segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O ENSINO DA PATINAGEM E NÃO SÓ…

Opinião pessoal de Hélder Antunes (*)

"(...) bom ensino da patinagem não está ao alcance de todos (...)"


Ensinar a patinar obriga essencialmente a pessoa que orienta o ensino da patinagem a obedecer a uma lógica pedagógica e metodológica.
Primeiramente há que direcionar o ensino da patinagem para a faixa etária alvo. Ou seja, o ensino da patinagem a uma criança de 3 ou 4 anos, não poderá ser igual ou ter a mesma “estrutura” metodológica que se aplica ao ensino da patinagem a uma criança de 10 anos por exemplo. Só pela diferença de idades facilmente se percebe que o discurso ou a comunicação do treinador ou orientador deve obrigatoriamente ser diferente. No entanto, os exercícios poderão ser idênticos. Tudo depende do nível e da “velocidade” de aprendizagem de cada atleta.

Seguidamente, em meu entender, há que possuir conhecimentos mínimos, competências máximas e bastantes “sensações” (experiência, andar no terreno) por parte de quem ensina. Poderá não chegar, mas o mínimo a exigir deverá ser este.
Não chega somente possuir teoria, nem chega somente possuir experiência como jogador ou patinador. Tudo isso é necessário, mas há mais para além disso. Há que saber exemplificar, há que saber que tipo de linguagem se deve utilizar, há que saber cativar os atletas para o treino, há que saber brincar, há que saber ouvir, há que saber inovar todos os treinos, há que saber planificar e muito mais…

Um bom medidor do trabalho realizado por parte de um treinador que oriente formação base ao nível do ensino da patinagem junto dos mais novos é sentir algum cansaço no final de uma sessão de treino e sentir a sua roupa a “cheirar a criança”, fruto das mesmas lhe tocarem e agarrarem… Essa sensação é sem sombra de dúvidas um bom avaliador do trabalho de um treinador neste âmbito.

Na minha perspetica, penso que é inconcebível um treinador ensinar a patinar os mais novos sem que este nunca calce os seus próprios patins. Esporadicamente poderá acontecer do treinador não colocar os patins, mas sistematicamente é que não.
Se o treinador não sabe andar em cima de uns patins, então, segundo a minha opinião, acho que também não poderá ser treinador de formação.

Importante também é, não podemos colocar exercícios ou métodos de ensino aos quais muitas vezes nós que ensinamos não conseguimos realizar ou temos dificuldades. É também importante ter sempre patente que o ensino da patinagem deve ser lúdico e provocar prazer, ao invés de provocar insatisfação ou até mesmo dor.

Outro aspeto a levar em consideração é não copiar somente o que está “nos livros”. O que está nos livros nem sempre é o mais correto. Devemo-nos lembrar que um livro pode ser escrito por qualquer pessoa e essa pessoa pode sempre escrever ou ilustrar o que lhe mais interessa.
Nos dias de hoje ainda se cometem muitos erros no ensino da patinagem, mas há erros e erros… Um erro muito crasso que se comete na minha opinião é o ensino da patinagem artística em vez de se ensinar a patinar… Há que relembrar que primeiro surge a patinagem e somente depois é que surge a patinagem artística, o hóquei em patins, a patinagem de velocidade e o hóquei em linha. Normalmente este é um erro muito cometido nas escolas, em algumas instituições de ensino superior e em alguns clubes.

Nos dias de hoje já não se colocam sacas plásticas nos patins dos alunos. Primeiro porque não ensinam nada e segundo porque há outras formas de o fazer, tais como colocar os alunos em superfícies como tapetes e/ou colchões, ou até mesmo “apertar” mais as rodas aos patins de forma aos alunos sentirem confiança nos patins.

Nos dias de hoje é inconcebível ensinar-se a patinar somente com um patim no pé. Ora se um dos objetivos é dar aos alunos equilíbrio, ao retirar-lhes um patim estamos a desequilibra-los… Se a desculpa for que não existem patins suficientes para todos, então a solução é fácil, é criar exercícios por estações, onde numa estação se patine, numa outra se jogue basquetebol por exemplo.

Se queremos motivar as crianças e jovens para aprenderem a andar de patins, temos de ir ao encontro da especificidade de cada grupo de alunos e proporcionar-lhes prazer quando os mesmos calçam os patins.

Os exercícios a colocar devem ser sempre possíveis de realizar por parte dos alunos, minimizando-lhes o risco de queda ou outro tipo de acidentes. Não existe em parte nenhuma do mundo, uma lógica de exercícios a seguir no ensino da patinagem. Digam o que disserem, mas não existe. Existe sim, é um conjunto de objetivos e metas a alcançar. Há que lembrar que aquilo que num determinado grupo de alunos é exequível de ser aplicado, num outro grupo da mesma faixa etária, poderá não o ser. Há que adaptar e inovar.

Penso que é fundamental traçarem-se objetivos a atingir e através de uma vasta panóplia de exercícios lúdicos pessoais ou não e diferentes, colocar os alunos a realiza-los para que atinjam esses mesmos objetivos.

A atual conjunta económica está também a afetar o ensino da patinagem. É cada vez mais prática recorrente ver-se na orientação dos treinos de ensino de patinagem e formação de novos patinadores jovens inexperientes sem quaisquer apoios. Penso que isto acontece porque sem sombra de dúvidas é uma solução muito mais barata para o clube… Mais barata? Desenganem-se com o mais barata, é mais barata no atual momento e na despesa mensal de um clube, mas a médio e longo prazo é muito mais caro, atendendo ao preço que se poderá pagar pelo facto de não se “produzirem” jogadores com qualidade. Veja-se os inúmeros exemplos de clubes com fortes tradições no lançamento e projeção de novos valiosos jogadores e a situação atual… O que “produzem” agora? O que falha então? Vejamos como funcionavam as escolinhas há uns pares de anos atrás e vejamos como funcionam atualmente… As pessoas que estão ligadas aos clubes, perceberão muito bem o que aqui escrevo. 

Para finalizar, relembro que o bom ensino da patinagem não está ao alcance de todos. O bom ensino de patinagem está somente ao alcance de alguns.

(*)
Treinador de Hóquei em Patins (1, 2, 3) - Grau III 
Licenciado em Educação Física - Professor
Mestre em Atividade Física, Desporto e Saúde
(1) Ao serviço do FC Porto
(2) Ao serviço da Seleção Regional a AP Porto
(3) 17 anos de experiência

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PROGRAMA NACIONAL DE FORMAÇÃO DE TREINADORES



Clique na imagem para e/ou descarregar o livro.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

EFICÁCIA NA MARCAÇÃO DO LIVRE DIRETO EM ATLETAS DE ELITE, NA MODALIDADE DE HÓQUEI EM PATINS. - MIGUEL CAMÕES


Introdução: Em 2009/10 e 2010/11, o Comité Européen de Rink-Hockey (CERH) alterou de forma significativa as regras de jogo, objetivando tornar a modalidade de hóquei em patins mais atrativa.
Uma consequência das profundas alterações implementadas, encontra-se no favorecimento das equipas em função do número de faltas sofridas, com a marcação de livres diretos. Apesar do crescimento exponencial do número de oportunidades de golo iminente, é desconhecido na literatura a sua eficácia de concretização e o tipo de execução vinculado à maior probabilidade de golo.

Objetivo: Avaliar a eficácia na marcação do livre directo (LD), batido (LDB) vs. livre (LDL), em atletas de elite, na modalidade de Hóquei em Patins.

Métodos: Foram avaliados 8 jogadores de campo sub-17 (4 com estatuto de alta competição e 2 pré-seleccionados) e 2 guarda-redes (ambos pré-seleccionados), em condições de treino.
Cada atleta executou 10 LD para cada guarda-redes (n=20), dos quais podia optar, de forma aleatória (sem conhecimento prévio por parte do guarda-redes), por 5 LDB e 5 LDL.
Classificou-se como sendo LDB, o facto do atleta executar o remate direto à baliza e LDL quando o atleta optava por “atacar” o guarda-redes fintando e/ou enrolando a bola com um tempo limitado de 5 segundos. Dois avaliadores, detentores do curso de treinadores de nível III de Hóquei em Patins, procederam à recolha da informação e coordenação da execução em função das regras oficiais. Os livres diretos foram classificados (8x20=160) em executa (1) e não executa (0) e foi calculada a eficácia global de concretização ((Σ LDB e LDL)/20*100).
Adicionalmente, foi calculada a eficácia em função do tipo de execução, LDB:(Σ LDB)/10*100 e LDL:(Σ LDL)/10*100. Uma vez que as variáveis não apresentaram distribuição normal, utilizou-se o teste de Wilcoxon para comparar a mediana de eficácia entre os dois tipos de execução com recurso ao programa SPSS (versão 18.0).
Foram considerados significativos valores de significância (p) inferiores a 0,05.

Resultados: Entre atletas de elite, no escalão de sub-17, foi obtido um valor mediano de eficácia global na concretização de livres diretos de 32,5%. 
Quando comparadas as duas condições de execução, observaram-se diferenças significativas entre as medianas de concretização dos LDB e LDL (45.0% vs. 25.0%, respectivamente).

Conclusão: Apesar de as novas regras potenciarem a marcação de livres diretos, baixos valores de eficácia (32.5%) foram encontrados entre executantes de referência.
Contrariando o que se observa de forma transversal em todos os escalões de idades (execução do LDL), a marcação dos LDB demonstrou maior eficácia (mais 20%) quando comparado com a opção clássica de LDL, tornando-se a opção mais consistente no momento da tomada de decisão.

Fonte: Camões M1,2, Costa MJ1,2. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto. 2011, vol.11, Supl4:42. 
1 Escola Superior de Educação-Instituto Politécnico de Bragança
2 Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

VÍDEOS - 8 EXERCÍCIOS DE DOMÍNIO DE BOLA - HÓQUEI EM PATINS

VÍDEO 1
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VÍDEO 2
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VÍDEO 3
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VÍDEO 4
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VÍDEO 5
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VÍDEO 6
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VÍDEO 7
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VÍDEO 8
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