quinta-feira, 24 de setembro de 2015

HÓQUEI EM PATINS - "TREINADORES E DESTREINADORES": OPINIÃO DE JOSÉ MOURINHO


Pequenas grandes frases de José Mourinho, treinador de futebol profissional (Chelsea FC). Por vezes não são necessárias publicações extensas para se "passar" enormes mensagens. À consideração de cada treinador.

“Há dez ou 15 anos, começou a definir-se um novo papel do treinador. Começou a dizer-se que o treinador era um gestor de recursos humanos. Isso ficou como uma verdade absoluta. Já concordei mas agora discordo”.

“O treinador, antes de ser um gestor de recursos humanos, é um gestor dos seus próprios conhecimentos. É preciso ter a capacidade de usar a bagagem de conhecimentos no momento certo.”

“Que tipo de treinadores há? Costumo dizer, de forma sarcástica, que há os treinadores e os ‘destreinadores’”.

“Os treinadores são os que melhoram os seus jogadores e as suas equipas. Os ‘destreinadores’ são os que pioram os seus jogadores e as suas equipas”,  “os ‘destreinadores’ têm conhecimentos, às vezes até de mais”: “Não sabem é gerir os seus conhecimentos”.

O “aspecto mental é fundamental”. “O nosso processo é imprevisível. Temos de ter capacidade de adaptação”.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

HÓQUEI EM PATINS - PRÉ-ÉPOCA 3 POR JOSÉ NETO


Equipas em estágio em vários continentes; a problemática dos fusos horários; jogos e treino em altitude; resultados obtidos e possíveis consequências para o rendimento no futuro imediato, etc …

(…) Os clubes que à partida optam por efetuar alguns períodos de preparação fora do ambiente natural de trabalho, para além do aspeto económico, podem advir de outras componentes positivas a considerar, nomeadamente o reforço de uma missão coletiva, encorpando por vezes desafios ou atividades que não se confinam aos aspetos do treino propriamente dito, como a utilização de percursos e jogos energéticos onde o combate para a expressão máxima de conduta pode exigir no empenhamento para a cooperação, espírito de grupo, capacidade de interajuda resultando quantas vezes no reforço do grupo onde a identidade coletiva se vê amplamente reforçada.

(…) As competições a ser realizadas devem ser de grau de dificuldade crescente, ajudando a construir um resultado positivo, gerando como consequência uma elevada qualificação dos índices de confiança e mesmo a criação de uma onda apoteótica em que a forma de vencer se vê positivamente partilhada. Essa causalidade do resultados em êxito, poderá originar por outro lado uma tomada de consciência mais operativa no sentido de otimizar o alcance do sucesso no futuro imediato, funcionando como fio condutor de ambição motivacional que poderá influenciar a performance no arranque da época, propriamente dita, pois sabemos que o comportamento dos jogadores após os êxitos conseguidos, são distintamente diferentes após as frustrações obtidas.

Não esquecer contudo, que esse eixo mediador da consciência onde se operam os êxitos em jogos numa pré época, devem merecer uma notória referência avaliativa, cuja validade apenas será exprimida na confirmação desses mesmos êxitos nas competições oficiais que se lhe seguem. Quero com isto dizer que um “embandeirar em arco” em jogos numa pré época com vitórias substancialmente conseguidas também pode funcionar como “uma faca com dois legumes” (…), caso não se veja incorporada a matriz da humildade por onde passam todos aqueles que fazem das causas do sucesso uma oportunidade para ouvir e corrigir, transpirando rigor no uso da disciplina e aproveitando toda a sua energia ao serviço da equipa, como um todo.

(…) Verifica-se que por vezes certas equipas realizam estágios em locais com altas temperaturas e onde o grau de humidade se torna quase insuportável, provocando uma maior quantidade de suor na tentativa do arrefecimento orgânico já que a circulação sanguínea e respiração pode subir até 20% de fluxo cardíaco (cerca de 4 vezes mais em situações normais) (…). Descurando-se os aspetos de uma aclimatação prévia, ou a ausência de possíveis alterações nos métodos de treino que deve ser devidamente reestruturado, o descanso operacionalmente eficaz e a capacidade nutricional necessariamente assimilada, poderão ocasionar-se alguns sintomas induzidos pela fadiga, como dissemos derivada das alterações bionergéticas e poderemos estar perante um ou outro síndrome com o aparecimento de lesões de ordem músculo esquelético e funcional.

Associadas às condições atmosféricas, ainda se verifica (…), o caso de equipas que efetuam treinos e jogos em altitude. Sabe-se neste capítulo que as condições de trabalho em altitude, onde devido a uma diminuição de pressão e densidade atmosférica e correspondente diminuição da capacidade de concentração de oxigénio no sangue, faz desencadear uma incapacidade relativa de fornecimento aos tecidos, provocando um aumento de frequência cardíaca e profundas alterações de pressão arterial e consequente grau de dificuldade na execução plena que as condicionantes do treino exige. Em termos gerais, em altitude de forma pronunciada (a partir dos 850m), a força da gravidade diminui, a capacidade de utilização de oxigénio (esta fonte de energia está muito diluída), obriga o atleta a aumentar de forma notória o seu ciclo respiratório para o esforço a prestar, sendo os processos de recuperação muito mais lentos, logo, vendo-se antecipado os processos que conduzem à fadiga. Por outro lado, também se obtêm algumas vantagens no que se refere à assimilação de movimentos que requerem um alto grau de coordenação, permitindo inclusive ver-se aumentadas as possibilidades de aquisição dos níveis de força e velocidade e algumas boas adaptações no que concerne aos exercícios sob o domínio da resistência. Em termos gerais podemos inclusivamente dizer que a capacidade bioenergética pelo aumento de fixação de hemoglobina no sangue, permite maior adaptação do sistema aeróbico do fornecimento de energia. Inclusivamente até há quem use o treino em altitude para melhoria da capacidade de resistência, pois o consumo máximo de oxigénio pode ver-se aumentado entre 10 a 22% (…).

Ainda neste âmbito, gostaria de referir que o treino em altitude, sendo importante para desportos que impliquem o uso da capacidade de resistência, traz mais prejuízos do que benefícios nos desportos onde a predominância do sistema anaeróbico é mais solicitado (…). Nesse sentido, o melhor será treinar ao nível do mar e simular o descanso (dormir) em altitude (…). Outro dos recursos que poderá ser utilizado, será o uso de câmaras hiperbáricas para o efeito pretendido, no entanto o seu alto valor comercial, por vezes é um fator impeditivo. 

Por último, uma referência a equipas que realizam a periodização e planificação dos treinos numa pré época em locais distantes e que obrigam a uma adaptação dos ciclos circadianos que a travessia dos diversos fusos horários (jet lag), fazem implicar. Sabe-se que, no que respeita à adaptação do organismo do atleta em relação ao fuso horário, importa anotar uma dissuasão dos ritmos diários das funções psicofisiológicas correspondentes a 1 dia por cada fuso. A título de informação complementar neste âmbito, importa referir que o desenvolvimento de adaptação é variado e determinado pelas capacidades individuais de cada atleta. Há autores que definem como regra, que a hora de dormir e acordar normaliza de 1 a 5 dias, a enquadrar a atividade intelectual e psicomotora e 7 a 10 dias uma excelente resposta a demais capacidades, nomeadamente ao nível da resistência. Mas é claro que existem metodologias de treino, quer para prevenir, quer para tratar os efeitos ou sintomas deste síndrome de mudança de vários fusos horários, quer antes do voo (ajustando a hora de acordar), durante o voo (hidratando e efetuando exercitação isométrica seguida de alongamentos) e após a chegada (cargas de treino de fraca intensidade…), questões que hoje felizmente são superiormente resolvidas e administradas por equipas de metodólogos e fisiologistas de elevada competência.
(…)
A capacidade humana para se superar é fenomenal. Por vezes existem momentos nas equipas que encontram na adversidade um autêntico estímulo, fazendo desencadear uma força mobilizadora onde se desperta um enorme empenho coletivo… ali mesmo, contrariando as leis da natureza, passa a habitar o sucesso.
(…)


FONTE: José Neto, Metodólogo Treino desportivo, Mestre em Psicologia Desportiva, Doutor em Ciências do Desporto/Futebol, Formador Treinadores FPF – UEFA e Docente Universitário, in jornal abola.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

HÓQUEI EM PATINS - PRÉ-ÉPOCA 2 POR JOSÉ NETO


Planeamento e Periodização do Treino e sua importância para o futuro de uma equipa na construção do sucesso!

(…) Em tempos que se considerava que uma pré época devidamente estruturada, daria para alcançar resultados significativamente positivos para todo o ano desportivo, as cargas de treino assumiam por vezes um autêntico drama para os “heróis” que tinham que as suportar. O volume prevalecia sobre tudo o que compunha as restantes características do treino, sendo os atletas sujeitos a autênticos desafios de bravura e heroicidade, suportados por corridas em perseguição calcorreando o escadório das bancadas, (quantas vezes carregando com bolas medicinais, alteres e mesmo o peso de companheiros), corridas em grupo pelos bosques, areais … percorrendo longas distâncias intervaladas por saltos entre paredes, arrastando troncos de árvores, deixando os atletas pelo caminho, suor, sangue e gemidos, que nem um chuveiro fresquinho e prolongado chegava para derreter tanta agonia. Até se dizia, a título de gozo, “quanto mais dor mais amor” … e a tão apetecida bolinha só aparecia 1 ou 2 semanas após este tempo de autêntica tortura.

Embora registasse esses exemplos de agonia por informação que era me transmitida, tive a felicidade de encorpar equipas técnicas, a partir do início da década de 80, em que por intermédio de quem liderava com novidade outros projetos de futuro, com esta máxima que jamais haverei de esquecer. “ Olha para o jogo e ele te dirá como deves treinar” (José Maria Pedroto), seguido por Artur Jorge, etc…

Não obstante no micro ciclo semanal de treino efetuasse uma ou outra saída para espaços exteriores ao estádio, uma das sessões de treino via contemplada a parte técnico tática em formas competitivas de jogo.

Quando se aborda nos dias de hoje, métodos de treino bidiário ou tridiário numa pré época, poderei referir a título de exemplo, (de forma muito resumida), uma sessão que consta dum dossier que ainda permanece escrito e que faz memória:

7 horas – acordar - avaliação da frequência cardíaca e peso corporal;
7.30 – corrida continua (30 a 40 minutos) em regime de endurance, em que se procurava que cada jogador mantivesse a sua pulsação numa escala (220-idade x 70%); retorno à calma com alongamentos e hidratação.
8.30 – pequeno almoço, seguido de tempo livre para leitura de jornais, jogos de salão, etc…
11.00 – treino de potência no espaço próximo do hotel, sala de musculação ou estádio – método da repetição com intensidade elevada, usando cargas a 30%da força máxima em estações especificamente indicadas para as zonas musculares de maior incidência. No final treino, utilizando a piscina da zona hoteleira em estágio, realizando atividade livre dentro de água, associando exercícios de estiramento e relaxamento geral.
12.30 – almoço, seguido de descanso
17.00 – treino tático - técnico, tendo em atenção os princípios inseridos na construção do modelo de jogo e as características dos jogadores, procurando sempre a repetição pelas ações que se viam positivas, no sentido de adquirir a dinâmica coletiva das rotinas em sucesso.

É evidente que os atletas eram submetidos a testes de início de época, divididos por 3 categorias: antropométricos – peso, altura, pregas cutâneas e avaliação de percentagens de gordura; cardiovasculares – índice cardíaco e teste de ruffier, sendo substituído pelo teste de esforço com avaliação do consumo de oxigénio; motores – testes de força, resistência, velocidade e flexibilidade.

Para além de outras observações em testes ao nível laboratorial, cada atleta figurava num dossier onde o registo destas e de outras informações (sociais, familiares, historial clínico e competitivo), fazia parte.

Já que abordamos esta questão dos testes, afigura-se-me de muita importância sua aplicação, quer no início da época, quer no decorrer da mesma em períodos especificamente determinados pelas equipas técnica e médica.
Contudo, devemos ter em atenção que a realização de testes de esforço máximo para atletas que estão a iniciar a época com zero treinos realizados, poderemos ocasionar situações de dúvida na sua eficácia e inclusivamente sendo portadores de possíveis lesões. Sendo assim, o melhor seria efetuar este tipo de avaliação em testes, na 2ª ou 3ª semana de trabalho.

Temos neste domínio uma diversidade de elementos que poderão concorrer para uma avaliação de competências físico-técnicas-atlético-psicológicas-mentais –fisiológico-laboratoriais e funcionais.

Tomamos alguns exemplos, nomeadamente ao nível da antropometria (peso, medidas e pregas cutâneas, bioimpedância, podologia … ); ao nível cárdio funcional (prova de esforço, avaliação VO2mx, medida de lactatos … provas de campo com utilização do cardiofrequencímetro e GPS na avaliação de rendimento …); ao nível da potência muscular …( máquinas isocinéticas, counter moviment jump, células fotoelétricas …); ao nível psicológico e mental (avaliação da componente motivacional, stresse ansiedade, atenção e concentração, locus de controle, formulação de objetivos, autoconfiança, liderança, coesão …).

Em termos de treino numa pré época, diário, bidiário ou tridiário, o fundamental é associar a qualificação do desempenho à exigência que a função no jogo o determina (avançado, médio, defesa, g.redes) e a especificidade para a qual se reforça a aptidão. Lá voltamos ao princípio e novamente à frase que me salta para a memória e eu persigo em cultivar, porque jamais deixarei de evocar: “queres treinar bem? - olha para o jogo e ele te dirá!...” – senhor Pedroto.

Em termos tático-técnicos do jogo, a pré época também se torna fundamental, pois aí se devem encontrar as premissas do modelo de jogo como referência que deve orientar a construção de situações e exercícios no processo do treino, sendo estes planeados, praticados e avaliados de acordo com o modelo de jogo, a partir de métodos que evidenciem uma maior ou menor intensidade que possibilitem ao jogador um determinado comportamento, que de forma instintiva e automática se irão refletir no automatismo evocado pela performance da equipa como um todo.

O capítulo da observação e desempenho da equipa (assunto que mais tarde irei referir em capítulo especialmente preparado para o efeito), deve estar presente no imediato trabalho efetuado numa pré época, tendo em atenção algumas vertentes, tais como: modelo de jogo adotado ( sistema de jogo, organização ofensiva – variantes táticas, ocupação dinâmica dos corredores, poder de iniciativa, etc; organização defensiva – variantes táticas, tipo de marcações, pressing, etc; transições – mudanças de atitude à perda de bola, etc; bolas paradas – estudo e treino de eficácia … E… outras e muitas outras questões se deverão colocar no entendimento para a qualificação do desempenho: qual a vantagem da posse de bola e sua relação com o resultado??? Qual a eficácia relativa e absoluta do ataque, tendo em atenção a média para os remates e estes para a concretização em golo??? Quais os jogadores e condições mais capazes de os operacionalizar??? Qual a medida de tempo de um contra ataque com êxito??? Quais os rankings de sucesso no âmbito do passe, da interceção e do desarme ???

Perguntas e mais perguntas que cada vez mais submetem o treinador e sua equipa técnica para uma informação altamente qualificada e que deve fazer parte do reportório na gestão operacional das condições que possam ser convertidas em sucesso.

É prioritário impor logo na pré época um diagnóstico dos esforços participativos de cada atleta no modelo de jogo a ser consagrado. Para isso torna-se fundamental conhecer as ações que o jogo mais exige, para no decorrer dos processos de treino se possa adequar a metodologia mais capaz para responder às prestações da equipa na corrida para o êxito.

Mas como tudo isto jamais será um processo acabado, devem ser criadas as condições para promover e articular a discussão à volta do tema em apreço e em que cada participante necessariamente terá que começar por perguntar, depois por ouvir e a seguir dialogar, fazendo de cada ideia uma oportunidade válida para a (prender) a vida!…

É claro que isto não “encaixa” naqueles que pensam que qualquer metodologia que contenha algo de novo, ainda possa constituir matéria ofensiva (...). Para esses, aconselho o pensamento de Karl Popper: “ a solução de qualquer problema origina novos problemas à espera de solução” ou do nosso sempre querido Professor Manuel Sérgio “ enquanto existe o método explicativo para tratar a ciência, é preciso o método compreensivo para tratar as outras áreas do saber” …


FONTE: José Neto, Metodólogo Treino desportivo, Mestre em Psicologia Desportiva, Doutor em Ciências do Desporto/Futebol, Formador Treinadores FPF – UEFA e Docente Universitário, in jornal abola.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

HÓQUEI EM PATINS - PRÉ-ÉPOCA 1 POR JOSÉ NETO


Planeamento e Periodização do Treino e sua importância para o futuro de uma equipa na construção do sucesso!

A definição genérica de treino, como uma forma básica de preparação do atleta através de exercícios no sentido de proporcionar ao organismo respostas às exigências físicas, técnicas, psicológicas, afetivas e sociais suficientemente capazes para a obtenção do êxito, ainda vigora em qualquer manual que o tempo conserva.

Constata-se no entanto que no âmbito da planificação duma época desportiva tem-se assistido a uma graduada evolução, quer ao nível das conceções, quer ao nível das operacionalizações das temáticas referentes às cargas de treino, não apenas em relação ao volume, como à intensidade, como à especificidade, recuperação, densidade etc…estabelecendo-se metodologias instrumentais para que o sucesso apareça e se prolongue no decorrer duma época desportiva.

Deste modo, qualquer trabalho que se destine à programação e planeamento tem que obedecer à avaliação das condições infraestruturais da prática e sua operacionalidade: Meio – material, potencial humano, capacidade socio- económica; Equipas técnica e médica, sua constituição e organigrama de funções a exercer; Atletas – dados pessoais, historial técnico, competitivo, desportivo e clínico; Calendário – treinos, jogos, competições; Seleção e Meios e Métodos de Treino – quais / quando / quanto / onde /como.; Definição do Modelo de Jogo – conceção de jogo; Condições de apoio departamental e logística, etc, tarefas sobre as quais jamais poderá ficar indiferente a qualidade crítica e reflexiva de todo um departamento que opera as premissas dos êxitos a conseguir, numa conduta de deveres para um julgamento de obrigações.

Em tempos que a memória não me atraiçoa havia um código referencial em que se periodizava uma época desportiva em 3 fases, geralmente agrupadas em 3 grandes períodos ou etapas:
1- Período preparatório, pré competitivo ou aquisição da forma desportiva – correspondente ao tempo espaçado entre o início da época e o início oficial das competições.

2- Período competitivo ou fase de desenvolvimento da forma desportiva- correspondente à durabilidade das competições.

3- Período de transição ou fase de redução ou quebra temporária dos níveis de rendimento.- correspondente ao tempo que intervala o final das competições e o início da nova época.

Dada a intervenção de um modelo “importado” (Matveiev), em que se privilegiava um conceito de forma desportiva baseado nos “picos” de forma, muito utilizado nos desportos individuais, as cargas de treino tinham uma orientação estruturada, isto é , o que interessava era que a equipa aparecesse em determinados momentos em “alta rodagem” para seguidamente baixar de forma cíclica o seu rendimento. À medida do tempo constituiu-se a necessidade de substituir esse modelo (…). Assim e de forma progressiva viu-se a conceção tradicional evoluir para novas fenomenologias, como seja o treino integrado, ou seja numa interligação de treino por contraste, depois para a periodização tática, depois periodização complementar.

(…) Se por vezes até vemos jogadores com participações excelentes no treino e no imediato com performances verdadeiramente chocantes nas competições que se lhe seguem, até parece que tudo foi desaprendido ou esquecido, … o que se pode dizer?!...

É que nada está absolutamente definido. O planeamento e programação do treino vê-se por isso enriquecido com esta questão da adaptação significativa de condições propícias para a obtenção do êxito.

São várias as ciências que “emprestam” (…) um contributo extraordinário das suas valências, como a fisiologia, a metodologia de treino, a estatística, a medicina desportiva, a biomecânica, a psicologia, a nutrição., etc., que, associadas a uma programação cuidada em treino, conduzirão ao sucesso na competição.

Por isso, jamais devemos esquecer que quão importante é trabalhar (quer na pré época como no decorrer da mesma) no treino a força, a agilidade, a destreza, a velocidade, os princípios defensivos e ofensivos, as transições e bolas paradas, etc, inseridos de metodologias que por exemplo promovam a confiança no jogador, assegurando e encorajando-o relativamente à capacidade de ser bem sucedido; inserir no conceito de treino o aspeto motivacional, formulando-lhe objetivos difíceis e desafiadores de complexidade crescente; operacionalizar no conceito de treino técnicas de redução de stress com intenção clara de obtenção níveis ótimos de desempenho, utilizando técnicas de relaxamento apropriadas e em momentos claros de definição personalizada de funções (marcação de livres, grandes penalidades, etc); inserir no conceito de treino um elemento fundamental, que poderá resultar na simulação de condições adversas que os jogadores irão ter no jogo, instrumentalizando-as no sentido de tudo estar preparado para se ser bem sucedido, etc …

Numa pré época, ao colocar todas estas dominantes (e muitas outras) em formas de jogo, está a potenciar-se argumentos fundamentais onde os tão famosos automatismos consubstanciados em rotinas, acabam por oferecer a expressão duma equipa como um todo, que pensa, executa e vive de forma coesa e solidária!


FONTE: José Neto, Metodólogo Treino desportivo, Mestre em Psicologia Desportiva, Doutor em Ciências do Desporto/Futebol, Formador Treinadores FPF – UEFA e Docente Universitário, in jornal abola.