quinta-feira, 29 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS - A QUESTÃO DO HÓQUEI EM PATINS FEMININO...


Em semana de campeonato do mundo feminino (a decorrer no Chile), a publicação do blog THP é sobre hóquei em patins feminino.
Desde 1997, que trabalho também com equipas de hóquei em patins femininas. Tendo já passado no hóquei em patins feminino por todos os escalões, todas as divisões, todas as fases do nacional e trabalho a nível de seleção distrital, penso que tenho direito a emitir opinião neste campo da modalidade.
 A “velha máxima” com a qual muitas vezes sou questionado é “treinar feminino é diferente?”. Sim, treinar feminino é diferente, tal como é diferente treinar um escalão sub-13 masculino é diferente de treinar um escalão sub-20 masculinos, tal como treinar uma equipa da masculina da 1ª divisão é diferente de treinar uma equipa da 3ª divisão, tal como treinar uma equipa localizada num meio rural é diferente de treinar uma equipa localizada num grande centro urbano e por aí adiante.
Essa tal “da velha máxima” que o feminino é diferente serve apenas para ludibriar todos aqueles que se acham com perfil, mas que afinal não têm perfil para treinar equipas de hóquei em patins feminino.
A verdade é essa. Nem todos ou nem muitos treinadores têm perfil para orientar equipas femininas. Essa é uma verdade relativamente absoluta.
O mais fácil é afirmar-se que treinar feminino é complicado, é isto e aquilo. A nossa visão sobre o hóquei patins feminino ainda é muito limitada e atrevo-me mesmo a dizer que em muitos locais a nossa modalidade é demasiado “machista” sem ângulo de abertura e oportunidade de igualdade de género.
Aos poucos tem existido uma ligeira mudança de paradigma, pois com a introdução das equipas “mistas”, muitas equipas são obrigadas a colmatar lacunas de plantel com oportunidade “às miúdas”, pois se assim não fosse, essas “mesmas miúdas” talvez não tivessem oportunidade de ter uma carreira no hóquei em patins.
A “miúdas” (embora não adiram tanto ao hóquei em patins como os “miúdos”), devem ter oportunidade em igual número. É uma questão de respeito e de direito. Talvez se existissem mais oportunidades para as “miúdas” treinarem, talvez existissem também mais miúdas a praticarem a modalidade. Uma situação é consequência da outra.
Outra “velha máxima” que me farto de ouvir é que as “miúdas” não conseguem praticar um hóquei tão evoluído e tão rápido e mais não sei o quê comparativamente aos “miúdos”. Sim eu sei que sim, todos deveriam saber que sim penso eu.
Até certa e determinada altura do percurso de formação não existem diferenças. A partir de determinada altura, as diferenças acentuam. Mas acentuam no hóquei em patins tal como acentuam em todas as outras modalidades. Ou pensam que é só no hóquei em patins que isso existe? Vamos é fazer o favor de estar preparados para isso.
Atrevo-me a ir mais longe e a dizer que na própria sociedade e no próprio dia a dia também existem essas diferenças! Claro que existem. A “miúdas” do hóquei em patins não são diferentes das outras “miúdas”.
Então onde está o cerne da questão? Está na capacidade e na competência de eu enquanto treinador ter ou não perfil para orientar equipas femininas. Esse é que é um ponto que muitos não querem abordar.
A questão vai mais além da pessoa do treinador. Mas isso seria tema para uma outra publicação. Se o problema do hóquei em patins feminino estivesse só no treinador…
E a nível técnico e tático e psicológico? Outras questões que muitas vezes me colocam.

Com base na minha experiência de hóquei em patins feminino de quase 19 anos, faço o seguinte resumo, a nível técnico aprendem e executam como os “miúdos” desde que lhes sejam dadas oportunidades e bagagem de aprendizagem. A nível tático enquanto treinador sinto que não tenho as mesmas opções táticas ao nível da variedade, mas ao nível da entrega na execução e na interpretação do que lhes é pedido, sinto mais “profissionalismo”. A nível psicológico são “trabalhadas” como uma equipa qualquer tendo sempre em conta as características individuais de cada uma e as características das atletas todas como um grupo, tal como se faz ou deveria trabalhar no masculino.

FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes 

domingo, 25 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS - TRANSMISSÃO TELEVISIVA! E OS TREINADORES?


A oportunidade que muitos ansiavam e até “reclamavam” para a nossa modalidade chegou. Estão asseguradas as transmissões televisivas do campeonato nacional da 1ª divisão para as próximas 4 épocas (para além das já habituais transmissões online). O boletim de jogo “na hora” também está aí. Parabéns a todos os que contribuíram para esta realidade.
O facto de começarmos um pouco mais tarde que outras modalidades não significa que não possamos estar mais avançados que outros.
Introduções à parte, o tema desta publicação parece que nada tem a ver com o conteúdo do blog THP, mas tem.
Sejamos inteligentes para agarrar esta oportunidade da transmissão televisiva e que se tomem todas as devidas precauções para que a mesma seja um sucesso. Falamos da introdução da figura “treinador” nos comentários que são produzidos ao longo dos variados jogos.
É importante não esquecer este ponto fulcral. É a imagem de toda uma modalidade que está em causa perante um país que irá ver hóquei em patins pela primeira vez em muitos casos. Outros irão retornar a ver e outros vêm frequentemente.
Em nossa opinião, este campeonato tem dos melhores (e não são poucos) jogadores do mundo, tem dos melhores (e não são poucos) treinadores do mundo e tem alguns dos melhores clubes do mundo. A qualidade está assegurada.
Logo, este campeonato terá de ter as melhores transmissões televisivas do mundo. A nível técnico e de imagem não podemos tecer comentários. Apenas dizer que a primeira impressão é positiva.
A outro nível, a nossa modalidade precisa de alguém e de várias pessoas que simultaneamente para além de perceberem e entenderem as regras atuais da modalidade, ajudem os telespectadores a entenderem o hóquei em patins desde o pormenor mais básico à questão mais técnico/tático.
Não chega relatar o que todos vêm pelo ecrã. Isso é a função da própria imagem.
Temos de cativar com sabedoria e prender à televisão todas as pessoas.
Temos de explicar a modalidade para que a mesma seja cativante desde um jovem que não conhece a modalidade até um adulto que a praticou dezenas de anos.
Temos de abordar o hóquei em patins para além daquilo que os olhos vêm.
Temos de tecer explicações objetivas e sucintas para as mais variadas situações do jogo de hóquei em patins.
Temos de dominar aqueles pequenos pormenores que nos ajudam a perceber grande coisas.
Temos de dominar o campo técnico, tático e do desenlace do próprio jogo.
Temos de conhecer o historial dos clubes e dos jogadores que estão em campo em cada jogo.
Temos ainda um caminho a percorrer neste âmbito.
Onde queremos chegar com isto?

Fácil. Somos da opinião que faz falta ver nas transmissões televisões grandes treinadores de hóquei em patins que andam por aí e que “vivem” esta modalidade com muita sabedoria. Grandes treinadores, profundos conhecedores da modalidade e com dom para a comunicação que certamente poderiam ajudar muito neste campo.

FONTE: Blog THP

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: “TREINOS UP/DOWN”


Deixamos um exemplo de uma possível distribuição semanal de treinos (sujeita a criticas e retificações). Partimos de dois pressupostos:

- Clube que tem todos os escalões de formação até seniores.
- Disponibilidade de pavilhão diária a partir das 18h.

Sabemos que a realidade de uma boa parte dos clubes de hóquei em patins não é esta, mas este exemplo serve para provar que os treinos “up/down” podem solucionar questões de espaço e de horários.
O que são treinos “up/down”? São treinos em que pelo menos uma vez por semana um determinado escalão treina com um escalão de idade inferior, que “serve para treinar” as questões mais ofensivas e uma outra vez treina com um escalão de idade superior, que “serve para treinar as questões mais defensivas. Depois do “up/down”, todos os escalões têm pelo menos um treino onde podem treinar focados no jogo do fim de semana.
Esta forma de planeamento é já aplicada em alguns clubes de hóquei em patins e os resultados têm sido satisfatórios. Noutras modalidades, este é já um “habitué” na forma de planear e organizar todos os treinos durante uma época inteira.

Exemplo:

2ªf
3ªf
4ªf
5ªf
6ªf
Sab.
Dom.
18h-20h15

Sub-10
18h-19h

Escolas de Patinagem
18h-19h

Escolas de Patinagem
18h-19h

Sub-10
18h-19h

Sub-10
10h-12h

Escolas de Patinagem
Jogo

Sub-15
19h-20h15

Sub-10 + Sub-13
19h-20h30

Sub-17 + Sub-20
19h-20h15

Sub-13 + Sub-15
19h-20h15

Sub-13
19h-20h15

Sub-15
Jogo

Sub-13
Jogo

Sub-20
20h15-21h30

Sub-15 + Sub-17
20h30-21h30

Feminino
20h15-21h30

Sub-20
20h15-21h30

Sub-17
20h15-21h30

Feminino
Jogo

Sub-17
Jogo

Sub-10
21h30-23h

Seniores + Sub-20
21h30-23h

Seniores
21h30-23h

Seniores
21h30-23h

Seniores
21h30-23h

Sub-20
Jogo

Seniores
Jogo

Feminino


20h-21h30

“Treino Físico” (Ginásio)
Feminino
20h-21h

“Treino Físico” (Ginásio)
Sub-20




Resumo do Volume Semanal de Treino (Volume de treino de acordo com o tempo de jogo):

Escolas de Patinagem: 4h
Sub-10: 3h15min
Sub-13: 3h30min
Sub-15: 3h30min
Sub-17: 4h
Sub-20: 5h30min
Seniores: 6h
Feminino: 3h45min

FONTE: Blog THP

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: INÍCIO DE ÉPOCA DA FORMAÇÃO? E OS PAIS?


Nesta fase inicial da época, é importante existir pelo menos uma reunião com os pais/encarregados de educação dos jovens hoquistas.
Independentemente de existir continuidade do treinador, estas ações são importantes e poderão trazer mais vantagens do que desvantagens ao longo da época.
As informações a passar deverão ser objetivas e precisas. É óbvio que não menos importante será ouvir a opinião dos pais/encarregados de educação e tirar todas as dúvidas que possam surgir.
Assuntos de fórum mais privado ou situações pontuais que possam vir a ocorrer devem ser tratadas caso a caso e individualmente. Assuntos como quotas, pagamentos, etc., não devem ser tratados neste tipo de reuniões.
Estas reuniões, em nosso entender devem centrar-se nos seguintes pontos:

- Dar a conhecer os objetivos coletivos (objetivos reais e concretizáveis);
- Dar a conhecer em traços gerais a forma como se irá trabalhar tendo em conta os objetivos coletivos (assuntos de ordem técnica e tática não são para ser tratados ponto final);
- Expor as principais regras de conduta que serão exigidas aos jovens hoquistas;
- Mostrar o mapa de treinos a ser cumprido;
- Esclarecer regras que serão implementadas, meios e ajudas para os dias dos jogos;
- Expor possíveis atividades a realizar com os pais, como por exemplo: Natal, dia da mãe, dia do pai, etc;
- Definir muito bem como se estabelecerá a “comunicação” entre treinador e pais.


FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: SIMPÓSIO PARA TREINADORES



É já no dia 10 de setembro de 2016 (Sábado), em paralelo com a realização do Torneio Dr. Joaquim Guerra, que se realiza o "VII Simpósio HCT 2016".
Este fantástico evento de partilha e conhecimento conta com um painel de luxo e tem de novo a parceria da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, estando em processo de acreditação para treinadores de Desporto junto do IPDJ.
Faça já a sua inscrição preenchendo o formulário no seguinte link:

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: TREINOS DE PRÉ-ÉPOCA NA FORMAÇÃO


Chegada esta fase de início de época, cada vez mais se assiste no hóquei em patins de formação (modalidade que se pratica de patins), a treinos tremendamente “duros/puxados” no que concerne ao treino físico de sapatilhas.
Tudo planeado ao milímetro para os jovens praticantes de hóquei em patins por parte dos treinadores. Cargas em excesso, intensidades a “olhómetro” e volume até rebentar. Muitas vezes é esta a realidade. Nada contra, nada a favor! Cada treinador saberá certamente o que pretende e a forma como está a trabalhar.
Muitas vezes, os jovens atletas ainda não atingiram um ponto de maturação ao nível do sistema nervoso central e já estão a levar com treinos de “adulto” em cima.
A nossa modalidade é muito específica a todos os níveis. Embora seja praticada sobre patins, é possível trabalhar a componente física com os patins nos pés e com bola no stick e não somente de sapatilhas.
Dizem as crianças/jovens praticantes da modalidade, que quando andam com os patins no pés e a bola no stick que os treinos até são mais divertidos e dá mais prazer praticar a modalidade.
Tendo em conta este barómetro de medição, os próprios jovens praticantes e a sua satisfação, o treinador não deve ter dúvidas no tipo de trabalho a fazer.
Convém não “esquecer” e/ou descurar nesta fase o trabalho de patinagem e de técnica individual nos jovens praticantes. Em nosso entender é por aí que deve passar o planeamento. A questão física nem sequer deveria existir. Relembramos que estamos a falar de jovens atletas e de hóquei em patins de formação.
Chamamos a atenção dos que não concordam com esta publicação de opinião, que a optarem pelos tais chamados treinos físicos de sapatilhas, que pelo menos apliquem testes de avaliação e aptidão física antes de planearem os próximos treinos e que repitam esses testes diversas vezes.

Nestas idades jovens e nesta fase, é mais importante o jovem hoquista sorrir do que transpirar. O segredo é o jovem hoquista transpirar sorrindo!

Opinião Pessoal de Hélder Antunes