terça-feira, 27 de setembro de 2011

6 PERGUNTAS A NUNO CARRÃO - TREINADOR H. PATINS DO C.I.S. (INFANTE SAGRES)


Nuno Carrão - Treinador do Clube Infante de Sagres



1 – Como defines o perfil ideal do Jogador de do Guarda-Redes de Hóquei em Patins atual?

NC - No que diz respeito ao jogador (da frente), entendo que não havendo uma especialização de posições e funções, há características que prevalecem no desempenho em jogo dos jogadores. Deste modo, defendo as seguintes posições: avançado (AV), universal (U), médio ofensivo (MO), médio defensivo (MD) e o guarda-redes (GR). 
O perfil ideal ou as características de um GR no Hóquei em Patins (HP) atual, são em minha opinião: cultura tática, participação ativa nas transições defesa-ataque, sentido de colocação na baliza e saídas da mesma, utilização dos membros superiores para acções defensivas e ofensivas, especialista para acções de defesa de livres-diretos e penaltis. 
Para as restantes posições apenas refiro aquelas características que considero transversais a todas, assim: cultura tática, leitura de jogo e tomada de decisão, controlo emocional, capacidade de trabalho e superação permanentes, domínio técnico da patinagem e manejo do stick, condição física aprimorada nas vertentes de resistência, velocidade(s), potência, coordenação e flexibilidade.


2 – Dás importância ao trabalho psicológico numa equipa? Como o podemos trabalhar?

NC - O trabalho psicológico é parte integrante na intervenção de um treinador. Tem que ser organizado e planeado como qualquer outra componente do treino. Pode/deve ser trabalhado em cada exercício proposto; nas definições de objetivos e em intervenções individuais, grupais ou coletivas; na análise de vídeos (individual, equipa, adversário).


3 – Que métodos achas mais vantajosos e/ou adequados para ter informações acerca das equipas adversárias? Que importância tem para ti o conhecimento das equipas adversárias tendo em vista a preparação da tua equipa? O que te poderá permitir isso?

NC - A observação direta e a análise de video são as ferramentas que considero fundamentais para recolha de informações sobre adversários. Também os sites/blogs são importantes fontes de informação. 
No que diz respeito aos escalões de alto rendimento (Juvenis, Juniores e Seniores) a importância é crescente e condicionante na definição e preparação das equipas. Nos escalões inferiores considero residual. 
Focalizando-nos nos escalões de alto rendimento, a preparação da nossa equipa depende diretamente do conhecimento do adversário. Tento basear a preparação e a formação dos meus atletas considerando a análise das características dos adversários e posterior análise do nosso desempenho. 
O modelo tático de equipa definido pelos treinadores deve ser a base de trabalho, no entanto as características dos adversários são aspeto fundamental para a preparação e sucesso das equipas.


4 – Do ponto de vista do treino físico, como treinador és “adepto” do uso de sapatilhas, do uso de patins ou de ambos? Como preferes realizar o teu trabalho nesse âmbito?

NC - O “treino do físico” no hóquei em patins deve ser cada vez mais trabalhado de forma específica e integrada. Ou seja, com patins e stick durante qualquer exercício, no entanto, compreendo a necessidade de haver um trabalho realizado em “sapatilhas” extra pista pelas condicionantes de tempo e espaço que a maioria dos clubes tem. 
Para determinado nível de desempenho considero que há mesmo necessidade de se realizar um trabalho extra pista (preparação de níveis de força, por exemplo). 
Na organização e planeamento que preconizo há um trabalho integrado, onde cada exercício deve compreender cada componente do treino, mas onde naturalmente umas estão sobrepostas às outras. Mas procuro estimular e trabalhar em cada erxercício determinada componente técnica, tática, física e psicológica; organizar os microciclos tipo considerando intensidades e volumes e os mesociclos com fases da epoca considerando os adversários e os objetivos competitivos.


5 – Que tipos de exercícios preferes nos teus planeamentos para o treino da técnica e da tática? Exercícios analíticos, lúdicos, jogos reduzidos/condicionados, etc?

NC - Julgo que qualquer tipo de exercício é bom, desde que se saiba o que pretendemos alcançar com a sua proposta e se realmente estamos a trabalhar o que pretendemos. É fundamental perceber o que estamos a provocar aos atletas com a sugestão de determinado exercício e quais os critérios de sucesso do mesmo, para irmos oriebtado a prática do atleta. 
O treino téncico tanto pode ser feito de forma analítica como em situação de competição em treino, ou de forma lúdica ou numa situação de interferência contextual… É fundamental percebermos o que pretendemos e se o atleta está a alcançar. 
No que diz respeito ao treino tático passa-se o mesmo, no entanto procuro abordar situações seccionadas do jogo formal, em contexto de exercício condicionado, com oposição (posicional, passiva ou “100%”) ou situações em forma reduzidas do jogo. Mesmo a abordagem lúdica do treino tático é algo que pode acontecer, por exemplo, em situação de aquecimento. 


6 – Como defines o perfil do Treinador de Hóquei em Patins atual?

NC - Mais uma vez, vou considerar características transversais aos vários níveis competitivos. Assim, considero que são uma peça fundamental nas estruturas dos clubes, os Treinadores devem e podem fazer nos clubes mais do que treinar, devem contribuir para a estruturação, definição de estratégias, dinamização do próprio clube, etc… 
Devem ter capacidade de trabalhar em equipa, seja com os restantes treinadores do clube, seja com os vários membros da estrutura de um clube. Ao mais alto nível devem mesmo assumir a “chefia” de equipas multidisciplinares (treinador-adjunto, recuperador físico, psicologo, treinador de guarda-redes, planeador do treino físico,…).
 Devem entender o fénomeno desportivo como algo muito mais abrangente que a competição, tais como os aspetos sociais e formativos do desporto. Termino plagiando e adaptando a seguinte ideia: “Quem só de hóquei em patins sabe, nem de hóquei em patins sabe!”.


O blogue THP agradece a prontidão e disponibilidade do treinador Nuno Carrão.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

LIVRO: HOCKEY PATINES - preparación física - RAMON RIVEROLA SABATÉ


Um livro que o blogue THP aconselha a sua leitura.

Clique na imagem para aceder ao mesmo

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

TREINO MENTAL



É normativo que o treino desportivo contemple as dimensões técnica e táctica.

Todavia, da mesma forma que o atleta necessita de ter conhecimento acerca das estratégias que podem derrotar o adversário, deve, também, saber como lidar com as suas “fraquezas” interiores e encontrar as estratégias de controlo e manutenção da homeostase psicológica.

Muitos treinadores descartam por completo a vertente psicológica dos seus atletas, aplicando-lhes treinos “militares”, onde privilegiam a obtenção de uma boa condição física a qualquer custo, muitas vezes onerando os indivíduos a nível psicológico. Esta sobrecarga física e psicológica leva, na maior parte das vezes, a um estado de burnout (esgotamento físico e psicológico - estado de extrema desmotivação e cansaço que leva, em certos casos, à desistência da modalidade), o que hipoteca, de certo modo, as suas capacidades e possibilidades de rendimento.

Por sua vez, há treinadores que desejam atletas psicologicamente fortes para serem capazes de lidar com as adversidades - a pressão - e para que estejam preparados para qualquer eventualidade resultante da competição; não sabem, contudo, como treinar as habilidades mentais dos seus atletas. Se, por um lado, a técnica e a táctica são algo concreto e observável, a força mental é algo subjetivo e que apenas o próprio atleta pode ter conhecimento claro.

Existem várias definições do que é o “treino mental”, muitas vezes também conhecido como “imagética”. De uma forma simples, o “treino mental”/”imagética” pode ser aplicado para aprendizagem e aperfeiçoamento de uma tarefa motora, como ensaio mental das estratégias da competição, para definir objetivos, para promover a concentração, para gerir o stress, para controlar respostas emocionais e para controlo da dor e recuperação de lesões.

O treino mental pode ser efectuado de três formas distintas:

1)  Por auto-verbalização: o atleta deve repetir mentalmente a prática de um determinado movimento de forma consciente.

2)    Por auto-observação: o atleta deve observar por “olhos mentais” um filme do movimento que ele próprio realiza, assumindo o papel de espectador de si mesmo, uma vez que observa de uma perspetiva externa.

3)    Ideomotor: o aleta deve procurar sentir e vivenciar as sensações dos processos internos que ocorrem na execução do movimento (e.g., tensão muscular).

Os atletas devem começar por aplicar o treino por auto-verbalização, para que possam melhorar a sua capacidade de imaginar o movimento de uma forma gradativa. O objetivo principal do treino mental é que o atleta seja capaz de se transferir para um estado psíquico que possibilite o desenvolvimento real das próprias possibilidades de rendimento.

Através do treino mental, um atleta pode reviver/reconstruir experiências positivas do passado, ou visualizar eventos futuros para poder preparar-se melhor para a performance.

Para que o atleta possa ser inserido num programa de treino mental deve apresentar determinados requisitos, designadamente: estar num estado de relaxamento, deve ter experiência própria das habilidades motoras e técnicas que pretende treinar mentalmente, deve imaginar movimentos que seja capaz de realizar (iniciar do mais fácil para o mais complexo) e deve estar predisposto a vivenciar de forma profunda o que vai treinar, da forma mais realista possível (ouvir sons, sentir o ambiente em que está envolvido) – este tipo de vivência da “imaginação” permite reações fisiológicas, como por exemplo contrações musculares, sudorese, etc.

Os atletas devem ter os seguintes pontos em especial atenção:

1)    OBSERVAR:
- Treinar apenas os movimentos nos quais já tenha experiência prévia, isto é, aqueles que já experimentou pelo menos uma vez.

- No início, principalmente, exercitar de forma detalhada e precisa. Começar sempre o treino mental num estado relaxado.

- Permanecer completamente concentrado durante a execução/imaginação.

- A imaginação mental da realização técnica não deve ser mais prolongada do que a própria execução da ação (deve ser imaginada em “tempo real”).

- Imaginar a situação da forma mais real possível (procure utilizar todos os sentidos).

2)    EVITAR:
- Exagerar a aplicação do treino mental – deve ser adicionado à prática, nunca substituí-la, a não ser que o atleta esteja lesionado ou extremamente fatigado.

- Pensamentos negativos (pensar em situações de fracasso).

- Bloquear os seus pensamentos.

- Uma medição inadequada do tempo total de duração da técnica.

A aquisição da técnica de treino mental acontece em oito passos, que não irei descrever neste artigo, devido à sua extensão.

Para finalizar, ressalvo que a eficácia do treino mental pressupõe prática sistemática, e deve ser parte integral da prática diária. Pode utilizar-se antes do treino (para o preparar), depois do treino (para rever o aprendido), durante o treino (para aprender gestos técnicos após um erro), antes da competição (como coadjuvante da capacidade de concentração e para prever como agir em determinadas situações), depois da competição (para recriar o sucesso e escolher estratégias alternativas para o insucesso) e nos intervalos prolongados das competições.

É de salientar, ainda, a importância do local onde se realiza o treino mental, que deve ser, preferencialmente silencioso e, além disso, realista (no local do treino e/ou da competição).

O treino mental/imagética pode ajudar a programar um atleta, tanto física como mentalmente. Pode ser considerada uma “fotocópia mental” de como realizar uma habilidade, o que resulta, na maior parte das vezes, em tomadas de decisão rápidas e correctas, maior confiança e melhor concentração. Mais ainda, a maior atividade neuromuscular proporcionada pela imaginação dos movimentos, ajuda os atletas a efetuarem movimentos mais fluidos, suaves e automáticos.

Fonte: Rute Carvalho, Licenciada em Psicologia, Mestranda em Psicologia do Desporto, in
http://www.pq-jornal.com/index.php?option=com_content&view=article&id=189:-treino-mental&catid=13:temas&Itemid=17

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ESCALA CORPORAL - COMPRIMENTO DO SETIQUE DE HÓQUEI EM PATINS E CONSTRANGIMENTOS INTRÍNSECOS EM CRIANÇAS - PROF. JOÃO SIMÕES

Prof. João Simões - HC Turquel

O blogue THP agradece ao prof. João Simões a sua disponibilidade de partilha de conhecimentos.

O Blogue THP, com a autorização do Prof. João Simões, disponibiliza a todos os interessados a tese.
Para descarregar, basta clicar na imagem para aceder à box do blogue THP.


O prof. João Simões (H.C.Turquel) realizou um estudo, no âmbito da sua tese de mestrado, onde foi verificado se existe relação entre as características antropométricas da criança e um comprimento funcionalmente mais ajustado do setique de Hóquei em Patins.
O estudo encontrou várias relações entre as medidas antropométricas e o comprimento de setique mais adequado.

Os resultados do mesmo, em linhas gerais, vêm consolidar a utilização de setiques com comprimentos menores junto das crianças, apontando como o setique de 105cm como o comprimento ideal para a iniciação de crianças até sensivelmente 1m50cm de altura com patins calçados.

A tabela seguinte reflete o comprimento de setique com melhores resultados em função da altura total com patins.

Tabela. Apresentação dos valores totais por setique e intervalos de altura de patins com respetivos valores totais, conjunto da amostra.

N
Altura Patins (cm)
115cm
110cm
105cm
100cm
95cm
90cm
Total Altura
5
<130
9,2
10
12,4
13
12,2
12,6
69,4
5
130-135
10,8
12
14,2
13,2
12,8
12
75
8
135-140
11,1
12,8
13,3
13,2
11,7
13,1
75,2
6
140-145
11,2
12,3
13,8
13,5
13,1
12
75,9
10
145-150
12,3
13,4
14,6
14,6
12,6
11,8
79,3
9
150-155
13,2
14,2
14
13,8
13
11,2
79,4
8
155-160
13,8
14,3
13,8
13
12,6
11,5
79
8
160-165
13
14,2
12,75
13
12,5
12
77,45
3
165 <
12,3
12
11,6
11
11,3
9,3
67,5
N=62
Total por setique
106,9
115,2
120,45
118,3
111,8
105,5



Recomendamos que as marcas que produzem setiques introduzam desde já, pelo menos, o comprimento de 105cm para que as crianças possam iniciar o manejo do setique sem constrangimentos desnecessários. A execução técnica deve reflectir as componentes críticas adequada inclinação do tronco (passe/condução), adequado afastamento entre mãos (passe/condução) e adequado afastamento da bola em relação ao atleta (condução). Julgamos que o treinador deve ter o papel principal de verificar qual o momento óptimo para se fazer a transição para um setique de comprimento maior tendo como referência a observação qualitativa da execução técnica dos seus atleta.

Para uma criança de 1,20m de altura, o manejo de um setique de 115cm (Figura 23 à esquerda) é bastante diferente do manejo de um setique de 95 cm (Figura 23 à direita), e estas alterações promovem necessariamente reajustes corporais ao nível das componentes críticas contempladas neste estudo mas também ao nível do cotovelo da mão da pega. Se o setique for muito grande em relação à criança, esta vê-se forçada a elevar o cotovelo, o que reduz em muito a amplitude de movimento que um setique mais adaptado lhe permite. 


Fonte: Tese de Mestrado do Prof. João Simões - Treinador do H.C. Turquel

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PRÉ-ÉPOCA - ALGUMAS INDICAÇÕES (2ª PARTE) - HÉLDER ANTUNES



No seguimento de mais alguns e-mails que recebemos e na sequência da nossa última publicação, publicamos hoje mais algumas indicações sobre a “Pré-Época”. Mais uma vez relembramos que este é um espaço de todos e qualquer treinador está à vontade para nos fazer chegar as suas ideias, sugestões, opiniões, exercícios, etc.

Em nosso entender:

- Os jogos reduzidos podem ser uma óptima estratégia de treino a vários níveis e sobre várias vertentes. Aqui ficam alguns exemplos de jogos reduzidos que para além de ser “bons” para o treino físico, também o são para o treino técnico/táctico:
                - Jogo 4*4 em campo reduzido

                - Jogo 3*3 em campo reduzido

                - Jogo 4*4 em campo normal

                - Jogo 3*3 em campo normal

                - Torneio intra-equipa

    - (…)

Salientamos ainda que cabe a cada treinador decidir qual o tempo de cada jogo reduzido. Há que ter em linha de conta a “saúde” física da equipa no momento.

- Os jogos condicionados podem também eles serem uma óptima estratégia de treino a vários níveis e sobre várias vertentes. Aqui ficam alguns exemplos de jogos reduzidos que para além de ser “bons” para o treino físico, também o são para o treino técnico/táctico:
- Jogo 3*3 sem GR e sem balizas com obtenção de ponto/golo quando uma das equipas realiza 10 passes consecutivos entre si sem perder a posse da bola (Vulgarmente conhecido também como “Jogo dos 10 Passes”.

- Igual ao exercício anterior, mas com 4 elementos em vez de 3.

- Igual ao exercício anterior, mas com 3 equipas de 3 elementos cada.

- Jogo formal em campo normal, mas com a condicionante de cada jogador não poder realizar mais de 4/5 toques na bola.

- Jogo formal em campo normal, mas com a condicionante de cada jogador não poder passar a bola ao mesmo jogador que lha passou.

- Jogo formal em campo normal, mas com a condicionante de cada jogador que está na posse da bola, perder a posse da mesma sempre que um jogador/colega da equipa adversária lhe tocar com uma mão nas costas.

- (…)

- Registar o peso e avaliar o Índice de Massa Corporal, é pertinente. Convém o treinador ou a equipa técnica ir registando os valores de cada atleta e posteriormente analisá-los.

- Não esquecer que os atletas devem ter sempre os seus níveis de hidratação estáveis.

- No final de cada treino, o retorno à calma é importante. Cabe a cada treinador orientar nesse sentido. Em nossa opinião, uma boa forma de realizar um bom retorno à calma e ao contrário do que é nossa convicção, o uso de sapatilhas é uma boa estratégia. Explicamos esta nossa opinião. No final de um treino de patins, se os atletas realizarem o retorno à calma de sapatilhas, terão um tempo de intervalo na transição entre patins e sapatilhas e isso é benéfico, uma vez que permite aos atletas hidratarem-se e restabelecerem um pouco nomeadamente o sistema cárdio-respiratório. Não convém que esta transição seja demorada. Seguidamente, os atletas ao realizarem uma corrida lenta de sapatilhas com uma duração entre 8 a 10 minutos diminuirão o lactato acumulado e de uma forma mais benéfica do que se realizassem o mesmo exercício de patins. Aqui não aconselhamos o uso de patins, porque os patins permitem que os atletas deslizem e como tal não irão produzir o efeito desejado. A seguir à corrida lenta de sapatilhas deve-se realizar uma sessão de alongamentos sobre as zonas musculares mais solicitadas ao longo da sessão do treino.


Opinião Pessoal de Hélder Antunes

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

PRÉ-ÉPOCA - ALGUMAS INDICAÇÕES - HÉLDER ANTUNES

Foto de Pedro Alves - Mundook.net


No seguimento de alguns e-mails que nos chegaram acerca da pré-época, elaboramos esta publicação.

Antes, porém, salientamos que é-nos de todo impossível dar indicações, sugestões ou tipo de trabalho a realizar num determinado escalão de um determinado clube. Cada clube tem as suas próprias condições de trabalho e horários de treino, bem como cada equipa tem a sua especificidade e cada jogador tem as suas próprias características.
Todo o planeamento e todo o trabalho a realizar deve ter essas nuances em consideração.
Aqui, na nossa opinião, cabe a cada treinador, mediante o que atrás foi descrito adaptar e planear o trabalho.

Assim sendo, optamos por realizar esta publicação, incidindo a mesma sobre alguns aspectos ou considerações que pensamos que devem ser levadas em linha de conta. Trata-se de uma publicação meramente pessoal e cabe a cada um ajuizar a relevância da mesma.

Informamos ainda, que estas considerações que a seguir indica-mos são mais direccionadas para o escalão sénior.

Em nosso entender:

- Cabe a cada treinador ou equipa técnica definir na fase de “pré-época” a utilização ou não de treinos físicos utilizando as sapatilhas. Pessoalmente, é nosso entender que os treinos nesta e noutra qualquer fase (excepto na fase de transição), os treinos devem ser maioritariamente ou exclusivamente de patins.

- É fulcral que se realizem testes físicos (preferencialmente validados) no inicio dos treinos de modo a que se possa obter dados reais sobre a condição física dos atletas, de modo a que depois o treinador ou equipa técnica possam planear adequadamente cada fase da época. Relembramos que os testes físicos devem ser realizados várias vezes ao longo da época de modo a que se registe a evolução da equipa e de cada jogador. Os testes físicos deverão ser sempre realizados em condições idênticas.

- É importante que quando se iniciam os treinos de patins (seja logo no 1º, 2º ou 3º treino) os primeiros treinos não contenham grandes cargas físicas. Nesta fase, normalmente, os atletas estão a adaptarem-se novamente aos diversos equipamentos ou a novos equipamentos e leva algum tempo a que o corpo se adapte ao material e vice-versa. Prova disso, são os inúmeros casos de atletas que fazem algumas feridas devido ao ajustamento dos equipamentos. Tal como é do conhecimento geral, um atleta com mazelas ou feridas fica impossibilitado de dar o seu máximo e pode ainda agravar a situação. Passados estes treinos de adaptação aos equipamentos, em nosso entender, propicia-se uma boa “altura” para elevar as cargas de treino.

- Todo o trabalho deve iniciar-se com grandes volumes de trabalho e baixas intensidades e à medida que os treinos avançam, baixa-se gradualmente o volume e aumenta-se gradualmente a intensidade. Para isto, os testes físicos são bons indicadores da altura certa para aumentar as intensidades.

- É importante nesta fase começar-se a sistematizar situações e rotinas de treino nas equipas, sejam elas quais forem.

- Não esquecer do treino específico dos guarda-redes é deveras importante. Também aqui, pensamos que o treino deve ser planeado e sê-lo especificamente para a posição do guarda-redes. Tal como se diz na gíria, um bom guarda-redes é “meia-equipa”, então não pode um treinador esquecer-se de treinar devidamente “meia-equipa”.

- É importante que o departamento médico ou alguém com essas funções acompanhe sempre de perto a equipa e os jogadores nesta fase.

- A marcação de jogos treino ou jogos amigáveis é também ela importante e em nosso entender quantos mais, melhor, desde que devidamente agendados. É uma forma de “dar ritmo” a todos os jogadores, de ver e sentir a evolução de várias situações e uma forma de analisar se a equipa está a corresponder aquilo que o treinador pretende.

- É sempre conveniente que haja diálogo entre a equipa técnica e os jogadores, para que estes possam perceber o que lhes está a ser “pedido”.

- É fulcral, desde o 1º treino, começar-se também a executar e planear todo um programa de planeamento mental (o chamado treino psicológico). Esta situação não pode ser só lembrada nas vésperas de um jogo ou no próprio jogo. Este tipo de planeamento é muitas vezes esquecido pelos treinadores e em nosso entender pode ser toda a base para o sucesso de uma época.


Mais situações a ter em linha de conta existirão, mas em nosso entender, pensamos que aqui ficaram publicadas algumas das mais importantes nesta fase.
Mais uma vez relembramos que cabe a cada um ajuizar a pertinência das mesmas.


Opinião pessoal de Hélder Antunes