quinta-feira, 27 de abril de 2017

11 ANOS BLOG THP – Treinadores de Hóquei em Patins



É com orgulho que chegámos ao décimo primeiro ano de blog THP com publicações contínuas e sem interrupções. Jamais pensamos que sobreviveríamos tantos anos. Na nossa modalidade são poucos os blogs do género que estão ativos há tanto tempo. Não viemos para ficar, mas ainda cá andamos.
O blog THP é meramente um projeto pessoal sem quaisquer contrapartidas. É uma carolice. Tentamos ajudar numa área que, pensámos nós, ainda há muito que fazer.
Sabemos que estamos mais perto do fim. Todos os projetos pessoais deste género tendem a desaparecer (frase de Pedro Jorge Cabral num simpósio que partilhamos em Turquel, salvo erro em 2010).
Actualmente existem sites e projetos do género do nosso. Aliás, melhor que o blog THP. Não conseguimos fazer mais, mas fazemos o que podemos. O blog THP continuará a partilhar publicações que sejam do interesse dos treinadores, em especial dos treinadores de hóquei em patins. Essa partilha será sempre gratuita, defendendo os direitos de autor a quem de direito.
Pensamos que o hóquei em patins é um mundo pequeno. Para o tornarmos maior devemos realizar partilhas e passagem de conhecimentos de forma espontânea, livre e gratuita.
Dentro das nossas possibilidades, tentaremos realizar publicações até 31 de Dezembro próximo. Depois logo se verá. As forças começam a ser menos, a disponibilidade profissional exige mais tempos e o tempo familiar não pode ser descurado.
Congratulamo-nos com a existência de outros espaços e tal como dizemos há 11 anos (ainda em 2010 foi dito no simpósio de Turquel), o nosso objetivo é ter zero visitantes. Quando assim for, teremos a certeza que há mais e melhores espaços que o THP e que a nossa missão foi cumprida.
A única tristeza com que nos deparamos nestes 11 anos de existência é a ausência de uma maior participação dos treinadores de hóquei em patins para com o blog. Obrigado aqueles que partilharam, obrigado aos que não partilharam e obrigado aos que vão passando por aqui. Há mais de 3 anos que não recebemos por exemplo uma opinião voluntária ou exercícios da modalidade para publicação no blog. Dá que pensar.
Temos também de referir e dar uma palavra de apreço a todos aqueles que nos seguem fora de Portugal e que neste momento representam mais de 50% dos nossos visitantes.
Estamos de email aberto para receber exercícios ou artigos vossos em treinadoreshp@gmail.com.
Obrigado a todos.

Hélder Antunes

Administrador do Blog THP

quinta-feira, 20 de abril de 2017

NUNCA DEIXEM UM ATLETA DESORIENTADO EM CAMPO


Qualquer atleta de desportos coletivos tem várias características que o diferem dos seus colegas e adversários. A diferença entre a capacidade física, técnica, tática e psicológica de cada um atleta coloca-o em vantagem ou desvantagem com os colegas de profissão. Entretanto, mesmo que um atleta seja muito bom em todas essas características, quando é mal orientado pelo seu treinador, não rende o seu potencial máximo e acaba em muitos casos por render menos do que jogadores com características piores, mas bem orientados. Como foi visto na importância da antecipação nos jogadores de futebol, a decisão correta e rápida leva o jogador a fazer um bom resultado, o que acabará por influenciar toda a equipa.

(…)

 Dicas para que um jogador nunca seja surpreendido

Quando um jogador é surpreendido, é obrigado a tomar uma decisão muito rapidamente sem sequer ter tempo para avaliar a situação momentânea. E se adversário tomou uma decisão primeiro e já está em movimento, dificilmente o jogador alcançará o adversário a tempo de o impedir de realizar a ação que deseja. Isto quer dizer que um jogador que fica surpreso é um jogador que está com sarilhos. O treinador deve evitar isso nos jogadores:

- Ensinando-os taticamente:  qualquer jogador necessita de reconhecer o que se passa no jogo e saber tomar decisões corretas. Mesmo que o jogador não seja muito criativo, deve pelo menos cumprir a sua função com honra, assim como reconhecer qual é o seu papel no meio da equipa e o que pode falhar na forma de jogar dos seus colegas caso ele falhe também.

- Treinando-os taticamente:  a forma física de um jogador nunca o levará a tomar decisões que possam realmente ser importantes para a equipa. Afinal de contas, os músculos obedecem às ordens que a mente lhes envia. Neste sentido,  é necessário que o jogador seja bem treinado e seja sempre o primeiro a tomar uma decisão e a agir. O hábito de pensar bem e pensar rápido eleva a forma competitiva individual.

- Evoluindo-os taticamente:  não existe nenhum jogador que não possa continuar a evoluir, pelo menos enquanto o seu organismo o permitir jogar futebol. Sempre que o seu potencial máximo for atingido, o treinador deve procurar um novo limite para o atleta. Sem esquecer,  um atleta deve sempre treinar 110% daquilo que é capaz de fazer.

A diferença entre um jogador que procura uma solução e um jogador que toma decisões rapidamente

Precisamos simplificar a forma como funciona a nossa mente para fazer esta distinção. Podemos dividir em duas fases: quando a nossa mente aprende a realizar tarefas e quando a nossa mente pratica as tarefas que aprendeu. Inicialmente, quando estamos a aprender alguma coisa, levamos sempre um pouco de tempo para dar conta dos vários detalhes que essa tarefa compõe, e muitas vezes não conseguimos pensar em mais do que uma coisa de uma só vez. Por outro lado, quando já sabemos fazer essa tarefa, vamos praticá-la com mais eficiência, e é nesse momento que sentimos que estamos a aprender mais depressa. Acontece que em vez de uma decisão, tomamos várias decisões ao mesmo tempo, pois já temos bases fortes e já sabemos o que fazer. Para os jogadores, será muito importante ensinar-lhes a realizar cada uma das ações técnico-táticas, para depois atribuir objetivos às ações técnico-táticas.


Desta forma, compreendemos o quanto a tática do jogo é importante, mais importante que a forma física, embora precise desta para se manifestar. Ao mesmo tempo, necessita também da técnica e do fator psicológico para se manifestar com qualidade, uma vez que a forma física, a qualidade técnica e o fator psicológico são as características individuais que permitem o individual elevar o rendimento de todo o coletivo.

FONTE: Valter Correira, AQUI

segunda-feira, 3 de abril de 2017

COMO SER MAIS RESPEITADO ENQUANTO TREINADOR?



«Uma das dicas da moda refere que o treinador não pode ser amigo dos jogadores. Mas, porque não pode ser amigo, se é o líder do grupo, é o líder desses jogadores? Um líder não é amigo dos seus comandados, ou apenas os usa a seu belo favor? Ou, já que não é amigo, é inimigo do jogador? Alguma coisa não bate certo aqui, e precisamos perceber o quê, para melhorar a qualidade do nosso grupo. Tudo depende da forma como vemos a palavra amigo, e como tecemos as relações com os nossos comandados. 

Por opinião, não depende de ser amigo ou não dos jogadores, mas a quão próxima é a relação e como esta foi construída com o tempo. Existem relações que são muito próximas entre os treinadores e jogadores, onde ambos se respeitam mutualmente, e tudo o que fazem, é para servir o outro lado da relação. Existem outras relações mais afastadas, em que nem sempre podemos contar com os atletas, ou eles não podem contar com os treinadores, que resulta em tempo perdido para ambas as partes. Se ser amigo do jogador, corresponde a ensiná-lo, trabalhá-lo, protegê-lo e encaixá-lo na equipa, então, a palavra amigo adquire o significado correto no mundo do desporto. Por outro lado, se ser amigo é sair à noite, tratar as coisas da vida pessoal em conjunto, e fazer o que bem entender apenas por lucro próprio, o jogador e o treinador não só não estão a ser amigos dos seus colegas de equipa, como não estão a ser amigos de si mesmo.

(…)
Tenha consideração pelos jogadores
O sucesso pessoal do treinador nunca poderá estar acima dos jogadores, porque é através dos jogadores que o treinador ganhará títulos. Se a equipa está em baixo de forma, faça-os correr. Se a equipa está desmoralizada, dê-lhes forças, moralize-os. Se a equipa está desorganizada, organize-os, treine-os, mostre-lhes o que quer ver deles em campo e seja paciente com eles. Nunca diga "eu tenho uma reputação a defender", mas diga "nós temos uma reputação a defender".

Cumprimente todos os jogadores
Quando chega ao treino, não precisa ficar na conversa com os jogadores, para que estes não sejam demasiado próximos a si. Em vez disso, cumprimento-os um a um, com aperto de mão firme e olhe-os nos olhos, de forma franca e direta. Não aperte a mão da pessoa por mais de dois ou três segundos. Isso fica mal na postura de um líder. Há mais a fazer do que ficar ali especado a apertar a mão de uma pessoa. Depois, vá preparar o treino.

Use as palavras certas
A comunicação é a única forma de fazer uma equipa. Um líder que não comunica corretamente, não consegue fazer passar a mensagem daquilo que quer ver na equipa. Sempre que for falar aos jogadores, faça-o quando eles o ouvirem. Se estiverem a conversar enquanto alongam por exemplo, peça a atenção deles para o próximo exercício. Fale para os jogadores com voz ativa e cabeça levantada. Nunca diga "Preciso da vossa atenção se faz favor". Em vez disso, experimente "Atenção rapazes, atenção".

Aceite os jogadores
Nenhum jogador é 100% estúpido ou 100% inteligente, nem é 100% valioso nem 100% imprestável. Todos tem um papel no grupo e todos fazem falta. Aprenda o que cada um tem para oferecer ao grupo e o que é preciso proteger em cada jogador. Desenhe um modelo de jogo que esconda os pontos fracos dos jogadores e que mostre os pontos fortes deles. Eles não se aperceberão que o treinador fez isso, mas para eles, perceberá de futebol, e terá o respeito deles.

Aprenda com eles
O treinador, comanda o grupo, organiza as ideias do grupo, mas não é dono da verdade absoluta. Há coisas que não sabe e que pode aprender muito com eles. Nunca defenda a sua ideia, se sabe que você está errado e os jogadores estão certos. Isso pode acontecer em apenas uma situação, mas que é suficiente para que os jogadores nunca mais o respeitem como o respeitaram até ao momento.

Ninguém é diferente dos demais
Se puder aproximar-se o suficiente de um jogador para saber da sua vida pessoal, perceberá que ele tem objetivos, que lá no fundo, lhe quer agradar a si e aos colegas e desfrutar da vida. Você também.

Seja tolerante
Há por ai muitas pessoas vistas como más, possessivas, egocêntricas e/ou agressivas. Talvez não tenham quem os proteja ou os apoie, levando-os a agir dessa forma. Pode acontecer que um membro que acabou de entrar no grupo, que até agora era visto como grande jogador, esteja a fazer tudo mal. Talvez preciso de mais tempo para se adaptar, talvez tenha medo de falhar ou tenha problemas pessoais. Não faça caso disso. Apoie o jogador, seja tolerante e tenha paciência. Ele precisa de si.

Faça o trabalho de casa
Alguém me pode explicar como se resolvem as coisas à última da hora? A preparação, é fundamental. Organizar a equipa e evoluí-la segundo os conceitos em que acredita, só pode trazer bons resultados no campo. Não fazer nada ou fazer pouco no treino, e exigir alto rendimento aos jogadores no campo, não só não é uma atitude de um líder como equivale a fechar as portas ao sucesso no futebol.

Imponha limites desde cedo
Logo que um jogador lhe falte ao respeito, imponha-lhe um limite. Assim que um jogador lhe faltar ao respeito várias vezes, mais lhe seguirão. Não deixe que isso aconteça, para seu bem e para bem do grupo. Deixar que um jogador o desrespeite à primeira vez, é o único passo que precisa ser dado para que o treinador nunca seja respeitado.»

FONTE: Valter Correia, in http://www.teoriadofutebol.com/apps/blog/show/41973111-como-ser-mais-respeitado-enquanto-treinador-