quinta-feira, 24 de outubro de 2013

GRANDE ENTREVISTA A LUÍS MOREIRA "TIKINHO" - TREINADOR CAMPEÃO DA EUROPA SUB-17 (2013)

O blog THP – Treinadores de Hóquei em Patins – esteve à conversa com o treinador Luís Moreira (LM), mais conhecido por Tikinho, o atual Campeão Europeu de Sub-17.
Desde já o THP agradece toda a disponibilidade do Tikinho e felicita-o por esta brilhante conquista para o nosso país.
"o espírito de grupo ou espírito guerreiro desta equipa foi brutal"

THP – Fala-nos um pouco acerca da preparação delineada com a seleção de sub-17 ao nível técnico, tático, físico e psicológico?
LM – Boa tarde Hélder e a todos os treinadores e amantes da nossa modalidade que são frequentes leitores do blog THP. Muitos dos aspectos técnicos, tácticos, físicos e acima de tudo psicológico foram trabalhados nos estágios OPV, DST e Centros de Treinos Nacional. Temos um modelo do que queremos nas selecções Nacionais Jovens e planeamos o nosso trabalho com base nesse modelo. Esse modelo tem dois modelos ofensivos bem definidos e um modelo defensivo baseado em marcação individual com ajuda em determinadas situações, e que são visíveis em todas as unidades de treino dos vários estágios e centros de treino nacionais (a que convido todos os treinadores a estarem mais vezes presentes). Todos os exercícios produzidos, sejam esses exercícios fragmentados por zonas, blocos de atletas com características semelhantes, têm sempre uma componente técnica, táctica, física e psicológica associada, i.e, trabalhamos sempre de um modo integrado no que a estes níveis/ componentes dizem respeito.

THP – A seleção dos jogadores foi realizada em função do que pretendias ou adaptas-te em função da “massa humana” de que disponhas?
LM – Esta geração de atletas conheço bastante bem pelo anos que estive na APLisboa e analisei-os nos inter regiões, por isso sabia qual a massa humana existente em Portugal para esta selecção sub 17. E por isso, procurei, nos estágios OPV e DST, escolher e seleccionar os melhores atletas para os modelos que temos nas Selecções Nacionais e chama-los para os Centros de treinos Nacionais.

THP – Ao longo dos jogos, os quais tivemos a oportunidade de acompanhar, denotou-se o chamado “espírito de grupo ou espírito guerreiro” da equipa. Notou-se que havia um trabalho desenvolvido nesse âmbito. Queres-nos falar um pouco acerca disso e até que ponto isso foi fundamental para a conquista do título europeu?
LM – Sim, o espírito de grupo ou espírito guerreiro desta equipa foi brutal. Desde o envio do plano de férias, denominamos esta geração de “ Guerreiros” e procuramos enviar vídeos e produzir vídeos motivacionais aos atletas que tinham sempre o espírito guerreiro como característica unificadora da nossa selecção e do nosso grupo. Com base nisso, foi criado uma força mental e uma união fantástica que nos permitiu entrar em cada jogo com a confiança psicológica de que teriam de “ nos matar” para nos ganharem! E isso foi fundamental para a conquista deste Europeu, porque queríamos voltar a retomar o curso da história, o titulo Europeu sub 17 voltar para Portugal.

THP – Na atualidade, todas as informações que podemos recolher sobre os nossos adversários são sempre importantes. Como se procedeu o trabalho a esse nível? O trabalho de casa já foi feito ou foi sendo atualizado com o decorrer do campeonato?
LM – Quando soubemos quem seriam os nossos adversários, iniciamos uma pesquisa dos jogadores e depois das selecções. Na verdade foi um pouco difícil obter informações sobre a selecção de Israel, mas das restantes tínhamos já uma boa base de análise e estudo dos atletas que integravam as selecções, que naturalmente com observação dos jogos durante a competição, tornou a recolha dessa informação mais actual e precisa. Diariamente, antes de dormirem, era entregue em cada quarto os pontos fortes e menos bons da selecção que iríamos defrontar no dia seguinte, e na manhã do dia do jogo era feito uma visualização do nosso jogo do dia anterior, e durante a tarde era visualizado o vídeo preparado sobre o nosso adversário e com isso os atletas visualizavam os pontos que tinham recebido em papel, e ficava definido e informado a cada atleta quem iria jogar e quem iria marcar quem, nessa reunião de grupo.

THP – Tiveste o Filipe Faria como treinador adjunto. Qual a sua importância no trabalho desenvolvido? E de um ponto de vista geral, qual a importância de um treinador adjunto no panorama do hóquei em patins atual?
LM – Ainda que a denominação seja treinador adjunto, o Filipe era um treinador exactamente como eu. Preparávamos todos os exercícios de treino em conjunto, e ambos estávamos sempre em ringue, simultaneamente, em cada unidade de treino. Existem muitos treinadores que olham para o treinador adjunto como o “ preparador físico” e que só entram em ringue para a fase chamada de “ temas de hóquei, parte de treino conjunto, etc”, e infelizmente são esses que continuam a não deixar que o treinador-adjunto seja visto do modo como efectivamente devem ser visto, como parte integrante de uma equipa técnica. Tanto eu como o Filipe, sabíamos o que fazer, o que dizer em cada exercício independentemente da fase de treino, e as questões ou dúvidas eram colocadas pelos atletas tanto a um como a outro de igual modo, por isso o trabalho do Filipe era tão importante como eu. E o espírito de grupo, união, crença, confiança no nosso trabalho e competência começou exactamente nessa visão de todos, que o Filipe e eu, éramos o corpo técnico da selecção Nacional Sub 17, ninguém era mais importante que ninguém, e tínhamos uma sintonia e conhecimento de todos os itens. Naturalmente que ao longo da competição, foi definido algumas responsabilidades a cada um, que passavam pela preparação dos vídeos, ficha do adversário, observação in loco dos jogos dos adversários, passeio com nossos atletas, etc, etc., que era definido diariamente por mim quem o iria realizar. 
THP – Qual é para ti o perfil ideal de um jogador de hóquei em patins?
LM –  Se estivermos a falar de um guarda redes, terá de ter um domino elevado da técnica de patinagem especifica de guarda redes, técnica de baliza, uma atitude de ataque de bola, uma visão e capacidade de comunicação acima da média, resistência mental forte, capacidade física e flexibilidade elevada,  um murro na defesa da sua baliza, etc. Para um jogador de campo, além do normal : excelente domínio da técnica de stick e patinagem, etc, terá de ser o mais universal possível aonde a competência mental e táctica são cada vez mais importantes aliadas a uma capacidade de trabalho brutal. No geral, dependendo do sistema de jogo de cada treinador, existe uma definição de jogador ideal, ou que cada um queria que cada atleta fosse. Sabes que esta pergunta é muito relativa e cada um tem uma visão muito sua de qual é o perfil ideal de um jogador de hóquei em patins.

THP – Como está a nossa modalidade a nível nacional? Estamos a recuperar alguma falta de visibilidade que temos tido ou está tudo na mesma?
LM –  A resposta está bem visível, temos tido cada vez mais destaque nos meios de comunicação social, e agora vamos ter transmissões televisivas de um jogo por jornada na Bola TV. Estamos novamente a ganhar visibilidade, mas é necessário que todos os agentes tenham essa noção e que saibam aproveitar esta nova oportunidade e que tenhamos aprendido com os erros do passado.

THP – Qual a tua opinião acerca da formação que se tem feito em Portugal? O que podemos melhorar a esse nível.
LM –  O que significa formação? Juvenil e Juniores é considerado formação? Ou consideramos formação apenas até aos iniciados? Na minha opinião, alguns clubes e associações estão a trabalhar melhor nos últimos anos, contudo muito terá de ser ainda feito ao nível do desenvolvimento do jovem hoquista e torna-lo mais dominador das técnicas base da nossa modalidade, e isso será possível com melhores técnicos na base e uma aposta clara n desenvolvimento e menos na competição até ao escalão de sub 13.

THP – O que faz falta ao hóquei em patins para voltar a ser uma modalidade referência?
LM – Termos mais e maior divulgação da nossa modalidade nas televisões, radio e jornais, aposta em melhores técnicos, e fomentarmos o desenvolvimento de acções de promoção da modalidade. E naturalmente, aproveitar as oportunidades “ de aparecer” nos locais e nos momentos certos há hora certa.

THP – Concordas com a expressão que “o hóquei em patins a nível mundial é jogado numa cidade chamada San Juan, numa rua chamada Itália, numa região chamada Catalunha e num país chamado Portugal?” Ou já não será assim?
LM – As selecções mais fortes continuam nesses locais, contudo já não assim porque o europeu sub 17 estiveram presentes 10 selecções e no mundial sub 20 cerca de 18, tivemos selecções de Israel, Suíça, Áustria, França, Alemanha, Colômbia, Costa Rica, EUA, Índia  Uruguai, Macau, etc. É sinal de que o hóquei começa a ultrapassar as fronteiras da expressão. Agora cabe a todos os países mais desenvolvidos na modalidade ajudar esses países a manterem os seus campeonatos e ajudá-los no desenvolvimento do hóquei e Patins.

THP – Penso que estás de acordo que desde as últimas alterações às regras da modalidade o jogo passou a ser diferente para melhor em nossa opinião. No entanto, se pudesses realizar alguns ajustes nas regras da modalidade, quais seriam?
LM – Já existiram alguns ajustes, como a questão de poder parar atrás da baliza, o deixar de existir a limitação de só poderes passar o meio ringue 5 vezes antes de atacar a baliza, entre outras…mas seria importante haver um cronometro visível a todos em relação aos 45 segundos de ataque, como no basquete, o que fazia com que deixasse de ser a contagem ao ritmo de cada árbitro, penso que haver LD só à 10 falta é muita falta, optaria por ser a partir da 5 ou 6 falta e depois de 3 em 3, tornaria o jogo menos faltoso e naturalmente mais espectacular seja por via de mais LD ou seja por via de menos contacto.

THP – Qual a tua opinião do nosso blog?
LM –  Blog bastante interessante e  que ajuda muito no desenvolvimento dos treinadores e demais agentes da modalidade. Agradeço ao blog THP esta oportunidade e que continuem o vosso meritório trabalho de apoio à nossa modalidade.


O blog THP felicita uma vez o Tikinho pelo título europeu e agradece toda a sua disponibilidade. Obrigado Tikinho!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

OS TREINADORES - VÍDEOS

VÍDEO 1

VÍDEO 2

VÍDEO 3

VÍDEO 4

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

OPINIÃO SOBRE O COMUNICADO 38/2013 DA FIRS


Opinião pessoal

Não poderíamos passar indiferentes ao comunicado divulgado pela FIRS (Fédération Internacionale de Roller Sports) no presente campeonato do mundo de hóquei em patins de sub 20, sob o ponto de vista de um treinador, onde resumidamente o comunicado diz para as equipas fortes não golearam as mais fracas, ou seja, que não marquem muitos golos.
Um treinador, independentemente das suas qualidades, ambições, objetivos, clube, equipa, etc., orienta sempre as suas equipas para ganhar. Ganhar implica obviamente alcançar o golo. Aliás esse é o principal objetivo de um jogo de hóquei em patins (procurar alcançar o golo na baliza adversária respeitando as regras de jogo).
Um treinador e a sua equipa desejam em cada jogo marcar o maior número possível de golos e se possível não sofrer nenhum. Isto é o que move as equipas, os clubes, a competição, os atletas, os dirigentes, o público e os treinadores.
Não há nenhum treinador que goste de perder. Todos os treinadores gostam de ganhar e quantos mais golos a sua equipa marcar, mais os treinadores ficam satisfeitos. Este é o espírito dos treinadores de hóquei em patins.
Quando as equipas são competitivamente desequilibradas, cabe ao treinador “da equipa supostamente menos evoluída” arranjar uma estratégia que vise sofrer o menor número de golos possível e cabe ao treinador “da equipa supostamente mais evoluída” arranjar uma estratégia para que a sua equipa marque golos perante uma estratégia mais “fechada” da equipa adversária. Essa é a beleza do desporto em geral e do hóquei em patins em particular.
Em nosso entender, a não procura pelo golo na baliza adversária viola de imediato a veracidade da competição e as leis do fair play. Em nosso entender, ter fair play é procurar o melhor resultado possível respeitando as regras de jogo. Daí, não percebemos, nem concordamos com este comunicado.
Se não é bom para a modalidade ter resultados tão desnivelados numa competição como um campeonato do mundo, a resolução não passa por emitir comunicados como este, mas sim, por exemplo:
- realizar previamente jogos de apuramento para o campeonato do mundo;
- organizar a modalidade a nível mundial de outra forma, isto, se é que ela está organizada de alguma forma;
- criar planos de ação nos países que estão a dar os primeiros passos na modalidade;
- motivar alguns países a apostar mais e melhor na modalidade;
- criar um mundial B;
- etc.
Perante uma situação destas, achamos irrisório por exemplo um treinador dizer “não marquem mais golos”. Onde é que isto já se viu?
É contra tudo. É contra senso, é contra ético, é contra moral e é acima de tudo contra fair play. Possivelmente, este comunicado só existiu porque alguém se apercebeu que a modalidade tem carências e lacunas profundas a nível mundial e pensou que uma das formas para tapar essas carências e lacunas bastava pedir para não golearem e assim a modalidade trespassaria uma imagem competitiva diferente.
A melhor forma de respeitarmos o adversário é procurar sempre o golo até ao apito final do árbitro.

Se existe um desequilíbrio enorme entre algumas seleções, há que repensar a estratégia e o caminho a seguir pelo hóquei em patins a nível mundial e não só. Não há que emitir comunicados como este.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SER TREINADOR - PARTE 4 DE 4 (ÚLTIMA)


Trabalho elaborado: Hugo Terroso
Licenciado em Educação Física e Desporto e Licenciado em Motricidade Humana. Professor de Ed. Física.
Treinador de Futebol

(...)

O Treinador e a alta competição

“Durante várias décadas, o sistema desportivo baseou-se numa única expressão desportiva: a competição. Actualmente põem-se em causa os meios necessários para se atingir um alto nível desportivo, tendo de ser ter em conta o tipo de provas, estado de saúde do atleta e a marginalização social” Jean Paul, O Desporto para Todos, Pratica Colectiva de Interesse Social.

Segundo Jorge Araújo a alta competição desportiva deve ser entendida como um sistema cujo objectivo é alcançar os melhores resultados possíveis a nível nacional e internacional e que:

- Tem como base um conceito de desenvolvimento desportivo apontado para a criação de condições sociais possibilitadoras do acesso de todos os cidadãos á prática de educação física e do desporto.

- Se estrutura orgânica e temporalmente, através de acções programadas de detecção e selecção de talentos, formação, orientação e especialização desportiva.

Só a partir de uma alta competição correctamente orientada se tornara possível influenciar decisivamente todos os restantes sectores de prática desportiva, através do aproveitamento do entusiasmo popular gerado ao seu redor como meio motivador da sociedade em geral e dos jovens em particular para a pratica do desporto.

Mais do que aceitar, ou não, a alta competição tal como se apresenta na actualidade, o treinador deve contribuir para que:

- Atletas, treinadores e dirigentes vejam claramente definidos os enquadramentos necessários à sua actividade e as funções a desempenhar por cada um deles nesse nível de prática.

- Seja recusada a limitação da alta competição desportiva á exclusiva função de espectáculo a ser consumido passivamente pelas populações, encaminhando-a cada vez mais no sentido de o entusiasmo gerado ao seu redor poder ser canalizado para a conquista de novos praticantes.

- Se aproveite o seu potencial de relações nacionais e internacionais para o necessário desenvolvimento da paz e fraternidade entre os cidadãos e os povos.

Ao treinador de alta competição, pertence uma necessária e imprescindível acção desmistificadora da ideia mais ou menos generalizada de que só a profissionalização desportiva constitui solução para as exigências do treino e da competição.

O treinador e a formação de jovens atletas

A preparação desportiva dos jovens é hoje considerada uma das principais razões de futuros êxitos ou abandonos extemporâneos da prática desportiva, consoante os responsáveis pela intervenção nessa área de prática fomentem, ou não, uma especialização precoce.

“Quando se tem um objectivo na vida, ele pode ser melhor ou pior, depende do caminho que escolhermos para atingi-lo e da maneira como cruzamos esse caminho”Paulo Coelho, Diário de Um Mago.

Iniciação precoce e especialização precoce representam aspectos diferentes da preparação infantil e juvenil, referindo-se a primeira ao escalão etário em que se inicia a pratica e a segunda, à adopção de um modelo de preparação dos jovens exclusivamente preocupado com resultado a curto prazo.

Na minha opinião preparação desportiva dos jovens deve apontar para o reforço da saúde dos praticantes, o desenvolvimento das suas capacidades físicas através de uma grande variedade e quantidade de propostas de aquisições motoras, bem como a melhoria das capacidades condicionais, nunca devendo os seus responsáveis permitir que ela se limite a uma pura e simples imitação do treino dos adultos.

A preparação desportiva dos jovens obedece a princípios perfeitamente determinados como sejam:

- Preponderância da preparação multilateral nas fases mais baixas do processo de preparação.
- Adequar o treino à idade biológica.
- Privilegiar o desenvolvimento táctico e técnico em relação ao desenvolvimento físico.
- Progressividade das cargas de treino, compatibilizando as necessidades e obrigações de carácter profissional e social com as da preparação desportiva.
- Variar os meios de treino e de exercitação.
- Valorização do jogo com referências a meio de treino desportivo.

A periodização da preparação dos jovens, ao contrário da alta competição, não deve conter uma distinção nítida entre o período preparatório e o competitivo, nem comportar um curto período preparatório e um longo período competitivo.

Traduzindo este parágrafo, as competições dos jovens não podem respeitar as necessidades próprias da sua formação, conforme reclamam os clubes e os seus treinadores, porque as exigências do calendário de provas nacionais, se sobrepõem ao respeito das regras básicas da calendarização da preparação desportiva dos jovens.

Neste capítulo o treinador pode e deve assumir um papel preponderante na calendarização desportiva dos jovens:

- Mínimo de quatro competições por época, escalonadas nos tempo de modo a integrarem períodos intermédios de preparação com a duração mínima de 30 a 45 dias.

- Avaliação inicial de possibilidades das equipas participantes, de modo a permitir que as competições sejam disputadas entre equipas de valor equilibrado.

- Procurar abrir o mais possível o leque de determinação de vencedores, diversificando os títulos a serem alcançados, como forma importante de motivar os dirigente, treinadores e jogadores.

Segundo Jorge Vieira (Bases do Treino do Jovem Praticante), o treinador de jovens deve ter em conta o seguinte:

- O jovem não é um mero produtor de resultados, possuindo personalidade específica cuja formação e desenvolvimento global devem constituir preocupação fundamental.

- A preparação dos jovens deve incentivar o seu entusiasmo pela prática desportiva e ensina-los a serem respeitadores da ética e das regras de regem o desporto.

- Quem acelera nos jovens a obtenção de resultados imediatos esta a seguir o caminho mais curto para o insucesso!

O Treinador Modelo

“Não se recebe da profissão de treinador nada mais do que aquilo que lhe damos, estando o sucesso e insucesso de cada treinador directamente relacionado com o tempo que dedica a sua actividade, as exigências de disciplina e trabalho árduo que consiga impor.” Norm Stewart, Basketball, Building a Complete Program

Ao treinador modelo de hoje exigem-se-lhe, ainda mais que no passado, uma formação cultural, cientifica, ética e deontológica acima da média e uma forte personalidade que lhe permitam resistir de modo positivo ao crescendo de pressões que passaram a exercer-se sobre a sua acção e desta forma conseguir lidar da melhor forma com os problemas com que se deparam.

Conclusão

“Antever o desporto do futuro é compreender os homens e os acontecimentos que ao longo deste século e meio de história moderna lhe têm vindo a moldar o futuro” Roberto Carneiro, As Portas do Terceiro Milénio.

Com a realização deste trabalho percebemos que a revolução tecnológica teve um grande impacto nos meios de comunicação e consequentemente ajudaram a transformar de forma radical todos os ramos do conhecimento acerca do desporto.

Segunda esta nova tendência de evolução, o treinador deve tentar procurar perceber como estas mudanças se processaram ate á actual historia desportiva.

Segundo Gomes Tubinho (1992) “para que o desporto seja entendido na sua perspectiva do sec. XXI, terá de ser abordado num processo sócio-cultural nos quais os aspectos gerais e específicos das suas relações com a sociedade terão que invariavelmente ser referenciados”.

Por fim, como treinadores, cabe-nos concluir que os valores humanistas, culturais e educativos que fazem parte das actividades de Educação Física e Desporto justificam da nossa parte uma grande atenção e valorização na formação de atletas.

Referências Bibliográficas
Araújo, J. (1998). Ser Treinador. Editorial Caminho, SA, Lisboa. 2ª Edição.
Pacheco, R. (2005). Segredos de Balneário. Prime Books, 2ª Edição.
Marinho, J. (2007). Jose Mourinho Vencedor Nato. Texto Editores, LDA. 1ª Edição.
Castelo, J. O Exercício de Treino Desportivo a Unidade Lógica de Programação e Estruturação do Treino Desportivo. Capitulo III. Edições FMH Universidade Técnica de Lisboa.

Material de apoio fornecido pelo Professor Valter Pinheiro nas aulas de Teoria do Treino.