quinta-feira, 30 de maio de 2013

TREINO ESPECÍFICO DE GR - HÓQUEI EM PATINS






FONTE: entrainement gardien plint (vídeos partilhados do youtube)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

HÓQUEI EM PATINS: VOLUME/TEMPO DE TREINO OU IDADE?



Quantas vezes já ouvimos dizer e até já dissemos algo do género “tem 8 anos, é tarde para começar a jogar hóquei em patins…”, “o ideal é começar entre os 3 e os 5 anos…”, “com 9 anos só se for para guarda redes no hóquei em patins porque jogador de campo já não dá…”

Estas frases e esta mentalidade que viram “mito” poderão não corresponder totalmente à realidade.

Não realizei nenhum estudo, baseio-me apenas na minha experiência profissional de 17 anos como treinador, mas penso que o facto de uma criança ter 1º ou 11 anos ainda vai a tempo de ser “craque” do hóquei em patins e não necessariamente só terá futuro na baliza.

Sou completamente apologista que um dos grandes factores para se atingirem grandes patamares no hóquei em patins são entre alguns o tempo/volume de treino.

Isso sim, na minha opinião faz a diferença. Claro está que o empenhamento, a vontade, a qualidade dos treinadores com que se trabalha, o clube, o material, a mentalidade, a motivação, etc… também influenciam muito.

Mas voltando ao cerne desta minha opinião e pegando no volume de treino faço aqui um pequeno raciocino matemático:

Exemplo 1: um atleta que inicie a pratica da modalidade aos 3 anos e que treine 3 horas semanais (2 treinos de 1h30min o que é muito bom nos tempos atuais), terá qualquer coisa como  12h mensais de treino e 120h numa época.
Quando este atleta tiver por exemplo 10 anos terá 840h de treino e aos 13 anos terá 1200h.

Exemplo 2: um atleta que inicie a pratica da modalidade aos 8 anos e que treine 6 horas semanais (4 treinos de 1h30min o que é o ideal – poderá realizar treinos de formação e treinos com uma equipa de iniciação à competição), terá qualquer coisa como  24h mensais de treino e 240h numa época.
Quando este atleta tiver por exemplo 10 anos terá 480h de treino e aos 13 anos terá 1200h.

Os dois atletas chegarão aos 12 anos exatamente com o mesmo número de horas (volume) de treino, curiosamente ou não e um começou aos 3 anos e o outro só iniciou aos 8. Perante estes exemplos, a questão que se coloca, terá a idade assim um peso fundamental na qualidade do jogador de hóquei em patins?

É uma questão que fica para gerar debate e discussão.

Imagine-se que o atleta do “exemplo 1” tem a infelicidade de não ser trabalhado por grandes treinadores da modalidade e o atleta do “exemplo 2” até tem essa felicidade, então quando os atletas tiverem 13 anos muito provavelmente ninguém se lembrará que um iniciou a modalidade aos 3 anos e outros aos 8 anos.

Ao contrário de alguns outros mitos, na minha opinião, se numa situação destas se tratar de um guarda redes, penso que o volume de treino (bem como a qualidade), fará ainda mais diferença, atendendo à especificidade da posição.

Fica esta publicação para aguardar os vossos comentários e debate.

Para finalizar, acrescento ainda que na minha opinião estará também aqui, no volume/tempo de treino ou melhor, na ausência de volume/tempo, um dos principais motivos para os quais hoje em dia se escuta muito dizer "já não há jogadores técnicos como antigamente". Pois, é que antigamente, um jogador realizava os seus habituais treinos e para além disso praticava patinagem e hóquei em patins nos recreios da escola, nas ruas, em brincadeiras com os amigos, nos ringues que existiam pelo país fora, etc. E tudo isso, mesmo sendo a brincar, era volume/tempo de treino e contribuía para a formação e aperfeiçoamento do atleta de hóquei em patins.

Hoje em dia, o atleta "moderno" de hóquei em patins, limita-se quase exclusivamente a dedicar-se a tempo de treino que o clube lhe proporciona e nada mais. Alguns até reclamam quando o treino demora mais 5 minutos que o habitual. Nos recreios da escola já não existem patins, as brincadeiras de ruas a simular o hóquei em patins foram substituídas pelos jogos de computador, consolas e similares, os ringues já não são utilizados para patinar, etc...

FONTE: Opinião de Hélder Antunes

quinta-feira, 16 de maio de 2013

COMPETÊNCIAS E FORMAS DE ESCOLHA DO CAPITÃO DE EQUIPA



Autor: Carlos Caetano
Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

O presente estudo teve como objectivo a realização de uma análise que demonstre quais os factores de convergência/divergência entre treinadores e jogadores em relação às competências e formas de escolha do capitão de equipa.

A recolha de informação, necessária para a realização deste trabalho, foi efectuada através da aplicação de um questionário que teve por base uma amostra de 150 praticantes de Basquetebol de escalões de formação e 20 treinadores.

Os resultados obtidos demonstram que neste estudo não foram encontradas diferenças significativas nos dois grupos estudados, relativamente às hipóteses colocadas.

Assim, tanto treinadores como jogadores consideram as funções ligadas à motivação como sendo as de maior importância, bem como referem a opção “Votado pelos atletas e treinador” como sendo a mais correcta na escolha de um capitão de equipa.

Introdução

O capitão de equipa tem um papel vital na concepção de desporto moderno, ou seja, deve ser o elemento motivador e representativo do treinador dentro do campo, bem como alguém que aceita responsabilidades e assume posições de liderança. No entanto, são quase inexistentes os estudos que analisam o papel desempenhado pelo capitão de equipa, a sua importância e os critérios adequados para a escolha do mesmo.

Sendo o treinador de uma equipa o seu líder indiscutível, existem porém outros líderes formais, nos quais se inclui o capitão de equipa, que representa um papel fundamental no seio de um grupo.

A relação entre estes dois líderes (capitão e treinador) é abordada por Curado (2002) que defende a necessidade de ter que existir um total clima de confiança entre ambos.

São vários os autores que exprimiram as suas opiniões acerca das funções e competências que este elemento deve possuir para ser “um correcto capitão de equipa”, ora vejamos:

Segundo Messina (1968) o termo capitanear significa de imediato: liderança, responsabilidade, integridade, honra e respeito. Sendo as suas responsabilidades gerais divididas entre: 1 - O capitão deve sempre lembrar-se que foi escolhido porque a equipa o respeita e quer que seja ele a liderá-la; 2 - Ele é o responsável pela condução do grupo dentro e fora do campo; 3 - É também o responsável pelo moral da equipa dentro e fora do campo, nunca devendo dar sinais de desencorajamento; 4 - Quando surgem problemas no interior do grupo (treinos ou jogos) deve procurar resolvê-los de imediato, antes de ter que recorrer à equipa técnica; 5 - É obrigação do capitão representar qualquer elemento da equipa que tem determinado problema e expressar os seus pontos de vista à equipa técnica.

Seguindo um pensamento semelhante, Jay Mikes (1987) afirma que o capitão de equipa deve ser consistente, capaz de ajudar a equipa nas várias fases do jogo e em cada jogo, tendo que possuir permanente domínio sobre a concentração, compostura e confiança, factores que são determinantes para a obtenção de resultados positivos em competição.

Deverá sempre revelar-se um líder altruísta e ser capaz de dar o seu melhor contributo debaixo de pressão e nas fases cruciais dos jogos. Os seus atributos físicos e a forma como cuida de si e do seu corpo, procurando estar sempre em grande forma, demonstrando um enorme prazer pelo jogo, deve ser a sua “imagem de marca”.

Teotónio Lima (1993) dá o exemplo de alguém que verdadeiramente desempenhava na perfeição o papel de capitão de equipa, e define-o como sendo um grande motivador porque treinava com entusiasmo e um grande empenho físico que contagiava os seus companheiros de equipa. Foi um capitão que, em jogo, dava o tom na defesa e no ataque, isto é, era um jogador que defendia com agressividade e que atacava com serenidade. Sabia ler o jogo, e procurando conhecer a sua modalidade por dentro apoiava os mais novos, os «recrutas», que se juntavam à equipa.

Era um líder que se preocupava com a unidade da equipa e que como jogador conseguia ter a sua própria vida organizada de modo a estar disponível para dinamizar o espírito de grupo, mesmo para além dos treinos. Tinha uma qualidade rara, indispensável para desdramatizar situações delicadas na dinâmica do grupo – um sentido de humor, que sabia usar quando uma boa gargalhada constituía o remédio adequado para aliviar as «nervoseiras» que antecedem os jogos decisivos ou para pôr as coisas no lugar próprio depois de uma derrota decepcionante.

Enquanto capitão assumia, por sua iniciativa, o papel de elo de ligação humana entre os jogadores e o treinador, procurando criar e organizar situações de convívio que eram sempre bem conseguidas, bem como sabia definir e assumir a atitude a tomar em relação ao jogo, à arbitragem, aos dirigentes e até aos adeptos do clube.”

Na opinião de Tomáz Morais (2003) as funções de um capitão nunca poderão somente passar por este ser um mero representante da equipa para falar com o árbitro, escolher o campo, cumprimentar e entregar o galhardete aos adversários ou mesmo fazer o tradicional discurso após o jogo.

Segundo este treinador o capitão de equipa deve funcionar como um elo de ligação da equipa, pelo que se deverá ter em conta a sua capacidade de interacção com os outros jogadores de forma a garantir a efectiva transmissão de metodologias, estratégias e conceitos.

Existem alguns factores relacionados com as competências de um capitão de equipa que tem sido alvo de análise por diversos autores, entre os quais podemos salientar:

A liderança – uma vez que é o capitão que assume este processo, comandando a equipa e também tomando decisões que surgem inúmeras vezes durante o desenvolvimento de uma partida, sendo também alguém de grande atitude positiva, que dirija e lidere com naturalidade.

Segundo Teotónio Lima (1984) o capitão de equipa só poderá exercer uma liderança autêntica, legitimada por um estatuto de autoridade, se:
- For escolhido e designado pelos membros da equipa;
- For um atleta de valor superior à média dos membros da equipa;
- Transmitir à equipa a sua experiência de atleta e aquilo que sabe das actividades concretas e afins da prática da modalidade;
- Tomar decisões e tiver intervenções sobre o comportamento dos seus companheiros de equipa;
- For reforçado o seu estatuto de autoridade por parte do treinador.

A motivação – da equipa é um dos seus papéis primordiais, tendo que evidenciar a profundidade, a força e o potencial do seu carácter e da sua personalidade, mantendo sempre boas relações dentro da mesma, demonstrando uma correcta postura, atitude e disponibilidade;

A comunicação – sendo o capitão de equipa o elo de ligação de todos os atletas com o próprio grupo, com a equipa técnica e dirigentes, este deve saber transmitir, aos novos elementos que sejam incluídos no grupo, quais as regras, comportamentos e filosofia a adoptar para uma adequada integração.

Pedro Alvarez (2003) afirma que durante os jogos “…cabe ao capitão informar aos companheiros sobre as indicações dadas pelo treinador e informar o treinador sobre situações que ocorrem dentro do campo e que este poderá não perceber devido à distância a que se encontra. O saber contactar com os árbitros é decisivo para um capitão de equipa, principalmente na forma como e quando devem comunicar com eles…”

A organização – tem que estar sempre presente nas características de um capitão, de acordo com Messina (1968) este líder, para além ser um elemento dedicado e responsável, deve ter métodos e técnicas que o tornem organizado em todas as tarefas ligadas à sua modalidade específica.

Nos diversos artigos de opinião sobre este tema, “capitão de equipa”, surge-nos várias vezes mencionada uma outra questão de elevada pertinência – A forma mais adequada de escolha do capitão. As opiniões dos vários autores abordam as várias hipóteses de decisão inerentes a esta escolha, mas divergem muitas vezes de modalidade para modalidade e de treinador para treinador.

Jack Sheedy (1980) defende a ideia de que o capitão é normalmente escolhido por ser o melhor jogador, o mais extrovertido e comunicativo, o que ocupa posições-chave na constituição da equipa, o com mais maturidade ou o mais antigo no plantel/clube.

Por outro lado, Jerry Cougill (1968) refere que um papel de tanta responsabilidade como o de capitão de equipa não pode resultar de uma simples eleição, mas sim da escolha directa do treinador, pois este saberá melhor quais os requisitos necessários ao desempenho desta função do que maioria dos membros da equipa.

Para Manuel Cajuda (2003) a escolha deste líder deve ter por base questões como: a antiguidade, a competência técnica, física, táctica, psicológica, social e cultural; a honestidade profissional; ser conhecedor da “mística ou doutrina” do clube e um líder reconhecido pelos outros através das suas reais capacidades.

Luís Magalhães (2003) começa por afirmar que “ser capitão de equipa não é apenas uma mera formalidade”, por isso escolhe jogadores experientes para liderarem a equipa.

Na opinião deste treinador profissional o cargo em análise é demasiado importante para ser encarado com alguma distância. Assim, no seu ponto de vista não deverão existir eleições, nem antiguidades ou outra qualquer situação, que não seja a escolha criteriosa da sua parte, no sentido de escolher bem um líder, um elemento exemplar, experiente, com carácter e que desempenhe com qualidade e competência as suas funções.

No seu artigo Pedro Alvarez (2003) considera que a escolha do capitão de equipa deverá assentar sobre comportamentos sociais e valores morais, não sendo o rendimento desportivo uma característica essencial para o desempenho deste cargo nos desportos colectivos. Segundo este autor o comportamento social dentro e fora do treino deverá ser determinante para a sua eleição. Alguns princípios elementares destacados por este autor como: a assiduidade e a pontualidade ao treino, uma constante atitude positiva perante o treino, ao nível da aplicação e da superação das dificuldades colocadas pelo treinador, e a capacidade de diálogo com os adversários e árbitros (principalmente em situações de maior pressão competitiva).

Assim, este treinador de escalões de formação, defende que “a eleição do capitão de equipa deverá ser livre, mas orientada”, devendo a sua escolha ser o resultado de um processo democrático dentro de um grupo, no qual o treinador poderá interferir subtilmente ou não.

Na opinião de Tomáz Morais (2003) a escolha do jogador para assumir esta difícil e permanente tarefa, de capitão de equipa, tem de ser bastante criteriosa e cuidada.

Considera que nos desportos colectivos, de uma forma genérica, o capitão é escolhido consoante as características de cada modalidade e segundo algumas tradições, como por exemplo: o jogador com mais idade, o mais antigo no clube, o mais internacional, a “vedeta”, o jogador mais “querido” pelos outros jogadores, etc.

Na sua perspectiva qualquer destas alternativas é aceitável desde de que se cumpra o principal objectivo – “o sucesso da equipa – no qual o capitão tem que, por si só, constituir uma mais valia”.

Método

Foram inquiridos 170 sujeitos, sendo 150 praticantes de Basquetebol federado (90 atletas masculinos e 60 femininos, pertencentes a 15 equipas) do escalão de cadetes (idades compreendidas entre 14-16 anos) e 20 treinadores de escalões de formação.

Para a realização deste estudo foi aplicado um questionário composto por 16 afirmações referentes às competências do capitão de equipa, através das quais se pretendia que os inquiridos se identificassem com maior ou menor concordância, e por uma pergunta de resposta fechada sobre a forma mais correcta para proceder à escolha do mesmo.

As 16 questões foram avaliadas numa escala de Likert de 4 pontos estando divididas em quatro dimensões: liderança, motivação, comunicação e organização.

Procurou-se assim verificar a validade de duas hipóteses: 1) As competências mais relevantes de um capitão de equipa diferem entre treinadores e jogadores; 2) A forma de escolha do capitão de equipa difere entre treinadores e jogadores.

Resultados

As hipóteses testadas por este estudo não se confirmaram, uma vez que não se encontraram diferenças significativas nos resultados apresentados pelos dois grupos relativamente às funções de maior importância atribuídas ao capitão de equipa e à sua forma de escolha.

Ambos consideraram as funções relacionadas com a Motivação (Treinadores: 3,59; Jogadores: 3,26) como sendo as mais preponderantes, bem como, em relação à opção apontada como a mais correcta na escolha do capitão de equipa -“Votado pelos atletas e treinadores” (39,4%), que foi igualmente a mais referida por jogadores (40,0%) e treinadores (35,0%).

No entanto, relativamente à pergunta sobre a forma mais correcta para proceder à escolha do capitão, verificou-se ainda a existência de alguma divergência nas respostas apresentadas, uma vez que os jogadores, ao contrário dos treinadores, referem quase a totalidade das opções (dez das doze apresentadas), dando mesmo algum peso (7,3%) à forma de escolha do capitão de equipa através de “sorteio entre jogadores”.





Conclusões

A opção escolhida por treinadores e atletas como sendo a forma mais correcta de escolha de um capitão de equipa (“votado pelos atletas e treinadores”) é divergente da maioria das opiniões dos autores citados, que são na sua totalidade treinadores.

Se em relação aos jogadores parece normal a escolha recair nesta opção, pois possibilita expressarem as suas opiniões, por outro os treinadores contrariam a posição dos autores citados, quando estes referem que não se deve recorrer a qualquer tipo de eleição para proceder a esta escolha.

A razão que explica esta divergência prende-se com o facto de este estudo ter sido dirigido exclusivamente a treinadores de escalões de formação.

Assim, propõe-se a aplicação deste estudo em diferentes escalões, verificando as diferenças entre os escalões de formação e o escalão de seniores, bem como a sua realização nos diversos desportos colectivos.

Deverá ainda analisar-se de que forma os treinadores preparam o seus atletas tendo em vista a aquisição das competências necessárias para o desempenho desta função.

Referências Bibliográficas

Alvarez, P. & Cajuda, M. & Magalhães, L. & Morais, T. (Agosto 2003). A escolha do capitão. Treino Desportivo, pág. 34-39.

Curado, J. (2002). Organização do treino nos desportos colectivos, pág. 135-141. Editorial Caminho, SA.

Lima, T. (1993). O capitão. O Treinador nº16, pág.16.

Montero, Alberto (Agosto 1999). Educación Física y Deportes. Revista Digital, Ano IV, nº15. Sports Coach, (1980). Vol. 6, nº4, pág. 28.

The Athlectic Journal, (Maio 1968).

Ucha, Francisco (Março 1999), Educación Física y Deportes. Revista Digital, Ano IV, nº13.


FONTE: Artigo gentilmente enviado por Andreia Barata (Treinador e jogadora de Hóquei em Patins)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ABANDONO PRECOCE NO DESPORTO - O TREINADOR



"No desporto, como em muitas outras actividades, os adultos podem ajudar as crianças e jovens a desenvolverem os seus interesses e a optimizar as suas capacidades pessoais. O treinador de jovens apresenta-se como um excelente exemplo em como poderemos maximizar essas oportunidades. As crianças, de uma forma geral, querem ser bem sucedidas na actividade desportiva que escolheram para praticar. Se regredirmos à nossa infância, e colocarmo-nos nessa posição de ser criança no desporto, facilmente nos lembramos dos sonhos de glória – fazer o tal golo no último minuto. Cada movimento, cada remate, cada execução que é realizada num treino ou jogo, é um marco que pontificará na memória. Quando se desenvolve uma actividade desportiva com crianças, os adultos significativos (e.g. treinadores, pais) têm a oportunidade de auxiliá-las perante aquilo em que elas são mais vulneráveis – a competitividade precoce. Isto é, os treinadores, os pais, os dirigentes ou os juízes, podem desenvolver a competição sob a perspectiva de fomentar auto-percepções positivas e a auto-aceitação nas crianças. Estes adultos significativos são responsáveis pelo desenvolvimento do divertimento e do carácter, e rejeitar os abandonos precoces da prática desportiva. Idealizando a figura do treinador neste sentido, ser treinador de crianças e jovens não se circunda, unicamente, sob a perspectiva metodológica do treino. Ser treinador de jovens é muito mais do que isso! Implica ter conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança, compreender o seu pensamento e a sua cognição. Saber que as crianças e jovens que dirige e auxilia no desporto percepcionam-no como um modelo social a seguir e a respeitar. Geralmente, os treinadores de crianças querem fazer bons trabalhos, isto é, desenvolver talentos, optimizar capacidades técnicas, fazer a equipa jogar bem, etc. Em muitos casos,  alguns desses treinadores são voluntários, que tiveram um passado na prática do futebol, que gostam do treino e do clube. Mas, um mau delineamento dos desígnios pedagógicos e didácticos no treino pode causar graves danos no futuro das crianças e jovens. O que, hoje em dia, de uma forma sucessiva tem vindo a acontecer, é o abandono precoce da prática desportiva. Os treinadores são a figura principal no processo de formação desportiva da criança. A sua má conduta leva ao decréscimo da confiança e da motivação, criando uma barreira entre a criança e a prática desportiva que tanto gostava de praticar. Se foi fácil para um treinador esquecer o jovem atleta que abandonou a equipa a meio da época porque não jogava o suficiente, ou porque, não se divertia, talvez esse mesmo treinador veja, somente, o desporto a partir da vitória e da derrota, e das medidas para alcançar o sucesso rápido na formação.

A formação dos treinadores de crianças e jovens em futebol é uma necessidade premente. Apesar de se verificar na bibliografia e na prática corrente, tentativas de suporte nesse sentido, a intervenção ainda é parca, face o evidente crescimento de instituições desportivas e, concomitantemente, de praticantes nelas envolvidos. O aumento da taxa de abandono desportivo precoce, por parte de crianças e jovens no futebol de formação, tem sido um sinal de sobreaviso para os responsáveis da formação desportiva, em especial, na modalidade do futebol. As seguintes linhas pretendem promover a reflexão no delineamento pedagógico dos processos de ensino/aprendizagem em futebol juvenil. Talvez se deva salientar aqui, que a competição desportiva, por si só, poderá ter vantagens (apesar de estar longe de ser o principal motivo, a competição tem alguma representatividade no padrão motivacional dos jovens),  mas igualmente desvantagens. À competitividade, normalmente, estão associados o desapontamento, a “pressão” por parte de pais e treinadores, e a frustração. Possivelmente se ela for encarada do ponto de vista da formação perante aqueles que nela estão envolvidos, ela será vantajosa se promover a maximização da aquisição de conhecimentos e de capacidades, passando a ser desvantajosa se impedir ou perturbar o normal processo de aprendizagem.
No sentido de promover os benefícios da prática e do treino em futebol para as crianças e jovens, é importante ter em consideração as seguintes directrizes:

DISTINGUIR

Distinga as diferenças do desenvolvimento da criança.  As crianças diferem dos adultos nas capacidades fisiológicas, motoras, cognitivas e emocionais. Neste sentido, o treinador antevendo o crescimento e desenvolvimento da criança, deverá considerar como efectua a sua comunicação e como delineia as formas didácticas do treino. Por exemplo, quando observamos crianças de 6 ou 7 anos de idade a jogar futebol, facilmente é identificável a forma descoordenada como as crianças se posicionam em relação aos seus colegas e em relação á bola. A bola é o centro das acções. O pensamento da criança nesta idade não apresenta um desenvolvimento suficiente, no que concerne ao domínio espacial e dedutivo. É comum, observar-se em várias actividades os treinadores de crianças com estas idades: “Organizem-se!”, “Passa a bola!”, “Marca o jogador”, “Posiciona-te na defesa”.

UTILIZAR

Utilize a comunicação positiva. A utilização do reforço positivo apresenta-se como fundamental no ensino e prática de qualquer actividade com crianças. A comunicação é uma das áreas que o treinador, em qualquer nível competitivo, deverá saber dominar. As investigações demonstram que, no ensino e aprendizagem desportiva, a utilização do feedback positivo por parte dos treinadores resultam no incremento da motivação, auto-estima e do divertimento nas experiências desportivas de crianças e jovens.

CRIAR

Crie situações que desenvolvam a tomada de decisão. Devem ser providenciadas situações para que os jovens atletas tomem as suas próprias decisões em contexto de treino e de jogo. A investigação afirma que a intervenção do treinador em jogo não deve ser contínua. Nesta circunstância, o treinador deve alternar entre a instrução técnica correctiva (não de forma sucessiva) e o reforço positivo (contingente a uma boa execução). Não raras vezes, observa-se que os treinadores de crianças enviam, constantemente, instruções para o campo, na tentativa de corrigir erros técnicos ou tácticos de jogo – “Joga na direita!”, “Joga na esquerda!”, “Marcação ao homem!”, “Toda a gente atrás da linha da bola” – de uma forma quase contínua. Acontece que, a mensagem enviada pelo treinador, gradualmente, deixa de ter relevância. E, se tivermos em consideração, que as crianças têm, de uma forma natural, uma reduzida focalização da atenção, este tipo de comunicação por parte do treinador apresenta-se como ineficaz. Os treinadores deverão criar um ambiente que encoraje as crianças a tomarem decisões por si próprias. Terão que ver as decisões erradas como uma oportunidade para aprender.

IDENTIFICAR

Identifique e persiga os verdadeiros valores da formação desportiva de crianças. Tipicamente, os treinadores mais jovens iniciam a sua actividade com boas intenções. Querem que as crianças, sobretudo, se divirtam, desenvolvam novas capacidades e competências, e saibam avaliar a vitória e a derrota através do esforço dispendido para o jogo. Estes são, alguns dos valores, que se identificam como ideais para a formação e desenvolvimento biológico, psicológico e social no desporto. No entanto, o fascínio da vitória, por vezes, eclipsa estes objectivos primordiais da formação desportiva. Os sinais são imediatos: menor rotatividade das crianças nos jogos; de uma forma sucessiva, vê-se as crianças a chorarem por terem perdido o jogo; comportamentos mais agressivos nos treinos; pais descontentes; entre outros. Crie objectivos no início da época, e reveja-os durante a temporada. Para qualquer criança, o divertimento é jogar. Se questionar uma criança se pretende jogar na equipa que perde ou ficar no banco de suplentes da equipa que ganha, a maioria responderá que prefere jogar. Seja crítico para com o seu próprio comportamento. Reserve algum momento de reflexão após os jogos e após os treinos. Reveja o planeamento do treino. Verifique se os próprios objectivos formativos estão a ser cumpridos. As informações que retirará daqui mantê-lo-ão no caminho do alvo que formulou previamente.

PROCURAR

Procure receber feedback do seu comportamento em treino. Para evoluirmos em alguma actividade, é importante termos recursos que nos informem acerca do nosso rendimento. Após os treinos ou jogos, questione os seus adjuntos acerca da sua prestação e da equipa, do clima, da coesão de grupo, etc. Encoraje-os a serem específicos, a darem exemplos práticos e concretos. Questione os pais acerca do que os filhos dizem dos treinos e dos jogos. Os pais são um aliado para a formação desportiva! Verifique o sentimento das crianças durante a época. Se eles estiverem hesitantes em falar, faça-os responder a alguns questionários anónimos. Podem incluir questões como, “Se pudesses mudar uma coisa nos treinos para torná-los mais divertidos, o que seria?”, “Qual é o melhor e o pior comportamento que o treinador tem durante os treinos?”, “Onde achas que a equipa poderá melhorar?”. Não se esqueça, a motivação é o motor da prática desportiva.

ACEITAR

Aceite a espontaneidade e o caos que caracterizam as actividades com crianças. A espontaneidade e os comportamentos inesperados das crianças podem provocar frustração e um grande desânimo se o treinador se render à ilusão do controlo de todas as situações de treino. A realidade é que cada criança é única e, todos os dias, nos presenteará com um comportamento e uma expressão nova. E, cada criança tem um desenvolvimento e uma maturação distinta. È importante ter em consideração que o plano de treino traçado no início da época, não raras vezes, tenha que ser alterado no momento, e necessite de constante revisão. Considere um determinado nível de desordem como inevitável em actividades com crianças.

Treinar crianças e jovens providencia uma excelente oportunidade para os influenciar, positivamente, nas suas vidas. Este facto, é extremamente importante, quando o treinador compreende o desenvolvimento das crianças em relação ás suas capacidades desportivas, vê as crianças como únicas e individuais, e interessa-se, constantemente, pela evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Finalmente, ser um treinador de sucesso com crianças é continuar a aprender em cada treino e com cada criança, tornando-se cada dia, num treinador melhor."

Fonte: Escrito por Pedro Teques in