terça-feira, 31 de maio de 2016

HÓQUEI EM PATINS: TREINO DO ENTUSIASMO - DICAS E EXEMPLO


Voltamos a relembrar que na nossa opinião motivação e entusiasmo são “coisas” distintas. Cada vez mais existem estudos nesse sentido.
Um exemplo básico dessa distinção é termos um atleta motivado para o treino de hóquei em patins, mas não estar entusiasmado com o facto de ter de treinar de manhã cedo.
Nesse sentido, deixamos aqui 5 dicas para o treinador “treinar” o entusiasmo nos atletas de hóquei em patins.

- Nunca mandar executar/realizar exercícios que os atletas não gostem. Por mais importantes que os exercícios possam ser importantes para os objectivos individuais ou colectivos, nada é mais importante que ter os atletas a treinarem com vontade e com entusiasmo. Aquilo que o treinador pode pensar que é mais importante do ponto de vista físico, técnico ou táctico, poderá não o ser do ponto de vista mental.

- Mudar as rotinas de treino sempre que possível e quando os atletas/equipa menos o esperam. Os objectivos poderão e deverão manter-se, mas a forma como se chega a eles é que muda. Isto é trabalhar o entusiasmo e não a motivação. A motivação vem por acréscimo.

- Não ser um “treinador triste”, mas sim um “treinador contagiante”. Contagiante a nível de treino, de jogo, pós e pré treino e pós e pré jogo.

- Aplicar descritores de entusiasmo como: brincadeiras, sorrir, variedade de atividades, gestos, participação dos praticantes, inflexões de voz, elogios, encorajamento, participação, humor, inovação, demonstração, interesse pelo praticante, interesse pela equipa e vontade de triunfar.

- Criar exercícios de treino que promovam a competição interna sem “ferir” os objectivos colectivos e individuais e onde se registem os valores de modo a que os grupos de trabalho ou a própria individualidade se entusiasme em melhorar semana após semana.
Exemplo para um exercício de treino específico de GR de hóquei em patins:

Disposição/Material:
3 GR’s, 3 cestos de basquetebol com base de apoio no chão a uma altura de 80 cm a 1m e uma bola de mini basquetebol ou de ténis. Os cestos ficam dispostos pela zona delimitada pelo treinador.

Operacionalização:
Os Gr’s realizam os exercícios devidamente equipados e patinando somente em 8 rodas. Cada GR defende o seu cesto e poderá atacar dois, podendo sempre recorrer a ajuda de um 2º GR. Podem utilizar stick, caneleiras, luvas e capacete.

Descrição 1: o GR_A passa ao GR_B e o B devolve ao A. Logo A e B atacam o cesto do GR_C. Em caso de cesto, pontuam o GR_A e B.
Se o cesto forem concretizado com a luva dá 1 ponto, com o stick 2 pontos, com o capacete 3 pontos e com a caneleira 4 pontos.

Descrição 2: o GR_A passa ao GR_B e o B devolve ao C. Logo C e B atacam o cesto do GR_A. Em caso de cesto, pontuam o GR_C e B.
Se o cesto forem concretizado com a luva dá 1 ponto, com o stick 2 pontos, com o capacete 3 pontos e com a caneleira 4 pontos.

Todas as semanas atualizasse o ranking deste exercício.


FONTE: Opinião de Hélder Antunes

terça-feira, 17 de maio de 2016

DA SOBERANIA DOS TREINADORES À SOBERANIA DOS OUTROS NO HÓQUEI EM PATINS


Longe começam a ir os tempos em que o treinador de hóquei em patins era um soberano totalitário e totalista. Esta tendência contrapõe com o aumento do nível de formação e de conhecimentos dos treinadores. Ou seja, quando e cada vez mais os treinadores de hóquei em patins têm mais e melhores conhecimentos/competências, menos soberanos vão sendo no seu papel de treinador e no seu campo de acção (no treino/jogo).
Ao longo dos últimos tempos os treinadores têm sido ultrapassados por muitos em questões fulcrais para o desenvolvimento da modalidade. Todos se acham soberanos e todos opinam sobre as mais variadas questões que deveriam ser apenas da exclusiva opção do treinador.
Também é certo que há muitos treinadores de hóquei em patins que querem ser soberanos em matérias que não lhes dizem respeito e gostam de acumular as mais variadas funções.
A César o que é de César. A Roma o que é de Roma.
Se todos formos soberanos apenas e somente dentro do nosso “campo” de trabalho/decisão e ninguém se submeter a interferências no campo de trabalho do “vizinho do lado” a probabilidade de êxito aumenta.
Os mais variados exemplos que assistimos na nossa modalidade, diz-nos que há mais sucesso e êxito onde os treinadores são soberanos no que são bons a fazer. Os treinadores são bons no processo de treino e jogo.
O êxito aqui não está directamente correlacionado com os resultados desportivos. Muitos são os treinadores que executam trabalhos repletos de êxito e sem obter resultados na prática.
Outra prática comum que assistimos na nossa modalidade é a estruturação orgânica dos clubes. É muito normal hoje em dia (e bem) os clubes estarem organizados. No entanto, vê-se muitas vezes cargos quase similares dentro da estrutura e da estrutura técnica e vários tipos de coordenadores, onde quase todos eles repetem os nomes dos treinadores. Excesso de funções e de delegações retiram soberania aos treinadores. Parece que há uma tendência para que os treinadores de hóquei em patins não possam ser somente treinadores de hóquei patins.
Para terminar, voltamos a frisar que há mais sucesso e mais êxito nos clubes onde os treinadores estão mais focados somente no processo de treino e de jogo, onde os treinadores são mais soberanos naquilo que melhor estão preparados para fazer, treinar.


FONTE: Opinião pessoal Hélder Antunes

quinta-feira, 5 de maio de 2016

HÓQUEI EM PATINS - “Motivação? Sim, uma dose por favor e duas doses de ENTUSIASMO”


No que concerne ao plano mental de “trabalho” de uma equipa ou de um jogador de hóquei em patins, uma das palavras que mais falamos e abordamos é a Motivação.
Está mais que provado a importância da “Motivação” e várias estratégias sobre como se poderá trabalhar a mesma em grupo ou individualmente. No entanto, ao pesquisar sobre este tema, surgem-me várias outras “componentes” para além da motivação que se devem “trabalhar” (PPP – Perfil Psicológico de Prestação), como concentração, visualização, autoconfiança, pensamentos negativos, atenção, positivismo, atitude, etc.
Concordo, trabalho neste sentido. Penso que a chave do sucesso do trabalho de um treinador de hóquei em patins passa também por aqui.
Mas…
Há sempre um mas… O meu “Mas” prende-se com o "entusiasmo". Para mim, é importante uma equipa motivada ou jogadores motivados, mas uma equipa com entusiasmo ou jogadores entusiasmados é mais importante ainda.
Há quem diga que "motivação" é sinónimo de "entusiasmo" e vice versa. Posso concordar, mas (lá está novamente o “mas”) o entusiasmo vai mais além que a motivação na minha opinião. Para mim, a "motivação" e o "entusiasmo" partem juntos, mas a dada altura o "entusiasmo" vai mais longe que a motivação.
Com alguns anos de experiência de treinador (18 anos), consigo diferenciar "entusiasmo" de "motivação" e ambos se trabalham por parte do treinador. 
Uma grande diferença que encontro entre "motivação" e "entusiasmo" é que a motivação pode ser intrínseca e extrínseca e o "entusiasmo" é só intrínseco. A dada altura, os jogadores e as equipas deixam de estar motivadas e passam a estar entusiasmadas. Veja-se o exemplo que nos chega do futebol com o Leicester a ser campeão de Inglaterra. terá sido só motivação extra? Ou terá ultrapassado a última barreira da motivação e passou a "entusiasmo"? Para mim é na segunda questão que se encontra a resposta.
Tenho dificuldades em encontrar estudos sobre o entusiasmo do atleta, o entusiasmo da equipa e como trabalhar o entusiasmo. Talvez as referências bibliográficas atuais não estejam de acordo com esta minha visão, ou eu esteja errado, mas (novamente um “mas”) um dos caminhos que seguirei como treinador neste âmbito será por aqui, pelo entusiasmo.
Se formos ao um dicionário de língua portuguesa (um livro base), encontramos na definição de motivação e de entusiasmo algo que os diferencia e porventura diste estes dois supostos sinónimos, que afinal poderão não ser assim tão próximos. Vejamos:
Motivação  – ato de motivar; ato de despertar o interesse para algo; conjunto de fatores que determinam a conduta de alguém; processo que desencadeia uma atividade consciente.
Entusiasmo  – forte interesse por determinada causa, coisa ou pessoa, que se traduz em dedicação ou adesão; vontade de ação, espírito de iniciativa; demonstração expansiva de alegria; inspiração.
Ao ler e interpretar estas duas definições no dicionário, mais a minha experiência (amadora? dependendo do ponto de vista) como treinador, vejo que não necessito de procurar grandes e profundos estudos científicos para sustentar esta minha opinião.
Vou resumir o que interpreto da definição de entusiasmo: forte interesse com dedicação, vontade, alegria e inspiração… Eis os “ingredientes” que procuro e desejo ver nos jogadores e nas equipas sob minha orientação… Isto para mim, enquanto treinador é mais que "motivação".
Motivação sim ponto final, mas (novamente o “mas) entusiasmo em dose dupla se faz favor.
É possível trabalhar o “entusiasmo”? Sim é…
Ao trabalhar o “entusiasmo”, não se trabalha a “motivação”? Não. Entusiasmo é dissociável da motivação, embora também se possa trabalhar entusiasmo e motivação simultaneamente.
Como trabalhar o “entusiasmo”? Numa próxima publicação de opinião pessoal abordarei isso.

FONTE: Opinião de Hélder Antunes