quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DO FUTEBOL PARA O HÓQUEI EM PATINS

Artigo de opinião sobre a modalidade de futebol que em nosso entender em tudo se pode adaptar ao hóquei em patins. Transcrevemos a íntegra o artigo de opinião sobre futebol. Caberá a cada um de nós, transpor para o hóquei em patins.

«Defendo que os melhores treinadores devem estar na base dos clubes, a trabalhar com aqueles que poderão ser os futuros jogadores dos planteis seniores.

Estes treinadores devem ser os que têm mais conhecimentos e experiencia, porque é nas idades mais baixas que os jogadores aprender melhor os conhecimentos que vão ser importantes para o futuro.

Com esta mudança no pensamento da formação, os clubes podem começar a alimentar as suas equipas seniores com os jovens ali formados, e essencialmente da zona do clube.

Para isto acontece, todo o clube deve estar ligado e deve haver comunicação desde as equipas técnicas dos Traquinas aos Seniores. Porque se cada treinador seguir as próprias ideias, que nada têm a ver com a ideia e modelo do clube, não será possível colher os melhores resultados. Se a escolha do treinador dos Seniores não tiver em conta a filosofia do clube e não respeitar o que se faz na base do clube, todo o trabalho de muitos anos de formação de um jogador, pode ser completamente ignorado e deitado ao lixo.

Mas esta ideia de colocar os melhores treinadores na formação dos clubes é praticamente utópica. Cada vez mais os treinadores que trabalham com jovens querem mostrar todo seu conhecimento a um grupo de miúdos. Mas se esse conhecimento não for o adequado para um grupo daquela idade, apenas estaremos a deformar. Todas as teorias e metodologias que se aplicam nos seniores e que vemos nos treinadores de referencia da alta competição não serão as melhores para um grupo de jogadores que ainda estão a iniciar a pratica desportiva.

Geralmente, muitos destes treinadores utilizam estes escalões de formação para ganhar e para dar nas vistas para que alguém os convide para as equipas seniores. Porque os treinadores da base raramente são reconhecidos pelo seu trabalho, são mal renumerados e normalmente têm de resolver todo o tipo de situações com os pais e familiares dos jovens.

Faça o que fizer, o treinador de formação é quase sempre criticado. Porque os pais entendem que os filhos são os melhores e não jogam tanto como os outros, porque entendem que o treino não é o adequado, porque viram na TV um treino de uma equipa sénior e não era nada daquilo que eles faziam, porque o treinador não fala ou grita muito durante os jogos, etc. 

Mas a principal crítica é de não ganhar jogos.


Há uns treinadores melhores do que outros. Uns com verdadeiro espírito de formadores e outros mais focados nos resultados. Todos eles têm valor. Não podem ser todos formadores. Mas quem trabalha na formação deve deixar os êxitos e as vitorias imediatas para trás. Em vez de se pensar apenas em vencer, o pensamento devia ser como vencer. Vejo jogos de equipas de formação onde há eternos titulares e eternos suplentes, jogam quase sempre os mesmos. Aqueles que são considerados os melhores. Mas com os devidos estímulos os que jogam menos não poderão chegar ao nível dos outros? Devem os treinadores destes escalões reclamar e insultar árbitros e adversários? São estes os formadores que os pais querem para os seus filhos? Evidentemente que não!

A formação do treinador é fundamental. Tem de estar preparado para educar e orientar. Tem de estar preparado para perceber que todas as crianças são diferentes. O porquê de uma criança não evoluir, o porquê de certas reações e comportamentos…

O importante é indicar e orientar o caminho para a vitória. Não gritar com um jogador por causa de um erro, ajuda-lo a resolver os problemas que o jogo vai colocando em vez de dar a resposta. A vitória, nestes escalões, não é apenas o que diz o marcador no final. Devemos valorizar mais a evolução técnica e a conduta dos jogadores.

O futebol jovem cria a base dos jovens jogadores, é a base do conhecimento do jogo e do desportivismo, ajuda a eliminar e afastar vícios, ajuda no rendimento escolar, em resumo ajuda a ser melhor pessoa.
Porque nem todos os jovens jogadores irão jogar nas equipas seniores. Muitos vão desistir ao longo dos anos, outros vão escolher outro desporto, etc… Mas certamente que nos anos em que jogaram futebol se tornaram melhores pessoas, o que os irá ajudar na sua vida futura.

Um treinador de base trabalha para o futuro do clube, dos jovens jogadores e da comunidade. É muito mais do que apenas um treinador. É um educador. E deverá retirar satisfação pessoal por esse processo.

Treinar é muito fácil, mas treinar bem é muito difícil. Ser bom profissional é conhecer a fundo a profissão que praticamos, é ser responsável e serio, preocupar-nos todos os dias com a evolução dos jovens, manter a confiança com os jovens… Mas um bom profissional também ajudar e passar a sua experiencia e conhecimentos aos outros. Só assim haverá evolução. O fator X nos treinadores de formação é a capacidade de transmitir conhecimentos, com a finalidade que eles sejam aquilo que podem ser e não aquilo que nós queremos que eles sejam.»

FONTE: Tiago Botelho. AQUI  

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: MISTER O QUE TU DIZES É MUITO IMPORTANTE!



Às vezes damos por nós a defender causas e crenças sem compreender muito bem o alcance das mesmas e o impacto que podem provocar. O discurso e o conteúdo de um treinador – já para não abordar a postura durante a comunicação – são importantes e é fácil encontrarmos treinadores, atletas e dirigentes a defender a importância de o treinador ter uma boa capacidade de explanar as suas ideias, ser claro, conciso, concreto e empático.

Mas para lá da necessidade de passar a mensagem, e é através desses simples gestos que o treinador consegue transmitir o seu conhecimento, existe ainda outro fator muitas vezes esquecido ou ainda desconhecido: é através da comunicação e da intervenção, do tipo de palavras que se diz, o tom, o momento, o tempo que se dá para que seja um diálogo e não um monólogo, que se produz também inteligência no atleta!

Inteligência como? Porque transmitimos conhecimento? Não. Porque o diálogo, se as palavras forem mais positivas e interrogativas do que negativas e impositivas, permite que o atleta processe a informação e o tal conhecimento que o treinador transmite. Porque o diálogo após um exercício, questionando o que o atleta compreendeu do exercício ou ouvindo sugestões dos próprios atletas, permite que estes se debrucem sobre o conhecimento que têm na sua posse e «joguem» com ele. Cruzando informação, vendo mais além e alinhando com os objetivos do treino, do exercício ou da equipa.

Quando filmamos, gravamos e contabilizamos as intervenções do treinador o que podemos também captar é isto. O relacionamento entre um treinador e o atleta é das ações que mais impacto têm na predisposição para que o atleta dê mais de si. Esse discurso pode até ser num tom muito suave ou até simpático, mas pode ao mesmo tempo ser castrador da capacidade do atleta perceber o que faz, levando-o a apenas o fazer porque alguém ordena, manda, decide. Ao contrário, se for um discurso de questionamento e descoberta através do atleta com o treinador e não apenas ‘porque sim’ ou ‘porque não’, criamos no atleta uma capacidade de pensar mais.

E sim, o treino neste momento está formatado mais para fazer do que pensar. Ao contrário do jogo, que tem um misto de pensar e fazer bastante equilibrado. Então, se queremos jogar como treinamos ou treinar como queremos jogar, há aqui algo que não bate certo. E cabe a cada treinador perceber se prefere um atleta que execute apenas com um conjunto limitado de decisões que está capacitado para tomar ou criar aos poucos no atleta um ser pensante daquilo que faz e, com isso, compreender e decidir melhor.


FONTE: Rui Lança, in MaisFutebol

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

HÓQUEI EM PATINS: SE EU ESCOLHESSE O MEU TREINADOR DE FORMAÇÃO.


Seguimos a tendência de outros espaços e realizamos uma publicação no âmbito dos treinadores de formação. A nossa publicação de carácter meramente opinativo é direcionada para treinadores de jovens equipas de formação já inseridas num modelo de competição (se é que assim podemos denominar) de hóquei em patins.
Colocamo-nos na “personagem” de se eu fosse dirigente de um clube com funções de “contratar” um treinador de uma equipa de formação com competição, em vez de nos colocarmos na “personagem” de eu ser treinador.
Assim sendo, quando tivesse de traçar um perfil ou uma série de qualidades a ter em conta, “o meu treinador”, ou o treinador que eu escolheria teria de possuir as seguintes características:

- Ser um treinador que realize apenas planeamento para o treino seguinte.
Quem “dita” o planeamento são os atletas. Não poderá ser um treinador que planeie a médio e longo prazo. Assim, salvaguarda-se a assimilação de diferentes aquisições que os atletas devem possuir consoante a faixa etária. Uns precisarão de mais tempo e outros de menos. Deixemos que sejam os atletas a marcar o andamento do planeamento. Devem é existir objetivos a médio e a longo prazo em vez de planeamentos. Logo mesociclos e macrociclos não interessam para já nesta fase.

- Ser um treinador feliz e interventivo.

- Um treinador conhecedor das técnicas bases de ensinamentos do hóquei em patins.
Alguém que não perca muito tempo com questões táticas. Alguém conhecedor, mas que alie ao conhecimento uma boa transmissão desses conhecimentos (boa comunicação).

- Um treinador que tenha como premissa de resultados a serem obtidos os da evolução individual dos atletas e da equipa.
Resultados de jogos não interessam comparativamente com a alegria dos atletas e da equipa.

- Um treinador que não use quadro tático nestas fases.

- Um treinador que imponha liderança sem castigos e gritos.
Nada mais importante do que ver os atletas satisfeitos, sem choros ou sem vontade de treinar.

- Um treinador criativo na forma de orientar os treinos e HUMANO na forma de orientar os jogos.

- Um treinador que não perceba nada de preparação física.
Caso tenha conhecimentos de preparação física, então que os saiba não aplicar esses conhecimentos.

- Um treinador que use patins e stick nos treinos, por mais confortáveis que sejam os apoios da tabela do recinto do jogo.

- Um treinador que NÃO estude as equipas adversárias.
Foco apenas na sua equipa e nos seus atletas. Nada de distrações com os outros.

- Um treinador que dê preferência ao ensino da técnica da patinagem com stick juntamente com domínio de bola.

- Um treinador que aplauda as diversas tentativas de erros dos seus atletas ao tentarem execuções técnicas mais elaboradas.

- Um treinador que explique a importância dos guarda redes nas equipas.

- Um treinador eu use o apito quando necessário e não por uma questão de imposição ou afirmação.

- Um treinador que incentive os seus atletas a terem ídolos do hóquei em patins e a verem esses ídolos in loco ou via televisão.

- Um treinador que não exija aos atletas mais que aquilo que eles podem dar a cada momento da sua evolução.

- Um treinador que identifique alterações de comportamento no atletas.

- Um treinador que seja amigos dos atletas sem deixar de ser o treinador.

O treinador com todas estas características seria o treinador que eu procuraria. Parece difícil encontrar treinadores com este perfil no hóquei em patins, mas a verdade é que há muitos treinadores (felizmente) na nossa modalidade com este “perfil”.Também não é menos verdade que há muitos treinadores na nossa modalidade que não deveria estar a orientar equipas de formação em competição.


FONTE: Opinião pessoal de Hélder Antunes