quinta-feira, 27 de março de 2014

EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS E AUTÓNOMOS PARA OS GR’S DE HÓQUEI EM PATINS


Hoje publicamos (em texto) uma série de 10 exercícios que os GR’s de hóquei em patins poderão realizar sem “apoio externo”, ou seja, exercícios que os GR's poderão realizar autonomamente antes, durante ou depois do treino com a sua equipa.
Os exercícios que apresentamos apenas visam trabalhar algumas componentes importantes que os GR’s de hóquei em patins devem possuir. Entendemos que o trabalho com os Gr’s deve ser mais abrangente e acompanhado por alguém entendido na matéria.

O GR devidamente equipado (com ou sem capacete) deve patinar de cócoras, apoiado nas oito rodas a conduzir uma bola com o stick. O GR deve realizar curvas enquanto patina e utilizar a pá interior e exterior do stick.

Igual ao exercício anterior, exceto: o GR agora realiza as suas movimentações de cócoras apoiado nas oito rodas somente para a frente e para trás (4/5 metros) – vaivém.

O GR patina em pé (sem stick) e simultaneamente transporta uma bola de hóquei com as luvas, tentando não deixar cair a bola. O GR bate com ligeira força a bola, dando ligeiros toques. Somente pode utilizar as luvas.

O GR coloca-se junto à tabela da pista na posição de baliza a uma distância aproximada de 2 metros. O GR está devidamente equipado e tem consigo uma bola de hóquei em patins. Sem colocar qualquer joelho no chão na fase inicial, o GR deve varrer a bola pelo chão contra a tabela utilizando o stick e posteriormente deve defender  a (mesma) bola utilizando somente as caneleiras. A bola deve realizar um trajeto em forma de diagonal preferencialmente.

Igual ao exercício anterior, exceto: O GR agora levanta a bola com o stick para a sua luva “raquete” executando com esta um batimento da bola contra a tabela e posterior deve defender a (mesma) bola com a parte do corpo que “achar” mais eficiente (tomada de decisão).

Igual ao exercício anterior, exceto: O GR coloca-se apoiado com os membros inferiores do lado da luva “raquete” no chão e de forma lateral. O GR pontapeia a bola contra a tabela utilizando somente “a sua perna forte” e seguidamente tem de dominar a bola com o stick.

O GR coloca-se na baliza (se estiver disponível) ou coloca-se entre dois cones (à distância entre postes da baliza) e realiza percursos de colocação entre postes em “W”. O GR coloca-se na zona central da baliza sai em diagonal esquerda e regressa a patinar de cócoras e de costas. Seguidamente sai frontalmente e regressa a patinar de cócoras e de costas. Posteriormente sai em diagonal direita e regressa a patinar de cócoras e de costas. O GR repete várias vezes o exercício e à medida que repete deve aumentar a “velocidade” de execução do mesmo. Ter atenção à correta colocação das luvas.

Igual ao exercício anterior, exceto: O GR realiza o exercício conduzindo com o stick uma bola de hóquei em patins.

O GR coloca-se na baliza (se estiver disponível) ou coloca-se entre dois cones (à distância entre postes da baliza) e realiza movimentações entre postes, colocando-se sempre corretamente a fechar os “postes” e de acordo com as suas características. O GR realiza vaivém entre postes.

10º

O GR coloca-se na baliza (se estiver disponível) ou coloca-se entre dois cones (à distância entre postes da baliza). O GR deve imaginar uma situação de dois para um ou dois para o GR. O GR coloca-se no 1º poste (“fechar 1º poste”) e seguidamente deve lançar o corpo ao 2º poste a simular defesa. O GR deve deslocar-se para o 2º poste de várias formas: empranchado; tesoura; apoio lateral dos membros inferiores; etc. O GR deve realizar o exercício do lado direito para o esquerdo e vice versa.

FONTE: THP

quinta-feira, 20 de março de 2014

HABILIDADES ESPECÍFICAS DO HÓQUEI EM PATINS - TÉCNICA INDIVIDUAL E SITUAÇÕES DE JOGO SIMPLIFICADAS

O blog THP publica hoje uma dissertação de mestrado de Luís Filipe Costa Ferreira, intitulada "HABILIDADES ESPECÍFICAS DO HÓQUEI EM PATINS - TÉCNICA INDIVIDUAL E SITUAÇÕES DE JOGO SIMPLIFICADAS".

O blog THP aconselha a sua leitura. Para visualizarem o trabalho na sua totalidade e respetivo download, basta clicar sobre a imagem.


quinta-feira, 13 de março de 2014

COORDENAÇÃO MOTORA: A CAPACIDADE PARA DESENVOLVER EM QUALQUER ATLETA


“Artigo de futebol, perfeitamente adaptável ao hóquei em patins”

Sempre falamos em organização tática, treino e psicologia, procurando sempre novas respostas para melhorar o futebol que impomos nos nossos atletas. No entanto, apesar de muitos treinadores terem uma noção melhor do que a que eu tenho, muitos outros treinadores nem sequer usam a coordenação no treino. O nosso cérebro trabalha em conjunto com os nossos músculos, funcionando como um sistema completo. Essa combinação, a que chamamos coordenação motora, permite que os atletas sejam capazes de realizar as várias ações técnico-táticas, e quanto mais evoluída for a coordenação motora, os atletas podem realizar as várias ações com mais velocidade e eficácia. Vale lembrar que mesmo nós, nas atividades diárias, utilizamos a coordenação motora para realizar as várias tarefas.

Por exemplo, enquanto escrevo este artigo, o meu corpo está a trabalhar a coordenação motora fina, ou seja, estou a utilizar grupos pequenos de músculos, como as mãos no teclado. Escrever no computador exige coordenação motora fina. Por outro lado, andar, saltar, correr, são ações que necessitam de coordenação motora grossa, ou seja, necessitamos de coordenação correta para grandes grupos de músculos. Para os jogadores de futebol, desenvolver a coordenação motora, é extremamente importante. Na coordenação motora grossa, o jogador desenvolve a sua velocidade de movimentação e mudanças de direção por exemplo, enquanto que na coordenação motora fina, o jogador desenvolve o reu relacionamento com a bola. Fintas por exemplo, ou passes, exigem coordenação fina ao atleta.    

Devemos evoluir a coordenação motora das camadas jovens, sempre

O meu avô sempre disse que de pequenino se torce o pepino. Certamente que nem todos conhecem a expressão, que significa que é desde que somos jovens que devemos aprender e evoluir, em vez de esperar por ser adultos para o fazer. E então? Os grandes atletas começaram cedo, alguns deles a treinar com 4 ou 5 anos. Devemos começar a treinar a coordenação motora desde tenra idade, principalmente porque o seu organismo está em desenvolvimento. Se um organismo está em desenvolvimento, mais facilmente pode desenvolver também a coordenação motora, de forma a que o atleta consiga mover os músculos para o levar a fazer movimentos com mais precisão.

Uma finta por exemplo, envolve movimentação dos músculos das penas, entre outros. Para o jogador conseguir fazer uma finta, primeiro avalia as condições para a fazer, reúne emoções que o ajudem a fazer a finta, como exibição, coragem ou como opção para a situação de jogo. Depois, o cérebro do atleta vai enviar comandos aos músculos para realizar a finta. Qualquer movimento necessita da correta interação entre sistema nervoso e músculos, e quanto mais evoluída for essa interação, mais rápidos e precisos podem sair os movimentos.

Nas fintas por exemplo, se um pé está levantado um centímetro a mais, o jogador pode deixar fugir a bola para o adversário. Por outro lado, num remate, se o jogador não é capaz de colocar o pé na bola de forma correta, o remate pode sair torto e a equipa perder uma oportunidade para pontuar.

Coordenação motora está presente em tudo

Os músculos têm limites de velocidade, resistência e força. Isto quer dizer que precisámos estender esses limites, treinando os músculos. Mas, por muito fortes e resistentes que sejam os músculos, isso não chega, porque estes, para realizarem movimentos, precisam de trabalhar todos de forma organizada. O cérebro precisa aprender a trabalhar com os vários músculos para fazer determinado movimento, e é aí que entra a coordenação motora.

Num remate por exemplo, uns músculos trabalham mais do que outros, e num passe, já não são exatamente os mesmos músculos que trabalham, nem com a mesma intensidade. O cérebro precisa aprender a distinguir quais são os músculos que devem trabalhar em função da situação, fazendo-os trabalhar como um conjunto, de forma precisa. Se o cérebro não consegue fazer os músculos de movimentarem de forma precisa, as coisas não vão sair bem para os atletas, por muito que estes queiram que saia bem. Vontade e coordenação são coisas diferentes.

Coordenação motora eficaz equivale a gosto pelo desporto nos jovens atletas 

Os miúdos, como todos sabemos, tem aquela vontade de fazer muitos golos e muitas fintas. Mas, se as coisas nunca saem bem, mais tarde ou mais cedo, acabam por se cansar e não querem jogar futebol. É preciso ancorar o gosto pelo futebol desde cedo, para que o jogador goste de estar em campo e queira realmente evoluir. Ancorar o gosto pelo futebol equivale o mesmo que encaixar na cabeça do atleta, que é de futebol que ele gosta. Trata-se de gerir as emoções do atleta, de forma que este se habitue a gostar de futebol. Depois, deixar de gostar torna-se difícil, porque a ancoragem ajuda a enraizar hábitos na nossa mente. É assim que o nosso cérebro funciona: habituando a gostar de algo, deixar de gostar é depois muito difícil. Por isso ficamos apaixonados por muito tempo por determinada pessoa, sabia disso? Pura psicologia!

O papel do treinador, principalmente para miúdos de 3, 4, 5 anos, é ensinar-lhes a controlar a bola, a passa e a fintar, para que, quando estes têm 8, 9 ou 10 anos, estejam prontos para evoluir aquilo que aprenderam. Aquilo que quero dizer aqui é que o treinador deve desenvolver a capacidade do atleta enquanto ele é novo, para que, passado algum tempo, este seja capaz de fazer um pouco mais difícil e evoluir como atleta. Primeiro, devemos ensinar e depois evoluir. Até mesmo nos seniores, não acredito que lhes devemos pedir para fazer determinadas coisas e culpá-los de falta de vontade quando eles não têm gosto nem sabem fazer as coisas. Devemos, enquanto eles são novos, evoluir a capacidade deles, de forma a que quando chegarem aos seniores, saibam realizar as várias ações técnico-táticas, saibam porquê as realizam e tenham gosto e vontade de as fazer. Só desta forma se constroem equipas campeãs, e ainda bem que começamos a abrir os olhos para a formação desportiva.

Coordenação motora não deve ser treinada em separado. Há outras mil e uma habilidades para desenvolver no atleta

Não acredito que, no desenvolvimento do atleta ou da equipa, se possam esquecer algumas partes por completo e evoluir outras partes. Acredito sim, que todas as partes devem trabalhar em conjunto, num sistema funcional e organizado. Acredito também que as partes possam ser trabalhadas em separado, através de treino específico. O atleta, segundo as condições que a atividade desportiva exige, deve ser capaz de realizar a correta leitura de jogo, deve ser capaz de realizar ações técnico-táticas, deve ser capaz de se aventurar sem medo em determinadas situações de jogo, além de companheirismo. Estas partes levam tempo a treinar e/ou evoluir, sendo necessário imenso treino.

Deixo apenas uma questão no ar: muitos treinadores têm desenvolvido os jogadores através de treinos com apenas dois toques, procurando-os levar a pensar rápido. Naquilo que diz respeito à ancoragem, esse tipo de treino pode levar os atletas a tomar decisões sem pensar na situação de jogo do momento? Será que demasiado treino a dois toques é realmente saudável no que diz respeito ao jogador pensar o jogo? Será que podemos utilizar outros métodos de treino que "encaixem nesse buraco", ou o treino com dois toques é realmente eficaz? Sem ceticismo, deixo esta questão no ar.  


FONTE: Valter Correia, Futebol, in

quinta-feira, 6 de março de 2014

COMO É QUE AS PESSOAS E AS EQUIPAS GANHAM AUTONOMIA...


Durante uma formação fui confrontado com uma questão, para lá de muito bem apresentada, extremamente pertinente: “Acredito que a autonomia possa ser aquilo que também diferencia uma equipa normal de uma excelente equipa. Então como se processa essa implementação da autonomia das pessoas e nas equipas?”

Bem! Mais do que o processo…referia que existem para mim três pontos anteriores e fundamentais:

- Existir contexto: na verdade, existem mercados e tarefas em que a autonomia não se propicia e provavelmente iria estragar a dinâmica já criada e que funciona bem para aquelas tarefas e contextos, como os call centers, serviço ao público por exemplo no fast food, etc.

- Quem estará incumbido no processo de liderar e estar próximo das pessoas e equipas que serão alvo do processo de autonomia estar realmente predisposto para que as suas pessoas e equipas adquiram autonomia, porque a autonomia retira o foco do líder e dispersa-se por outros colaboradores e resultados. Esta perda de mediatismo não é muitas das vezes bem encarada em termos implícitos nas lideranças.

- A autonomia tem imensas vantagens, especialmente se for adquirida e assimilada. Mas potencia também uma maior responsabilização dos colaboradores pelas suas tomadas de decisão, tarefas, bons ou maus resultados. E na verdade, nem todos querem essa responsabilidade, preferem muito mais a segurança de estarem dependentes de quem lhes diga o que fazer do que a liberdade e risco de decidir algumas das suas acções.

Passos? Depois destes três pontos, diria que é preciso definir bem as consequências positivas do processo. De sub-metas para que as pessoas que não as consigam superar percebam o que lhes pode acontecer. Aos poucos, e com uma rede para as possíveis quedas, as pessoas começarem a decidir e a compreenderem o processo de decisão / acção / autonomia. A motivação para que esta mudança aconteça acontecerá quase sempre com um farol bem visível: consequências extremamente positivas do que é estar autónomo e trabalhar numa equipa com autonomia. 

Fonte: Rui Lança, in http://coachdocoach.blogspot.pt/2013/06/como-e-que-as-pessoas-e-as-equipas.html