domingo, 28 de abril de 2013

O HÓQUEI EM PATINS ESTÁ DE LUTO E O BLOG THP TAMBÉM.



Nesta hora de infortúnio o blog THP - Treinadores de Hóquei em Patins não pode deixar de manifestar o seu pesar pelo falecimento do Prof. João Campelo, ex-atleta internacional português e atual treinador e Presidente da Associação Nacional de Treinadores de Hóquei em Patins.
À família expressamos as nossas sinceras condolências.
Em jeito de uma pequena homenagem ao Prof. João Campelo, o blog THP não realizará publicações durante esta semana. As mesmas voltarão ao blog THP no dia 8 de maio de 2013.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A ARTE DE COMANDAR UMA EQUIPA



Muitas vezes, encontro pessoas com dificuldade no comando de uma equipa, preferindo mesmo não ter a responsabilidade de efetuar as tarefas mais complicadas, pelo simples medo de comandar uma equipa. Se por um lado, alguns membros são não obedecem, por outro lado, rejeitam o seu líder, acreditando que este tem menos conhecimento. De facto, enfrentar todo um grupo sem conhecimento revela-se uma grande dificuldade para um líder.

Este artigo procura relevar algumas das verdades escondidas acerca o relacionamento entre líderes e liderados.

Antes de mais, um líder comanda vários liderados, mas, para os mais experientes, será necessário separar cada uma das relações de todas as outras, ou seja, compreender que cada caso é um caso isolado. Mais tarde, compreendendo como funciona o motor das relações, é que o leitor mais inexperiente pode compreender como funcionam relações a três ou mais pessoas. Ficam algumas sugestões importantes para melhorar o seu poder de comando.

Faça altas demonstrações de valor

Não existe nada melhor que as demonstrações de valor para iniciar a explicação deste artigo. As demonstrações de valor são uma arma, por vezes inconsciente, para comandar bem uma equipa. Existem dois tipos de demonstrações de valor: das demonstrações de valor superior que são os alicerces, e as demonstrações de valor inferior que destroem os alicerces. As demonstrações de valor superior são palavras ou ações que mostram que o indivíduo tem algo de bom para oferecer e que todos têm algo de bom para ganhar, é uma demonstração de conhecimento e poder. Organizar boas análises, escolher exercícios que os jogadores gostam ou fazer alguma atividade durante o treino que os jogadores gostam são demonstrações de valor superior e impor disciplina. É necessário dar aos jogadores uma razão para estes se agarrarem ao treino, compreenderem que tudo o que façam não atinge o treinador nem as suas decisões, e a única coisa que podem fazer é lutar por um lugar na titularidade. As demonstrações de valor inferior fazem exatamente o contrário. Mostrar demasiada confiança com os jogadores, leva muitos deles a ficar seguros com o seu treinador. Deixam de tentar agradar o treinador e, consequentemente, deixam de treinar. Isso quebra todo o valor de uma equipa e demora imenso tempo para ser recuperado de volta.

Os jogadores só treinam por vontade própria

É lógico que, quando um jogador não tem vontade de treinar, não vai treinar mesmo. Gritar e obrigar os jogadores a treinar quando esta não é a vontade deles é um dos piores erros que se pode fazer. Quando o treino é agradável, os bons resultados são obtidos e os jogadores sentem que podem aprender com o treinador (compare a parte do aprender com o treinador com as demonstrações de valor superior), é muito fácil manter a ordem no grupo. Mas quando acontece o contrário, gritar e exigir resultados aos jogadores não é mais do que retirar a liberdade aos jogadores nem os vai fazer sentir bem. Cada jogador tem a mesma necessidade de conseguir resultados como o treinador, e quando os resultados são fracos, ou o treinador oferece segurança aos jogadores, isto é, fá-los sentir através do treino e da motivação podem obter resultados, ou os jogadores acabam mesmo por fugir do treino. Os jogadores sentem a mesma vontade do treinador. Quando um treinador não mostra aos jogadores que é possível alcançar um resultado, isto é, quando os jogadores não encontram motivação dentro do grupo, vão procurar essa motivação fora do grupo. O que de facto acontece, é que, grupos de adeptos e claques não motivam quando as equipas estão em baixo. Em vez disso, exigem resultados, deixam de apoiar, e os jogadores não encontram motivação nem dentro nem fora do grupo. A "Teoria do Gato" ajuda a compreender melhor esta teoria. Quando lançamos um novelo a um gato para ele brincar, o mais certo é ele nem querer saber do novelo e vai-se embora. Mas se nós lhe lançamos o novelo, e quando o gato o agarra, nós puxamos o novelo de volta, sem nunca entregar o novelo ao gato, este não vai desistir de o tentar apanhar. Estamos a causar uma necessidade ao gato, e na realidade, acontece exatamente a mesma coisa.

Cultura é uma das chaves do sucesso

Um treinador, por mais que saiba da modalidade, precisa de saber sobre vários temas para mostrar aos jogadores quem é o verdadeiro líder. Excelentes análises e explicações só fará os jogadores acreditarem que o treinador percebe da modalidade, mas não fará com que os jogadores acreditem que sabe liderar, treinar e proteger o grupo dos perigos exteriores. Em cada situação inesperada, quando um jogador necessita de proteção do seu treinador, por mais que custe, este precisa causar dependência do jogador além de o proteger. Um plantel sente necessidade de alguém que o possa proteger, e quando algo menos bom acontece, como o abuso do exterior do grupo ou uma lesão, o facto de o treinador apoiar o jogador fará com que este se sinta protegido. E quando um jogador se sente protegido, este necessitará de ser protegido novamente, e conta com o treinador para isso. Esta é também uma das demonstrações de valor superior que um treinador pode causar.

Ser persistente é ser resistente

Podemos ser realmente muito bons numa tarefa ou numa profissão, ser bons a fazer alguém sentir que precisa de nós e a demonstrar o nosso valor de forma eficiente. Contudo, a sede humana é insaciável, e quando alguém mostra ser diferente, todo o grupo envolvente vai tentar transformar essa pessoa em alguém igual. Por esta razão, além do futebol, quando alguém tenta ser diferente, as pessoas mais próximas tem medo que essa pessoa possa fugir. Por exemplo, as mães têm medo que os filhos encontrem uma pessoa e saiam definitivamente de casa, pois estão habituadas a tê-los por perto. Esta é uma das causas do racismo e da discriminação, uma vez que o ser humano não aceita que alguém seja diferente. Alguns jogadores são também alvo dos elevados salários que recebem, porque isso indica que o jogador é superior, e ninguém aceita que alguém seja superior. Quando traçámos um objetivo ou uma meta, a primeira coisa a fazer é concluir essa meta, sem importar a opinião alheia. Se o treinador tem a certeza que o que escolheu fazer vai realmente dar certo, então deve fazê-lo. Se realmente der certo, terá um escudo de proteção contra a discriminação dos próprios atletas. Se não conseguir, será visto como fraco.

Concluindo, é necessário construir uma personalidade para comandar os jogadores

Nada é impossível e a sorte não existe. Não existe nada mais que se possa dizer além destas duas afirmações, pois estas já dizem tudo. O trabalho, a persistência e a escolha de um rumo é necessário para alcançar novos mundos e conhecimentos, e a partir do momento que entramos nesses mundos, surgem novos perigos. Por esta razão, cada equipa necessita de um modelo de jogo, uma vez que a segurança em ter decisões predefinidas implica correr menos riscos. Comandar é exatamente o mesmo: é necessário ter um modelo de comando, para que os riscos sejam menores, melhorando os resultados no grupo.

FONTE: Adaptado de
 http://www.teoriadofutebol.com/apps/blog/show/20654568-a-arte-de-comandar-uma-equipa

quinta-feira, 18 de abril de 2013

DENTRO DA MENTE DOS MELHORES ATLETAS DO MUNDO - PARTE 2 DE 2



Por Miguel Lucas, AQUI

«6 PASSOS NO DESENVOLVIMENTO DA TENACIDADE MENTAL

 1. Comece com a atitude certa e estado de espírito alinhado com os seus objetivos de performance (coloque os seus sentimentos e pensamentos capacitadores na linha da frente, chame todos os recursos psicológicos até si e atinja um estado mental facilitador):

A confiança vem em saber que você está preparado e se tem uma crença inabalável nas suas habilidades para alcançar os objetivos pretendidos. A confiança é sobre quem tem a coragem de competir como um guerreiro, sem medo do fracasso
- Capacidade de acionar o modo competitivo “Guerreiro Competitivo
- Coragem para dar tudo no recinto esportivo, jogar com o coração, determinação e foco total.

2. Programe a sua mente para o sucesso antes do tempo (antes da competição importante) com expectativas e afirmações positivas:

Espere o melhor de si mesmo. Afirme que é que você que vai fazer tudo para ser bem sucedido
- Declarações de objetivos orientados e confiantes começam com “eu quero, eu posso, eu vou …”)
- Focalize-se naquelas coisas que você quer que ocorram, ao invés de coisas que você tem medo que possam dar errado
- Visualize-se a realizar a sua performance da maneira que pretende (confiante, focado, completamente energizado)

3. Padronize os seus comportamentos: Desenvolva uma rotina pré-performance ou pré-competitiva sistemática que promova o estado mental/emocional desejado (prática, pré-competição, competição)

Prática (uma vez que você inicie o treino, comprometa-se a dar tudo que você tem, o que inclui fazer um compromisso de escutar, aprender, executar as habilidades / treinos com precisão e foco total)
- Pré-competição, desenvolva uma rotina sistemática de exercícios físicos e mentais (motivacionais, energéticos de confiança e elevado estado de recursos)
- Durante a competição (elevado foco atencional orientado para a elevada perfomance)

4. Atitude e compostura: Em caso de emergirem erros, rapidamente refocalizar a atenção para o que promove o elevado desempenho.

Grande parte do treinamento mental é acerca de compensação, ajustamento, e confiança.
- Se o plano A não funcionar, vá para o plano B ou C
- Uso de “Pontos Focais” são eficazes para ajudar a retomar a atenção de volta para a tarefa em mãos
- Seja persistente e mentalmente tenaz, não permite que a frustração possa minar a sua confiança e foco

5. Assuma o controle das auto-verbalizações negativas: “pensamento negativo” Reenquadre com sugestões de tarefas positivas orientadas:

Inicie tomando consciência de situações que fazem você ficar frustrado, apressado, intimidado, perder o foco. depois reenquadrar a negatividade, acionando a tenacidade mental através de auto-sugestões positivas
Exemplo do Basquetebol: Em vez de dizer “Eu tenho de incestar como se a minha vida dependesse disso”, liberte-se dessa pressão negativa, reformule essa vontade em algo mais positivo e orientado para tarefa “dê uma boa olhada no cesto, veja-o, sinta-o, ganhe confiança.”

6. Olhe para o fracasso como um trampolim para a realização futura:

A abordagem dos campeões para superar a adversidade é: Jogar para ganhar, em oposição a temer cometer um erro
Ele falhou 9.000 lances, perdeu 26 jogos em que lançou para ganhar, perdeu 300 jogos – Michael Jordan, NBA 6 vezes Campeão do Mundo. ”Eu falhei repetidamente, é por isso que eu consegui”
Concentre-se no processo de competir com elevado desempenho. Diferencie-se, impulsione-se a ter um elevado desempenho, quando mais importa.

Uma das técnicas que tem vindo a comprovar-se como tendo grande eficácia no treino das competências e habilidades psicológicas anteriormente descritas é a auto-hipnose. Para aprofundar este assunto, leia: 7 Passos explicam a auto-hipnose para atletas.

 AUTODOMÍNIO E MOTIVAÇÃO


A capacidade do atleta para controlar elementos mentais e emocionais auxilia o desempenho de tarefas, bem como a criação de uma base psicológica para a confiança e bem-estar (Boyd & Zenong, 1999). Quando o atleta possuí um elevado domínio dos seus recursos psicofisiológicos, quando sabe mobilizar as suas capacidades, habilidades e competências físicas e mentais aumenta drasticamente o seu desempenho. No entanto, quando a capacidade do atleta para controlar o seu estado psicológico é diminuída, afeta redondamente todos os seus recursos, inibe o seu potencial diminuindo a autoconfiança, bem-estar e desempenho.

Como qualquer forma de treinamento, os métodos para desenvolver o autoconhecimento exigem metas especificadas no tempo, distintas e definidas. Além disso, o tempo reservado para a prática das estratégias mentais, e a crença dos métodos utilizados, requerem um certo nível de motivação, ainda mais, do que o treinamento baseado na condição física e técncia que tem resultados quantificáveis​​ desde o início, e podem ser avaliados e medidos com regularidade. No treinamento das estratégias mentais a paciência é um aliado promotor, assim como a confiança na sua aplicação, porque os resultados podem não aparecer de imediato.

A motivação intrínseca deriva de um desejo de atingir uma determinada realização específica. Em vez de definir-se a partir da perspectiva de agentes externos, o atleta orienta-se por si mesmo, o sucesso estabelece uma forte relação com as performances realizadas anteriormente, independentemente da recompensa externa (Dishman, 1984).

É na relação que o atleta estabelece consigo mesmo, com o seu desejo de alcançar um determinado desempenho que tudo pode ser potenciado, ou ao invés autosabotado. Se o atleta consegue estabelecer uma forte ligação entre o seu nível motivacional e associar-lhe um elevado sentimento de crença, certeza e possibilidade de vir a atingir o objetivo desejado, ele cria o seu próprio estado mental favorável. O atleta passa a ser um facilitador e promotor do seu desenvolvimento e crescimento atlético. Se o atleta conseguir desenvolver a capacidade de criar envolvimento com o seu treinamento, tendo como chama, combustível ou potenciador os sentimentos e emoções que espera vir a sentir no momento em que conseguir realizar a performance desejada, criará uma enorme vantagem competitiva.

A motivação intrínseca permite ao atleta uma perspectiva mais objetiva de si mesmo, diminuindo uma posição egocêntrica, que normalmente seria associada com a motivação externa, e libertando o atleta para ver o seu desempenho como um meio de auto-desenvolvimento. Compreendendo isso, o atleta aumenta o seu nível de consciência dos recursos psicológicos que possuí, conseguindo orientar diariamente a sua atenção para a importância da persistência no treinamento intencional (emoção focada na tarefa).

É importante que o atleta não se limite por acontecimentos externos, como por exemplo motivar-se apenas para “ganhar” ao seu adversário. Este tipo de motivação à primeira vista até pode parecer benéfico. Mas, na verdade tem muito mais de prejudicial do que vantajoso. O atleta deve focar-se naquilo que ele pode influenciar, que é a si mesmo. Se o atleta não abrir a porta para fins muito mais elevados de desempenho, certamente irá enfrentar duros obstáculos à melhoria.

Existe uma elevada incontrolabilidade inerente aos eventos externos. Se o atleta pretende potenciar-se ao máximo, criar uma mente tenaz, com característica psicológicas facilitadoras que lhe permitam projetar-se mais além, deverá esforçar-se por focalizar-se principalmente nas coisas que acredita ser capaz de realizar. O atleta conscientemente deverá imaginar o que pretende alcançar, construir na sua mente imagens o mais claras possível e associar-lhe um forte sentimento (sentir no corpo o seu desejo e realização). É esse estado psicofisiológico que deve promover no seu treinamento. É nesse estado que deve propor-se às tarefas exigentes do treinamento. Treinar como se soubesse que aquilo que pretende irá ser alcançado, certificando-se que todo o seu ser está envolvido no treinamento que realiza diariamente. Perante a autoridade da motivação intrínseca, o atleta aumenta drasticamente as possibilidades de auto-desenvolvimento e auto-aperfeiçoamento.

COMO OS ATLETAS DE ELITE MANTÊM O SEU FOCO?


Parte da resposta é que eles são capazes de imaginar a cena uma e outra vez num ciclo repetitivo de construção positiva do cenário competitivo. Mas, o que define mentalmente os atletas de elite do resto de nós? Como é que eles são capazes de ir além dos seus limites comparativamente ao mero dos mortais?

A prática da imagética mental que é composta por três tipos de imagens mentais distintas (ensaio mental, visualização e imagética)  é uma das ferramentas que os atletas podem usar para atingirem o seu potencial psicológico máximo, e consequentemente o físico. Para um atleta de elite, dominar todos os fatores mentais é tão importante quanto dominar as várias habilidades físicas.

Todos os fatores se interrelacionam e facilitam a elevada performance, mas existe um que se destaca de todos os outros e que estabelece uma forte relação com a motivação, que é a confiança. Quando o atleta tem um forte sentimento de confiança emerge uma forte motivação. A  motivação (emoção + ação) garante o combustível para a preparação, e a boa preparação torna-se em confiança. O fator psicológico mais importante  é a confiança. A confiança funciona como o gatilho que permite potenciar e aumentar a eficácia dos restantes fatores. O atleta pode ter toda a capacidade do mundo para ter sucesso, mas se não acredita que tem capacidade para produzir um resultado de topo, não vai ter sucesso.

O ESTADO DE FORMA É UM ESTADO PSICOFISIOLÓGICO


Tudo o que o atleta treina diariamente tem como objetivo produzir o melhor resultado possível em competição. O treinamento físico é preponderante para o atleta aumentar a sua condição física, melhorar as questões técnicas do seu esporte, e ir aprimorando a tática que possa ser aplicada em competição. Não existe atividade motora sem atividade mental. O que pensamos influencia a forma como nos comportamos. O que pensamos influencia igualmente a forma como nos sentimos. Ou seja, durante o treino estes três processos interrelacionam-se. O atleta durante o treino pensa, sente e age. É nesta interrelação que é criado um determinado estado de ser, um determinado estado psicofisiológico.

Quanto mais autoconhecimento o atleta tiver acerca da forma como pode influenciar positivamente o seu estado de ser, o seu estado psicofisiológico, mais rendimento terá no seu treinamento. Os estados de ânimo influenciam todo o nosso comportamento.

Os treinadores preocupam-se tremendamente com a programação do treino físico, quantidades, volumes, frequências, intensidades, entre outras. No entanto, independentemente daquilo que se faz, a forma como se faz joga um fator preponderante na progressão do atleta. O envolvimento emocional que o atleta coloca no seu treinamento, o domínio das estratégias psicológicas que evidencia e o grau de confiança que tem em si mesmo, podem promover ou sabotar o estado de forma ótimo que tanto se quer atingir

FONTE: http://www.escolapsicologia.com/dentro-da-mente-dos-melhores-atletas-do-mundo/

quinta-feira, 11 de abril de 2013

DENTRO DA MENTE DOS MELHORES ATLETAS DO MUNDO - PARTE 1 DE 2



Por Miguel Lucas, AQUI

«Você sabe o que é preciso para ser mentalmente forte como os melhores atletas do mundo? No esporte de competição, o objetivo último do treino é o máximo rendimento. Dia após dia, atletas e treinadores aperfeiçoam a metodologia do treino, incrementam cargas, melhoram técnicas, inovam táticas, tudo com o objetivo de alcançar a melhor performance possível nas competições mais importantes. O atleta esforça-se para estar no seu pico máximo de desempenho na sua competição mais importante, no caso dos atletas de elite, por exemplo os Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, ou Campeonatos do Mundo. 

É nas competições mais importante de uma época que se enfrentam os melhores adversários e consequentemente onde a competição se torna mais exigente e difícil. É neste tipo de competições que o atleta é colocado à prova. É a razão pela qual o atleta (eventualmente você) trabalha tão duro em todos os aspectos do seu esporte. E saber como ter um excelente desempenho e atingir o pico de performance numa grande competição, é provavelmente a razão pela qual você está lendo este artigo.

O dia “D” é o momento em que o esportista se define como um atleta. Ele mostra a si mesmo o que é capaz de fazer, apresenta as suas habilidades para os outros, o quanto está bem preparado fisicamente, e mais importante, como ele é forte psicologicamente. Todo o meu trabalho na psicologia do esporte é direcionado para o pico de performance, para o máximo rendimento nas competições importantes. Preparo o atleta mentalmente para conseguir ter um elevado desempenho sobre pressão, e igualmente como ultrapassar momentos críticos em competição.
(…)

Os melhores atletas do mundo não fazem apenas as coisas melhor, eles fazem coisas diferentes, particularmente aquelas coisas que ocorrem entre as suas orelhas, na sua mente.

Algumas perguntas para reflexão:

- Você já se questionou porque atletas de renome falham nas competições importantes?
- Porque é que muitos atletas que tinham todas as condições físicas ideais, nunca se efetivaram como atletas de elevado nível?
- Porque é que alguns atletas numa primeira fase das suas carreiras se efetivam como grandes talentos, e posteriormente, mesmo treinando diariamente nunca conseguem expressar o real potencial que lhes foi identificado?
- Porque é que existem campeões que demonstram grande consistência competitiva, e outros apesar de já terem provado ter o mesmo nível são tremendamente inconsistentes?

Estas questões, evidentemente podem ser respondidas por vários prismas. Mas o que eu pretendo aqui evidenciar são os aspetos psicológicos do treino e da competição. Vamos abordar primeiro as questões relacionadas com os aspetos psicológicos do treino.


MOTIVAÇÃO


É do conhecimento do senso comum que os aspetos motivacionais jogam um papel importante no ímpeto, vontade e intenção que o atleta aplica no treino. A motivação usualmente é percepcionada através dos níveis de energia e empenho que o atleta coloca naquilo que executa, de acordo com a prévia programação do treino. Mas, o que são os conteúdos daquilo a que todos nós apelidamos demotivação? Do que é constituída a motivação? Será igual para todos os atletas? Certamente que não. É algo que possa ser medido, quantificado? Em certa medida sim, mas será sempre uma medida subjetiva e única, específica de cada atleta. Pode ser melhorada? Sim. Mas de que forma?

Se partirmos do princípio que podemos considerar a motivação, como um motivo para a ação. Então todos os atletas que se deslocam ao local de treino estão a exercer os princípios da motivação. Talvez você caro leitor até possa concordar com esta ideia. Mas se concordarmos com esta ideia, então a motivação não seria um fator diferenciador? Bem poder podia, mas apenas em termos de intensidade. E essa intensidade, então seria aquilo sobre o qual cada atleta poderia trabalhar, certo? A motivação poderia resumir-se à quantidade de energia (motivo) que cada atleta coloca naquilo que faz. Até parece simples, mais energia mais motivação.
(…)

Mas será que a motivação se confunde com os níveis de cansaço do atleta? Se quando o atleta está mais cansado, tem menos energia disponível, então podemos dizer que está com menos motivação? Certamente que não. Voltamos então à questão inicial: Será a motivação apenas definida como energia para a ação, ou algo mais?

A motivação é algo mais do que apenas vontade para ação e energia. A motivação relaciona-se fortemente com outros fatores psicológicos. A motivação é um construto que está para lá da vontade e energia expressa pelo atleta em treino.

A saber: A motivação estabelece relação com a autoconfiança, com os objetivos previamente definidos, com a percepção de valor do esforço, com a percepção da crença de eficácia do treino, com a percepção de capacidade de atingir o resultado esperado.

Até agora, os aspetos psicológicos que descrevi, será que num modelo tradicional do treino são levados em consideração? São trabalhados, melhorados, ou deixados ao acaso?

Se não tem, o treinador deverá teimosamente continuar a programar o treino da mesma forma, ignorando aquilo que desconhece, mas sabendo que exerce tremenda influência no tão elaborado treino físico? Este artigo provavelmente poderá começar a parecer um concurso de perguntas e respostas. Mas, mais adiante irá perceber que foi necessário para perceber o quanto pode ganhar e enriquecer o treinamento.

Eu defino a motivação como a afirmação de um valor. Enquanto seres humanos somos motivados para afirmar os nossos valores, aquilo que nos é significativo, que nos orienta. Toda a motivação pode ser vista como uma afirmação de valores, e não como uma descarga de energia. Dos valores emergem os motivos, e pelos motivos de cada um de nós podemos inferir os nossos valores.

PADRÕES COGNITIVOS (PENSAMENTO)


Um estudo publicado no Journal of Cognitive Therapy and Research, questionou treze ginastas masculinos durante os ensaios finais para a equipe olímpica dos Estados Unidos da América. Tentaram econtrar correlações entre os fatores psicológicos e as estratégias cognitivas para o desempenho atlético superior.

O estudo sugere que “padrões variáveis ​​de cognição podem ser fortemente correlacionados com o sucesso e desempenho superior na ginástica“. Fatores como, frequência de sonho, auto-verbalizações, os padrões de ansiedade, métodos diferentes de lidar com o stress competitivo e certas formas de imagens mentais definem os melhores ginastas do grupo.

Um estudo semelhante foi publicado no Journal of Applied of sport Psychology, examinaram as características psicológicas e o seu desenvolvimento nos campeões olímpicos. Dez campeões olímpicos norte-americanos foram entrevistados, assim como um dos seus treinadores e um dos pais, tutor ou outra pessoa significativa. Os atletas também fizeram uma série de testes psicológicos. Depois de avaliados os resultados, os psicólogos caracterizaram todos os atletas por:

A capacidade de lidar e controlar a ansiedade
Confiança
Tenacidade mental / resiliência
Inteligência esportiva
 A capacidade de focar e bloquear as distrações
Competitividade
A ética de trabalho duro
A capacidade de definir e atingir metas
Capacidade do treinador
- Altos níveis de esperança disposicional
Otimismo
Perfeccionismo adaptativo

Existem um conjunto de habilidade que se fundamentam na forma como o atleta organiza o conteúdo dos seus pensamentos, e isso joga um papel preponderante na forma como influencia positivamente ou negativamente todo o processo de treino, e consequentemente o redimento esportivo.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS ASSOCIADAS À ESTRUTURA MENTAL DIFERENCIADORA DOS ATLETAS DE ELITE (JONES ET AL, 2002):


Auto-confiança:

Ter uma crença inabalável na sua capacidade de atingir as metas competitivas
Qualidades únicas que o fazem melhor do que os seus adversários.

Motivação:

Ter um desejo insaciável e motivação interna para ter sucesso (você realmente tem que querer isso)
Capacidade de se recuperar das derrotas e do fraco desempenho com determinação crescente para ter sucesso.

Foco:

Permanecer totalmente concentrado na tarefa em mãos perante distrações específica da concorrência
Capacidade de mudar o foco sempre que necessário
Não ser negativamente afetado pelo desempenho dos adversários ou pelas suas próprias distrações internas (preocupação, padrão mental negativo)

Compostura sobre pressão/ Manipulação:

-  Capaz de recuperar o controle psicológico na sequência de acontecimentos inesperados ou distrações, prosperando sobre a pressão da concorrência (abraçando a pressão, entrando no momento)
Aceitar que a ansiedade é inevitável na competição e saber que pode lidar com ela
A componente-chave da tenacidade mental é aprender a condicionar a sua mente para pensar com confiança e ser capaz de superar a frustração / auto-crítica negativa (resignificação de auto-verbalização para o que deseja que ocorra)

Todas as estratégias cognitivas, que eu apelido de Estratégias Mentais de Êxito, estabelecem uma forte relação com a capacidade que o atleta possa ter para ser positivo.  Pensar positivo, ter uma atitude positiva, expressar verbalizações positivas revela-se tão importante em treino quanto em competição. Em competição, quanto mais você enfrenta a adversidade, mais positivo você tem que ser para construir a sua confiança e autoestima.»