sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ENTREVISTA - 6 PERGUNTAS A LUÍS DUARTE - SELECIONADOR NACIONAL DE PORTUGAL DE SUB-20

Foto de Pedro Alves - Mundook


Luís Duarte (LD) - Treinador de Hóquei em Patins e Selecionador Nacional de Portugal de Sub-20

«(...)Primeiro deveremos trabalhar todos os aspetos em função da equipa que temos, e depois de observação rigorosa dos adversários, utilizar uma estratégia para levar de vencida o jogo(...)»


1 – Quais as principais diferenças que um treinador encontra ao treinar uma seleção nacional em comparação com o trabalho diário num clube?

LD – Pela experiência que tenho, as diferenças são:
 Na Seleção temos maior tempo de visionamento dos atletas, mas menos tempo para os trabalhar…9 dias nos centros de treino e 3 semanas de estágio (em 2011), com 1 semana com 6 jogos e no clube temos cerca de 10 meses de treino diário e jogos aos fins-de-semana e o objectivo é sempre vencer, enquanto que nos clubes por vezes o objectivo é a manutenção.
No clube, durante a época consegue-se retirar o máximo de informações dos adversários, enquanto que, na Seleção, em alguns casos nem se sabe que atletas estão convocados pelos seus países até ao 1º jogo do campeonato.
Na Seleção estão convocados os 10 melhores atletas para a competição e possivelmente serão de clubes diferentes, logo o “trabalho de casa” para retirar o máximo de todos é diferente do que num clube, em que se trabalha diariamente.


2 – A todos os níveis, a Espanha que tem dominado o panorama Mundial e Europeu da atualidade em vários escalões. Caso para nos questionarmos sobre o trabalho que eles desenvolvem. O que têm eles que nós ainda não temos? Qual a tua opinião neste âmbito?

LD – A realidade é que a Espanha está, nos últimos anos, a vencer mais em termos de seleções, mas também em termos de clubes. Mas a diferença maior é no escalão sénior, pelos menos nos últimos 15 anos. Em Portugal e em Espanha trabalha-se com vontade e ambição de vencer, mas pelos conhecimentos que tenho de atletas que já jogaram em Espanha é que os atletas são mais concentrados, empenhados e os colegas de equipa são os primeiros a chamar a atenção dos seus companheiros, quando percebem que algo corre menos bem, e aí entra a questão de cultura e mentalidade que nos diferencia. Por outro lado, desde os Jogos Olímpicos realizados em Espanha, a sua postura e cultura nacional para o desporto modificou-se em muitos aspetos. Tenho a certeza de que os jogadores portugueses são melhores tecnicamente, mas no Hóquei em Patins atual não chega. Confirma-se também no Futebol, os casos do Brasil, Argentina relativamente à Espanha e aos seus titulos. A Espanha vence em várias modalidades os mundiais (basquetebol, formula 1, ciclismo, atletismo, ténis e hóquei em patins), porque será? Teremos que também alterar algo internamente para melhorar a prestação nos europeus e mundiais.


3 – Quais são os aspetos mais importantes para ti a ter em conta na preparação de um jogo como por exemplo uma final do campeonato do Mundo de Sub-20?

LD – Falando da última final contra a Espanha este ano em Barcelos, como em 2010 contra a Itália no Europeu, os aspetos foram todos considerados como muito importantes. Primeiro deveremos trabalhar todos os aspetos em função da equipa que temos, e depois de observação rigorosa dos adversários, utilizar uma estratégia para levar de vencida o jogo. A parte psicologica também é importante porque ficar na história por um título é sempre muito positivo e importante para qualquer elemento da equipa.


4 – Queres falar-nos um pouco sobre como foram planeadas, nas últimas 2/3 semanas que antecederam o Campeonato do Mundo de Sub-20, as sessões de treino de Portugal? Como foi direcionado o todo o trabalho? Quantas vezes treinaram os nossos jogadores diariamente?

LD – Treinamos 3 semanas, uma no Luso e duas em Barcelos, sempre com treinos bi ou tri diários de 2ª a 6ªf combinando com 1 treino ao sábado de manhã. Os treinos tinham a duração de 1h30.
O trabalho foi essencialmente tático, mas sempre com a componente física, técnica e psicológica em todos os treinos. Realizamos 4 jogos treino contra Sub 17, Espinho, Braga e Sanjoanense. Realizamos também algumas reuniões para observação de vídeos dos treinos e jogos treinos que realizamos, a fim de melhorar alguns aspetos menos positivos e também as coisas que realizamos bem para tirar partido durante a competição.


5 – Que perfil tem de ter um jogador da seleção de Portugal?

LD – Penso que o atleta deve cada vez mais ter um perfil que se possa adaptar e jogar em todos os locais da pista, ou seja o mais universal possível. Contudo, sabemos que existem atletas mais vocacionados para jogar mais perto da baliza contrário ou na zona meio campo, mas também penso que se pode alterar em função dos sistemas utilizados. O perfil dos atletas sub 20 é fácil…são sempre os 10 melhores que podem garantir o titulo a Portugal.


6 – Como defines o perfil do Treinador de Hóquei em Patins atual?

LD – Trabalha-se sempre para o sucesso do Clube ou Federação em que esteja inserido, tentando sempre, em função das suas convições realizar um trabalho digno, orientado para o melhor rendimento desportivo, levando a que todos os agentes trabalhem em prol do sucesso, dos objectivos preconizados.


O blogue THP agradece ao treinador Luís Duarte a disponibilidade e prontidão com que acedeu para colaborar com o blogue THP.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DESAFIO AOS LEITORES DO BLOGUE THP - TREINADORES DE HÓQUEI EM PATINS.

O blogue THP lança hoje um desafio a todos os seus leitores, em especial a todos os treinadores de Hóquei em Patins. O desafio é muito simples.

Estão publicadas mais abaixo 8 imagens. Cada imagem corresponde à marcação de uma grande penalidade do jogo Portugal - Argentina que se desenrolou no último Mundial de Sub-20 em Barcelos.

No momento exato em que cada jogador inicia o movimento do stick para bater a bola, nós, utilizando um programa devidamente validado para o efeito, paramos a imagem e medimos o ângulo de cada membro inferior de cada jogador.

O desafio que laçamos é que nos façam chegar as vossas opiniões e comentários acerca: 

- Será que a colocação dos Membros Inferiores influência o êxito na marcação da grande penalidade? 
- Será que o mais importante é a força de braços aplicada e não a colocação dos Membros Inferiores?
- etc.

Podem fazê-lo no ícone imediatamente abaixo desta publicação com o título de 'Comentários' ou enviarem-nos para o e-mail treinadoreshp@gmail.com.

Se formos vários a analisar, o consenso será maior e melhor para todos.


IMAGEM 1


IMAGEM 2


IMAGEM 3


IMAGEM 4


IMAGEM 5


IMAGEM 6


IMAGEM 7


IMAGEM 8


Um agradecimento especial ao Francisco Gavancho do blogue Cartão Azul por nos ter enviados os vídeos. Sem esta ajuda seria impossível esta publicação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ENTREVISTA AO TREINADOR DE HÓQUEI EM PATINS E SELECIONADOR DE MOÇAMBIQUE PEDRO NUNES

Foto de Pedro Alves - Mundook

Pedro Nunes (PN) - Treinador de Hóquei em Patins
Selecionador Nacional de Moçambique
4º Classificado no Mundial de San Juan 2011


«(...)Na altura ocorreu-me fazer uma pergunta a todo o Grupo. “Queremos mais ou tá bom o 8º lugar?” A resposta foi dada a uma só voz. “Queremos mais!”(...)»


1 – Como defines o perfil ideal do Jogador de do Guarda-Redes de Hóquei em Patins atual?
PN – Para que todos percebam e não me tornar repetitivo, vou-me centrar apenas nas competências hoquísticas.
GR - Boa patinagem específica, Mobilidade e flexibilidade, Velocidade de reacção membros superiores e inferiores, percepção e antecipação das acções (leitura de Jogo), participação activa na táctica colectiva da equipa.
Jogador – Suporte técnico – Táctica Individual – táctica Colectiva. Quanto mais desenvolvidas estiverem estas capacidades, mais perto estamos de ter um jogador que se possa considerar de ‘Perfil Ideal’.


2 – Dás importância ao trabalho psicológico numa equipa? Como o podemos trabalhar?
PN – Claro que sim. É fundamental. A ‘cabeça’ comanda tudo. Podemos e devemos trabalhar de várias formas. Depende das situações. No entanto, acho muito importante, que a componente psicológica seja, sempre que possível, trabalhada em conjunto com a restante preparação.


3 – Na tua opinião, qual a metodologia de treino mais adequada para o treino de Hóquei em Patins numa equipa Sénior? Porquê?
PN – A partir de um Modelo de Jogo, ou se quiseres, a partir de um conceito de jogo, trabalhar todas as vertentes nos aspectos gerais e específicos. Todas as Metodologias podem ser boas. Mais importante é sabermos adaptá-las à realidade que encontramos. E claro, saber quando e como as utilizar.


4 – Que características coletivas achas mais importantes que uma equipa deve ter, tendo em conta as regras atuais do Hóquei em Patins? Transições Rápidas? Posse de Bola? E porquê?
PN – Segundo a minha forma de trabalhar, penso que todas elas são fundamentais. Se tiver que escolher uma, sem dúvida alguma, as Transições Rápidas (Ofensivas e Defensivas). Porque o Jogo de Hóquei é, na minha modesta opinião, um jogo caracterizado predominantemente por Transições.


5 – Que lacunas, se é que elas existem, apontas à forma como se trabalha a formação em Portugal, nomeadamente nos atletas mais jovens? Para onde deve ser direcionado o trabalho dos treinadores?
PN – Sem querer retirar o valor aos meus colegas, nem tão pouco criticar o que quer que seja, respondo-te em simultâneo às duas questões.
Técnica de base (patinagem específica, manejo de stick e bola) e táctica individual. Eu sei que se trabalham estas componentes. Mas não se entra na especificidade das mesmas. Acredito e acho mesmo essencial, que se ‘entre’ na especificidade do treino. E existem ‘etapas de formação’ onde o treino individual tem uma enorme preponderância.
Pensamos demasiado na táctica colectiva em detrimento do que referi anteriormente. Desde muito cedo que vejo jogadores ‘amarrados’ a conceitos tácticos quando por vezes nem sequer ainda têm capacidades individuais suficientemente desenvolvidas para os desempenhar. Pondo o dedo na ‘ferida’, pensa-se muito em ganhar e pouco no desenvolvimento das capacidades individuais do atleta.


6 – Como defines o perfil do Treinador de Hóquei em Patins atual?
PN – Exactamente o mesmo que para outras modalidades. Tá tudo dito e escrito sobre esta matéria. Mais importante que a definição de um perfil, é a identificação que cada um de nós treinadores, tem das suas competências e responsabilidades inerentes à função que desempenha. Defendo mesmo que por vezes esse ‘perfil’ tem de ser ajustado pelo treinador em função da realidade em que está inserido. Por isso, acrescento um princípio que deve constar no tal ‘perfil. O da Adaptação. O treinador tem que ter a capacidade de se adaptar. A tudo e a todos. Mas claro, sem abdicar de ser ele próprio. É fundamental que não deixemos de ser nós próprios. Há muita tendência de copiarmos perfis que em nada têm a ver connosco.


7 – Em termos gerais, explica-nos um pouco como foi traçado o plano de preparação pré-mundial da seleção de Moçambique.
PN – Muito rápido e em traços gerais, os 30 dias de preparação foram distribuídos da seguinte forma;
24/08 a 01/09 – Treinos diários em Maputo com 11 jogadores. Todos eles a jogarem em Moçambique. Destes 11, foram escolhidos 7 para integrarem o estágio em Barcelona.
02/09 a 15/09 – Estágio em Barcelona – Aos 7 jogadores juntaram-se 4 jogadores Luso-Moçambicanos que jogam em Portugal. Treinos Bi-diários e realização de 6 jogos de treino.
19/09 a 23/09 – San Juan – Treinos diários + 4 jogos de preparação


8 – Que “situações” táticas ou rotinas implementas-te na seleção de Moçambique, quer a nível defensivo e ofensivo? Como defines táticamente a seleção de Moçambique que esteve presente no Mundial da Argentina?
PN – Tudo funcionou segundo o Modelo de Jogo definido. É evidente que dei maior enfase à Organização Defensiva e às Transições. Defino a selecção como Organizada, Disciplinada, empenhada e uma enorme crença no que estão a fazer. E isto pode fazer TODA a diferença. Acreditarmos no que estamos a fazer. Sempre.


9 – Como pode um treinador “gerir” e tirar partido do clima motivacional positivo a partir do momento em que a seleção de Moçambique conseguiu um lugar nos ¼ de final? A dada altura foi possível acreditar com a presença de Moçambique na final?
PN – Pode e deve tirar partido desse ‘clima’. Mas é muito mais importante saber geri-lo. A euforia era tanta que temi que o campeonato para nós acabasse naquele momento. Na altura ocorreu-me fazer uma pergunta a todo o Grupo. “Queremos mais ou tá bom o 8º lugar?” A resposta foi dada a uma só voz. “Queremos mais!” A partir daquele momento disse-lhes para festejarem (apelando à auto-responsabilização) mas que no dia seguinte, logo ao pequeno-almoço, tínhamos que nos focalizar no próximo adversário. O Brasil. Importava desfrutar do momento mas ao mesmo tempo, tentar que a euforia instalada na comitiva não comprometesse o desempenho no jogo com o Brasil. Final? Quem esteve no Prolongamento…3-3…com a Espanha…era obrigatório pensar que podíamos chegar à final. E eu acreditei, claro.


10 – Na tua opinião, a nível de toda uma organização do Mundial, o que destaques como pontos fortes e pontos a corrigir?
PN – Temos que melhorar em tudo! Infelizmente, a nossa modalidade não é exemplo para nada. A não ser que aprendamos com os erros que cometemos.
Dou apenas 3 exemplos.
Escolha criteriosa do Local. Vive-se hóquei? Não? Então não serve. O local não deve ser escolhido apenas por uma lógica financeira. Cheguei a acreditar na descentralização do H. Patins. Mas agora não. O Campeonato do Mundo, deve ser realizado em países/cidades onde de facto se ‘viva’ o H. Patins.
Horário de jogos. Há horas impróprias que importam eliminar. Não favorece o espectáculo e muito menos atrai o público.
Marketing / Comunicação – No hóquei somos terceiro-mundistas neste aspecto. Não basta o recurso às novas tecnologias se as PESSOAS não estiverem sensibilizadas para o efeito. No hóquei partilha-se e disponibiliza-se muito pouca informação. E esta, é uma responsabilidade de todos os agentes da modalidade. Há que, definitivamente, alterar mentalidades. O hóquei precisa e…agradece!

O blogue THP felicita publicamente o treinador Pedro Nunes pela classificação que a seleção de Moçambique obteve no Mundial de San Juan 2011 na Argentina e agradece a disponibilidade imediata com que acedeu a participar nesta entrevista para o blogue THP (ainda no decurso do campeonato do Mundo).

terça-feira, 11 de outubro de 2011

VÍDEOS - 7 EXERCÍCIOS SIMPLES DE HÓQUEI EM PATINS DE 2 PARA O GR

o Para visualizarem melhor os vídeos, cliquem na opção de full screen no canto inferior direito de cada vídeo.


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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

6 PERGUNTAS A LUÍS MOREIRA - TREINADOR DE HÓQUEI EM PATINS

Luís Moreira - Treinador de Hóquei em Patins


1 – Como defines o perfil ideal do Jogador de do Guarda-Redes de Hóquei em Patins atual?

LM - Dentro das ideias que preconizo, um jogador de hóquei deverá ser um grande atleta, com qualidades físicas e mentais acima da média, alicerçado depois no domínio das qualidades técnicas e tácticas da modalidade e uma liderança natural. Será um misto de jogador universal com grande capacidade de finalização. O guarda-redes ideal não foge muito do que escrevi anteriormente, sendo a diferença ao nível da posição específica. Para mim o guarda-redes deverá ser um atleta com uma flexibilidade e elasticidade muito grande, aliada a uma excelente patinagem, e domínio da sua zona de acção, capacidade de encurtar os ângulos em nos ataques à sua baliza, ser muito forte na utilização do stick, capacidade de lançar CT (contra -ataques), excelente capacidade de diálogo com os seus colegas, e ser muito bom nas acções que hoje têm grande % de decisão de jogos: os penaltys e LD (Livres Directos). Em termos gerais, com mais ou menos detalhe, assentam nas definições, o meu perfil ideal de um jogador e um guarda-redes de hóquei em Patins.


2 – Dás importância ao trabalho psicológico numa equipa? Como o podemos trabalhar?

LM - Dou mais importância à componente psicológica colectiva nos mesociclos mais importantes da época desportiva, é onde, faço vídeos individuais dos meus atletas, vídeos de motivação, vídeos dos pontos fortes e menos fortes dos adversários, e utilizo em algumas unidades de treino, musicas, cânticos que algumas claques utilizam nos jogos, entre outras acções que permitam tornar a equipa psicologicamente preparada para cada situação que possa acontecer no jogo que faça com que percamos a concentração. Durante outros microciclos e mesociclos, dou relativa importância à vertente psicológica, realizando unidades de treino em que escolho determinados atletas em que tudo faço para os levar ao limite da pressão e do stress e analisar a sua reacção. Este tipo de acções utilizo individualmente e com alguma frequência, essencialmente quando esse atleta vai jogar contra ex-equipa ou contra algum adversário que o marcou na sua curta carreira, sendo que a pressão passa de negativa a positiva na ultima unidade de treino, em que digo ao atleta que vai ser titular e que espero magia individual e colectiva por parte dele. Por isso, a vertente psicológica esta sempre presente com maior ou menor intensidade, e mais ou menos colectiva ou individual consoante a fase da época em que estamos.


3 – Que métodos achas mais vantajosos e/ou adequados para ter informações acerca das equipas adversárias? Que importância tem para ti o conhecimento das equipas adversárias tendo em vista a preparação da tua equipa? O que te poderá permitir isso?

LM - Conforme disse anteriormente, utilizo alguns suportes que me ajudem a ter máximo de informação possível sobre adversário, campo do adversário, tipo de claques/apoio, tipo de cânticos em determinada fase da época, e os métodos mais comuns são: observação via vídeo, observação de jogos ao vivo e treinos dos adversários. No entanto só começo a utilizar mais estes métodos, a partir de Janeiro/Fevereiro (fase final do Distrital e Inicio do Nacional), porque até essa fase, a minha focalização é preparar a minha equipa sem preocupação com a análise detalhada do adversário e utilizo muitos nesta fase visualização colectiva de vídeos de unidades de treino e jogos efectuados por nós. Na fase pré-competitiva, permite ter a minha equipa organizada e focalizada na melhoria dos nossos pontos menos fortes, nas nossas qualidades, e do ponto de vista individualmente é um apoio ao atleta que assim poderá observar os erros que comete e ajudá-lo a melhorar essas lacunas. Na fase competitiva, a orientação passa mais pela observação directa e análise de vídeos dos adversários, e isso permite conhecê-los melhor e procurar soluções para conseguir atingir o nosso objectivo.


4 – Do ponto de vista do treino físico, como treinador és “adepto” do uso de sapatilhas, do uso de patins ou de ambos? Como preferes realizar o teu trabalho nesse âmbito?

LM - Sou e sempre fui adepto de conjugar o treino físico com patins e sapatilhas. Das 4 unidades de treino semanal que oriento, temos uma unicamente dedicada ao trabalho físico, com utilização do ginásio no Estádio de Alvalade aonde trabalhamos força, muito através de musculação, velocidade, agilidade e flexibilidade. As restantes unidades de treino, fazemos sempre 30 minutos de trabalho físico de ténis antes de entrada para ringue porque só temos 1 hora 15 minutos de ringue diário, e preparo alguns circuitos que permitam utilizar o menos possível o ringue apenas para a valência física. No entanto, as unidades de treino já contemplam inúmeros exercícios que trabalham a componente física mas nestas situações com o incentivo de estarem de patins e quase sempre com bola e stick associado. Posto isto, digo que sou adepto de adaptação consoante as condições de trabalho que temos, mas fujo sempre que possível para alguns exercícios de sapatilhas para sair um pouco do habitat pavilhão porque muitas vezes satura e desgasta os atletas, e de vez em quando ir para a praia, para um jardim, andar de bicicleta, fazer canoagem, entre outros ajuda a fomentar o espírito de grupo e a voltar a sentir saudades do ringue.


5 – Que tipos de exercícios preferes nos teus planeamentos para o treino da técnica e da tática? Exercícios analíticos, lúdicos, jogos reduzidos/condicionados, etc?

LM - Depende sempre do que queremos trabalhar e com quais objectivos mas, regra geral, utilizo jogos reduzidos (ringue reduzido, jogar meio ringue com duas balizas lado a lado,) e muitas vezes condicionados a nº máximo de passes, finalização sem ser com a mão dominante, finalização só com bolas pelo ar, etc. Cada vez mais, utilizo jogos e exercícios que aprendo com as modalidades de futsal e basquetebol porque existe muita similaridade com a modalidade de Hoquei em Patins, além de terem muito mais bibliografia que o Hoquei.


6 – Como defines o perfil do Treinador de Hóquei em Patins actual?

LM - Utilizando e plagiando o ProfºNuno Carrão: Quem só de hóquei sabe, nem de hóquei patins sabe. Penso que isso resume o que penso do perfil ideal de treinador. Não sou adepto de que um treinador de hóquei deve ser só Professor de Educação Física, sou sim adepto de que um treinador de hóquei deve procurar perceber o máximo possível da formação que os professores de Educação Física possuem, perceber de psicologia, de motivação, de metodologia de treino, ser um amante e conhecedor da modalidade e da sua simbologia e princípios básicos, e procurar encontrar suporte em outras modalidades que o ajudem a ser melhor enquanto aglutinador de conhecimento para que possa transmitir da melhor maneira aos seus atletas os melhores ensinamentos. Um treinador por si só, deve ser um líder natural e com excelente capacidade oratório, um grande ouvinte, um exemplo pessoal, profissional e desportivo. Deverá ser sempre o “ amigo” que os atletas respeitam e procuram quando precisam, seja em que momento for, um treinador deverá ser a voz de comando do navio.

O blogue THP agradece a prontidão e disponibilidade do treinador Luís Moreira.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

5 PERGUNTAS A LUÍS SÉNICA - TREINADOR DE HÓQUEI EM PATINS


Luís Sénica - Treinador de Hóquei em Patins


1 – Como defines o perfil ideal do Jogador e do Guarda-Redes de Hóquei em Patins atual?

LS - Existem no meu entender um conjunto de características que se destacam e não tanto um perfil ideal…

No jogador o domínio da “trilogia” do Hóquei em Patins, com tão bem definiu Ernesto Honório, ou seja o domínio do patim, setique e bola, ao qual lhe juntava outros traços importantes reacções sensoriomotoras, capacidade de realizar acções complexas rápidas, procedimentos e resposta rápida, agilidade, controle emocional, cooperação, domínio do espaço, capacidade de mudança de movimentos, sentido de antecipação… entre outros.

No GR a grande diferença está na posição que adopta em relação aos seus colegas de pista, no material que usa para a sua posição específica o que implica o reforço de algumas características importantes como a patinagem específica da sua função, a coordenação fina intersegmentar, o sentido de ritmo, o sentido de equilíbrio a percepção óptima das distâncias a percepção da velocidade da bola dos colegas e dos adversários e um forte traço das capacidades volitivas.   


2 – Dás importância ao trabalho psicológico numa equipa? Como o podemos trabalhar?

LS - A capacidade psicológica pode influir positiva ou negativamente na capacidade de resposta dos atletas nas várias componentes do treino e do jogo. O objectivo principal do treinador será optimizar o rendimento do atleta e da equipa e nesse contexto o trabalho psicológico deve integrar-se no conjunto da preparação global, através da definição de objectivos, da imagética, da superação aos sinais de fadiga, da autoavaliação, dos jogos de treino, da marcação de livres directos, das grandes penalidades, dos jogos lúdicos, entre outros…


3 – Na tua opinião, qual a metodologia de treino mais adequada para o treino de Hóquei em Patins numa equipa Sénior? Porquê?

LS - Pessoalmente acredito na especificidade do treino a partir de uma “ideia de jogo”, mas entendo que não devemos generalizar, todas as metodologias são boas importa é saber quando e como usá-las.


4 – Que características coletivas achas mais importantes que uma equipa deve ter, tendo em conta as regras atuais do Hóquei em Patins? Transições Rápidas? Posse de Bola? E porquê?

LS - Olho de forma holística para essa relação. Entendo o processo de preparação da equipa de forma global, assente num conjunto de interacções das diversas formas que comportam o rendimento da equipa na pista.


5 – Que lacunas, se é que elas existem, apontas à forma como se trabalha a formação em Portugal, nomeadamente nos atletas mais jovens? Para onde deve ser direcionado o trabalho dos treinadores?

LS - Qualquer que seja o nível da prática desportiva que se considere existe uma questão incontornável, a relação dinâmica entre os indivíduos ou os grupos que nela participam.
Esta relação torna-se processualmente decisiva quando nos centramos na prática desportiva de crianças e jovens e na influência que particularmente treinadores e pais exercem sobre esses mesmos praticantes na orientação dos seus objectivos e nas motivações que procuram nessa prática.
A formação desportiva de um atleta tem obrigatoriamente que ser entendida com uma actividade educativa realizada por etapas e concretizada a longo prazo.


O blogue THP agradece a prontidão e disponibilidade do treinador Luís Sénica.