sábado, 31 de março de 2012

VÍDEOS - 5 VÍDEOS DE PATINAGEM - PARTE 1

Vídeo 1 - Passe/Travagem/Finalização
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Vídeo 2 - Patinagem 
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Vídeo 3 - Patinagem
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Vídeo 4 - Patinagem + Travagem Lateral 
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Vídeo 5 - Patinagem + Travagem Lateral
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segunda-feira, 26 de março de 2012

A PSICOLOGIA DO DESPORTO PELO MUNDO

Introdução

Definir o conceito de «psicologia do desporto» não é tarefa fácil. Talvez porque as definições que “são habitualmente apresentadas reflictam a coexistência de múltiplas concepções teóricas e metodológicas” (Riera, 1985: 30). Porém, parece-nos importante apresentar aqui um dos possíveis entendimentos deste conceito. Todavia, começaremos no entanto, por referir que “Psicologia é o ramo da ciência que estuda os fenómenos da vida consciente, na sua origem, desenvolvimento e manifestações” (Brito, 1994b: 173). Ainda segundo este autor, é usual que de acordo com os indivíduos e as actividades que são estudadas, dividir a psicologia em várias “ramos” (psicologia clínica, animal, da criança, etc.). Por outro lado, é ainda vulgar considerarem-se a existência de “áreas, divisões, escolas, teorias ou tendências” da psicologia, conforme a metodologia ou a perspectiva filosófica.

É pois nesta perspectiva que entendemos a psicologia do desporto, isto é, uma área da psicologia, estabelecida em função de uma actividade que, segundo Brito (1994b; 1996b) e Alves, Brito e Serpa (1996), vai estudar o comportamento dos indivíduos em situação de prática desportiva bem como todos os fenómenos da vida consciente que a ela se podem associar.

Uma outra questão que nos parece importante e que segundo Brito (1996a: 168) é “um problema que ainda hoje se discute” é a que diz respeito à pertinência da existência de uma psicologia do desporto como ciência e ramo independente da psicologia geral. Relembremos que os autores pioneiros desta nova temática, estabeleceram fortes ligações com outras áreas científicas, em especial com a psicofisiologia, a medicina psicossomática, a psicologia clínica e a psicopedagogia (Brito, 1996a) e que a diminuta clarificação da sua identidade, gerou uma certa dificuldade de afirmação no que se refere ao seu objecto de estudo. Todavia, como disse Gueron (1977, cit. por Brito, 1996a: 67) “nenhuma ciência definiu logo à nascença o seu objecto. A história do pensamento científico prova que as ciências se separam pouco a pouco umas das outras, nascendo no seio de outras ciências”. A psicologia do desporto não é excepção.

Assim, seguindo o raciocínio apresentado por Brito (1996a), e porque o desporto é, por si só, dotado de características particulares, específicas, como o são as regras, os espaços de prática, o vestuário, as motivações, os dirigentes, os juízes, o público, a imprensa e outras, “o estudo da vida consciente e do comportamento dos seus participantes e de todas os que nele participam justificam a existência de uma área específica da psicologia” (Brito, 1996b: 69).

Em suma, concordamos que a psicologia do desporto seja “um ramo independente da psicologia porque os elementos psicológicos do desporto são específicos e se distinguem radicalmente dos observados noutros domínios da actividade humana” (Brito 1996a: 69), caracterizando-se este novo ramo da psicologia, como a ciência que se dedica ao estudo dos efeitos dos factores psicológicos (afectivos, cognitivos, motivacionais, sensório-motores e outros), no comportamento do ser humano em situação de prática desportiva, bem como, os efeitos que essa participação, em actividades físicas competitivas e recreativas, poderão ter nos seus praticantes. O seu objecto de estudo é o próprio desporto e os seus intervenientes mais directos (Brito, 1990, 1994b, 1996a e 1996b; Singer, 1993; Weinberg e Gould, 1995; Alves, Brito e Serpa, 1996; Cruz, 1996).

Perspectiva global da evolução da psicologia do desporto

O início da história da psicologia do desporto caracteriza-se pela, já anteriormente referida, coexistência de inúmeras concepções filosóficas, escolas, teorias, etc. Se por isto é complicado definir o seu conceito, já o dissemos, também é, pelas mesmas razões, estabelecer uma data concreta em que a psicologia do desporto nasce e surge como área independente da Psicologia (Brito, 1990). No entanto, é frequente situar-se a sua criação no ano de 1965, aquando da realização do I Congresso Internacional de Psicologia do Desporto (Brito, 1996a). Todavia, podemos considerar que o interesse pelo estudo desta temática surgiu muito antes, impulsionado por diversos investigadores de diversas áreas científicas (Brito, 1991 e 1996 e Serpa, 1995). Como diz Cruz (1996: 22), “para se compreender a origem desta nova disciplina científica e actividade profissional, teremos de recuar aos finais do século passado”, referindo-se, como é óbvio, aos finais do séc. XIX.

De facto, os primeiros trabalhos conhecidos e realizados nesta área datam do final do séc. XIX, Fitz em 1895 nos EUA, Schultze em 1897 na Alemanha e Tripllet em 1898, também nos EUA, conquistaram o seu lugar na história ao realizar as primeiras investigações na área da psicologia do desporto (Brito, 1990; Weinberg e Gould, 1995; Alves, Brito e Serpa, 1996; Cruz, 1996 e Fonseca, 2001). Se bem que o grande e o verdadeiro impulsionador deste novo domínio do conhecimento, de acordo com os mesmos autores, tenha sido Pierre de Coubertin, ao lançar “no mundo do desporto, a primeira chamada de atenção para este tema” (Brito, 1990: 5), patrocinando e promovendo um Congresso Internacional de Psicologia e Fisiologia Desportivas, em 1913.

Por volta dos anos 20 e 30 os trabalhos intensificaram-se um pouco por todo o mundo, nomeadamente nos EUA, na URSS, na Alemanha, no Japão e na Checoslováquia. Foi também por esta altura criado o primeiro laboratório do mundo de psicologia do desporto, designado de “motor learning laboratorie” em 1925, na Universidade do Illinois, nos EUA, pela mão de Coleman Griffith. Outros acontecimentos marcantes sucederam-se, como a introdução de cadeiras de psicologia do desporto em várias Universidades dos EUA e da URSS (Brito, 1990, 1994b e 1996b e Alves, Brito e Serpa, 1996).

Existe um certo consenso, que foi após a 2ª Grande Guerra que começou o «boom» generalizado em torno da psicologia do desporto. Na realidade, o desenvolvimento do desporto como ciência bem como da metodologia do treino, originados em grande parte, pela “oposição entre os blocos capitalistas e comunistas” (Alves, Brito e Serpa, 1996: 8), que intensificaram a “luta pelas medalhas” (Brito, 1990: 6), vieram contribuir para esta expansão.

Segundo Brito (1990), foi de facto a partir da 2ª Grande Guerra que o interesse na área da psicologia do desporto se desenvolveu. Esta fase, que viria a ser conhecida por “Primeiro período” (Feige, 1977, cit. por Alves, Brito e Serpa, 1996: 8), caracterizou-se pelas várias investigações realizadas a título individual.

A psicologia do desporto foi pois, a partir deste momento “alargando-se a praticamente todas as modalidades e múltiplas situações” (Brito, 1990: 6) e foi também nesta época (de 1966 a 1977) que se tornou num ramo autónomo da Psicologia Geral (Raposo, 1996).

Se numa fase inicial da vida da psicologia do desporto as pesquisas que se realizavam eram pouco divulgadas ou mesmo mantidas em segredo (Brito, 1990 e 1991), com o crescente reconhecimento da importância desta área, o número de trabalhos cresceu sendo já “impressionante” (Brito, 1990: 14). Felizmente, esta crescente produção científica é acompanhada, na opinião de Brito (1996a) por um incremento de qualidade, que é também referido por Fonseca (2001).

Como já referimos anteriormente, foi nos anos 60, nomeadamente em 1965, que o Mundo foi alertado para a importância da definição de uma nova área da psicologia. A realização nesse ano, do I Congresso Mundial de Psicologia do Desporto, em Roma, organizado por iniciativa da Federação Italiana de Medicina Desportiva, sob a orientação de Antonelli, possibilitou a apresentação de valiosos contributos para o desenvolvimento deste domínio, que levaram a situar, em 1965, a criação da Psicologia do Desporto, ”por uma questão formal, ou simples comodidade” (Brito, 1996a: 67). Quase em simultâneo, era criada a Sociedade Internacional de Psicologia do Desporto (ISSP) e várias sociedades nacionais. Assistiu-se então, a um período de grande desenvolvimento, marcado por uma enorme cooperação internacional e que se exprime nos posteriores Congressos Mundiais, realizados de 4 em 4 anos (Washington 1969, Madrid 1973, Praga 1977, Otava 1981, Copenhaga 1985, Singapura 1989, Lisboa 1993, Israel 1997 e Atenas 2001 - o próximo será realizado em 2005 na cidade de Sidney), sendo toda a informação veiculada através de revistas da especialidade em todo o mundo, entre as quais o International Journal of Sport Psychology, criado pela ISSP em 1970 (Brito, 1990 e 1991, Alves, Brito e Serpa, 1991 e Cruz, 1996). Das várias publicações existentes, dedicadas exclusivamente à Psicologia do Desporto, Fonseca (2001) destaca ainda: The Sport Psychologist, criada em 1987; Journal of Sport & Exercise Psychology (1988) e considerada a mais importante pelo autor; Sport Psychologie (1987); Journal of Applied Sport Psychology (1989); Revista de Psicologia del Deporte (1992); Psychology of Sport and Exercise (1997).

Para além dos congressos mundiais que registaram um grande interesse por parte das instituições de ensino superior, atraindo psicólogos, professores de educação física, treinadores e técnicos desportivos, motivando assim, a inclusão de psicólogos desportivos na preparação dos atletas a vários níveis, é de salientar ainda, a inclusão da disciplina de psicologia do desporto em várias universidades, tanto de ciências do desporto como de psicologia.

Em matéria de investigação, segundo Brito (1990) apoiado em dados de Antonelli (1977), o número de trabalhos publicados anualmente nesta área, no final da década de 60 e durante a de 70, foram cerca de 500. Na década de 80 esse número disparou para 2000, devido em grande parte à realização dos congressos e publicações de revistas, sendo os temas mais desenvolvidos os seguintes: stress, ansiedade, controlo emocional, treino mental, motivação, processos cognitivos e tomada de decisão. Actualmente este número pecará certamente por defeito (Fonseca, 2001) devido à elevada quantidade de revistas existentes e livros editados, bem como à informação veiculada através das várias jornadas, conferências e congressos que se realizam todos os anos. Na última década, segundo o mesmo autor, os temas/áreas mais abordadas foram: motivação; exercício, saúde e bem-estar; stress; treino mental; ansiedade; liderança; personalidade; processamento da informação e tomada de decisão; avaliação e metodologia; emoções.

A história da psicologia do desporto em períodos

A respeito da evolução da psicologia do desporto a nível internacional, Brito (1996a) apresenta-nos nove períodos marcantes. Apesar desta divisão poder suscitar a ideia de estanquicidade, tal não corresponde à verdade pois todos os períodos foram estabelecidos em função das principais publicações tendo-se sucedido uns aos outros de forma mais ou menos fluída.

Assim, este autor considera como primeiro período o dos “percursores” ou “pioneiros”, tendo decorrido de 1890 a 1920 devido à procura de se relacionar o desporto com a psicologia. De 1920 a 1930 e de 1930 a 1945, as “fases preparatórias” caracterizaram-se fundamentalmente pela tentativa de se definir o conceito de psicologia do desporto com base nos estudos efectuados ao atleta e a todo o fenómeno desportivo em geral. O terceiro período, designado por “primeira etapa de desenvolvimento” e correspondendo ao hiato temporal de 1946 a 1965, reconheceu a psicologia do desporto não só como um fenómeno possuidor de características específicas, como também, sendo uma nova área da psicologia geral. Nesta fase, surgiram tal como já referimos anteriormente, em algumas Universidades, laboratórios acentuando-se desta forma, os chamados trabalhos no terreno. De 1966 a 1977 a “fase da autonomia” marcou a história da psicologia do desporto por ter sido durante este intervalo de tempo que ela se tornou num ramo autónomo da psicologia geral. No entanto, só no período seguinte, de 1978 a 1981 é que a psicologia do desporto efectivou a sua “especificidade” através da apresentação de novas áreas de investigação associadas ao desporto. O período seguinte caracterizou-se pela forte intervenção no desporto de alta competição, acentuando-se desta forma a especificidade anteriormente referida. Era uma psicologia do desporto virada para o rendimento desportivo a qual adoptou o nome de período da “definição da originalidade” e decorreu entre 1982 e 1985. De 86 a 87, época da “especialização” verificou-se o aperfeiçoamento de determinadas técnicas, nomeadamente a do treino mental, assim como o desenvolvimento de estratégias como a preparação psicológica, sendo privilegiadas as cognitivas. A esta fase, seguiu-se a da “excelência”, de 1988 a 1990, em que a psicologia do desporto se dedica quase exclusivamente à alta performance através da preparação mental dos seus atletas. Finalmente surge-nos, na última década, a fase da “confirmação” que, também pelo rigor revelado nas suas investigações, conferiu a aceitação universal e indiscutível da psicologia do desporto.

A psicologia do desporto em Portugal

Comparativamente com os restantes países da Europa e da América do Norte, podemos considerar que a Psicologia do Desporto em Portugal surgiu mais tarde (Cruz, 1996). Podemos mesmo, segundo Serpa (1995) situar a sua origem no ano de 1940, com o aparecimento do então Instituto Nacional de Educação Física (actual Faculdade de Motricidade Humana - F.M.H.) e a introdução das cadeiras de psicologia geral e aplicada, que tinham um peso importante nos seus planos curriculares.

Os primeiros contributos, realizados na década de 60, por Aníbal Costa, Alves Vieira, Noronha Feio e Paula Brito (Brito, 1990; Serpa, 1995 e Cruz, 1996), iniciaram o processo de estudo e divulgação da psicologia do desporto, despertando o interesse dos profissionais de psicologia e de educação física. No entanto, o mérito do nascimento deste ramo da psicologia deve ser atribuído a António Paula Brito, “verdadeiro pai da psicologia do desporto em Portugal” (Cruz, 1996: 31). A sua actividade de investigação, formação e intervenção neste domínio foi e continua a ser, um marco histórico e um ponto de referência para todos aqueles que se dedicam ao estudo e investigação nesta área.

É em plena década de 70, que se começam a concretizar os passos mais significativos rumo ao desenvolvimento da psicologia do desporto (Brito, 1990; Serpa, 1995; Alves, Brito e Serpa, 1996 e Cruz, 1996). No ano de 1975, para além do referido instituto de educação física em Lisboa também no Porto, através do Instituto Superior de Educação Física (actual Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física), se começa a privilegiar a psicologia nos planos curriculares.

Em 1978, cria-se a Sociedade Portuguesa de Psicologia Desportiva (SPPD), embora só viesse a ser fundada oficialmente em 1980. Nesse mesmo ano (1978), para além da intervenção prolongada e sistemática de um psicólogo na Federação Portuguesa de Judo e da integração de apoio psicológico nos esquemas de trabalho da Comissão de Preparação Olímpica, foi criado o primeiro laboratório de psicologia do desporto no Instituto Superior de Educação Física (antigo I.N.E.F. e actual F.M.H.) da Universidade de Lisboa, sendo também incluída uma disciplina específica desta área nos seus planos curriculares.

A intervenção da psicologia no desporto português foi-se alargando nos anos seguintes. Esse desenvolvimento foi acompanhado, em simultâneo, pelo ensino superior e pelos agentes desportivos. A década de 80 tornou-se um marco importante no desenvolvimento desta especialidade em Portugal, principalmente no que se refere à investigação e produção científica. As áreas preferenciais de estudo situam-se nos aspectos emocionais e ansiedade, preparação psicológica, reaciometria, atenção/concentração e liderança (Brito, 1990 e Cruz, 1996).

O período dourado da psicologia do desporto, fase por excelência de implementação e enraizamento deste domínio no nosso país, verificou-se em plena década de 90, onde se recuperou parte significativa do atraso em relação aos outros países mundiais (Cruz, 1996). O contributo decisivo para tal progresso deveu-se em muito à realização de várias jornadas e seminários nacionais e internacionais, um pouco por toda a parte, atingindo-se o apogeu com o VIII Congresso Mundial em Lisboa, no ano de 1993. Este evento viria a juntar no nosso país várias centenas de especialistas de todo o mundo.

A produção científica aumentou significativamente, quer em termos de publicações, quer da realização de provas de doutoramento e mestrado na área específica da psicologia do desporto. Neste sentido, o papel de várias universidades e alguns politécnicos, tem sido preponderante, através da inclusão de disciplinas específicas da área nas licenciaturas de ciências do desporto, educação física e psicologia. A criação de laboratórios e a realização de pós-graduações, mestrados e doutoramentos têm também contribuído de forma decisiva para o desenvolvimento deste domínio. Segundo Cruz (1996) o primeiro mestrado em Psicologia do Desporto foi lançado pela Universidade do Minho em 1994. Actualmente a Faculdade de Motricidade Humana e a Escola Superior de Desporto de Rio Maior também o leccionam.

Segundo dados de Serpa (1995) e Cruz (1996), existem no nosso país oito pólos principais de estudo e investigação: Universidade do Minho, Faculdade de Motricidade Humana, Centro de Medicina Desportiva do Sul, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto e da Universidade de Coimbra, Instituto Superior de Psicologia Aplicada de Lisboa e a Escola Superior de Educação da Guarda. Actualmente, a Escola Superior de Desporto de Rio Maior também constitui um ponto de referência, iniciando-se no ano lectivo de 2002/2003 a primeira licenciatura de Psicologia do Desporto e Exercício em Portugal.

Segundo Brito (1990) até ao início da década de 90, o número de trabalhos publicados em Portugal rondou os 100, sendo desenvolvidos temas em várias áreas, tais como: ansiedade; factores emocionais; preparação psicológica; perfis psicológicos; reaciometria; atenção; concentração; liderança; relação treinador-atleta; controlo emocional; agressividade e outros. Nos últimos anos, a psicologia desportiva nacional “tem vindo a evidenciar um salto qualitativo claro e notório, no desenvolvimento académico e profissional” (Cruz, 1996: 34). A investigação desenvolve-se a bom ritmo, assim como o intercâmbio internacional, onde Portugal se situa no pelotão da frente. Começam também a ser mais frequentes os pedidos de intervenção no terreno do treino desportivo, não só das equipas e atletas de alta competição, mas também nos escalões de formação, reconhecendo-se assim o inestimável papel desta ciência na preparação desportiva.

Em suma, de acordo com Fonseca (2001: 120), actualmente parece ser pacífico declarar que este ramo da Psicologia “ganhou claramente a batalha da quantidade, ou da sua afirmação”. Importa agora cada vez mais travar “de forma empenhada e sustentada, a batalha da qualidade”.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A análise das valências envolvidas no âmbito do treinamento desportivo de alto rendimento


Principais objetivos

    O objetivo específico de uma equipe ou atleta de alto rendimento é sempre o de ganhar. Porém, ao pensarmos em objetivos gerais, estes variam de acordo com cada equipe ou atleta. Quando se trabalha com uma equipe ou atleta de alto porte, o objetivo principal é sempre o de ser campeão. Ao se trabalhar numa equipe ou com um atleta de porte médio, o objetivo pode se modificar, como por exemplo, alcançar uma colocação intermediária, que honre as tradições do clube ou atleta. Exercendo funções numa equipe ou de um atleta de porte menor, o objetivo é se manter na divisão de elite ou não ser desclassificado na competição. Exemplificando através do futebol, o objetivo de uma equipe de porte pequeno seria o de se manter na primeira divisão. Deste modo, é observável que de uma forma geral, os objetivos se diferenciam de acordo com o porte da equipe ou atleta. De uma forma específica, qualquer equipe de diferentes portes, tem o mesmo objetivo: ganhar.
 Logo o treinamento do atleta de alto rendimento visa a preparação para a vitória.

Planejamento de treinamento

    Pensando numa equipe de bom porte técnico, o treinamento objetiva chegar ao máximo de todas as valências que são exigidas no desporto, como por exemplo, o condicionamento físico e técnico. Existe ainda a necessidade da preparação social, que é pouco utilizada por treinadores. Esta preparação social visa atentar a como o atleta vive fora do clube. Algumas atitudes fora do âmbito de treinamento podem prejudicar seu rendimento, tais como: não respeitar suas horas de sono, ter uma alimentação inadequada, desgastar seu corpo em excesso, utilizar drogas.
    Esta preocupação social tem papel importantíssimo principalmente no treinamento das categorias de base de qualquer desporto, pois são grupos em fase de transformação social e desportiva, sendo mais fácil a adição e aceitação de fatores positivos em sua vida e carreira. Além da preocupação social, deve existir atrelado, o aprimoramento do aspecto técnico, onde se apura as habilidades motoras do jogador, tanto de forma individual, quanto coletiva. Deve existir, a união de todos os fatores de treino, de forma a sustentar este atleta como o mais completo possível. Quando existe a preocupação com algumas valências e o esquecimento de outras, é possível observar problemas que inicialmente aparentam ser simples, porém irão desestruturar toda uma equipe. É comum observarmos em equipes de desportos coletivos a preocupação apenas com a parte técnica, esquecendo, por exemplo, a condição física do atleta de maneira geral. Este é um erro gravíssimo e terá como conseqüência o baixa rendimento na modalidade.
    Logo, os aspectos considerados dependem da situação da equipe, de seu aspecto cultural, dentre outros. Tão logo, o planejamento do treinamento também varia de acordo com estes aspectos citados.

O treinamento e o Overtraining no alto rendimento

    Muito raramente, o treinador da equipe é conhecedor profundo da preparação física e de seus aspectos anatômicos, biomecânicos e fisiológicos. Muitos sequer são professores de Educação Física.
    Hoje em dia, a preparação física através da tecnologia se especializou muito. É importante que o preparador físico tenha em mente que a tecnologia ajuda, porém os fatores mais importantes para o acesso ao sucesso do treino são: a competência do profissional e o profundo conhecimento de cada organismo humano. Isto ocorre devido ao fato da preparação física ser individualizada, incidindo numa dosagem de treinamento específica para cada atleta, já que cada organismo difere um do outro.
    Ex-atletas ou não professores de Educação Física se julgam possibilitados de atuarem como preparadores físicos. No entanto, o alto rendimento apresenta exercícios no limite entre um treinamento sem lesões e o com lesões, onde este último é chamado de Overtraining. Este tipo de procedimento é totalmente perigoso e inadequado para profissionais que não tenham estudado em seu curso de graduação disciplinas que atentem aos conhecimentos referentes a este fenômeno. Sendo assim, o tipo de treinamento e seus possíveis benefícios e malefícios, depende muito da competência do treinador, do preparador físico e dos objetivos da competição.
    Existem diversos episódios em que o treinador possui um período pequeno para preparar uma equipe diante de uma competição que vem logo após um período férias, e este acaba por exercer um ritmo de treinamento muito forte, acarretando lesões logo após a competição. O que se deve fazer, neste caso, é uma previsão de treinamento. Se a competição for de longa duração, o atleta deve atingir gradativamente o máximo da forma física e técnica durante a competição. Segundo MCArdle (2003), a forma física adquirida de maneira rápida, também é perdida de modo mais rápido, assim como a forma física adquirida lentamente é preservada e sustentada pelo organismo por um período maior. De tal modo, o treinamento da equipe deve ser estruturada através de seu histórico de competição e pelos seus aspectos sociofisicoemocinais para que tenham um ótimo e adequado condicionamento físico para aquela determinada competição.
    O lado emocional e social também deteriora muito a performance e pode trazer o Overtraining induzido durante uma competição. Deste modo, não adianta está em ótima condição física e técnica se sua vida emocional está abalada. Provavelmente, este atleta ou equipe não atingirá o platô da performance. Assim, o treinamento desportivo de alto rendimento com prevenção do Overtraining, além de se atentar ao limite de treinamento das valências físicas e técnicas, deve trabalhar também todo aparato psicológico, emocional e social do atleta.

Treinamento geral e específico

    Atualmente, temos dois tipos de treinamento no alto rendimento: o treinamento específico e o geral.
    O treinamento específico deve ser adotado para melhora das valências do desporto. É justamente este tipo de treinamento que permite o aperfeiçoamento da técnica do movimento do esporte, efetuando as provas ou partidas de maneira mais eficiente e com o maior índice de rendimento possível. Tendo como exemplo um corredor de 100 metros, para que possa atingir o máximo de sua performance, deve treinar os movimentos o mais próximos da competição. Portanto, poderá utilizar saídas em corridas curtas e rápidas como trabalho de treinamento de potência de membros inferiores. Se um atleta adversário treina correndo de maneira diferente da apresentada em sua competição, como por exemplo, corridas de 3 quilômetros, este não terá alta performance durante a competição comparado ao primeiro atleta. Sendo assim, o trabalho específico para cada desporto é o treinamento que proporcionará o alto índice de performance, ou seja, o alto rendimento.
    Já o treinamento geral, ou seja, aquele que trabalha de maneira global e/ou diferenciada da apresentada no desporto em questão tem outro papel. Este apresenta, em sua grande maioria, um teor lúdico. Pode ser utilizado em momentos onde o time jogou mal ou em que o atleta não realizou uma boa prova. É comum e servem como exemplos, após uma competição, equipes de futebol que utilizam a recreação através de um jogo-brincadeira de handebol valendo apenas gol com a cabeça, a brincadeira com a bola chamada de “bobinho”, jogos adaptados que leve o atleta a tirar o foco daquele mal-estar ou daquela responsabilidade.
    Sendo assim, tanto o treinamento geral quanto o específicos são importantes para a aquisição do alto rendimento. Ambos possuem objetivos e momentos diferenciados, sendo ideal a mesclagem destes treinamentos para a evolução das valências desportivas de uma maneira mais completa.

Avaliação da quantidade de treinamento (QT) de alto rendimento

    Atualmente, o treinamento físico e técnico ocorre em tempo integral. Na grande maioria das equipes desportivas, existem dois tempos de treinamento em pelo menos dois dias da semana. Não existe um padrão para a quantidade de treinamento e este varia muito de desporto para desporto. No futebol, geralmente pela manhã ocorre um treinamento físico e à tarde um treinamento técnico.
    O treinamento integral é essencial para a aquisição e evolução das valências desportivas. Porém devemos nos atentar ao limite e o momento para se realizar este tipo de treinamento. Alguns fatores podem impossibilitar o treinamento integral devido a sua alta quantidade e intensidade como: o espaço de tempo entre as competição, a quantidade de jogos semanais, o estado físico dos atletas, as condições ambientais e estruturais do treino. Em alguns momentos, o treinamento é realizado com foco para a união do grupo e aumento da responsabilidade em grupo.
    Não existe uma regra definida para a quantidade ideal de treinamento devido a individualidade biológica e alguns fatores já citados. O mais sensato a se fazer, é realizar um treinamento diário de forma quantitativa ascendente até o meio da semana e descendente até o momento da competição. Esta estratégia é relevante já que se permanecermos a aumentar a curva quantitativa de treinamento até o dia da competição, corremos o risco de prejudicar o lado psicológico do atleta, além de provocar um cansaço prejudicial ao mesmo.

Aspectos sociais, psicológicos e afetivos no alto rendimento

    Para retratar a influência que os aspectos sociais, psicológicos e afetivos trazem ao alto rendimento, evidencio abaixo uma declaração do professor Jayme Valente sobre a concentração durante as competições dos times de futebol, coletada em 2008 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro:
    Eu levava muito em consideração minhas vivências pessoais, pois como fui atleta, já tinha passado por diferentes situações, como por exemplo: em concentração, um jogador de futebol recém casado fica com medo de ir concentrar e a mulher dele ficar “solta” por ai. Ele fica preocupado, quer telefonar toda hora, e essa comunicação externa é um fator muito interveniente para um jogador que está concentrado. Por exemplo, quando treinei um importante time de futebol carioca, fui fazer um trabalho em Vassouras, mas caímos na asneira de levar as famílias dos jogadores e perdermos o controle, pois tínhamos como norma disciplinar, que todos deveriam cumprir os horários. Porém os jogadores não os cumpriam, porque tinham que esperar a mulher se arrumar, o filho tomar banho, enfim, sempre se atrasavam. O foco e a concentração eram perdidos. O time vinha liderando o campeonato brasileiro. Quando fez essa temporada em Vassouras, perdeu o pique e o espírito de grupo (VALENTE, 2008).
    Portanto, os parâmetros psicológicos, sociais e afetivos, podem incutir no atleta determinados comportamentos que poderão trazer malefícios para o rendimento desportivo, quando aplicados de maneira não planejada. De modo contrário, quando bem utilizados, estes parâmetros podem influenciar positivamente o alto rendimento no desporto.

O professor de Educação Física e o treinamento desportivo

    Infelizmente, a visão do treinador profissional está voltada principalmente para a vitória. Muitos fazem de seus atletas vítimas de doping devido à ganância e busca da vitória sem limites, ignorando assim os valores éticos e morais, visando apenas seu lado pessoal, pois a vitória é a preservação de seu emprego e a derrota, a representação de sua possível demissão. A preocupação com o status profissional, em alguns casos, determina a maneira de como o treinador atua diante da equipe, seja no treinamento ou no relacionamento com seus atletas.
    Na visão do mau profissional, os atletas têm livre arbítrio para decidir determinadas atitudes, como negar uma possível indução ao doping feita pelo treinador, seja por idéia dele mesmo ou por idéia do presidente do clube. Devemos refletir esta situação como a de um trabalhador que pode perder seu emprego. O jogador inseguro, com medo de perder seu status no time acaba sendo influenciado e utiliza de mecanismos ilegais no desporto, o que trará conseqüências trágicas para sua saúde e histórico esportivo. No campeonato de alto rendimento a tensão é muito alta, o medo de perder tira a vontade de ganhar, o que pode ser constatado até de maneira visual, como numa fotografia de um time antes do início de uma decisão onde não há um jogador que esteja sorrindo.
    Cabe ao professor de Educação Física ilustrar todo seu conhecimento na área e deteriorar com os vícios históricos e de cunho pessimista que tanto acomete a saúde física e psicológica dos atletas. O professor tem total conhecimento das vertentes de treinamento com a soma de saber ensinar e perceber seu atleta como pessoa e não como mercadoria ou ferramenta para ascensão profissional.

Conclusão

    No âmbito do treinamento de alto rendimento, o profissional responsável deve dominar os conceitos básicos do treinamento desportivo, sabendo aplicá-los de forma coerente em seus atletas. Não basta apenas dominar os conhecimentos específicos, devemos acumular conhecimentos interdisciplinares como complemento.
    Dentro do treinamento desportivo é essencial que se desenvolva não só apenas a vertente motora ou específica do desporto, mas sim os três pilares que regem o comportamento humano que é motricidade, a cognição e a afetividade.
    Através de pesquisas sobre o treinamento geral, é possível verificar que este é tão importante quanto o treinamento das atividades específicas, podendo ser trabalhado através de outras modalidades esportivas ou com atividades lúdicas. Serve de ferramenta para o trabalho lúdico, emocional e psicológico do atleta, o que possibilita o extravasamento de seus estresses, tornando o treinamento mais interessante e eficiente.
    Só alcançam os objetivos máximos no desporto aqueles que compreendem que o rendimento não depende somente de habilidades motoras, mas sim de um conjunto de fatores internos e externos aos atletas.

Referências bibliográficas
  • FERREIRA, Nilda Tevês; COSTA, Vera Lucia de Menezes. Esporte, Jogo e Imaginário Social. Rio de Janeiro: Shape, 2003.
  • MARQUES, Antônio. Revista Horizonte: Treinamento Desportivo: Área de Formação e Investigação. Número 39. p.97-106.
  • MCARDLE, Wiliam; KATCH, Frank; KATCH, Victor. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
  • PEREIRA, Francisco Lemos. Informação verbal, 2008.
  • SANTOS, Edson Arapiraca dos; NERY, Fábio do Couto; et al. Revista Treinamento Desportivo: As diferenças entre o esporte da escola e o esporte na escola. Volume 7, Número 1. p.21-28, 2006
  • VALENTE, Jayme Pimenta Filho. Informação verbal, 2008.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Liderança no desporto. Tentativa de simplificar um processo complexo

Introdução

    De acordo com Murray (1991) e Dosil (2004) a liderança é um dos aspectos mais estudados no âmbito da Psicologia do Desporto, sendo um tema de grande interesse pelas implicações que tem, tanto nos desportos colectivos como nos individuais, uma vez que as relações que se estabelecem entre o treinador e atleta(s) ou no seio de um grupo-equipa são fundamentais na obtenção do rendimento desportivo (Serpa, 1990). Entre outros aspectos, Alves (2000), realça a importância deste processo como elemento fundamental para o desenvolvimento de um bom clima organizacional, que por sua vez é determinante no grau de satisfação das relações interpessoais e na eficácia do desempenho das suas tarefas.
    Apesar de Murray (1991) afirmar que a liderança é um dos fenómenos menos compreendidos e que a constante procura das qualidades que conduzam a uma liderança eficaz ocupa grande parte das preocupações investigadores, os estudos no campo desportivo tem sido escassos e as suas primeiras aplicações emergiram dos modelos teóricos provenientes da psicologia organizacional (Noce, 2002).
    As teorias gerais da liderança evoluíram a partir da pesquisa dos traços e qualidades do líder eficaz, até às teorias situacionais, que consideram a este factor como um processo que varia de acordo com a personalidade do líder ou as características inerentes à situação (Leitão, Serpa e Bártolo, 1995). Actualmente, os estudos têm-se centrado na análise das condutas comportamentais do treinador, assim como na preferência e percepção das mesmas por parte dos atletas, com a finalidade de identificar quais as condutas que se relacionam com a satisfação dos mesmos e que permitam alcançar boas prestações desportivas.
    Ao longo dos tempos várias questões têm sido levantadas para as quais ainda não há uma resposta definitiva ou completamente satisfatória - O que é um líder? Quais as suas qualidades? O que o torna eficaz? Que tipo de liderança deve assumir? Que factores influenciam este processo? Desta forma, e numa tentativa de simplificação de um processo que é complexo, será nosso objectivo clarificar estas questões ao longo deste trabalho.

Conceito de liderança

    Embora no senso comum se envolvam uma série de características para se estabelecer uma concepção teórica deste processo (normalmente associadas apenas às qualidades de um líder), a definição de liderança não é tarefa fácil (Dosil, 2004). De facto, existem tantas definições quantas os autores que tentam, dela, dar uma opinião (Jesuíno, 1996). Segundo Murray (1991), alguns autores definem a liderança como um processo de condutas, pelo meio do qual, um individuo influencia outros para que se realize o que ele quer. Na opinião do mesmo autor, ao contrário desta visão redutora, a liderança deve ser percepcionada como uma espécie de contrato psicológico que é estabelecido entre os líderes (treinadores) e os seguidores (atletas), onde os primeiros são autorizados, quer no plano formal ou informal, a decidir pelos segundos, sendo reconhecido o direito que eles têm em decidir por eles e dizer o que tem de fazer.
    De acordo com Noce (2002), em toda a literatura a liderança é definida de diferentes formas, porém muitas das características são semelhantes e comuns a todas elas, o que as leva a ser aceites por diversos autores. Bass (1990), citado por Noce (2002) e Mendo e Ortiz (2003), sintetizou as definições de liderança, desenvolvendo um esquema de classificação deste processo:
  • O centro do processo de grupo
  • Um efeito da personalidade (do líder sobre os seguidores)
  • Uma arte de induzir a submissão
  • Um exercício de influência
  • Um acto ou comportamento
  • Uma forma de persuasão
  • Uma relação de poder
  • Um instrumento para alcançar objectivos
  • Um processo de interacção
  • Um papel diferenciado
  • Uma iniciação da estrutura
  • Uma combinação de elementos
    Apesar de todas as definições produzidas pelos diversos autores sublinharem que a liderança implica um processo de influência entre o líder (treinador) e os seus seguidores (atletas), todos os conceitos podem ser abordado sob diversas perspectivas (Mendo e Ortiz, 2003), no entanto, Weinberg e Gould (1995), enfatizam a importância dessa influencia ser exercida em função de objectivos comuns. Desta forma, Leitão, Serpa e Bártolo (1995) e Alves (2000), consideram que a definição que melhor se pode aplicar ao desporto é a de Barrow (1977) - processo comportamental que visa influenciar os sujeitos e/ou grupos de modo a que se atinjam os objectivos determinados anteriormente.

Tipos de abordagem sobre a liderança

    Há semelhança do que acontece noutros campos de estudo da psicologia, uma das discussões centrais, que tem gerado alguma controvérsia acerca da liderança, é a determinação se esta capacidade é uma característica inata ou adquirida (Dosil, 2004). Se uns defendem que ser líder faz parte da personalidade do sujeito, outros sustentam que é o contexto e a aprendizagem que converte o indivíduo. Estes pontos de vista deram origem a 3 perspectivas (Serpa, 1990, Murray, 1991, Weinberg e Gould, 1995, Cruz e Gomes, 1996 e Dosil, 2004).

    Traço/Característica

    Centra-se no estudo das características da personalidade dos líderes, na tentativa de encontrar os aspectos comuns que relacionem a liderança com qualquer situação, ou seja, esta abordagem considera a capacidade de liderança uma característica inata. Apesar de não existirem traços identificáveis da personalidade relativos à capacidade de liderança e à eficácia da mesma em todas as situações, uma vez que o sujeito pode variar a sua conduta de uma situação para a outra, ou, manter a mesma postura independente da situação, Stogdill (1974), citado por Murray (1991) e Weinberg e Gould (1995), conseguiu enumerar algumas tendências de comportamento: dominância, alta auto-estima, assertividade, elevado ambição, iniciativa, segurança, boa comunicação, competência, sentido de humor, etc.

    Conduta/Comportamento

    Centra-se no estudo das condutas e comportamentos dos líderes e na sua influência sobre os grupos, sendo a liderança uma habilidade adquirida e produto de uma aprendizagem. Dois tipos de líder podem ser equacionados (Noce, 2002 e Mendo e Ortiz, 2003): 1) autocrático - toma todas as iniciativas e decisões sobre a organização, os objectivos e as tarefas do grupo; 2) democrático - estimula a discussão e a participação do grupo nas decisões a tomar. Murray (1991) e Mendo e Ortiz (2003) fazem ainda referência a outro tipo de líder - Laissez Fair ("Deixa Fazer") - adopta um papel passivo e deposita toda a capacidade de decisão nos membros do grupo.
    Segundo Samulski (1995), o tipo autocrático pode ser mais eficaz em situações estruturadas e com objectivos bem definidos. Apesar de oferecer mais segurança aos atletas em momentos de tensão, provoca um clima socioafectivo negativo e alguma agressividade interna que pode conduzir a uma fraca coesão do grupo. Por outro lado, o tipo democrático parece ser mais eficaz em situações moderadamente estruturadas e com objectivos pouco claros. O incentivo à participação estimula a satisfação e promove uma elevada coesão do grupo. No entanto, ao repartir as responsabilidades pode aumentar os níveis de ansiedade de alguns membros do grupo.

    Interacional/Situacional

    Esta abordagem parte do princípio de que existe uma interacção entre o sujeito e o contexto situacional, colocando uma atenção especial nos factores da situação que segundo Murray (1991) e Dosil (2004) podem ser a estrutura organizativa, as exigências especificas e a flexibilidade dos estilo de liderança. De acordo com os trabalhos de Fiedler (1967), citados por Weinberg e Gould (1995), Mendo e Ortiz (2003) e Dosil (2004), podemos definir dois tipos de orientação: 1) líder orientado para o sujeito (relação) - incide a sua actuação nos aspectos comunicativos do grupo, nas relações entre os seus membros e na procura do equilíbrio no seio do grupo (cada um deve sentir-se bem com o papel que desempenha); 2) Líder orientado para a tarefa - centra-se no cumprimento dos objectivos propostos e no máximo rendimento, deixando para segundo plano as relações interpessoais entre os membros do grupo.
    Em termos prático, ambas as orientações tem vantagens e desvantagens (Noce, 2002). A orientação para a relação é mais eficaz quando estamos numa situação moderadamente favorável. Por outro lado, a orientação para a tarefa é mais apropriada quando a situação é muito favorável ou muito desfavorável (Weinberg e Gould, 1995).

Liderança eficaz

    Um das preocupações fundamentais nesta área de estudo da Psicologia do Desporto é conseguir que os treinadores e se convertam em líderes eficazes e contribuam para o desenvolvimento do atleta/equipa (Dosil, 2004). No entanto, uma questão se levanta: o que é um líder eficaz?
    De acordo com vários autores (Martens, 1987, Weinberg e Gould, 1995, Alves, 2000 e Dosil, 2004), qualquer tipo de liderança, para ser efectivo, deve apresentar um equilíbrio entre quatro componentes.

    Qualidades do Líder

    Como já foi mencionado anteriormente, os modelos baseados nas qualidades inatas do sujeito como líder tem vindo a ser abandonados, reconhecendo-se cada vez mais a importância do contexto e o efeito das aprendizagens adquiridas ao longo da vida. Apesar de não existirem um conjunto bem definido de traços da personalidade que garantam a condição de líder com êxito (Mendo e Ortiz, 2003), os estudos realizados indicam que é necessário que determinadas características estejam, no mínimo, presentes (Alves, 2000). Apesar de algumas já terem sido referidas anteriormente, Martens (1987), sintetiza essas qualidades da seguinte forma:
  • Inteligência;
  • Firmeza;
  • Optimismo;
  • Motivação intrínseca;
  • Empatia;
  • Habilidades de Comunicação;
  • Autocontrolo;
  • Confiança nos outros;
  • Persistência;
  • Flexibilidade;
  • Empenhamento, dedicação e responsabilidade;
  • Estimam e Ajudam os outros;
  • Identificam e corrigem problemas;
    Estilos de liderança

    Segundo Alves (2000), os líderes excelentes, para atingir as sua metas e optimizar o rendimento do grupo, utilizam estilos de actuação próprios que se designam por estilos de liderança. Em função das características da situação e dos liderados, o mesmo sujeito pode utilizar distintos estilos de liderança (Mendo e Ortiz, 2003), sendo os mais adoptados o autocrático e o democrático. Apesar de já terem sido abordados anteriormente, podemos utilizar a definição elaborada por Martens (1987) e Weinberg e Gould (1995):
  • Autocrático - estilo de comando, centrado na vitória e orientado para a tarefa;
  • Democrático - estilo cooperativo, centrado no atleta e orientado para o sujeito.
    Características dos liderados

    As características dos liderados (atletas) também são fundamentais para determinar a eficácia do processo de liderança (Weinberg e Gould, 1995). Alguns estudos demonstram que os liderados diferem naquilo que esperam do líder. Se uns se mostram mais disponíveis para aceitar responsabilidades e autonomia, outros sentem-se melhor quando são totalmente orientados (Alves, 2000). Vejamos alguns exemplos:
  • Idade - de acordo com Serpa (1990), os atletas mais jovens apresentam uma preferência maior pelos comportamentos democráticos e de suporte social e evidenciaram uma maior rejeição dos comportamentos autocráticos;
  • Sexo - de acordo com Weinberg e Gould (1995), os atletas do sexo feminino têm preferência por estilos de liderança mais participativos (democrático);
  • Nível de Capacidade - segundo Weinberg e Gould (1995), os atletas com um maior nível de habilidades preferem uma liderança orientada mais para o sujeito/relação;
  • Personalidade - de acordo com Serpa (1990), os sujeitos com um funcionamento mais cognitivo preferem comportamentos de instrução. Por outro lado, os indivíduos que se mostram mais impulsivos preferem comportamentos de suporte social;
  • Experiência - segundo Alves (2000), os atletas com um maior grau de maturidade evidenciam uma preferência por estilos mais democráticos que lhes concedam alguma autonomia e responsabilização;
    Factores situacionais

    Um líder deve ser sensível à especificidade da situação e do envolvimento (Weinberg e Gould (1995), sendo a premissa básica desta afirmação: diferentes situações, requerem diferentes actuações de liderança (Martens , 1987). Desta forma, podemos considerar que o líder eficaz é aquele que utiliza um estilo adequado a cada contexto (Alves, 2000). Nos factores situacionais podemos incluir:
  • Tipo de Modalidade - devido às exigências organizativas e estruturais os treinadores tem utilizado um estilo de natureza mais autocrática nos desportos colectivos e mais democrática nos individuais (Alves, 2000).
  • Nível de Participação - de acordo com Martens (1987), os atletas de elite preferem estilos participativos e comportamentos de suporte social, orientados mais para o sujeito;
  • Tamanho do grupo, tempo disponível para a prática, etc.
    Nenhuma das quatros componentes atrás mencionadas pode ser entendida isoladamente, todas fornecem um contributo importante para a compreensão do que pode ser um processo de liderança eficaz (Weinberg e Gould, 1995). 



Modelos e teorias da liderança

    Como se sabe, ao longo dos tempos, muitos foram os psicólogos que tem centrado as suas preocupações no estudo do papel desempenhado pelos líderes e as suas implicações nas diversas esferas sociais (Dosil, 2004). Este facto conduziu a um desenvolvimento de várias teorias e modelos de liderança com a intenção de explicar o seu comportamento e a sua relação com o êxito do sujeito/grupo. A maioria dessas teorias e modelos surgiram no âmbito de várias áreas que não a desportiva (Weinberg e Gould, 1995). No entanto, o indiano Chelladurai (1978), citado por Weinberg e Gould (1995), Alves (2000) e Dosil (2004), após a identificação das características próprias das organizações desportivas e por considerar que as teorias vigentes não se aplicavam na sua totalidade ao fenómeno da liderança no desporto, propôs o seu Modelo Multidimensional e estabeleceu uma teoria que teve uma grande aceitação no âmbito da Psicologia do Desporto (Dosil, 2004).

    Modelo multidimensional de liderança no desporto de Chelladurai 



    
De acordo com Serpa (1990), Leitão, Serpa e Bártolo (1995), Weinberg e Gould (1995), Samulski (1995), Cruz e Gomes (1996), Alves (2000), Noce (2002) e Dosil (2004), neste modelo a performance e a satisfação do atleta, resultam dos comportamentos do treinador, aqueles que são exigidos pela situação, aqueles que são os preferidos pelos atletas e os comportamentos reais do treinador (adaptativos ou reactivos - conforme a adaptação comportamental do líder às condições do sistema organizacional e as reacções deste às necessidades, desejos e pressões dos atletas). Por sua vez, estes comportamentos podem ser influenciados ou condicionados pelas características do próprio treinador (formação desportiva, capacidade intelectual e instrumental, personalidade, experiência, etc.), pelas características dos atletas (nível de maturidade biológica e psicológica, motivações, idade, sexo, etc.) e pelas características da situação (estrutura formal da organização, objectivos a alcançar, normas e valores em vigor, factores da tarefa ou modalidade, etc.).
    Em suma, no modelo multidimensional o desempenho e a satisfação dos atletas/grupo são a consequência de uma harmonia entre três estados de comportamento do treinador (líder), que são influenciados pelas suas próprias características, da situação e da dos membros (Chelladurai, 1990). Segundo Alves (2000), a ideia fundamental que sobressai é que quanto maior for a congruência entre o que é pedido ao treinador (tanto pelos atletas, como pela situação) e as suas características, maior será a probabilidade de se obter um clima favorável ao rendimento e à satisfação dos membros do grupo.

Avaliação da liderança no desporto

    A importância da avaliação da capacidade de liderança de um treinador ou dirigente, reside no facto de se poder compreender melhor as características que devemos potenciar ou optimizar para que se possa alcançar melhor rendimento e satisfação entre os atletas (Dosil, 2004).
    Com base no modelo multidimensional de Chelladurai, foi desenvolvido um instrumento de avaliação que goza de uma grande aceitação por parte dos investigadores, o que motivou a sua tradução, adaptação e utilização em diversos países (Dosil, 2004).
    A Leadership Scale for Sport (LSS), foi desenvolvida por Chelladurai e Saleh (1978), e traduzida e adaptada para a população portuguesa por Serpa et al. (1989), passando a ser conhecida no nosso país por Escala de Liderança no Desporto (ELD). Este instrumento é composto por 3 versões: autopercepção - que nos revela a percepção do treinador do seu próprio comportamento; percepção - que se refere à percepção que os atletas têm do comportamento do seu treinador; preferências - que diz respeito às preferências dos atletas pelo comportamento do treinador.
    Cada uma das versões desta escala é constituída por 40 itens, aos quais se responde numa escala tipo Likert que varia entre 1 (nunca) e 5 (sempre). Posteriormente as respostas são agrupadas em cinco dimensões que representam o comportamento tipo do treinador/líder, que podemos sintetizar da seguinte forma:
  • Treino Instrução - voltado para a melhoria dos aspectos técnicos e tácticos da modalidade;
  • Suporte Social - interesse em relação ao bem-estar dos atletas;
  • Democrático - favorecimento da participação dos atletas nas tomadas de decisão;
  • Autocrático - favorecimento da autoridade pessoal do treinador e independência na tomada de decisão;
  • Reforço - relacionado com o reforço positivo dado ao atleta;
    De acordo com Cruz e Gomes (1996) e Dosil (2004), para além da Escala de Liderança no Desporto de Chelladurai e Saleh (1978), existem outros instrumentos de avaliação disponíveis e que são igualmente bem acolhidos no âmbito da investigação e da aplicação prática (consultar a bibliografia referente aos testes no anexo suplementar).
  • Leader Behavior Description Questionnaire (LBDQ), desenvolvido por Danielson, Zelhart e Drake (1975);
  • Coaching Behavior Assessment System (CBAS), desenvolvido por Smith, Smoll e Hunt (1977);
  • Medford Player-Coach Interaction Inventory (MPCII), desenvolvido por Medford e Thorpe (1986) e traduzido e adaptado para a população portuguesa - Inventário de Interacção Atleta-Treinador (IIAT), por Leitão, Serpa e Bártolo (1992);
  • Scale of Athlete Satisfaction (SAS), desenvolvido por Chelladurai, Imamura, Yamaguchi, Oinuma e Miyauchi (1988);
  • Sport Leadership Behavior Inventory (SLBI), desenvolvido por Glenn e Horn (1993);
  • Leadership Quality Scale (LQS), desenvolvido por Zhang e Pease (1995);

Recomendações práticas para o desenvolvimento da liderança eficaz

    Em primeiro lugar, e seguindo a sugestão de Dosil (2004), deve-se diferenciar a existência de diferentes tipo de liderança em função dos protagonistas envolvidos no contexto desportivo (dirigentes, treinadores, atletas, médicos, etc.), uma vez que cada um deles desempenha um papel distinto no seio do colectivo. De acordo com o mesmo autor, as lideranças mais usuais e aquelas que maior interesse tem para os psicólogos do desporto são:
  • Dirigentes - no essencial, devem ter em linha de conta as características próprias de cada modalidade e utilizar técnicas semelhantes às da psicologia organizacional;
  • Treinadores - devem "aprender e treinar" as suas competências neste domínio e caminhar no sentido de serem líderes eficazes (ver modelo de Martens, 1987);
  • Jogadores - quer de uma formal (através da sua escolha entre os membros), quer informal (emergir da interacção entre os membros), não se pode negar a existência de líderes/jogadores dentro dos grupos (Mendo e Ortiz, 2003). Compreender a sua influência nos comportamentos do colectivo e criar alianças de intervenção com ele pode fazer a diferença.
    No âmbito da liderança, o psicólogo do desporto pode assessorar e ajudar os treinadores e dirigentes a realizar uma análise das situações de modo a que tenham outra visão dos problemas e tomem decisões eficazes. Porém dois factores são fundamentais, para ter êxito como treinador/líder é necessário ser bom comunicador e ter uma boa coesão de grupo (Dosil, 2004). Martens (1987) também reforça este ponto, treinar as competências de comunicação e melhorar as relações interpessoais são as pedras basilares para o sucesso da liderança no desporto.
    Para além desses factores, Murray (1991), Cruz e Gomes (1996) e Noce (2002), sugerem algumas linhas de orientação prática que se baseiam em 3 estratégias principais:
  • Nova Concepção de Sucesso - dado que um dos poucos factores que os atletas podem controlar é o seu esforço e empenho, podemos fazer equivaler o conceito de sucesso à ideia de "dar o máximo de esforço";
  • Abordagem Positiva face ao Treino - a utilização do reforço positivo pelo esforço, pelo desempenho e pelo encorajamento após o erro motiva melhor o sujeito face às suas dificuldades, cria um clima muito mais agradável e diminui a ansiedade e o stress;
  • Percepção mais Realista dos Comportamentos - só com uma percepção realista e correcta das suas condutas é que o treinador pode melhorar e modificar os seus padrões de comportamento, no sentido de ir ao encontro das preferências dos seus atletas;
    Como se pode verificar, não é tarefa fácil o desenvolvimento da liderança no desporto, uma vez que as variáveis envolvidas neste processo são inúmeras. No entanto, num aspecto concordamos com Dosil (2004, pp. 229), a conjugação destas variáveis pode ser "a chave do êxito ou fracasso de uma equipa ou desportista".
    Como se pode constatar, através do modelo de multidimensional de Chelladurai de 1978, o objectivo principal da liderança eficaz é possibilitar o rendimento e a satisfação de cada um dos membros da organização desportiva. No entanto, importa saber que para atingir esse objectivo devemos ter em linha de conta que esses factores resultam dos comportamentos do líder (treinador) que são influenciados, não só pelas suas próprias características, mas também pelas características da situação e dos liderados (atletas).
    Para concluir esta tentativa de simplificar a explicação deste processo complexo que é a liderança no desporto, deixamos uma reflexão final que faz um sumário de tudo aquilo que aqui foi escrito sobre este tema - "a liderança eficaz passa por uma grande flexibilidade na adopção do estilo adequado a cada situação e pelo desenvolvimento de uma cultura própria do grupo que una todos os seus membros à volta dos mesmos objectivos" (Alves, 2000, pp.133).

Bibliografia
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  • Chelladurai, P. (1990). Leadership in Sport: a Review. International Journal of Sport Psychology, nº 21, pp.328-354;
  • Cruz, J. E Gomes, R. (1996). Liderança de Equipas Desportivas e Comportamentos do Treinador. In José Cruz (Ed) Manual de Psicologia do Desporto, Braga, SHO, pp.389-409;
  • Dosil, J. (2004). Psicología de la Actividad Física y del Deporte. Madrid, McGraw Hill;
  • Jesuíno, J. (1996). Processos de Liderança. Lisboa, Livros Horizonte;
  • Leitão, J., Serpa, S. e Bártolo, R. (1995). Liderança em Contextos Desportivos. Revista Psicologia, vol. X, nº 1-2, pp.15-29;
  • Martens, R. (1987). Coaches Guide to Sport Psychology. Champaign, Illinois, Human Kinetics;
  • Mendo, A. e Ortiz, J. (2003). El Liderazgo en los Grupos Deportivos. In Antonio Mendo (Ed) Psicología del Deporte, vol. I, Buenos Aires, Tulio Guterman Editora, pp. 6-28;
  • Murray, M. (1991). Eficácia del Liderazgo. In Jean Williams (Ed) Psicología Aplicada al Deporte, Madrid, Biblioteca Nueva, pp.157-176;
  • Noce, F. (2002). Liderança. In Dietmar Samulski (Ed) Psicologia do Esporte, São Paulo, Editora Manole, pp. 219-248;
  • Samulski, D. (1995). Psicologia do Esporte: Teoria e Aplicação Prática. Belo Horizonte, Editora UFMG;
  • Serpa, S. (1990). O Treinador como Líder: Panorama Actual da Investigação. Ludens, vol. 12, nº 2, pp.23-32;
  • Weinberg, R. e Gould, D. (1995). Foundations of Sport and Exercise Psychology. Champaing, Illinois, Human kinetics;