quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

GESTÃO DE CONFLITOS - TOMAZ MORAIS


Tomaz Morais

Uma equipa não pode viver sem conflitos. Os conflitos são essenciais para o crescimento, aprendizagem, motivação e melhoria das equipas. Não são necessariamente sempre negativos, e por isso devemos percebê-los e aproveitá-los no sentido positivo. A frase, dita desta forma, pode deixar no ar algumas dúvidas.

Os conflitos são, pela natureza das dinâmicas de grupo, uma presença constante no dia-a-dia das organizações, mas não só. Os conflitos, se forem bem geridos, podem mesmo funcionar como uma mais-valia para a vida das equipas. Por vezes é preciso provocar o confronto positivo para unir o grupo, já que o compromisso “ganha corpo”, de facto, nas adversidades.

Quando se pergunta porque é que se geram tensões no seio das organizações, as respostas aparecem sempre associadas a dois grandes grupos: por um lado, a competição interna, e por outro as divergências de opinião. É nestes dois campos que o líder deve actuar para conseguir que as “tensões contra” se transformem em “forças a favor”.

A competição interpessoal para assegurar um lugar na equipa é, indiscutivelmente, um dos principais focos de tensão dentro de uma estrutura. O choque entre as ambições pessoais pode deitar por terra um trabalho já longo.

Quem é preterido num processo de selecção acumula, independentemente da especificidade do caso, uma sensação de vazio interior. As pessoas têm tendência para acharem que o seu trabalho não foi valorizado ou que houve factores externos que influenciaram a escolha. Nestes momentos, cabe ao líder evitar que tais sentimentos se transformem em “frustração”. Como? É preciso fazer ver ao colaborador o “porquê” daquela tomada decisão, detalhando todos os motivos que a justificam.

Não se deve deitar ninguém fora à primeira, nem desperdiçar recursos que mais tardem podem vir a constituir-se como mais-valias, devemos demonstrar que existe um projecto para cada um, e que todos são fundamentais enquanto peças de um único “puzzle” – a equipa.

A outra área geradora de focos de tensão é, normalmente, aquela que está relacionada com a divergência de opiniões. E este ponto tem que ser entendido no sentido lato. Ou seja, quando se referem divergências de opiniões tomam-se como possíveis todas as “críticas” associadas por exemplo ao planeamento, à definição dos objectivos, à estratégia ou a uma abordagem em particular.

Encarando sempre a crítica como um primeiro passo no sentido do aperfeiçoamento”, considero ser um mau sinal quando um membro da equipa não se sente à vontade para criticar as opções do líder. Os líderes têm de ter a disponibilidade e abertura para ouvir as opiniões daqueles que consigo trabalham e, se for preciso, mudar os seus pontos de vista e readaptá-los. Os conflitos são sempre momentos dinâmicos que devem ser aproveitados para reflectir sobre o funcionamento do grupo.

Além disso, quer no caso da competição interna, quer no caso das divergências de opinião, se o líder assumir o comportamento acima descrito, o resultado final será sempre a soma de mais alguma coisa e nunca uma subtracção. São os conflitos que nos ajudam a olhar para o que fazemos, são eles que muitas vezes nos alertam para situações menos favoráveis, são eles que nos fazem conhecer melhor uns aos outros, são eles que nos fazem perceber que não somos todos iguais e que é preciso respeitarmo-nos uns aos outros.

São os conflitos, desde que não sejam motivados pela inveja ou incapacidade, que nos fazem reavaliar a nossa estratégia, arranjar novas soluções, conjugar e integrar os diferentes objectivos e expectativas, que nos unem como equipa, que nos fazem ficar mais fortes e aptos a responder à actual turbulência que exige que sejamos abertos, competitivos, competentes e capazes de responder aproveitando as múltiplas oportunidades que nos vão surgindo.


Fonte: Tomaz Morais,
http://www.tomazmorais.pt/content/content.asp?idcat=TEMAS&idCatM=temas&idContent=EBC3A63E-7E18-4D48-86CA-A439DA357FF0 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

TREINO ESPECÍFICO DE GR - HÓQUEI EM PATINS - DOCUMENTOS PARA DESCARREGAR

O blog THP - Treinadores Hóquei em Patins, disponibiliza mais 2 documentos em formato pdf:

"GR1 - Treino Específico de GR"

"GR2 - Treino Específico de GR"

Para aceder ao download dos documentos, basta clicar em cima de cada uma das imagens 



FONTE: Roller Trainer

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PATINAGEM E TREINO DE GR - HÓQUEI EM PATINS - DOCUMENTOS

O blog THP - Treinadores Hóquei em Patins, disponibiliza 2 documentos em formato pdf:

"Exercícios para GR de Hóquei em Patins"

"Patinagem"

Para aceder ao download dos documentos, basta clicar em cima de cada uma das imagens 

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FONTE: Josep Renau i Prades


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

JETLAG EM ATLETAS DE DESPORTO DE ALTA COMPETIÇÃO e A IMPORTÂNCIA DO SONO NO DESPORTO



JETLAG em atletas de desporto de alta competição

Um dos principais problemas que os atletas de alta competição se deparam hoje em dia é o JETLAG. 

JETLAG é um sintoma de descontrolo físico e emocional relacionado com o fuso horário, que muitas vezes está na origem das insónias temporárias ou ocasionais nos atletas.  O nosso relógio biológico modifica-se, porque o ritmo dia/noite a que estávamos habituados altera e o padrão natural do corpo. Dividido em 24 fusos horários, quando os atletas atravessam em pouco tempo vários fusos horários, frequentemente sentem o famoso “jet lag”. A problemática pode ser ainda maior, se a diferença horária no local de chegada causar dessincronização entre o ciclo de vigília-sono e o ciclo de luminosidade/escuridão.  Este sintoma de cansaço reduz imenso o rendimento de qualquer atleta, desmoralizando-o quanto às suas capacidades efetivas.  

Além da confusão com o ritmo de 24 horas do dia, também um nível inferior de oxigénio no avião contribui para a ocorrência do jet lag, pois o corpo do atleta sofre perda de fluido e de sal. O cansaço físico e a desidratação são os principais efeitos do jet lag, mas só os notamos quando viajamos com uma diferença de quatro horas entre o ponto de partida e o de chegada.  

A competição internacional exige frequentemente aos atletas, deslocações por avião para destinos com fusos horários bem distintos. Se a viagem de avião pode prejudicar a performance do atleta em competição a alteração forçada na dieta, o stress,  privação de sono, exposição ruidosa, ansiedade relacionada com o voo e com a competição, desidratação, ventilação de ar seco e pouco oxigenado, então a viagem aérea atravessando várias zonas horárias tem ainda maior impacto. Possivelmente o factor “casa” que faz com que muitos atletas que competem no seu território tenham uma preparação melhor e muitas vezes cheguem longe na competição, a qual não conseguiriam “fora de casa”, seja explicado de certa forma pelos factores relacionados com as viagens longas que afectam os outros competidores… 
  

O atleta que viaja para competir deve ter as seguintes preocupações:
  • O atleta de alta competição deve-se deslocar para o destino com uma semana de antecedência para recuperar.
  • O atleta deve-se preocupar com a sua alimentação antes e depois do voo. Evitar comer alimentos pesados e de difícil digestão directamente antes do voo.
  • Deve ainda procurar optar por uma alimentação a mais parecida e equilibrada que conseguir com os seus hábitos diários.
  • Deve-se movimentar bastante durante o voo. De preferência no corredor para de vez em quando caminhar um pouco. Se precisar fazer conexão, então aproveite o aeroporto para fazer caminhadas.
  • Tentar adaptar-se ao horário imediatamente após a chegada ao destino, acertar o relógio e tentar dormir ás horas certas mesmo que não tenha sono.
  • Durante o voo, lembre de beber bastante água sem gás, para repor a que perdemos através do ar seco na cabine. Não consumir bebidas com açúcar ou alcoólicas.
  • Exercícios de alongamentos e yoga à chegada, pode ajudar o atleta a recuperar todo o equilíbrio físico-psiquico perdido durante a viagem.
  • Evitar beber café, chá e álcool durante a viagem, pois os mesmos fazem o corpo perder mais líquido ainda.
  • Tentar adaptar-se ao horário imediatamente após a chegada ao destino, acertar o relógio e tentar dormir ás horas certas mesmo que não tenha sono.
c
       A importância do sono no desporto

Já aqui foi falado anteriormente num artigo sobre Jet-Lag em desporto de alta competição, a importância que o sono exerce sobre os atletas profissionais, e sobre todas as pessoas que praticam desporto no dia-a-dia.

Está comprovado que o desporto ajuda a combater a insónia, e que uma boa noite de descanso é a melhor amiga do corpo.

Visto isto, e se é desportista ou quer tirar o máximo rendimento dos seus treinos de musculação, cardio, perda de peso ou simplesmente manutenção… apresentamos lhe um guia de descanso nocturno que irá ajuda-lo a tirar o máximo partido dos seus músculos, e a estar apostos para enfrentar o dia seguinte com maior força e vitalidade:

Nº de Horas de Sono

12h
Aqui já está a passar das marcas. Um estudo publicado na revista “Sleep” descobriu que dormir 12horas aumenta entre 25% a 35% a probabilidade de ficar obeso.

10h
Melhorará os seus tempos de sprint em 8%, segundo comprovavam investigadores da universidade de Standford (EUA). Também melhorará os seus reflexos. Já tem mais uma desculpa para ficar na cama.

8h
Um estudo publicado no journal of Clinical Investigation descobriu que a hormona de crescimento (GH), encarregada de reparar os músculos, liberta-se durante o sono. Por isso quanto mais dormir maior será a dose de GH. No entanto o tempo médio de sono para um desportista deve variar entre as 8 e 10h, e nunca ultrapassar as 12h de sono diárias.

6h
Se treina e não dorme o suficiente, os músculos não recebem estímulos de que necessitam para crescer. Se pratica desporto activamente, deve dormir acima de 6 horas segundo revelam num estudo recente – investigadores da Universidade Estatal da Califórnia.

4h
A sua resistência diminuirá entre 15 a 40% e não potenciará o crescimento necessário dos seus músculos, segundo um estudo publicado no European Journal of Applied Physiology. Além disso no dia seguinte ficará com muito mau humor.

FONTE:
http://www.insonias.com/jetlag-atletas-desporto/
http://www.insonias.com/importancia-sono-desporto/

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS - TOMAZ MORAIS



Os perigos da ilusão

Quem começa por definir metas sem a certeza que tem meios para as concretizar, está no mau caminho. É por isto que não aceito que a estrada para o sucesso se construa a partir da definição de objectivos. Só depois de avaliados os recursos, planeada a macroestrutura, seleccionados os colaboradores e organizada a microestrutura, é que o líder tem uma noção exacta das reais possibilidades da sua equipa.

Quem inverte esta sequência tem o jogo viciado. Começar por definir objectivos e, posteriormente, erguer uma estrutura para alcançá-los, é meio caminho andado para a frustração geral. Porquê? Porque nesses casos as metas são definidas no ar e tudo soará a artificial: quer a avaliação das condições existentes, quer o planeamento, quer até o processo de recrutamento. Tudo isso estará,  à priori, artificialmente condicionado pelos objectivos que já foram traçados. O líder deverá evitar cair nesta rede falsa, que não é mais do que cultivar a ilusão irresponsável de querer atingir certos objectivos simplesmente “porque sim”.

As metas que definimos têm que ser sempre ambiciosas, mas ao mesmo tempo adequadas e realistas, porque os objectivos são para serem concretizados e não para deixar morrer. Se preferimos ser megalómanos e traçar objectivos sabendo que - com os recursos de que dispomos - não podemos atingi-los, cairemos num vazio, fazendo com que as pessoas deixem de acreditar em nós e naquilo que, ao fim ao cabo, lhes prometemos. Abre-se então aqui um ciclo vicioso que pode potenciar um processo de ruptura dentro da organização. Ao ver as metas distantes o líder pede mais esforço e dedicação aos seus colaboradores, mas os objectivos continuam a parecer difíceis de alcançar. Perante este cenário, a equipa vai perdendo motivação à medida que lhe é pedida mais entrega. Os colaboradores começam a sentir que o que lhes foi pedido é uma missão impossível, tendo em conta os recursos que têm à sua disposição e, pior do que isso, começam a cultivar uma relação de desconfiança com quem os lançou naquela empreitada.

Alertar para este perigo não significa aceitar que o segredo esteja no mínimo denominador comum. Aliás, sou um dos grandes inimigos da velha lógica lusitana do “q.b” (quanto baste) e confesso que um dos seus maiores desafios é ajudar os atletas a superarem-se, quer nos treinos quer nos momentos da competição. Quero que os meus jogadores acreditem naquilo que lhes digo quando, olhos-nos-olhos, lhes transmito que vamos conseguir superar os objectivos traçados. Quando isso acontece, é hora de dar largas à alegria e voltar repensar outras metas. Às vezes não é preciso ir muito mais além, basta sermos capazes de estender no tempo a concretização de determinados objectivos. No entanto, gosto de deixar bem claro que devemos festejar sempre que alcançamos algo positivo nas nossas vidas – é um bom método de motivação se for utilizado como trampolim para a definição de novos desafios.
Na vida, nos negócios ou no desporto de alto rendimento, o que importa é atingir os objectivos e vencer. Ainda assim, é preciso não esquecer que esses mesmos objectivos podem ser fundamentais para empurrar uma equipa para a frente, mas os erros na sua definição ou abordagem prática podem trazer ao grupo prejuízos por vezes irreparáveis. Para limitar a probabilidade de isso acontecer, o líder deve assegurar que:


  •     Sabe que tem reunidas as condições financeiras, físicas e humanas para atingir os objectivos definidos;
  •    Diagnosticou todos os obstáculos que podem surgir durante o caminho e deu conhecimento disso à sua equipa;
  •        Deixou claro qual a responsabilidade de cada elemento do grupo;
  •      Explicou detalhadamente à equipa porque considera os objectivos realistas e como vão ser alcançados;
  •     Reforçou a ideia de que nada se consegue sem trabalho, sem persistência e sem motivação;
  •     Sublinhou que os objectivos colectivos devem prevalecer face às metas individuais, mas deixando claro que a valorização pessoal é uma “mais-valia” para o grupo;

Este último ponto merece um destaque especial, tal é a controvérsia que costuma gerar dentro das equipas. A guerra silenciosa entre os objectivos pessoais e os objectivos colectivos deve ser encarada de frente. A solução não passa por ignorar que cada pessoa tem ambições distintas, mas por explicar ao grupo que é possível conciliar estes dois campos aparentemente antagónicos.
Na hora de definir prioridades, não tenho dúvidas em afirmar que os objectivos colectivos devem prevalecer sobre as metas pessoais. As equipas não valem pelas suas estrelas, até porque essas só existem no céu e até aí estão agrupadas. Ainda assim, sei que a motivação dos elementos do grupo depende, também, da concretização dos objectivos individuais que orientam a acção de cada elemento.

Mas na tentativa de encontrar o tal método de convivência salutar entre os objectivos do grupo e as ambições pessoais, constrói-se uma relação quase “parasital”. Uma pessoa só consegue atingir objectivos individuais se a equipa estiver bem, se a estrutura à qual ela pertence for atingindo resultados positivos – se olham para nós. Caso a equipa não jogue bem, ninguém conseguirá valorizar-se. Costumo dizer aos meus jogadores que se quiserem aspirar a voos mais altos têm que sobressair, e isso só vai acontecer se a nossa equipa for falada. E como podemos andar na boca do mundo? Se funcionarmos sempre em bloco, nos bons e nos maus momentos. Se mesmo quando perdermos olharem para nós como um exemplo de quem cai com dignidade. A isto chamo união de balneário.

Em jeito de conclusão, acredito que a valorização individual depende do sucesso da equipa, mas esse êxito só será real se todos esquecerem por momentos o seu próprio umbigo. Para pintar esta ideia, recorro muitas vezes a um exemplo do mundo do futebol: até Maradona quando marcou o golo da sua vida não o fez sozinho, precisou da mão de Deus.

FONTE: 
http://www.tomazmorais.pt/content/content.asp?idcat=TEMAS&idContent=8F39A941-5540-460C-8036-E48858FC478D

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ESPIRITO DE GRUPO - TOMAZ MORAIS - LEITURA OBRIGATÓRIA


Tomaz Morais

Tomaz Morais, Licenciado em Educação Física e Desporto, é Director Técnico Nacional; Consultor da International Rugby Board para a elaboração do plano estratégico de sevens; Orador em conferências sobre liderança, motivação, gestão de equipas e comunicação; Professor Universitário  convidado no ISCTE, Universidade Católica, Universidade Medecina e ISPA; Comentador do programa mais futebol do canal TVI24 e Colunista semanal do Jornal a Bola.


Espírito de grupo - a equipa como uma unidade

Só consigo entender a equipa como uma unidade, onde o todo é sempre superior à soma das partes e o “eu” aparece inevitavelmente depois do “nós”.
A unidade – chamemos-lhe a partir de agora “espírito de grupo” - constrói-se na diversidade de talentos, de opiniões, de formas de estar e de vero mundo. O segredo passa pela capacidade de colocar tudo isso ao serviço do colectivo. De que forma? Compreendendo desde logo que existem três pilares em que assenta a construção desse espírito: altruísmo, noção de compromisso e criação de “Values and Standarts.” Prefiro baptizar esta trilogia de – “primeira linha”. Daí estendem-se todos os outros elementos fundamentais para a criação de uma espécie de “pulso fechado em que os dedos estão todos muito juntos”. Destacam-se, por exemplo, a autoconfiança, capacidade individual e colectiva, vontade inabalável de vencer, respeito pelo adversário, humildade, e atitude positiva.
Este conjunto de aspectos básicos para a criação de um espírito de grupo efectivo é perfeitamente interiorizado pelos atletas. Percebe-se isso com a convivência, nota-se nos gestos e nas conversas. Quem duvidar, aceite o desafio de analisar os recortes de imprensa dos últimos anos e compreenderá uma realidade pouco surpreendente para quem está perto dos “Lobos”: todos acreditam que é nesse “espírito de grupo” que reside a sua maior força.

Com o Tomaz, o rugby deixou de ser lazer e a selecção passou a ser encarada como uma verdadeira religião.”
Luís Piçarra, antigo capitão da selecção de “quinze”

“O espírito de grupo é a grande alma da selecção. É normal que todos queiram um lugar e é claro que há competição, mas sem quezílias. Este é um grupo bastante unido e principalmente sincero, tanto jogadores como equipa técnica.”
Gonçalo Malheiro (Jornal “O Jogo””, 2 de Abril de 2004)

“Os 96 pontos conseguidos no Torneio Europeu das Nações foram muito importantes, mas o essencial foi ter ajudado nas vitórias da selecção, tal como os meus colegas fizeram, pois só marquei estes pontos porque toda a equipa trabalhou para eu conseguir.”
Gonçalo Malheiro (Jornal “O Jogo”, 2 de Abril de 2004)

“Confesso que posso ser individualista a jogar, até me chamam Quaresma, mas o importante é o espírito de equipa. Posso marcar 20 pontos e ser o melhor, mas posso também não marcar nenhum. Só me interessa é que a equipa ganhe. O Tomaz é exímio a explicar a importância desse espírito.”
Pedro Leal

Altruísmo – o “espírito de sacrifício” treina-se

A noção de altruísmo é um dos pilares que sustenta a consolidação do verdadeiro “espírito de grupo”. Desenvolvida em meados do século XIX por Augusto Comte – filósofo francês – a ideia aparece para caracterizar as predisposições humanas que nos motivam na dedicação ao próximo. Não é solidariedade. É também isso, mas muito mais. Qualificamos de altruísta aquele que está disposto a “colocar-se ao serviço”, mesmo que isso acarrete sacrifício ou prejuízo pessoal.
Ora, quando falamos na sedimentação de dinâmicas de grupo é necessário reforçar o papel desse tal “espírito de sacrifício” – o motor que nos move no sentido de nos superarmos em nome de objectivos comuns. Mas aprende-se a cultivar esse espírito?
É possível treinar a predisposição para suar a camisola em nome do grupo? Acredito que sim.
É claro que todos nós temos predisposições que vamos desenvolvendo ao longo do tempo. Ninguém questiona que determinados episódios das nossas vidas influenciam decisivamente a forma como nos posicionamos face a novos desafios. Até aqui tudo bem. Mas o que a maior parte das pessoas desconhece é a possibilidade de treinar, por exemplo, o espírito de sacrifício. Quando obrigo os meus jogadores a terminarem os treinos em situações de grande desgaste, estou a mostrar-lhes que no alto rendimento a fronteira entre o sucesso e o insucesso é muito ténue – no mesmo segundo posso ganhar e perder. A esse respeito, dizemos mesmo que o jogo só acaba no balneário e não quando o árbitro apita.
A verdade é que este trabalho em torno do “culto” do espírito de sacrifício tem dado resultados. Portugal parece talhado para vencer as partidas a caminho do duche. Para a história fica o pontapé de Gonçalo Malheiro, em Coimbra, no dia que Portugal se sagrou, pela primeira vez na sua história, campeão da Europa “B” em rugby de “quinze”. Isto para não detalhar, pelo menos para já, o ensaio de Diogo Mateus também nos derradeiros instantes de uma partida histórica contra a poderosa Geórgia: 34-30 foi o resultado final naquela tarde no Jamor.
Costumo dizer que o treino do espírito de sacrifício é uma forma de mostrar aos meus jogadores que, nas sociedades contemporâneas, o talento só por si já não significa absolutamente nada. É essencial que esse talento seja traduzido em trabalho e esse trabalho se reflicta no rendimento de toda a equipa. Nesse caso, o papel do líder dentro de qualquer organização não é impor o sacrifício, mas incutir nos colaboradores essa vontade de se colocarem ao serviço. Por exemplo, não vale a pena forçar alguém a dedicar mais tempo à empresa e a sacrificar, ainda que pontualmente, um detalhe da sua vida pessoal em prol do trabalho. No dia em que um colaborador se esquecer das horas e perder o último autocarro, então sim, o líder pode começar a pensar que está no bom caminho.

Noção de Compromisso: “o contrato invisível”

Compromisso é palavra-chave num grupo, mas esse mesmo compromisso começa precisamente na relação que o jogador deveser capaz de estabelecer consigo mesmo. A primeira coisa a fazer é tomar consciência do comprometimento individual - cada pessoa deve assumir a obrigatoriedade de ser rigorosa e exigente consigo própria. Se está a trabalhar numa equipa e assume esse ‘pacto’ com o grupo, então tem que estar presente, ‘vestir a camisola’, ser solidária, não desistir, aceitar as regras e o resultado final como o produto de um trabalho em equipa.
Tudo isto se passa naquilo que denomino de “dimensão do invisível”. Neste caso, o comprometimento não tem suporte físico – não há assinaturas, não há papéis nem notários –, é ”apenas” um sentir e uma responsabilidade assentes num pacto emocional que, apesar de tudo, ninguém parece ter coragem de quebrar.

Values and Standards: até as cervejas estão contadas!

No segundo estágio, em 2001, surgiu pela primeira vez a ideia de elaborar um documento que ajudasse a reforçar o sentido de compromisso entre equipa técnica e jogadores, e entre os próprios jogadores. Com esse objectivo, encontrámo-nos – os 35 elementos da “família Portugal” – numa sessão de “Team-Building” (reunião de equipa) e construímos um contrato apelidado de “Values and Standards”, onde ficaram definidas todas as expectativas e regras do grupo.
Assumo que não foi fácil. Só depois de muito trabalho, discussão e esclarecimentos, foi possível chegar a acordo sobre os “Values and Standards” para a época. Para trás ficaram as divergências do debate e as visões individuais. Uma vez alcançado o consenso, os compromissos assumidos convertem-se em “regras de ouro” da equipa. A partir desse momento, a questão da auto-responsabilidade passa a ser central no controlo das relações, uma vez que o documento foi elaborado por todos e para todos – quem quebrar o acordo está a violar regras criadas por si e assumidas perante todo o grupo.
Estaria a mentir se dissesse que é fácil gerir este tipo de “mecanismos auto-reguladores”. As dificuldades que encontro estão sempre associadas a uma característica que estrutura o nosso sistema educacional: temos tendência para sermos muito mais exigentes com os outros, facturando-lhes tudo aquilo que não somos capazes de cobrar a nós próprios.
Assim, e para contrariar esta condição quase inata, é necessário que tudo fique definido no documento de compromisso. Quando me pedem para dar um exemplo do grau de detalhe dos “Values and Standards”, costumo dizer que até está acordado o número de cervejas que a equipa bebe para festejar uma vitória.
O que não fica definido nos “Values and Standards” são os objectivos concretos em termos de resultados desportivos. Contudo, tenho a certeza que há palavras que não param de ecoar na cabeça dos meus jogadores e que, só por si, constituem um novo contrato invisível: combinei então com os meus jogadores que iríamos fazer os possíveis e os impossíveis para chegar ao Mundial.
Outro dos aspectos importantes neste contexto da concretização dos acordos colectivos, prende-se com a sua própria durabilidade. Nenhuma organização pode tornar-se refém de “regras” que os colaboradores já esqueceram ou nas quais deixaram de se rever. Quando isso acontece, os “Values and Standards” devem ser reavaliados e, se necessário, reformulados com uma nova sessão de “Team-Building”. O que não acontece, na maioria dos casos, porque as estruturas revelam constantes resistências aos processos de mudança.
A grande parte dos líderes lida mal com o confronto inerente à reavaliação e alteração deste tipo de contratos colectivos. Sentem que os seus “dogmas” podem ser postos em causa e que, por arrasto, a sua posição dentro da estrutura corre o risco de ser enfraquecida. Nada mais errado. Os líderes não esmorecem com alterações de paradigmas, mas desgastam-se quando as organizações perdem a capacidade para questioná-los.

FONTE: 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

OFERTA DE EMPREGO - TREINADORES DE HÓQUEI EM PATINS





Chamo-me Nuri Morgado e pertenço há equipa de Roller Derby Lisboa – Wonderland Rollers.

O objetivo do meu contacto é dar a conhecer a nova modalidade do desporto feminino em patins que se pratica em Portugal e saber se algum(a) treinador(a) do THP está interessado (a) em treinar as Wonderland Rollers – 1º equipa de Roller Derby em Lisboa.

Este desporto já cativou a curiosidade do canal de televisão SIC, SIC RADICAL, do Jornal A Bola e do Jornal I.
A 29 de Setembro, o Jornal A Bola fez a cobertura do jogo amigável entre Roller Derby Porto e Wonderland Rollers Lisboa.
A 16 de Outubro a SIC fez uma reportagem sobre o Roller Derby, onde participaram duas equipas, as Roller Derby Porto e as Wonderland Rollers Lisboa. A reportagem passou no telejornal da SIC das 13h e das 20h, de 21 de Outubro de 2012. Deixo o link da reportagem – http://www.youtube.com/watch?v=tcVufk665Rk&feature=share
Também no dia 16 de Setembro, a equipa do Curto Circuito da Sic Radical divulgou a nossa equipa - Wonderland Rollers Lisboa.
A 27 de Outubro, saiu uma reportagem das Wonderland Rollers, no Jornal I. Deixo o link da reportagem –http://www.ionline.pt/boa-vida/roller-derby-este-desporto-nao-meninos.
A 30 de Outubro, as Wonderland Rollers estiveram no Curto Circuito a explicar a modalidade Roller Derby.

Em termos de eventos as WRL participaram num jogo amigável com as Roller Derby Porto no dia 29 de Setembro e irão participar no evento Tattoo & Rock Festival 2012 a realizar nos dias 2, 3 e 4 de Novembro de 2012, no LX Factory.



O Roller Derby consiste numa corrida praticada numa pista oval na qual 2 equipas de 5 jogadoras cada (1 pivô, 3 bloqueadoras e 1 Jammer) disputam, entre esbarrões e muita ação, cada ponto.

O Roller Derby, no momento, é considerado o desporto com a maior expansão nestes últimos anos a nível Mundial e em Portugal desde que surgiu a primeira equipa, há cerca de 1 ano, já existem 4 equipas de Roller Derby, uma no Porto, duas em Lisboa e uma em Loulé.
O desporto está a concorrer para entrar nas Olimpíadas de 2020.

Apresento abaixo dois vídeos que explicam como se joga o roller derby.

Ao momento as Wonderland Rollers contam com 23 jogadoras, mas não dispõem de nenhum(a) treinador(a) oficial. Os treinos estão a ser dados por uma jogadora que tem experiência em patins.
Assim, venho por este meio solicitar que em caso de haver alguém interessado (a) em ser treinador (a) da primeira equipa de roller derby em lisboa, nos contacte para nurixilandra@gmail.com ou pelo contacto telefónico 936 108 261.
Nós estamos a treinar no CEDAR UTL no Pólo Universitário do Alto da Ajuda, às 3ª e 5ª feiras, pelas 21h20m.

Ficamos a aguardar resposta à nossa solicitação. Agradeço desde já toda a atenção dispensada e disponibilizo-me para qualquer contacto ou esclarecimento.

Contato telefónico – 919 920 267
Obrigada pela Sua atenção.

Cumprimentos,

Nuri Morgado