domingo, 30 de setembro de 2012

TREINADOR - UM PEDAGOGO EM CONSTANTE ATUALIZAÇÃO



Os treinadores desportivos procuram desenvolver diferentes habilidades e conhecimentos que os auxiliem a actuar de forma mais competente. Além do conhecimento técnico-táctico, o desempenho de alto nível exige o domínio de outras dimensões do treino desportivo, tais como, os aspectos psicológicos e/ou mentais, e, no caso de desportos colectivos, os aspectos de relacionamento social que influenciam directamente o desempenho da equipa.

A possibilidade do treinador intervir, pontualmente, durante uma partida e no intervalo de um jogo, demonstra uma forte relação de confiança junto do atleta, o que pode revelar-se como um dos factores determinantes para o sucesso. Estudos têm mostrado que o papel do treinador como líder é, provavelmente, um dos factores mais importantes na influência da formação, da coesão e do rendimento de uma equipa.

O treinador é o especialista mais próximo dos atletas, exerce influência no comportamento dos mesmos, por vezes é técnico, educador, conselheiro, estrategista e líder. Ser treinador é uma função que constitui um permanente desafio, e que exige um empenho pessoalmente gratificante, podendo ser, para alguns a função mais ingrata do desporto, pois, se a equipa perde, é geralmente ao treinador que se pedem satisfações.

De acordo com a sua personalidade, o técnico pode agir e ser visto diante da sociedade de várias maneiras. A interacção entre técnicos e atletas vai depender, principalmente, das necessidades e personalidades dos envolvidos, o que pode influenciar a performance do atleta, tanto positiva como negativamente, quando não existir correspondência com as necessidades requeridas ou forem dados estímulos inadequados.

Os treinadores são “professores”, logo têm de utilizar um estilo positivo de intervenção no treino. Este estilo baseia-se em críticas (construtivas e não destrutivas!) e encorajamentos, no sentido de favorecer o comportamento desejado, e de motivar os jogadores a realizá-lo. Deve-se elogiar tanto o esforço para alcançar um objectivo, como o bom resultado em si. Ao dar indicações técnicas para corrigir um erro, deve-se começar por realçar algo que tenha sido bem executado.

Um atleta nunca deve ser criticado pelo erro, mas pela postura em campo. Nos dias de hoje, lamentavelmente, ainda se vêem treinadores arrasarem moralmente, no banco, jogadores que acabam de ser retirados porque não estavam a jogar bem. A postura frente aos erros e acertos dos atletas pode alterar a formação do atleta, podendo esse tornar-se ausente em situações de decisão por não ter a confiança do treinador.

Devido às suas características pessoais, experiências e formação profissional, os treinadores apresentam diferentes manifestações de comportamento. Alguns são pontuais, disciplinadores, autoritários ou exigentes. Outros são organizados, valorizam os aspectos pedagógicos e metodológicos, respeitam as regras morais e éticas. Por sua vez, existem outros extremamente liberais, são exclusivistas, intuitivos, são vaidosos, não aceitam opiniões, o vencer está acima dos preceitos éticos…

Tudo o que acontece nas equipas depende, em grande parte, do respectivo treinador enquanto líder do processo. Tanto os treinadores, como os restantes elementos da equipa técnica, têm grande influência sobre os atletas com quem trabalham, através daquilo que dizem e fazem, constituindo-se deste modo como modelos para os atletas. Mas, para tal efeito, devem ter valores a defender, entusiasmar os outros, ser optimistas e motivar as pessoas, sem nunca esquecer que cada um deles deve ser respeitado na sua individualidade, contribuindo sempre para que eles alcancem o que desejam, tanto no desporto como na própria vida.

Tendo em conta que o treino representa uma prática pedagógica, cabe ao treinador ter o domínio de várias competências para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem, devendo o mesmo fundamentar-se numa base moral, sempre com responsabilidade pedagógica e com princípios de justiça.

Portanto, o treinador deve ter a consciência do quanto o seu comportamento interfere nas atitudes dos seus jogadores, mostrando coragem de implantar métodos que promovam, não apenas uma melhor aprendizagem, mas também uma melhor formação moral.

Os bons treinadores diferenciam-se por apresentarem outras aptidões e capacidades inerentes ao cargo, como a intuição, a criação, a direcção autoritária, a capacidade de decisão rápida e o espírito de sacrifício. Além disso, para se manterem competentes, continuam a estudar e aprender permanentemente, principalmente com o desenvolvimento que se faz sentir, com a evolução tecnológica, onde as informações são mais rápidas que a nossa capacidade de actualização.

Segundo George Shaw, "Não há progresso sem mudança. E quem não consegue mudar a si mesmo, acaba não mudando coisa alguma."


Fonte: Carlos Soares, in PQ Jornal. Link:

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A importância do desporto na vida dos jovens. Uma explicação para os pais


1.     Introdução


    Existe a crença generalizada de que fazer desporto faz bem à saúde das crianças. Por isso, são cada vez mais os pais que apostam no desporto como forma de ocupação dos tempos livres dos seus filhos, pois reconhecem que este veicula um conjunto de valores e virtudes.
    Contudo, alguns investigadores nesta área, colocam em causa os benefícios da prática desportiva, ou seja, fazer Desporto tanto pode ser bom, como pode ser mau; depende sobretudo da experiência vivida pelas crianças. Quer isto dizer que não basta colocar as crianças a frequentar uma qualquer actividade desportiva para que elas beneficiem dessa mesma prática. A qualidade da prática é o mais importante. De seguida, passaremos a explicar as possíveis virtudes do desporto.


2.     Benefícios do desporto


    Realizar exercício físico, seja em que idade for, pode trazer um conjunto de benefícios, não só a nível físico, como psíquico e social.
    A nível físico é sabido que o desporto ajuda no combate à obesidade, reduz o risco de doenças cardiovasculares, fortalece músculos, ossos e articulações.
    A nível psíquico, eleva a auto- estima dos praticantes, pois este desenvolve um conjunto de habilidades que antes não possuía e melhora o seu aspecto físico, tendo consequentemente uma melhor imagem de si.
    A nível social, o Desporto assume-se como um lugar privilegiado para se realizarem laços sociais de amizade, permitindo a partilha de sentimentos e dando ao indivíduo a sensação de pertença a um grupo.

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Por tudo aquilo que se acaba de explanar, fica bem patente a importância da prática desportiva para o pleno e harmonioso desenvolvimento das crianças.


3.     O Desporto para jovens e crianças


    O desporto para crianças e jovens é hoje organizado e orientado tendo como modelo a prática desportiva dos adultos. Quer isto dizer que os vícios próprios do desporto para os adultos, invadem hoje a prática desportiva dos mais jovens. Um olhar mais atento sobre o desporto para jovens permite-nos verificar um quadro profundamente negro, alicerçado em atitudes incorrectas de treinadores, atletas e pais. É normal verem-se pais a dirigirem todo o tipo de impropérios aos árbitros, treinadores que tratam as crianças como se estas fossem profissionais e jovens atletas utilizando um vocabulário de todo reprovável. Estes acontecimentos fazem-nos levantar algumas questões às quais importa responder:
  • Quais os objectivos do desporto para jovens?
  • Qual a importância dos pais na obtenção dos objectivos?

O Desporto de jovens de ter como objectivos fundamentais:

    A aquisição de valores, pois o desporto é um contexto propício a essas aquisições.


No Desporto o seu filho pode aprender:

  • O Valor da saúde, pois a prática desportiva apela à adopção de um estilo de vida saudável;
  • O valor da cooperação, pois num desporto de equipa só se conseguem atingir os objectivos quando todos unem esforços em torno de um projecto comum;
  • O valor do respeito, ou reconhecer que todos erram e que o mais importante é apoiar os colegas nos maus momentos, para que os colegas façam o mesmo;
  • O valor da Amizade, pois a prática desportiva favorece a possibilidade de se fazerem amigos;
  • O valor da justiça, recusando vantagens injustificadas e reconhecendo no adversário um elemento indispensável sem o qual não há competição;
  • O valor da Multi-culturalidade, pois na prática desportiva, os mais jovens partilharão o mesmo espaço com crianças de diferentes meios económicos e culturais, contribuindo para o respeito pelas diferentes culturas;
  • O valor do Empenho, pois aprenderão que para se atingir um determinado objectivo é necessário, muito trabalho, esforço e dedicação, sem os quais nunca obterão sucesso;
  • O valor da Derrota. O desporto ensina as crianças a compreenderem que a vida se faz de sucessos e insucessos e que é importante aprender com os insucessos que vão surgindo ao longo da vida.

Contudo para que isto seja possível, o papel dos pais é determinante.

4.     Por isso, dirigem-se aos pais os seguintes conselhos:

  • Explique ao seu filho que perder não significa fracasso. A derrota é uma consequência lógica de quem pratica desporto, pois existem sempre 3 resultados possíveis: ganhar, empatar e perder. Além disso, a derrota permite-nos reflectir acerca dos aspectos onde devemos melhorar;
  • Refira-lhe que a vitória é um estado transitório, ou seja, se hoje ganhamos, é possível que amanhã percamos. Quer isto dizer, que deve ensinar o seu filho a ser humilde nas vitórias, respeitando os adversários.
  • Diga-lhe convictamente que o Desporto não é uma guerra e que os adversários não são inimigos (Pinheiro,Costa, Sequeira e Cipriano, 2008). As crianças tendem a encarar os jogos desportivos como uma “guerra de vida ou morte”, esquecendo-se frequentemente de se divertirem com o jogo. Diga-lhes que o mais importante é tirar partido dos benefícios que o jogo lhes dá. Não se canse de lhes dizer que o adversário não é um inimigo. O adversário é um elemento indispensável à competição, ou seja, sem adversário não há jogo, e é o jogo a maior motivação e fonte de prazer das crianças. Por isso, devemos sempre respeitar o adversário como um amigo.
  • Diga ao seu filho que é possível ganhar e jogar com Fair-Play (Pinheiro, Costa, Sequeira e Cipriano, 2008). Alguns estudos feitos com crianças demonstram que estas pensam que quem joga com Fair-Play quase sempre perde. Não tenha receio de lhe afirmar que é possível conciliar a vitória jogando com respeito pelos regulamentos, árbitros, adversários e público.
  • Não se esqueça de lhe dizer que fazer desporto é uma opção saudável e um excelente complemento para os tempos livres, mas que o mais importante é estudar.
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Por fim, gostaríamos de dar alguns conselhos acerca do comportamento dos pais durante as competições desportivas:

  • Respeite as opções do treinador e não interfira no seu trabalho. O treinador quer o melhor para a equipa, ou seja, para todos os jogadores, onde se inclui o seu filho. Deixe o treinador trabalhar livremente.
  • Respeite as decisões dos árbitros, mesmo que lhe pareça que este tenha errado contra a equipa do seu filho. O erro faz parte do ser humano. Se não respeitar o árbitro, estará a influenciar o comportamento do seu filho dentro de campo. Não se admire depois que ele mesmo desrespeite o árbitro;
  • Respeite os jogadores adversários, evitando comentários depreciativos acerca dos mesmos. Não se esqueça que é uma competição de crianças e que certamente também não gostaria de ouvir comentários desagradáveis acerca do seu filho;
  • Não se envolva em atritos e discórdias com os pais da equipa adversária, mesmo quando sente que está a ser provocado. Nunca se esqueça que o seu filho está dentro do campo, mas vê perfeitamente aquilo que se passa na bancada.
  • Aplauda as coisas bonitas feitas pelos colegas dos seus filhos. Mas, não se esqueça também de aplaudir aquilo que os jogadores adversários fazem de bem. O desporto é rico em situações de virtuosismo e por isso devemos aplaudir sempre, mesmo quando essas façanhas tenham sido realizadas pelos adversários.
    Em jeito de conclusão, reflicta nesta frase:

Ensine o seu filho a gostar de Desporto, em vez de o ensinar a gostar apenas de ganhar.
Referências bibliográficas