sexta-feira, 29 de julho de 2011

ATENÇÃO E CONCENTRAÇÃO - PSICOLOGIA DO DESPORTO - HÉLDER ANTUNES



Parte de um trabalho realizado por Hélder Antunes na disciplina de Investigação em Psicologia da Actividade Física e do Desporto no âmbito do Mestrado em Investigação em Actividade Física, Desporto e Saúde, 2011.  
Apoio: Livro “Psicología de la Actividad Física y del Deporte”, de Joaquín Dosil, 2009.

BREVE INTRODUÇÃO

Na vida quotidiana é muito fácil encontrar situações em que é necessário utilizar a atenção e a concentração. Umas pessoas têm melhor índices que outras neste âmbito derivado às solicitações que têm ao longo das suas vidas e consequentemente desenvolvem-nas melhor.

No âmbito da Actividade Física e do Desporto, ter conhecimento e domínio dos processos de atenção e de concentração é fundamental. A perda ou insuficiência dos níveis de atenção e de concentração de um atleta pode significar em determinados momentos o fracasso do atleta e da sua equipa (no caso de um desporto colectivo). Isso pode originar na alta competição em momentos decisivos, perder um título, uma taça ou um campeonato.

Por este motivo, a atenção e a concentração devem ser um dos objectivos a ter em conta em qualquer programa psicológico, para aperfeiçoar os atletas e os próprios treinadores. Estas duas variáveis podem ser as mais influentes para se atingir o tão desejado êxito.

CONCEITO E PERSPECTIVAS DA ATENÇÃO E DA CONCENTRAÇÃO

Apesar de muitos utilizarem a atenção e a concentração como sinónimos convém de ambos sejam definidos de forma clara:

- Atenção: forma de interacção com o meio ambiente, em que o sujeito estabelece contacto com os estímulos relevantes da situação no presente momento.

- Concentração: manutenção das condições atencionais por um determinado tempo mais ou menos duradouro, de acordo com o que a situação que estamos a enfrentar assim o exige.

 Para a explicação da atenção e da concentração devemos ter em linha de conta as seguintes perspectivas:

a) Perspectiva Cognitiva: é a mais utilizada e defende a ideia que o atleta recebe estímulos do meio ambiente, que os processa e que explicam a forma como o atleta responde a essas situações. Ao nível desta perspectiva os 3 aspectos que mais foram estudados foram:
- Selectividade atencional: o atleta selecciona apenas a informação relevante para si e que traz benefícios, rejeitando toda a restante informação;
- Capacidade atencional: esta capacidade complementa a anterior, uma vez que é difícil um atleta estar concentrado em duas coisas ao mesmo tempo. O atleta converte de forma automática certas destrezas;
- Activação ou alerta atencional: este terceiro elemento desempenha um papel relevante na perspectiva do processamento da informação que faz referência à relação entre o nível de activação, nível de alerta do atleta e a sua atenção.

b) Perspectiva Social: desta perspectiva estudou-se o efeito que têm os estímulos distractores e as diferenças individuais na atenção do atleta (esforço, sofrimento, ansiedade…)

c) Perspectiva Psicofisiológica: define a existência de variações nos registos psicofisiológicos que permitem estabelecer o grau atencional dos atletas antes e durante a competição.

MELHORIA DA ATENÇÃO E DA CONCENTRAÇÃO NOS ATLETAS

A melhoria da atenção e da concentração centram-se a dois níveis: treino e competição.

Ao nível do treino: é conveniente que nos treinos sejam introduzidas actividades que permitam que os atletas melhorem a sua atenção e concentração. No entanto, estas actividades ou programas de treino não devem alterar as restantes rotinas de treino. Aqui torna-se fundamental o treinador possuir um amplo conhecimento, bem como alguns procedimentos como visualização/ensaio mental e outros mais, uma vez que é uma “peça-chave” em todo o processo.

Ao nível da competição: para que os atletas adquiram mais sucesso e melhores resultados neste âmbito é importante a utilização de técnicas úteis tais como: estabelecer objectivos (individuais e colectivos); estabelecer rotinas pré-competitivas e competitivas: controlar o nível de activação, usar palavras-chave; controle visual e concentração no mesmo.

  Demonstração/Exemplo do Modelo

Exemplo Prático
Desporto/Modalidade
Hóquei em Patins

Equipa/Amostra
Equipa Sénior Masculina de Hóquei em Patins XPTO (Equipa Principal)

Objectivos
- Melhorar os níveis de atenção e concentração dos jogadores na marcação de grandes penalidades na equipa de Hóquei em Patins XPTO;
- Focar a atenção dos jogadores apenas para o ED (Estímulo Dominante) durante a marcação das grandes penalidades;
- Desviar e minimizar os EF (Estilo Flutuante) que possam surgir durante a marcação de uma grande penalidade.

Tipo de Exercício a Realizar
Utilizando o princípio de definição de objectivos SMART criou-se um exercício específico de hóquei em patins para os jogadores executarem grandes penalidades:

S = (Specific) Específicos (concretos, claros e precisos);
M = Mensuráveis (associados a formas de medição);
A = Ambiciosos (difíceis de atingir, criando desafios, inovação e melhoria);
R = Realistas (possíveis de atingir);
T = Temporizados (Associados a períodos de tempos, prazos).

Assim, cada jogador terá de converter 3 grandes penalidades de forma consecutiva, de modo a concretizar a mesma em golo.

Observações do Exercício
Para não criar desigualdades nem cansaço ao guarda-redes, substituímos o mesmo por umas tábuas próprias com se vê na imagem que se segue:

Para a obtenção de golo, os jogadores terão de fazer entrar a bola num dos cantos superiores ou inferiores da baliza. Só serão contabilizadas as bolas que entram totalmente dentro da baliza (Golo). As bolas que baterem na tábua, nos postes ou forem direccionadas para fora da baliza são contabilizadas como Não Golo.

Descrição dos Grupos
Dividiu-se o plantel em 2 grupos. O grupo controle (GC) e o grupo experimental (GE). Como o plantel é constituído por 8 jogadores de campo, sendo 4 deles defesas/médios e 4 deles avançados, cada grupo ficou com 4 jogadores, sendo eles 2 defesas/médios e 2 avançados por grupo.

O GE é o grupo experimental e este grupo cumprirá um programa de treino mental. Os jogadores que compõem o GE são designados de jogadores 5, 6, 7, e 8. O GC é o grupo controle e este grupo não cumprirá qualquer programa de treino mental. Os jogadores que compõem o GE são designados de jogadores 1, 2, 3, e 4.

Optou-se por implementar o programa de treino mental, porque de acordo com a base estatística do clube os atletas desta equipa têm revelado dificuldades na obtenção de êxito ao executar grandes penalidades ao longo de um jogo.

Modo de Execução das Grandes Penalidades de Hóquei em Patins
Os jogadores em cada tentativa executam apenas um remate batido e directo à baliza;
  1. Os primeiros a executar as grandes penalidades serão os jogadores do GC e seguidamente dos jogadores do GE.

Programa de Treino Mental a implementar no grupo experimental (GA)
  1. Breve sessão de activação antes da execução das grandes penalidades sob orientação de um profissional;
  2. Prémio por cada golo que um jogador marque através da execução de uma grande penalidade;
  3. Obrigar o jogador a focar a sua atenção e concentração exclusivamente num dos cantos superiores ou inferiores da baliza depois de estar pronto para executar o remate para que remate precisamente para esse local da baliza.
Avaliação da Atenção e da Concentração
Procede-se a uma Análise de Observação das Condutas dos Jogadores. Assim pode-se verificar se durante a execução da marcação das grandes penalidades os jogadores manifestam alguns desvios na sua atenção e concentração, uma vez que devem cumprir na íntegra o programa de treino mental, especificamente o GE.

Pode-se ainda comparar se os possíveis desvios estão relacionados com a obtenção de Golo ou Não Golo.

Exemplo dos Valores Quantitativos a Registar

GDM (grupo controle)

Tentativa 1
Tentativa 2
Tentativa 3
Jogador 1
1
0
0
Jogador 2
0
1
0
Jogador 3
0
0
1
Jogador 4
1
0
0


GA (grupo experimental)

Tentativa 1
Tentativa 2
Tentativa 3
Jogador 5
1
1
1
Jogador 6
1
1
1
Jogador 7
1
1
0
Jogador 8
0
1
0

Legenda: 1 = Golo e 0 = Não Golo


Exemplo dos Valores Médios Registados no GC

N = 12
Total de Golos Marcados = 4
Total de Golos Não Marcados = 8
Média de Eficácia = 33,3%
Média de Ineficácia = 66,7%
Desvio Padrão = 0,492366

Exemplo dos Valores Médios Registados no GE

N = 12
Total de Golos Marcados = 9
Total de Golos Não Marcados = 3
Média de Eficácia = 75%
Média de Ineficácia = 25%
Desvio Padrão = 0,452267

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A PREPARAÇÃO DOS GUARDA-REDES DE HÓQUEI EM PATINS - FRANCISCO VELASCO


Texto retirado da página de Francisco Velasco em: http://www.francisco-velasco.com/sistema-carrossel/os-guarda-redes/

(Co-Autores: Alberto Moreira e Francisco Velasco, Campeões do Mundo, da Europa e Latinos)


Introdução


Não cabe a um treinador escolher, de um grupo de atletas, aquele que irá fazer carreira como guarda-redes (GR). Essa será sempre uma decisão pessoal em qualquer dos escalões etários de formação. Normalmente, uma criança ou um adolescente que goste bastante de hóquei em patins, ao reconhecer que não domina as técnicas de patinagem, como os outros, experimenta esse lugar por iniciativa própria, tal o seu desejo de não ficar de fora da equipa ou do seu grupo de amigos.



A formação e preparação dos GR’s deve obedecer a certos princípios. Há que considerar as características do atleta, o grupo etário em que se enquadra, a sua condição psíquica e compleição física, em confronto com os demais companheiros. Analisados esses factores, estabelece-se um plano de trabalho, a curto ou médio prazo, decidindo-se por uma programação de treinos que contemple o estágio em que cada um se encontra. A seguir, descrevem-se alguns exercícios de técnica e de táctica:
Grupos etários – jovens: Escolas, até juniores
Em relação a estes atletas, o treino deverá der composto de exercícios básicos, tais como: colocação, trabalho de pés e mãos, posição de setique, devolução da bola ou paragem dela, tendo sempre o cuidado em deixar as potencialidades de cada um desenvolverem-se livremente em busca dum “estilo próprio”. Contudo, há que observá-los com atenção a fim de se eliminarem erros evidentes e permitir que as suas qualidades se apurem de um modo progressivo.
Os treinos serão divididos da seguinte maneira:
a – preparação individual
Aquecimento muscular que deverá ser constituído por exercícios na posição de “jogo”, com movimentos nos quatro sentidos: para a frente, para trás, para a direita e para a esquerda; extensão da perna direita em “defesa” e rápida recolha para a posição inicial, repetindo-se o exercício para a perna esquerda; defesa lateral com as duas pernas juntas, para a direita e para a esquerda; extensão da perna direita no sentido do canto superior direito e vice-versa; extensão das duas pernas para a frente, em “defesa”, e imediata recolha das mesmas com a ajuda das mãos ou mão, imaginando uma situação em pode acontecer uma recarga.
Posição do setique: – Este deve ser seguro paralelo à posição do GR, o mais possível junto ao piso, (situação normal), posição fundamental na paragem dos remates rasteiros.
Posição de corte: – Funciona com o setique a “varrer” a área a cortar a fim de, não só interceptar a bola, como dificultar a acção do adversário que apareceu “em cima do GR”. Este deve lembrar-se sempre que ao tentar interceptar a bola, não deve inviabilizar, por sua má movimentação e colocação, qualquer defesa que seja obrigado a fazer, por sua má movimentação e colocação.
Trabalho de mãos: - O uso destas pelo GR é muito importante e essencial na paragem e desvio de remates e a sua utilização deve ser sempre estimulada. Criar-se-ão para o efeito, vários tipos de exercícios: remates a longa, média e curta distância; arremesso contínuo de bolas para várias posições que busquem o apuramento de reflexos rápidos e defesas correctas. A mão livre, sempre que o adversário se torne uma ameaça, deve permanecer na posição de “palma da mão para a frente”, com o braço e respectiva mão numa posição intermédia, que permita agir rapidamente na área exposta. A mão que segura o setique deve ser exercitada da mesma maneira, porém as defesas serão efectuadas com as “costas da mão”, antebraço e braço que, como é óbvio, terão de estar adequadamente protegidos.
Tronco: - Nas seticadas súbitas e frontais, o tronco do GR é utilizado como barreira ao trajecto da bola. Nessas alturas, o GR nunca deverá procurar uma posição em que possa defender com os pés ou as mãos. Usará o tronco, que tem de estar muito bem protegido, com peitilhos acolchoados e protecção para os ombros. Com inteira confiança no material de protecção, o GR, nas marcações de canto e outras penalidades laterais, deve manter-se parado se a bola vier na sua direcção.
Cabeça: – A cabeça deve estar protegida com máscaras adequadas que deverão ser leves mas resistentes e apropriadas à configuração do rosto e do crânio. A visibilidade terá de ser perfeita, permitindo uma visão sem interferências em todos os sentidos. No que diz respeito às máscaras com viseira transparente, hoje vulgarizada pela maior protecção que oferece, o fenómeno da condensação tem de ser levado em linha de conta, especialmente em climas frios. O calor do corpo e do rosto provocará o embaciamento desse tipo de máscara.
Todavia, a resistência desses capacetes com viseira, permitem que possam ser utilizados, “in extremis”, para desviar bolas súbitas, que venham à sua altura, daí que exercícios devem ser feitos desde os escalões inferiores aos mais elevados.
Treinei GR’s seniores, atirando-lhes bolas para que as devolvessem com a viseira e o respectivo capacete, primeiro lançando-as de vagar de modo a perderem o “medo”, para depois incrementar a velocidade das mesmas, até vê-los, sessões depois, a mergulharem para “cabecearem” as bolas de volta.
Os preparadores físicos e treinadores, devem atentar que os glóbulos oculares também podem e devem ser treinados, com exercícios em que o GR, com a cabeça imóvel, segue um dedo que se movimenta a um palmo da sua cara, perseguindo-o com o olhar. Dois GR’s podem divertir-se a fazerem isso um ao outro, nas pausas que se verificam nas sessões.
– Preparação do conjunto
O guarda-redes ocupa uma posição diferenciada da dos demais jogadores e com funções e actuações distintas. Com estas aparentemente individuais, não pode dissociar-se da preparação táctica da equipa e deve ser integrado nela como qualquer avançado. Isso permitir-lhe-á uma melhor antecipação dos acontecimentos e a possibilidade de fornecer novos dados resultantes da sua própria perspectiva que possam contribuir para uma melhoria das acções tácticas da equipa.
O grupo não pode esquecer que o GR é o último obstáculo aos objectivos do adversário e que uma falha sua… resulta normalmente num golo! Por vezes, mesmo os melhores deles sofrem “frangos”, daí que tanto o GR, tal como os colegas, devem ser mentalizados para reagirem casualmente a esse incidente, sem expressões críticas de desânimo. Os jogadores da frente têm de reconhecer que antes de sofrerem um golo, provavelmente, um ou outro deles actuou com menos eficácia. O GR vai seguramente reagir e continuar a instilar confiança à equipa, com a sua orientação e alertas para os adversários que entram nas zonas perigosas.
Grupos etários: – adultos: juniores e seniores
Tudo quanto foi escrito, referente ao treino e formação dos GR’s jovens, aplicar-se-á aos atletas adultos, como fase de aquecimento, pois parte-se do pressuposto que estes já estão “feitos” e há vários anos que competem nesse lugar. A partir de certa altura, outro tipo de preparação deve ser ministrado ao GR, que lhe permita desenvolver mais a sua capacidade atlética e técnica e condicionar melhor os seus reflexos às várias opções de acção, quer estas sejam de carácter posicional, individual ou conjugada com a equipa. Para máximo rendimento, o GR deverá ter consciência das suas virtudes e utilizar estas para colmatar os defeitos que possua.
Os aspectos tácticos deverão ser analisados ao pormenor, devendo o GR estudar as alternativas que lhe restam, discutindo-as com o seu treinador. Não podem ficar questões em “aberto”. As soluções têm de ser encontradas em função do estilo, das características e da capacidade de cada um.
a – Preparação individual.
Exercícios, (técnica e atlética):
- O GR coloca-se num dos postes da baliza. Efectuam-se remates de meia distância para o lado contrário que ele procurará defender de qualquer modo, pois são defesas de recurso em condições que exigem reflexos rápidos, coordenação de movimentos e capacidade atlética.
- O mesmo exercício em situação contrária.
- O GR coloca-se junto dos postes, mas agora virado para a tabela.
- O mesmo exercício em situação contrária.
- Remates frontais e laterais, com um jogador a movimentar-se dentro da área, pronto a efectuar recargas, sem preparação. O GR tentará deter os remates feitos a média distância, tentando aliviar a bola para zonas fora do alcance do avançado que pretende recarregar.
Estes exercícios constituem um indicador dos defeitos e virtudes e, nesta fase de apuro técnico e atlético, não é aconselhável alterar as características do GR mas sim optimizar os resultados do mesmo. O acompanhamento cuidado do treinador e uma conversa franca com o GR , estimulando-o para que apure mais as sauas capacidades específicas, estudando os seus erros e corrigindo-os de sessão para sessão, é sempre uma intervenção oportuna que pode levar o atleta a “encontrar-se”. O lugar de GR não é fácil, antes pelo contrário, é a posição que exige mais cometimento, resistência à dor e uma grande dose de audácia e sangue frio. Uma atitude da parte dele, de autocrítica e humildade, conferir-lhe-á confiança nos seus recursos. Nada se alcançará sem dedicação, persistência e trabalho contínuo e, o que é fundamental, uma análise profunda dos aspectos positivos e negativos ocorridos nas sessões anteriores.
Conseguido este objectivo, entrar-se-á numa fase mais adulta e racional, a fase “pensante” em que se investiga tudo, desde o treino simples ao trabalho de conjunto e em que a baliza passa a ser uma superfície geométrica rectangular cuja área sujeita a golo será uma função do espaço ocupado pelo GR na sua zona de manobra.
- Com os atacantes a moverem-se transversalmente, a meia distância e para lá da linha de grande penalidade, o GR deverá percorrer esta linha, procurando, com as suas posições sucessivas, eliminar ou diminuir os ângulos de golo.
- O mesmo exercício em sentido contrário.

- Com o atacante “A” a partir duma posição frontal, em direcção a um canto da área, rematando sempre que possível (fig. 3).
- O mesmo exercício em sentido contrário.
- Com o atacante “A” a fazer paragens periódicas e rotação seguida de remate.
- O mesmo exercício em sentido contrário.
- Com o atacante “A” a fazer paragens periódicas e rotação seguida de remate e outro atacante “B”, à ilharga do GR, pronto para recargas sem preparação.
- O mesmo exercício em sentido contrário.
b – Preparação colectiva
Exercícios (táctica):
- O GR, sempre que tenha colegas à sua frente, deve considerar vários factores que condicionam os remates. Assim, uma “defesa fechada” provoca dificuldades aos adversários, impedindo-os de entra na área de grande penalidade e mesmo nas zonas vizinhas. Surgirão inevitavelmente remates a meia distância que exigem um campo de visão desobstruído e o GR nunca deve perder de vista a bola. A fim de poder antecipar a sua vinda.
No caso de três adversários contra dois defesas, a movimentação dos adversários procura quase sempre a deslocação dos dois defesas de modo a criar um espaço livre para o terceiro tentar o golo. Daí, o GR deve sugerir aos seus colegas de equipa que “empurrem” os oponentes para as tabelas, lateralizando os seus remates que se tornam fáceis de deter.

- Os defesas “4” e “5” barram a passagem dos atacantes “1” e “2”, (fig. 4), induzindo-os a passar a bola ao atacante “3” que se encontra numa zona (a cinzento) de ângulo de remate nulo. Dependendo da velocidade da jogada, o defesa “4” empenhar-se-á em impedir que o atacante “3”, de posse da bola, ultrapasse a linha “AB”. Se a jogada volta ao início os defesas regressam também às posições iniciais. Estas mesmas acções, na posição inversa, isto é, do outro lado do campo, poderá causar resultados totalmente diferentes, dadas as características dos que defendem, se são dextros ou canhotos. Por conseguinte, haverá que estudar e encontrar a resposta adequada em termos de posicionamento dos atletas.
- Aplica-se o mesmo princípio no caso de dois adversários para um defesa, devendo este actuar de modo a lateralizar o atacante com bola que passará a ser da responsabilidade do GR. De imediato, o defesa deverá manter-se sempre na linha de passe de modo a poder interceptar qualquer bola que seja enviada para um colega do atacante, que entretanto se aproximou.

- No caso em que o GR tem de enfrentar um só atacante, ver “situações repetitivas”,“0×1”, as possibilidades de defesa são elevadas, se bem que críticas e, quanto mais próximo o atacante estiver do GR, “fig. 5”, mais dificuldade terá de levantar a bola e metê-la por cima dos ombros do GR. Assim, os remates desferidos do ponto “A”, à entrada da área, são mais difíceis de defender do que do ponto “B”.
Defesas de remates:
Obviamente, defender e evitar o golo é a preocupação principal do GR. No entanto, este deve fazê-lo sempre com consciência e de acordo com as circunstâncias do ataque, optando pela paragem da bola e rechaçamento dela para posições mais convenientes, quer estas sejam a curta, média ou longa distância.
- Paragem da bola: – O GR deverá, sempre que possível, deter a bola, fazendo-a cair numa área em que possa dominá-la facilmente, a fim de poder entregá-la ao colega de equipa que se encontre em melhor posição. É uma opção que o GR deve aplicar quando a sua equipa está a ser pressionada com remates contínuos ou quando o ascendente táctico da equipa adversária é notório. Com esta acção o GR poderá provocar não só uma paragem no ritmo do jogo como também evitar que, ao rechaçar a bola de qualquer maneira, ela venha a cair novamente na posse do adversário que assim continuará a sua pressão.

No exemplo da (fig. 6), em função da seticada desferida pelo atacante “1” e das posições relativas dos demais jogadores vê-se claramente as zonas de segurança, a cinzento-claro, para onde se deve rechaçar a bola e a zona perigosa, a cinzento-escuro, a evitar, pois é uma zona ao alcance dos atacantes “2” e “3”. Este exemplo é apenas uma das várias situações conjecturais entre defesas e atacantes, zonas perigosas e de segurança. Outros esquemas podem ser desenvolvidos, baseados nos mesmos princípios, que o GR deverá ser discutir com o treinador e os seus colegas, assentando definitivamente acções comuns para as soluções achadas.
Estas soluções, apesar da ideia arreigada na mente de alguns de que o GR deve defender para o lado, sempre, ou para a frente e com força, sempre, são a prova que não há processos imutáveis mas que estes dependem e são função das circunstâncias do jogo e, especialmente, do posicionamento dos atletas dentro do campo.
Rechaçar a bola com colocação da mesma:
Vimos atrás que há zonas diferenciadas para onde colocar a bola. O GR tem normalmente mais três opções, o que não invalida a simples lateralização da mesma nos casos em que isso é necessário. São elas o rechaçamento para curta, média e longa distância.
Curta distância: O GR defende, amortecendo a bola, e passa-a para o colega mais próximo e desmarcado. Utilizará os meios mais seguros, ou sejam, a parte do lado interior da bota e patim, o setique e, finalmente, no caso de bolas altas, a mão enluvada.
Meia distância: Depois de defender e amortecer a bola, o GR atirará a mesma para o colega desmarcado, a meia distância, utilizando o setique ou, então, executando um pontapé. Obviamente, estas acções têm de ser exercitadas até se tornarem eficientes e seguras.
Longa distância: Esta defesa e o passe que se segue, concretizam-se com um pontapé enérgico, atirado com força pelo GR, na direcção dum colega desmarcado e postado a longa distância, que deverá ter em conta a trajectória que a bola leva e a distância a percorrer, não vá a mesma ser interceptada pelo adversário.

No exemplo da (fig. 7), no remate do jogador “1”, a bola é defendida e pontapeada para o defensor “5” que, antecipando a acção, “saiu” para ir recebê-la e iniciar um contra-ataque. Não será demais realçar que estas acções do GR terão de ser treinadas intensamente se quisermos obter um elevado grau de eficiência.
- Se o GR, representado por uma linha e setas, (fig. 1), se posiciona em “B” relativo ao atacante em “A”, cria-se um ângulo de golo “EÂD”, a cinzento, formado pelas linhas a tracejado. Obviamente, para impedir a entrada da bola, o GR deverá avançar ligeiramente em direcção do atacante e colocar-se na posição “C”, o que anula o ângulo de golo. O GR deverá sempre agir deste modo, avançando a distância que, em seu discernimento, é a mais segura de acordo com as suas capacidades de acção e recuperação.
Apura-se a capacidade para uma boa colocação, com o seguinte exercício, (fig. 2), que considera um semi-círculo com o seu diâmetro coincidente com a largura da baliza.