis sistemas "numéricos" ofensivos no Hóquei em Patins e outro tipo de nomenclatura/numeração. Esta nomenclatura que hoje aqui publicamos é a que por mim é utilizada. Normalmente, estas são também as disposições ofensivas por mim utilizadas.

Obviamente, caberá depois a cada treinador treinar e orientar cada jogador colocado em cada respectiva zona de modo a sistematizar situações tácticas colectivas. Todas estas situações têm em comum 2 objectivos, sendo eles: 1º Adaptar ofensivamente a equipa às características do adversário; 2º Obter golo na baliza adversária.

Opinião Pessoal de Hélder Antunes

quinta-feira, 2 de junho de 2011

PROTEGER O QUEIJO - A INTERPOSIÇÃO DEFENSIVA - RUI SOUSA

Objectivo: Ensinar a interposição defensiva

Número de participantes: 20 ou mais conforme o espaço, divididos em de 4 ou 5

Material: Numa segunda fase uma bola para cada grupo

Preparação: Colocar os grupos em fila a segurarem-se pela cintura com um elemento solto virado para o primeiro da fila, conforme a figura. O elemento solto é o rato e o último da fila é o queijo.

Desenvolvimento: À indicação do treinador o rato tenta chegar ao queijo e o primeiro da fila sem o agarrar tenta interpor-se impedindo que o rato chegue ao queijo. O objectivo do “rato” é chegar ao “queijo” ou provocar a quebra da fila que tem de estar sempre unida. Quando o “rato” consegue os seus intentos ou por ordem do treinador o “rato” passa a “queijo” e o primeiro da fila passa a “rato” até todos os elementos do grupo terem exercido a função do “rato”.

Variantes: Quando as crianças já dominam bem o drible, quem faz de rato executa o seu objectivo em drible, que no fundo é uma situação mais semelhante à situação no jogo. Se queremos facilitar a vida ao rato é o primeiro da fila que tem de driblar.


Enviado por Rui Sousa