quinta-feira, 27 de novembro de 2014

HÓQUEI EM PATINS: O TREINADOR – PARTE 2 DE 3 (CONTINUAÇÃO)


Abreu (1993) estabelece e avalia pelo menos cinco categorias gerais do treinador:
Treinador autoritário
Este tipo de treinador tem várias limitações, por exemplo: seu juízo nem sempre é acertado e seu código pessoal, algumas vezes, não vê outras soluções possíveis aos problemas individuais ou da equipe.
Características: crê firmemente na disciplina; com freqüência, usa medidas punitivas para reforçar as regras; é rígido com os programas ou planos; pode ser cruel ou sádico; não gosta de uma relação interpessoal íntima; com frequência, é religioso e moralista; usa ameaças para motivar os atletas.
Treinador flexível
As características desse tipo de treinador são opostas às do treinador autoritário. O flexível é agradável aos demais e está profundamente preocupado com o bem-estar de seus atletas. Inspira respeito, por razões extremamente diferentes das razões do treinador anterior. É popular e sociável.
Características: geralmente, relaciona-se muito bem com as pessoas; usa meios positivos para motivar os atletas; é muito complacente na planificação; com frequência, é experimental.
Treinador condutor
Em muitos aspectos este tipo de treinador tem traços de treinador autoritário. É similar na ênfase à disciplina, na força de vontade e na sua agressividade. Diferencia-se do treinador autoritário, pois é menos punitivo e mais emocional.
Características: está freqüentemente preocupado; recebe os problemas de forma pessoal; investe intermináveis horas no material didático; sempre exige mais do atleta; motiva os atletas com seu exemplo.
Treinador pouco formalista
É exatamente o oposto do treinador autoritário. Aparenta não sofrer nenhum tipo de pressão. Para ele, tudo não é mais do que um desporto interessante, o qual se tem prazer de ganhar.
Características: não parece levar as coisas a sério; não gosta dos programas; não fica nervoso com facilidade; dá a impressão de que tudo está sob controle.
Treinador Formal ou Metódico
Esse tipo de treinador aparece com mais regularidade na cena desportiva. Em geral sempre está interessado em aprender, raras vezes é egoísta e poucas vezes crê ter todas as respostas. Este treinador ultrapassa os demais em técnicas e habilidades para adquirir conhecimentos. Como o treinamento está se convertendo cada vez mais em uma ciência exata, usa todos os meios para acumular informações acerca de seus oponentes.
Características: aproxima-se do esporte de forma calculada e bem organizada; é muito lógico em seu enfoque; é frio em suas relações pessoais; possui alto nível intelectual; é pragmático e perseverante.
Martens, Cristina, Harvey e Sharkey (1995), também apresentam outra classificação, onde citam três estilos de treinador. O estilo autoritário, que toma todas as decisões, sendo a missão dos atletas cumprir as ordens do treinador. O estilo submisso caracteriza-se por um treinador imprevisível, que hora se abstém e em outros momentos pode tomar decisões. E por fim, o estilo cooperativo, indicado como o estilo ideal pelos autores, onde os treinadores compartilham com os atletas as responsabilidades e a tomada das decisões.
Cabe aqui salientar que os técnicos que vão desenvolver o seu trabalho com crianças, deverão estar mais atentos a influencia do ambiente sobre este jovem atleta que começa a receber os primeiros ensinamentos a cerca do esporte.
Hahn (1998) adverte que os treinadores necessitam uma teoria de treinamento com crianças, e que, se por um lado, buscam a evolução objetivada do rendimento, por outro, devem levar em conta as necessidades e os interesses da criança.
Como foi possível verificar ser técnica não é uma tarefa tão simples. A seguir será aprofundado sobre seu trabalho em equipe, na inter-relação com seus atletas e colaboradores.

NOTA: Publicação redigida em português do Brasil, tal como no documento original

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

HÓQUEI EM PATINS: O TREINADOR – PARTE 1 DE 3


Para Becker Jr. (2000) a função de treinador é uma das profissões difíceis, mas também pode ser muito gratificante. Vencer competições nas mais distantes cidades, proporcionar um clima de crescimento individual e grupal para seus atletas, ser reconhecido por toda uma sociedade e ganhar um bom dinheiro por isso, são alguns dos motivos que levam uma pessoa a encaminhar-se para aquela profissão.
Para Carravetta (2001) é o especialista mais próximo dos atletas, exerce influência no comportamento dos mesmos, por vezes é técnico, educador, conselheiro, estrategista e líder.
Ser treinador é uma função que constitui em si de um permanente desafio e que exige um empenho pessoalmente gratificante.
Para alguns é a função mais ingrata do esporte, se a equipe perder, o treinador é geralmente o responsável.
A esse respeito Becker Jr. (2000), relata que um dos fatores importantes no ambiente esportivo é que cada torcedor, por menor que seja a sua escolaridade ou experiência na área, acredita que sabe tudo sobre a matéria e ainda da arte de treinar. Assim, cada torcedor opina, julga e critica abertamente o treinador de sua equipe, sempre que esta é derrotada. Não obstante ainda, como bem cita o ex-treinador da Seleção Brasileira Vieira (1987), na maioria dos casos para levar a cabo a sua tarefa, ele é o presidente do clube, diretor de esporte, roupeiro, pai, psicólogo, conselheiro social e líder.
Um treinador com êxito deve ter um conhecimento das ciências do esporte, motivação e empatia. Citam ainda, como aspectos importantes à facilidade de comunicação e os princípios de reforço positivo para com seus atletas.(MARTENS e Cols.1995)
Zilles (1999), afirma que o treinador deve ser o grande líder e disciplinador da equipe, para poder comandar de forma correta os seus jogadores durante os treinos e jogos. Ele deve também ser didático, para saber planejar os seus treinamentos adaptados à idade de seus atletas e as qualidades por eles reveladas. As funções do treinador, segundo o ele seriam comandar os treinos (táticos, técnicos, dois toques, coletivo e recreativo), dar preleção antes do jogo, comentários após os jogos, se possível estudos sobre futuros adversários, uma supervisão junto aos seus atletas em relação à disciplina dentro da quadra de jogo, uma supervisão junto aos seus auxiliares (comissão técnica) e um acompanhamento superficial da vida de seus jogadores fora do seu ambiente de trabalho.
Becker Jr. (2000) diz que para ser um bom treinador deve-se ter as qualidades de um professor. Para que isso ocorra, ele deve ter conhecimento sobre o que vai ensinar e habilidade para executar essa tarefa. O sucesso muitas vezes como atleta, principalmente relacionados com sua capacidade técnica, tática e psicológica, não garantirá o seu sucesso como treinador.
De acordo com a sua personalidade, o técnico pode agir e ser visto diante da sociedade de várias maneiras. Cratty (1983) em suas pesquisas, segundo depoimentos de atletas e demais técnicos, encontrou que o técnico ideal seria aquele indivíduo estável, sociável, criativo, inteligente, que assume riscos calculados, confiantes e seguro. Aquele que poderia tranqüilamente manter o controle em situações tensas e adversas, presentes no esporte.
A interação entre técnicos e atletas vai depender principalmente das necessidades e personalidades dos envolvidos; o que pode influenciar a performance do atleta, tanto positivamente como negativamente, quando não existir correspondência com as necessidades requeridas ou sobrarem estímulos inadequados (MACHADO, 1997).
Os treinadores sabem que muitas conquistas e vitórias caem no esquecimento, o que prova que não é o triunfo que conta, e sim a forma como foi obtido.
A este respeito, podemos acrescentar as seguintes palavras. (GUILHERME, A., 1975, p.5)
"o treinador deve-se conduzir de tal modo que sirva aos praticantes de ontem como uma recordação agradável de sua juventude; aos praticantes de hoje, como um exemplo de sacrifício, de dedicação e de dignidade, e aos praticantes de amanhã, como uma esperança a mais em seu futuro".
Alguns pontos devem ser recordados e postos em prática. São eles: os treinadores são professores; os treinadores têm como tal de utilizar um estilo positivo de intervenção no treino; este estilo baseia-se em elogios e encorajamentos no sentido de favorecer o comportamento desejado e de motivar os jogadores a realizá-lo; elogiar tanto o esforço par alcançar um objetivo, como o bom resultado em si; ao dar indicações técnicas para corrigir um erro, deve-se ao começar por realçar algo que tenha sido bem executado.(SMOLL,1988)
Devido às suas características pessoais, experiências e formação profissional os treinadores segundo Carravetta (2002), apresentam diferentes manifestações de comportamento. Alguns são pontuais, disciplinadores, autoritários ou exigentes; outros são organizados, valorizam os aspectos pedagógicos e metodológicos, respeitam as regras morais e éticas. Por outro lado existem outros extremamente liberais, são exclusivistas, intuitivos, são vaidosos, não aceitam opiniões, o vencer está acima dos preceitos éticos.

NOTA: Publicação redigida em português do Brasil, tal como no documento original

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

HÓQUEI EM PATINS - UM TREINADOR C.A.R.


São inúmeros os factores que levam um treinador de hóquei em patins ao sucesso. No entanto, um treinador de hóquei em patins (em Portugal) jamais terá sucesso sozinho. O sucesso implica muita coisa. Para adjectivarmos melhor o sucesso poderemos referenciar algumas palavras chave tais como organização, competência, saber, aprendizagem, ensino, estruturação, planeamento, rigor, liderança, etc… Poderíamos continuar com mais de uma centena de palavras/adjectivos.
Centremo-nos apenas no título da presente publicação: Correcções – Adaptações – Repetições. Aquilo a que denominamos de ser o treinador de hóquei em patins CAR. Tudo e todos os detalhes são importantes para o sucesso. Temos a noção que uns treinadores possuem melhores condições que outros (condições a todos os níveis), mas todos os treinadores poderão ter sucesso. Não se preencherem uma data de requisitos, mas se incidirem o seu trabalho em campo sobre CAR (correcções, adaptações e repetições).
Abordando um pouco mais esta nomenclatura de CAR e incidindo sobre o que ao trabalho dentro das quatro tabelas diz respeito, o CAR é para nós preponderante, ou uma via para se chegar ao topo mediante os objectivos previamente traçados, sejam eles de ser campeão nacional ou sejam eles de formar jovens atletas com qualidade. O CAR deverá estar sempre presente, aumentando assim todas as probabilidades de êxito para o treinador de hóquei em patins.
Correcções: Existem mil e um tipo de exercício diferentes na forma de execução, mas iguais no objetivo final. Umas equipas gostam mais de trabalhar de uma forma, outras de outra forma. Cabe ao treinador decidir. Independentemente da forma de execução, o que leva a que se atinja padrões de perfeição e sucesso com determinados exercícios ou jogadas é a constante correcção por parte do treinador até “afinar” tudo ao mais ínfimo detalhe. O exercício poderá ser muito bonito (ou muito há frente), mas se não existirem as correcções constantes, estará condenado ao fracasso.
Adaptações: Passam pelo processo de saber adaptar os atletas ao que se pretende e pelo processo de adaptar o que se pretende aos atletas que se dispõe. Quando uma destas adaptações falhar ou não surtir os resultados desejados, há que modificar e adaptar novamente tudo. Aqui se vê a perspicácia do treinador de hóquei em patins. Ficar a incidir sobre um processo que demora a mostrar resultados, é estagnar e colocar em risco o caminho para o sucesso.
Não existem adaptações com êxito se primeiro não existirem as correcções.
Repetições: É o somatório do processo de correcções com o processo de adaptações devidamente “afinado”. Depois de orientados os processos de correcções e adaptações, resta ao treinador de hóquei em patins, incidir tudo sobre um processo de repetições.
Não existem repetições com êxito se primeiramente não existirem as correcções e as adaptações.
A ordem a seguir para o sucesso será mesmo esta Correcções – Adaptações – Repetições. Mas somente isto não chega. Ser um treinador CAR é apenas a base alicerce para um trabalho bem encaminhado para o sucesso.

Opinião pessoal de Hélder Antunes


NOTA: redigido sem as regras do novo AO