domingo, 29 de janeiro de 2017

O QUE É O BOM LÍDER? JOSÉ NETO


“Não fazer o que deve ser feito ou fazê-lo de forma incorreta, são males do mesmo tamanho”

“Conhecimento é saber a resposta … sabedoria é saber o melhor momento para a dar” , Albert Einstein

Ao longo do tempo e em especial a partir do início do sec. XX a questão da liderança tem sido alvo de estudo mais elaborado por investigadores da área das ciências humanas e sem que exista uma absoluta forma de a definir, acabam por qualifica-la como um processo comportamental que consistia em influenciar as atividades de uma equipa ou determinado setor no alcançar dos seus objetivos, incidindo pela influência interpessoal da autoridade exercida, associando a arte de educar, orientar e estimular os atletas na procura dos melhores resultados perante um ambiente competitivo e os desafios, riscos e incerteza colocados.

A partir de várias investigações e modelos explicativos, foi-se verificando uma evolução de conceitos, quer centrando-se no estudo dos traços de personalidade, na observação dos comportamentos assumidos pelos líderes e nas variáveis situacionais que influenciavam a eficácia de liderança centrado no carisma e na capacidade transformacional do líder na relação com os seus colaboradores.  

A isto veem-se associados os atributos de personalidade, tendência para o domínio em relação com os demais, necessidade de influenciar as ideias dos outros, valorizando as motivações para o encorajamento do grupo, vendo no trabalho apelativo e estimulante uma promoção de sentimentos duma identidade coletiva.

Após um complexo e variado estudo do modelo multidimensional de liderança, diversos autores, nomeadamente Chelladurai, P. et al.; (1993), afirmam pela avaliação do modelo em causa que o rendimento ótimo e satisfação do grupo são atingidos quando os comportamentos exigidos reais e preferidos são congruentes.

Ainda referem que, á medida que os atletas vão evoluindo na idade e a sua experiência é um indicador a ter em conta, a preferência por comportamentos autocrática por parte do líder/treinador, utilizando o seu poder para influenciar, excluindo os liderados na tomada das suas decisões.

Numa fase de aprendizagem há uma preferência do estilo de liderança num clima de maior proximidade com o líder, proporcionando um clima de maior aconselhamento e apoio, vendo-se aumentados os níveis de confiança.
Em relação aos atletas masculinos e femininos parece haver um registo distinto de interesses, em que os atletas masculinos preferem um estilo mais autocrático e os femininos um estilo democrático, permitindo-lhes assim o poder participativo na tomada das decisões.

Os atletas com maior capacidade de serem bem sucedidos e com melhores níveis de rendimento, preferem comportamentos de instrução e treino, logo mais democrático por parte do treinador, sendo-lhes facultada a discussão perante os problemas, sugerindo alternativas e notável capacidade de cooperação.

Como nota importante em relação ao que foi referido, verifica-se que os atletas se sentem mais negativamente afetados ao nível da sua satisfação pessoal, quando o treinador não adota um estilo de orientação do treino e na competição que esteja desinserido daquele que é da sua preferência, podendo aqui ver considerado os casos de desportos individuais e coletivos e constituição do género, conforme definem e bem Weinberg e Gold (2001).

Deste modo torna-se fundamental elaborar uma avaliação de competências por parte dos jogadores no sentido de ver registado qual o estilo de treino mais congruente, preferido e percecionado.

Através duma escala de liderança, é possível elaborar uma disponibilidade compatível com a dinâmica a ser imprimida por parte do treinador no sentido de estudar as medidas de liderança, coesão e satisfação e constatar se os níveis de reforço e treino e instrução estão associados á coesão da tarefa e ao estilo de liderança do treinador pela capacidade influenciar ou não as condutas, sentimentos e competências nas tomadas da decisão em conjugação com o êxito obtido ou o inêxito referenciado, claramente julgado pela magna orientação do líder, que quantas vezes … “se veem a sacudir a água do capote”.

Há vantagens e desvantagens em qualquer dos estilos utilizados. O que determina se o estilo está mais ou menos apropriado são as características do grupo. Algumas posturas determinam a função para a qual se deve imprimir a dinâmica. Nesse sentido, volto a referir, torna-se imperioso caracterizar o grupo de forma categórica.

Os instrumentos mais utilizados para avaliar os comportamentos de liderança têm sido a E.L.D. (Escala de Liderança no Desporto), desenvolvido por Challadurai & Saleh, a partir do início da década de 1980 e é a partir daí que se poderá avançar com uma conduta extraordinariamente focada nos êxitos a alcançar.

A autoridade do treinador está consubstanciada à exigência de funções para quem submete às orientações técnicas, físicas, táticas, estratégicas, etc, o jovem ou menos jovem e o adulto na prática duma determinada modalidade. Por vezes a influência do treinador ultrapassa o contexto desportivo e passa a ser o conselheiro, o amigo mais próximo e por vezes, eles próprios não têm sequer consciência clara de como podem afetar os seus atletas.

Não existe um estilo padrão onde se possa processar a fundamentação para o êxito. O melhor líder é aquele que consegue o maior número de estilos e seja capaz de mudar de acordo com as circunstâncias existentes, com vista à melhoria e otimização da performance da equipa e da sua organização.

O bom líder sabe partilhar responsabilidades, divide com os seus colaboradores as decisões, dando-lhes liberdade de ação e sugestão. Por vezes, gerir comportamentos após os sucessos conseguidos, torna-se mais difícil que gerir inquietações após os inêxitos obtidos, estando a equipa mais disponível para alcançar as fontes para o sucesso por via das adversidades, convertendo-as em oportunidades.

Um bom líder consegue ultrapassar a barreira do “impossível” formulando objetivos de conquista difíceis e encorajadores, usando uma boa dinâmica comunicacional para a validação das suas competências.

Um bom líder é capaz de transpirar rigor e usar uma disciplina partilhada. Não usa as desculpas para esconder as suas fraquezas, nem os lamentos para afagar as suas ideias.

Um bom líder é aquele que não convence apenas pelo uso das palavras, mas aquele que é capaz de surpreender pelas atitudes.

Um bom líder é aquele que é capaz de reunir em cada gota de suor paixão, coerência, otimismo, empatia, consciência e razão.


FONTE: José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.- U.E.F.A.; Docente Universitário, in jornal Abola http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=653289

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A FORMULAÇÃO DE OBETIVOS COMO FOCO REGULADOR PARA A OBTENÇÃO DO ÊXITO


Para além disso, quando um atleta tem a capacidade de atingir objetivos reais e coerentes de conquista, a vontade de ganhar ultrapassa o medo de falhar e está mais disponível para vencer e nesse estado de confiança reside uma capacidade energética que emerge como fonte propulsora para a admissão do êxito.

Ainda a implicação pessoal de perseguir um compromisso ajuda a ultrapassar as dificuldades que se lhe possam apresentar e a obter uma regular satisfação pelo espírito de sacrifício experienciado.

Como referimos, os objetivos variam de equipa para equipa e desta mesma, de jogador para jogador. Um jogador que pretenda atingir o valor de internacional, tem de se preocupar em não ser apenas titular da sua equipa, mas apresentar as melhores prestações de forma continuada, jamais esquecendo que não poderá chegar ao topo sem passar pela base, sendo várias as etapas intermédias que podem ser decompostas no planeamento.

Em termos práticos, poderemos enunciar a avaliação do grau de eficácia duma equipa em termos de finalização, a percentagem do domínio de posse da bola, a valorização do resultado em situação de vantagem no marcador, a capacidade de neutralização de bola perante o adversário, etc, como em termos individuais, poderemos justificar tantos quantos os elementos necessários para constituir um ranking de sucesso na atribuição da sua prestação.

Verifica-se através de vários estudos já realizados, que uma grande parte de atletas bem - sucedidos, são mais capazes de atingir e controlar o sucesso em causas onde a estabilidade impera, o sentimento de orgulho e auto estima vigora e a experiência decorrente das participações efetuadas o regista, vendo-se aumentado o seu grau de comprometimento. Aliado a isto, a capacidade de envolvência de pessoas significativas que possuem uma identidade ganhadora, permite absorver um estado de referências positivas, pela imediata transferência de comportamentos por modelagem comportamental.

Seguindo as referências de (Hardy e Grace, 1989; Gould, 1993; Cruz 1997; Sequeira, 2007 e Neto, 2011, et al), anoto em termos práticos algumas valências ou princípios orientadores, suficientemente capazes para a consecução de objetivos de conquista:

- A dinâmica imprimida nos treinos deve sempre evidenciar sentimentos de competência de forma a promover ações tático-técnicas com base nos êxitos experimentados.

- Reforçar o apoio comunicacional, promovendo elogios verbais e não verbais onde se processe o encorajamento, apoios e outras estratégias assertivas de confronto.

- Formular objetivos de rendimento por oposição nos objetivos de resultado. O melhor jogo que termina numa derrota pode gerar satisfação se o padrão de rendimento foi elevado (esta derrota poderá ser mãe de muitas vitórias). Do mesmo modo quando um fraco rendimento termina com vitória, pode gerar insatisfação, podendo ser o pronuncio de sequentes derrotas.

- Estabelecer objetivos devidamente mensuráveis, usando fichas de avaliação capazes de obter uma classificação em termos de rankings descritivos de sucesso.

- Apurar datas bem definidas para a concretização dos objetivos, procurando uma definição clara dos mesmos, podendo e devendo ser difíceis e encorajadores, mas suficientemente realistas para serem atingidos.

- Estabelecer objetivos a curto, médio e longo prazo – época, mensais, semanais, diários, treino. A produção da eficácia está na possibilidade de transitar a conquista dum objetivo a curto prazo para a sequente evolução do comportamento. Exemplo: para efetuar um bom treino tenho de ter um bom descanso e alimentação adequada; um bom treino permite a convocatória para o jogo e um bom jogo permite a continuidade seletiva, podendo até obter a internacionalização.

- Formular objetivos positivos, de forma a selecionar o que se pretende atingir e esquecer situações para as quais devo evitar: passes positivos, remates com sucesso para o golo, jogadas padrão que conferiram o êxito, etc…

- Assegurar que os objetivos individuais não entrem em conflito com os objetivos da equipa, aditando o comprometimento pessoal na sua realização.

- Ser capaz de se auto avaliar, registando os índices de rendimento e as estratégias para os atingir. A imagem do atleta deve estar devidamente definida, isto é, transferir aquilo que é para aquilo que espera ser, revisitando o padrão pessoal de comportamento para a excelência.

A formulação de objetivos constitui sem dúvida um instrumento ou estratégia eficaz para quem pretenda ser bem sucedido, no sentido de clarificar expetativas e aumentar os índices motivacionais e ganhos de confiança, elevar as capacidades de atenção e concentração, vendo de forma mais concludente a transferência do rendimento em sucesso.



FONTE: José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.-U.E.F.A.; Docente Universitário, in Jornal Abola, http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=649197

sábado, 14 de janeiro de 2017

NOTA INFORMATIVA

Regressaremos na próxima semana, entre 16 e 20 de janeiro de 2017, às nossas habituais publicações semanais.
Motivos de força maior, levaram a um período maior de inatividade do blog THP. 
Agradecemos a vossa compreensão.

THP