quinta-feira, 26 de setembro de 2013

SER TREINADOR - PARTE 3 DE 4


Trabalho elaborado por: Hugo Terroso
Licenciado em Educação Física e Desporto e Licenciado em Motricidade Humana. Professor de Ed. Física.
Treinador de Futebol

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A Formação do Treinador

Na opinião Jorge Araújo cabe ao treinador assumir a sua função sócio desportiva, face a um triplo compromisso:

- Actualização permanente.
- Formação integral dos atletas.
- Desempenho de um papel activo no desenvolvimento da sua modalidade e do desporto em geral.

O treinador necessita de adquirir formação que o ajude oriente no sentido de conseguir relacionar, criticamente, todo o saber teórico adquirido com a experiência oriunda dos terrenos de jogo, conciliando e promovendo as motivações e necessidades dos diferentes agentes desportivos envolvidos no processo de treino.

Sem a vivência da prática, não há tomada de consciência objectiva do conteúdo geral e especifico da intervenção socio desportiva que lhe corresponde desempenhar. Sem uma cuidada preparação teórica e o seu relacionamento e aplicação concreta nos treinos e nas competições torna-se impossível que o treinador possa evoluir e melhorar a qualidade da sua acção.

Estas ideias levam-nos para a importância da formação e experiência desportiva bem como a formação académica, uma suporta a outra.
A formação do treinador implica preocupações relativas a:

- Aquisição de conhecimentos.

- Domínio das técnicas.
- Transformação positiva e continuada das atitudes.

Formar treinadores subentende habilita-los para uma constante aberta à inovação cientifica, pedagógica e técnica (Jorge Araújo).
A formação de treinadores deve obedecer a um conjunto de princípios gerais:

- Intervenção cientifico pedagógica

Formar significa respeitar de modo equilibrado a formação científica e pedagógica. Os treinadores necessitam de uma formação bem dimensionada em termos pedagógicos que lhes possibilite saber transmitir, e uma formação científica que lhes permita transmitir saber.

- Áreas fundamentais da formação

As áreas fundamentais da formação do treinador são as seguintes:
            . Gestão e organização
            . Didáctico metodológica
            . Psico-pedagógica
            . Biologia
            . Psicologia

- Continuidade

A formação tem de ser permanente. A uma formação inicial deve seguir-se uma formação permanente, extensiva à duração da vida activa do treinador. A formação inicial prepara para a realização de uma actividade profissional com competências próprias, a formação permanente deve completar a inicial

- Intencionalidade

O acto de formar treinadores não pode ser neutro relativamente à intencionalidade da sua intervenção futura. O treinador requer uma formação que o incentive no sentido de um constante interesse pela inovação científica, pedagógica e cultural e lhe desenvolva uma necessária atitude crítica que lhe permita a recusa permanente de atitudes seguidistas ou subserviente.

Jorge Araújo defende que na formação inicial como na permanente, deve proporcionar condições para uma participação responsável dos formadores, incentivando-os para a auto formação.

Na opinião de José Curado (1982), a actividade do treinador revela-se particularmente complexa e é dificilmente imaginável vê-la desempenhada por homens ou mulheres com uma formação deficiente. Segundo este autor, a formação e preparação dos treinadores terá de respeitar um sucessivo e lógico encadeamento e alargamento dos seus conhecimentos, onde cada novo conhecimento adquirido ou cada novo domino abordado se encaixam perfeitamente naquilo que já anteriormente se adquiriu.

Podemos assim concluir que a formação de treinadores, qualquer que seja o grau para que aponte, deve obedecer a um conjunto de regras, e neste sentido Jorge Araújo define os seguintes pontos:

- Dirige-se prioritariamente aos treinadores cujo vínculo concreto á função mais e melhor justifica o apoio formativo.

- Não ser concebida a nível de conteúdos de modo desligado das experiências e conhecimentos anteriores dos candidatos.

- Para ser eficaz, tem de estar profundamente relacionada com a realidade prática da modalidade, ilustrando como se traduzem no dia-a-dia dos treinadores os conhecimentos a ministrar.

- À atribuição de um grau de treinador, deveriam corresponder três fases: frequência da acção de formação, período de trabalho prático enquadrado por estrutura regional de trabalho prático e, por fim, a apresentação e discussão de um relatório da actividade desenvolvida e defesa de um tema a escolha.

Na opinião José Constantino (1992), o conhecimento evolui, as modalidades todos os anos recebem o impacto de alterações técnicas, tácticas, condicionais, volitivas, etc., introduzidas pelo estudo e investigação dos especialistas, tornando essencial que a estrutura nacional de formação de treinadores apresente respostas adequadas no âmbito da necessária actualização dos treinadores e estes tenham consciência plena de que o seu desempenho depende da auto preparação e da abertura á actualização constante dos seus conhecimentos.




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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

SER TREINADOR - PARTE 2 DE 4


Trabalho elaborado por: Hugo Terroso
Licenciado em Educação Física e Desporto e Licenciado em Motricidade Humana. Professor de Ed. Física.
Treinador de Futebol

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O papel do treinador

A evolução dos tempos e as grandes transformações geradas no desporto originaram que o treinador actual tenha de possuir um reportório alargado de conhecimentos e de capacidades, inquestionavelmente superiores àqueles que eram exigidos aos treinadores do passado.

Segundo Javier Irureta (2003) “Quando comecei a treinar, nas equipas de Futebol Juvenil e na terceira divisão, o treinador encarregava-se de tudo. Agora tudo mudou, os meios e os métodos de treino, temos o apoio dos preparadores físicos, do treinador-adjunto, do treinador de guarda-redes e o interesse da comunicação social”.

Na minha opinião, isto deve-se, principalmente, ao alargamento dos meios e dos interesses que englobam o mundo do desporto mas também á sua grande mediatização e ao consequente aumento da pressão resultante sobre os treinadores e os resultados.

Actualmente, os treinadores têm toda a responsabilidade nos resultados das equipas, mas têm pouca autoridade para decidir sobre as mesmas, estando assim numa posição de alguma fragilidade.

Carlos Queiroz (2004) Refere “Veja o caso do treinador Francês Jacques Santini, que trocou a selecção de França para ingressar no Totteham e ao fim de dois meses veio dizer que ia embora, que não estava ali a fazer nada. Dizia que tinha cem por cento de responsabilidades do que acontecia com equipa e trinta por cento de autoridade para decidir. No meu caso específico, não é importante ser manager do Manchester United. Você pode ser manager do Real Madrid e, se calhar, ter menos autoridade e capacidade de controlar o seu destino.”

A principal missão do treinador esta ao nível da preparação e formação dos jogadores, que é sem duvida um processo complexo, exigindo um reportório diversificado de capacidades e competências.

Neste sentido, parte-se do ponto que o treinador possui um conhecimento alargado que revela competências no plano táctico-técnico, que sabe preparar convenientemente os jogadores do ponto de vista funcional e psicológico, que tem uma grande capacidade de liderança para gerir grupos e os seus conflitos, e que possuí uma considerável capacidade para se relacionar com os diferentes agentes desportivos (Houlier e Crevoiser, 1993).

Para que esta ideia fique mais clara vou dar o exemplo de um treinador de referência a nível mundial:

- José Mourinho, é o primeiro a chegar ao local de trabalho (08h30), normalmente duas horas antes do inicio da sessão (10h30). Consulta a impressa desportiva, ultima os pormenores da sessão de treino que já havia sido anteriormente preparada em consonância com o modelo de jogo estipulado pela equipa, dialoga e distribui as tarefas que cada um dos seus treinadores adjuntos ira desempenhar nos diferentes exercícios, no decurso da sessão de treino, inteira-se com a equipa médica do estado clínico dos jogadores, desloca-se ao relvado, para se inteirar do seu estado e distribui pelo terreno de jogo juntamente com os treinadores adjuntos o material necessário para a execução dos exercícios, dialoga com os jogadores, dirige e coordena o desenvolvimento da sessão de treino e no final dialoga com os jornalistas na conferencia de impressa.

Há uma criteriosa organização da sessão de treino, com realização de exercícios intensos, mas de curta duração, que geram uma grande concentração, empenho e motivação no trabalho desenvolvido pelos jogadores.

Os treinos realizam-se normalmente a porta fechada, de forma a permitir que o plantel trabalhe com a máxima concentração possível. À semelhança do que ocorre nos grandes clubes europeus, as sessões de treino realizam-se sistematicamente da parte da manha.


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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SER TREINADOR - PARTE 1 DE 4


Trabalho elaborado por: Hugo Terroso
Licenciado em Educação Física e Desporto e Licenciado em Motricidade Humana. Professor de Ed. Física.
Treinador de Futebol

Resumo

Como é que a sociedade em geral pensa sobre o que é “Ser Treinador”? Como base para a realização deste trabalho obtive um conjunto de experiências e depoimentos de diversos autores ligados ao treino desportivo. A elaboração do presente trabalho tem como principal objectivo abordar o tema “Ser Treinador” nas suas principais funções e responsabilidades no treino desportivo quer seja este de alta competição ou formação.

Introdução

“Torna-se fundamental, diríamos mesmo decisiva, a confiança no trabalho e na capacidade de empreendimento dos técnicos de desporto, esses sim, os únicos verdadeiramente capazes de assegurar a continuidade de uma política desportiva, independentemente dos sobressaltos do poder político e desejavelmente independentes, ate da alternância desse poder”. Victor Serpa, Editorial do jornal A Bola, 9-12-1993

Tendo em conta os dias de hoje, as dificuldades económicas e as grandes carências ao nível de espaços úteis para a prática desportiva, cabe ao treinador a responsabilidade de ser um dos principais promotores da actividade física desportiva. Para que isto seja uma realidade o treinador tem que investir cada vez mais na sua formação pessoal para que possa de uma forma eficaz agir e ser um veículo de motivação para que os jovens pratiquem desporto, são inquestionáveis os inúmeros benefícios da prática desportiva mas também são muito elevadas as percentagem de abandono precoce da prática de desportiva e neste aspecto a intervenção do treinador pode e tem que fazer toda a diferença.

Ser Treinador

Ser treinador nos dias de hoje exige conhecimentos e requer experiências que ultrapassam as aquisições de uma carreira de atleta de alta competição. Um excedente atleta, nem sempre terá a garantia de ter capacidade para ensinar e, muito menos de ser capaz de criar climas de trabalho próprios para a aprendizagem ou desenvolvimento do treino.

Vergílio Ferreira afirma que a experiência do atleta é importante, mas para ser treinador, para alem da lógica do jogo e dos seus elementos, torna-se fundamental dominar a lógica pedagógica do ensino e alógica interna da modalidade que se ensina. A função do treinador implica a tomada de decisões, organizadas com base em indicadores e segundo critérios que obedecem a uma certa ordem e em diferentes domínios, como a organização do treino, liderança, estilo e forma de comunicação com os jogadores, dirigentes, árbitros, jornalistas, opções estratégicas e tácticas decorrente da observação do jogo, gestão das pressões contidas na competição, do controlo da capacidade de concentração e emoção.

Ser Treinador transporta-nos para a necessidade de dominarmos um conjunto de função que vão muito para além daquilo que podemos imaginar.

Jorge Araújo elaborou um conjunto de funções e missões nas quais acredito que são muito importantes no sucesso de um treinador:

- Leaders
Apontamos os caminhos que devem ser trilhados e o modo como consideramos necessário fazê-lo, o mais possível com a intenção de vermos a nossa liderança naturalmente aceita e reconhecida como necessária.

- Professores
Ensinamos e treinamos com evidentes exigências de equilíbrio entre a eficácia necessária e a preocupação de formar e educar os que estão sob a nossa responsabilidade.
- Organizadores e Planificadores
Organizamos e planificamos toda a actividade das equipas por quem somos responsáveis, tomando a participação responsável dos que nos rodeiam, como base essencial de suporte da nossa acção.

- Motivadores
Conseguir a melhor das entregas e a maior das ambições daqueles que nos cercam, conquistando a adesão entusiástica e responsável de jogadores e dirigentes.

- Guias e Conselheiros
Enormes responsabilidades de intervenção formativa e educativa, influenciando positivamente os componentes da equipa, par alem de meros espectadores inerentes ao treino e à competição.

- Disciplinadores
Conseguir que a disciplina vivida no seio da equipa seja assumida responsavelmente por todos os seus componentes, imperando a auto disciplina e a auto preparação relativamente ao autoritarismo.
Qualidades imprescindíveis tais como:

- Saber e Conhecimento
Domínio dos conhecimentos requeridos pelo exercício da função, com a profundidade necessária e a noção fundamental de que, consoante as condições de trabalho e os objectivos a alcançar, necessitamos de determinar quais os aspectos desses conhecimentos sobre os quais iremos incidir.

- Habilidade para ensinar
Temos se der capazes de transmitir os nossos conhecimentos, pois não basta saber, é preciso também saber ensinar.

- Qualidades próprias
Ser leal para o grupo de trabalho, liderar todas as suas actividades, trabalhas árdua e entusiasticamente, ser natural e actuar de modo conforme com a personalidade que se possui.

- Trabalhar em equipa
Os atletas e os dirigentes representam o grupo de trabalho sobre o qual incide fundamentalmente e acção do treinador. Um grupo de trabalho baseado em exclusivo na valia individual de cada um dos seus elementos, apenas fornecer maiores possibilidades para ganhar, não garante vitórias.

- Criar clima de sucesso

O pretendido clima de sucesso, depende do entusiasmo e dedicação do treinador, pertencendo-lhe dar o seu melhor em benefício de cada atleta e do grupo de trabalho. É da responsabilidade do treinador ajudar os atletas a superarem-se época a época e, principalmente, a tornarem-se confiantes nas suas capacidades.


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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

PRÉ-ÉPOCA - EXEMPLO DE UMA EQUIPA INFANTIL - HÓQUEI EM PATINS



Exemplo de uma proposta de pré-época de 4 semanas para uma equipa infantil de hóquei em patins. A pré-época poderá ser, ou é mesmo, a base de sucesso para toda a época desportiva

A pré-época ou período preparatório devem ter objetivos claramente definidos. O mesmo deve acontecer ao longo da temporada. É preciso reforçar a ideia que os objetivos são sempre adaptáveis e alteráveis ao longo da temporada. É necessário reformular sempre os mesmos e adequá-los à realidade que a equipa e os jogadores atravessam.

É FUNDAMENTAL TER A NOÇÃO QUE TREINAR/ORIENTAR UMA EQUIPA DE INFANTIS NÃO É A MESMA COISA A NÍVEL METODOLÓGICO, QUE TREINAR UMA EQUIPA SENIOR.

Alguns exemplos de objetivos gerais bem definidos para a pré-época:

- Nível Físico: Obter uma evolução progressiva e adequada de acordo com a idade.
- Nível Técnico: Melhorar a qualidade passe/recepção; Melhorar o remate de ambos os lados; Melhorar a condução de bola; Aperfeiçoar a qualidade da patinagem (deslize, travagem, mudanças de direção, etc)... Entre muitas outras mais.
- Nível Tático: Adquirir noções básicas de ocupação do espaço; Melhorar a postura defensiva; Melhorar a postura ofensiva; Introduzir a noção de jogo sem bola... Entre muitas outras mais.
- Nível Psicológico: Sentir prazer e felicidade na modalidade que pratica; Melhorar os níveis de concentração, auto estima, auto confiança, visualização e motivação dos jogadores, etc.

ORGANIZAÇÃO DA PRÉ-ÉPOCA

1ª Semana

Os grandes objetivos nesta fase, penso que são o “fortalecimento” de um espírito de grupo forte e proporcionar boas aprendizagens  aos atletas em várias vertentes do treino. 

Realizar um trabalho analítico ao nível do passe/receção; condução de bola; remate.  É importante a realização de um trabalho ao nível de jogos condicionados e/ou reduzidos. Nesta 1ª semana os atletas podem e devem ter muitos minutos de jogo de hóquei em patins, mas nunca em situação de jogo formal.

É importante desde o 1º treino ter em atenção as questões de lateralidade.

Os atletas são quem "marcam" o ritmo de progressão e de aprendizagem. O treinador não pode acelerar processos de aprendizagem, sem antes verificar que outros processos básicos estejam perfeitamente dominados pelos atletas.

2ª Semana

Incidir o trabalho sobre os mesmos "itens" trabalhados na 1ª semana, mas aumentando o grau de exigência aos atletas. É importante criar diversos exercícios diferentes para o mesmo objetivo.

Começar a introduzir de forma gradual o jogo formal de hóquei em patins.

3ª Semana

Pessoalmente penso que o ideal na 3ª semana de treino será realizar 3 ou 4 jogos treino. Isso permitirá dar ritmo competitivo a todos os jogadores, mas acima de tudo, permitirá que o treinador avalie o trabalho já desenvolvido até então e permitirá que as próximas semanas de treino sejam planeadas em conformidade com as reais necessidades dos atletas.

Resumindo, é um boa semana para o treinador tirar apontamentos e fazer ajustes.

4ª Semana

Mediante a evolução da equipa e mediante os ajustes que o treinador verificou serem necessários realizar na equipa, os treinos devem ser programados de função desses ajustes a fim de melhorar a performance individual dos jogadores e a performance coletiva da equipa.


NOTAS:
1- esta publicação é meramente pessoal e passível de concordância ou não por parte dos leitores cabendo aos mesmos avaliar a sua pertinência.
2- frisar que se trata de um exemplo para uma equipa infantil de hóquei em patins. Este tipo de exemplo não se adequa em nossa opinião a uma equipa senior.


Fonte: Hélder Antunes