quinta-feira, 28 de abril de 2016

O QUE FAZ UM TREINADOR CAMPEÃO


O que faz um treinador vencer mais do que os outros é um tema que cativa quem gosta de futebol ou de outro qualquer desporto.

Passamos horas a fio, se necessário, a justificar as razões que levam alguns treinadores a conseguir retirar dos seus atletas e equipas melhores rendimentos do que outros. E nem sempre aqueles que o conseguem são os campeões.

Primeiro, porque apenas pode existir um campeão por competição e depois, talvez ainda mais importante, porque há treinadores que fazem trabalhos espetaculares e que potenciam e superam em muito o rendimento habitual dos seus atletas, mas mesmo assim, isso não chega para levá-los a atingir objetivos.

De regresso à questão, há duas formas de responder a esta pergunta. Uma muito simples e outra bem mais complexa, se é que terá mesmo uma resposta estilo-receita.
É campeão quem vence mais, quem supera os adversários em pontos.

A segunda forma de responder é bem mais complexa. Quais são concretamente as ações e crenças de um treinador campeão? Será que são muito diferentes de quem nunca vence e tem as mesmas condições de trabalho e recursos para sê-lo? O que fará a diferença num treinador para que, em determinados momentos, vença mais?

Pontos comuns e de divergência

Retiramos os fatores sorte ou azar. Existem, porque o jogo em si tem esses fatores inerentes, mas existem para todos. Passamos à frente e entramos nas áreas das ações, liderança e relações de um treinador. O que faz e e o que pensa?
Para se chegar a uma conclusão, entrevistaram-se doze treinadores de desportos coletivos que se sagraram campeões nacionais em seniores. E o que se constatou foi:

· Em áreas como a comunicação, motivação, relação consigo próprio ou com os atletas, regras coletivas, retórica do treinador e métodos de treino e organização existem semelhanças. Ou seja, existe claramente um denominador comum que, não invalidando o facto de cada treinador ser naturalmente diferente de um outro, mantém aspetos iguais nas áreas fundamentais da função de orientar uma equipa;

· Contudo, também existem diferenças evidentes nestas mesmas áreas. Menos e não sabemos se têm maior ou menor impacto na obtenção dos resultados. Mais interessante do que olhar para as diferenças é ver que algumas ideias são precisamente opostas, o que pode levantar a certeza de que não existem caminhos únicos para se chegar ao mesmo objetivo;

·  As competências comportamentais mais referenciadas pelos treinadores são a capacidade de se ser flexível perante as condições que encontram, e a adaptabilidade. A relação com os jogadores e maneira de lidar com as especificidades de cada atleta, a interação com os dirigentes, a diferente abordagem que merecem os vários contextos competitivos e até a forma de estar e ser perante o grupo são fundamentais. Quem não conseguir ser flexível e ter capacidade de adaptar-se não consegue o compromisso, a entrega, a união e a inteligência coletiva tão necessárias para poder-se atingir elevados desempenhos;

· Não há receitas e os treinadores confessam em unanimidade que um dos denominadores comuns que gera o sucesso é a capacidade de o treinador conseguir duas coisas: perceber qual o perfil de liderança mais eficiente para o contexto que está inserido; e a capacidade de ser aquilo que o contexto necessita, sendo que aumenta a capacidade de sucesso se o seu perfil intencionalmente genuíno estiver próximo deste;

· Um terço dos treinadores que participou neste estudo foi campeão com equipas femininas, sendo que houve respostas específicas por parte dos mesmos. O que poderá levantar possíveis pistas para perceber se a liderança em contextos femininos, na opinião de um treinador, terá de ser diferente ou não da do contexto masculino;

·  Há quase uma bipolaridade das ações de liderança de todos os treinadores, que passa por equilibrar a sua intenção de liderar e controlar tudo, ao mesmo tempo que verbalizam que as ações dos jogadores são aquelas que menos podem controlar.

O treinador tem impacto brutal no jogador

Sabe-se que ninguém é campeão copiando o que um outro campeão faz.
Não faz sentido pensar-se de modo igual apenas por intenção, porque o cruzamento das ações, crenças e sentimentos altera o produto que um treinador fabrica. Nem copiar porque os recetores – os atletas – da liderança, mensagem e ação são diferentes, e isso condiciona em muito a eficiência de um técnico.

Por outro lado, sabemos que a mensagem tem de ser captada pelo atleta. Que o treinador tem um impacto brutal no desempenho e entrega do jogador. Que as regras coletivas têm de aportar a competência individual e coletiva. E que, não havendo receitas, há comportamentos que geram quase sempre insucesso e incapacidade do jogador e da equipa em querer estar com o treinador onde quer que seja.

 
*Este artigo é baseado num estudo composto por entrevistas a doze treinadores de desportos coletivos, que foram campeões por clubes no escalão de seniores e na principal competição do país onde treinaram.” 

FONTE: RUI LANÇA, in http://coachdocoach.blogspot.pt/

terça-feira, 19 de abril de 2016

HÓQUEI EM PATINS - 10 ANOS DE THP


10 anos de blog THP. 
10 anos pelos treinadores.
10 anos sem interrupções.
10 anos de publicações.
10 anos de dedicação.
10 anos de carolice.
10 anos de crença.
10 anos do melhor de nós!

"Todos os projetos pessoais têm tendência a terminar" - Pedro Jorge Cabral, in Turquel. Um dia será a vez do blog THP. Obrigado a todos.



segunda-feira, 11 de abril de 2016

HÓQUEI EM PATINS: MARCAS/MODELOS AUTOMÓVEIS E TREINADORES DE HÓQUEI EM PATINS – PSICOLOGIA DO DESPORTO


Hoje regressamos às publicações no âmbito do trabalho mental a realizar-se nas equipas de hóquei em patins especificamente e onde os treinadores devem e podem incidir o seu trabalho neste campo.
Publicamos algo paradoxal e fora do contexto do que é habitual quando se abordam temáticas como esta. Fazemos uma “correlação”, se é que esta é possível, entre marcas e modelos de automóveis e “dicas” para os treinadores de hóquei em patins.
A publicação deverá ser lida e refletida parágrafo a parágrafo. Não se trata de uma publicação de texto contínuo. Caberá a cada um refletir sobre as mesmas…

“Fiat” na virgem e não desenvolvas um trabalho mental planeado e direcionado para a equipa, que as probabilidades de êxito diminuem.

“Focus” 101% em todos os objetivos traçados. Os objetivos devem ser individuais e coletivos. Sem objetivos não há sucesso.

“Jaguar” na atitude competitiva. Uma forte atitude ajudará a equipa nos momentos mais difíceis e fortalecerá os índices de confiança intra equipa.

“Mini” distrações. Se o treinador perder tempo com muitas justificações internas e externas para variadas situações, começará a distrair-se daquilo em que realmente deverá estar concentrado e será uma questão de tempo o “barco” não seguir o rumo traçado.

“Saab” bem ganhar. Mas é nos momentos de derrota que se fortalecem equipas para vencer. Não há derrotas morais, mas há derrotas que nos lançam para ciclos ganhadores.

“Passat” ao lado de tudo o que é secundário e terciário. O treinador deve estar amplamente focalizado no aperfeiçoamento do trabalho mental da equipa. Tudo o resto não interessa e o trabalho mental nunca tem pausas, nunca está finalizado e nunca é fácil.

“Fiesta” só depois dos objetivos traçados terem sido alcançados e/ou ultrapassados.

“Toledo” acreditar que é fácil realizar um trabalho mental para a equipa. Toledo ainda maior pensar que não é preciso sequer trabalho mental. Toledo enorme pensar-se que o trabalho mental se resume a colocar frases motivadoras na parede do balneário.

“Honda” vencedora cria campeões. “Honda” perdedora cria derrotados. “Honda” lutadora cria campeões. Sem “Honda” não há resultados.

“Smart” a competir, mas muito mais “smart” a treinar.

“Renault 5 – R5”: Responsabilidade (no trabalho visível e invisível); Respeito (por todos os que pertencem à equipa); Reorganizar (tudo o que tiver de ser reorganizado se sentimos que algo não está a correr como o previsto); Recorrer (a trabalho extra ou a ajuda externa se necessário); Relembrar (sempre os objetivos e para onde caminha a equipa).


FONTE: Opinião de Hélder Antunes